No capítulo anterior: Syaoran e Sakura percebem que podem usar a magia um do outro em seus corpos trocados, e Tomoyo descobre que Eriol usou a Carta Troca em todos eles
Syaoran Heart Captor
Autoria de absolutefluffiness
Tradução por The Fluff Queen
Capítulo 10
Preços
"Então o Eriol usou a carta em nós", Syaoran disse suavemente. Tomoyo assentiu. "Aquele desgraçado!" Ele esbravejou.
Syaoran e Sakura haviam recuperado seus corpos no dia seguinte, sem incidentes, e ele havia acompanhado-a até em casa depois de ela usar a carta também em Eriol e Tomoyo. Ela havia acariciado o rosto dele com a mão livre (a outra estava enroscada na dele) quando parou no portão da frente, e ela sorriu como se tivesse um segredinho. E ela... (não seria ousadia dele?)... Estava olhando para ele com carinho, quase amorosamente.
Para sua surpresa, Sakura havia sorrido alegremente, lhe agradecido, ficado na ponta dos pés para lhe beijar o rosto gentilmente e então dito, "Espere por mim, tá?" Os belos olhos verdes sorriam para ele, e Syaoran soube então que estava perdido nela, e que nunca esqueceria nada sobre Sakura Kinomoto, nem mesmo se fosse forçado a se casar com outra pessoa.
Ele havia assentido sem saber o que ela queria dizer. A vontade de beijá-la, de confessar o que sentia era poderosa, mas Syaoran sabia que não podia –era um homem de palavra, e não diria nada até que a própria Sakura dissesse alguma coisa. Havia prometido a ela que esperaria que ela desse o primeiro passo num beijo.
"O que eu não entendo", refletia Syaoran, "é que apenas a Mestra das Cartas devia ser capaz de Capturar e utilizar Cartas Clow. Então, como o Eriol é capaz de manipulá-las?".
"Lamento, eu devia ter perguntado a ele", disse Tomoyo.
"Não se desculpe, Daidouji", Syaoran disse. Ele sabia o que havia acontecido; Tomoyo havia lhe revelado cada excruciante detalhe; tivera até mesmo que lhe pedir para não assassinar o primo depois de lhe contar o que ele havia aprontado no banheiro. "Acho que vou falar com o Kero de Sakura mais tarde. Ele pode ser capaz de dar uma luz a essa situação".
Não apenas aquela situação... Naquele momento, Sakura estava conversando com Kero sobre Syaoran e seus sentimentos por ele.
"... E é isso exatamente o que está acontecendo com a gente. Eu não sei como eu me sinto, exatamente, mas eu sei que penso nele o tempo todo", Sakura concluiu, sorrindo suavemente enquanto se abraçava ao travesseiro. "Acho que amo Syaoran", ela acrescentou. "É tão diferente do que eu sinto... Do que eu sentia... Pelo Yukito".
Kero também sorria. Syaoran havia retornado Sakura ao seu estado normal, alegre e feliz e, ainda melhor (Kero havia determinado isso graças a várias perguntas detalhadas, o significado das quais havia passado despercebido por Sakura), o garoto não tinha nem mesmo tentado algo engraçado no corpo de Sakura nem tirara vantagem da situação com a Carta Troca. O moleque provavelmente a ama de verdade, Kero pensava, divertido pelo fato de Sakura estar apaixonada por um membro da família Li, que correspondia ao seu amor.
"Então vá em frente, Sakura!" Kero disse. "Assegure-se de se declarar a ele no momento certo!"
"O quê?" Sakura franziu a testa. "Eu estava planejando contar a ele amanhã!"
"Paciência" aconselhou-a Kero. "Lembre-se, estamos falando de amor. É sempre melhor ir devagar quando se trata de amor. Acredite em mim, eu sei dessas coisas", gabou-se ele.
"Nossa, mas nós já estamos juntos há tantos meses", Sakura disse, "quanto tempo mais eu tenho que esperar?".
"Me dê um pouco de pudim antes – você está me cansando com todas essas perguntas". Kero disse. Sakura saiu para pegar mais pudim de chocolate, e Kero olhou janela afora. O que será essa presença estranha que venho sentindo? Ele se perguntou.
Ele esqueceu-se dela assim que Sakura subiu com uma bandeja cheia de pudim pronto barato; havia concluído que era melhor ceder assim aos desmandes de Kero do que dar a ele o pudim que seu pai havia feito. Funcionou e, enquanto Kero comia, ela ligou para Tomoyo e pediu para encontrá-la naquela noite para conversar.
Tomoyo parecia deprimida, mas concordou em encontrar Sakura em uma pequena lanchonete no centro de Tomoeda às sete daquela noite. Quando ela havia retornado a seu corpo, Sakura lembrou-se de ter visto Eriol espiando Tomoyo e então partindo sem uma palavra.
Tá, eu sei que sou lerda, mas até eu sei que tem alguma coisa acontecendo! Sakura pensou.
Quando se encontraram, Tomoyo percebeu como Sakura parecia radiante de felicidade e sorriu.
"Você quer dizer ao Syaoran que o ama, não quer?" Ela disse assim que sentou.
"O que... Como você sabe?" Sakura perguntou.
Ela não conseguia parar de sorrir; em seu caminho, havia mandado um torpedo afetuoso para Syaoran – Espero que tenha jantado. Cuide-se! E ele havia ligado em resposta, dizendo que queria apenas ouvir a voz dela. Ao saber que ela ia sair com Tomoyo, Syaoran rira e dissera, "Não a deixe comprar material demais".
"Para que?".
"Você vai ver", Syaoran brincou, e então despediu-se com um doce, "Cuide-se, Sakura."
Sakura voltou de seu transe para a bela morena diante de si, e então sorriu sem graça.
"Aaaah, você está pensando nele. Que encantador! Está em seu rosto", Tomoyo ria. "Você está parecendo ainda mais encantadora – acho que é o que chamam do 'florescer do amor'. Você sorri quando ouve o nome de Syaoran – aí está, você acabou de sorrir! E faz semanas que você não me liga para falar do Yukito".
Sentindo um arrepio de felicidade percorrer seu corpo, Sakura fechou os olhos e colocou as palmas das mãos no rosto. "Ai, Tomoyo... Ele me deixa eufórica, e feliz, e tem essa coisa no meu peito que enlouquece quando eu o vejo. Quero dizer, quando eu olho nos olhos dele – eles na verdade são cor âmbar, sabia? – e quando eu seguro a mão dele, e...".
Tomoyo ria. "Aí está. Quando planeja contar a ele?" Seus olhos brilharam. "Temos que planejar a cena Sakura declara-se a Syaoran! E eu tenho que escolher a locação e o figurino e como filmar...".
"Espere!" Sakura repentinamente baixou os olhos. "E se... E se ele não sentir o mesmo?".
"Sakura", Tomoyo suspirou. "Lembra-se o que você me disse que ele te falou na última vez que vocês discutiram a relação?" Quando Sakura balançou a cabeça, Tomoyo conteve a vontade de dar um tabefe na cabeça de sua melhor amiga. "Ele disse que você tem que beijá-lo... Um beijo de verdade, na boca... Quando estiver pronta para dizer a ele que o quer como seu namorado".
"Ah... É..." Sakura sorriu de novo. Não conseguia deixar de sorrir!
"Então, vamos lá, por que ele diria isso se não gostasse de você? Ah, nossa, a loja de tecidos fecha em uma hora! Vamos!" Tomoyo colocou uma nota de valor alto no topo da mesa para pagar pelos chocolates quentes de ambas, e arrastou Sakura para a loja de tecidos, completamente esquecida do troco.
"Hum... A gente precisa de tanto tecido assim para um vestido?" Sakura perguntou, perplexa, enquanto Tomoyo escolhia metro atrás de metro de sedas, cetins, chiffons e outros tecidos em um arco-íris multicolorido.
"Bobinha. Você precisa de mais fantasias agora que é uma heroína de verdade!" Tomoyo deu risadinhas. "Aqui..." E ela jogou seu Blackberry para Sakura. "Tenho croquis em uma pasta. E... Roupas para seu primeiro encontro, seu primeiro beijo... Aaah, tantas primeiras vezes!" Tomoyo vibrava.
"P-Por quê?" Sakura estava desaparecendo rapidamente sob os metros de tecido sendo jogados em seus braços. Alguns dos croquis eram extremamente... Sensuais, e ela corou ao pensar em usar uma túnica segunda-pele inspirada nas vestes de mulheres egípcias na frente de Syaoran.
"Você é a Mestra das Cartas, e o seu belo futuro namorado tem um lindo figurino verde. Eu me recuso a permitir que você fique para trás. Você vai ter mais belíssimos figurinos, porque você não pode capturar cartas com seu uniforme de escola para sempre... E também não pode reciclar seus figurinos antigos porque eu os arquivei!" Tomoyo deu sua marcante risada maligna quando Sakura esganiçou-se e deu um gritinho.
Sakura corou. Futuro namorado... As palavras lhe davam um arrepio feliz. Como se invocado, seu celular tocou. Era Syaoran, e ela sorriu.
"Oi", ele disse afetuosamente. "Como vão as coisas? Estou interrompendo algo?"
"Você estava certo sobre... ai... material", Sakura engasgou-se.
Syaoran deu uma gargalhada. "Ela mencionou para mim antes. Você tem uma melhor amiga maravilhosa", ele disse.
"Ei... Quem é seu melhor amigo?" Sakura perguntou.
A resposta fez com que ela corasse. "Você. Ninguém se compara a você. Você me dá bons conselhos, é uma grande companhia, você... você é... bem...".
Sakura podia imaginar Syaoran ficando vermelho a essa altura, e a imagem a fez rir.
"E aí... Falo com você depois quando for pra casa?" Sakura perguntou.
"Sim. Se cuide", Syaoran disse suavemente.
"Você também". Quando Sakura desligou, Tomoyo estava ao seu lado, sorrindo malevolamente, com uma fita métrica nas mãos. Tudo o que ela pôde fazer foi rir enquanto Tomoyo a media dos pés à cabeça.
Na casa dos Kinomoto, um homem carregando um rapaz menor abriu a porta traseira com um chute. Ele levou sua carga até as escadas e então gritou, "Bicho de pelúcia! Eu sei que você está aí!"
Kero congelou. O irmão de Sakura! O que ele está fazendo em casa a uma hora dessas? E... Copos de pudim enchiam o chão do quarto de Sakura. Ele rapidamente voou para o parapeito da janela para esconder-se entre os bichos de pelúcia colocados ali.
A porta se abriu, e Touya deitou Yukito na cama de Sakura. "Ei... Pare de se esconder. Eu sei que você é uma criatura mágica", ele disse enquanto apanhava Kero pelos cabelos de sua nuca. "Preciso de sua ajuda", ele disse, desesperado.
Kero suspirou. "Então você sabe...".
"Claro", Touya respondeu azedamente. "Eu também sei que Yukito não é humano. Por que ele está desmaiando? Me ajude."
"Sob as circunstâncias, acho que devemos nos apresentar primeiro, especialmente já que você está pedindo a minha ajuda", Kero disse com irritação. "Sou Kerberos, a Fera Dourada, Guardião Solar do Selo e o Indicador".
"Touya Kinomoto, e não finja que não me conhece porque eu sei que você está comendo a nossa comida!" Touya retrucou. "Guardião... Do livro que Sakura abriu há meses?" Touya perguntou. "Mas não dizem que vocês geralmente vêm em pares? O Sol e a Lua?"
"Sim", Kero disse lentamente, especulando o quanto Touya sabia, e como. Mas este não era o momento de perguntar.
"Onde está o seu parceiro?"
"Não sei", respondeu Kero.
"De qualquer jeito... Eu não sei o que o Yuki é, mas..." Touya apontou Yukito, e então se engasgou; ele estava sumindo!
"Ele deve estar sob uma forma falsa!" Kero gritou. "Precisa de poderes mágicos!".
"Como?" Touya desesperava-se. O que podia fazer para impedir que a pessoa que ele mais amava no mundo desaparecesse?
"Se a verdadeira forma dele emergisse, teríamos uma chance, porque a forma verdadeira – o que quer que seja – saberia como conseguir poder..." Kero calou-se, porque o livro das Cartas Clow estava repentinamente brilhando. As cartas que Sakura havia capturado flutuaram para fora do livro, e cercaram Yukito.
"Não..." Kero engasgou-se. "Não pode ser ele!"
"Não pode ser o quê?" Touya perguntou, estressado.
"As Cartas respondem apenas... À Mestra das Cartas, aos Guardiões e ao nosso criador – apesar de ele estar morto há muitos anos". Kero pensava rapidamente. Poderia Yukito ser... O Guardião da Lua? Ele certamente não era forte o suficiente para ser Clow em pessoa.
Yukito comeou a solidificar-se novamente, para o grande alívio de Touya. As Cartas, contudo, caíram no chão, e Kero voou até elas. "Ah, não!" Ele disse. "Elas estão frias!"
Do outro lado da cidade, na mansão de Tomoyo, onde elas estavam provando novas fantasias (ou, mais corretamente, Sakura estava), Sakura ergueu a cabeça e engasgou-se. "As Cartas!"
Syaoran, comendo pizza em casa, deixou cair a fatia que segurava. "Sakura", ele sussurrou, bem antes de invocar seu feitiço de vento.
Sakura invocou Alada, subiu em seu báculo e puxou Tomoyo, esta com a onipresente câmera na mão, para trás de si. A meio caminho da casa dos Kinomoto, Syaoran, que vinha montado em um colchão de vento, as alcançou.
"Você está bem?!" Syaoran berrou.
"Eu estou... Mas as Cartas... E como você soube?!" Sakura gritou em resposta.
"Eu senti a sua emoção!" Syaoran explicou. "Eu tive que me assegurar de que você estava bem". Sakura ouviu um risinho quase imperceptível vindo de Tomoyo e corou.
Eles pousaram no jardim, e Syaoran automaticamente postou-se protetoramente diante das duas garotas, com a espada pronta.
"Alguém está no meu quarto!" Sakura sussurrou.
Syaoran assentiu e então tentou comunicar-se telepaticamente com Sakura. Pode me ouvir?
Sakura sobressaltou-se. Aquela era a voz de Syaoran em sua cabeça? Ela olhou para ele.
Ah. Ainda podemos nos comunicar telepaticamente, Syaoran disse, satisfeito.
Como... Sakura começou, mas então sentiu: suas Cartas estavam frias.
"Não!" Ela invocou Pulo e subiu pela janela do próprio quarto. Syaoran pegou Tomoyo e invocou um feitiço de vento para levá-los para cima.
Sakura quase desmaiou. Kero estava olhando horrorizado para as Cartas, Yukito brilhava na cama dela, e seu irmão estava... Estava chorando?!
Syaoran chegou ao parapeito do lado de fora do quarto dela e deu uma forcinha a Tomoyo. Estremeceu quando, ao flutuar para dentro, viu o irmão de Sakura... E então relaxou quando viu o quão abalado estava o homem mais velho.
E então ele mesmo o sentiu.
"Sakura...".
Ela ajoelhou-se e apanhou as cartas. Elas estavam tão frias... Não emitiam o calor que normalmente exalavam.
"O que aconteceu?" Ela perguntou a Kero. Quando ninguém respondeu, ela berrou "O que aconteceu?".
"Eu... Eu mesmo não sei..." Kero começou lentamente. "Mas eu... Acho que ele..." E apontou Yukito. "É a forma falsa do Guardião da Lua, Yue... Porque as Cartas se uniram para salvá-lo e lhe doar a sua magia. Mas... Ele não está emergindo...".
"Então por que as Cartas estão tão frias?!" Sakura quis saber, não mais se importando com a presença do irmão.
"Elas precisam de mágica... Ou vão se tornar cartas normais, sumir e morrer..." Kero sussurrou.
"Não..." Sakura recuou, horrorizada. "Se isso acontecer, a...".
"... Tragédia do mundo acontece", Syaoran concluiu suavemente.
Sakura nem mesmo sabia que estava chorando, mas Touya a viu gravitar para Syaoran silenciosamente, pedindo-lhe conforto. O garoto de cabelos castanhos não hesitou: abriu os braços de boa vontade e a envolveu neles com uma expressão de doloroso amor em seu rosto – como se ele fizesse qualquer coisa que pudesse para tirar a dor dela.
Não! Touya pensou com um repentino lampejo de entendimento. Eles se amam, mas não sabem disso ainda. Olhou furiosamente para Syaoran, mas sem vontade, o garoto que, ele agora sabia... O moleque levaria sua irmã embora, e logo. Ele simplesmente sabia.
Para seu horror, ele viu que Syaoran olhava para ele sem rancor no olhar. Os olhos de Syaoran foram de Touya a Yukito e ele pareceu compreensivo.
Syaoran sabia que Touya nunca ia gostar dele e, honestamente, nunca ficaria à vontade com o irmão de Sakura. Mas a dor que Touya sentia, a incerteza... Se algo do tipo acontecesse com Sakura um dia, Syaoran sabia que iria desmoronar.
"Calma..." Ele murmurou para Sakura. No chore, ele disse enquanto massageava confortantemente as costas dela, do jeito que sabia que ia acalmar seu choro. Syaoran virou-se para Kero. "Para doar magia às cartas... Isso exigiria muito de Sakura, não?" Ele perguntou ansiosamente.
O silêncio de Kero confirmou seus piores temores. Ainda havia Cartas soltas, e Sakura precisava também capturá-las. Ela nunca seria capaz de o fazer se seus poderes fossem reduzidos em qualquer escala. Não havia jeito. Syaoran suspirou e soltou Sakura, que o encarou, confusa. Ele sorriu, tranquilamente, para ela e então se virou para Kero. "Podemos conversar em particular, por favor?" Kero assentiu e guiou Syaoran para o térreo, a sala da casa dos Kinomoto.
Uma vez lá, Syaoran não perdeu tempo. "Sou descendente do Mago Clow. E se a minha magia alimentar as cartas? Sakura precisa da dela para capturá-las, e ela é mais importante do que eu quando chega a esse ponto".
"Não". Kero arregalou os olhos, horrorizado. "Você não é o Mestre das Cartas. Pode perder seus poderes – sua magia – permanentemente!".
"Antes eu que ela!" Syaoran tentou contemporizar. Havia vivido com seus poderes por toda a vida e não conseguia imaginar-se sem eles... Mas se isso fosse poupar uma dor de cabeça a Sakura...
"Seu idiota!" Esbravejou Kero. "Que utilidade você terá para ela sem eles?!".
"Você não pode estar sinceramente sugerindo que ela sacrifique a magia dela!" Syaoran disse roucamente. "E respondeu a minha pergunta com a sua reação. A minha magia pode ser usada no lugar da dela. Ninguém mais pode selar as Cartas. Pode pensar em uma razão pela qual eu não deva fazer isto?"
Kero encarava Syaoran. "Você realmente a ama, não?".
Syaoran ficou calado; Kero havia dito tudo.
"Você é louco. Mas a infusão com magia tem que acontecer agora. As cartas salvaram Yukito e, agora, estão no limite de desaparecer". Kero suspirou. "Tudo bem. Vamos fazer".
"Espere..." Syaoran disse. "Podemos fazer em um lugar onde ela não veja?".
"Temo que não", Kero disse tristemente. "Você precisa canalizar sua magia pelo báculo dela. Sei que você não quer que ela saiba do sacrifício que está fazendo, mas é necessário".
"Existem outros efeitos colaterais que eu deva saber?" A boca de Syaoran estava comprimida em uma linha amarga e fina. Sim, sabia das consequências. Sem poder, ele nunca seria o líder do Clã Li. Eriol ganharia por eliminação. Mas, quando pesava a possibilidade de Sakura ser incapaz de selar as Cartas e sofrer a tragédia do mundo... Não. Ele não podia suportar. Tinha que fazer isso... Pelo bem da garota que amava.
"Você apenas pode ficar desmaiado por uma semana ou mais. Vai perder aulas. Também vai ter que treinar artes marciais outra vez, pois sua habilidade era aumentada pela sua magia. E... Se seus poderes sumirem, nunca mais poderá usar sua espada outra vez".
"Então, de muitas maneiras, serei outra pessoa", Syaoran disse em voz baixa.
"E você ainda quer fazer isso?" Kero disse, sem acreditar.
"Quero", Syaoran disse com firmeza, sem hesitar. "Vamos".
No andar superior, Sakura observava o irmão. Estava surpresa que, embora ainda se sentisse ligada a Yukito, não havia aquela dor desesperada, aquela necessidade absoluta de estar com ele... Não como com Syaoran.
Syaoran. Eu realmente o amo, ela pensou alegremente.
Tomoyo havia desligado a câmera por puro respeito, e não se surpreendeu quando Sakura abaixou-se e acariciou o rosto de Yukito.
"Vou tentar ajudá-lo", ela disse suavemente Touya. E, finalmente, as peças se encaixaram; agora sabia por que Yuki sempre havia gentilmente dispensado seus avanços. "Eu sei que você o ama", Sakura disse.
Touya assustou-se. "Como...".
"Eu estou crescendo, sabe..." Ela sorriu gentilmente, "e não posso ficar cega para sempre".
Ele sorriu para a irmã e acariciou o seu rosto. "A monstrenga está crescendo", ele disse sem um traço de provocação. "Que horrível...".
A porta se abriu e Syaoran, com uma expressão horrível no rosto, entrou seguido por Kero. Sakura pressentiu a mudança nele e o encarou; ele evitou seus belos olhos verdes. Isso não é normal, ela pensou.
"Sakura", Kero disse, "precisamos que você faça um feitiço".
"Para devolver magia às cartas?" Ela perguntou.
"Sim." Kero disse. "E... Syaoran vai... Vai ajudar... Ajudar você", ele disse, a boca tremendo.
Algo estava errado, Sakura sabia, mas não conseguia descobrir o que era. Syaoran sentou-se diante de Sakura, desviando os olhos dos dela; Tomoyo engasgou-se (ela desconfiava o que iria acontecer, mas não ousava falar em voz alta; se Syaoran tinha escolhido fazer isso, então era porque não havia outra escolha).
"Repita depois de mim: Como Mestra, eu devolvo magia às cartas, magia tirada de uma fonte cedente", Kero disse, e Sakura repetiu.
Estava completamente despreparada quando sua insígnia mágica apareceu, mas agora Syaoran era o centro. Ele foi jogado para cima por uma força mágica, e seus olhos se abriram. Sua boca torceu-se em agonia enquanto uma luz começou a sair de uma área entre seus olhos, mas nenhum som saiu de seus lábios. A luz dirigiu-se e envolveu as Cartas Clow.
"Não... Não!" Sakura gritou ao deixar cair o báculo. A luz lentamente voltou para Syaoran, e ele caiu no chão como uma boneca de pano, com um estrépito alto. "Como você pode ter me deixado fazer isso?!" Ela gritou para Kero.
Sem a olhar nos olhos, Kero respondeu, "Ele sabia que era o único jeito. Pediu que eu não te contasse. Ou era isso ou você seria a fonte... E ainda existem cartas a serem seladas".
"Ai, Syaoran", e Sakura caiu no choro enquanto tomava o corpo inerte de Syaoran nos braços. "O que eu fiz com você?"
"Pare com isso", veio uma voz da porta. Kero, Tomoyo, Touya e Sakura ergueram os olhos. Era Eriol, e ele cruzou o quarto em poucos passos largos, colocando uma palma sobre a testa de Syaoran, que brilhou brevemente. "Ah, ótimo, não é tarde demais. Em alguns dias ele estará bom".
Eriol não tinha planejado ficar perto de Syaoran e Sakura, e menos ainda de Tomoyo, não depois do fiasco com a Carta Troca... Mas, quando sentira a frieza das Cartas, havia corrido até lá, ciente do fato de que supostamente não devia ser capaz de sentir as cartas. Não tinha nenhuma ligação com elas.
Mas tivera uma fraca visão do futuro... E ele sabia... Sakura não poderia usar a própria magia, e Syaoran perderia tantas coisas se a dele fosse retirada. Não havia outra escolha para ele senão ir até lá.
Que Tomoyo também estivesse lá não era uma grande razão para sua aparição, ele disse a si mesmo com firmeza.
"O que... Quem é você?" Touya perguntou, cansado demais para se irritar. Muitas coisas estranhas estavam acontecendo, e sua mente não havia processado-as ainda totalmente.
"Meu nome é Eriol Hiiragizawa, mas certamente não é isso que você quer saber. Não importa", Eriol disse urgentemente. "Fera do Selo, vamos prosseguir. Tomarei o lugar dele".
Kero engasgou-se. Aquela presença! Eriol era familiar e, ao mesmo tempo, sua aura era... Estranha.
"Não posso prejudicar ninguém!" Sakura protestou.
"Prefere que Syaoran perca os poderes dele?" Eriol disse rudemente.
"Por que está fazendo isso?!" Sakura chorava.
"E isso importa?" Eriol segurou as mãos de Sakura e as forçou no báculo sem nenhuma gentileza. "Faça agora! Quer perder Syaoran e as Cartas?" Seu aperto era doloroso, e os olhos azuis escuros queimavam. "Não... Não quero que vocês sejam infelizes", ele sussurrou tão suavemente que ninguém o ouviu. Em voz alta, ele disse com voz dura, "Depressa!".
Relutantemente, Sakura ergueu o báculo e repetiu o encantamento. Estranhamente, Eriol não flutuou como Syaoran; em vez disso, milhões de pequenas fagulhas roxas, que banharam o quarto em um brilho etéreo, saíram da região em torno de seu coração. Quando todas as fagulhas foram absorvidas, Eriol cambaleou um pouco, mas ficou consciente.
"Achei... Achei que eu seria mais drenado", ele sussurrou.
Kero observava Eriol atentamente. Muito estranho. Syaoran fora exaurido – quase morto – pela breve exposição ao feitiço, e ele era um poderoso mago guerreiro... E esse tal de Eriol havia escapado relativamente ileso. A pergunta de Touya era apropriada: quem era ele?
Ele não imaginava que o próprio Eriol não tinha certeza de qual era a resposta a isto.
As Cartas começaram a brilhar e voaram para as mãos de Sakura, que chorava de alegria. Yukito mexeu-se na cama e abriu os olhos. "Onde... Onde eu estou?" Foi apenas isto que ele conseguiu falar antes que Touya, explodindo de euforia, o abraçasse com força. Tomoyo, contudo, ficava de olho em Eriol, que se recusava a encará-la. Ele levantou-se instavelmente e discretamente saiu do quarto.
Tomoyo o seguiu. Por que ele fizera aquilo? Por que tomara o lugar de Syaoran?
No meio das escadas, Eriol parou. Sabia que Tomoyo estava atrás dele. "Não fiz isso pela Sakura", ele respondeu à pergunta que ela não fizera.
"Então por quê?" Tomoyo perguntou cuidadosamente.
Sem se virar, Eriol disse tremulamente, "Você deveria saber por quem eu fiz isso". E então ele saiu para a quente noite de primavera, Tomoyo olhando atordoada para ele.
No andar de cima, Sakura apoiava um trapo molhado em água fria na testa de Syaoran. Ele não acordava, e sua cabeça movia-se quase sem vida em seu colo. Ele estava frio e pálido, e Sakura quase chorou outra vez.
"Por que você fez isso?" Ela perguntou suavemente.
Sobressaltou-se ao ouvi-lo em sua mente. Porque você é tudo para mim. Perdoe-me, Sakura.
E foi a última vez que ela ouviu Syaoran por muito tempo.
NOTA DA TRADUTORA: Para compensar a longuíssima demora em postar, dois capítulos no mesmo dia! E, posso dizer que eu adorei a atitude do Eriol neste capítulo? Existe mais Eriol do que apenas o mauricinho safado. E não falei que Syaoran é capaz de tudo pela Sakura? No capítulo que vem, a peça e uma declaração de amor. (SIM! SIM! FINALMENTE!)
