Capítulo 9

— Tem certeza que você sabe como usar essa coisa? — Perguntei, olhando para o telescópio.

Edward me lançou um olhar por cima do ombro. — O quê? Você não?

— Não.

— Você não estava prestando atenção na aula quando Drage falou sobre isso e as câmeras de imagem?

Cruzei meus braços. — Você estava desenhando o elenco de Duck Dynasty* quando ele estava falando disso.

*Seriado do A&E, que conta sobre a família Robertson.

Ele riu quando se voltou para o telescópio e começou a ajustar os botões e teclas e outras coisas que eu não conseguia lembrar. — Eu estava ouvindo.

— Uh-huh. — Aproximei-me mais, usando seu corpo como um escudo contra o vento frio que batia em todo o telhado do Byrd Center. — Você é realmente um artista muito bom.

— Eu sei.

Revirei os olhos, mas ele realmente era. Os esboços eram perturbadoramente realistas, até as barbas.

Ele se inclinou, movendo uma alavanca. — Já usei um telescópio uma ou duas vezes na minha vida.

— Isso é aleatório.

— Tudo bem. Eu usei quando fiz a matéria naquela outra vez. — Ele corrigiu, enviando-me um sorriso rápido enquanto se endireitava. Inclinando a cabeça para trás, olhou o céu escuro, — Cara, eu não sei se nós vamos ser capazes de conseguir qualquer coisa antes de as nuvens pesarem.

Seguindo seu olhar, eu estremeci. Intensas nuvens tumultuadas estavam obscurecendo a maior parte do céu noturno. Havia uma sensação molhada no ar, um cheiro de chuva. — Bem, é melhor nos apressarmos então.

— Mandona. — Ele murmurou.

Eu sorri.

— Venha aqui e eu vou lhe mostrar como usar isso. — Ele deu um passo para trás, e com um suspiro, eu tomei o seu lugar. — Você vai prestar atenção?

— Não realmente. — Admiti.

— Pelo menos você é honesta. — Edward inclinou-se em torno de mim, colocando os dedos sobre o telescópio. Seu braço roçou o meu, e eu não me importei. Ele estava realmente bloqueando o vento agora. — Esta é uma Philips ToUcam Pro II. — Ele apontou para uma coisa de prata que me lembrou uma webcam. — Ela se conecta ao telescópio. Nessas configurações, você deve ser capaz de obter uma imagem clara de Saturno. Pressione isto e ela irá capturar uma imagem.

— Tudo bem. — Coloquei meu cabelo para trás. — Eu não acho que nós deveríamos estar tirando uma imagem de Saturno.

— Huh. — Ele fez uma pausa. — Hey.

— Ei, o quê?

— Sai comigo.

— Cale-se. — Sorrindo, inclinei-me para frente, pressionando meu olho no telescópio. E tudo que eu via era um breu. Astronomia me odiava. — Eu não vejo nada.

— Isso é porque eu não tirei a lente. — Edward riu.

Eu empurrei meu cotovelo para trás, que conectou com seu estômago, o que era equivalente a bater em uma parede. — Idiota.

Ainda rindo, ele tirou a lente. Edward poderia ter se movido, porque eu estava no caminho, mas não o fez. A frente inteira de seu corpo encostou-se nas minhas costas, e eu imóvel, fechei os olhos.

— O quê? — Perguntou.

— Teria sido mais fácil se tivesse ido para o lado e então feito isso. — Eu apontei.

— Verdade. — Ele abaixou a cabeça para que seus lábios estivessem ao lado da minha orelha. — Mas qual diversão teria?

Um arrepio correu sobre meus ombros. — Vá se divertir sozinho.

— Bem, isso realmente não tem graça. — Disse ele. — Tente novamente.

Respirando fundo, eu pressionei meu olho na porcaria do telescópio de novo e santo Deus, eu vi. O planeta estava um pouco embaçado, mas a tonalidade acastanhada fraca era visível, assim como os anéis.

— Uau.

— Você o vê?

Eu me afastei. — Sim, isso é muito legal. Eu nunca vi um planeta na vida real. Quero dizer, nunca tirei um tempo para fazê-lo. É muito legal.

— Eu acho que sim, também. — Ele desviou o olhar quando pegou alguns fios do meu cabelo e os puxou para fora do meu rosto. — O que é que vamos estar olhando?

— Sagitário e, em seguida, o chá fumegante* ou o que quer que...

*Teapot é um conjunto de estrelas que tem forma de um bule de chá (que em inglês quer dizer 'tea pot') a coincidência é que, além do formato de bule, há uma espécie de 'vapor' saindo dele.

Uma grande e gorda gota de chuva fria salpicou na minha testa. Eu pulei para trás, batendo em Edward. — Oh merda.

Outra gorda gota de chuva atingiu meu nariz e eu rangi. Meus olhos encontraram Edward. Ele xingou e depois agarrou a minha mão. Nós começamos a correr pelo telhado, nossos sapatos deslizando sobre a superfície molhada.

Nós quase chegamos à porta quando o céu se rasgou e chuva fria derramou, embebendo-nos dentro de segundos.

Ele soltou uma gargalhada e eu gritei. — Oh, meu Deus. — Eu gritei. — É estupidamente gelada.

Parando de repente, ele se virou e me puxou contra ele. Meus olhos se arregalaram enquanto eu estava de repente e inesperadamente mais apertada contra seu peito duro. Minha cabeça virou-se e nossos olhares se encontraram. Chuva escorria sobre nós, mas nesse segundo, eu não senti nada.

Ele sorriu.

Essa foi sua única advertência.

Envolvendo um braço em volta da minha cintura, ele mergulhou e levantou- me fora de meus pés, colocando-me sobre seu ombro. Eu gritei de novo, mas foi perdido em sua risada.

— Você é muito lenta. — Ele gritou por cima da chuva.

Segurei a parte de trás de seu capuz. — Coloque-me no chão, seu filho de uma...

— Segure-se! — Rindo, ele partiu para a porta, com o braço preso em meus quadris, me segurando no lugar.

Um par de vezes ele escorregou nas poças se formando, e meu coração parou. Eu poderia facilmente ver meu crânio sendo rachado. Cada passo que me sacudiu, causava-me pequenos grunhidos enquanto eu deixava maldições e ameaças de fazer-lhe lesões corporais escaparem.

Ele as ignorou ou apenas riu.

Edward derrapou para uma parada e abriu a porta. Esquivando-se, ele entrou em um pouso seco, na frente da escadaria. Ainda rindo, ele agarrou meus quadris. Eu estava preparada para bater no chão no momento em que ele me largasse, mas quando ele me baixou para os meus pés, meu corpo deslizou para baixo dele, centímetro por centímetro. Deve ter sido a nossa roupa molhada, porque o atrito causado entre nós fez o ar perfurar meus pulmões.

Suas mãos ainda estavam em meus quadris, o toque queimando através do meu jeans. E ele olhou para mim, a tonalidade de seus olhos escurecendo em um azul profundo, intenso e faminto. Aqueles lábios perfeitamente formados se abriram e senti seu hálito quente, e também um pouco de menta.

Minha frente toda pressionada contra a sua. Essa sensação explodiu em várias partes do meu corpo, no fundo do meu estômago, meus músculos enrolaram, as pontas dos meus seios apertaram, e minhas coxas vibraram. Minhas mãos estavam pressionadas contra seu peito e eu não tinha certeza de como isso aconteceu. Eu não me lembrava de tê-las colocado lá, mas elas estavam, e seu coração batia na minha palma, uma batida constante que combinava com a minha.

Uma mão deslizou por meu lado, deixando para trás um rastro inebriante de arrepios desconhecidos. Engoli em seco quando seus dedos tocaram minha bochecha, escovando os fios molhados de cabelo para trás da minha orelha.

— Você está encharcada. — Disse ele, sua voz mais profunda do que o normal.

Com a boca seca, eu engoli. — Você também.

Sua mão permaneceu, dedos abertos, de modo que seu polegar estava contra a minha bochecha. Ele fez pequenos círculos ociosos na minha pele. — Acho que nós vamos ter que tentar isso outra noite.

— Sim. — Sussurrei, lutando contra o desejo de fechar os olhos e inclinar- me ao seu toque.

— Talvez deveríamos ter verificado o tempo primeiro. — Edward disse, e eu tive que sorrir para isso.

Em seguida, ele se moveu apenas uma fração de uma polegada. Um movimento leve que de alguma forma nos trouxe ainda mais próximos, quadris com quadris. Um tremor balançou por toda a minha espinha.

A consciência do meu corpo e o dele, era esmagadora. Eu estava respondendo a ele de uma forma instintiva, de uma maneira que eu estava totalmente desacostumada.

Meu corpo sabia o que fazer o que ele queria, mesmo que meu cérebro estivesse disparando tantos avisos que eu me senti como se fosse a Segurança Nacional durante um código vermelho.

Eu me empurrei para trás, quebrando o contato. Minha respiração estava entrando e saindo aos poucos enquanto eu continuava me afastando, acertando a parede atrás de mim. Toda a minha roupa estava fria e eu estava muito quente. Queimando. Minha voz soou estranha quando eu falei. — Eu acho que nós... deveríamos encerrar a noite.

Edward se inclinou para trás, descansando a cabeça contra a parede oposta, as pernas ligeiramente afastadas. Tudo nele parecia tenso e cansado. — Sim, nós deveríamos.

Nenhum de nós se moveu por um minuto, e então nós ficamos quietos, enquanto fizemos nosso caminho de volta para baixo e para sua caminhonete.

O que quer que tenha se passado entre nós, se perdeu no silêncio e, durante o caminho até o nosso prédio, a ansiedade tinha se construído na boca do meu estômago, apagando os poucos momentos que tivemos na escada, quando eu tinha tido nada na cabeça, a não ser a sensação do meu corpo em contato com o dele.

Músculos tensos, saí de sua caminhonete e corri sob o toldo do nosso prédio. Edward estava ao meu lado, sacudindo a chuva para fora de seu cabelo. Pairei na parte inferior das escadas, os dedos torcendo em torno de minhas chaves. Eu precisava dizer alguma coisa. Eu precisava, de alguma forma, fazer tudo isso ir embora, porque eu não queria que a nossa amizade ficasse tensa ou ele mudasse.

E então, tive uma sensação horrível no meu estômago.

Eu não queria perder Edward.

Durante o mês passado e algumas semanas, ele havia se tornado uma parte intrincada da minha vida, se enraizando em todos os meus dias, e se as coisas estavam prestes a mudar...

Mas eu não sabia o que dizer, porque eu não sabia o que tinha acontecido na escada. Meu coração batia a um ritmo doentio, ele deu um passo e, em seguida, parou, virando-se para mim.

— Vai sair comigo? — Ele perguntou, passando a mão pelo cabelo molhado, empurrando-o de volta de seu rosto.

— Não. — Sussurrei.

E então a covinha apareceu em sua bochecha, e eu soltei a respiração que estava segurando. Ele começou a subir os degraus. — Há sempre um amanhã.

Eu o segui. — Amanhã não vai mudar nada.

— Vamos ver.

— Não há nada para ver. Você está perdendo seu tempo.

— Quando se trata de você, nunca é um desperdício do meu tempo. — Respondeu ele.

Desde que estava de costas para mim, ele não viu o meu sorriso. Eu relaxei. Eu me aqueci. As coisas estavam normais novamente com Edward, tudo estaria bem.

Estou cada vez mais encantada com esse Edward!

Respondendo os reviews:

MandaTaishoCullen: kkkkkkk eu faço o possível para encontrar os melhores caras para adaptar. Beijos flor.

Carol Prodanov: Ele não é galinha, ele só é bonito demais para o próprio bem e se aproveita disso... ok ele é um pouco galinha mas nem tanto. Aos poucos vamos descobrindo o que aconteceu. Beijos.

Nos vemos no domingo. Beijos e até lá.