Capítulo Dez
Cut With a Dull Knife
(Cortar Com Uma Faca Cega)
Scorpius se concentrou nas bolhas saindo da ponta de sua varinha. Uma das questões práticas de seu exame de Feitiço tinha sido criar bolhas e fazê-las mudar de cor. Tinha sido a única coisa que não tinha conseguido fazer direito. Ele tinha produzido as bolhas e as tinha feito mudar de cor, mas não conseguira controlar as cores. Estava determinado a acertar antes de o trem parar na King's Cross.
- Ainda treinando? – Rose perguntou.
- Sim. – respondeu entre dentes cerrados. Rose era legal, mas ela conseguia ser um pouco exibida às vezes. Al e Scorpius tinham concordado que se Rose não fosse parte da família de Al, eles poderiam se sentir intimidados com a inteligência dela, bem como irritados. Isso era equilibrado pelo fato de que Rose nunca os fazia se sentir como idiotas, e sempre estava mais do que disposta a ajudá-los com o dever de casa.
- Se você está tentando mudar a cor, - Rose disse simplesmente. – você precisa mover o pulso em sentido anti-horário, antes de meio que acertar o meio da bolha com a varinha, enquanto pensa na cor ou a diz. – pegou a própria varinha e produziu algumas bolhas. – Assim. – disse, demonstrando o movimento da varinha, silenciosamente mudando as cores.
As sobrancelhas de Scorpius se juntaram em um franzir, enquanto copiava cuidadosamente os movimentos de Rose, satisfeito em murmurar o encantamento da cor que queria, e não se preocupar em fazer feitiços silenciosamente até que fosse necessário. A bolha na sua frente assumiu um tom claro de azul. Repetindo o movimento, a cor passou a ser o amarelo de luz de vela.
- Obrigado, Rosie. – guardou a varinha no bolso, e pegou uma cópia d'O Pasquim da pilha precária de revistas que James e Al tinham entre eles. Scorpius assobiou suavemente, sem prestar atenção, enquanto folheava a revista.
- Onde eu já ouvi isso? – Al olhou ao redor do compartimento em confusão.
- O quê? – James murmurou vagamente, apertando os olhos para a foto de "I Spy" d'O Pasquim que estava segurando de ponta cabeça, tentando encontrar uma vassoura na bagunça.
- Essa música. Já ouvi antes. – Al insistiu. Inclinou a cabeça para o lado; o assobio era o único som no compartimento, exceto pelo som das folhas de revistas e livros. Começou a cantarolar junto ao assobio, sem notar que o rosto de Scorpius assumiu um tom rosado.
James girou os olhos.
- É de um daqueles malditos filmes que Lily gosta tanto. Aquele em que eles dançam.
- Ceeeerto. – Al assentiu. – Pelas pantufas de coelhinhos de Merlin, espero que ela tenha cansado desse filme a essa altura.
Scorpius parou de assobiar.
- Eu gostei. – disse, defendendo Lily, sentindo que alguém tinha de fazê-lo.
- É por que você não teve que assistir um milhão de vezes. – James suspirou.
- Não é adorável? – uma voz tediosa soou. James ergueu a cabeça para ver Robert Nott parado na porta aberta do compartimento deles. – Seu avô estaria se revirando em seu túmulo se pudesse te ver confraternizando com traidores de sangue e mestiços. – ele informou a Scorpius.
- Não tem mais nada para fazer, Nott? – James perguntou friamente. – Eu encontraria algo para fazer se fosse você, antes que descubra o que acontece se for atingido por um feitiço de pernas bambas e um de furúnculos ao mesmo tempo. – James se voltou para sua revista, com aparente preguiça.
Nott bufou zombeteiramente.
- Como se vocês quatro conseguissem fazer isso.
- Não, mas nós conseguimos. – disse a agradável voz de Madeline, atrás de Nott. Ele se virou para encontrar Madeline e Isabella paradas no corredor, girando as varinhas entre os dedos. – Seja um bom menino, e dê o fora, pode ser? – Madeline adicionou, dando um encontrão em Nott ao passar por ele.
- Eu acreditaria nela, se fosse você. – Isabella disse, examinando suas unhas com desinteresse. – Há mais de nós do que de vocês. E Parker pode ser Lufo, mas ele é ótimo em duelos, e você estará caído sobre sua bunda, com as calças ao redor dos tornozelos, antes que possa dizer "bu". – Isabella inspecionou sua varinha calmamente, usando a manga da camisa para polir uma mancha inexistente.
Nott assumiu um tom de vermelho irritado, e caminhou pesadamente pelo corredor, deixando-os sozinhos. Scorpius suspirou em alívio. Ele odiava conflitos e brigas. Dava-lhe dor de cabeça.
- Bundão. – Rosie murmurou sombriamente.
- Linguagem, Rosie. – Isabella corrigiu automaticamente, antes de seu rosto se abrir em um sorriso largo. – Antes que a vovó lave sua boca com sabão, de novo.
Rose e James estremeceram em repulsa, ao mesmo tempo. No verão passado, Molly os flagrara, no jardim, no meio de uma competição para ver quem conseguia criar o xingamento mais criativo, e os arrastara para dentro da casa. Ela os colocara na lavanderia, e disse um "tergeo" rápido e agudo, apontando a varinha para cada um deles. Bolhas rosas e cobertas de espuma imediatamente saíram de suas bocas, e Molly assistiu com os olhos cerrados por vários segundos, antes de murmurar "finite incantatum".
- Obrigado, Izzy. Eu acabei de parar de ter pesadelos sobre isso. – James jogou sua revista de volta na pilha sobre o banco, e pegou outra. – Então, o que vai fazer nesse verão? – perguntou distraidamente para sua prima.
Isabella bufou.
- Provavelmente cuidar de Aidan, quando mamãe e papai estiverem trabalhando. Não há muito que se fazer na reserva de dragão. O almoço de domingo será o ponto alto da minha semana, até irmos comprar minhas coisas da escola em agosto. Mas posso acabar indo a um ou dois jogos das Harpies.
- Parece que vai ser tão animado quanto o meu. – James resmungou. – Não acontece muito em Somerset¹ em julho.
- A tia Ginny não te leva mais aos jogos, eh? – Isabella perguntou com simpatia.
- Não. – James teve a decência de corar. – Não depois do último verão, quando fiquei dando Cremes de Canário a Al durante o jogo e estávamos no camarote de imprensa. Achei que minha mãe fosse me dar um sermão em público. – James refletiu.
- Não, mas o papai deu. – Al riu. – Não o tinha visto tão bravo desde que você tentou fazer Lily comer massinha quando ela tinha dois anos.
- Isso é por que você não se lembra das fraldas. – James retorquiu.
- Oh, parem de reclamar, dá para ser? – Rose olhou para seus primos com impaciência.
- Diz a garota que mora em Londres. – Madeline lembrou.
- Super divertido, também, quando eu e Hugo acabamos na loja com o papai e o tio George ou em Devon, n'A Toca. - Rose zombou. – Não é como se pudéssemos passear pelo Beco Diagonal, também. Apenas tente colocar um dedo para fora da linha e, em dez segundos, alguma bruxa vai nos dedurar.
- Mas vocês não estão presos no interior, como o resto de nós. – Isabella disse.
- Isso não é verdade. – Rose opôs. – Jacob e Fred também não moram no interior. Eles estão em Islington², e a tia Katie prefere deixá-los soltos por Londres a deixá-los levar Deflagração de Luxo para a escola. E Parker? Por favor. Fulham³ é só um pouco melhor que Bloomsbury. – Rose fungou e se voltou para seu livro.
Scorpius acompanhara a conversa como a uma partida de tênis. O silêncio imperou por alguns minutos, antes de ele falar.
- Eu ganho de todos vocês. – disse levemente, virando a página de sua revista. – Eu tenho que ver Geoffrey durante o verão. – esfregou o nariz, considerando. – Provavelmente Nott, Adam Rosier e Malcolm Urquhart, também. Os adultos vão jantar lá em casa, e as crianças têm que ir brincar no jardim. – Scorpius esperou um momento, antes de falar arrogantemente. – Eu ganho.
- Parece adorável. – Al disse sarcasticamente.
- É incrivelmente divertido. – Scorpius murmurou.
- Sério. Pergunte a sua mãe se você pode passar um fim de semana ou algo assim conosco, antes das aulas começarem. – Al lembrou Scorpius.
- Acredite, irei. – Scorpius olhou para fora da janela. – Estamos chegando à estação.
Apressadamente, Al e James guardaram as cópias d'O Pasquim no malão de James, enquanto Rose guardava cuidadosamente seu livro na mochila. Arrastaram os malões para fora do trem, e caminharam na direção da fila de ruivos, quebrada pelos cabelos escuros de Harry. Al parou no meio do caminho até onde Harry estava esperando e se virou para Scorpius, que estava tentando encontrar sua mãe na multidão.
- Ei, Scorpius.
- Sim?
- Não se esqueça de escrever, seu idiota. – Al sorriu.
- Você também, mula. – Scorpius riu. – A gente se vê, com certeza, em setembro, então. – a multidão diminuiu um pouco, quando as pessoas começaram a passar pela entrada da plataforma, desaparatavam ou iam para as lareiras. Viu Daphne parada em um lado. – Ali está minha mãe. Tchau, então.
- Tchau. – Al observou a cabeça loira de Scorpius se misturar na multidão, caminhando na direção a Daphne, que cumprimentou seu filho, antes dos dois aparatarem. Al sentiu uma mão pousar no topo de sua cabeça, e ergueu os olhos para ver seu pai. – Oi, pai. – ele disse alegremente.
- Pronto para ir? – Harry perguntou.
- Sim. Flu ou carro hoje?
- Você deve ter trocado seu cérebro pelas meias sujas de James. Está louco se acha que vou lidar com você, James, seus malões, mochilas, para não mencionar corujas, no flu. – Harry lhe disse incredulamente.
- Oh, é. Certo. Desculpe. – Al sorriu timidamente para Harry e o seguiu pela barreira, arrastando seu malão em um carrinho. Harry colocou os malões dos meninos no porta malas e dirigiu o carro pelo trafico de Londres.
James adormeceu no que pareceu segundos. Ele sempre dormia durante viagens de carro, para o incomodo de Al e Lily. Ele tomava mais do que seu espaço, mesmo com as modificações que Harry fizera ao carro. Al sorriu marotamente e deslizou para a ponta do banco, de modo que seu queixo pudesse descansar no encosto do banco de Harry.
- Ei, pai?
- Hmmm?
- Scorpius pode ir passar um fim de semana em casa antes das aulas começarem?
Harry olhou para a expressão ansiosa de seu filho pelo retrovisor.
- Eu não sei, Al. Vamos ter de perguntar para a mamãe primeiro.
Harry voltou a olhar para a rua, suprimindo um arrepio de apreensão. Não que não gostasse de Scorpius. Ele era bacana, Harry supôs, mas tinha memórias demais de Draco e Lucius Malfoy, desde seus onze anos até os dezoito, para se sentir completamente confortável com Scorpius. Harry sabia que tinha dito a Albus para ser legal com Scorpius; ele só não estivera preparado para os dois virarem melhores amigos.
- Pai, por favor? – Al implorou. A expressão de súplica em seu pequeno rosto fez Harry morder o lábio e querer dar a Al tudo o que ele pedisse. Frequentemente, Ginny o acusava, sem malicia, de mimar as crianças para compensar por sua falta de infância. Mas Harry nunca tomaria uma decisão dessas sem consultar Ginny primeiro.
- Veremos, Albus. – Harry disse severamente. – Se, e eu quero dizer "se", sua mãe concordar, então podemos mandar uma coruja para a mãe dele e partir daí. Certo?
- Certo. – Al se recostou com um suspiro suave e derrotado. Quando Harry usava "Albus", Al sabia que era melhor desistir.
-x-
Scorpius entrou na mansão atrás de Daphne. Deixou sua mochila perto da porta da frente, e ouviu sua mãe chamar Perri, o elfo doméstico. Daphne passou um braço ao redor dos ombros de Scorpius.
- Vá para o jardim dos fundos. – ela murmurou. – Há uma surpresa para você. – Scorpius focou seus olhos confusos em Daphne, o cenho franzido em questionamento. – Apenas vá. – Daphne lhe empurrou gentilmente na direção da sala de estar, onde um par de portas francesas dava acesso ao jardim dos fundos.
Scorpius se permitiu esperar, por um momento, que seu pai fosse estar lá, pronto para recebê-lo. A fagulha de esperança se apagou quando ele espiou pelas portas francesas. Draco não estava em nenhuma parte do terraço. Soltando um suspiro desapontado, Scorpius foi para o lado de fora, rezando para que sua mãe não tivesse convidado um de seus primos Greengrass para uma "festinha de boas vindas". Assim que passou pela porta, parou, analisando o jardim dos fundos, procurando por sua surpresa. Uma figura solitária estava sentada em um banco de pedra, sob as sombras de um trio de tílias, o cabelo claro se destacando nas sombras.
- Avó! – murmurou alegremente. Scorpius correu pelo jardim, sem se importar se esse era o comportamento apropriado ou não. – Avó! – gritou, quase tropeçando nos próprios pés em sua ansiedade para ver sua avó.
Scorpius amava Narcissa. De todos os seus parentes, ela era sua favorita. No último verão, antes de ele ir para a escola, Narcissa o levara para uma caminhada na praia.
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Narcissa se inclinou para tirar os sapatos, olhando por sobre o ombro. Lucius teria algo a lhe dizer mais tarde se soubesse que ela estava andando descalça na areia. Era impróprio para um Malfoy fazer algo tão... Comum. Mexeu os dedos contra a areia quente com um suspiro, e olhou para seu neto, que tinha amarrado os cadarços de seus tênis e os pendurou no ombro.
- Então, vai começar Hogwarts mês que vem? – Narcissa começou. Scorpius assentiu. – Já tem todas as suas coisas?
- Sim, avó. – Scorpius respondeu respeitosamente. – Livros, malão, vestes, kit de poções, caldeirão, varinha.
- Sem coruja? – Narcissa ficou surpresa. Achara que Draco daria uma coruja a Scorpius, puramente pelo status de ter uma.
- Não. – Scorpius respondeu tristemente. – O pai disse que não me daria uma coruja até eu fazer por merecer.
- Merecer como? – o cenho de Narcissa se franziu.
- Para qual casa vou ser selecionado. – Scorpius deu de ombros. Todos os seus primos, pelo lado de sua mãe, estavam na Sonserina e Scorpius não se importava particularmente com eles. Eles podiam ser cruéis ao provocar os membros mais novos da família, e Merlin ajudasse quem se atrevesse a não seguir o dogma puro-sangue.
- Sonserina, presumo? – Scorpius assentiu silenciosamente, os olhos fixos na areia. – E para onde você quer ser selecionado?
- Sonserina, eu acho. – Scorpius resmungou de modo não convincente.
- Por quê?
- É para onde todos os Malfoys são selecionados. O pai e o avô falaram.
- Sim, querido, mas o que você quer?
- Por que isso importa?
Narcissa se sentou graciosamente na areia, e gesticulou para que Scorpius fizesse o mesmo.
- Eu vou te contar uma história. – ela disse. – Sobre uma garota que também vinha de uma família inteira de Sonserinos. Ela não queria ir para Sonserina de verdade. Ela queria ir para Corvinal, por que essa garota era bastante inteligente e amava aprender sobre magia. Todos os tipos de magia, não apenas a negra. Mas ela temia sua família. Ela temia que eles não fossem a querer mais se ela fosse selecionada para qualquer lugar que não Sonserina. Ela sabia o que tinha acontecido com alguns membros da família que se atreveram a quebrar a tradição. Então, quando chamaram a garota e ela foi ser selecionada, o Chapéu Seletor passou um longo tempo tentando decidir onde colocá-la; Corvinal ou Sonserina? Finalmente se decidiu por Sonserina, por que ela estava com tanto medo do que poderia acontecer a ela nas mãos de sua própria família. – Narcissa afastou gentilmente o cabelo loiro do rosto de Scorpius. – Essa garota era eu.
Os olhos de Scorpius se ergueram para encontrar os de Narcissa.
- Você?
- Sim. – Narcissa puxou Scorpius para mais perto e acariciou o alto de sua cabeça. – Você precisa saber, querido, que não importa para onde você será selecionado, para mim isso não importa. Ou para sua mãe. O Chapéu leva em consideração o que você quer. É necessária muita coragem para ser diferente. Seja lá o que Deus, Merlin, ou no que você acreditar, intencionou para você, não é ser um Sonserino.
"Eu escolhi o caminho difícil. Ir para a Sonserina me colocou em um caminho que, se eu pudesse fazer de novo, eu mudaria. Há coisas mais importantes do que pureza de sangue. Não se esqueça disso. Muitas pessoas morreram ou enlouqueceram por que outras pessoas achavam que isso era tudo o que importava. E acredite em mim, Scorpius, não valeu a pena, o que nós perdemos. – Narcissa se ergueu e começou a caminhar de volta para a casa.
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Scorpius abraçou Narcissa apertadamente. Ele não pudera vê-la durante as férias de final de ano.
- Olá, avó. – disse, sorrindo alegremente.
- Olá, querido. Teve um bom ano?
- Sim, tive. – percebendo que poderia mostrar a ela seu ano, ao invés de apenas contar, Scorpius se ergueu em um pulo. – Espere aqui, eu já volto. – Scorpius correu para dentro da casa e pegou sua mochila de onde a deixara. Voltou correndo pelo jardim e se sentou ao lado de Narcissa. – Eu tenho algo para lhe mostrar. – disse, ofegante, tirando um álbum de couro de sua mochila.
Abriu na primeira página. Estava cheia de fotos bruxas. Scorpius sentado no meio de um mar de adolescentes ruivos, entre dois garotos de cabelos negros, com um nariz sujo de sangue.
- Foi meu primeiro jogo de Quadribol. Al e James, - indicou os dois meninos de cabelo negro. – e seus primos jogam juntos quase todos os domingos, quando os mais velhos, que estão no time da Grifinória, não têm um jogo. Eu fui atingido por um Balaço quando tentava impedir um gol. – informou Narcissa orgulhosamente. – Mas Victoire, - Scorpius disse, indicando a garota magra com o cabelo da cor de um pôr do sol. – o curou.
Scorpius virou a página.
- Isso foi na manhã de natal. – explicou. – Esses são Lily, Al e James. A senhora Potter fez o cachecol e as luvas. A touca, também. – Scorpius apontou para uma fotografia diferente. Ele e Al sentados lado a lado na cozinha d'A Toca, xícaras de chocolate quente e biscoitos a sua frente. – A senhora Weasley, a avó de Al, fez o suéter. Ela faz um para cada um deles no natal. E eles são todos diferentes.
Narcissa sorriu para a foto.
- Você e Al parecem um par de apoio de livros. – e eles pareciam mesmo em suéteres similares, um claro e o outro escuro.
Scorpius virou a página.
- Adivinha? Eu conheci outro primo! Eu não sabia que erámos primos, até as festas. Aqui está ele. Teddy Lupin. – Scorpius apontou para uma foto dele e Teddy no natal. O cabelo de Teddy estava no seu tom natural de castanho. Ele indicou a foto sob essa. – Essa é a senhora Tonks com Teddy. Ela é a avó dele.
Narcissa piscou para afastar as lágrimas. Fazia anos desde que vira Andromeda. Ela olhou para Teddy, não tendo o visto desde que era um bebê. Ele era bastante parecido com Andromeda. Não, Narcissa disse a si mesma com firmeza. Ele é parecido com a mãe dele. E seu pai... Andromeda e sua filha tinham o mesmo rosto em formato de coração, e Teddy também o tinha.
- Parece que seu feriado foi adorável.
- Foi bacana. – Scorpius virou mais algumas páginas, antes de fechar o álbum. Perri tinha ido ao jardim avisá-los que o jantar seria servido em alguns minutos. Voltou a guardar o álbum na mochila e caminhou até as portas francesas.
Os olhos de Narcissa correram pela mesa. Pensativamente, estudou a faca que segurava com sua mão esquerda, virando-a levemente, fazendo-a brilhar levemente sob a luz de velas. Eu poderia cortar a tensão com essa faca, pensou. Draco sequer olhara para seu filho desde que tinham se sentado à mesa. Daphne manteve os olhos presos em seu prato. Ninguém falava, além dos pedidos murmurados pelo sal. O único som na sala era o fraco clink dos talheres na porcelana. Narcissa pigarreou.
- Então, Scorpius, como foram seus exames?
- Bem. Acho que errei poucas questões de Feitiços e Defesa. Tenho certeza de que fui bem em Poções. Professor Williams é um bom professor. – Scorpius mordeu o lábio e focou seus olhos cinzas e largos no seu prato.
Narcissa olhou para Draco pelo canto dos olhos. Ele tinha parado de comer, e estava tentando fingir não ter ouvido a resposta de Scorpius. Respirando fundo, Narcissa continuou.
- Acha que vai tentar entrar no time de Quadribol da sua casa ano que vem?
- Não.
- Pareceu que você gostou de jogar... – Narcissa parou de falar, não querendo mencionar Harry Potter ou seus filhos em frente de Draco.
- Eu gostei de jogar, mas eu prefiro jogar casualmente com... – Scorpius parou e seus olhos correram rapidamente para a ponta da mesa. – Meus amigos. – ele terminou suavemente. Viu a mão de seu pai ficar tensa ao redor do garfo. – Posso me retirar, por favor? – Scorpius olhou para sua mãe esperançosamente.
Daphne olhou para Draco, e depois para Scorpius.
- Sim. Vá em frente. – Scorpius soltou seu garfo e saiu da cadeira. Saiu rapidamente da sala de jantar, e subiu as escadas até seu quarto.
Scorpius fechou a porta com um suspiro de alívio. O silêncio durante o jantar tinha lhe dado uma dor de cabeça monumental.
Draco esperou até o som dos passos leves de Scorpius sumirem.
- Você tinha que fazer isso, mãe? – cuspiu.
- Fazer o quê? – Narcissa perguntou inocentemente.
- Fazer... – Draco esforçou-se visivelmente. – Ele falar sobre o ano escolar. – ele se levantou e jogou o guardanapo sobre o prato. – Vou estar para o estúdio. – Draco informou sua mãe e esposa friamente, e saiu da sala.
Os olhos de Narcissa se cerraram, enquanto seguiam o caminho de Draco para fora da sala. Ela esperara que os eventos da última batalha tivessem lhe ensinado algo.
Parecia que esse não era o caso.
Continua...
¹ condado ao sudoeste da Inglaterra.
² distrito ao norte da cidade de Londres.
³ distrito da cidade de Londres.
