Delegacia de polícia, agora dia primeiro de novembro. Uma e meia da manhã.

- Está bom – o policial disse depois de um longo interrogatório – Agora vocês estão liberados, mas proibidos de entrar naquela boate novamente no período de dois meses – decretou – Agora pode levar sua namorada para casa.

- Muito obrigado – Harry respondeu simpático, abraçando-me pelos ombros e me conduzindo para a saída da delegacia.

Lá fora estava frio e escuro. Eu sabia disso, apesar das imagens ainda estarem confusas.

- Você está bem? – perguntei com a voz falha, enquanto nos dirigíamos para o Starfire Holiday.

- Estou – deu de ombros.– Mas o que, diabos, você estava fazendo daquele lado da boate? E ainda bêbada desse jeito...? – sua voz era calma, porém repreensiva.

- A culpa é sua.

- Minha? – perguntou surpreso – Mas o que eu fiz?

- Você foi um idiota, Harry. Isso é que você fez.

- O quê? – ainda me abraçava pelos ombros – O que fiz?

- Não venha se fazer de bobo aqui, não – dei uma cambaleada e ele me apertou mais forte – Eu bem vi você se agarrando com aquela loira azeda.

- Loira a... – dizia interrogativo – A Britany?

- Britany – repeti, fazendo voz de nojo.

- Qual o problema com ela? – ainda confuso.

- O problema... - parei de andar e vire-me em sua direção com raiva. Eu estava enxergando dois Harrys –... É que você não tinha o direito de beijá-la.

- Por que não?

- Por que... - pensei um pouco - Por que não!

- Hermione, melhor parar com isso... Antes que eu ache que você está com ciúmes – deixou um sorriso desafiador escapar.

- Com ciúmes, eu? – fiz barulho de deboche com a boca e em seguida dei uma risada um pouco histérica. Não tinha mais o controle sobre o que eu falava.

- Se não é ciúmes, é o quê? – ainda matinha a voz controlada.

- Está bom – dei de ombros – E se for ciúmes? O que você vai fazer?

Ele se aproximou de mim devagar, colocando os braços em volta da minha cintura e me puxando para perto, de modo que o meu nariz quase encostasse ao seu pescoço quente.

- O que eu iria fazer? – repetiu a pergunta, colocando a boca perto do meu ouvido e sussurrando – Eu a compensaria.

- Então me compense – disse decidida, colocando os braços em volta de seu pescoço.

- Não.

- Por que não?

- Porque não é isso o que você realmente quer.

- E é isso o que você quer?

- Isso o quê?

- Não me compensar...? – olhava-o com olhos pidões.

- Não estamos falando de mim – desenrolou os braços da minha cintura e começou a se afastar – Você não quer isso.

Colocou as duas mãos no bolso, olhando-me cabisbaixo e continuando a andar na direção do carro. Fiquei parada por um momento, encarando o vazio.

Era aquilo que eu realmente queria. Eu queria ser compensada.

- Harry! – disse alto, com o mesmo já a alguns passos de mim.

Quando ele se virou para trás, minha vontade tomou conta do meu corpo. Era como uma corrente elétrica começando na minha cabeça e terminando nas minhas pernas que avançaram rapidamente na sua direção.

Corri até ele, espalmando minha mão na sua nuca e juntando nossos lábios rapidamente. Contornei a sua boca com a língua e ele, diferentemente de mim, abriu-a sem questionar. Nosso beijo estava selado, nossas línguas se tocavam e se movimentavam quase em sincronia. Era como se o meu beijo tivesse sido feito para o dele.

Harry colocou as mãos firmes na minha cintura, me puxando mais para perto. Apertei minha mão entre os seus cabelos. Era ali, e daquele jeito, que eu queria ficar para o resto dos meus dias.

Oldsmobille Starfire Holiday, Harlem, porta da casa doHarry. Duas e meia da manhã.

- Hermione... – ele disse com a voz sufocada graças aos beijos que eu lhe dava na bochecha.

- Hm?

- Você está fora de si – respondeu, tirando minha mão do seu rosto.

Apesar de estar bêbada, eu sabia perfeitamente bem o que eu estava fazendo, certo?

- Não estou, não – respondi, continuando a beijar sua bochecha e seu pescoço.

- Então depois não venha com aquele papo de que me aproveitei da sua tontura para... – afastei-me, fixando o olhar em seu rosto.

- Você não está se aproveitando de mim – disse calma e pausadamente.

- Eu sei, mas se tiver que rolar alguma coisa entre a gente, que seja quando você estiver sóbria – também me encarava, porém sério.

- Você não me quer? É isso? – cruzei os braços, encostando-me à porta ao meu lado do carro.

- Não é isso – suspirou – Claro que quero você.

- Também quero você – disse sincera. Olhou-me nos olhos, como se procurasse algum sinal de mentira – Muito. E quero beijá-lo – sorri devagar - Muito – parecia ter ficado arrepiado. Gostei do efeito que causei. Meus olhos ardiam levemente de sono – Se você me quer, então por que não me beija?

- Porque prefiro fazer isso quando você estiver sóbria e ciente do que está fazendo.

- Harry...?

- Hm?

- O que exatamente você sente por mim, então? – voltei a me escorar na cadeira, deixando meu corpo mais mole.

Meus olhos ficaram pesados.

- Você quer realmente saber disso, Hermione?

- Quero – disse, embolando um pouco a língua.

O sono estava tomando conta de mim.

- Mesmo sabendo que isso pode estragar a nossa amizade?

- Isso vai estragar nada – deixei minha cabeça encostar à janela gelada.

- Então lá vai – deu-me um frio repentino na barriga – Mas só vou lhe falar porque você perguntou, 'ta?

- 'Ta.

- Por favor, não olhe para mim com uma cara esquisita amanhã...

- Não tenho a cara esquisita, Harry – falei em meio a um sussurro.

- Vai ser melhor se eu falar isso de uma vez... – respirou fundo.

- Fale.

- Hermione, desde a primeira vez em que a vi, eu...

Adormeci.

Harlem, primeiro de novembro. Dez horas da manhã (por aí).

Abri meus olhos devagar. Eles ainda estavam bastante pesados. Minha cabeça parecia explodir e minha garganta ardia como se eu tivesse engolido areia.

Maldita ressaca.

Olhei para o quarto desconhecido e conhecido ao mesmo tempo à minha volta. Tinha dormido no quarto do Harry, usado seu travesseiro, seu cobertor... Agora eu estava com seu cheiro.

Isso era bom.

Levantei-me devagar, ainda a tempo de perceber que ele tinha colocado sua blusa verde-oliva por cima do meu vestido para me proteger do frio. Sorri, procurando qualquer sinal dele pelo quarto. Nada a vista, Então me dirigi para o corredor.

Lá estava.

Na sala, dormindo como uma pedra, como sempre fazia, com os cabelos jogados e com um cobertor que parecia não estar quente o suficiente. Isso me fez ir até seu quarto e pegar o edredom que tinha usado para me cobrir para jogar por cima dele. Seu olho ainda estava roxo, me fazendo lembrar dos acontecimentos da noite anterior.

"Como você é burra,Hermione. Burra. Burra. Burra!", pensei comigo mesma. "Mas você tinha que beber mesmo, não é? Ficar lindamente bêbada para poder estragar tudo!". Dei-me um tapa na testa. Estava ajoelhada ao lado do sofá, onde o Harry dormia. "Agora ele vai achar que você é uma oferecida inconseqüente. Droga!".

Observei seu rosto sereno. Olhar para o meu amigo me agradava... Fazia-me sentir um calor por dentro. Aliás, o que sobre ele não fazia?

Fiquei perdida em pensamentos tempo o suficiente para não perceber que ele tinha acordado e olhava para o meu rosto. Tampei a respiração imperceptivelmente, ficando ruborizada.

- Bom dia – ele disse um pouco rouco e dando um sorriso maroto. Involuntariamente sorri também.

Starfire Holiday, 13 de novembro, a caminho do aeroporto. Quatro e trinta da tarde.

"- Ouch! – disse, segurando meu dedo cortado. Eu e o Harry estávamos tentando partir legumes para algum prato que o pai dele faria na cozinha do restaurante.

Claro que nenhum freguês comeria aquela refeição. Era feriado e fazíamos aquilo para nós mesmos. O pai dele deveria estar trazendo mais ingredientes.

-Mione! – veio correndo ao meu encontro. Devíamos ter uns onze anos – Deixe-me ver.

- Não. Está doendo – deixei uma lágrima brotar.

- Deixe-me ver – segurou meu pulso de leve e não tive como não deixar. Meu dedo sangrava – Como você é desastrada.

- Vai ficar me xingando, é?

- Não – sorriu – Claro que não.

- Desse jeito, nunca vou ser uma boa dona de casa – aí meus olhos encheram de lágrimas de vez. Sempre que tinha pensamentos que indicavam que eu não era boa o bastante para alguma coisa, me sentia vazia e magoada.

- Shiu... Calma – passou a mão no meu rosto – Talvez você não precise. Talvez seu marido saiba cozinhar.

- Onde é que eu vou arrumar um homem que saiba cozinhar,Harry? – tinha me dado as costas e estava procurando alguma coisa no armário. Provavelmente um curativo.

- Ei! – falou indignado, se virando para mim e trazendo um band-aid – Sei cozinhar...

- Haha. Mas você aceitaria se casar comigo?

- Se você pedir com jeito... – brincou, colocando o band-aid suavemente no meu dedo.

- Você aceita se casar comigo,Harry? – disse de brincadeira, mas desejando que fosse verdade.

- Aceito.

- Sério?

- Sério – deu de ombros.

- Promete?

- Prometo – ele riu."

- Hermione – ouvi o Harry me chamar – Hermione!

- Hm? – perguntei ainda sonolenta.

- Onde devo parar o carro?

Foi tudo um sonho. Suspirei decepcionada.

O clima estava mais fresco, nos fazendo usar casacos mais pesados. Era quinta-feira e estávamos estacionando na porta do aeroporto para buscar minha tia-avó Rosie (uma senhora simpática de oitenta anos que tem menos da metade da visão e da audição). Ela tinha vindo para passar o natal comigo e minha família. O Harry, gentilmente, se ofereceu para buscá-la no aeroporto.

Depois daquele dia na boate, as coisas voltaram ao normal entre a gente. Não quis falar sobre o ocorrido e ele pareceu respeitar. Tudo voltou ao normal... Ou quase.

- Você não precisava ter feito isso. Sabe disso – suspirei.

- Ter feito isso o quê?

- Ter vindo buscar a minha tia-avó.

- Mas estou fazendo isso por três motivos – estacionou o carro perto da porta do aeroporto e tirou o cinto, olhando para mim e mostrando "três" com os dedos.

- Quais?

- O primeiro: tinha nada para fazer – sorri, lhe dando um tapa no ombro.

- Como você é sensível! – disse irônica.

- O segundo... - ele riu do tapa que recebeu - Pensei que, já que vamos nos casar, tenho que conquistar a família – gargalhei de sua cara inocente.

- E o terceiro?

- Gosto de estar com você – disse sincero.

Deixei transparecer um sorriso.

- Sou muito mais o terceiro motivo do que o primeiro – dei de ombros, tirando o cinto e abrindo a minha porta.

- Eu também.

Caminhamos lado a lado em silêncio, procurando uma senhorinha encarquilhada, de óculos fundo de garrafa e cara de quem estava perdida.

Achamos a mulher pedindo informação para uma .

- Tia Rosie! – eu disse gentil, segurando o seu ombro para que ela se virasse para mim.

- Você é...? – ela perguntou, franzindo o nariz e me olhando dos pés à cabeça.

Harry segurou uma risada.

- Sou eu; Hermione.

- Mione, como você cresceu! – abraçou-me apertado.

- A senhora também, er... Amadureceu – retribuí carinhosamente

- E esse é quem? – olhou para o garoto ao meu lado.

- Harry Potter, senhora. Muito prazer – estendeu a mão, mas ela não retribuiu (provavelmente não tinha enxergado).

- O Larry é seu namorado, Mione?

- Não, tia. O Larry... – ressaltei "Larry", fazendo-o segurar uma gargalhada –... É meu melhor amigo.

- Seu tio-avô também era meu melhor amigo – fez uma observação que nos deixou um pouco sem jeito – Que Deus o tenha.

- Deixe que eu leve as malas para a senhora – Harry disse prestativo, segurando as duas bagagens grandes.

Soho, meu quarto, 13 de novembro. Sete e dez da noite.

- Ela deve ser muito triste – Harry disse, depois de um momento de silêncio. Estávamos no meu quarto e tínhamos acabado de ver qualquer programa na Warner.

- Ela quem? – perguntei curiosa, comendo uma batata Pringle's. Estávamos sentados com as pernas ao longo da minha cama, as costas no encosto e a televisão ligada.

- A tia Rosie.

- Por que acha isso? – juntei as sobrancelhas.

- Você não concorda que o momento em que mais precisamos de alguém é na nossa velhice? – dizia, como se tivesse refletido antes de dizer isso.

- Na nossa infância também.

- É justamente porque precisamos das pessoas na infância que precisamos delas na velhice – fez algo com a mão, como se estivesse girando um bigode. Garoto sabido. Ah, sim.

- 'Ta – disse rendida – Não entendi, filósofo Harry. Explique-se – sorriu, continuando a fala.

- Quando envelhecemos, de certa forma, voltamos à infância – olhou para cima e depois continuou a falar – Tornamo-nos dependentes, assim como éramos quando crianças, carentes de companhia... A tia Rosie tem ninguém.

- O marido dela morreu há uns dez anos.

- Sinto dó dela por causa disso - fixou o vazio durante alguns segundos, abrindo a boca novamente e falando em seguida - O amor foi feito para que as pessoas se apoiassem e estivessem juntas, principalmente na ém melhor para se apoiar do que a pessoa amada – meu coração bateu um pouco diferente depois de ele terminar essa frase. Não deixei transparecer. A verdade é que eu estava gostando das palavras do Harry... E muito.

- O amor foi feito para os idosos – concluí.

- Para os jovens também – Harry disse, virando seu rosto para mim e fazendo com que nossos olhares se encontrassem.

Seus olhos me prendiam de uma forma anormal. Minhas bochechas esquentaram devagar.

- Acho que sim... – olhei para baixo, sem graça.

- A propósito, já vou avisando que meu pai vai morar com a gente quando nos casarmos – colocou os dois braços atrás da cabeça, sorrindo largamente.

- Pode deixar, capitão – sorri também.

- Não. É sério – fechou o sorriso – Ele já está ficando velho e perdeu minha mãe há anos. Vai ter ninguém que o ame e cuide da sua "gagazeira".

- "Gagazeira"? – dei uma gargalhada.

- Encontre uma palavra melhor e lhe dou um prêmio – voltou a sorrir – Quero meu pai perto de mim. É a única pessoa da qual eu cuidaria todos os dias sem perder a paciência – ficou calado um momento e depois me olhou de rabo de olho – Está bom. Talvez não só ele.

N/T: "It's everything about you, you, you Everything that you do, do do From the way that we touch, baby" (8)

Oi pessoas lindas que acompanham a fic :) Acabei de voltar do meu curso de física e decidi postar logo a fic, caso contrario isso só iria acontecer no sábado... Espero que tenha gostado.

Finalmente vocês virão como aconteceu para que o Harry e a Mione decidirem se casar ^^ Mais que fofo, né? O o Harry todo lindo , não quis se aproveitar da Mione e só resolveu fica com ela sóbria. Acho que a Hermione esta finalmente , começando a entender a diretas que o Harry dá para ela. Isso mesmo, por que nem indireta é, ele deixa bem na cara kkkk'

Qualquer erro me avisem.

Biaa Black Potter: Mas aposto 5 galeões que você o amou neste capitulo né? Me diga o que achou.

yinfa: Ownt , que meigo né?" É a única pessoa da qual eu cuidaria todos os dias sem perder a paciência – ficou calado um momento e depois me olhou de rabo de olho – Está bom. Talvez não só ele." Deus , eu quero um Harry deste para mim kkk' Gostou do capitulo?

LilyLuna: Lily vc me paga. Me viciou nas músicas do 1D kkkk' E o que achou desde capitulo?Gostou? Odiou?

Isabella: E ai? Gostou de como tudo se acertou? Me diga a tua opnião :)

witchysha: kkkk' Eu ri muito com a sua confissão. Miar quando lhe faltam palavras? Essa é nova para mim HAHA O capitulo foi bem rápido né? Sua curiosidade acabou. Me diga o que achou...

gabibocardi: Somos duas romanticas, bate aqui o/ Acho que foi por isso que me identifiquei tanto com essa fic ... E o Harry sempre fofo, né? Gostou do capitulo?

30/07/2012 - 12:03 p.m