Nota: Os personagens de Saint Seiya não me pertencem, pertencem ao mestre Masami Kurumada e empresas licenciadas. Fic sem fins lucrativos a não ser diversão. Feito de fã para fã.
"A Toca do Baco" a que me refiro nesse capítulo pertence à querida Dama9, minha miguxa querida, assim como Dionísio. Ela me permitiu um empréstimo, o que garanto devolver ao final dessa fanfic. Ainda se lembra né miga? XD
E valeu pelo puxão de orelha, tah? Haha graças a isso tem post novo! É, agradeçam a ela pelo post... rsrsrs
Obrigada: Srta. Hawkeye, P Shurete, Sah Rebelde, Flor de Gelo, Dama9, .Aguia, Isa San, Susan, Ephemerom, Aninhaloka e Luiza Carla Vicari pelos coments e por todo apoio para que eu continuasse a postar essa fanfic!
Uma boa leitura a todos!
Blue Sky
Capítulo X: Redenção
Kanon estava a ponto de adentrar a casa de gêmeos quando uma voz o interceptou. Era uma vozinha esganiçada, o que o fez fazer uma careta antes de se voltar para trás.
-Senhor Crisantys?
Era uma garota por volta de seus dezesseis, dezessete anos, pele dourada e cabelos negros encaracolados. Ela tinha um delicioso cheiro de flores silvestres recém colhidas. Mas o que mais impressionou Kanon foram seus olhos verdes, verde esmeralda. Um meio sorriso torto lhe curvou os lábios.
-Sim; respondeu-lhe Kanon e a garota voltou a falar com sua vozinha esganiçada. Como uma ninfeta como aquela podia ter uma voz tão medonha?
-A conta da floricultura e também da sua reserva; a garota lhe entregou o papel preso a uma prancheta. –As flores já foram enviadas ao seu destinatário senhor, crisântemos, como o senhor pediu. Ah e o convite para o jantar na Toca do Baco também já foi enviado junto das flores. Mesa para dois no terraço. Está tudo certo e reservado para essa noite, não há com o que se preocupar senhor, somos os melhores de toda a Grécia.
A garota sorriu, um sorriso que beirava entre o atrevido e o inocente, típico de uma ninfeta atrevida como aquela parecia ser. Ela era realmente linda quando não abria a boca. Kanon só não estava gostando daquele grande número de "senhores" dirigidos a si. Não era tão velho assim. Talvez perto dela o fosse, mas isso não vinha ao caso.
-Bem, eu não me lembro de ter feito reserva alguma e...
-Fui eu quem fiz.
Saga apareceu ao seu lado, sabe-se lá de onde e Kanon quase saltou tamanha surpresa. Havia saído do chão ou o que? Saga pegou o papel de suas mãos, o assinou e devolveu para a ninfeta junto do devido pagamento. Junto do papel havia mais notas do que Kanon podia supor que custasse um simples buquê de flores ou reserva em qualquer restaurante por mais caro que ele o fosse. Ai tinha... O irmão estava de fato tentando impressionar alguém e na certa não era o tipo de mulher que estava costumado a impressionar. Aquelas eram fáceis demais pra isso, bastava um simples tour pela casa de gêmeos e no fim acabavam na cama. Na cama de Saga. A dele era melhor. Ele sempre tivera o melhor, mas ele não precisava saber de pequenos detalhes como esses, não é? Aliás, se Saga soubesse que fazia coisas desse tipo na sua ausência ou então que às vezes ainda se passasse por ele, bem, aquilo não ia terminar muito bem. Nada bem, na verdade.
-Obrigada senhor Crisantys; a ninfeta lhe agradeceu num sorriso e então lhe deu as costas descendo as escadarias.
Kanon gritou:
-Você não me disse seu nome!
A garota se voltou para trás e riu, um risinho agudo e então correu escadaria abaixo feito uma coelha assustada. Saga revirou os olhos diante do sorriso bobo na cara do irmão que ainda acompanhava com os olhos a garota.
-Isso é crime, sabia Kanon? Aquela garota tem idade pra ser sua filha.
-Filha? –Kanon sorriu descrente. –Por acaso você não viu o tamanho dos...
-Me poupe Kanon! –Saga bufou ao ver o irmão gesticular em frente ao peito indicando o tamanho dos seios da garota. Deu-lhe as costas e começou a caminhar para dentro do templo.
-Hei, hei! Espera! –Kanon correu atrás do irmão. –O que significa isso? Hã?
-Significa... o que? –Saga suspirou cansado.
-Como, o quê? –Kanon gesticulou com ares de incompreensão. –Isso, e aquilo; o geminiano apontou para o recibo de pagamento nas mãos do irmão e depois para a ninfeta que sumia de suas vistas em frente ao templo.
-Isso; Saga sorriu. –Isso não é da sua conta, querido irmãzinho!
Kanon abriu a boca indignado, levantou o dedo em riste sem saber ao certo para onde apontar, mas não disse nada. O irmão lhe deu as costas, um sorriso triunfante no rosto e finalmente adentrou o templo.
-Ai tem, ah se tem...
Marin fitava o grande buquê de crisântemos, eles eram lindos. Não, magníficos. Não se lembrava de ter recebido flores tão belas antes, aliás, não se lembrava de ter recebido flor alguma antes, a não ser as que seus alunos vez ou outra lhe traziam. Era tão mais fácil treinar aprendizes hoje em dia. A relação mestre e discípulo havia mudado muito com o passar dos anos. Mas o caso era que aquelas flores... Não as deveria estar recebendo, não é?
-Saga... Será que você realmente não desiste? –Marin suspirou cansada enquanto punha as flores em um vaso com água.
Fazia quase um mês que ele vinha fazendo isso. No dia seguinte àquela discussão, uma flor. No segundo, duas. No terceiro, três. No sétimo... Enfim, e agora um buquê enorme como aquele? Sabia que era ele, ainda que as flores não tivessem sequer um bilhete ou coisa do tipo.
-Espera...
Dessa vez era diferente. Havia um bilhete e as letras garrafais ali eram facilmente reconhecíveis. Eram as mesmas que o via rabiscar nas muitas horas que haviam passado juntos na biblioteca organizando os arquivos do Santuário.
"Hoje à noite, na Toca do Baco."
O que o fazia pensar que iria, hã? Que aceitaria aquele convite? Ainda estava magoada com ele, ainda sofria com o fim daquilo, algo que nem ao menos tivera um começo, mas Saga insistia em tocar na ferida. Saga achava que teria volta, que teriam como recomeçar. Gostaria muito, do fundo do coração, que isso fosse possível, mas será que realmente o era? Uma vez alguém lhe dissera que o orgulho era o pior dos sentimentos para alguém apaixonado e agora via que isso era verdade. Não havia como negar o que sentia por ele, o quanto gostaria de sair correndo dali ao encontro dele, mas isso seria pisar em cima do seu orgulho. Ele havia se desculpado, estava sendo gentil e atencioso com aquelas flores, mas isso não apagava a desconfiança que tivera de si. Isso a ferira demais.
A amazona sentou-se desanimada sobre a cama, os olhos fixos no buquê de flores.
-Crisântemos? São minhas flores preferidas...
A Toca do Baco era um lugar agradável. Mais, era um lugar realmente propício para aqueles que desejavam o melhor. Há um certo tempo atrás, por mais incrível que pareça, Miro havia lhe indicado o local, mas na época Saga sequer lhe dera a atenção. Miro estava saindo com uma garota nova e, segundo ele, difícil. A artimanha do escorpião para fisgar mais aquela pobre coitada era impressioná-la. Miro lhe dissera que um bom jantar, num bom lugar, com um bom vinho e uma boa cantada seriam o incentivo que precisava para conquistar qualquer mulher, até a mais difícil delas. Resumindo, a bajule e encha de presentes para conseguir transar com ela. Saga achara aquilo ridiculamente machista.
Miro só queria sexo, mas daquela vez não queria sexo bom e fácil. Queria sexo bom e difícil. Meses depois bem sabia que Miro saia com outra mulher, se bem que, segundo as más línguas quem havia levado um fora havia sido o próprio Miro e não o contrário. Aquela havia sido a primeira vez que o Santuário presenciara o Casanova da oitava casa de fossa. Havia sido divertido, obviamente que não para Miro.
-Idiota! Você é mesmo um idiota, Saga! –Saga levou ambas as mãos ao rosto. –E você que tanto critica aquele artrópode está seguindo os passos dele? Seguindo o seu manual de instruções para conquista?
Não era bem isso, Saga bem sabia disso. Não queria simplesmente sexo, fácil ou difícil. Queria aquela mulher. Queria Marin. No fim a indicação de Miro valera a pena por um simples motivo, o lugar era realmente maravilhoso. A Toca era um lugar excelente para um pedido de desculpas e também algo à altura de Marin. Ela merecia o melhor, e o pub do Deus do Vinho era realmente o melhor de toda a Grécia.
Sim, Dionísio em pessoa era o dono da Toca. Quando fora até lá verificar se Miro dizia a verdade ou se aquele inseto havia levado um fora merecido por ter levado a ex-vítima para um pulgueiro de quinta ao invés de algo realmente impressionável, Dionísio em pessoa o atendera. Aquele homem distinto com seus cabelos cor de fogo, bem vestido e rodeado de belas ninfas havia até mesmo lhe ajudado a arquitetar o seu plano de redenção para reconquistar Marin. E por falar em ninfas, que Kanon não soubesse que aquela ninfeta morena era muito mais velha do que poderiam imaginar. Dionísio na certa não iria gostar de ter concorrentes caçando suas ninfas.
A Toca no geral, segundo Dionísio, era um lugar movimentado, tinha até mesmo uma pista de dança, mas Saga queria sossego, privacidade. O seu trato com Dionísio fora alugar o espaço todo para aquela noite.
"Ela realmente deve ser importante para você, meu caro."
Dissera-lhe o Deus, e estava certo. Ela era. Muito mais do que poderia imaginar. Saga ajeitou a gravata e o paletó. O salão tinha luzes baixas que refletiam formas bruxuleantes sobre o piso lustroso. Havia investido, havia posto suas últimas cartas ali, só esperava que ela pelo menos o ouvisse dessa vez. Se ainda sim ela não o perdoasse, iria deixá-la em paz, por mais que isso lhe ferisse.
Saga se aproximou da mesa do lado de fora da Toca, a que ficava no terraço. A noite era clara e fresca. O geminiano se debruçou sob o alpendre e suspirou fitando a noite. Agora dependia somente dela.
Marin escovava os cabelos quando repentinamente parou em frente ao espelho do guarda-roupa. Havia acabado de sair do banho e se preparava para dormir, mas o reflexo do vaso de flores do outro lado do quarto no espelho a fez ponderar. Decidira que não iria se encontrar com ele, mas... Então por que raios ainda guardava aquelas flores? Todas elas?
A amazona deixou-se cair sentada sobre a cama. Seu rosto no espelho não conseguia esconder seus reais sentimentos. Queria ir até ele, mais do que tudo. Não sabia ao certo onde era a tal da Toca, mas havia um endereço atrás do bilhete. Isso não seria um empecilho, mas... E o seu orgulho? Passaria por cima dele?
Não era fácil simplesmente pisotear o seu orgulho ferido, mas pior ainda seria continuar naquela agonia. Precisava dele. Sentia mais falta dele do que pensaria que fosse sentir. Perdão certamente não era algo fácil de conceder ou então de se receber, mas Marin bem sabia que devia repensar sua conduta. Ele estava errado sim, mas se recordar que tantas vezes mais ele fora julgado e condenado sem direito a defesa...
Não queria ser considerada mais uma de seus algozes!Era algo diferente, sabia isso, mas da mesma forma que muitos fizeram no passado também o estava julgando e condenando. Não queria condenação. Queria absolvição, tanto quanto ele o queria.
Decidida, a amazona se levantou e rumou até o guarda-roupa fechado.
Ainda daria tempo se corresse. Corresse contra o tempo, corresse contra o orgulho.
Um homem que pecou demais, ainda que se arrependesse de seus pecados, certamente não poderia ter um final feliz, não é? Saga havia chegado a essa conclusão quando a noite avançou e ainda se via só naquele salão. Dizem que as pessoas aprendem com seus erros e que seus tropeços são remediados aprendendo a andar com firmeza num futuro não muito distante, mas para Saga, talvez nem todos tivessem a mesma sorte ou então sabedoria para isso. Sua vida toda fora um engano atrás de outro, um tombo atrás de outro, e ao invés de aprender com seus tropeços era como se retrocedesse e voltasse a engatinhar.
A forma como tudo aconteceu com Marin havia sido um de seus piores tropeços. Uma mulher como ela não podia ter sido tratada daquele jeito. Jamais. Ela estava certa em nunca mais querer vê-lo em sua frente.
-Saga?
O geminiano se voltou surpreso para trás. Entre as luzes bruxuleantes do salão havia a flor da noite, resplandecendo beleza e luz. Ela era luz de que tanto precisava para sair do escuro.
-Marin?
A ruiva segurava uma pequena bolsa de mão na frente do corpo e vestia um vestido branco discreto até a altura dos joelhos. Ela estava linda, seus olhos azuis como o céu claro de verão. Saga se permitiu um meio sorriso, o que lhe foi retribuído pela amazona. O geminiano se aproximou dando a volta pela mesa na varanda. Marin apenas o fitou em silencio.
Quando enfim ele se pôs a sua frente, o terno escuro e bem cortado o deixava ainda mais irresistível, mais do que Marin supunha que ele o fosse. Suas mãos se apertaram nervosamente contra as alças da bolsa.
-Obrigado por ter vindo; disse-lhe Saga.
-Eu, bem; começou a amazona olhando para os lados. –Eu estou me sentindo estranha, deslocada nesse lugar. Estava certa quando pensei que certamente não possuía nem ao menos uma roupa adequada para freqüentar um lugar como esse e...
-Você está linda, como sempre; Saga a cortou e a amazona sorriu voltando a lhe fitar nos olhos.
-Obrigada, mas eu sei que devo estar parecendo a gata borralheira na festa do príncipe após a meia noite.
-Não há nenhum príncipe aqui Marin, só um homem desesperado por perdão... Pelo seu perdão.
Os olhos azuis e tristes do cavaleiro a hipnotizaram por alguns instantes até a amazona conseguir libertar-se deles. Eles tinham esse estranho poder sobre si.
-Bem, então essa é uma reunião para plebeus fantasiados como se fossem a elite na corte real; sorriu a amazona se aproximando da mesa. Saga a seguiu de perto e lhe puxou a cadeira antes que a mesma se sentasse. –Obrigada.
-Talvez o rato queira se tornar príncipe; disse-lhe Saga depois de dar a volta e se sentar do outro lado.
Seus olhos mais uma vez a fitavam com intensidade, uma melancólica intensidade, a mesma que tanto inquietara Marin por tanto tempo. Era como se ele sempre fosse assim, que em seu âmago ele sempre fosse assim. Aquilo a incomodava, agora muito mais, porque sabia que era parte daquela aura triste. Era mais uma ferida para ele, e ele para ela. Os deuses de fato parecem gostar de brincar com as frágeis vidas humanas não? Entrelaçar o destino das pessoas ao seu bel prazer e depois simplesmente cortar os fios? Será que isso era divertido para suas mentes imortais?
Céus! Como queria a ajuda deles, sua mão divina lhes dando um empurrãozinho para resolverem aquilo tudo, pelo menos dessa vez. Seria tão mais fácil, mas bem sabia que era parte do humano ser forte para solucionar seus problemas fossem quais fossem, independente da intervenção divina dos deuses.
-Saga.
-Marin; o cavaleiro buscou a mão da amazona sobre a mesa. Cobriu-a com a sua e se alegrou quando ela não o repeliu. –Eu sei que repetir que estou arrependido ou ter arrumado tudo isso aqui não vai apagar o que eu te fiz, mas eu queria que você soubesse que é verdade. Que eu estou sim arrependido, muito mais do que possa imaginar, e também que...
-E também que? –indagou a amazona instigando-o a continuar.
-Que...
-O menu, senhor; a ninfa morena apareceu com a cartela de pratos servidos na Toca e lhes entregou. Saga gostaria de saber de onde raios ela havia vindo. Dos confins da terra? Aberto um buraco e saído do chão?Aquela definitivamente não era a melhor hora. –Quando escolherem é só pedir; completou a ninfa e então se retirou.
Marin pegou o seu menu e o folheou, sorriu contra a caderneta ao ver a expressão sisuda do cavaleiro fitando a garçonete. Poderia jurar que ele estava resmungando algum impropério consigo mesmo.
-Um tanto jovem essa garota para trabalhar aqui não acha? –indagou a amazona e o cavaleiro finalmente voltou a lhe fitar.
-Ao contrário; disse-lhe Saga ainda de cara amarrada. –Provavelmente ela é mais velha que eu e você juntos, ou melhor, mais velha que o próprio mestre Dohko e suas centenas de anos.
-Como disse? –Marin indagou surpresa.
-Ela é uma ninfa; completou Saga.
-Ninfa? –indagou Marin balançando a cabeça. –Miro me disse que a Toca era propriedade de Dionísio, mas eu achei que fosse brincadeira.
-Não. É verdade, dessa vez aquele inseto disse a verdade; Saga tentou controlar o seu tom de voz, afinal a idéia de que Miro fazia brincadeirinhas idiotas com Marin não lhe agradava nem um pouco. Sabia muito bem o teor das brincadeirinhas de Miro.
Marin sorriu.
-E então, o que me sugere pedir? Não tenho o costume de freqüentar lugares como esses.
-Bem, eu acho que...
-Thalia!
-Sim, meu senhor; a ninfa morena se curvou ao Deus do vinho. A divindade andava atarantada de um lado para o outro atrás do balcão. Dionísio estava nervoso, Thalia bem sabia.
-Raios! Aquele idiota já ia botar os pés pelas mãos, não ia? Mortais... Parece que vivem com pressa? Baka! Não se pede desculpas desse jeito a uma mulher. Elas precisam ser adoradas e enlevadas antes de nos desculparmos pelas besteiras que fizemos. É preciso preparar o terreno antes. Será que os cavaleiros de Athena são realmente um bando de estúpidos quando o assunto é mulher? Enfrentar meus irmãos e pai parece ser tarefa melhor para eles, infinitamente mais fácil. Bem me lembro daquele grego de escorpião em sua última passada pela Toca. Espero ter lhe ajudado a ser menos idiota com meus conselhos. Mulheres são flores delicadas e frágeis, mas quando estão com raiva ou magoadas são mais perigosas e temíveis que um leão faminto.
-Tem razão, meu senhor; concordou a ninfa escondendo um risinho entre as mãos.
-Vamos, Thalia! Fique de olho e não permita que aquele idiota apaixonado peque de novo. Essa noite tem de ser perfeita. E agora entendo o porquê ele tanto quer o perdão daquela mulher. Ela passaria muito bem por alguma de vocês, tamanha beleza.
-Sim, meu senhor; disse-lhe Thalia antes de sair.
Os olhos do Deus se fixaram na amazona e no cavaleiro, eles conversavam. Isso era bom. Dionísio voltou-se para o céu de braços abertos, numa espécie de prece.
-Que os deuses os ajudem...
A jantar havia decorrido da melhor forma possível, muito melhor do que Saga esperava que pudesse ser. A comida era boa, o vinho também e haviam conversado bastante ainda que fosse sobre coisas banais e não o que de fato precisavam conversar. Era difícil de acreditar, mas havia até conseguido arrancar alguns sorrisos dela. Somente isso bastaria para lhe fazer feliz, mas tinham de por os pingos nos "is" ainda que aquela fosse a parte menos agradável daquela noite.
-Marin; chamou-lhe Saga, a ruiva bebericava o seu último gole de vinho. Ela depositou a taça sobre a mesa e o geminiano continuou. –Essa noite foi mais agradável do que eu esperava que fosse, mas você sabe o porquê pedi que viesse até aqui.
-Sim, sei; disse-lhe Marin e simplesmente o aguardou continuar.
-Eu gosto de você Marin, muito mais do que gostei de qualquer mulher em toda a minha vida e por isso mesmo isso me dói tanto. Dói demais pensar que magoei você, feri você, quando você é tão importante pra mim.
-Saga; começou Marin, mas Saga a calou com um aceno de mão.
-Por favor, me deixe terminar dessa vez; pediu Saga e ela assentiu. –Não é de hoje que eu a observo, eu sempre te observei, de longe, como alguém intocável. Quando você começou a me ajudar com a papelada do Santuário e começamos a nos conhecer melhor, eu só confirmei o que eu já sabia, que você era uma mulher admirável, mas que eu podia sim tocar se quisesse. Você era real; nesse instante o geminiano fez uma pausa fitando as próprias mãos. –Eu fiz muita besteira nessa vida Marin, e como mestre do Santuário, minha atual posição, eu não podia fazer outra, entende?
-Quer dizer que eu era uma bobagem pra você? É isso?
-Não, quer dizer que eu não queria te incluir nessa minha vida cheia de bobagens e pecados sem perdão; continuou Saga diante do olhar sério e rijo da amazona. –Você é tão diferente de mim... Eu não podia pensar em você como eu estava pensando. Como eu penso. Uma mulher como você merece um bom homem, alguém digno e que não tenha um passado como o meu para se envergonhar. O Aiolia é um bom homem, é honrado como poucos, e por isso mesmo, o idealizei como o homem perfeito pra você. Ele te merecia, eu não. Mas sabe, pensar e idealizar não é o mesmo que vivenciar as coisas.
Marin piscou confusa ao ver um meio sorriso triste curvar os lábios do cavaleiro.
-Eu não me achava digno para ter você, mas ainda que eu achasse que o Aiolia o era, pensar nisso como uma real possibilidade me corroeu por dentro. Isso me cegou, o ciúmes e a inveja me cegaram Marin, e eu tive medo.
-Medo?
-Sim, medo. Medo de perder você e medo de sucumbir àquele outro eu do passado, aquele que eu jurava ter enterrado ao renascer nessa nova vida...
-Saga? –Marin aproximou-se, arrastou ruidosamente a cadeira para perto do cavaleiro e não se importou com isso. Ele jazia cabisbaixo fitando o chão. –Aquele homem... Aquele homem já não existe mais, você sabe disso. Eu sei disso; completou a ruiva, mas o geminiano não a fitou.
Marin lhe tocou as mãos, elas jaziam frias e rijas.
-Saga? –a amazona o chamou mais uma vez e ele enfim a fitou.
-Eu queria que as pessoas esquecessem aquele homem. Sei que isso não é possível, mas queria que pelo menos elas tentassem conhecer quem eu sou agora, entende? Se me derem essa chance, talvez entendam quem foi aquele homem e os erros que ele cometeu. Os erros que ele ainda comente... Eu não sou perfeito Marin! Eu sangro, eu choro, eu peco, ainda que não quisesse nada disso. Eu queria... Eu queria apenas poder te amar, te amar sem me sentir culpado por isso, mas talvez eu sempre me sinta assim porque eu te feri e provavelmente voltarei a te ferir mais vezes se você estiver do meu lado.
-Saga...
A ruiva murmurou num tom baixo de voz, a verdade era que não sabia o que lhe dizer. Pela primeira vez sentia que ele se abria consigo. A raiva? A mágoa? Aos poucos Marin sentia cada um desses sentimentos se distanciarem de seu coração.
-Eu a quero do meu lado, mas ao mesmo tempo preferia tê-la longe porque eu não vou conseguir me perdoar se eu te ferir mais uma vez; completou Saga.
A amazona sentiu seu coração apertado e duas lágrimas solitárias rolaram por sua face. Marin simplesmente não as conseguiu impedir. Saga voltou a sorrir com tristeza.
-Viu só? Era exatamente isso que eu estava dizendo, exatamente isso que eu queria evitar e...
-Saga; foi a vez da amazona o interromper. –Sabe o que realmente me magoa? – o geminiano fez que não com a cabeça e a ruiva continuou. –Saber que você está sofrendo tanto quanto eu. Nós não precisamos passar por isso.
-Marin...
-Eu quero te conhecer, Saga. Quero conhecer você como você diz não ser conhecido pelas pessoas. Eu sei quem você foi, sei quem você é, mas talvez haja facetas suas que eu de fato desconheça. Há muitas minhas que você também desconhece. Acredite, eu sou tão falha quanto qualquer pessoa, nunca fui alguém intocável ou melhor que ninguém. Eu também erro Saga, também já errei nessa vida. Todos nós erramos, até mesmo os deuses erram. Acho que já te disse isso uma vez, mas repito, você não é um deus, tão pouco um demônio. Você é um homem e é esse homem que eu quero ter a oportunidade de conhecer, isso se você permitir.
-Marin, isso é tudo o que mais quero, mas; Saga estava feliz e ao mesmo tempo surpreso. –Será que...
-Sem "serás" Saga. Sem talvez. Vamos apenas viver um dia de cada vez, ok? –Marin interveio. –Vamos conhecer um ao outro antes de qualquer coisa, porque só então seremos capazes de saber se aquilo que tivemos valeu à pena, se vale à pena cultivar esse sentimento.
-Ok, um passo de cada vez, mas... Marin?
-Sim, Saga; a ruiva ainda achava o tom do cavaleiro melancólico demais.
-Isso quer dizer que me perdoa? –indagou-lhe Saga.
Marin sorriu e Saga sentiu-se confuso. Seu gesto a seguir porem o confundiu muito mais. A amazona se aproximou e o abraçou apertado.
-Você não precisa de perdão Saga; a ruiva murmurou em seu ouvido e então se afastou.
-Obrigado, Marin.
Saga sentia o seu coração mais leve. Aquele doce sorriso nos lábios da amazona eram um verdadeiro bálsamo para si. Suspirou aliviado e então se aproximou, se aproximou em direção aos lábios da amazona, mas repensou o ato e mudou sua trajetória. Beijou-lhe o topo de sua cabeça. Não podia errar mais uma vez, não dessa vez. Um passo de cada vez, ela lhe dissera.
-Obrigado, de verdade; completou o geminiano.
Marin sorriu.
"Bobo! Quero te conhecer melhor, mas as partes boas que já conheço... Eu quero continuar desfrutando delas enquanto conheço as que ainda me são ocultas..."
A amazona voltou a se aproximar e então colou os lábios sobre os do cavaleiro. Saga piscou confuso, mas tão logo se deixou levar por aquela adorável e inesperada surpresa. Não muito longe dali Dionísio batia palmas extasiado e louvava aos céus.
Continua...
N/a:Mil perdões pela demora e que demora, eu sei, mas falta de inspiração, as reviravoltas que a vida da gente dá, enfim, não são desculpas, mas são a verdadeira causa da demora na postagem. No mais, espero que tenham curtido mais esse capítulo. Ah, e, obviamente, espero um "alô" de vocês, caso ainda me considerem digna de um alô. A fanfic está em reta final, mais um, no máximo dois capítulos. Se puderem, cliquem naquele botãozinho ali embaixo, sim? Esse pequeno gesto, garanto, leva as ficwriters às alturas! ^^
Bjus e até a próxima!
Juro, dessa vez vocês vão me ver logo, antes do esperado... rsrsrs
Ja ne! *-*
