- Achou que podia me enganar, Sparrow?

- Bom, tecnicamente, não te enganei. Você que vê o mundo sob uma outra perspectiva.

- Ora, ora. Eu achava que seria mais inteligente. Depois de alguns dias, eu parei e pensei: "Jack Sparrow daria sua única fonte de aventura para o seu pior amotinado?". Então, a todo pano, segui o Pérola e o encontrei ancorado aqui.

- Pela primeira vez, eu vi que não foi ingênuo, meu caro amigo.- disse Jack

- Peguem-nos! –ordenou Barbossa. Nem deu tempo da tripulação do Pérola reagir. Todos os homens de Barbossa sacaram as armas e se dirigiram aos piratas que ali estavam. Twigg segurou Jack; Pintel, Elizabeth, e um homem moreno e forte segurou Gibbs.

- Ah, sobrou esta linda doçura. – disse Barbossa enquanto acariciava o rosto de Arabella. Ele sacou sua arma e a colocou no pescoço da moça.

-Tire as suas mãos imundas de mim, seu pirata asqueroso.- disse ela, enquanto tentava se soltar.

- Não fique brava, senhorita, ou as conseqüências serão aterrorizantes.

Ele engatilhou a arma e Jack gritou, debatendo-se:

- Arabella!

- Ah, então é isso. O Que Perturba Todos os Homens veio te perturbar, Jack?

-O que perturba todos os homens? – perguntaram Arabella e Elizabeth juntas.

- Uma mulher. –respondeu Gibbs, meditativo.

- Não, eu não estou sendo "perturbado", não. Só me preocupo com ela porque ela é noiva de um dos meus melhores amigos. –respondeu Jack grosseiramente.

- Acredito... –zombou Barbossa, com uma gargalhada.

- O que vai fazer então, capitão?- Perguntou Ragetti, que carregava nas mãos um frasco de vidro.

- Tome conta dela enquanto eu vou pegar a água da fonte.

- Sim, senhor! –disse ele enquanto entregava o frasco para o capitão, trocava de lugar com ele,

sacava sua arma e colocava no pescoço de Arabella.

Barbossa caminhou até o filete de água. Esticou o braço e deixou o vidro encher. Tomou a água. Ele estufou o peito, como se quisesse expor autoridade.

- Como saberemos se funcionou?- Pintel questionou.

- A lenda diz que "Qualquer machucado será curado.". Então, se corte para ver se funciona.

Barbossa cortou o braço com a própria espada. Mais que milagrosamente o corte se fechou e sumiu com o sangue que havia escorrido.

Todos exclamaram "Oh!", menos Jack, que olhou indiferentemente.

De repente, uma voz sinistra foi ouvida:

- A fonte está secando. O tempo está acabando.

A voz era conhecida. Calypso apareceu. Tomou a forma humana conhecida por Tia Dalma e foi se aproximando de Arabella:

- Arabella, não é? –disse a deusa. A moça estava tão estática que não conseguiu responder.– Foi você que conseguiu domar o coração do nosso capitão Jack Sparrow?

- Eu? Não! -respondeu Arabella

- Realmente não! –exclamou Jack –Achei que soubesse que meu único, primeiro e verdadeiro amor é o mar.

- Eu sou o mar, Jack – disse Calypso

Ele abriu a boca como se fosse dizer algo, mas fechou em seguida.

- Então vá encher, disfarçadamente, esse frasco, Ragetti. –sussurrou Barbossa – Já que a fonte está secando.

Ragetti, disfarçadamente, encheu o frasco e o tampou. Seguiu para onde estava Barbossa, entregou-lhe o frasco, continuou ameaçando Arabella, enquanto a deusa dizia:

- Eu vou, mas comigo levarei a água da vida... –ela disse isso enquanto sumiam a mulher e o filete de água que jorrava daquela parede.

Alguns instantes de silêncio foram feitos, e Barbossa começou a falar:

- E agora que eu tenho em minhas mãos um pouco da água da fonte, tenho poder suficiente para comandar a pirataria no mundo. Só pegarei de volta o Pérola e então continuarei a vida tranqüila que eu tinha antes de você me atrapalhar, Jack. –pronunciou Barbossa.

- Barbossa, eu proponho um acordo. Você fica com o Zwart, eu com o Pérola e lhe dou 25 dos meus saques. –disse Jack, confiante.

- Jack, Jack. Se é que me lembro, o acordo que eu fiz antes de morrer com você foi exatamente igual a esse. E não sou tonto de acreditar. Vocês serão prisioneiros e deixarei toda a tripulação numa ilha, como eu fiz com você, Jack.

- O que? O pequeno Will vai ficar preso numa ilha e a culpa e toda sua, Jack. Você prometeu protegê-lo, seu canalha. Agora o menino está exposto ao perigo! – disse Elizabeth, chorando de raiva.

- Pequeno Will? Ah, então quer dizer que você teve um filho, minha querida? –disse Barbossa.

- Não faça nada com o Will. Me mate, faça o que quiser comigo, mas não machuque o Will.-disse Elizabeth, aos prantos.

- Eu sou um pirata, mas eu tenho coração. Vou deixar você e o menino em Port Royal, só porque tenho pena de crianças. Mas o resto da tripulação vai ser deixada numa ilha, sem dó ou piedade.

Todos foram levados ao Pérola e Barbossa decretou a sentença lá mesmo:

- Prendam-nos e só liberem para quando... Forem andar na prancha –disse ele, dando uma risada diabólica.

Na prisão, Arabella estava parcialmente deitada num projeto de colchão duro, com Gibbs sentado próximo aos seus pés. Jack estava recostado na parede, meditativo:

- Se eu tivesse ficado, se não tivesse aceitado esta loucura, ainda estaria bem. –reclamou Bella

- Quando é destino, não dá para mudar. –disse o papagaio de Cotton

- Cotton tem razão. Não dá para mudar o que já está destinado.- disse Gibbs

Jack parecia observar algo inexistente que estava a sua frente. Foi quando Gibbs começou a falar:

- Capitão, acho que temos uma salvação. Acabei de me lembrar de uma lenda que pode salvar-nos.

- A pedra do destino –completou Jack

- É, a pedra do destino. –confirmou Gibbs

- Que porcaria de pedra é essa? –perguntou Arabella

- Essa pedra não tem nada de porcaria. Ela tem o poder de tirar qualquer tipo de imortalidade ou maldição da deusa Calypso. Com isso, Jack poderá tirar a imortalidade de Barbossa e tomar a água que ainda está com Barbossa.- disse Gibbs

- Bell, onde você deixou o mapa?- perguntou Jack, seriamente.

- Ora, está debaixo do meu vestido, como você mandou.

- Então o mantenha aí, bem seguro.

Alguns minutos depois, um marujo desce e avisa:

- Agora chegou a hora. Vamos andar na prancha.

Barbossa já estava esperando o momento, em pé, próximo á prancha.

- Vamos, por ordem. Primeiro as damas.

- Não, deixe que eu vou primeiro. –disse Jack

- Quanto cavalheirismo. Mas ele não será necessário. A mocinha vai primeiro e não tem mais ladainha. –disse Barbossa

Arabella caminhou pela prancha, com todo o cuidado para não deixar cair o mapa. Mergulhou, pegou o mapa de debaixo do seu vestido e nadou até a praia. Todos fizeram a mesma coisa. Ao se encontrarem na ilha, Jack disse:

- A partir de agora, começa uma nova aventura!