Desclaimer: Jared e Jensen não me pertencem, o que é uma pena, e escrevo essa fic apenas para a minha diversão e para a diversão de quem vai ler e sem nenhum fim lucrativo.
Titulo: Refuge
Beta-Reader: EmptySpaces11
Fandom: Supernatural / RPS
Classificação: M/NC-17/Slash.
Avisos: Universo Alternativo, Repostagem.
Sumário: Jared Padalecki resolve seguir seu sonho e viajar pelo mundo com uma mochila nas costas. Jensen vive uma pacata vida nas montanhas como um caçador. E se conhecem graças ao bondoso e maquiavélico Jeffrey. Padackles - AU.
Fanmix: http : / br4 . in / aVrxS ; Por Draquete. Obrigada querida, você sabe o quão importante foi essa fanmix pra mim.
Capa: http : / br4 . in / ubp7o ; Por EmptySpaces11. Obrigada amor. Você me surpreendeu quando me mandou. Amei muito ela.
Capítulo X
Jared andava de um lado para o outro, tentando não pensar nas coisas que Tom havia lhe dito. Jensen não tinha outros problemas com a justiça como ele acusara. Se tivesse, já teria lhe contado. Talvez. Se tivesse mesmo, ele saberia. Afinal, trabalha num dos maiores jornais do mundo.
Assustou-se, quando Jensen entrou na cabana, mas o que realmente lhe assustou foi à tonalidade da pele de Jensen. Ele estava branco, pálido. Como se ele tivesse acabado de ver um fantasma, ou naquele caso, o Tom.
— Ele sabe...
Foi a única coisa que escutou da boca de Jensen quando seus olhos se encontraram. A voz de Jensen era quase um sussurro.
Sabia que era bem possível de eles se encontrarem. Achou que Tom não iria tão longe, mas tinha se enganado.
Pensou em ir atrás de Jensen quando Tom o deixou sozinho na cabana, mas era uma missão impossível. Seu carro estava acabado, nem se movia. Jensen havia ido à pequena cidade para ver se conseguia um guincho para levar o carro até o mecânico, amigo de Jensen. E percebeu que ele não havia feito nada do que esperava.
Mas não era para menos. Encontrar Tom, mais cedo, dentro da casa deles... De Jensen. Havia acabado com o seu dia. Nem queria imaginar o que Tom fizera ou dissera para deixar Jensen daquele estado.
— Ele sabe...
Escutou Jensen repetir. A voz dele continha um timbre estranho, parecia que estava com medo, em pânico.
Deixou os pensamentos para depois e o envolveu em um abraço. Sentia o corpo dele tremer contra o seu. Era impossível manter-se calmo em vista de como Jensen estava.
— O que aconteceu? – Jared perguntou, apertando Jensen ainda mais em seus braços. Queria que ele se sentisse protegido ali, nos seus braços. – Me diz o que ele disse?
— Ele sabe Jay... Sabe... – escutava a voz trêmula de Jensen contra seu ouvido.
Vê-lo daquele jeito, deixava seu coração dilacerado. Era como se Jensen fosse uma criança desprotegida com medo de palhaços.
Levou-o para o quarto, pé ante pé. E o fez deitar, deitando ao lado dele. E novamente o envolveu em seus braços.
— Você precisa se acalmar, Jen, ele não pode fazer nada contra nós. – Jared acariciava os curtos cabelos loiros de Jensen, no intuito de acalmá-lo.
— Ele pode... Ele disse que pode! – Jensen apertou Jared um pouco mais no abraço.
Somente de pensar em pessoas, flashes e mídias, fazia seu corpo tremer, seu estômago revirar e seu coração quase parar de tanto bater.
— Não, Jen, ele não pode!
Jared tentava, em vão, colocar aquelas palavras dentro da cabeça de Jensen, mas ele mesmo não estava acreditando muito naquilo.
Era fácil pensar em se livrar do Tom, mas Jensen parecia aterrorizado, e ele, Jared, sabia que não tinha forças, sozinho. Conseguiria essa força ao lado de Jensen. Agora era só saber se Jensen estava disposto a continuar do seu lado. Porque Jensen era o seu motivo. O motivo de querer lutar contra Tom e se livrar dele.
Sabia do que Tom era capaz, quando queria alguma coisa. Passava por cima de tudo e todos. E pouco se importava com as conseqüências e com a desgraça que deixava para trás.
Não sabia quanto tempo havia ficado ali deitado com Jensen, mas finalmente ele havia pegado no sono. Não era um sono leve, mas sim um conturbado, pois ele ainda tremia e gemia coisas que não conseguia entender.
Sentia também o cansaço se apoderar de seu corpo. Não era cansaço físico, afinal não havia feito nada para tal, mas mental.
Tom cansava a mente até de pessoas como ele, Jared. Isso porque era difícil se cansar de alguém.
— X —
Quando acordou, percebeu que ainda era noite. E continuou deitado ao lado de Jared.
Sentia-se tão bem quando ele o abraçava de forma possessiva e protetora. Era como se nenhum mal pudesse lhe acontecer. Por um instante acabou esquecendo da existência do maldito Tom Welling. Jared tinha esse poder de lhe fazer esquecer os problemas.
Mas quando se lembrou do que havia acontecido mais cedo, naquele estacionamento, foi como se tivesse levado um belo soco no estômago.
Queria entender o porquê daquele surto que teve antes. Talvez tivesse sido o timbre cínico da voz de Tom, ou as ameaças, ou o simples fato de citar a mídia. A maldita mídia.
Esperaria Jared acordar ou voltaria a dormir, se conseguisse, mas teria que conversar com ele. Contar o real motivo de continuar ali, em New Hampshire.
Será que Jared continuaria a amar um cara medroso?
— X —
Quando Jared passou a mão sobre a cama, no lado em que Jensen deveria estar deitado, estranhou o lençol estar gelado, mas o que foi mais estranho foi o fato de Jensen não estar lá. E ao constatar esse fato deu um pulo da cama.
Suspirou ao ver que Jensen estava sentado em sua poltrona na sala. Mesmo de longe podia notar que Jensen estava tenso.
Levantou-se, indo direto para o banheiro para fazer sua higiene matinal, e notou que Jensen estava perdido em seus pensamentos, pois não havia notado sua presença, quando passou ao lado dele.
Jared gostaria, e muito, de ser um dos muitos neurônios de Jensen, para poder saber o que ele estava pensando.
Somente de lembrar do jeito que Jensen havia chegado no dia anterior... Sentia uma vontade insana de pegar a camionete de Jensen e ir naquele maldito hotel e quebrar a cara de Tom em muitos pedaços. E ainda rir da desgraça dele, ao notar que não havia sobrado um único dente em sua boca.
Mas que se explodisse o Tom! Ele estava mesmo era preocupado com Jensen. E assim que entrou na sala viu que Jensen continuava na mesma posição, olhando para um pontinho branco. A cinza da lareira, que tinha no chão.
— Jensen?
Se não fosse essa situação, Jared teria rido, pois o susto que Jensen levou, era daqueles dignos de umas boas gargalhadas. Naquele momento ele nem se lembrava o que era o significado dessas palavras.
— Está tudo bem? – Jared o indagou sentado no braço da poltrona e o olhando nos olhos.
Jensen o abraçou pela cintura, sentindo os braços de Jared circular suas costas.
— Eu queria muito dizer que sim... Queria muito não preocupar você, mas não posso fazer isso! – Jensen disse mantendo o rosto colado na barriga de Jared, e os braços em um abraço firme.
— Você não precisa mentir pra mim. – Jared beijou-lhe carinhosamente a testa, tentando reconfortá-lo.
Jared levantou-se e parou em frente à Jensen, abaixando-se na altura dele, sentado à poltrona, e sorriu.
— Você sabe que pode me contar qualquer coisa, não sabe? – Jared viu Jensen confirmar com um aceno e o incentivou. – Não precisa ter medo.
— Não estou com medo, Jared. – Jensen tentou contornar a situação. Já era um medroso, mas deixar que Jared percebesse isso era... Constrangedor. – Só é complicado.
— Se me contar, talvez possamos descomplicar, o que acha?
— Não agora... Eu preciso raciocinar direito e... – Aquele assunto realmente afligia Jensen. Jared o via desviar o olhar e passar a mão, repetidas vezes, pelo o cabelo.
— Você sabe que pode confiar em mim, Jensen. – Jared tentou reforçar suas palavras, sorrindo. E segurou as mãos de Jensen com as suas. – Não gosto de ver você assim. Me deixa preocupado. E eu quero poder lhe ajudar, se eu puder lhe ajudar.
— A questão não é confiança ou medo, Jared. – Jensen o olhou nos olhos e sorriu tristemente. – Eu confio em você. Eu só não consigo dizer. As palavras engasgam em minha garganta.
— Quando achar que estiver preparado estarei aqui para lhe ouvir.
Jared sorriu da mesma forma que Jensen estava sorrindo. A confiança era mútua. Uma coisa que Jared parecia ter esquecido. Naquele momento, lembrou que pra Jensen, todas as coisas tinham seu tempo.
Enquanto maquinava o plano de como falaria para Jared sobre o seu trauma, seu medo, percebeu que tudo estava correndo às mil maravilhas, em sua mente. O complicado era colocá-lo em prática.
Jared percebendo que Jensen não conseguiria dizer o que estava sentindo e pensando, achou melhor mudar de assunto.
— Meu carro! – Jared pulou andando de um lado para o outro. – O que vamos fazer com o meu bebê?
— Tudo isso e você pensa no seu carro? – Jensen perguntou, sorrindo miudamente.
Jared era uma pessoa incrível mesmo.
— Lógico! – Jared disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. – Você ontem saiu, me deixando quase o dia todo sozinho, dizendo que iria arrumar meu carro e blá, blá, blá. E no final, nem lembrou do meu querido bebê.
— Jared, não tinha como! – Jensen levantando-se e caminhando até ele. – Não ontem, mas hoje...
— Eu vou com você! – Jared sorriu e o beijou.
— Mas e se o encontrarmos? – Jensen perguntou em um fio de voz. – Você sabe que ele ainda está aqui.
— Quem se importa? Eu não! – Jared o abraçou e sorriu. – Você estando ao meu lado, eu sou capaz de tudo!
— Você romântico é um porre! – Jensen zombou vendo Jared fazer uma carranca. – Mas o amo mesmo assim!
— Depois sou eu que sou um porre!
Beijaram-se antes de se separarem e irem para a garagem olhar o estado do carro.
Jensen ficava observando Jared enquanto ele falava com seu carro e jurava mil e uma coisas, sobre arrumá-los e colocar até um estofado novo de couro. E não pôde deixar de sorrir.
Achava que Jared era a pessoa mais incrível do mundo. Ele enfrentava seus problemas de uma maneira que poucas pessoas conseguiam. Sempre sorrindo e fazendo de sua vida uma grande sátira. E o que mais o impressionava, era que ele conseguia contagiar as pessoas a sua volta com seu bom humor.
E nos momentos mais difíceis, ele sempre tinha uma fórmula de escape. Mudar de assunto era o segundo nome de Jared. Jensen gostaria ser como ele, mas estava feliz o suficiente por tê-lo ao seu lado. Ser igual a ele seria complicado, afinal, ele tinha muitos problemas mentais.
— Terra para Jensen?
— Como?
— Estou lhe chamando a um tempão, e você aí olhando a minha bunda como se fosse à coisa mais gostosa do mundo. – Jared zombou, passando um dedo sobre o queixo de Jensen. – Chegou até babar!
E com certeza, tudo o que estava pensando antes se confirmou, Jared era a melhor coisa que havia acontecido, mas ainda tinha sérios problemas mentais. Isso contagiava porque acabava tendo também. Sempre entrava nos joguinhos dele.
— Mas a sua bunda é a coisa mais gostosa do mundo, Jared!
— A sua também, Jen. – Jared deu um leve tapa, passando por Jensen e sorrindo sonoramente. – Vamos ficar aqui a vida toda ou vamos arrumar meu bebê?
— Eu acho a primeira opção tão tentadora... – Jensen disse caminhando até sua caminhonete e sentando ao lado de Jared, que já estava dentro dela esperando-o.
— Eu também!
— X —
A cidade estava calma, poucas pessoas andavam sossegadas pelas calçadas. Era quase impossível não notar a felicidade deles. O dia estava quente e ensolarado. E era como se aquele lugar fosse um lugar encantado, longe das badalações de uma cidade grande. E toda essa calmaria chamou a atenção de Jared.
Gostava muito de agitação, como o que encontrava em New York, mas não negava que gostava ainda mais de New Hampshire, por sua beleza singela e calma.
Enquanto seguiam a caminho do mecânico, amigo de Jensen, ao som de musicas country, que Jensen simplesmente amava, pela primeira vez percebeu, que aquele sonho de ser andarilho, e vagar pelo mundo com uma mochila nas costas, agora parecia distante. Percebeu que o desejo de continuar ali, ao lado dele, era bem maior do que seu sonho.
E estava feliz por isso.
Chegaram na oficina. Era inevitável não notar que aquele era o lugar onde o amigo de Jensen trabalhava.
Era um sítio, pouco distante da cidade, com um enorme terreno e por ele, vários carros espalhados.
— Jim? – Jensen chamou enquanto estacionava o carro.
— Belo lugar. – Jared olhou ao redor. Parecia mais aqueles ferros-velhos que mostravam em filmes e séries.
— Também acho garoto. – Jared se assustou ao olhar para a janela e ver ali, um homem parado.
Quando saiu do carro, sendo acompanhado por Jensen, o homem se aproximou, trocando olhares com ele, e logo se apresentou.
— Jim Beaver. – ele disse estendendo uma mão para Jared, que sorriu e o cumprimentou.
— Jared Padalecki. – Jared ficou impressionado com a força que continha naquele aperto de mão.
— O que o traz aqui, Jensen, depois de tanto tempo? – Jensen sorriu envergonhado, vendo o homem olhar para sua caminhonete, procurando algum defeito.
— Um carro com problema, mas não o meu, Jim. – o homem sorriu, vendo que pelo menos aquele estava inteiro e se voltou para Jared.
— Seu carro? – ele perguntou vendo Jared confirmar com aceno. – Deixe-me adivinhar... Chuva, lama... Não, muita lama.
— Isso mesmo! – Jared confirmou novamente e sorriu.
Vez ou outra olhava para o lugar e fitava atentamente o homem a sua frente. Todo aquele lugar combinava com ele. Ele vestia uma camisa xadrez vermelha, com um colete bege, gasto, por cima. E um velho boné. Sempre que imaginava pessoas do interior, imaginava exatamente como aquele homem à sua frente. A calça jeans surrada que ele vestia só fazia reforçar sua imaginação.
O homem era astuto, e decifrava as coisas sem elas serem ditas. Parecia que ele conversava muito com Jensen com olhares. Era estranho ver duas pessoas se darem tão bem assim. O clima era leve.
— O carro dele liga, mas não agüenta o tranco e morre. Pensei que eu poderia dar um jeito, mas não tenho a sua inteligência. – Jensen disse rindo das próprias palavras.
— Não me venha com essa, você é ótimo com os carros. – Jim olhou para ele e os chamou com um aceno. – Só deve não ter prestado a devida atenção quando estava verificando-o, mas posso entender o porquê.
— Jim... – Jensen o repreendeu, e ele sorriu.
— Vamos tomar uma cerveja e depois vou com o guincho desatolar o carro do grandão aí.
Quando entraram na casa, um tanto antiga de Jim, Jared logo ficou impressionado com a quantidade de livros que o homem continha.
Ele era uma pessoa fácil de lidar. Mal parecia que era um homem do interior e um mecânico. Com certeza o passado dele era grandioso.
Já estava ficando tarde quando Jim avisou que iria buscar o carro de Jared. Jensen somente entregou as chaves do carro que estavam consigo.
— Faça bom proveito dele. – zombou vendo o rosto de Jared se contorcer. – Ele tem um amor incomum por esse carro.
— Primeiro carro, aposto.
— Na realidade um presente. – Jared disse enquanto caminhava ao lado de Jensen e de Beaver, como ele gostava de ser chamado, em direção a caminhonete de Jensen. – Meu pai me deu o carro assim que passei na faculdade.
— Entendo. – Jim disse sorrindo miudamente. – O carro tem valores sentimentais.
— E muito! – Jared confirmou, sorrindo tristemente.
— Pode vir amanhã, na parte da tarde, acho que é tempo suficiente.
— Tão rápido?
— Jay, você não sabe o quanto ele é bom!
Logo se despediram, pois Jim teria muito trabalho a fazer: buscar o carro de Jared na cabana, e depois tentar descobrir o que ele tinha.
Quando chegaram à cidade, Jared resolveu levar Jensen consigo, para que ele visse como trabalhava Eric.
Quando chegaram na pequena Lan House, Jared pediu para o atendente que liberasse o cabo de conexão para colocar em seu notebook. E assim que abriu seu e-mail quase teve um ataque.
Ele estava entulhado de e-mails de Tom. Não teve dúvidas. Com muito prazer, marcou-os e os excluiu. Havia visto o rosto de Jensen empalidecer-se somente de ver aquele nome na tela de seu computador.
Durante todo o tempo que passaram na casa de Beaver, não haviam se lembrado do maldito, mas nada durava pra sempre.
A calmaria da casa do amigo de Jensen havia passado, e eles haviam voltado a realidade, encontrar aqueles e-mails, como um belo soco no estômago.
Viu Jensen tentar se recompor do breve susto, e ele sorriu.
— Não vai ler?
— Não vale a pena gastar meu tempo com isso, sei de cor e salteado, o que tem escrito nessas mensagens. – Jared deu de ombros e olhou para o monitor. – São sempre as mesmas coisas: o quanto ele me ama, que eu sou o homem da vida dele, que me quer... O de sempre.
E Jensen se calou. Realmente, tocar no assunto de Tom, era complicado. Não havia conseguido conversar com Jared. E temia o que poderia acontecer por conta dessa falta de diálogo.
Quando Jared começou a explicar como funcionava o jornal, mostrou um de seus artigos, que tinha sido publicado no jornal on-line também.
— JT Padalecki é um bom nome. – Jensen comentou quando terminou de ler o artigo. – E lideres de torcida... Assunto bem interessante.
Jared riu. Somente de lembrar como havia sido difícil escrever aquele artigo, já queimava seus neurônios. Tudo tinha acontecido tão rápido. A semana que havia passado, tinha um ar de passado distante, como se meses já tivessem sido trilhados.
— Você não sabe como eu tive problemas para escrevê-lo. – Jared sorriu sem graça.
— Não parece. Está muito bem escrito. E dá pra ver como você as ama. – Jensen ironizou, vendo Jared torcer o nariz em desgosto. – Mas discordo de você. Elas não são um bando de meninas puritanas. Você é que é... Era.
E vendo Jared sorrir e balançar a cabeça negativamente, não pôde deixar de rir.
Jensen notou que Jared era sarcástico, e muito irônico com as palavras. Ele era quase um filósofo das sátiras. Escolhia bem as palavras, e a concordância de seu texto era esplêndida.
O clima tenso que tinha preenchido aquele ambiente assim que ligaram o computador, havia sumido. Estavam ali olhando os novos temas que o editor de Jensen havia lhe mandado. Eram muitos. Alguns bons, outros nem tanto. Quando chegou um aviso de novo e-mail, eles pararam. Tom o havia enviado.
Jared ainda tentou continuar o assunto, como se nada tivesse acontecido, mas Jensen o parou.
— Jared, não. – Jensen o olhou nos olhos – Veja o que ele quer, e responda o que acha que deve responder.
— Não quero responder Jensen, nunca respondo. – Jared abaixou um pouco a tela do monitor e apoiou o cotovelo na mesa, deixando que sua cabeça se abaixasse, usando a mão como apoio. – Não é só porque você está do meu lado que eu apaguei os e-mails. Eu sempre fiz isso, desde que terminamos. Nunca mais li ou respondi um único. Sempre que os vejo aqui, excluo como se fosse spam. Sempre bloqueio e-mails dele, mas ele sempre manda de uma conta diferente.
— Mas Jared, dessa vez, tem a ver comigo.
— Não importa se você está relacionado ou não. Eu não quero abri-los. Não me importo com o que tem dentro, e não quero que se importe. – Jensen levou uma de suas mãos aos cabelos de Jared, lhe fazendo uma leve carícia e o forçou a levantar o rosto. – Jensen o que eu quero é que tudo isso acabe, que ele suma, desapareça. Se não sumir, fingir que ele não existe. É assim que eu tenho vivido. E isso cansa. Meu estoque de forças acabou. Não quero mais fugir. Acho que já fugi de mais. E não quero ler esse e-mail.
— Isso não vai acabar bem, certo? – sorriu miudamente, tentando encontrar outras palavras. Queria de todo confortar Jared, mas não tinha mais certeza de nada. Suas palavras estampavam seu pavor.
Jared se pegou imaginando como seria a vida deles, com a persistência de Tom. Ele podia não estar presente, mas tudo mudava, as coisas ficavam tensas, os olhares tristes. E nada era realmente como era antes, sem a preocupação, e todo o resto.
Também queria entender o motivo pelo qual Jensen perdia a cor toda vez que o nome de Tom era citado. Jensen era um cara forte, corajoso, que não demonstrava seu medo. Só que aquilo que estava acontecendo era totalmente o contrário.
Ele deixava estampado em seu rosto que não queria Tom perto dele. Isso Jared também não queria. Essas coisas eram complicadas demais para se pensar. O melhor a fazer era se livrar de uma vez de Tom.
Jensen queria saber quando as coisas começaram a ficar tão complicadas. Tom era um filho da mãe. E ele sabia disso porque Jared havia lhe contado. Não deveria se deixar abalar por causa dele. Com isso sua relação com Jared ficava instável. E agora com as ameaças que Tom havia feito, piorava ainda mais a situação.
Talvez devessem ir embora, e deixar tudo para trás. Sumir pelo mundo. Pela segunda vez.
Jared também sorriu para Jensen, não um sorriso como todos os outros dele. Enorme todo dentes e covinhas. Era um sorriso cansado e triste. Como se realmente toda aquela situação estivesse acabando com ele.
E como Jared havia dito, ele não leu o e-mail. Simplesmente o excluiu como os outros. E voltou a focar seus pensamentos no trabalho.
Jensen queria descobrir como Jared conseguia pensar em trabalho com tudo aquilo acontecendo. E sorriu ao ver que ele havia novamente entrado no clima dos temas.
— Escuta essa Jensen. – Jared virou o laptop para que Jensen pudesse enxergar o e-mail de Eric, enquanto ele lia. – "Como está na moda essa coisa de Cosplay, de desenhos japoneses e jogos, o que acha de escrever sobre isso? Se você jogar no Google e olhar as imagens, existem tantas fotos... Uma mais bizarra que a outra."
Então escreveram o nome citado, e se depararam com muitas pessoas vestidas de coisas, desde Mario à Street Figther. E muitos outros que eles não conheciam. Muitos japoneses vestidos como seus desenhos, muitas japonesas vestidas com roupas pequenas e rendadas e outros não japoneses vestidos igualmente.
— Esse é um bom tema! – Jared abriu seu bloco de notas copiou o texto e colou, depois faria uma pesquisa sobre aquele assunto.
Jensen só o observava. Era impressionante viver com Jared. Ele tinha uma troca de humor rápida, drástica. Poderia até chamá-lo de bipolar. E sorriu com aquele pensamento. Ele já ria sozinho, e agora isso. Daqui um pouco o internavam em uma clínica.
— Queria entender como consegue... – Jensen falou, mas suas palavras morreram no ar.
— Vamos diga, como consigo... – Jared o incentivou, e sorriu, fazendo suas covinhas ficarem evidentes.
— Fazer isso – Jensen balançou os braços fazendo um movimento que dava a entender como tudo, ou uma coisa grande. – Esquecer os problemas, se concentrar em seu trabalho, sorrir e esquecer os problemas tão rapidamente... Como consegue?
— Ahh, isso? – Jared perguntou, estranhando a curiosidade. – Eu só paro de pensar. E o meu trabalho, não é um trabalho... Me divirto escrevendo, então o faço de bom grado, pois realmente diverte. E como sempre digo ao Eric, no dia em que ele virar obrigação, eu paro de escrever.
Era estranho ver Jared falar assim de seu trabalho, mas pensou em seus próprios trabalhos. Caçava porque gostava, fazia maquetes e miniaturas também porque gostava, mas nunca tinha pensado sobre ser obrigação ou não. Não saberia responder o que faria se algum dia aquilo virasse obrigação. Não sabia se pararia de fazer.
Com certeza Jared era uma pessoa intrigante. Fazias e mostrava coisas novas que nunca pensou que existissem. E outras que eram complexas ele as transformava, deixando-as simples.
— E não é que seja fácil parar de pensar nos problemas. Eu só tento me prender no que está na minha frente no momento, como agora. – ele olhou para o monitor. E depois para Jensen. – Agora estou vendo os temas que o Eric me enviou. Eu me envolvo com eles, penso no que posso escrever, no que pode render. E com isso minha mente começa a trabalhar e as outras coisas vão embora, porque eu realmente gosto de dar minha opinião sobre as coisas.
— Acho que posso aprender muito com você! – Jensen falou distraidamente, e quando deu por si já tinha dito.
Jared viu Jensen o olhar e sorrir envergonhado, e sorriu da mesma maneira. Não era sempre que se escutavam aquelas coisas, então resolveu ficar quieto durante um tempo, para ver se Jensen iria dizer mais alguma coisa. O jeito que ele estava ficando vermelho como se estivesse engasgado, o fez rir. Não se agüentou.
— Você é adorável, Jen.
— Não era para eu ter dito em voz alta, agora seu ego vai à lua. – Jensen disse tentando deixar o embaraço de lado.
— Agora você vai ter que aprender a conviver com isso! – Jared sorriu seu melhor sorriso sacana e piscou para Jensen. – Não vai ser difícil, afinal você pode aprender muito comigo.
E ambos caíram na gargalhada. Era impossível se manter sério ou envergonhado por muito tempo ao lado de Jared.
Aquele lugar era incrível, e ter Jared ao seu lado o deixava mais incrível ainda. Os problemas que estavam tendo, pareciam desaparecer. A vida de Jensen era calma e pacata. Com a chegada de Jared, um simples café da manhã era diferente, todos os dias. Uma caminhada na floresta se tornava mais interessante. As belezas do lugar que ele há muito tinha deixado de notar, Jared as percebia, como se fossem a melhor coisa do mundo.
A chuva que havia passado, todos os dias, claros. Os passarinhos cantando todas as manhãs. Apreciar essas pequenas coisas ao lado de Jared, era fabuloso.
New Hampshire, para Jared, era como um lugar sagrado. A beleza daquele lugar aquecia seu peito. Ainda achava o Texas o melhor lugar do mundo, só que ali, ao lado de Jensen, era o seu lugar preferido. Talvez fosse por conta do loiro. Se ele estivesse ao seu lado, qualquer lugar seria maravilhoso.
Aprendera a amar Hampshire. Era como um mundo encantando dentro dos Estados Unidos. E ele tinha o prazer de estar acompanhado pela melhor pessoa do mundo, para aproveitar as grandezas daquele lugar.
Quando saíram, já estava quase anoitecendo. Resolveram que jantar na cidade seria melhor do que gastar horas fazendo um jantar todo, somente para os dois. E Jared com certeza não queria os maravilhosos lanches de Jensen. Não que os lanches dele não fossem gostosos. Eram. E eram maravilhosos, mas lanchar o tempo todo a mesma coisa enjoava.
Quando entraram no restaurante, Clarisse os recebeu com um enorme sorriso, que era oferecido somente para Jensen.
— Boa noite, meninos. – ela os recepcionou até a mesa. – Que bom lhe ver Jensen.
— Também é bom lhe ver, Clarisse. – Jensen sorriu miudamente, mas gargalhando internamente, pela carranca que Jared estava fazendo.
— Vocês vão ficar flertando muito tempo aí, porque se a resposta for sim, vou ao balcão fazer meu pedido. Sabe por que? Estou morrendo de fome. – o tom de voz de Jared era jocoso. O que fez Jensen ter vontade de rir ainda mais, principalmente pelo fato de Clarisse ter ficado vermelha como um tomate, daqueles bem maduros.
— Não ligue para ele Clarisse, ele só está de mau humor. Quando está com fome fica assim, parece mais uma criança. – Jensen gostava de cutucar. Ver o rosto de Jared se contorcer de ciúmes, dava uma sensação estranha. Era como se aquecesse seu peito. – Clarisse, hoje vocês tem o quê, para o jantar?
A moça ainda continuava vermelha e sorrindo envergonhada para Jensen e ainda mais para Jared, pois parecia que ele havia descoberto seu maior segredo.
— A fabulosa macarronada da Mary.
— Pode ser ela, pra mim! – Jared disse rispidamente, enquanto fulminava Jensen com seu olhar. Ai de Jensen. Se olhares pudessem realmente fazer alguma coisa.
— Pode trazer o mesmo, por favor. – Jensen sorriu enquanto a moça se distanciava e olhou divertidamente para Jared. – Não precisava ser tão agressivo, Jared. – Jensen usou um tom de falsa repreensão.
— Não me venha com essa de não ser agressivo... Você sabe que ela fica de quatro se você mandar e ainda fica com essa ladainha com ela. – Jared tinha cruzado os braços e olhava para o lado, para não ter que encarar Jensen.
— Sabe Jay, é você quem é adorável! – Jensen disse sorrindo, e sorriu ainda mais quando Jared o olhou nos olhos. Jared era previsível.
— Vá se foder, Jensen!
— Só se for com você, baby.
Jared o olhou pelo canto do olho, e deixou um pequeno sorriso aparecer. Naquele momento, havia descoberto o quanto Jensen já o conhecia. E não pôde evitar de xingá-lo.
— Espero que agüente, afinal, foi você quem propôs isso! – Jared falou sério com Jensen.
— Pode ter certeza, eu agüento! – Jensen afirmou sorrindo maliciosamente para Jared, que o acompanhou.
Quando Clarisse trouxe seus pratos, estavam tão entretidos com o assunto sobre o carro de Jared e sobre os temas que eles haviam visto mais cedo, que nem deram atenção à moça. Clarisse logo se tocou e se afastou da mesa.
Jared achava impressionante. Sempre que estava com Jensen, seu mundo se resumia somente a ele. Era como se as demais coisas não importassem. E que somente eles existiam. Aos poucos os problemas eram esquecidos, e somente uma troca de olhares era capaz de desvendar o que o outro estava pensando. Se perguntasse se Jensen também se sentia assim, pelo visto sim.
Ele não havia citado mais nenhum problema, e estava ali curtindo o momento com ele. Uma refeição, um dia fora da cabana, vendo e falando com pessoas diferentes.
Quando terminaram suas refeições, caminharam em direção da caminhonete de Jensen que ele havia deixado no estacionamento do restaurante. Escutaram a voz que menos desejavam escutar.
— Que felicidade encontrá-los juntos. – Tom se aproximou deles a passos lentos e com um enorme sorriso estampando seu rosto.
— Que grande infelicidade encontrá-lo aqui. – Jared respondeu ao cumprimento, usando peso em sua voz, tentando deixar evidente que não era nem um pouco prazeroso encontrá-lo ali. E parecia que tinha funcionado, pois viu o sorriso de Tom diminuir alguns milímetros.
— Do jeito que saíram sorrindo do restaurante, a comida estava boa.
— E estava, mas se você continuar a falar, ela vai começar a se revirar no meu estômago. – a voz de Jared era ríspida e cortante. Gélida.
— Que prazer lhe encontrar novamente, Ross. – Tom sorriu para Jensen, e o viu tremer.
Jensen não gostava de ser chamado daquela forma. Sentiu seu corpo tremer e suas pernas fraquejarem. Como odiava aquele cara por ficar chamando-o daquela forma. Reuniu toda a força que tinha e respondeu:
— Não posso dizer o mesmo. – tentou ser ríspido, grosso, mas não conseguiu. Sua voz havia saído tremida, e deixava transparecer o medo.
E pelo o olhar que Jared havia lhe enviado, com certeza ele havia percebido.
— Que bom encontrá-los juntos. – Tom se aproximou ainda mais dos dois, ficando pouco menos de um metro de distância deles. – Assim mato dois coelhos numa cajadada só.
Jared o olhou tentando descobrir o que Tom iria fazer, mas era impossível de descobrir. Ele estava com um sorriso amedrontador nos lábios. E o que estava realmente lhe preocupando era como Jensen estava. Novamente ele estava pálido. Parecia que estava doente. E seu corpo tremia levemente.
— Assim posso propor minha troca.
— Troca? – Jensen tinha os olhos presos em Tom. Parecia estar totalmente tomado de pânico
— Não adianta Tom, não vamos escutar uma só palavra do que for dizer — Jared estampava raiva, mas firmeza. Não era fácil derrubá-lo. Já tinha passado por um bocado de coisas ruins na vida. E vencer Tom Welling estava se tornando seu objetivo principal.
— Lógico que vão! – Tom abriu um pouco mais o sorriso e olhou para Jensen. – Vou ser rápido.
— Não! – Jared agarrou o braço de Jensen puxando-o na direção da caminhonete, não dando tempo para Jensen pensar muito. Jensen parecia atordoado com a presença do outro.
— Jared, minha proposta é a seguinte: Você vem comigo, e Ross Ackles continua no anonimato. O que me diz? Parece justo. Uma boa troca. Você volta às suas atividades jornalísticas, e Jensen continua com sua vidinha pacata e anônima por aqui. – olhou para Jensen mais diretamente, olhando-o mais de lado, como se o analisasse –Mas se a resposta for não, em menos de uma hora consigo trazer no mínimo vinte repórteres que queiram uma exclusiva com o Famoso Astro Ross Ackles.- e não dando chance de Jared falar, puxou o braço de Jensen, fazendo-o virar-se para encará-lo de frente – Não vai sobrar muito, depois que eles revirarem de sua vida, Ross. Não vai sobrar coisa alguma. Eu prometo.
Jared o empurrou para longe.
— Se Jensen quiser dar uma entrevista, pode ter certeza, serei eu mesmo a fazê-la, mas essa questão não está em pauta.
— Por isso mesmo Jared, se ele quisesse dar a entrevista, eu nem estaria lhe propondo essa troca. Mas ele não quer. E essa é a parte mais divertida da história. – Tom deixou um som engasgado mais parecido como uma gargalhada escapar de sua garganta e olhou para ambos, deixando seu olhar preso nos de Jensen. – Minha proposta está feita, agora só falta a resposta.
— Sua resposta? – Jared gargalhou sem humor, soltando o braço de Jensen e caminhando para perto de Tom. – Aqui a sua resposta.
Quando Jared já estava perto o suficiente de Tom, desferiu um soco no rosto dele. Fazendo com que o moreno cambaleasse para trás.
Antes que Tom pudesse se recuperar do soco, voltou para perto de Jensen, e novamente o puxou pelo braço, até o carro. Fez com que Jensen sentasse no banco do carona, e seguiu para o outro lado, para entrar no veículo também.
Quando estava dando o arranque na caminhonete, ainda pode escutar as últimas palavras de Tom.
— Ainda espero minha resposta!
— X —
Quando chegaram na cabana, Jensen ainda estava pálido. Durante todo o percurso Jared tentava fazê-lo falar, mas ele não havia lhe dado uma resposta. Jensen só deixou uma expressão aparecer em seu rosto quando ele avistou a cabana. Era como se ali, naquele lugar ele estivesse protegido. Jared mal havia parado a caminhonete e Jensen já havia saído dela, correndo em direção da cabana.
Deixou o carro onde estava e foi atrás dele. Quando entrou, encontrou um Jensen agitado, andando para todos os lados, movimentando as mãos no ar, como se estivesse planejando algo.
— Jen. – Jared o chamou calmamente, só que ele parecia não escutar. — Jensen... – tentou chamá-lo novamente, em vão.
Jensen parecia amedrontado, estava em pânico. Andou até ele e o fez parar de andar, e só então ele o olhou.
— Jensen, calma. – Jared pediu, olhando-o preocupado.
— Calma? – Jensen quase gritou. – Você está me pedindo calma, Jared? Tem noção do que vai acontecer? Tem ideia do que ele vai fazer com a gente? – colocou as mãos na cabeça – Ainda está pedindo calma?
— Estou! – Jared afirmou olhando nos olhos de Jensen, que estavam opacos, sem o brilho que costumava ter.
— Não posso ter calma, Jared. – a voz de Jensen continuava alta. – Aquele filho da puta está nos ameaçando, precisamos ir embora. Se ele chamar a mídia, estarei acabado! A minha vida... O que eu quero para mim... Para nós...
— Não tem problema ele chamar. – Jared falou tentando entender o porque Jensen queria fugir. – Você não deve nada na ninguém Jensen, não tem o porquê fugir.
— Não devo? – Jensen gritou mais alto. – Mesmo com o Marthin preso, eles ainda me culpam, eles ainda me acusam. Por que você acha que nunca voltei à cidade? Você não sabe o motivo de eu ficar aqui, escondido do mundo.
— Por querer uma vida sossegada? – Jared repediu o que Jensen havia lhe dito dias atrás. E Jensen riu, riu com amargura.
— Não, Jared. Eu não voltei por medo de ter que encarar as acusações. Por medo de ver minha mãe me acusando de uma coisa que eu não fiz. – Jensen tinha voltado a andar de um lado para o outro.- Todo o meu passado caindo sobre mim outra vez, mostrando como eu era, de forma cruel e sem chance de defesa. Tudo do qual fugi esse tempo todo... Você não entende o que essas acusações fazem comigo.
Jared estava estático, sem saber o que fazer. Agora entendia o porquê de Jensen odiar jornalistas, odiar a mídia e odiar as cidades grandes.
— Quando eles me reconhecem, eles não me reconhecem pela série que fiz. Pelo papel de prestigio que eu interpretava. Me reconhecem me acusando. Falando "Olha o artista que matou o próprio pai". – Jensen deixava as lágrimas de nervosismo escorrerem por seu rosto enquanto olhava vez ou outra para Jared. – Não quero ouvir essas palavras de novo, Jared. Demorei quatro anos para poder deixar minha vida estável. E não quero acabar com isso, por causa do seu psicótico ex-namorado. Eu não conseguiria, não agora. Preciso de tempo. Preciso de tempo para vencer esse medo.
Jared pensava que conseguia entender bem as pessoas. E conseguia. Só que essa regra não se aplicava a Jensen. Desde o inicio ele fora a única pessoa que não conseguira manipular, saber o que queria. Ele era a única pessoa pra quem esse "dom" poderia valer de alguma coisa, mas não conseguia.
Sentiu-se culpado por não ter notado esse medo de Jensen, antes. Sentiu-se um inútil. Deveria ter prestado mais atenção. Agora era tarde, não tinha como voltar atrás. Tom estava na cidade, e ameaçando trazer tudo o que Jensen mais temia na vida.
Quando Jensen lhe disse que aquele reconhecimento havia sido como uma doença e a cura quase letal, não imaginava que ela havia deixado conseqüências. Traumas.
Parou Jensen. E o abraçou, tentando passar alguma segurança. Sentia a respiração pesada dele de encontro ao seu pescoço. O corpo dele tremia. Lhe doía vê-lo daquela forma.
— Se estivermos juntos podemos fazer isso, Jensen. – Jared disse calmamente apertando-o e o aconchegando em seus braços. – Você não precisa lidar com isso sozinho. Eu estou aqui.
— Indiferente Jared. Se você está ou não, as acusações vão ser as mesmas, e eu não quero isso pra mim. – Jensen se afastou de Jared e o olhou nos olhos. Os olhos de Jensen estavam rasos, pelas lágrimas que ele havia deixado escorrer. – Não quero isso para nós. Elas vão destruir o que eu sinto porque não sou forte como você. Mas eu tenho uma chance se for embora. Porque preciso de tempo. Preciso disso. Por mim - Jensen percebeu estar falando como se somente ele importasse. De forma egoísta. Sabia que o pavor fazia isso. Turvava a visão. E tentou consertar o que havia dito. Era como se Jared não fizesse parte de sua vida. Não naquele momento. Sua pele, sua vida e sua sanidade estavam em risco. Precisava se livrar disso novamente – Por nós.
Mas já era tarde. Jared tinha no rosto um semblante diferente e lágrimas presas querendo cair.
— Então vai ser fácil resolver isso, Jensen. – Jared deu as costas para ele e caminhou em direção ao quarto.
Jensen o seguiu, e quando chegou ao quarto, Jared tinha colocado sua mala em cima da cama, e jogava suas roupas para dentro dela.
— Eu, indo embora, a sua vida volta a ser a mesma. Sem problemas. Calma, sossegada, como você sempre quis. – Jared viu que Jensen só olhava da porta.
— Não foi isso que eu quis dizer, Jared. – quando viu que ele realmente estava falando sério, tentou contornar a situação. – Podemos ir embora, para outro lugar. Você mesmo disse que gostaria de viajar pelo mundo. Vamos fazer isso.
— Você não entende, não é, Jensen? – Jared parou o que estava fazendo e olhou para o lado em que Jensen estava. – Não importa para onde eu vá, ele vai me seguir. Não importa onde eu esteja, ele vai me encontrar, e toda vez que ele me encontrar, vai ser esse inferno.
Jared sentou na cama, ao lado de sua mala e cobriu o rosto com as mãos.
— Mesmo se eu fosse para o inferno, ele me encontraria lá. – Jensen escutava a voz de Jared embargada pelo choro que ele escondia. – Nós fugimos, e salvamos a sua pele, mas e a minha? E mesmo fugindo juntos, sua vida vai ser um risco. Poderá ficar a salvo por um tempo, como agora. Você fica livre dos paparazzi..Mas ele vai nos encontrar outra vez. E daí, Jensen. Como eu fico? E eu? Continuo sendo perseguido por aquele filho da puta. E como eu disse mais cedo, Jensen, estou cansado de fugir. Fingir que morava com amigos, sempre fazer um caminho diferente para ir para o meu loft, saber que estava sendo seguido. Não há ser humano que agüente isso. E eu agüentei por muito tempo, mas agora não dá mais. Agora eu tenho você, e eu lutaria contra ele, mas você não quer entrar nessa batalha comigo. Você não quer enfrentá-lo por mim. Então só me resta enfrentá-lo sozinho, longe de você. Longe de você...
Jensen havia tentado falar inúmeras vezes, mas Jared não lhe dava tempo para falar. E quando finalmente parou, enxugou o rosto e voltou a fazer as malas.
— Essa é a sua cabana, essa é a sua vida. Se alguém tem que ir embora, esse sou eu. Eu invadi a sua vida e a deixei de pernas para o ar.
— Não é isso que eu quero, Jared. – Jensen o parou, e o virou para que lhe encarasse. – Eu quero estar com você, eu quero vencê-lo com você, mas você precisa me dar um tempo. Até eu conseguir encará-lo.
— Se durante quatro anos você não conseguir se curar, não vai ser comigo que vai conseguir, Jensen.
Jared se soltou das mãos de Jensen e fechou sua mala. Jensen estranhou o tom de voz que Jared havia usado consigo. Era exatamente o mesmo que ele usava quando falava com Tom. Era gélido, sem emoção. Como se Jared fosse uma pessoas sem sentimentos, e não se importasse com os sentimentos dos outros.
E foi nesse momento em que Jensen percebeu que havia quebrado algo dentro de Jared.
— Jared, não...
— Não adianta Jensen. Você só terá paz, se eu for embora. – Jared continuava a usar aquele tom de voz, e seu rosto não tinha nenhuma expressão. Era como se ele fosse uma estátua de gelo. – Afinal eu sou um jornalista também, sou da mesma raça do Tom. A raça de pessoas com quem você não se mistura. A raça que você mais odeia.
Jensen tentou dizer, expressar, o que estava engasgado em sua garganta, para fazê-lo ficar. Só que o medo de Tom, o medo de ser reconhecido, o medo de ter repórteres em sua porta ainda o afligiam. As palavras simplesmente não saiam.
E quando viu Jared carregar uma única mala para a porta da cabana, tentou impeli-lo novamente.
— Jared, eu não quero que vá...
— Mas também não quer enfrentar seu medo!
— Eu quero você, do meu lado...
— Só que eu não posso ficar. Não nessas circunstâncias. – Jared o olhou por cima do ombro. E teve uma vontade súbita de gargalhar. Tudo o que estava passando, mais parecia uma novela mexicana. Jensen estranhou Jared estar rindo daquele forma. – Eu indo embora, o seu segredo, está seguro. Você está protegido. E eu... Bom, eu estou maravilhosamente fodido.
Sem deixar que Jensen falasse, Jared abriu a porta e saiu. Sabia que depois daquele surto dele, Jensen não iria atrás dele. Seria uma longa caminhada até a cidade, e outra até o ferro velho do Sr. Beaver. Mas Jared Padalecki não era uma pessoa preguiçosa.
Jensen não sabia como encarar aquelas palavras. Ele se sentia seguro, mas ao mesmo tempo não. Com a ida de Jared, nem o Tom e muito menos a mídia, viria atrás dele. Mas a partida de Jared, o deixava inseguro.
Levou a mão ao rosto, e descobriu estar chorando.
"Bom, eu estou maravilhosamente fodido"
As últimas palavras de Jared ecoaram em sua mente. E foi naquele momento que descobriu, que igualmente, que assim como em Jared, algo havia se quebrado dentro de seu peito também.
Nota da beta: Ficou lindo esse capítulo. Cheio de emoção. Cheio de angústia. Muito comovente. E eu acho que aqui, ambos estão errados. Tanto Jared quanto Jensen. Dois cabeças-duras. Eu não sei o que os faz ser assim, se o medo de perder ou se o medo de ganhar. Porque, se avaliarmos bem, Jared só tem a ganhar ficando ao lado de Jensen, ali, em New Hampshire. E Jensen só tem a perder deixando Jared partir. Se Jared ficasse e ajudasse Jensen a encarar Tom, ambos ganhariam. Jensen poderia até surtar com a presença da mídia, mas acho que isso passaria se Jared estivesse com ele. Jared é o que menos teria a perder se ficasse. Se Jensen entendesse, igualmente as necessidades de Jared, ele não o deixaria partir e ficaria ali, com ele, encarando Tom. Porque a troca que ele propôs não é lá muito inteligente. Ele só está provocando o amor de ambos. Só isso. Só está reforçando o que eles dois sentem um pelo outro. Jogada errada. Vai receber um xeque-mate. Então, ficou muito angustiante isso. E eu gostei. Vamos aguardar o próximo capítulo para ver onde tudo isso vai chegar. Beijos!
N/A: Eu sei, podem me bater, apedrejar e sei que demorei, e que mereço, mas eu andava/ando meia... Sei lá. Mas agradeço a espera de vocês, e espero que nunca me abandonem! Beijos. Amo vocês!
