Seattle 2015

Derek estava dormindo no quarto, mas Meredith segurava o celular e uma revista de medicina nas mãos sentada em uma das poltronas da sala. Estava cheia de tudo e todos que comentavam sobre sua mãe e sobre as comparações entre as duas, queria gritar, mas apenas ligou o som e começou a dançar.

Ela não podia explicar porque dançava, ela só tentava liberar o que tinha absorvido durante o dia. Era assim durante a adolescência. Ela e Cristina criaram métodos para extravasar, até Lexie entrava nisso.

Estava com vinte e dois anos, no próximo ano começaria a residência, e sempre lhe perguntavam o porque não quis ficar em Princeton onde sua mãe dava aulas, assim como Lexie fez. Seu sobrenome carregava muita coisa, era cobrada mais que os outros. E por mais incrível que pareça, mesmo querendo se afastar escolheu neurocirurgia. Não pela mãe, mas ela se fascinou e não poderia explicar isso.

Depois de esquecer-se de tudo, o telefone tocou. Lexie estava do outro lado, acabava de dar uma noticia que ela realmente não gostaria de receber. Sua mãe e uma comitiva de médicos estavam se encaminhando para Seattle, para o seu hospital, para o caso que Derek e ela estavam trabalhando e amanheceriam no dia seguinte no local.

Quando o relógio bateu 6 a.m. ela e Derek chegavam ao hospital , não valia a pena perder a cabeça com a mãe. Então Meredith ao em vez de ir para o quarto do paciente, acabou indo para clínica sem avisar ninguém, nem ao menos o noivo. Não queria trabalhar com a mãe e nem mesmo ser a sua sombra, então decidiu sumir pelo hospital enquanto ela estivesse por lá.

No quarto do paciente

Ellie chegou as 6:30 a.m. no hospital, se inteirou com os residentes e atendentes sobre o paciente e depois foi vê-lo. Quem cuidava da mulher negra de aproximadamente 32 anos, era Sharpperd que estava checando-a naquele momento. Ela estava sedada por causa das dores.

EG: Ele está cuidando desse paciente sozinho, internos de onde venho nesse tipo de caso aparecem aos montes. E mesmo assim, precisamos de mais um.

DS: Drª. Grey, Meredith está no caso. Só disse que passaria na lanchonete para comer algo, antes de vir para cá. Não tomamos café.

EG: Eu não quero saber da Drª Grey, preciso de um interno agora – ela foi autoritária.

DS: Ok

Lexie havia vindo com a mãe e se instalou na sala de descanso, estava lendo um de seus livros para as provas que teria na próxima semana. Mas resolveu ligar para Mer, queria saber onde ela estava e logo descobriu – Na clínica dando pontos. Não demorou muito até Lexie ir atrás da irmã, mas encontrou mãe no corredor.

EG: Por que está andando tão apressada pelos corredores?

LG: Conhecendo hospital.

EG: Cadê a sua irmã?

LG: Eu não sei, não ia estar no mesmo caso que o seu?

EG: Eu sei que sabe onde ela está, me diga e ao em vez de ficar perambulando vá assistir alguma cirurgia que lhe seja útil.

Lexie era fraca quanto à pressão da mãe, e sempre acabava cedendo e foi o que aconteceu. Ela contou e a Drª Grey foi atrás da filha mais velha no PS.

O pronto-socorro não estava cheio. Aliás, com movimento menor que o normal e com feridos de pouca gravidade e alguns traumas leves.

Ellie Grey entrou no local, o que chamou a atenção dos médicos que estavam ali. Ela foi direto até a filha, que cuidava de uma criança de mais ou menos quatro anos com o braço quebrado. Meredith foi interrompida pela mãe tocando o seu braço.

EG: Preciso falar com você?

MG: Eu estou de plantão hoje, estou trabalhando.

EG: Acho que eu também estou e no caso da minha interna. Ela e outro interno com supervisão de um residente diagnosticaram o paciente e o hospital se sentiu responsável por trazer a melhor para operar tumor.

MG: Interessante - ela continuou cuidadosa com o braço da garota que lhe perguntou ao pé do ouvido, que a fez rir – Está tudo certinho minha querida, agora sua mãe vai cuidar de você.

Ellie ainda a esperava encostada em uma das parede, observando os movimentos de sua provável sucessora.

EG: Você demorou a fazer esse procedimento.

MG: Ela é uma criança, precisa de tempo. Estava com medo no inicio.

EG: Continua sendo uma paciente, deveria olhar todos da mesma forma e não abandona-los de uma hora para outra. Continua na equipe, melhor se apresentar para o trabalho a ser uma eterna covarde que vive na sombra da mãe.

MG: Eu não posso trabalhar com você, não posso. Eu estava bem tranquila, mesmo com as comparações ou chuvas de perguntas eu aguentava. Mas com você aqui, eu escolhi esse local porque era bem distante de você e suas humilhações.

EG: Humilhações? Você acha que isso é humilhação? Você ainda não viveu nem metade da sua vida para saber o que é isso – ela crítica e dura com suas palavras. Quer saber, eu não sei o porque de estar fazendo medicina, está com a vaga de um estudante que poderia estar mais interessado e deixasse tudo e todos de lado por causa do que gosta. Drª Meredith Grey você é uma vergonha para a medicina.

A mãe se virou e começou a sair do PS, os rostos dos médicos era de surpresa com as palavras da mulher. Sabiam que a fama da médica era de ser totalmente autoritária, mas não sabiam que ela também tratava as filhas do mesmo modo. Mas se surpreenderam ainda mais por Meredith responde-la.

MG: Shut Up

EG: What?

MG: Shut Up, você não também não tem noção do que fala. Não sabe o quanto eu gosto de medicina, e não é por sua causa. Quer dizer você pode ser incrível no que faz, mas não pode dizer como eu sou ou vou ser. Não sabe sobre o meu esforço, não sabe o quanto eu sou cobrada por sua causa. Eles acham que eu sou você, mas EU NÃO SOU. Eu sou Meredith Grey, não Ellie Grey.

EG: Se tem tanta certeza do que pode ser ou é, não deveria se afastar de nenhum procedimento importante para a sua carreira.

Duas Horas depois

Ellie e Derek estavam entrando em cirurgia, quando Meredith apareceu na sala de preparação dos médicos. Se vestiu e entro na sala onde a mãe estava começando o procedimento.

EG: O que está fazendo aqui, não disse que queria ficar longe desse procedimento?

A filha nada respondeu, somente se aproximou e tomou seu lugar no procedimento, do lado oposto ao de Derek. Ellie observou a atitude da filha e admirou mesmo não falando. Eles ficaram por horas na sala de operação, Derek teve chance de ajudar por mérito, Mer só ficou olhando.

EG: Good Work guys

No dia seguinte

Ellie e Lexie passaram a noite em um hotel e na volta para casa e Princeton a médica passou a conversar no trabalho com Richard sobre as filhas.

EG: Eu tenho duas joias nas minhas mãos, Lexie será grande. But Mer, she...

RW: E a Mer, como ela está?

EG: Crescendo mais e mais. Ela me enfrentou pela primeira vez, isso foi um grande passo.

RW: Como fala, ela vai se uma ótima neurocirurgiã como a mãe.

EG: Ela não será como eu, pode ser melhor se tiver mais confiança no que faz. O Derek já é espetacular, muito preciso, mas ela não vai ficar um degrau atrás de um homem. Ela tem grande capacidade e é mais cuidadosa com as pessoas do que eu.

RW: Você conseguiu criar as duas El, pode ter errado. Porém no futuro elas vão enxergar que tentou acertar.

Ellie poderia não falar na frente das filhas, só com Webber conseguia se abrir. Mas ela tinha orgulho do que criou, duas joias que estavam sendo lapidadas com a passagem dos anos.