Piratas Não Amam
cap.10 - Sobre vestidos, bebidas e penetras
-Agora sim ela parece a prostituta oficial do capitão. - Este foi o quinto comentário consecutivo que Kagome teve de suportar ao passar pelos marinheiros no convés da Tessaiga. - InuYasha, seu petulante filho de uma... - ela praguejou entre dentes, também pela quinta vez.
Mas o que poderia esperar? Vestida como estava era impossível nomeá-la de outra coisa.
O vestido vermelho berrante era apertado no busto, realçando suas linhas e quase os jogando para fora de tão revelador. A saia era esvoaçante, porém de um tecido tão leve que se posto sobre a luz de uma vela se tornaria transparente.
O que aquele maldito capitão tinha em mente ao me dar essas roupas!Indagou a si mesma. E não era apenas aquele vestido, mas todas as vestes que o cachorro havia lhe dado. Um cara legal? Háh! O que seria de sua honra agora? Bem, pelo menos dessa forma talvez Kouga desistisse de se casar com ela... Mas ele não seria o único.
E o pior era que não podia nem reclamar... O que mais vestiria? Era melhor ter pelo menos alguma peça de roupa para deixar os marinheiros apenas imaginando e não confirmando suas suspeitas sobre o que havia ali embaixo.
-Uau. Como está bonita hoje, milady. Diga, gostou dos vestidos que eu comprei para você? - Ela não demorou a ouvir a voz do hipócrita, e os risos grosseiros da tripulação que se seguiram a irritavam mais do que nunca. Ah, o idiota! Foi até ele pisando duro e cutucou-o no peito.
-Seu idiota, cínico, canalha! Eu sei que foi de propósito! Quem você pensa que é para tentar me humilhar dessa forma? - A jovem acusou com uma careta de raiva estampada na face.
-Ora, ora, mas quanta agressividade! Palavras tão profanas não deviam sair de uma boca tão delicada... Isso lá é forma de agradecer um presente? E não contorça seu rosto assim, tira toda a sua beleza. - O pirata zombou, tocando levemente a ponta de seu nariz com o dedo indicador e deixando-a corada, tanto de ira quando de embaraço. Ela estapeou a mão dele.
-Não me toque, seu cachorro! Como pôde me comprar coisas desse tipo! - A garota inquiriu, nervosa, tentando ignorar o rubor em suas bochechas.
-Oras...Pensei que queria roupas e foi o que lhe dei, não? - Ah, como Kagome odiava quando ele se fazia de inocente assim! Até parece que não sabia que aquele tipo de roupa não era adequado para uma dama.
-Roupa? Você chama isso de roupa? Se eu andasse enrolada apenas em uma toalha de rosto revelaria menos! - Ela gritou, assustando até os piratas que assistiam a tudo, entretidos.
-Só faltava um lanche... - Miroku sussurrou para Sango, que concordou com um aceno, ainda vidrada no casal discutindo.
-Não seja ingrata! Eu gastei do meu dinheiro para satisfazer seus desejos de menina mimada e é assim que me trata? - InuYasha se fez de indignado, colocando uma mão no coração como se tivesse sido acertado.
-Não se faça de bobo! Você sabe muito bem que esse tipo de roupa é de prostituta! E essa é a segunda vez em dois dias que você tenta me desonrar, seu cachorro! - Kagome não agüentava mais a hipocrisia daquele nojento. Já não bastava dizer a todos que eles estavam... er... Juntos? De tão irada, mal deu importância para as risadas da tripulação para o novo adjetivo 'carinhoso' que dera ao capitão.
-Olha lá como me chama, bruxa! - InuYasha já estava ficando nervoso... Uma coisa era vir e reclamar, a outra era fazer toda a sua tripulação rir dele, o CAPITÃO.
-Pois é isso mesmo que você é! Homem que é homem não faria esse tipo de coisa com uma dama! - A garota retrucou, fazendo-o estreitar os olhos. Agora ela tinha conseguido tirá-lo do sério.
-Dama? Você não é dama nenhuma. É apenas uma... - Mas foi interrompido pela voz de Rin.
-Não ouse, InuYasha... Não vai desonrar mais a minha irmã! - Quando fez menção de ir lá bater no atrevido, Sesshoumaru segurou-a pela cintura. Aquela briga era apenas dos dois. - Mas, Sess...
-Rin. - Com um olhar dele, ela desistiu. Também, ela não conseguiria se soltar mesmo.
-É apenas uma prostituta barata. - Quando viu que não tinha como a irmã atrapalhá-lo, InuYasha terminou a frase. Todos fecharam a boca subitamente e não havia som algum no convés. Agora o capitão fora longe demais. O silêncio foi cortado pelo barulho de um tapa... Da mão de Kagome.
-Nunca mais me insulte. Ouviu bem? - E antes que o capitão pudesse reagir ao tapa, ela havia se retirado.
-O que foi? O que estão olhando? Voltem para suas tarefas! - InuYasha gritou ao ver que todos o observavam como se fosse estourar de repente... Não estavam assim tão longe da verdade, afinal.
A tripulação desapareceu rapidamente. Ninguém queria ser o bode expiatório do capitão num momento de raiva daqueles. Mas, bem... Ele tinha merecido, não? Não se insulta a honra de uma mulher assim e depois escapa ileso, pirata ou não.
Droga... Garota idiota... Vou mostrar pra ela o que acontece com quem ousa me tocar. Ele prometeu a si mesmo, indo na direção contrária a que ela tomara. Isso podia ficar para mais tarde.
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InuYasha estava em sua cabine, refletindo. Ainda não tinham conseguido zarpar porque faltavam alguns consertos finais a fazer. Mas o resto do dia fora até tranqüilo, considerando que Kagome não saíra do quarto depois da cena que os dois haviam aprontado.
Já era quase noite e tudo o que ele queria era uma boa garrafa de rum e uma mulher... Mas o último não vinha ao caso. Ah! Já sei! Esta noite eu vou declarar folga! Vamos beber e comer até não podermos mais! Afinal, merecemos depois da luta contra o 'pomposo'. Ele pensou, com um sorriso no rosto, orgulhoso de si mesmo ao se levantar e dirigir-se ao convés.
-Hei, Miroku! - Chamou o Primeiro Imediato, que estava sentado em um barril, entediado. - O que acha de uma festinha hoje? Para comemorar a nossa vitória!
-Claro! - Miroku se levantou num pulo diante daquela informação. - Com direito a mulher? - InuYasha girou os olhos.
-Claro, se você achar alguma na cidade. - Ele consentiu, fazendo Miroku suspirar.
-Eu estava pensando na Sango, mas já que você insiste... - O pirata resmungou tristemente.
-Você ainda vai ter tempo para a Sango, meu amigo! Vamos aproveitar a noite! - InuYasha deu uns tapinhas nas costas de Miroku, fazendo-o sorrir, sonhador.
-Ahhh... Mulheres... - InuYasha bufou. Será que ele só pensava nisso? Mas, bem... Agora tinha que avisar a tripulação.
-Hei! - Ele gritou e assobiou, conseguindo a atenção de todos. -Vamos ter uma festinha para comemorar a nossa vitória sobre a Marinha Britânica! - Depois que os gritos e manifestações de alegria terminaram, ele continuou. - Peguem a comida e todo o rum que compraram! E quem quiser pode trazer algumas prostitutas também!
Não foi preciso falar duas vezes para os homens se dispersarem em busca das coisas que o capitão pedira, mas Sesshoumaru franziu a testa. O que seu irmão estava pensando?
-InuYasha, está louco? Precisamos alcançar o Naraku. - O mais velho relembrou, mas o jovem capitão apenas bufou.
-Eu vou alcançar o bastardo, sim. Mas começo amanhã de manhã. Não estou nem aí, sei que vou pegá-lo e pronto. Hoje vou farrear. - Retrucou arrogantemente e saiu andando, deixando o irmão sozinho com sua ira. Sesshoumaru deu um passo para segui-lo e arrancar as jóias da família, mas sentiu uma mão delicada em seu braço.
-Deixe, Sesshy... Uma festa não fará mal a ninguém. Não arrume confusão. Além do mais, não conseguiríamos sair daqui hoje, de qualquer forma.- Ele suspirou, mas atendeu o pedido de Rin. E quem sabe isso não alegre a minha irmã? Ela pensou, esperançosa.
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Logo estavam todos reunidos, bebendo e rindo. Depois da quarta garrafa de rum, InuYasha se perguntava onde estava Kagome. Até Sango e Rin estavam ali, mas não ela.
Acho que vou atrás dela... A bruxa não pode perder uma comemoração, afinal. Decidiu com um sorriso malicioso. Qualquer um que observasse perceberia que o capitão já estava um tanto... Alterado. Mas não era como se alguém se importasse.
Rin observou-o partir e deu um suspiro. O idiota ia estragar tudo... Mas fazer o quê?
O capitão entrou no quarto de Sango quase arrancando a porta, fazendo Kagome levantar-se da cama, assustada. Estivera a ponto de conseguir dormir, mesmo com a barulheira vinda do convés, mas nesse momento InuYasha entrara.
-Bruxa, venha para a nossa festinha. - Ele ordenou com a voz enrolada. Está BÊBADO? Ela pensou, horrorizada. Já ouvira falar de todas as coisas que homens bêbados faziam... E agora?
-Vo-você não está bem... Por favor, InuYasha, saia do meu quarto. - Ela pediu com a voz trêmula e o capitão percebeu. Ela estava... Com medo?
-Esse nem é o seu quarto. É da Sango. Você devia estar na MINHA cabine. Mas NÃO, a teimosa tinha que vir e ser puritana, mesmo depois da maneira que dormimos juntos! - Ele reclamava, inconsciente do que fazia. Kagome sabia que na manhã seguinte, se lembrasse do que tinha acontecido, ele se arrependeria muito.
-Não diga bobagens, até parece que fizemos alguma coisa! Não fizemos nada! - Ela retrucou, apesar de ainda estar meio amedrontada pelas possíveis atitudes do capitão.
-Nossa noite não significou nada para você? - Ele se fez de magoado, apesar do tom sarcástico em sua voz. - Preferia que fosse o seu comodoro pomposo, né? Sinto dizer, milady, mas não o verá nunca mais, pois da próxima vez que eu me encontrar com ele, mato o idiota! E não será você quem vai me impedir!
-Você está assumindo coisas e dizendo besteiras porque está bêbado! Eu não tenho nada com o Kouga! - A não sero fato de que supostamente devíamos nos casar. Pensou ela, notando a ironia de sua afirmação.
-Não me interessa. Venha comigo. - O homem comandou novamente, ignorando a contradição na frase. A jovem decidiu que era melhor não contrariá-lo.
-Certo, espere. - Ela levantou-se e colocou um roupão de seda por cima da camisola que vestia. Aquelas eram as únicas peças decentes que InuYasha lhe comprara, já que ninguém veria mesmo... Ou assim ela pensava.
-Vamos logo. - O capitão bêbado reclamou, pegando-a pelo cotovelo e arrastando-a porta afora. Por estar alcoolizado, Inuyasha não percebia que não estava dosando sua força, fazendo a garota notar que acabaria se machucando se o contrariasse.
Resignada, Kagome se limitou a tentar ocultar seu corpo com o roupão que, de forma atrapalhada, tentava ajeitar enquanto era arrastada pelos corredores do navio até chegar no convés.
-Ah... Olha só, Manten, a doçura resolveu nos honrar com sua presença! E olha que trajes interessantes ela está usando! - Hiten comentou, sentado em um barril, com uma prostituta em seu colo e um copo de rum na mão. Ao ouvir o comentário, Kagome segurou o roupão com mais força, mesmo que fosse impossível fechá-lo mais. Sentia-se exposta diante do olhar predador do pirata.
-Percebi, Hiten... Será que ela não quer fazer companhia para nós? Eu adoraria colocar minhas mãos naquelas coxas maravilhosas e abri-las, sabe como é... - Kagome arfou, indignada, mas antes que pudesse responder, o alterado InuYasha deu um passo para frente.
-Vocês dois, imbecis, se não quiserem perder a língua, é melhor deixar a boca fechada. - Ele ameaçou. Os dois arregalaram os olhos e engoliram em seco. Não era bom mexer com o capitão agora. As ameaças dele nunca eram da boca para fora.
Guiando Kagome para longe dos dois, ele sentou-se no lugar que ocupava antes de ir atrás dela.
Ai, meu Deus... No que eu fui me meter? A garota pensava, nervosa por causa dos olhares que recebia. Qual não foi a sua surpresa ao ser puxada para o colo do causador de seu tormento?
-InuYasha... Solte-me, por favor. - Ela sussurrou, tentando se desvencilhar dos braços dele. Já não bastava a vergonha que estava passando?
-Cale-se, mulher. Não se mexa. - O homem resmungou, apertando-a com mais força. A jovem suspirou, sabendo que não adiantaria nada tentar sair dali... Ele a pegaria de qualquer forma.
InuYasha tentou algumas vezes fazer com que Kagome bebesse um pouco de rum, mas ela negava com todas as suas forças. Uma coisa era fazê-la passar vergonha; outra era deixá-la bêbada.
Tudo estava indo até bem (sem contar os olhares maliciosos na sua direção e os murmúrios sobre a cena ali), até Miroku, também um tanto alterado, resolver pegar o copo do capitão furtivamente. O detalhe é que InuYasha tem um olho especial para o seu rum... E ai de quem tentar pegá-lo!
O barulho de uma faca sendo fincada na madeira fez todos os olhos se virarem para a cena. Miroku engoliu em seco, fitando a faca a um centímetro de sua mão.
-Não ouse, Miroku. É meu rum, entendeu? MEU! - O capitão resmungou, um brilho perigoso em seus olhos. O primeiro imediato assentiu freneticamente, tirando a mão do caminho da faca. - E é melhor que outra coisinha fique clara para você também. ELA - apontou o objeto afiado para Kagome - É minha mulher. Se tocá-la, vai perder os dedos.
Kagome corou até a raiz dos cabelos. Sabia que ele estava bêbado e, por isso, não sabia o que falava. Mas mesmo assim... Precisava envergonhá-la tanto?
A cena foi interrompida por um pirata que se dirigiu a InuYasha.
-Com licença, senhor... - O homem falou, um tanto hesitante.
-Fale logo o que quer! - InuYasha exigiu, puxando Kagome para mais perto de si.
-É que temos um probleminha, senhor... - Ele respondeu. Outro homem veio até eles, trazendo algo em suas mãos. O que é aquilo? Um boneco...? Não, espere! É uma criança! Kagome pensou, surpresa. - Esse pirralho estava escondido em uma das caixas de rum.
InuYasha levantou-se, fazendo Kagome sair de seu colo. Fitou a criança com os olhos estreitados, pensativo.
-Hei... Você não é o pentelho que queria virar pirata? - O capitão inquiriu. O homem que segurava o menino o soltou e ele cruzou os braços.
-Meu nome é Shippou! Não sou pentelho! - Ele retrucou, fazendo beicinho. Kagome deu um gritinho e o abraçou.
-Você é muito fofo! - Ela disse, sorrindo. InuYasha teve vontade de bater no abusado que ousara tomar a atenção da garota, mas resolveu deixar isso pra mais tarde.
-Não sou fofo, moça! Sou mau! - Shippou retrucou, mostrando os dentes.
-Claro que é! - Kagome riu.
-Mau ou não, pirralho, eu vou te jogar na água! - InuYasha pegou Shippou pela gola da camisa e fez que ia jogá-lo do navio.
-Espere! Por favor! Eu só quero encontrar o meu papai! Ele viajou há muito tempo e até agora não voltou! - O menino implorou, fechando os olhos. InuYasha parou, mas não deu o braço a torcer.
-Não estou nem aí! Volte pra sua mãe! - Ele resmungou.
-Minha mamãe morreu, senhor capitão. - Shippou choramingou, fazendo Kagome intervir.
-InuYasha, deixe-o aqui! Ele pode ajudar no navio enquanto tenta achar o pai! Por favor, ele não tem ninguém! - Ela pediu, fazendo-o virar a cara para ela.
-Navio não é lugar de criança! - O capitão gritou, mas Kagome não hesitou.
-Nem de mulher, lembra? - Ela retrucou, fazendo-o estreitar os olhos e soltar Shippou.
-Tem razão! - A garota sorriu, achando que tinha ganhado, mas o sorriso sumiu de seu rosto quando ele a agarrou pela cintura e passou o braço sob suas pernas, tirando-a do chão e fazendo menção de jogá-la na água.
-Hei, o que está fazendo? Pare! - Ela gritou, mas parou ao ver que ele ria. Está rindo da minha cara, o maldito!
-Garota estúpida, acha que vai se livrar de mim tão fácil? - Ahhh, o arrogante... Ela pensou com os olhos estreitados.
-Deixe de besteira e diga logo! Vai deixar o pobre garoto ficar ou não? - A jovem inquiriu, fazendo-o girar os olhos.
-Contanto que seja só até achar o pai, não estou nem aí! Mas vai trabalhar! - Ele respondeu, soltando-a. Kagome gemeu com o impacto das partes traseiras no chão e levantou-se, esfregando o local dolorido.
-Venha comigo, Shippou. Está com fome? - Ela perguntou, afastando-se do lívido InuYasha e indo até o menino, que assentiu. Pegando sua mão, guiou-o para fora do convés. Salva pelo gongo! Não agüentaria nem mais um segundo aqui.
-Droga... Era só o que me faltava! - InuYasha resmungou, observando a garota ir embora. E justo agora que começara a se divertir...
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Kagome observava Shippou, que comia um pedaço de queijo como se fosse a primeira coisa que entrava em seu estômago há dias.
-Então... - Ela começou, fazendo a criança se virar para ela. - Conte direito essa história do seu pai. - O olhar do garoto se entristeceu.
-Bem, tudo começou quando eu tinha dez anos, há um ano atrás. Quando o papai ainda estava aqui, nós estávamos sem dinheiro. Ele dizia que tudo ficaria bem, mas nós nem tínhamos mais comida! - Ele contou, pegando um pão e mordendo. - Um dia, ele recebeu uma oferta para se alistar em um navio de mercadores. Era um dinheiro bom e ele precisava de emprego.
-Então ele foi? - Kagome perguntou, curiosa.
-Sim... Disse que voltaria em alguns meses e que tudo ficaria bem. - Ele continuou, tomando um gole da caneca de água e voltando a fitar Kagome. - Mas um ano se passou e ele não voltou. A mamãe ficou doente. Um dia, quando fui levar o remédio para ela, ela não acordava. O doutor disse que ela estava morta.
Kagome sentiu um aperto no coração. Sabia o que tinha acontecido... E, apesar das desavenças com os pais, não desejava mal para nenhum deles.
-Eu sinto a falta da mamãe... - Ele choramingou e a garota o abraçou. - Mas tenho que achar o papai... É só ele que tenho agora.
-Eu entendo... Nós vamos te ajudar a achá-lo, não se preocupe. - Ela assegurou, apertando o garoto contra si. Ninguém merecia a dor daquela perda.Por um momento a jovem imaginou InuYasha morto, mas não foi por mais do que um segundo. Logo ela varreu aquele pensamento de sua cabeça. Quem se importa se aquele cachorro morrer? Seria até bom!
Contudo, uma pequena pontada em seu coração mostrou que não era bem assim. Mas aquela não era hora de ponderar tais coisas.
-Senhorita... Será que eu posso trocar de roupa? - Ele pediu, enxugando as lágrimas como se tivesse vergonha delas.
-Me chame de Kagome, Shippou. - Ela disse, sorrindo. - Por que não se limpa ali? - A jovem apontou uma vasilha enorme de água para ele. - Eu vou atrás de roupas para você.
-Obrigado, Kagome. - Ele agradeceu e foi até lá quando ela saiu pela porta. Que moça legal... Acho que essa viagem não vai ser tão ruim. Ele pensou alegremente.
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Certo... Onde eu vou encontrar uma roupa para criança por aqui? Kagome se perguntava, dirigindo-se para a cabine do capitão. Bêbado ou não, ele ia ter que ajudá-la.
Abriu a porta cuidadosamente e entrou na ponta dos pés. InuYasha dormia na cama, provavelmente bêbado demais para ficar no convés.
Ele era adorável quando dormia. Aquela cara de cão chupando manga dava lugar a uma expressão angelical... Parecia uma criança. Só se for dormindo mesmo... Pensou, irônica, virando-se para caminhar até a cômoda dele.
Abriu uma gaveta silenciosamente e tirou uma blusa. Vou ter que fazer uns ajustes, mas vai ter que servir. Pensou, tirando a blusa do monte de roupas ali. E para a parte de baixo...?
Encontrou uma calça que apertava com um cordão na cintura. Ela poderia cortar para ficar do tamanho dele. Isso vai ter que servir. Levantou-se, mas antes de sair do quarto, virou-se para InuYasha novamente. Aproximou-se da cama e sentou-se ao seu lado.
Seria interessante tocar essas orelhinhas fofas... Pensou, levando o braço até a cabeça dele. Mas antes que pudesse tocá-las...
-GAHH! - InuYasha acordara de súbito e pulara em cima dela, segurando seu pescoço e prendendo-a na cama. Os olhos de Kagome mostravam um terror indescritível. Nunca vira tanta fúria na face do capitão.
Quando ele viu que quem estava embaixo dele era Kagome e não um atacante, arregalou os olhos. Kagome viu várias emoções em seu rosto: Raiva por ter sido pego desprevenido, choque por tê-la pego no flagra ali, culpa por ter assustado-a e, por fim, uma emoção que ela não sabia explicar... Era desejo?
InuYasha desceu a mão que segurava sua garganta e acariciou a cintura de Kagome, que estava chocada demais para se mexer. A mão foi subindo lentamente e ele enterrou o nariz nas madeixas negras. A boca desceu para o pescoço, dando beijos lentos e sensuais sobre a pele alva.
A jovem não sabia o que fazer diante das sensações causadas em seu corpo. Nunca sentira algo assim antes e também não fazia idéia do que vinha depois. Mas, quando as carícias lascivas se aproximavam do seio, ela o empurrou, amedrontada.
-Saia de cima de mim! O que pensa que está fazendo, tentando me tocar? - Ela gritou, indignada. O pirata saiu de cima dela e o desejo em seu rosto foi substituído por indiferença e uma leve irritação.
-O que está fazendo aqui, bruxa? Quer morrer? Não me assuste assim! - Ele reclamou, ignorando a pergunta e passando a mão pelo cabelo. Kagome sentou na cama e massageou o pescoço.
-Não precisava ter tentado me estrangular também, idiota! - A garota retrucou, fazendo-o fitá-la com uma expressão nada amigável.
-O que você está fazendo aqui de qualquer forma? - O capitão perguntou, desviando do assunto.
-Eu queria algumas roupas para o Shippou, espero que não se importe. - Ela respondeu, prevendo a reação dele.
-Mas não vão servir nele! - O pirata teimou, fazendo Kagome girar os olhos.
-Eu vou cortá-las, claro. - Ela respondeu e ele arregalou os olhos.
-O QUÊ? Não vai cortar minhas roupas, bruxa! - Ele retrucou.
-Você queria que ele andasse nu? - A garota retorquiu, irritada.
-Você poderia dar suas roupas para ele e andar nua. Eu não ia reclamar. - InuYasha deu um sorriso malicioso.
-Não vou nem responder esse comentário ridículo e vulgar. - A jovem dama respondeu entre dentes. Que nervo desse imbecil!
-Mas você bem que está com saudade dessa cama, não é? - Ele falou, batendo a mão no colchão, convidativo. - Foi por isso que veio aqui, certo? - Ela se levantou da cama com um olhar frio e dirigiu-se à porta.
-Passar bem, capitão. - E saiu. InuYasha aumentou o sorriso e deitou-se novamente, convencido. Ela sentia falta sim, ele tinha certeza.
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Aiii... O idiota! Ela pensava, querendo abrir um buraco naquele convencido pervertido. Que direito tem para falar algo assim para mim? Ele vai ver só. E o tarado ainda me tocou!
Respirou fundo e entrou no quarto que dividia com Sango. Agora tinha que se concentrar em arrumar a roupa para Shippou e não no arrogante capitão. E por falar nisso, estava pensando muito nele ultimamente. E, bem... Não podia deixar de negar que a cama parecia um tanto convidativa...
-Céus... O que está acontecendo comigo? - Perguntou-se baixinho, ao ver para onde seus pensamentos a levavam, fazendo o sinal da cruz. É pecado pensar assim... Má, Kagome má!
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#Toca a música tema da Pantera cor de Rosa aos fundos e entra Bella enrolada em uma capa preta#
Ahn... Aloha, pessoal! (olha pros lados com medo)
Estou me escondendo... Tem uns leitores furiosos correndo atrás de mim com facas na mão... Algo sobre atualização atrasada, mas não estou muito certa. -
Bem, continuando... Olha o capítulo novo aqui! \o/ (aponta um pedaço de papel rasgado e público pula em cima) Gahhhh! Heeeelp! Era brincadeira! (seguranças tiram público de cima) Aff... Esse povo sem esportiva. u.ú Já que estou toda quebrada, vamos acabar logo com isso...
Reviews: Obrigada à Lady Sophie, Nika, Lua, Jaqueline Sant'ana, Srta. Kinomoto, krol-chan, Dessa-chan, Nehurotika, Tefy-chan, Lilaclynx, Hell's Angel Heaven's Demon, Jenny Ci, Kyotsu, Madam Spooky, Mistr3ss, Sofy Lupin, Saori Higurashi, Linelam, Biba Evans, Ayame-chan (olha, eu já traduzi uma fic sobre eles, Sentidos, mas se vc quiser eu posso te indicar algumas boas...), Gaby Swordmaster, Makoto Katsuragi e Athena the Fighter. Muito obrigada, pessoal! Graças a vocês, agora chegamos nas 200 reviews! \o/ Estou muito feliz, nunca imaginei um dia chegar aqui, mas olha só onde estou, né? XD Obrigada pelo apoio, pessoal! Esse capítulo é dedicado a todos vocês!
Dedicatórias especiais:
Artis e Sofy, as dragonesas mais esquentadinhas que eu já vi! No entanto, tá na cara que eu não posso viver sem elas, né? XD
Ártemis, a fadinha que me ajuda a lidar com aquelas duas lá de cima. O.o Fairies rock the world, né Ártemis? XD E MUITO obrigada pelo seu presente de amigo secreto! (Hora propaganda: Estranho Amor, da Ártemis a.k.a Mikky. Vale a pena, gente!)
Nika-dono, uma grande amiga e reviewer fiel... Afinal, já viram leitor que paga reviews de 5 capítulos atrasados? XDD A Nika paga...
Madam Spooky, que apesar de ter um computador muito rebelde que escolhe quando vai funcionar, continua me apoiando! \o/ Menina, vc ainda não leu este capítulo, então aqui está! \o/
Kisamadesu, que foi gentilmente manipulada por mim para checar esta fic! XDD Espero que esteja gostando, Kisama!
Tici e Raven, as duas revisoras mais fofas do mundo! Apressaram a revisão pra eu não ficar atrasada com vocês (apesar de não ter adiantado muito, já que eu atrasei pra escrever XD) e atacam todo o meu estoque de biscoitos! #Nota mental: Passar no supermercado e comprar biscoitos#
Muito obrigada, pessoal! Eu amo vocês XDDDD
Dúvidas:
Nehurotika: Si, é uma InuKag! Não, a Kikyou não é prostituta. O Naraku não a paga pelo serviço, afinal... Eles são meio que sócios. Vcs logo vão entender pq a Kikyou ajuda o Naraku. E não precisa ser formal comigo, eu sou amiga de todo mundo! XD Beijos.
#Ouve a gritaria dos leitores indignados# Ah, mas esses não saem do meu pé! #Volta o tema da Pantera Cor de Rosa# Fuga estratégica pela direita! Tchau pessoal! Kisu! Fui! o/
