Nota: (1) – Harry Potter e seus personagens não me pertencem. E sim a J.K. Rowling.
(2) – Essa é uma história Slash, ou seja, relacionamento Homem x Homem. Se não gosta ou se sente ofendido é muito simples: Não leia.
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A noite do terror.
Foi assim que a noite da batalha de Hogwarts ficou conhecida em todo o Mundo Mágico britânico. A noite de medo e destruição que se estendeu por dois dias e que garantiu ao Lord das Trevas e aos seus Comensais da Morte a vitória. Esta foi a noite em que Dumbledore morreu, a noite em que a Ordem da Fênix sucumbiu, a noite em que o Ministério da Magia foi tomado, a noite em que Harry Potter, a última esperança de todos os que ainda resistiam, fora declarado príncipe consorte do Lord das Trevas. Esta foi a noite em que o Mundo Mágico se viu mergulhado numa nova era.
Desde então, dois anos se passaram e os pequenos grupos que ainda resistiam ao governo de Voldemort finalmente haviam se rendido e admitido a derrota, inaugurando assim uma era de paz e relativa tranqüilidade para todos aqueles que soubessem o seu lugar na cadeia alimentar, é claro. Cabe apontar que o Mundo Mágico sob a administração do Lord das Trevas e seus Comensais da Morte não estava mergulhado em lamúrias, chamas e destruição – como muitos poderiam pensar anteriormente –, encontrava-se apenas menos tolerante para com os nascidos muggles. Isto é, aqueles que nasciam em famílias não-mágicas se viam obrigados a serem trazidos para o Mundo Mágico e sua família não poderia fazer nada a respeito, pois suas memórias eram apagadas e reformuladas, algo que poderia ser considerado cruel por muitos, mas que não era passível de discussão, uma vez que fora uma ordem precisa do imperador supremo, isto é, do Lord das Trevas.
De fato, em sua megalomania estratégica, Voldemort havia criado um cargo político supremo para controlar as ações do Ministério da Magia, agora sob os desmando do Ministro Avery, e assumira a posição de Imperador do Mundo Mágico Inglês. Todavia, sua posição lhe garantia cuidar apenas dos assuntos de suma importância e assim, os demais temas se viam sob o comando do Ministério que, obviamente, estava sob o seu controle também. Poderia haver aqueles que repudiassem esse tipo de política, mas não havia quem pudesse negar que nunca mais se ouviu falar de casos de corrupção no Ministério da Magia, pois os casos encontrados eram levados ao Imperador e brindados com punições severas.
Hogwarts também havia sido reconstruída e agora contava com óbvias mudanças no currículo escolar, isto é, a matéria de Defesa Contra as Artes Obscuras fora substituída por Introdução às Artes Obscuras e é claro, no corpo docente, uma vez que Severus Snape fora nomeado o diretor da escola. O antigo professor de poções era o único sobrevivente da Ordem da Fênix e agora, em silêncio e à distância, velava pelo filho de Lily, pelo menino que havia mantido sua identidade de espião em segredo para honrar a dívida de vida que possuíam ao salvá-lo tantas vezes em sua problemática adolescência. Dessa forma, Severus passara a agir como o fiel Comensal da Morte que sempre fora, ficando satisfeito, no entanto, ao saber que Harry estava sendo bem cuidado.
Elizabeth Owens, outra importante pessoa na vida de Harry, havia encontrado um destino no mínimo inusitado. Isto é, se alguém lhe dissesse que ela acabaria assim um dia, a renomada psicomaga iria fazer questão de internar esta pessoa na Ala de Casos Irrecuperáveis de seu antigo departamento em St. Mungus. No entanto, seu destino acabou no rumo certo ainda que tenha tomado uma estrada tortuosa e agora, Elizabeth Owens era Elizabeth McNair, casada há um ano e meio com um cruel Comensal da Morte do círculo interno de Voldemort, Walden McNair, o qual ela descobrira ser secretamente doce e carinhoso, um homem verdadeiramente apaixonado que a tratava como uma rainha, e com quem ela havia descoberto o amor. E agora, com certeza, ela entendia melhor do que nunca o seu mais precioso paciente, aquele que havia se tornado seu amigo, quase um filho, a quem ela visitava toda semana na Mansão Riddle.
A noite do terror havia acabado.
Dois longos anos de reconstrução e reformas se passaram.
E agora, não seria nenhum equívoco dizer que o Mundo Mágico encontrava a paz e a tranqüilidade. A população temia o Imperador Voldemort, mas o respeitava, e todos sabiam que ele estava fazendo um bom governo e assim, seguiam suas vidas desfrutando da prosperidade e do sossego trazidos por aquele inusitado, porém benéfico governo.
Todos estavam satisfeitos.
Os Comensais da Morte estavam fazendo um trabalho incrível, uma vez que a maioria permanecera intacta desde a batalha. Na verdade, somente um Comensal da Morte que pertencera ao círculo interno do Lord das Trevas havia sucumbido e não no campo de batalha. Ele havia sucumbido por enfrentar quem não deveria...
(Flashback)
Um sorridente Harry Potter circulava pelos corredores da Mansão Riddle seguindo em direção aos jardins, sua parte favorita da bela mansão, onde se encontraria com Nagini e a Dra. Owens e passariam o resto da tarde saboreando chá e bolinhos e conversando sobre o seu assunto favorito: seu amado Tom. Uma semana e meia havia transcorrido desde o seu resgate na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e o anúncio ao mundo de sua posição como príncipe consorte do Lord das Trevas, algo que Harry corava e deixava escapar suspiros sonhadores ao se lembrar, e a partir de então, todos os Comensais da Morte que o encontravam faziam uma leve reverência e olhavam para o chão em respeito, havia até mesmo aqueles que murmuravam um "meu príncipe" ao se curvarem e se apressavam a deixá-lo tranqüilo, pois o Lord das Trevas dera ordens expressas para ninguém se dirigir ao príncipe consorte longe da sua presença.
Mas havia um Comensal da Morte que não estava nem um pouco feliz com isso.
Um Comensal da Morte que, naquele exato momento, estava parado no meio do corredor obstruindo a passagem de Harry enquanto encarava o menino com rancor e frieza.
- Ora, ora, se não é o bebê Potter... – a estridente voz infantil ressoou pelo corredor completamente vazio, exceto pelas duas pessoas que se enfrentavam.
- Bellatrix Lestrange – murmurou com desprezo.
- Faz tempo que eu não ouço falar de você, bebê Potter, da última vez eu soube que você estava trancado num quarto escuro chorando a morte do seu padrinho pulguento e servindo de brinquedo para o nosso amo.
- O que você quer Lestrange?
- Apenas lembrá-lo do que você é – a mulher rosnou com ódio – Um brinquedo, uma distração mestiça barata da qual o Lord das Trevas logo irá se cansar. Um homem poderoso como ele logo irá se cansar de uma prostitutazinha sem graça como você e então, ele irá perceber que EU sou a pessoa adequada para reinar ao seu lado e que o único lugar digno de um verme imundo como você é a masmorra.
Os olhos verdes se estreitaram perigosamente.
Aquela maldita mulher...
Aquela maldita mulher pensava em estar com o SEU Tom.
Aquela maldita mulher não sabia, mas acabava se assinar sua sentença de morte.
- A única vagabunda oferecida aqui é você, Bella – sorriu com burla – Porque a minha posição é a de príncipe consorte e você sabe disso.
- Seu pirralho de sangue-ruim imundo...!
- Ora, seus insultos já foram melhores – suspirou teatralmente – Talvez seja a idade, não é mesmo? Céus, eu nem deveria estar discutindo com você, meus parentes eram o que você chama de muggles imundos, mas eles me ensinaram a nunca responder aos idosos.
Os olhos negros brilharam de ódio.
E Harry, silenciosamente, conectava-se com Tom em sua mente.
- Diga-me, Bella, você vai fazer quantos anos? Cinqüenta? Cinqüenta e cinco? Se bem que pela sua cara eu daria uns sessenta, mas eu acho que é por causa de Azkaban, aquele lugar acaba mesmo com as pessoas. Agora me responda, você acha mesmo que um homem de beleza indiscutível como o Lord das Trevas iria sequer olhar para a sua cara feia e enrugada?
Bellatrix estava bufando de ódio.
Seus olhos negros brilharam de maneira assassina quando ela sacou a varinha, apontando-a para um desarmado Harry. E contra todo o prognóstico, o menino-que-sobreviveu sorriu interiormente. Ele esperava apenas que sua aposta fosse correta e assim, a enlouquecida mulher decidisse torturá-lo um pouco, antes de matá-lo. Por sorte, em se tratando de Bellatrix Lestrange, você sempre poderia apostar num pouco de tortura primeiro:
- CRUCIO!
Harry, então, caiu no chão aos gritos, voltando a sentir os efeitos daquela conhecida maldição depois de tantos anos.
- Isso, deixe-me ouvir você chorar, bebê Potter – cantarolava com ódio, esquecendo o mundo inteiro a sua volta, concentrando-se apenas nos gritos daquele menino infernal que ousara roubar o seu lugar com o seu amado Lord.
Ela estava concentrada unicamente na dor de Harry.
Tão concentrada que não percebeu três pessoas se aproximarem.
E um par de brilhantes olhos vermelhos a encarando com uma fúria assassina.
- Bellatrix – ordenou uma voz fria e sibilante – suspenda a maldição.
- Mi... Mi Lord...
- Eu não vou repetir minha ordem.
- Sim, Mi Lord – na mesma hora, ela suspendeu a maldição, deixando um trêmulo Harry a respirar com dificuldade no chão.
Os dois Comensais da Morte que acompanhavam o Lord das Trevas se afastam ao perceberem a cólera que emanava do obscurecido olhar de seu amo. E sem pensar duas vezes, Tom se aproximou do pequeno corpo de seu amado, que lhe sorriu fracamente ao enfocá-lo na visão:
- Desculpe incomodá-lo, Tom... – murmurou, referindo-se ao pedido de auxílio que lhe enviara há alguns minutos pela conexão de suas mentes.
- Não se preocupe, pequeno. Você está bem?
- Sim, eu acho que sim – tossiu levemente – Eu queria me desculpar, mas eu não sei por que ela fez isso...
- Ora, seu pirralho...!
- Silêncio, Lestrange – a perigosa voz logo fez a mulher se calar e abaixar a cabeça – E você não precisa se desculpar com ninguém, pequeno, não foi culpa sua.
O menino, então, sorriu, encarando-o com aquele conhecido olhar que refletia apenas profundo amor e adoração e que sempre preenchia o vazio coração do Lord das Trevas.
- Avery, convoque todos os Comensais da Morte no Salão de Reuniões imediatamente – Tom ordenou para um dos Comensais, que logo fez uma profunda reverência e se retirou para cumprir a exigência do Lord – E McNair, escolte esta cadela para o salão e se certifique de que ela não possa escapar.
- Sim, meu senhor.
Em choque, Bellatrix se viu despojada de sua varinha e arrastada por correntes mágicas que drenavam suas forças até o Salão de Reuniões.
Por sua vez, Tom carregava delicadamente o menino de belos olhos verdes em seu colo, que lhe sorria com carinho, assegurando:
- Eu estou bem, Tom.
- Eu vou chamar a Owens para verificar algum ferimento e...
- Não é preciso, meu amor, eu estou bem – murmurou, abaixando o olhar ao estar contrariando as palavras de seu amado. Mas este não lhe repreendeu e Harry, então, aproveitou para continuar com suavidade – Eu gostaria de ir com você para saber o que vai acontecer com ela.
- Não. Você ficará descansando em nosso quarto.
- Oh... Tudo bem... – suspirou, abaixando o olhar – Mesmo que ela tenha razão, eu quero que você saiba que isso nunca vai diminuir o que eu sinto por você.
- Razão em que, Harry?
- Não importa, eu...
- O que ela disse? – perguntou severamente.
- Que eu não passo de uma prostitutazinha barata da qual você logo irá se cansar – respondeu baixinho, mas então, acrescentou com um pequeno sorriso – mas não tem problema, mesmo que minha função seja apenas permanecer no quarto e em sua cama, eu já fico feliz com isso, porque eu estou com você
- Não diga bobagens...!
- Eu sei que eu não posso estar presente na reunião porque isso não coincide com a minha função, mas eu não me importo, Tom, porque eu só quero fazer você feliz.
O Lord das Trevas estreitou os olhos perigosamente. Em sua mente, ele jurava a si mesmo que Bellatrix ia se arrepender de cada uma de suas palavras.
- Vamos para o Salão de Reuniões, pequeno, está na hora de todos verem o que significa ser o príncipe consorte de Lord Voldemort.
Assim, aninhando-se no peito forte de Tom, o pequeno Gryffindor, que possuía óbvias tendências Slytherins em seus momentos de ciúme, apenas sorriu, murmurando levemente:
- Obrigado, Tom.
Naquela tarde, os Comensais da Morte sem dúvida alguma perceberam o que significava ser o príncipe consorte, o qual se encontrava no colo do Lord das Trevas – que permanecia sentado em seu trono – apreciando o espetáculo, e perceberam também o destino que aguardava àqueles que ousassem atentar contra o menino de belos olhos verdes e sorriso angelical, pois a ensangüentada cabeça de Bellatrix Lestrange, agora separada do corpo, deixava uma mensagem clara aos espectadores. Harry, enquanto isso, permanecia aninhado no cálido peito de seu amado, que lhe acariciava os cabelos revoltos, e observava os restos mortais da desprezível mulher serem queimados com um pequeno sorriso nos lábios.
- Está feliz, pequeno?
- Sim.
- Porque sente que seu padrinho foi vingado?
- Não – deu uma pequena risadinha, se aconchegando ainda mais naquele corpo forte e protetor – Porque agora ela já não poderá olhar para você com os olhos cheios de luxúria e cobiça.
Surpreso, Tom se viu sem ação por alguns segundos. E então, surpreendendo a todos, deixou escapar uma gargalhada divertida que ecoou pelo aposento e fez os pobres Comensais da Morte que ainda se encontravam enjoados com cena sentirem um arrepio de medo lhes subir pela espinha.
- Meu pequeno Gryffindor ciumento... – murmurou com carinho. E o menor apenas sorriu, ronronando em apreciação às carícias.
(Fim do Flashback)
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- Amo Harry! Amo Harry, senhor!
- O que foi, Trixy? – o menino-que-sobreviveu, que naquele momento desfrutava de uma agradável leitura na biblioteca da mansão, perguntou calmamente ao esbaforido elfo que havia ingressado no local às pressas.
- Nana queimou o jantar! Ela queimou o jantar especial que o amo Harry mandou preparar! Aquela elfa velha e caduca queimou o jantar especial do amo Harry! – choramingava – O Lord vai ficar bravo quando chegar! O Lord vai nos castigar! Somos elfos maus! Elfos maus!
Harry, então, suspirou e pediu delicadamente para o elfo se acalmar enquanto eles seguiam para a cozinha.
Depois de dois anos circulando livremente pela Mansão Riddle, a qual considerava seu verdadeiro e único lar, cuidando para que cada detalhe, isto é, desde o jantar até a decoração do Salão de Reuniões, estivesse de acordo com o refinado gosto de seu amado, Harry não se surpreendia quando uma simples ordem – a mais banal que fosse – desandasse sem a sua supervisão. Francamente, às vezes ele se perguntava como Tom conseguira sobreviver naquele lugar tantos anos sem a sua ajuda, mas talvez isto explicasse porque antigamente a expectativa de vida dos elfos domésticos não era tão altas na Mansão Riddle, mas com Harry ali as coisas haviam mudado e os pobres elfos podiam até dormir em paz agora, pois sabiam que o jovem e bondoso amo Harry estaria sempre por perto para orientá-los a fazer as coisas como o Lord gostava.
- Eu me pergunto como você conseguiu fazer isso, Nana... – Harry murmurou, ao abrir a panela e observar aquilo que seria um belo Risoto de Linguado com Camarões banhado ao Azeite de Ervas reduzido a uma massa negra e tostada.
- Perdão, amo Harry! Perdão! Nana é uma elfa ruim! Nana deve se castigar! – aos prantos, a elfa correu para bater com a cabeça na lateral do fogão, mas Harry gentilmente a impediu, oferecendo um sorriso doce à pequena criatura que logo corou e se agarrou às pernas do jovem amo.
- Por favor, não se machuque, Nana. Você precisa apenas me dar uma mãozinha para cozinharmos outra coisa, está bem? Tom estará chegando daqui a pouco, precisamos nos apressar.
- Sim, amo Harry! Nana vai fazer o que for preciso!
- Trixy também! – afirmou o outro elfo, agarrando a outra perna de Harry enquanto olhava para Nana com ciúme.
- Ótimo. Eu agradeço muito, pessoal – Harry sorriu, colocando o avental que estava em cima da mesa e se preparando para por a mão na massa, literalmente.
Desde o topo de um dos armários, Nagini observava a cena com diversão, sem deixar de apreciar o delicioso aroma que a culinária de Harry desprendia, enquanto sorria mentalmente ao pensar que Harry não poderia estar mais feliz com a sua inusitada, porém agradável rotina.
- Voilá! – comentou divertido ao finalizar o prato. E os dois elfos domésticos, por sua vez, encaravam-no com lágrimas de emoção em seus olhos.
- Está magnífico, amo Harry!
- Perfeito, amo Harry! Sem dúvida alguma!
- Eu quero um pouco... – Nagini murmurou preguiçosamente e Harry apenas lhe mostrou a língua.
- Espere até o jantar.
Por sorte – pelo menos na concepção de Nagini –, o Lord das Trevas não demorou a chegar e logo a deliciosa refeição pôde ser servida na Sala de Jantar ricamente decorada com taças de cristais e talheres de prata, na qual o casal mais famoso do Mundo Mágico se encontrava agora a saborear a magnífica iguaria. Tom estava situado na cabeceira da imponente mesa de mogno e Harry, com um deslumbrante sorriso, encontrava-se ao seu lado direito e assim, os dois, conversando sobre assuntos sem importância do Ministério, deliciavam-se com a refeição preparada por Harry.
- Como está o jantar, Tom? – perguntou com evidente expectativa. E o aludido, por sua vez, não pôde deixar de sorrir, pois desde que colocara a primeira porção em contato com seus lábios, percebera que aquele elaborado Penne com Aspargos frescos e Camarões Flambados havia sido feito por Harry.
- Oh, está magnífico, pequeno.
- Que bom que você gostou – seu sorriso cresceu ainda mais.
- Eu mandei você providenciar um jantar especial para hoje, mas não esperava que você superasse dessa formar as minhas expectativas – comentou, levando um gole do caro Chardonnay aos lábios – Meus parabéns, pequeno.
- Obrigado, Tom.
- Agora você deve estar se perguntando por que eu gostaria de um jantar especial hoje, não é mesmo?
- Sim – confessou baixinho, desviando o olhar, mas o Lord apenas sorriu divertido e com um breve aceno, ordenou que o menino viesse sentar em seu colo, algo que Harry logo obedeceu encantado.
- Hoje é um dia especial, pequeno – murmurou em sua nuca fazendo o pequeno corpo de Harry estremecer com o contato – porque eu me dei férias do Ministério para sair de viagem com você amanhã.
- Viagem? – murmurou em choque.
- Sim. Eu sei que você nunca saiu do país, então, o nosso destino será uma surpresa, mas avise aos elfos para prepararem nossas malas com roupas leves.
- Certo... – respondeu, ainda um pouco confuso, mas não demorou muito para as suas belas esmeraldas se verem inundadas por aquele característico brilho apaixonado. Afinal, o seu amado Lord estava fazendo aquilo tudo para ele – Obrigado, Tom.
Harry não poderia negar que estava receoso com a possibilidade de lidar com outros seres humanos nesta viajem, pois desde que passara a viver em seu sótão e então, na Mansão Riddle, a proximidade de uma grande quantidade de pessoas ou de um desconhecido o deixava nervoso.
Contudo, Harry sabia que na presença de Tom, nada poderia ameaçá-lo.
E com o seu amado Lord, ele iria até o fim do mundo.
- Animado, pequeno?
- Muito – respondeu com sinceridade e então, para seu completo deleite, seus lábios logo foram arrebatados por um exigente e apaixonado beijo.
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Expectativa.
Esta simples palavra poderia descrever todo o conjunto de sensações que Harry vivia no exato momento.
Ao acordar naquela manhã, rodeado pelos fortes e possessivos braços de Tom, o menino logo percebeu que aquele era o dia da viagem que seu amado mencionara na noite anterior. E obviamente, ele não poderia estar mais animado.
Assim, depois de um demorado banho a dois, o qual Harry ainda corava ao se lembrar, o casal desceu para o café da manhã vestindo roupas no mínimo incomuns. Isto é, o sempre elegante Lord das Trevas que raramente vestia um conjunto que não consistisse de tons escuros e o mais caro tecido com o qual se pudesse fabricar uma túnica, naquele momento, vestia um par de pretos tênis muggles com meias da mesma cor, é claro, uma bermuda preta com bolsos de cada lado na altura dos joelhos, a qual deixava ligeiramente exposta as musculosas pernas, em conjunto com uma camiseta branca de algodão por baixo de uma camisa vinho aberta e com as mangas torcidas, mas o que acentuava ainda mais seu charme eram os ósculos escuros adorando o bonito rosto de traços firmes.
Harry, por sua vez, encontrava-se adorável num short jeans claro, que deixava suas belas e torneadas pernas amostra, em conjunto com uma camiseta verde água que acentuava o lindo brilho de seus olhos e combinava perfeitamente com o par de tênis brancos e com os óculos escuros emoldurando seu fino rosto.
- Então, meus queridos, para onde nós vamos? – uma conhecida voz se fez ouvir no momento em que os dois retiraram os óculos escuros, colocando-os dobrados na gola da camiseta, e se sentaram à mesa do café.
- Você, pelo que eu saiba, não vai para lugar nenhum, Nagini.
- Não seja mau, Tom! Eu quero acompanhá-los na viagem!
- Primeiro, eu sou o Lord das Trevas, portanto, eu sou necessariamente mau – explicou, revirando os olhos, enquanto se servia de uma xícara de café preto e um prato de omelete – e segundo, você não irá conosco e ponto final.
- Isso não é justo, eu quero ir com vocês! Você não pode me roubar o Harry por duas semanas!
- É claro que posso, ele é meu.
- Ora, eu vou morder...!
- Nagini, por favor – um nervoso Harry interferiu antes que a serpente atacasse o Lord e as maldições começassem a voar pela mesa do café – Eu prometo trazer um monte de presentes, tudo bem? Mas eu acho que o Tom quer que nós dois possamos passar um tempo sozinhos... – murmurou com as bochechas ligeiramente vermelhas.
- Oh, entendi – comentou com malícia – Seus danadinhos, saindo de férias para poder acasalar com mais freqüência e tranqüilidade, não é mesmo?
- NAGINI! – Harry gritou vermelho de vergonha, enquanto o Lord apenas riu divertido e concordou com a pervertida serpente.
E foi nesse clima de diversão e mortificação de um pobre e envergonhado Harry que o café da manhã se seguiu. Contudo, não demorou muito e um dos elfos apareceu para informar que a Chave de Portal estava pronta para a hora em que o Lord desejasse partir e assim, ao finalizar a refeição e se despedirem de Nagini, os dois magos logo se viram em frente a uma velha xícara de chá que os levaria para longe da Inglaterra. E ao tocar na borda da xícara, sentindo o Hall de Entrada da mansão começar a girar ao seu redor, Harry não pôde deixar de se sentir nervoso com a possibilidade de entrar em contato com a civilização novamente, mas muito feliz com a oportunidade de passar todos esses dias com o seu amado Lord.
A expectativa era visível nas belas esmeraldas ainda no momento da aterrissagem, que, por sorte, foi amparada pelo firme agarre de Tom em sua cintura. Mas antes mesmo que Harry pudesse agradecer a intervenção do maior, que o impedira de cair vergonhosamente no chão, ele se viu simplesmente sem fala ao contemplar a bela paisagem a sua volta.
Aquele lugar era o paraíso na Terra.
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A Chave de Portal havia levado Harry e Tom para uma pequena ilha ao sul do Mar Mediterrâneo, impossível de ser mapeada por muggles, completamente deserta e inóspita, que, no entanto, era propriedade do Lord das Trevas. A pequena ilha, completamente isolada de qualquer rastro de civilização, estava rodeada por água azul turquesa, praias brilhantes de areia tão cristalina quanto à própria água e um verde impressionante formando todo o entorno da bela paisagem, com palmeiras enormes e inúmeras flores exóticas de beleza inestimável dando um ar de leveza e tranqüilidade ao impressionante cenário.
Em meio àquela acolhedora paisagem, próximo à praia de água cristalina, erguia-se um deslumbrante chalé de três andares forjado em vidro temperado e mármore branco e cujo formato dava a impressão de um cubo de vidro rodeado de pilares de mármore. O chalé possuía ainda cinco quartos sendo três deles com suíte, dois banheiros sociais com ofurô, sala de estar, sala de jantar, escritório, biblioteca, cozinha e hall de entrada, sendo que todos os lugares eram amplos e arejados, com uma iluminação impressionante devido à estrutura de vidro e dando um belo arremate com os móveis caros e de qualidade indiscutível.
O belo chalé estava conectado à praia por uma passarela de mármore branco que encerrava num cais dentro da água, dando uma impressão imponente e acolhedora à luxuosa construção forjada em mármore e vidro.
- Incrível... – murmurou o menor, olhando a sua volta com as belas esmeraldas brilhando de admiração.
- Sem dúvida, este lugar é um dos mais impressionantes que eu adquiri.
- Isso é seu? Quero dizer... Isso tudo é seu, Tom?
- Sim, a ilha inteira – afirmou com naturalidade – É uma ilha pequena e inóspita que nenhum muggle seria capaz de localizar. Eu a comprei a alguns anos de uma família de sangues-puros italianos para ter um lugar ao qual me retirar quando precisasse descansar da estupidez de meus Comensais da Morte e quisesse apreciar alguns momentos de lazer. Contudo, desde então, eu nunca mais havia colocado os pés aqui.
Harry ouvia as palavras de seu amado com atenção. E ao final do relato, não pôde deixar de lhe brindar com um lindo sorriso, murmurado em seguida:
- Obrigado por me trazer aqui.
- Eu sei que você nunca foi à praia antes, então imaginei que fosse gostar. Minha suposição foi correta?
- Sim! Eu adorei Tom!
- Fico feliz – respondeu simplesmente, abraçando a cintura do menor e assim, caminhando com ele em direção à entrada do chalé.
Harry, então, logo se viu maravilhado com a decoração do interior do chalé e observou que o ar imponente não se restringia apenas à fachada. O luxo e a ostentação também se sobressaíam no interior. Ambientações claras e decoradas com precisão nos detalhes, isto é, preocupando-se desde a beleza do granito que formavam as escadas em formato de caracol até os caros vasos da dinastia Ming, que adoravam as diversas estantes, ofereciam um ar acolhedor e ao mesmo tempo imbuído de nobreza, enquanto a qualidade dos materiais e o design contemporâneo de muitos objetos muggles garantiram o conforto exigido pelo Lord das Trevas.
Depois de constatarem que estavam instalados no maior quarto do chalé, o casal de magos pegou algumas toalhas e para deleite do menino-que-sobreviveu, seguiram em direção à praia para aproveitarem alguns momentos de diversão e lazer.
- Não vá muito longe, Harry.
- Certo – sorriu, concordando depressa e então, seguindo para a água cristalina como uma criança pequena.
Tom, por sua vez, apenas balançou a cabeça, exasperado, e seguiu para uma das poltronas que rodeavam a orla da praia. Cabe-se apontar que a orla da praia possuía diversas poltronas reclináveis e acolchoadas que ofereciam um conforto indiscutível e que sem problema algum poderiam abrigar duas pessoas ou mais. E existiam ainda pequenas mesas de mármores com cadeiras e guarda-sóis espalhados por todo o entorno da praia, que davam a impressão de o chalé consistir num daqueles imponentes Resorts muggles com praias particulares que eram visitados todos os anos por centenas de ricos turistas.
- Tom... – uma animada voz lhe distraiu de sua leitura.
O Lord, pois, havia trazido um livro de encantamentos em Parsel realmente interessante e não pensara duas vezes antes de se acomodar na poltrona, expondo agora o dorso desnudo ao estar apenas de bermuda, com os óculos escuros no rosto e o livro em mãos, enquanto deixava seu pequeno amante se divertir na água. Contudo, a julgar pela encharcada presença de Harry ao seu lado, com um sorriso que ofuscaria mil sóis em seus lábios, o menino parecia requisitar a sua presença.
- Sim?
- Você não vai entrar na água? – perguntou com as belas esmeraldas brilhando de expectativa – A temperatura está ótima e eu vi um monte de peixinhos...
Com um grande esforço, Tom conseguiu conter um sorriso.
Harry conseguia ser tão inocente e encantador. E o fato de estar usando apenas uma sunga preta ao estilo boxer colaborava para o Lord não desviar os olhos do pequeno corpo molhado de água salgada do mar.
- É mesmo? Você quer que eu vá ver os peixinhos com você, Harry?
- Sim, por favor, vamos brincar na água...
- Oh, eu consigo pensar em algumas brincadeiras interessantes – sorriu com malícia. E o menor corou num vermelho vibrante.
Colocando-se de pé, Tom aproveitou para pegar o menino no colo e se apoderar dos lábios rosados e Harry, por sua vez, logo enlaçou a cintura do Lord com suas pernas molhadas e lhe abraçou carinhosamente o pescoço, deixando suas línguas se unirem numa dança excitante. Em poucos minutos e antes que Harry pudesse perceber, os dois se encontravam dentro d'água e a roupas de banho se perdendo em meios às ondas calmas e aos corpos agitados.
- TOM! – o menor gritou, vendo-se penetrado de uma única estocada e sem aviso prévio do Lord, que, no entanto, permaneceu imóvel por alguns minutos desfrutando do cálido interior de Harry e permitindo que este se acostumasse à brusca intromissão. Não demorou muito e sentindo o reconfortante calor da água que lhe chegava à altura da cintura enquanto permanecia enlaçado ao corpo maior, Harry movimentou o quadril suavemente indicando que estava pronto.
E os gemidos, então, logo se perderam na paisagem.
As estocadas eram firmes e precisas naquele ponto que fazia o menino-que-sobreviveu quase desfalecer em deleite. O agarre de Tom era firme e mesmo dentro d'água mantinha um impressionante equilíbrio, preocupando-se em se apoderar dos lábios de Harry, num beijo exigente e sensual, enquanto estimulava o membro do menor no ritmo das profundas estocadas.
- Ah... Tom! – Harry gemia com os olhos fechados, concentrado na pura sensação de prazer, deixando a cabeça cair para trás e expondo seu pescoço para a faminta boca do Lord.
- Diga, meu pequeno.
- Tom... Por favor... Ah...!
- O que você quer, Harry? – perguntou, deliciando-se com as marcas que deixava no pescoço alvo do menino.
- Por favor... Ah... Ah...
- Diga o que você quer, Harry.
- Mais... – seus pensamentos pareciam nublados e incoerentes, mas não havia dúvida de que isso era o que ele mais queria agora – Mais... Por favor... Mais forte... Mais...
- Eu sou um Lord benevolente – sussurrou em seu ouvido, com um sorriso malicioso e o olhar brilhando de luxúria – Então eu atenderei o seu pedido, pequeno.
Com um grito de prazer, Harry sentiu seu corpo ser invadido por estocadas mais rápidas e profundas, que pareciam preencher sua alma, e que golpeavam com força sua próstata nublando todos os seus sentidos. Ao mesmo tempo, a habilidosa mão do Lord estimulava seu membro no mesmo ritmo e então, ele percebeu que não conseguiria durar mais tempo. Ondas de eletricidade misturadas a mais pura sensação de prazer já percorriam todo o seu corpo.
Ele queria culminar...
Mas não podia ainda.
Somente após a ordem de seu amado.
- Ainda não, pequeno – Tom murmurou, como se pudesse ler as sensações do menor, apertando ligeiramente o membro em sua mão e ganhando um gemido de desespero e súplica em resposta.
Ele adorava observa as belas esmeraldas se perderem em desespero e excitação.
Ele adorava ouvir os gemidos necessitados escapando dos lábios rosados.
Ele adorava ser o único que pudesse comandar todas as ações do menino.
E o que ele mais adorava era ver o brilho apaixonado quando Harry pedia:
- Por favor... Ah... Por favor... Tom... Eu imploro... Ah... Deixa... Ah...
E adorava ver que o menino iria se contorcer e chorar mergulhado no mais profundo prazer e desespero até ouvir sua ordem seguinte:
- Agora.
E então, Harry gozaria. Sim, ao som de sua ordem o Gryffindor deixaria sua essência ser varria pela água do mar enquanto apertava as paredes de seu interior ao redor do membro que ainda o golpeava violentamente. E assim, observando aquela deliciosa expressão que Harry sempre possuía ao experimentar o orgasmo, Tom culminara em seguida, despejando toda a sua semente dentro do menino, que o acolhera com um prazeroso gemido.
Poucos minutos depois, ao sair de dentro de Harry, o Lord o aconchegou em seus braços e normalizando suas respirações, os dois observaram com um sorriso satisfeito um cardume de peixinhos coloridos nadando tranquilamente a sua volta.
- Estou com fome... – Harry murmurou sonolento.
- Vamos voltar para o chalé, pequeno. Há essa hora, os elfos já prepararam o almoço.
- Sim, vamos – sorriu, deixando o maior carregá-lo enquanto permanecia com a sonolenta cabeça encostada em seu peito.
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O decorrer das semanas seguiu neste mesmo ritmo apaixonado e divertido. Harry e Tom aproveitaram para explorar a ilha, a qual possuía três trilhas diferentes partindo do chalé e o menor, então, logo percebeu que aquele lugar era ainda mais magnífico do que havia imaginado. A primeira trilha os levara a um conjunto de cinco cachoeiras deslumbrantes após vinte minutos de caminhada e lá, o casal desfrutou da fonte de água doce unindo mais uma vez seus corpos de maneira apaixonada e desmedida.
Dias depois, quando exploraram a segunda trilha, após uma hora de caminha, Harry e Tom aproveitaram a cesta de alimentos que os elfos haviam mandado com eles a pedido de Harry e fizeram um divertido piquenique no topo da montanha mais alta da ilha, da qual podiam vislumbrar facilmente o belo chalé e a praia ao seu entorno e é claro, o magnífico pôr-do-sol, que transformou aquele momento em algo mágico sem haver a necessidade de usar as varinhas.
Por sua vez, quando exploraram a terceira trilha, passado mais alguns dias, o casal de magos se deparou com uma lagoa de água azul turquesa que curiosamente possuía uma leve mistura da água salgada do mar com a água doce das nascentes das cachoeiras e sem dúvida alguma consistia num cenário incrível, no qual os dois passaram horas e horas desfrutando da mútua companhia.
Agora, na última noite que passariam na ilha, Harry havia sugerido com os olhinhos brilhando inocentemente que passassem a noite na praia observando as estrelas e Tom logo consentiu o desejo do seu pequeno Gryffindor sendo brindado com um deslumbrante sorriso. Dessa forma, naquele exato momento, o casal de magos mais famoso do Mundo Mágico se encontrava confortavelmente acomodado numa das poltronas reclináveis que havia sido levemente modificada com um feitiço de transfiguração e agora se assemelhava mais a uma confortável cama king size coberta de lençóis brancos que combinavam perfeitamente com os inúmeros travesseiros bordados com fios dourados. A cama, é claro, permanecia rodeada por alguns candelabros flutuantes conjurados com magia que garantiam a romântica iluminação do local.
Seus corpos desnudos e a respiração ainda levemente agitada indicavam que haviam passado as últimas horas desfrutando das mais puras sensações de prazer e agora descansavam, abraçados, contemplando o brilho da lua que iluminava seus corpos entrelaçados.
Era uma noite mágica.
- Obrigado mais uma vez por me trazer aqui – Harry murmurou contra o peito do maior.
- Você está feliz?
- Muito.
- Não apenas com a viagem – acrescentou, afastando-se ligeiramente para observar os expressivos olhos do menino – Eu quero saber se você está feliz com a sua vida da forma que ela é hoje?
- Eu estou feliz – respondeu com sinceridade – Eu não poderia desejar mais nada.
- Nem a possibilidade de ter conhecido seus pais ou rever seus amigos?
Harry permaneceu em silêncio por alguns segundos. Confusão e receio brilhavam em seus olhos, afinal, era extremamente raro que Tom se referisse à sua antiga vida. Mas sem duvidar por um instante sequer, seus olhos se fixaram nos olhos escarlates do maior ao afirmar com segurança e semblante tranqüilo:
- Não, nem mesmo isso.
- Harry...
- Se eu gostaria de ter conhecido meus pais? – interrompeu o maior, mas dessa vez, sem desviar o olhar – Sim, é claro que sim. Mas ao mesmo tempo eu nunca teria conhecido você. E eu amo você, Tom. Eu não trocaria o que eu sinto por você por nada. Eu me diverti e amei meus amigos um dia, mas eles não puderam entender os meus sentimentos. Eles esperaram de mim algo que eu não poderia dar: a imagem do salvador do Mundo Mágico, uma responsabilidade com a qual eu não queria mais lidar. Mas eu sei que eles estão num lugar melhor agora vendo como eu estou feliz com você.
Tom observou o amor e o carinho brilhando nos belos olhos verdes-esmeraldas sem pronunciar uma palavra. Ele sabia que Harry o amava. É claro que sabia, pois havia moldado a debilitada mente do menino para isso. Mas ainda sim, não esperava tamanha sinceridade em cada palavra. Ele não esperava a pureza refletida naquelas esmeraldas.
- Venha comigo, pequeno.
Quando observou o Lord se levantar e cobrir seu definido corpo com uma longa túnica negra de seda que se assemelhava a um roupão muggle, Harry engoliu em seco, imaginando que seria castigado por suas palavras. Contudo, ele não pensou duas vezes antes de se levantar também, cobrindo-se com uma túnica do mesmo feitio na cor verde clara, e seguir o maior em direção ao cais de mármore que encerrava dentro do mar. Harry estava temeroso, mas não se arrependia de suas palavras.
- Eu... Eu peço desculpas, Tom – murmurou, parando ao seu lado na borda do cais, enquanto olhava para baixo e observava as ondas colidirem com as colunas de mármore – Eu não quis ofendê-lo... Sinto muito...
- Você não precisa se desculpar, Harry.
- Mas... Hum... Você não está bravo?
- Não – sorriu, fazendo as belas esmeraldas se iluminarem – Na verdade, eu estou muito feliz.
- Mesmo? – se atreveu a perguntar. Um enorme sorriso adornando seus lábios.
- Sim. Eu estou feliz por ter você, pequeno – segurando a pequena mão esquerda de Harry, o maior sussurrou um feitiço e então, uma caixinha de veludo negra apareceu em sua mão – Eu gostaria de oficializar a sua posição como príncipe consorte, como meu companheiro, Harry, você aceitaria? – perguntou com a voz rouca, abrindo a caixinha e mostrando ao menino as duas alianças que se encontravam lá dentro.
- Tom... – murmurou, observando as jóias, maravilhado.
- Essas não são alianças comuns, Harry. Este raro par foi forjado na época de Merlin, eu só consegui devido ao meu acesso aos cofres de Salazar Slytherin como seu herdeiro, pois esta relíquia não existe mais nos dias de hoje. Quando colocarmos essas alianças em nossos dedos ao som de um encantamento pronunciado pelo cônjuge dominante, na mesma hora, nossas almas e nossas magias estarão ligadas – explicou com cuidado. E Harry, por sua vez, ouvia atentamente – isso quer dizer que não poderemos nos separar e quando um de nós vier a morrer, o outro morrerá em seguida. Consegue compreender, Harry?
- Sim.
- Isto não é uma ordem, você pode escolher aceitar ou não, se não estiver preparado agora. Mas eu gostaria de saber, você aceita este enlace comigo?
Reluzentes olhos esmeraldas se fixaram nos seus.
E com um deslumbrante sorriso, daqueles que seriam capazes de ofuscar mil sóis, Harry respondeu:
- É claro que sim, Tom – afirmou, estendendo a mão esquerda para o Lord colocar a aliança.
Tom, por sua vez, só percebeu que estava prendendo a respiração quando a soltou ao ouvir a resposta afirmativa do menor. E então, murmurando o antigo encantamento em Parsel que havia lido tantas vezes antes de embarcar nesta viagem, ele deslizou o delicado aro de ouro com três pequenos diamantes no dedo de Harry e ofereceu o aro maior sem diamantes para o menino colocar em seu dedo, o que Harry fez sem hesitar, o lindo sorriso dançando em seus lábios.
Fascinado, Harry observou uma luz dourada envolver a si mesmo e ao Lord, ao mesmo tempo em que uma cálida sensação inundava seu corpo. E então, o menino ouviu algo que sempre desejara, mas nunca havia imaginado escutar um dia:
- Eu amo você, Harry – Tom sussurrou em seus lábios, envolvendo o pequeno corpo num cálido abraço enquanto saboreava a trêmula boca de um surpreso Harry com um beijo calmo e zeloso.
Os olhos verdes, então, viram-se marejados de lágrimas.
E com um sorriso de deleite, afastando-se apenas alguns centímetros do Lord, Harry respondeu num sussurro cheio de felicidade:
- Eu também amo você, Tom, de uma forma que eu nunca pensei que poderia amar alguém um dia.
Sob a benção da luz prateada de um deslumbrante luar, ao som das ondas do mar colidindo com os pilares de mármore que formavam o cais, sobre o qual permanecia o casal apaixonado, Tom e Harry entrelaçaram suas mãos, nas quais brilhavam as alianças mágicas e olharam para o horizonte, Harry apoiando delicadamente a cabeça no ombro do maior.
Eles sabiam que o começo daquela impensada relação havia sido mais do que inusitado.
Mas sabiam também que desde então todo o ódio havia se transformado em amor.
E agora, nada poderia separá-los.
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Enquanto isso, na Grã-Bretanha, mais especificamente em seu escritório pessoal na Mansão Nott, Elizabeth finalizava sua segunda tese a respeito da Síndrome de Estocolmo, e dessa vez, utilizava como parâmetro todo o tratamento daquele que um dia fora o seu principal paciente, a quem chamava de "H" em seus estudos para não haver qualquer exposição da identidade do menino.
Assim, lembrando-se de todos os momentos que passara com Harry, seja em St. Mungus ou depois, na Mansão Riddle, a psicomaga não hesitou em concluir aquele estudo, que sem dúvida alguma lhe renderia seu segundo prêmio Varinha de Ouro, com a seguinte citação que refletia perfeitamente a quase insana, porém bonita relação de Harry Potter e Tom Riddle:
- "O amor possui razões que a própria razão desconhece" - leu em voz alta com um pequeno, porém sincero sorriso.
FIM
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N/A: Meus queridos leitores... É com imensa dor no coração que eu finalizo esta história. Estocolmo foi uma das histórias que eu mais gostei de escrever, pois abordou temas que eu me interesso muito e é claro, eu pude torturar bastante o pobrezinho do Harry, cá entre nós, a melhor parte! Hehe... Eu espero sinceramente que vocês tenham gostado da história e agora, deste desfecho.
E aproveito para agradecer todos aqueles que mandaram REVIEWS. Afinal, eu não ganho nada para escrever, o meu melhor e único pagamento consiste unicamente nos seus comentários, que me animam e incentivam a continuar sempre!
Obrigada mesmo!
Um grande beijo para:
Pandora Beaumont... FranRenata... vrriacho... Sandra Longbottom... Paulo Ruembz... KuroNekoDevil... Brunah-Akasuna... Malukita... AB Feta... Nicky Evans... Isys Skeeter... Kamilla Bacchi... Kimberly Anne Potter... e lily-lecter! (a propósito, parabéns pelo aniversário no dia 15/02 e desculpe a demora! Hehe...).
Eu agradeço de coração ao comentário de todos vocês.
E para aqueles que ficaram tristes com o final da história, por favor, animem-se! Uma nova história quentinha está saindo do forno para vocês! Hehe... Sim, em algumas semanas eu postarei uma nova história, cujo casal será Tom e Harry novamente... – Ok, deu para perceber que eu amo esses dois, né? –... Ma com uma temática completamente diferente! O primeiro capítulo já foi iniciado e eu espero sinceramente que vocês também apreciem está nova história intitulada: Destinos Entrelaçados.
Mais uma vez eu agradeço àqueles que me acompanharam até aqui.
Um grande beijo... E espero vê-los na minha próxima história!
