Olá pessoal, quero agradecer os reviews, muito obrigada... tenho que avisar que vou ficar duas semanas sem postar essa fic, pois estou no termino de minhas férias e tenho muitas coisas a fazer, não terei tempo para escrever o próximo capítulo essa semana e postar no fds. então terá que ser no outro... peço desculpas por isso, mas gosto de fazer as coisas bem feitas e sem tempo não dá... bjus e espero os reviews...
Capítulo 10 – A confirmação
Harry estava quase tacando seu relógio na parede para que o despertador parasse de tocar. Ele tinha que levantar para ir tomar café da manhã no salão principal, mas aquela cama era tão gostosa e confortável que não lhe dava a menor vontade de levantar. Porém, quando o relógio tocou pela terceira vez, Harry jogou as cobertas para o lado e se levantou colocando os óculos para poder enxergar.
Uma luz fraca entrava por uma janela que ele não imaginou que existia. Ao chegar perto e afastar uma cortina de seda, ele viu que aquela janela era no limite do lago negro. Dali era possível ver a extensão da água escura, que por vezes era movimentada pela lula gigante que a espirrava no vidro grosso. Acima da janela havia outra, menor e redonda que abria, Harry fez uma anotação mental de abri-la quando sentir-se sufocado naquele quarto, porém, mesmo com tudo fechado, ele se sentia muito bem naquele lugar. Parecia que era encantado para que uma corrente de ar agradável circulasse pelo ambiente. Uma coisa ele não podia negar. Era realmente muito bonita a forma como o sol fraco daquela manhã cinza atingia aquele local. Era bem ao contrário do que Harry havia imaginado quando conversava com seus amigos sobre os cômodos do mestre de poções, até aquele prezado momento já havia descartado a possibilidade de um calabouço escuro e nojento.
Pelo menos seu quarto era bem apresentável.
Como seria o de Snape?
Melhor nem pensar nisso, provavelmente ele jamais se aproximaria da porta ao lado. Era proibido como o laboratório do professor. Seus passos ali dentro se resumiam ao quarto e a sala, então era melhor simplesmente tirar essa idéia da cabeça e se arrumar.
Vendo no relógio que tinha meia hora para se aprontar, Harry retirou a roupa jogando-a em um cesto perto do banheiro e procurou uma toalha, mas não encontrou nenhuma. Nem mesmo no guarda roupa.
"Devem estar no banheiro", pensou Harry se dirigindo ao local. Realmente estavam ali. Havia duas pequenas toalhas de rosto penduradas ao lado da pia. Uma grande para se enxugar após o banho e um roupão, todos brancos e com um bonito bordado feito a mão escrito Snape.
Harry pegou a toalha e ficou olhando o bonito bordado, em sua mente surgia uma dúvida boba. Deveria usar aquelas toalhas, mesmo sendo do Snape? Provavelmente o professor ficaria com raiva, não ficaria? Porém, enquanto pensava nisso, seus olhos captaram outro desenho. Ao lado do nome e em tamanho menor estava o desenho do leão da grifinória. Aquelas toalhas não eram do professor. Eram suas. Harry saiu do banheiro segurando o roupão e olhou os lençóis bagunçados na cama ainda quente, bem no meio havia um S e um leão. Rapidamente olhou seus outros pertences, tudo ali que pudesse identificar a pessoa a quem pertencia, menos o que Harry usaria na frente de outras pessoas, tinham o mesmo desenho.
A cabeça dele girou. Era um Snape, não mais um Potter. Tinha que se acostumar com isso, mas precisava conversar com Snape sobre esse fato.
Naquela noite. Depois do jantar.
Após voltar ao banheiro e ligar o chuveiro, Harry percebeu que se atrasou demais enquanto pensava na mudança de seu nome, agora tinha apenas quinze minutos.
As aulas daquela terça feira foram até mesmo agradáveis, o trio teve dois tempos de feitiços antes do almoço. Durante a aula, enquanto o professor tentava ensinar um feitiço de encolhimento avançado, Harry, Rony e Hermione conseguiram conversar tranquilamente, pois os alunos estavam ocupados demais treinando os meneios das varinhas.
- E então Harry, como foi a sua...lua de mel? – Perguntou Hermione meio sem jeito. Rony fez careta, mas estava ouvindo atentamente – Ontem você não teve tempo para nos dizer.
- Foi...er...agradável. – Respondeu tão sem jeito quanto Hermione, principalmente ao se lembrar das cenas da tarde de domingo – O país é bem bonito.
Hermione pareceu satisfeita com aquele pouco de informação, então não implicou com o menino por ele falar da paisagem. Porém, mesmo satisfeita com a resposta dada, sua curiosidade era grande demais para segurar as perguntas atrás de seus dentes.
- E como está sendo morar nos aposentos dele?
- Nada demais, eu tenho o meu quarto, posso usar a sala e só. Não tenho autorização de ir ao laboratório e nem ao quarto dele.
Hermione não fez mais perguntas, mas ouviu Harry falar sobre as toalhas que ainda o deixavam intrigado.
- Você terá que se acostumar com isso, e pelo que você disse o Snape até colocou um símbolo representando a Grifinória em seus pertences, acho que foi um gesto legal da parte dele.
- Eu não sabia que foi ele quem nomeou tudo.
- Claro que não foi ele diretamente, mas provavelmente ele mandou fazer. Não achou que aquilo tudo tinha aparecido do nada, certo? Ele deve ter feito durante aquelas duas semanas antes do casamento.
Harry não respondeu, ele realmente tinha pensado que aquilo tudo tinha aparecido do nada e não que Snape tinha mandado fazer. Talvez devesse agradecê-lo por isso. Foi como um presente. Não é? Ele tem que agradecer quem lhe dá um presente, é normal, então por que só pensar nisso lhe causava um frio na espinha?
O restante da aula se passou com os três fazendo anotações sobre o feitiço ensinado, Rony tentava copiar de Hermione que fazia cara feia para o ruivo. Depois disso os três foram visitar Hagrid e Harry ficou surpreso por saber que o meio gigante sabia de seu casamento.
- Como você sabe? – Perguntou o menino após o meio gigante lhe perguntar como havia sido na Grécia.
- Ora Harry, Dumbledore me contou, é claro. Sabe que nesse tempo de guerra temos que cuidar de você, eu tenho que protegê-lo e a única forma é sabendo o que acontece com você. E eu não sou o único, Arthur e Molly também sabem.
- Mas por quê? Se fosse assim era mais fácil gritar para todo mundo! – Disse Harry indignado.
- Harry, você vai estar em uma situação delicada dentro de alguns meses. – Disse Hagrid tendo o máximo de paciência com os acessos de raiva do amigo – As pessoas que mais terão contato com você vão precisar ter conhecimento e ninguém melhor para cuidar de sua gravidez do que a mãe de Rony.
- Pelo menos nisso ela tem grande experiência. – Comentou o ruivo.
Harry estava com um pouco de raiva por isso. Por mais que entendesse que era para seu bem, ele sentia como se fosse uma invasão de privacidade o fato de outras pessoas saberem de seu segredo.
Afinal, só há um modo de se engravidar e pensar no ato já era um martírio, imaginar que outras pessoas sabiam desses momentos particulares o incomodava, e muito.
Após mudarem de assunto e conversarem sobre os treinos de quadribol que estavam acontecendo, os três agradeceram os bolos duros que esconderam nos bolsos e rumaram para o grande salão.
Como já era de se esperar houve burburinho quanto a mudança de Harry para as masmorras, mas o menino não ligou para isso. Sua mente e seus olhos estavam interessados somente no homem na mesa dos professores que o observava atentamente com seus olhos duros e indecifráveis.
Harry havia parado na porta do salão principal e com o tempo começou a chamar um pouco de atenção causando assim uma crescente raiva nos olhos negros. Por que ele continuava parado encarando-o ao invés de ir para seu lugar almoçar? Perguntava-se Harry sobre seus próprios atos sentindo os sonserinos esbarrarem em seu ombro ao passarem na entrada. Em um desses empurrões, dado por Zabine, Harry se desequilibrou e quase caiu no chão, mas uma mão o segurou dando-lhe apoio.
- Ei, cuidado Harry. – Disse a voz animada.
Quando Harry olhou para cima, viu-se encarando os olhos verdes de Gina que lhe sorria enquanto segurava seu braço, ajudando-o a se recompor.
- Obrigado.
- Não por isso, esses sonserinos são uns idiotas mesmo. Vamos comer, ou você vai ficar parado na entrada do salão a tarde toda?
- Pensei que você iria se sentar com o Dino. – Disse Harry sem conseguir evitar um tom pequeno de raiva em suas palavras.
- Eu não nasci grudada com Dino, mas se for para você ficar falando comigo como se fosse o Rony então é melhor não irmos almoçar juntos.
Gina deu-lhe um olhar profundo e se afastou. Harry amaldiçoou sua falta de controle e a percepção de Gina. Xingando-se ele correu pelo corredor entre as mesas e segurou o braço dela antes de se sentar. A menina virou para ele surpresa e o olhou fortemente.
- Escuta Gina, me desculpa. Não queria ser grosso com você.
- Tudo bem. – Disse a menina suspirando e girando os olhos – Meninos.
Os dois riram e se sentaram ao lado de Neville. Rony estava um pouco mais adiante com cara de entediado enquanto Lilá o abraçava, Hermione estava emburrada e se escondendo atrás de um livro.
Apesar de ser difícil comer com um olhar pesado em sua nuca, Harry conseguiu terminar sua refeição e saiu da mesa com Hermione, Gina e Neville. Rony tinha saído com Lilá. No meio do corredor eles encontraram Luna dando pequenos pulinhos enquanto olhava sonhadoramente para o teto. Ela explicou para eles que estava apreciando uma espécie muito interessante de inseto com um nome complicado que ninguém fez questão de decorar. Rindo um pouco Gina se despediu dos amigos e saiu com Luna para suas aulas.
- Ei Harry, quer ir comigo até a estufa? – Perguntou Neville – Tenho que ver uma planta que ganhei da professora Sprout, tenho que ver se ela tem água e se já está grande o suficiente para ser colhida.
- Desculpe Neville, mas como tenho esse tempo livre vou adiantar meus deveres.
- Isso quer dizer que...
- Sim Hermione, eu vou para a biblioteca com você.
- Muito sensato de sua parte. – Comentou a garota.
- Tudo bem Harry – Disse Neville. – Fica pra próxima.
Os amigos se despediram de Neville e o viram descer os degraus para o jardim. Harry queria mesmo ir com ele, mas realmente tinha que terminar alguns deveres que deixou para depois, um deles era de DCAT e com certeza Snape não pegaria leve com ele se não estivesse com aquele trabalho pronto.
- Você me espera aqui? Tenho que pegar minhas coisas para podermos estudar.
- Tudo bem, mas vai logo, pois não temos muito tempo.
- Está bem.
Harry foi em direção à masmorra e não gostou de ter que fazer aquele caminho junto com os sonserinos. Os alunos iam em direção ao salão comunal que ficava do outro lado do escritório do professor Snape, porém até chegar lá havia um longo corredor que Harry detestou naquele momento por não ser largo o suficiente e ele ter que esbarrar em alguns alunos hostis.
- Olha por onde anda, Potter. – Disse um sonserino com cara de trasgo – Não vai querer que alguém te envenene novamente, não é?
Harry respirou fundo não dando atenção as provocações que eles praticamente cuspiam em sua cara. Ele estava quase revidando, mas então percebeu que Blaise, Pansy e o restante da turma estavam reunidos ali perto rindo-se dele, mas Malfoy, Grabbe e Goyle não estavam ali e nem estavam no almoço. Onde estariam? O que estariam fazendo quando todos estavam comendo?
Ele tinha que descobrir, mas como? Enquanto caminhava ele pensava, precisava saber onde estavam. De repente ele parou.
- Mas é claro! – Exclamou sorrindo e fazendo os sonserinos rirem de sua cara, mas ele não ligou para isso, apenas apressou o passo e seguiu para o lado de seus aposentos.
Foi agradável a sensação de passar pelos feitiços, já não via e nem ouvia as vozes dos alunos desagradáveis, agora só o silêncio lhe fazia companhia. Era bom. Com essa sensação boa ele apertou o passo e entrou nos aposentos de Snape, ou melhor, nos seus aposentos.
Antes de fechar a porta ele parou vendo que Snape estava ali, sentado em uma poltrona de frente para a lareira com um livro aberto em seu colo, mas com os olhos postos em si, frios e intensos.
- Oi.
O professor não respondeu, apenas continuou a olhá-lo. Harry sentiu-se um pouco bobo, ele ainda não sabia como agir quando estava frente a frente com Snape. O homem era sempre tão sério e rígido. O menino teve que abrir e fechar a boca diversas vezes antes de conseguir falar algo, Snape o olhava como se ele tivesse feito algo errado.
- Eu vim buscar meus materiais para estudar na biblioteca. – Por que estava se justificando? Ali era sua moradia também, podia ir e vir na hora que quisesse – Tudo bem?
- E o que está esperando? Ficar me encarando não irá fazer com que suas coisas se materializem na sua frente.
Harry queria revidar, mas ao invés disso apenas seguiu para seu quarto e pegou suas coisas no malão antes de voltar para a sala e sair sem falar nada.
Já no corredor e um pouco mais calmo ele abriu a mochila e pegou o mapa do maroto.
- Juro solenemente que não farei nada de bom – O mapa se abriu diante dele e seus olhos o esquadrinharam a procura daqueles mínimos pontinhos com os nomes dos sonserinos – Cadê vocês? O que andam fazendo?
Harry procurava e procurava, mas não os encontrava. Hermione ficaria nervosa, mas a necessidade de caçar uma desculpa para os sumiços de Malfoy era maior.
- Vamos.
O mapa estava cheio de pontinhos andando pelos corredores, alguns iam em direção ao jardim curtir o frio da tarde e um reles sol que se escondia, muitos iam para as aulas, havia muitos lugares a procurar, mas depois de alguns minutos seus olhos se depararam com algo que lhe abriu o sorriso. Grabbe e Goyle estavam no sétimo andar, sozinhos, andando de um lado para o outro. Mas onde estava Malfoy?
- O que está fazendo aqui ainda, Potter?
- Droga – Exclamou Harry ao ouvir a voz de Snape bem atrás de si – Malfeito feito – O mapa se desfez antes do menino poder se virar – Eu estava... er...meu...ham...
- Cinco pontos a menos para a Grifinória, somente pelo fato de não saber formular uma frase descente. O que estava fazendo?
Snape cruzou os braços na frente do peito e se aproximou de Harry fazendo o menino se sentir acuado, quase como um bichinho encurralado. Ele não gostou nada disso.
- Eu estava... – Aquela aproximação deixava-o nervoso – Estava apenas... – Muito nervoso – Eu queria ver onde estava Malfoy – Disse por fim surpreendendo-se por ter contado algo assim, isso era para ficar em segredo. Não era para mais ninguém saber. Ainda mais Snape. Porém o homem o desestabilizava ao se aproximar muito.
Harry só não sabia se era por medo ou por outra coisa.
- Malfoy? – Perguntou Snape com surpresa no olhar – Por que está atrás de Malfoy, quer ampliar sua lista de fãs? Creio que não vai ter muito sucesso com ele.
- Eu não tenho fãs. – Quase gritou Harry – E não tenho que dar satisfação do que faço à você.
Harry saiu de perto de Snape e estava quase ultrapassando a parede de feitiços quando sentiu seu braço ser apertado e seu corpo jogado na parede. Snape estava em cima de si quase rosnando em seu rosto.
- Em primeiro lugar olhe a forma como se dirige a mim, não vou tolerar seu tom insolente. – A mão dele apertava o braço de Harry com força, estava doendo. – Segundo, você deve sim satisfações a mim, primeiro por eu ser seu professor, segundo por eu ser o maldito do seu esposo.
- Está me machucando. – Disse Harry entre os dentes.
- É para se lembrar de que quando eu fizer uma pergunta, você vai me responder. Entendeu? Eu perguntei se você entendeu.
- Ai! – Exclamou Harry sentindo os dedos fechados como garras em seu braço. – Eu entendi.
- Espero que não se esqueça disso, ou terei que lembrá-lo.
Snape deixou Harry esfregando o braço e sumiu pelo corredor. Harry rosnou baixo e bateu a cabeça na parede. Será que teria que agüentar aquilo para sempre? Ele realmente não queria saber a resposta. Era melhor ir estudar. Hermione ficou intrigada com ele quando disse a ela que não sabia onde seus materiais estavam guardados e por isso que demorou. Os dois subiram os degraus que levavam para a biblioteca, Harry se sentiu frustrado por não poder ir atrás dos capangas de Malfoy, mas haveria outras chances.
O restante da tarde foi somente de estudo, pois Hermione pegou firme no seu pé e a professora McGonagall quase fez seu cérebro fritar para entender o que ela passava. A única coisa que fez sua mente escapar das aulas foi o treino de quadribol. Era muito bom voar em sua firebolt, parecia que quando montava e lançava-se ao céu tudo sumia de sua mente. Mas após o treino ele se sentia completamente cansado.
Ele se despediu de seus amigos e os viu rumarem para a torre da Grifinória enquanto ele descia para as masmorras. Ao entrar nos aposentos viu o olhar de Snape para sua roupa suja pela chuva que caia no campo.
- Deixe sua roupa ai, os elfos pegarão para lavar, não quero meu tapete sujo.
- Aqui?
- Além de acéfalo você é surdo também?
- Eu não sou acéfalo e nem surdo!
- Então pare de fazer perguntas idiotas e faça o que eu mandei.
Apertando os lábios Harry colocou a vassoura no canto da parede e retirou o uniforme deixando-o no chão. Sem pensar na vergonha que sentia ele retirou sua calça e camisa, ficando apenas de cueca. Sem olhar ou falar ele quase correu para seu quarto e se trancou no banheiro para tomar banho. Quando saiu ele apenas colocou o roupão e foi para sala. Snape estava sentado lendo. Harry não queria incomodá-lo naquele momento, por isso apenas se sentou na outra poltrona e esperou. Era muito estranho ficar ali, daquela forma.
- O que quer? – Perguntou Snape afastando o olhar do livro.
- Queria te perguntar por que minhas coisas estão com esse desenho de leão.
- Para diferenciar os seus pertences dos meus, já que nosso sobrenome agora é o mesmo. Se o incomoda posso pedir para mudar.
- Não, está bom assim, foi só curiosidade. Obrigado.
O silencio tomou a sala novamente, Snape voltou a ler e Harry queria muito sair dali, mas uma questão ainda martelava em sua mente. Snape pareceu perceber isso.
- Pergunte logo.
- Por que outras pessoas estão sabendo de... de nosso casamento?
- Porque é necessário.
- Mas eu pensei que era segredo.
- É segredo, porém isso não impede de outras pessoas terem que proteger você.
- Eu não quero ser protegido. Todo mundo quer sempre cuidar de mim, eu não sou um cristal.
- Claro que não, você é o herói, o grande escolhido. – Disse Snape ironicamente. – Não precisa que ninguém se preocupe com você, ou se importe com você. Afinal seus poderes são tão grandes que você é capaz de marchar até o Lord e o enfrentar sem estudo e treino. Nossos esforços para manter sua cabeça a salvo são totalmente em vão.
- Não é assim.
- Claro que não é. Você é um estudante impertinente e imaturo que só pensa em seu próprio umbigo. O mundo não gira em torno do Santo Potter, há milhares de coisas a sua volta com igual ou maior importância que você.
- Pare de falar assim comigo! Eu só queria saber por que a senhora e o senhor Weasley precisavam ficar sabendo disso.
- Porque eu ordenei que eles soubessem.
- Você o que? Por que eu não fiquei sabendo? Eu também deveria decidir, são minhas particularidades.
- Pelo amor de Mérlin, Potter. – Disse Snape se levantando com raiva. – Use sua cabeça oca pelo menos uma vez na vida. Acha mesmo que Molly ou Arthur estão se importando ou pensando em sua performance na cama? Acha que mesmo que eles pensem nisso, irão se surpreender? Aqueles dois procriam mais do que coelhos, sabem muito bem como se faz sexo.
- Eu não quis dizer isso.
- Deixe de desculpas esfarrapadas para suas perguntas idiotas e sem nexo.
- Mas por que você falou para eles?
- Porque você passa tempo com aquela família e se tudo der certo no domingo, Pomfrey irá dizer que você está carregando um filho meu. Eu posso odiar você e essa situação, mas não vou permitir que um herdeiro meu corra perigo.
Naquele momento Harry não sabia o que falar. Aquela fora a primeira vez que eles falavam sobre a possível gravidez que seria confirmada em breve.
- Eu...
- Chega de conversa, está tarde. Vá para seu quarto, hoje é terça, quando estiver pronto apague a luz.
Snape entrou em seu laboratório deixando Harry sozinho na sala. O menino estava confuso. Estava com raiva e alguma outra coisa o deixava estranho, mas não sabia o que era. Só sabia que o fato de Snape fazer algo por preocupação com seu futuro filho o deixava desconsertado.
Sem ter mais o que fazer naquela sala Harry foi para o quarto e se jogou na cama de roupão por cima das cobertas. Ele pensou um pouco antes de desligar a luz, não adiantava demorar muito. Isso iria acontecer sempre.
Então era melhor se acostumar e relaxar.
Snape entrou no quarto pouco depois, Harry pôde ouvi-lo retirando a roupa e logo depois sentiu o colchão afundando ao seu lado e uma mão gelada tocar em sua nuca, agarrando o colarinho do roupão. O menino sentiu o tecido descer pelo seu corpo expondo sua pele. Após o roupão ser completamente retirado houve então o toque.
Um toque simples, nada mais que um encostar de dedo em seu cóccix, mas que acarretou em uma descarga elétrica no corpo de Harry suficiente para que o menino tivesse um espasmo e quase deixasse escapar um gemido por seus dentes.
Harry não podia ver, mas nasceu um pequeno sorriso nos lábios de Snape, o homem estava gostando de sentir que podia causar aquilo ao menino, que o fazia tremer ante seus toques. Ele aproveitou essa sensibilidade e subiu devagar os dedos pela espinha dele, Harry tremia e já começava a apertar o travesseiro para se segurar.
O grifinório não entendia porque estava sentindo aquilo. Ele entrara naquele quarto com raiva de Snape, ele deveria odiar os toques daquela pessoa, sentir repulsa da mão passeando pelas suas costas e descendo pelas suas ancas. Mas ele só conseguia sentir uma sensação de calor subindo pelo seu abdômen enquanto sentia suas pernas serem levemente separadas.
Snape parecia se divertir com as reações de Harry. Era gostoso maltratar o menino, principalmente ao perceber que ele começava a se entregar à ele. Porém, mesmo que estivesse gostando de torturar o menino, ele precisava fazer, seu próprio corpo pedia. Devagar ele estendeu o braço e pegou o vidro de lubrificante no criado mudo, molhou seu dedo e o levou até a entrada de Harry preparando-o devagar.
Ao sentir o dedo de Snape começar a prepará-lo, Harry teve que respirar fundo. O que era para ser ruim acabou se tornando bom, ele quase pedia para que o homem não parasse.
Por que será que ele sentia isso?
Snape sabia o porquê, sabia que o adolescente estava em plena puberdade e que necessitava liberar a testosterona, pois seus hormônios elevavam sua temperatura enquanto seu dedo o invadia. Qualquer sensação de raiva somente triplicava o prazer que ele sentia e isso era o que o homem queria.
Estava tão difícil se controlar, tão difícil segurar o gemido atrás dos dentes que Harry sentia a pele de sua mão quase rasgar de tanto que apertava o travesseiro. Após alguns minutos, Snape posicionou-se em cima de Harry deixando seu corpo tocar no do menino, fazendo-o ofegar.
- Relaxe.
O sussurro ao pé do ouvido não serviu para acalmá-lo e sim para deixá-lo mais arrepiado, tanto que quando o pênis de Snape forçou a entrada ele não se segurou e empurrou o corpo para trás sentindo Snape entrar mais fundo.
O gemido finalmente se libertou e o professor gostou de ouvir.
Sem dizer nada Snape envolveu Harry com o braço segurando-o pelo ombro e pressionou o corpo contra o dele. Harry gemeu de novo fechando os olhos ao sentir Snape sair lentamente para depois entrar de novo.
Era...gostoso.
Com a mente nublada de desejo o menino colocou sua mão sobre a de Snape em seu quadril e apertou enquanto os movimentos aumentavam e seus gemidos saiam. A respiração de Snape também se alterava e logo ele respirava quente no pescoço de Harry que sentia seu suor escorrer e cair em seu ombro.
Harry achava que acabaria explodindo, antes Snape fora bruto, quase violento, mas naquele momento, por mais que suas estocadas fossem fortes, ele era calmo e em certos momentos até mesmo delicado. Mas Harry estava tão sedento que não queria delicadeza, queria apenas sentir o membro duro bater em sua próstata. Fazê-lo voar ao céu, mergulhar na maravilhosa sensação do ápice alcançado. Por isso, ele apertou mais a mão de Snape e movimentou seu próprio corpo em direção ao professor, fazendo-o rir baixinho e se afastar puxando Harry, e deixando-o de quatro na cama gemendo e se mexendo enquanto sentia os testículos baterem em suas nádegas seguradas firmemente pelas mãos grandes e fortes do professor.
O coração de Harry estava disparado e ele sentia o calor aumentar em seu abdômen até que sua mente parou e seu corpo se entregou ao gozo lançado nos lençóis. Seus músculos estavam trêmulos e ele teria caído na cama se não fossem as mãos de Snape ainda o segurando e o levando rapidamente ao seu encontro, cada vez mais rápido. O torpor começava a levar Harry quando ele sentiu o líquido quente ser despejado dentro de si e o corpo de Snape cair por cima do seu.
O homem respirava com dificuldade e tremia ainda dentro de Harry que levou sua mão até o cabelo de Snape e o acariciou enquanto o professor se recuperava. Demorou alguns minutos para Snape voltar a respirar normalmente. Harry já estava entregue ao sono quando sentiu o homem sair de dentro de si lhe deixando com uma enorme sensação de abandono. Ele ouviu o som de roupas sendo pegas no chão e da porta se abrindo e depois fechando. Snape fora embora e deixara Harry sozinho naquela cama ainda sentindo o corpo tremer. Seria sempre assim? Seria sempre entrega e depois abandono?
O restante da semana fora extremamente cansativa para Harry. Na quarta feira ele teve mais e mais lições para fazer. Principalmente de DCAT, cujo professor não lhe dava trégua, fazendo-o executar feitiços com alguma pessoa da sonserina somente para lhe ver se dando mal, ou então lhe castigar com detenções cansativas quando ele fizesse algo com seus alunos queridos, mesmo se fosse dentro dos padrões que ele estava ensinando. Havia também as próprias detenções dadas por Snape, obrigando-o a limpar banheiros e salas sem uso, além das outras aulas que ficavam cada vez mais difíceis. A única aula em que Harry não se preocupava muito eram as aulas de poções. Slughorn parecia se maravilhar com o bom desempenho de Harry sem nem imaginar que o menino tinha ajuda do livro do príncipe mestiço. Harry não podia se esquecer também dos treinos de quadribol e das reuniões particulares com Dumbledore.
Mas dentre todas essas atividades, a que mais lhe preocupava era o sexo.
Harry ainda não entendia o motivo de ter agido tão "vulgarmente" na cama com Snape. Ele não deveria gostar e sim odiar, principalmente estando com ódio de Snape na hora. Mas parecia que quanto mais raiva tinha do homem, mais desejo sentia por ele. A única coisa que podia dizer era que na quinta feira a noite ele não conseguiu evitar sentir-se ansioso por aquele momento e quando sentiu Snape entrando em seu corpo e derramando-se dentro de si ele se sentiu bem.
Mas finalmente chegou o final de semana e Harry pôde descansar um pouco a mente dos estudos, mas só por um curto prazo. Hermione o obrigou a passar o sábado ou na biblioteca ou na sala comunal da Grifinória estudando para os futuros testes. O menino só conseguiu se livrar da amiga um pouco depois do almoço quando visitou Hagrid.
Foi durante o jantar que Harry percebeu que algo estava errado com ele. O frango assado estava delicioso, pelo menos era o que diziam para ele, mas somente o cheiro que vinha do prato de seus amigos fazia com que seu estomago embrulhasse. Naquela noite ele não jantou, apenas bebeu um pouco de suco e saiu da mesa dizendo que precisava de ar. E realmente precisava. Parecia que o vento do jardim acalmou seu corpo fazendo-o respirar melhor e sentir a vertigem abandonando-o.
Alguns minutos se passaram até que a algazarra de alunos saindo do salão principal foi ouvida. Harry ainda esperou um pouco para que os sonserinos fossem à frente e se apressou até seus aposentos, onde se preparou e esperou por Snape em sua cama, para que ele pudesse lhe completar antes de ir embora e lhe deixar sentindo falta.
Graças a Mérlin havia os sonhos, aqueles que lhe carregavam da verdade e o deixavam vagar entre as milhares de possibilidades impossíveis. Era bom ficar nos sonhos, era gostoso. Mas Harry não gostava de seus sonhos, não quando só via neve branca manchada de sangue, ou um rio vermelho terminando em uma enorme cachoeira rubra. Isso não era bom, na verdade lhe dava arrepios e medo. Ele não queria sonhar com aquilo e nem com os olhos negros ou as unhas cravadas em suas costas.
Não, ele não queria.
Ele pedia para sair dali, para fugir do sangue e da posse que aquelas mãos mortas tinham. Ele gritava para escapar, mas nada vinha ao seu socorro, ele estava se sufocando.
- Potter!
Ele ouviu seu nome ser chamado, mas parecia um eco vindo das árvores enormes e fechadas que não estavam ali antes. Harry se sentia perdido como se fosse jogado no meio de uma floresta fechada e sem oxigênio, ele ouvia seu nome, mas não conseguia distinguir de onde vinha, então só havia uma maneira de saber, arriscar.
Seus pés correram por entre as raízes grossas, tropeçaram nas pedras molhadas e escorregadias até que ele ouviu novamente. Mais alto e nítido. Estava no caminho certo. Mais um pouco só e ele chegaria.
O nome fora proferido novamente, ele estava quase lá, era só mais um pouco. Harry estendeu o braço e gritou pedindo que o tirassem dali e então ele abriu os olhos.
Sua visão estava embaçada como sempre está quando acorda, mas naquele momento não era a visão que o incomodava, nem Snape que o segurava firmemente pelos ombros, provavelmente estava tentando acordá-lo de um pesadelo horrível. Sim, o pesadelo, ele se lembrava do sangue, da neve, dos olhos negros e das unhas.
Harry grunhiu e abaixou a cabeça sentindo um desconforto no abdômen. Ele postou a mão na barriga por baixo do cobertor, se descobriu nu e com fortes dores abdominais. Ele tentou levantar devagar, mas quando tocou seus pés no chão tudo girou e ele sentiu o vomito subindo para a boca. Rapidamente ele correu para o banheiro e se curvou no vaso sanitário esvaindo-se ali dentro. Quando terminou e apenas ficou tossindo, sentindo a queimação na garganta ele se levantou devagar e viu Snape com um roupão aberto esperando-o. Sem cerimônia Harry aceitou o roupão tanto porque estava com frio e viu Snape suspirar.
- Que horas são? – Perguntou voltando para a cama e se deitando com os joelhos para cima. Seu abdômen doía muito.
- São duas da manhã de domingo.
- Está doendo. Meu abdômen.
Snape não lhe disse muita coisa sobre isso, apenas lhe deu suas roupas intimas para vestir e disse que o levaria para Madame Pomfrey, mas o caminho até a enfermaria não foi tão fácil. Estava frio e isso só aumentava as dores de Harry, fazendo-o andar devagar. Snape não o tocava, mas pelo menos não lhe criticava e parecia ter paciência e preocupação ao levá-lo para a enfermaria.
- Papoula – Chamou Snape esperando um pouco para a enfermeira aparecer – Examine-o, acho que ele está com os primeiros sintomas.
- Primeiros sintomas do que? – Perguntou Harry.
- Da nossa brincadeira de papai e mamãe, senhor Potter. – Disse Snape – Porque eu trepo com você por puro divertimento.
- Severus! Se estiver preocupado peço que espere lá fora ou fique calado, mas não vou aturar esse tipo de palavreado aqui, preciso examinar o menino.
- Não estou preocupado.
- Negue quanto quiser, mas me deixe fazer meu trabalho.
Snape se afastou e a medibruxa puxou o biombo. Madame Pomfrey fez diversas perguntas, examinou o corpo de Harry e lhe deu poções para que ele dormisse. Somente após alguns minutos de ida e vinda atrás daquele biombo a enfermeira se dirigiu à Snape que estava com cara de zangado por ter que esperar.
- Parabéns Severus, você será papai. Harry está grávido e parece que por enquanto está tudo certo com o útero, vamos ter que esperar pelo menos dois meses para podermos examinar o bebe. Quanto as dores abdominais dele, é pela recente gravidez, seu corpo está tentando se proteger, é um cólica forte, mas não se preocupe eu já dei uma poção que vai melhorar isso.
- Acabou?
- Sim.
- Obrigado. – Respondeu Snape saindo da ala hospitalar e indo direto para suas masmorras.
Harry já estava dormindo e não viu a saída de Snape, mas dentro de si ele sentiu um comichão. Queria que ele estivesse lá, ao seu lado, lhe completando. Pela primeira vez durante todo esse tempo ele sentiu saudades do homem.
Estava ficando louco?
N/A: Vamos aos comentários
FranRenata: Eu faço o possível para não descaracterizar o personagem, como o Snape por exemplo... ele é frio, bruto, sarcastico, misterioso, sombrio, e muito mais, além de ter seus momentos de ataques de violencia e selvageria... ele é assim, por tudo que viveu, então eu não posso colocar um Snape feliz e bonzinho, ou que se preocupa com o Harry... nesse caso eu gosto da evolução... por mais que ele seja assim nós sabemos que ele tem o seu lado humano e carente de afeto, por mais que seja guardado a sete chaves. Eu gosto de fazer o Harry destruir aos poucos as paredes que o mestre constroi em torno de si... Quanto a dança, ela é realmente complicada de se descrever, eu fiz o possível, mas ainda assim não deu... é que é uma dança celta feita em cerimônias antigas de casamento e fertilidade...mas o importante na verdade eram os sentimentos dos dois na hora... mas se quiser ver só um pedacinho de como era a dança tem um video do seriado Vampire Diares que tem uma dança parecida watch?v=10SVwR8K9mI ve a forma como eles começam a dançar, é como eu descrevi... espero que goste do capítulo, espero seu próximo review...
Tonks Fenix: O Harry estava com raiva pela lua de mel, mas ele tem medo do Snape e das reações que o mestre de poções teria se ele o enfrentasse, então ele guarda seus "ataques", seu sofrimento para si... mas as vezes ele acaba deixando escapar algumas coisas. Mas ele até que está enfrentando bem as coisas, acho que o sermão que Hermione e o Snape deram nele nos capítulos anteriores fizeram efeito... Yessss, o Snape está começando a amolecer e isso vc vai perceber mais no proximo capítulo...o ciumes dele quanto a Gina vc vai ver em capítulos mais a frente, Snape vai ficar furioso...bjusss
Dyeniffer: Realmente o Harry está bem contido, mas por causa dos sermões que ele recebeu da Hermione e do Snape, mas o menino é uma panela de pressão onde algumas vezes ele já está prestes a explodir e acaba deixando algumas coisas escaparem como frases ou olhares. Hermione realmente é a sabe tudo de sempre, mas é ela quem segura o Harry e explica a maioria das coisas para o menino. Realmente o nome não ficou ruim... gostei também... te vejo no próximo capítulo, review hein!
