CAPÍTULO 9 – DESEJOS E VAIDADES
Kyoko acordou na manhã seguinte sentindo-se atropelada pela vida. Poderia dormir o restante do dia e emendar com a próxima noite sem nenhum problema, mas sentia falta do casal do Darumaya, e como estava hospedada na casa deles enquanto o apartamento destinado a ela passava pelos retoques finais, queria aproveitar com eles todos os segundos possíveis.
Sua agenda estava liberada para aquele dia, mais uma estratégia de Shinobu para destinar maior visibilidade a ela e ao projeto. Olhando para o celular para verificar as horas, deparou-se com 127 mensagens.
127 mensagens, e era somente 7 horas da manhã.
Começou a navegar entre elas e constatou que a maioria era da noite anterior e daquela madrugada, cortesia de seus novos e loucos amigos: alguns parabenizando seu desempenho na entrevista, outros reclamando a ausência dela na festa de comemoração, várias fotos mostrando a bagunça que estavam fazendo no Hideout e um áudio de alguém muito desafinado cantando no karaokê do bar. As mensagens foram ficando mais loucas e incoerentes, provavelmente por conta do nível de embriaguez conforme a festa prosseguia.
Naquela manhã, contudo, recebeu algumas mensagens de trabalho, falando sobre a quantidade de propostas que estavam recebendo convidando-a para entrevistas exclusivas, ao que Kyoko prontamente respondeu que a prioridade dela era aceitar qualquer convite feito pelo Bridge Rock, e que o restante eles poderiam acomodar como achassem melhor. Também recebeu gráficos mostrando como o acesso ao site praticamente triplicara desde que chegaram ao Japão e que ela era o assunto mais comentado da internet, tendo conquistado milhares de seguidores da noite para o dia e o número não parava de aumentar.
Estava mais comentada até que a coletiva de imprensa de Ren e Ootomo, que Kyoko vira na noite anterior assim que fora deixada no Darumaya por Kuon.
Noite anterior
Camarim da Kyoko
"Você... lembrou!", constatou aliviada.
"Não sei se eu posso dizer que lembrei de algo que eu nunca cheguei a esquecer. A nossa última conversa não saiu da minha mente nem por um segundo. Era o seu desejo, não era? Não foi por isso que você disse sayonara a Tsuruga Ren?"
"Apenas ao Tsuruga Ren que não fosse real...", disse, finalmente apertando a mão dele.
Assim que sentiu a mão dela na sua, Kuon se perguntou se estaria sonhando. O que deveria ser apenas um cumprimento logo se transformou em um afago saudoso quando a segurou com as duas mãos e a levou aos lábios. Começou a depositar pequenos beijos no dorso de sua mão, depois em cada um dos dedos. Kyoko estava hipnotizada pela carícia e somente saiu do transe quando o viu mordiscar seus dígitos. Puxou a mão de volta para si, não encontrando qualquer resistência por parte dele, que apenas abriu os olhos, conservando a expressão extasiada.
Olharam-se por alguns segundos, tempo em que Kuon se deixou observar. Kyoko, segurando a mão que ele acariciara junto ao peito, procurava no homem diante de si qualquer informação que pudesse ser útil às dúvidas que a assolavam. Identificou apenas duas certezas: primeiro, ele não a submeteria; tivera a confirmação disso quando ele a permitira retroceder sem opor resistência, o que era um alívio, porque estava farta de idiotas como Sho que não se privavam de usar a força física contra ela. Segundo, ele não era um completo desconhecido como temia, o que ia além do fato de coexistirem traços tanto de Ren quanto de Corn no homem que a olhava.
"Nós já nos vimos antes, não?"
Ao ouvir a pergunta, Kuon abriu um sorriso que Kyoko imediatamente reconheceu.
"Sim, algumas vezes. Eu me mostrei mais a você no ano em que interagimos do que mostrei a qualquer pessoa durante todos os anos em que fui Tsuruga Ren"
"Você é o playboy!"
Kuon teve que rir da acusação. Era tão típico dela sair com uma frase completamente diferente do que ele esperava!
Sentindo-se ligeiramente ofendida pelas gargalhadas e ainda protegendo a mão acariciada junto ao peito como se fosse um pássaro ferido, Kyoko retomou as funções cerebrais.
"E está sendo um playboy agora! Não acredito que veio aqui flertar comigo enquanto sua namorada provavelmente ainda está no prédio!"
Nova gargalhada. "Então estaria tudo bem se a... minha namorada tivesse deixado o prédio?"
Sentindo-se ultrajada pelo golpe direto que recebera, Kyoko decide que aquele homem, aquele Kuon merecia ouvir algumas boas verdades. Ficando de pé no sofá do camarim, passou a recrimina-lo por agir descaradamente e ser mulherengo e sem-vergonha.
Kuon não pôde mais se segurar. A visão daquela pequena e maravilhosa mulher enfurecida esbravejando com ele era excitante. Longe de se sentir afundando, como quando ela subira em um banco para desabafar toda a mágoa e confusão que sentia, agora não era uma garota em pedaços revelando todo o estrago que ele ajudara a causar, mas uma mulher irada que não descansaria enquanto não transmitisse exatamente o quanto ela estava brava com ele.
O discurso de Kyoko foi interrompido por Kuon abraçando-a e retirando-a do sofá, exibindo um radiante sorriso.
"Por mais que você esteja linda assim, esbravejando comigo, parece haver um equívoco. Você provavelmente pensa que Ootomo-san é minha namorada, mas eu lhe garanto que nunca tive nem terei qualquer relacionamento íntimo com ela. Eu confesso que cheguei a pensar nela como uma amiga, e quando acreditei que você jamais voltaria, tentei seguir em frente e ela me pareceu uma opção tão boa quanto qualquer outra. A foto que você viu foi o resultado entre um plano para me comprometer e a minha imprudência, mas não se deixe enganar, eu nunca tive sentimentos por ela".
"Um plano para compromete-lo?". Kyoko apenas o olhou, procurando em seu rosto algum sinal de mentira ou atuação e tentando não se distrair com o fato de que o abraço dele era ainda mais confortável do que ela se lembrava, por mais que ela permanecesse suspensa no ar pelos braços dele ao seu redor.
"Então, não, eu jamais viria aqui flertar com você se eu estivesse namorando alguém". O sorriso que ele lhe dava a fazia ruborizar, o que só piorou com a admissão dele em relação ao flerte. "Mas me diga, meu flerte está funcionando? Por que eu mal consigo me conter de vontade de beija-la agora"
Talvez fosse a tensão sexual reprimida; ou a segurança que ela sentia sempre que estava nos braços dele; ou a constatação de que o imperador da noite também era real, o que a aliviava, embora ela não quisesse admitir; ou o fato de que ela estava muito próxima dos lábios dele, afinal, ele a removera do sofá, mas não a colocara no chão; ou um pouco de cada. O importante é que Kyoko simplesmente fez o que tinha vontade de fazer e o beijou.
Agindo por instinto, porque precisava toca-la, Kuon a colocou no chão para que os dois pudessem mover os braços livremente. As mãos dela imediatamente se embrenharam em seus cabelos, enquanto ele tinha uma mão em sua nuca e a outra em suas costas. Logo a mão que estava na nuca deslizou pelo pescoço, e com o polegar traçou o desenho de seu maxilar até se posicionar no queixo, onde delicadamente entreabriu-lhe os lábios, pelos quais não perdeu tempo de passar com sua língua.
Kyoko não ouviu o gemido de aprovação que lhe saía da boca assim que sentiu a invasão, tão concentrada estava no grunhido rouco que ele dava e nas sensações que provocava em seu corpo. As mãos dela desceram dos cabelos para sentir-lhe os músculos das costas, enquanto ele descia a mão do queixo para o colo, fazendo-a arquear o corpo e respirar sofregamente quando o sentiu apalpar um seio. A mão que até então ele mantivera em suas costas desceu para apalpar uma nádega e pressiona-la mais contra si, fazendo-a sentir a ereção que lhe provocava.
Toc, toc, toc
Os dois se separaram imediatamente, sobressaltados.
Kuon, ofegante, a observava: de desalinhada, assustada e trêmula em um segundo, bastou fechar os olhos, pegar algo no ar e levar ao peito para que no segundo seguinte já estivesse no controle da situação. Encaminhou-se para a parede atrás da porta enquanto ela se dirigia para atender a visita inesperada.
"Ah, Kyoko-san, boa noite! Poderíamos conversar por um minuto?"
Kuon reconheceu a voz de Ootomo de imediato e por pouco não bateu a cabeça na porta que o escondia.
"Claro, Ootomo-san!", respondeu Kyoko com a mesma cordialidade. "Dê-me apenas alguns minutos para concluir uma ligação importante, que já a encontro em seu camarim".
A prioridade, naquele momento, era afastar a modelo daquele lugar. Assim que fechou a porta, sentiu os joelhos fracos pela enormidade do que estava acontecendo: poderia ter sido flagrada em um abraço ardente com um homem pela mesma mulher que poucas horas antes era considerada pela mídia como a namorada dele.
Kuon, percebendo que algo estava errado, segurou-a no momento em que suas pernas falharam. Tomando-a no colo, colocou-a no sofá.
"Kyoko, você está bem? Está me ouvindo? Kyoko!"
Ao ouvir seu nome sendo pronunciado, seu olhar desfocado voltou ao normal e recobrou o juízo. Viu que estava sentada, enquanto Kuon estava ajoelhado a sua frente com uma expressão de medo e urgência.
"Hizuri-san, nós..."
"Por favor, não 'Hizuri-san'! Não, depois do que acabamos de compartilhar!"
O desespero na voz dele era perceptível mesmo através da névoa de confusão que se instalara na mente de Kyoko.
"O que... acabamos de compartilhar?". Pareceu confusa por um momento, até finalmente atinar para o que ele estava dizendo. "Foi..."
"Maravilhoso! Foi maravilhoso, Kyoko! Por favor, não diga que foi um erro!", interrompeu-a antes que ela dissesse as palavras que esmagariam seu coração.
"Rápido... eu ia dizer rápido. Se não posso chama-lo de Hizuri-san, como devo chama-lo, então?"
Kuon sentiu um alívio enorme invadi-lo. Poderia passar a vida respeitando cada limite que ela impusesse, por mais desarrazoado que fosse, e ainda assim seria um homem feliz; mas morreria naquele instante se ela recusasse o que havia entre eles.
"Eu ainda não me decidi sobre revelar Kuon Hizuri, então continuarei como Tsuruga Ren para o mundo. Você pode me chamar de Ren quando estivermos em público, e Kuon ou Corn quando estivermos a sós. E eu... posso finalmente chama-la de Kyoko?", perguntou esperançoso.
Kyoko apenas concordou com a cabeça. "Afinal, você vem fazendo isso a noite toda... Mas não sei se é uma boa ideia ficar a sós com você", murmurou a última parte sem se dar conta e, como de costume, Kuon ouviu.
"Ora, pois eu acho uma excelente ideia!", falou enquanto se aproximava com o olhar de imperador da noite.
"NÃO! Não, é melhor ficarmos a uma distancia segura um do outro!", disse enquanto se afastava e estendia os braços para delimitar um perímetro seguro. "Eu nem sei... eu nem sei como tudo aconteceu... foi tão..."
"Rápido? Sim, você já disse. Mas eu, que espero por isso há mais de três anos, tenho uma opinião diferente"
Kyoko arregalou os olhos ao ouvir a confissão. Várias conexões sorrateiras começavam a se insinuar na mente dela, enquanto Kuon apenas esperava que ela compreendesse a dimensão do que ele havia dito. Por fim, suspirou.
"Kyoko, eu sei que você tem muitas dúvidas e eu também tenho muitas perguntas. Você pode estar certa, talvez tenhamos sido rápidos demais, mas por enquanto apenas acredite em mim quando eu digo que tudo, tudo que nós vivemos foi verdadeiro para mim"
O balançar afirmativo de cabeça veio lento e incerto, e ele podia dizer que ela lutava arduamente contra alguma coisa, provavelmente mais dúvidas, mas já era um progresso e deu a Kuon uma ideia.
"Façamos o seguinte, então: você me pergunta o que quiser e eu lhe pergunto o que eu quiser, o que acha?"
"Qualquer... coisa?"
"Sim"
"E se houver alguma coisa que eu não queira responder?". Começara animada com a proposta, mas quando percebeu o brilho de astúcia no olhar dele sentiu-se desconfortável, como um pequeno roedor saltintando feliz para a boca escancarada de um leão.
"Então você não responderá", afirmou casualmente.
"Simples assim?". A incredulidade dela estava evidente.
"Kyoko, a última coisa que eu quero é afasta-la de novo de mim. Jamais correrei este risco novamente!"
Ele estava tão sério e convicto de suas palavras, que Kyoko não encontrou motivos para duvidar. Os olhos de Kuon nada transmitiam além de sinceridade, segurança e...
"É melhor eu ir. Não seria razoável deixar Ootomo-san esperando mais do que isso"
Após receber a advertência de Ren para não confiar na modelo e garantir que o encontraria no estacionamento assim que a conversa acabasse, Kyoko partiu deixando-o com a tarefa de sair dali sem ser visto.
Camarim da Ootomo
"Kyoko-san, que bom que pôde vir! Não sei se lembra de mim, mas já conversamos uma vez... só que na época, você era Bo! E estava tão galante com um terno e a crista penteada..."
Kyoko percebeu de imediato que a modelo havia retocado a maquiagem, o que não fazia sentido, já que o programa havia acabado e a noite estava avançada; a menos que ela fosse sair dali para um encontro, o que não era prudente por conta do escândalo com Ren sequer ter esfriado.
"Sim, Ootomo-san, eu lembro perfeitamente! Como vai?"
"Muito bem! Kyoko-san, eu preciso dizer que foi incrível a forma como você lidou com Kimiko-san! Eu não sei de onde ela tirava perguntas tão indiscretas, chegava a ser constrangedor! ", disse enquanto conduzia Kyoko para o sofá.
"Não tão constrangedor quanto você, fingindo que é sobre isso que quer falar", pensou. E curiosa para verificar até que ponto a modelo chegaria com aquela (amadora) encenação, Kyoko deixou-se levar por alguns minutos naquele arremedo fajuto de conversação cordial, onde Ootomo fazia comentários elogiosos sobre ela e o projeto Stray enquanto esporadicamente cruzava as longas e desnudas pernas e alisava sensualmente o cabelo.
Por fim, como o arsenal que obtivera na rápida pesquisa que fizera sobre Kyoko assim que o programa acabara havia se esgotado e ela não encontrava mais sobre o que a bajular, além do fato de que a atriz já deveria estar suficientemente satisfeita e com a guarda baixa naquele momento, Ootomo decide partir para o ataque. Suspirou profundamente, como se estivesse reunindo coragem, mas o gesto nada tinha de involuntário. "Kyoko-san, eu a chamei aqui para falar sobre Ren"
Kyoko percebeu imediatamente como a modelo tentava simular constrangimento e, acima de tudo, transmitir uma imagem de mulher agradável, sexy, indefesa e apaixonada. Provavelmente algo que funcionava bem com os homens, então a atriz se perguntou se aquele seria um hábito de Ootomo, algo inconsciente, já que agia assim mesmo diante de uma mulher.
Até que finalmente compreendeu.
Ootomo viu quando a expressão de dúvida se converteu em entendimento e celebrou intimamente que seu plano tivesse funcionado. Até Kyoko abrir a boca.
"Oh? Oh! Entendi... Então é assim que você conquista a confiança das pessoas! Mas é claro... faz sentido!"
"Kyoko-san, eu... eu não estou entendendo...". Deu algumas risadinhas nervosas; algo parecia estar dando errado. Muito errado.
"Eu não tinha entendido por que você se deu ao trabalho de retocar a maquiagem, mas agora eu compreendo! Primeiro você se mostrou cordial, depois me fez vários elogios. Claro que todo mundo gosta de elogios, mas o efeito é ainda maior se eles vêm de uma mulher deslumbrante, não é mesmo? Talvez você conseguisse até provocar um sentimento de gratidão em mim, por uma mulher tão bonita estar reconhecendo meus méritos. E enquanto eu estou sendo inebriada pela sua aprovação, você me transmite várias mensagens sobre como seu cabelo é perfeito e sua pele é impecável, para finalmente falar sobre Ren com um tom de intimidade, supondo que a esta altura eu já estou me sentindo em dívida pelo seu reconhecimento e inconscientemente intimidada por sua agradabilidade, generosidade e feminilidade. Em suma, fora do páreo"
Ootomo apenas observava boquiaberta enquanto Kyoko a dissecava. Era a segunda vez no dia que passava por aquela situação, a primeira tendo sido a reunião desastrosa com Lory.
"Mas é claro que uma mulher simplória como eu não vai querer competir com uma criatura tão perfeita, não é mesmo, Ootomo-san? Eu deveria mesmo me recolher à minha insignificância e deixar o caminho livre para alguém que seja compatível com Tsuruga Ren, não é verdade? Pfffft... Ootomo-san, por favor, não se dê ao trabalho. Não pense que há algo que você possa fazer ou dizer que me intimide, nem como mulher, nem como profissional. Seus elogios também são desnecessários e não me embevecem, simplesmente porque sou indiferente a sua opinião sobre mim e o meu trabalho. Não necessito da sua aprovação"
Kyoko se levantou, pronta para partir.
"Não tenho sequer curiosidade em saber o que você pretendia dizer sobre... Ren, porque duvido que me acrescente em algo. Especialmente quando tenho acesso à fonte, o que é bem mais confiável. Mas não posso deixar de dizer que é deprimente que você se preste ao papel de criar uma armadilha atrás da outra, achando que assim ganhará o afeto de alguém"
Antes de fechar a porta do camarim, olhou para a modelo que parecia grudada ao sofá.
"Não se esqueça, Ootomo-san, que maquiagem não encombre imperfeições de caráter. Estas, nós temos que corrigir sozinhas"
Estacionamento do estúdio de gravação
Kuon aguardava com impaciência a chegada de Kyoko, perguntando-se a cada instante se não deveria te-la impedido de ir. Até finalmente avista-la saindo do elevador e sorrir aliviado.
Ao menos teria a chance de tentar remendar qualquer possível estrago que Ootomo tivesse feito.
Ajudou-a a entrar no carro e aproveitou a oportunidade para estuda-la. "Está tudo bem?"
"Sim. Não. Kami-sama, quanto veneno!"
Kuon riu aliviado, sendo logo acompanhado por Kyoko. O trajeto ao Darumaya foi feito em doce silêncio, onde olhares furtivos eram flagrados e sorrisos eram trocados. Kyoko finalmente forneceu seus contatos para Kuon, que hesitava em deixa-la ir. Tinha medo que a noite acabasse e Kyoko desaparecesse; ou de acordar e descobrir que tudo não passara de um sonho. Olhava-a intensamente com uma expressão dolorosa, como se a qualquer momento ela viraria fumaça, o que a comoveu. Reunindo coragem, segurou seu rosto com as mãos e o beijou ternamente, saindo do carro antes que ele tivesse a chance de reagir.
Momento presente
Darumaya
Somente após ler todas as outras mensagens, Kyoko abriu as mensagens de Kuon.
4:30 - tenho uma confissão a fazer
4:30 - eu ainda não dormi esta noite
4:30 – nem pretendo
4:31 – estou assistindo todas as produções das quais você participou
4:31 – você está incrível, incrível!
4:32 – eu queria tanto te beijar agora
4:33 – estou bravo com Yuki por ter lotado minha agenda hoje
4:34 – ainda tenho muita coisa para ver
4:35 – e quero rever tudo com você, há muita coisa que quero perguntar
4:37 – seus amigos são realmente muito talentosos, há algo de especial na fotografia e na sonoplastia
4:39 – e os figurinos, também, são muito bem feitos
4:40 – e os efeitos especiais
4:41 – e os roteiros são muito intrigantes
4:42 – especialmente o curta-metragem que você dirigiu e os episódios que você escreveu
5:47 – estou encomendando seu livro pela internet
5:48 – as versões em inglês e francês, quero dizer
5:50 – porque estou imaginando que será mais rápido adquirir a versão em japonês diretamente na livraria
5:52 – preciso ir, daqui a pouco Yuki chega
5:52 – já estou com saudades
N/A – Kuon sendo um baka apaixonado, exatamente como Kuu é um baka pai! XD
Muito grata às pessoas que acompanham esta fic, a mim é uma agradável surpresa que alguém tenha realmente se interessado pelos meus desvarios XD
Um agradecimento especial às pessoas que comentaram, principalmente às "comentadoras oficiais" mutemuia e ktoll9!
Mutemuia, espero que a surra verbal de Kyoko tenha servido para aplacar um pouco da sua frustração com o fato de que Ootomo escapou com a reputação ilesa, mas como sempre, tenho um objetivo mais à frente a ser atingido.
Imagino que algumas pessoas estranharão o relacionamento dos dois já aparentar tanta intimidade, afinal, onde está o pedido formal de namoro? E a troca de 'eu te amo'? Tudo pro-po-si-tal! XD Beijos!
