O Caso do Livro Roubado

Epílogo : Minerva

Acordo com a luz tímida da manhã entrando pela janela que esqueci aberta. A brisa fria invade o quarto, mas estou bem aquecida sob as cobertas. Ainda deve estar muito cedo e eu não me sinto muito descansada, apesar de estar absurdamente feliz.

Não consigo me lembrar com o que estava sonhando, mas sei que não importa o quanto tenha sido bom, não é nada se comparado com a realidade recém-vivida. Tenho um braço em torno de mim, uma respiração quente e suave na minha nuca e uma barba longa fazendo cócegas nas minhas costas. Viro meu corpo com cuidado para não acordá-lo e dou de cara com um rosto sereno e adormecido, emoldurado pela barba e o cabelo desgrenhados.

Fico algum tempo assim, vendo-o dormir.

Não resisto à vontade de tocar sua face, acariciando levemente uma das bochechas com a mão. E ele move os olhos sob as pálpebras e abre um sorriso, ao mesmo tempo em que seu braço começa a pressionar de leve minha cintura.

– Acorde, amor – o chamo e ele geme com desagrado. – Já é de manhã.

– Não quero acordar – murmura ainda de olhos fechados e me puxa mais perto dele. – Estou tendo um sonho tão bom.

Contorno a linha de seu nariz torto com o dedo e então sigo assim até boca. Mas Albus, repentinamente desperto, morde de leve meu dedo e prende-o entre os dentes.

– Albus! – o repreendo com um tapa em seu peito e ele libera meu dedo, sorrindo.

– Ah, não era sonho. Neste caso...

Nos gira com rapidez e logo está sobre mim, beijando-me o pescoço. Tenho dificuldades em afastar uma de suas mãos ligeiras que já está posicionando de modo bastante lascivo.

– Não, não, pare – apesar de relutante, empurro-o até que esteja novamente ao meu lado. – Por mais que seja agradável, é melhor você se levantar agora. Logo os corredores estarão cheios de alunos e eu não quero que ninguém te veja saindo do meu quarto.

– Acaso sente vergonha de mim? – faz beicinho por um momento, a cabeça apoiada no braço flexionado sobre a cama, e a mão livre ainda buscando retomar o caminho de onde acabei de expulsá-la. – Não acredito que está me mandando embora tão cedo. É domingo, não precisamos ter pressa.

– Então pode voltar a dormir no seu quarto pelo resto da manhã – contra-argumento, buscando alguma convicção. Mas sua voz está tão rouca e lânguida que, se eu não me afastar logo, temo não conseguir fazê-lo depois.

– Lá eu não quero – acerca-se ainda mais, e faz uma curta pausa para beijar-me no ombro. – Minha cama não é tão boa quanto a sua.

– Todo mundo sabe que os aposentos do diretor tem o melhor mobiliário do castelo – o desminto e me esquivo, indo sentar-me na beirada. Ao invés do chão, meus pés pousam sobre sua roupa íntima embolada em cima do tapete, e eu tenho que me segurar para não rir.

– Mas não tem Minerva lá – sinto-o mover-se e sentar-se também, colado atrás de mim.

– Podemos resolver isso mais tarde – insinuo e ele passa a me abraçar por trás. – Pensei em organizarmos um pequeno sarau de poesia esta noite.

– Isso soa bem – fala contra a minha pele, a cabeça enterrada na curva do meu pescoço e as mãos em concha sobre meus seios. – Só que duvido que eu consiga esperar tanto.

– Albus...

Ele é tão persuasivo! Tanto que eu já estou prestes a e me render, quando somos interrompidos por batidas no vidro da janela. Por isso apanho os óculos sobre o criado-mudo, me levanto, visto o roupão e vou pegar a carta. Parece uma das corujas da escola, mas eu não faço ideia do motivo de receber uma carta assim, logo de manhã... Não tem nome no envelope, mas não é necessário porque eu reconheceria os garranchos de Rolanda em qualquer lugar.

"Hey Min,

lembra quando você me disse para nunca mais pegar suas coisas emprestadas sem pedir permissão? Pois é, eu fiz só mais uma vez e espero que me perdoe por isso.

Refiro-me a Lawrence, seu ex. Não fique zangada, mas eu o encontrei ontem num bar e acabou acontecendo... Você não estava usando mesmo, então achei que não faria mal algum. Aliás, se importa se eu ficar com ele? Porque acredite, você não sabe o que está perdendo.

Se bem que não deve estar se importando muito, pelo que fui informada. E meus sinceros parabéns por ter finalmente honrado sua casa e tomado coragem.

Beijos,

Ro.

P.S. Depois eu quero saber de tudo. Em detalhes."

Oh. Bem, não dá pra se dizer que estou surpresa. Rolanda sempre foi bastante direta. E de certa forma ela está correta: eu não estava usando mesmo. Ainda assim, não deixa de ser uma maneira extremamente imprópria de comentar a esse respeito comigo.

Volto-me para Albus, que está sentado exatamente onde eu estava um momento atrás, observando-me com imensa curiosidade nos olhos muito azuis.

– A carta de suicídio de Lawrence? – pergunta-me, num falso tom esperançoso.

– Eu diria exatamente o contrário, meu caro – respondo e entrego-lhe o papel, que ele recebe com um muxoxo aborrecido de brincadeira.

Como já esperava, depois de um instante lendo ele se põe a rir. Então levanta e se aproxima novamente, sem parecer se importar em nada com o fato de estar completamente nu. E, apesar de toda essa nossa intimidade recém-adquirida, não consigo deixar de sentir meu rosto esquentando um pouco de vergonha perante essa visão.

– Bem, isso há de servir para acalmar nossas consciências e a fúria de meu rival – leva a mão ao rosto brevemente, como que lembrando-se do par de socos recebidos noite passada. – Não que eu esteja preocupado com isso.

– Naturalmente.

– Agora, que tal fabricarmos mais alguns detalhes para satisfazer a curiosidade de Madame Hooch?

Levanta uma sobrancelha sugestivamente e me ajuda a me livrar do roupão.

[...]

Acabamos por tomar café na cama, trazido por meu elfo de confiança. Por esse mesmo elfo eu mando dizer que estarei fora, a tratar de assuntos particulares, e Albus pede que avise aos demais funcionários que ele está se sentindo indisposto e passará todo o dia descansando em seus aposentos. Não sei se vão acreditar, pois reconheço que seja muito suspeito o incomum desaparecimento de nós dois ao mesmo tempo. Mas nesse momento em especial já não sei se ainda me importo tanto assim com isso.

FIM


Nana Snape: Todo mundo merece um final feliz, até mesmo o inoportuno Lawrence!

n/a: Bem, acabou. Mil agradecimentos pra quem leu e comentou e aproveito tbm a oportunidade pra pedir mais um review de despedida pra alegrar a autora, sim?

Mas não pensem que vão se livrar de mim assim tão fácil, pq eu já estou trabalhando em outra fic AD/MM. Aguardem!

Um beijão e até a próxima.