-O que se passa Kristen? Que se passa? – perguntava ele preocupado. Não tinha a certeza se devia dizer aquilo ali por isso fiz um esforço para lhe dizer para falarmos noutro sitio porque não podia falar, tudo o que saiu foi:

-Aqui... não... – senti que tinha perdido a minha voz, podia jurar que era como se ela estivesse presa numa caixa ou muito, muito longe. Nem parecia ser eu a falar.

Ele pediu à senhora da loja de vestidos para olhar por mim durante dois minutos enquanto ia por as coisas no carro e depois veio buscar-me, levou-me ao colo até ao fim daquela rua, depois acho que percorremos mais uma, e lá estava o carro que tinhamos alugado. Perguntou-me se queria ir deitada no banco de trás, mas tudo o que eu queria era estar o mais perto dele que fosse possível por isso respondi que não. Então ele sentou-me cuidadosamente no banco ao lado do dele, pôs-me o cinto e correu para o volante. Não consegui falar todo o caminho para o hotel, ainda estava em choque, por isso fiquei apenas a ouvir o que ele tinha a dizer.

-Amor, viste-a? Se a viste temos de chamar a polícia, é perseguição! Aquela besta tem de ser presa, ela está a tentar matar-te... Desculpa. Mas temos de fazer algo! Não podemos deixar que ela consiga o que quer. Prometo que te vou proteger.

Por esta altura acabei por adormecer, mas tenho uma leve noção de sairmos do carro e de ele me levar ao colo para o quarto. Sentou-se e pôs-me em cima dele, balançava ritmadamente o corpo, como se embala um bebé. Quando recuperei a 100% a consciência disse-lhe, devagar por precaução, não fosse desmaiar de novo:

-Vi o Carl a espiar-me pela janela da loja, entrei em pânico amor. Depois só me lembro de acordar contigo a chamar-me. Ela vai acabar por matar-me!

-Amor tem calma, não podemos desesperar, vamos arranjar uma solução. Ela tem truques na manga, por isso também temos de nos preparar, porque parece que vai ser guerra, e não a vamos perder.

-Promete-me que nunca mais vamos estar sozinhos amor, quando estamos sozinhos somos mais vulneráveis. – pedi eu.

-Claro amor, nunca mais te vou deixar sozinha, nunca mesmo.

Eu sabia que era verdade, a partir daquele momento ele ia estar comigo o máximo de tempo possível, e eu adorava isso. Não se trata de egoísmo, trata-se de amá-lo mais do que a mim mesma. Se eles andam atrás de mim, também devem andar atrás dele e eu não quero que nada lhe aconteça.

Ele ficou a fazer-me festas no cabelo até eu adormecer e depois, só acordámos na manhã seguinte. Era o nosso último dia, e queriamos aproveitá-lo bem, mas não podiamos correr riscos. Então pensamos ir até às lojas do hotel, tinham-nos dito que tinha todo o tipo de tecnologias e derivados a baixo preço por isso fomos em busca de alguns CDs. A loja de CDs e DVDs era enorme, acabámos por comprar um CD dos Muse, a discografia dos Kings of Leon e o DVD dos Led Zeppelin em concerto. Não resistimos a trazer um iPhone, estavam muito baratos e já havia em diversas cores. O meu era preto o dele era cinzento, e trouxemos um cor-de-rosa para dar à Ashley.

Voltámos para o quarto e começámos a fazer as malas, não íamos sair para jantar, ainda havia muitas coisas para arrumar por isso era melhor chamar o serviço de quartos. Pedimos uma lasanha à bolonhesa e um sumo natural de melância. Passados uns cinco minutos bateram à porta, pensámos que fosse a comida por isso abrimos sem perguntar. Mas era Carl, o meu coração começou a acelerar, o Rob pôs-se à minha frente, fazendo um escudo humano. Era o fim, íamos morrer, não havia nada a fazer, tinhamos de aceitar o nosso destino, por mais cruel que fosse. Comecei a chorar, o que para mim já era natural, sempre fui do tipo de pessoas que se emocionam e desesperam com muita facilidade. Mas ao contrário do que pensavamos que fosse acontecer, ele sorriu amavelmente e disse que vinha em paz. E depois explicou-nos tudo:

-Bem a minha irmã ligou para o Jeffrey, o nosso primo, que por acaso estava em minha casa nessa altura o que me pertimiu ouvir toda a conversa. Ela estava a dizer para ele vos seguir e vos matar. Claro que eu não poderia deixar que isso acontecesse, por isso tenho andado atrás de vocês a toda a hora para me certificar de que ele não está por perto. Porque acreditem, se ele vos encontrar, não vai haver nada que vos possa salvar.

Afinal não era ele o assassino, havia outra pessoa atrás de nós, alguém que eu não conhecia, alguém que podia ser qualquer pessoa que passa por mim na rua. Um novo inimigo, um novo perigo, um novo ataque à nossa esperança.