Leah pov
Fly me to the moon
Let me play among the stars
Let me see what spring is like on
Jupiter and Mars
Eram as ultimas provas que tínhamos que fazer antes das férias de Natal e ou eu me matava de tanto estresse, ou eu matava a Mandy por não parar de falar no meu irmão. Maldita hora em que eu decidi ajudá-la, agora ela não fazia outra coisa se não riscar os dias que faltavam para nossas férias.
Passaríamos o Dia de Ação de Graças, Natal e Ano Novo em La Push. Assim que recebêssemos as ultimas notas, eu, Embry e Mandy embarcaríamos para Seatle e Seth nos buscaria no aeroporto, mas do jeito que a minha colega de quarto estava eu já cogitava a hipótese de pedir a Jake que fosse nos buscar. E que Deus tivesse piedade de mim enquanto ela e meu irmão estivessem no mesmo recinto.
Embry estava animado com a proposta de Jacob para abrir um negócio. Ao passo que aquilo era uma grande oportunidade pra ele, aquilo me colocava numa situação levemente constrangedora. Ele já havia começado a me dar indiretas quanto a uma relação mais estável. Era fato que nós dois gastávamos de mais principalmente por causa dos nossos fins de semana em motéis baratos. O mais racional seria criarmos vergonha na cara e alugar um lugar pra nós. Isso nos daria mais liberdade e daria a Mandy uma folga.
O problema é que alugar um apartamento para nós implicava em por fim à nossa amizade com benefícios e substituí-la por um relacionamento sério e eu ainda estava morrendo de medo de perder aquele garoto para um imprinting maldito. Eu estava evitando o assunto a todo custo, mas eu sabia que assim que chegássemos a La Push a discussão seria inevitável.
Falando em problemas na volta pra casa, eu estava esquecendo um pequeno detalhe com porte de Alfa. Sam ainda estava puto com Embry e eu podia até imaginar a reação quando ele topasse com nós dois. Pelo menos eu esperava que a paternidade estivesse fazendo algum bem ao humor dele.
Aliás, eu queria saber que síndrome casamenteira estava se alastrando por La Push nos últimos tempos. Jared e Kim já estavam de casamento marcado e Paul havia acabado de pedir Rachel em casamento também, então a reserva estava uma loucura e Embry estava muito animadinho com a idéia.
Casamento, um nome que me dá pânico. Só de ouvir falar eu me sinto claustrofóbica e dá vontade de sair correndo. O pior era o tipo de sonho que eu comecei a ter quando soube dessa nova tendência na matilha. Quase toda noite eu me via vestida de noiva, com buquê na mão, correndo por First Beach, fugindo do Embry vestido de smookeing, num remake mal feito de Noiva Em Fuga.
Eu acordava apavorada e se por um acaso Embry estava dormindo ao meu lado eu o empurrava pra longe. Ele acabava acordando e me perguntando qual era o problema, minha desculpa era sempre a mesma. Pesadelos. Então ele me abraçava e sussurrava qualquer coisa no meu ouvido até que eu me acalmasse. Me digam, como eu ainda podia sonhar em fugir dessa criatura?
Mas este era só um dos sonhos que eu estava tendo. Quando eu não estava vestida de noiva, eu estava com uma barriga enorme, ou carregando um bebê moreno de cabelos pretos. Dês de que eu descobri a possibilidade de ter filhos aquilo se tornou meu medo mais constante. Eu sempre mantinha pelo menos cinco camisinhas na bolsa em caso de emergência e obrigava Embry a andar com um estoque também.
In other words, hold my hand
In other words, baby, kiss me
Eu estava preocupada com o resultado dos meus próximos exames com o doutor Cullen. Talvez as taxas de hormônio tivessem normalizado, mas talvez estivesse tudo como antes e eu continuava estéril. Eu não sabia mais o que pensar, eu já estava achando a idéia de ter um imprinting com outro cara impossível, simplesmente porque eu não conseguia reparar em outros caras além de Embry.
Não tinha muita certeza de como eram as coisas pra ele. Eu sabia que ele gostava de mim há anos, eu sabia que era algo forte e que havia deixado meia matilha com ganas de matar ele, mas eu não sabia se ele conseguia pensar em outras garotas.
O melhor que eu tinha a fazer naquele momento era deixar de lado todas essas preocupações desnecessárias. Eu tinha provas finais para fazer e muita matéria para estudar, além de um emprego de meio expediente, sem mencionar um amigo com benefícios que exigia atenção em tempo integral. Tanta pressão fez meu apetite dobrar de tamanho.
As provas chegaram e eu achei que ia perder todos os meus cabelos em dois tempos. Eu estava tão estressada que eu já começava a ter dificuldades em me controlar e mais de uma vez me peguei tremendo de cima a baixo e tive que sair correndo antes de perder o controle totalmente. Embry entendia que eu estava sob muita pressão e se ofereceu para me acompanhar numa corrida sob quatro patas.
A idéia da companhia dele era agradável, mas uma vez transformados nossas mentes estariam conectadas e ele poderia ver tudo o que estava me atormentando. Eu não queria ferir os sentimentos dele com meus medos, principalmente os que incluíam a nossa relação complicada.
Eu corria sozinha e fazia isso em horários pouco usuais à matilha. Aquilo ajudava a manter o estresse controlado e me dava uma concentração maior. Às vezes eu captava o pensamento de um dos garotos. Jacob era de longe o mais simpático já que ele sabia do meu caso com Embry. Quando era a cabeça do meu irmão a única coisa que ele conseguia me perguntar era a respeito de Mandy e de vez em quando perguntava como estavam as coisas comigo. Ele já não se importava tanto com Embry.
A única vez que eu me senti realmente desconfortável foi quando Sam estava na linha. Eu notava claramente o tom de reprovação nos pensamentos dele e a preocupação comigo. Me parecia hipocrisia da parte dele desaprovar tanto minha relação com Embry e insistir que eu estava cometendo um ato impensado. Ele esperava que eu ficasse chorando por ele a vida toda e esquecesse de viver? Sam era tão mesquinho a ponto de não ficar contente por eu ter sobrevivido e pela primeira vez poder dizer que eu estava bem e feliz?
Sam não era uma má pessoa e eu sabia que ele guardava algum respeito por mim. Ele se sentia culpado por tudo o que eu passei e não queria me ver sofrendo de novo. As coisas entre ele e Embry nunca foram muito boas, sempre pairou um ressentimento entre ambos, mas eles se gostavam um do outro tanto quanto possível e se preocupavam. A relação entre eles era mais tensa agora. Os dois mal podiam ouvir os pensamentos um do outro sem se ofenderem.
Fill my heart with song
And let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore
Eu não fazia idéia de como seria quando nos encontrássemos cara a cara. Era uma coisa que perturbava Embry também e não era só pela relação com o irmão ser difícil. Era principalmente por insegurança da parte dele. Ele morria de medo que uma reaproximação com Sam despertasse em mim os sentimentos antigos e que eu sofresse de novo. Meu amigo com benefícios não conseguia controlar o ciúme que sentia em relação ao próprio irmão e eu não tinha nenhuma garantia para dar a ele.
Pensar em Sam era uma coisa rara para mim agora, mas às vezes acontecia. Eu fiquei feliz por ele e Emily estarem esperando o primeiro filho e a minha prima tinha me feito prometer que eu a ajudaria com o enxoval assim que eu chegasse em casa. Era engraçado como eu um dia pensei que ela estava roubando um futuro que era meu e agora a simples idéia de casamento e filhos me apavorava.
Eventualmente eu pensava a respeito. Quem sabe não fosse tão ruim construir uma família no futuro, mas eu não podia arriscar ferir Embry com um casamento que podia acabar a qualquer momento por um imprinting. E se nós tivéssemos filhos um dia, o que se passaria na cabeça deles ao saber que os pais se separaram não porque não se gostavam mais e sim porque o pai, ou a mãe, descobriu o grande amor de sua vida só com um olhar. Isso era de mais até para um adulto entender.
Foi quando eu comecei a entender que o que me assustava não era o casamento, ou a maternidade, era o medo de acabar sozinha, ou de fazer a vida de outra pessoa uma tragédia como a minha foi. Eu não queria cometer essa injustiça. Ninguém precisava passar pelo que eu passei.
Eu continuava sentindo uma ponta de inveja toda vez que falava com Emily. Ela jamais teria essas preocupações porque ela tinha o que era dela por direito e ninguém jamais conseguiria tirar isso dela. Filhos, casamento, era tudo parte do pacote do imprinting e talvez eu jamais tivesse essa sorte, mesmo que eu amasse Embry o bastante para desejar assumir o risco. Eu faria isso se eu não tivesse tanto medo.
Quando as notas finais saíram e eu verifiquei que tinha passado em todas as matérias; eu, Embry e Mandy começamos a fazer as malas parar viajar no dia seguinte para Seatle. Eu avisei minha mãe e meu irmão o horário previsto para a chegada do vôo. Eu já estava dando graças a Deus de toda aquela loucura ter passado. Eu estava tão pilhada que nem tinha reparado que minha menstruação estava três dias atrasada. Provavelmente era por causa do estresse do fim do semestre, assim que eu estivesse de novo em La Push as coisas normalizariam, ou não, já que eu tinha dois alfas por perto.
Embry e Mandy cuidaram de despachar as malas enquanto eu ia até a lanchonete tomar um café. Avião costumava me deixar meio mareada e eu sempre ficava insegura de ter que entrar em um. Eu estava louca pra chegar em casa e ver minha mãe, acho que estava carente, mesmo com meu "amigo" me dando toda atenção do mundo.
Eu estava distraída com meu copo de café e já agoniada pela demora dele e da minha amiga. Comecei a procurá-lo com uma ansiedade louca por toda área de check-in até que eu o avistei no meio da multidão que estava viajando para passar o natal com a família. Meus olhos pousaram nos dele, castanhos e profundos. Meu ar faltou e meu coração bateu tão forte que eu poderia jurar que era um tambor. Eu já tinha visto aquilo acontecer antes, mas nunca comigo e nunca tão forte.
Tudo no meu mundo saiu de foco, tudo girou mais do que eu poderia acompanhar e ele era a única coisa que permanecia estável, ele era tudo o que restava de concreto e belo naquele mundo borrado. Eu não sabia mais quem eu era, eu estava a deriva no espaço e então ele se tornou minha âncora, minha casa, meu porto seguro. Eu sabia o que era aquilo que eu estava sentindo, eu sempre soube...Embry... Eu estava ficando louca... Eu estava imprinted por ele...
Embry pov
In other words, please be true Fill my heart with song
In other words, I love you
Let me sing for ever more
You are all I long for
All I worship and adore
Depois de toda aquela loucura de fim de semestre eu estava rindo um monte com a crise de ansiedade da Mandy. Ela não parava quieta em um lugar só, era como se tivesse desenvolvido hiperatividade do dia pra noite. E que Deus tivesse piedade de nós quando ela topasse com o Seth, duas matracas era de mais pra cabeça de qualquer um.
Fomos despachar as malas enquanto Leah ia tomar um café depois de ter feito seu próprio check-in. Eu estava preocupado com ela, com a freqüência com a qual ela estava tendo pesadelos e ficando desatenta. Eu sabia que ela estava louca pra chegar em casa e rever a mãe dela, sabia também que aquele fim de semestre não estava fazendo nenhum bem a ela. Tudo isso me deixava angustiado e ansioso. Ela não queria me preocupar com seus problemas, mas eu desconfiava que parte daquele comportamento era por causa da minha insistência em um relacionamento mais sério.
Eu comentei com ela sobre os planos de Jacob e como isso seria ótimo. Se eu conseguisse fazer um pouco mais de dinheiro com meu amigo do que na oficina onde eu fazia uns bicos, então eu poderia alugar um apartamento, ou uma casa pequena perto do campus para ter mais privacidade. É claro que eu não pretendia me mudar sozinho e ela entendeu isso. Morar comigo seria um grande passo, enorme pra falar a verdade, e eu desconfiava que era isso que estava deixando Leah tão abalada.
Eu conhecia todos os motivos dela pra ter medo, eu conseguia sentir tudo o que estava fazendo ela recuar e eu entendia, mas não dava pra dizer que aquilo não fazia com que eu me sentisse impotente. Era como se ela não confiasse em mim, como se eu não fosse forte o bastante para protegê-la. Mas a verdade é que eu não era mesmo, se um de nós por ventura sofresse um imprinting não existia nada que eu ou ela pudéssemos fazer para evitar e isso era assustador, mas eu estava disposto a tentar, porque ela valia a pena o esforço.
Depois de despachar as malas, eu e Mandy fomos procurar Leah na lanchonete. Aquele vicio que eu adquiri na presença dela estava piorando a cada dia e não eram raras as vezes que eu me pegava olhando para ela deslumbrado. Esta necessidade descontrolada chegava a ser dolorosa e, como agora, eu sempre ficava ansioso por vê-la.
Eu sai procurando por ela no meio do saguão do aeroporto, sentindo uma nota de desespero dentro de mim. Era uma urgência inexplicável, uma ânsia constante, como se eu fosse perder uma parte de mim se eu não a encontrasse. Eu a avistei de longe, ela estava de costas para mim e olhando para os lados como se procurasse por alguém e então ela se virou na minha direção. Meus olhos encontraram os dela e o mundo todo saiu do eixo.
Não havia ar o bastante para encher meus pulmões, meu coração não sabia se prezava pelo ritmo ou pelo volume do som. Era como sentir o mundo girar em sentido contrário e tão rápido que você precisava fixar os olhos em alguma coisa para não cair e eu só conseguia focar o olhar nela. Era diferente de tudo o que eu já tinha visto, era como se eu estivesse vendo de verdade pela primeira vez.
Eu fui subitamente tomado por uma euforia inexplicável. Eu podia ter tudo agora, eu finalmente entendi que estava completo e não havia nada que pudesse impedir a minha vida de seguir com um significado definitivo. Não havia motivo pra medo, não tinha razão para tempo, ela era o que eu sempre soube que era. Ela era minha outra metade e meu todo ao mesmo tempo. Eu finalmente tive a minha desculpa pra segurá-la e não soltá-la nunca mais. Eu estava imprinted.
Ela veio até mim, com passos meio incertos, meio vacilantes, como se ela não estivesse crendo em seus próprios olhos. Eu corri até ela, tomei seu rosto entre as minhas mãos e me entreguei aquele momento de adoração.
- Me diga, o que está acontecendo? – ela sussurrou para mim.
- Você sabe o que é. – eu disse no mesmo tom, mas eu estava sorrindo.
- Embry...eu tive...
- Não, nós tivemos. – meus lábios roçaram contra os dela – Não há mais dúvidas, Lee. Eu tenho certeza de tudo e eu sei que você também tem.
- Mas eu não podia... – ela me abraçou forte pela cintura.
- Você achava que não podia, mas estava errada. Todos estavam. Eu vou ficar muito feliz de mandar meu irmão ir à merda depois disso. Ninguém mais pode nos culpar por nada, sempre estivemos no nosso direito. – eu disse convicto.
- Faz tanto tempo que eu quero te dizer uma coisa, mas eu tinha tanto medo. – ela encostou a cabeça contra o meu tórax.
- Diga. – eu pedi.
- Eu te amo, Embry. Eu posso te amar agora. – uma lágrima escorreu pelo canto do olho dela e eu senti uma onda de felicidade incontrolável.
- Eu sempre te amei e agora eu sei que vou te amar pra sempre. – então nos beijamos como se fosse à primeira vez, num misto de euforia e pura satisfação. Nós estávamos completos, nós éramos um definitivamente.
- Achei que esse dia nunca ia chegar. – ela disse quando nos separamos – Eu não fazia idéia de que algum dia eu poderia me sentir tão feliz como eu estou agora.
- Você ainda tem alguma dúvida? Algum receio? – eu perguntei enquanto acariciava o rosto dela com todo cuidado do mundo.
- Enquanto tivermos um bom estoque de camisinhas extra grandes eu não tenho receio de nada. – ela respondeu sorrindo.
- Mas você sabe que uma hora eu vou querer filhos, não sabe? – eu sondei o território.
- Sei, mas ainda é cedo pra pensarmos nisso. Vamos só curtir seu sobrinho que já está a caminho, depois pensamos no resto.
- Então você aceita morar comigo agora? Não há mais motivos pra ficarmos incomodando a Mandy com nossas noitadas. – eu sorri pra ela esperançoso.
- É, acho que ela merece um pouco de espaço, ainda mais se o Seth decidir fazer faculdade em Dartmouth também. – ela riu.
- Então eu acho que é isso, senhora Leah Clearwater Call. – eu disse rindo.
- Nós ainda não casamos, Embry. – ela respondeu no mesmo tom.
- É verdade, não casamos ainda. O que acha de passar o Ano Novo em Vegas e então resolvermos isso? – eu ri da idéia, mas tinha lá seu mérito.
- Eu acho uma idéia válida, mas você tem consciência de que minha mãe vai querer te matar depois disso não é?
- Leah, eu já consegui convencer você, todo resto eu posso ignorar.
- Então ta, casamos em Vegas. – ela gargalhou junto comigo. Estávamos tão absortos um no outro que nem reparamos que não estávamos mais sozinho. Uma tosse seca chamou nossa atenção e quando nos viramos para olhar, Mandy estava batendo palmas.
- Então esse é o fim da amizade com benefícios? – Mandy perguntou com os olhos brilhando.
- Acho que você pode chamar isso de noivado informal e um futuro casamento às pressas. – eu disse rindo. Mandy deu pulos de alegria.
- Não vamos mais te incomodar no dormitório. Estamos querendo alugar um cantinho nosso. – Leah disse sorrindo.
- Sendo assim eu vou trazer seu irmão na mala junto comigo. – nós gargalhamos com a resposta dela.
- Eu temia que dissesse isso. - Leah respondeu.
- Bem, vocês já encontraram um ao outro, agora é a minha vez de achar o caso extragrande da minha vida, então se não se importam, nós temos um avião pra pegar.
Nós seguimos em direção à sala de embarque juntos e desta vez eu estava certo de que eu não perderia Leah nunca mais.
In other words, please be true
In other words
In other words
I love you
Nota da autora: Foi mais rápido do que eu esperava e agora eu quero ouvir os suspiros de vc's por este capítulo extra fofo. Música é Fly Me to The Moon do Frank Sinatra, pq eu tava com preguiça de pensar em outra coisa. Enjoy!
E COMENTÉM!
Bjux
Bee
