VIII – Afraid (Parte II)
POV Matt
A tarde passou muito bem. Amava o sorriso daquela garota, seu doce e quente cheiro, um cheiro único, especial, e equilibrado, um cheiro que eu reconheceria a quilômetros de distância, eu amava aquele cheiro. Amava aquele jeito de ser que ela tinha. Seu bom e seu mau humor, seu jeito meigo, mas que quando era preciso, tornava-se firme em questão de segundos. Eu a amava por completo. E ela era minha totalmente minha.
Meus amigos faziam gracinhas, e todos ríamos, estávamos nos entendendo muito bem. Era bom que convivêssemos, formaríamos uma grande família. E claro que estávamos convivendo bem, havíamos nascido um para o outro, não havia dúvida.
No fim da tarde, Bea e sua incrível Ferrari foram buscar a Blue, ela havia ido a La Push falar com Joseph, o Alpha, sobre os Volturi que andam rondando a Península Olympic. E claro que Hinata não sabia, queríamos protegê-la, não preocupá-la.
Naquela noite, a ronda era minha e de John. Gostava de sua companhia, ele era meu melhor amigo. Corri de casa até certa parte de bosque, já tirando a bermuda estropiada e deixei o fogo percorrer minha espinha. E num espasmo, caí em quatro patas, estava livre. Ainda pensava naquela tarde, e na alegria nos olhos de Hinata, quando apresentei-a oficialmente como minha namorada ao bando.
''Nada de pensamentos pervertidos! Eu sei que ela é linda, mas temos que nos concentrar!'' John me advertiu. Nem havia percebido que ele estava lá já.
''Desculpe, é tudo novo. Você sabe.'' Tentei me desculpar, mas não adiantaria.
''Não adiantaria mesmo!'' John me respondeu, e começou a ladrar uma risada. Aquilo ainda era estranho. E eu ri junto.
''Corrida?'' Caminhávamos lado a lado, apreciando a floresta e seus animais.
''Claro!'' Ele concordou, com certeza, não queria ficar parado.
Depois de dar algumas passadas mais largas nos alongando, fizemos a contagem. Dei dois segundos de dianteira pro meu amigo, mas rapidamente, consegui alcançá-lo. Eu era o mais rápido do bando.
Corremos feito loucos, o vento batia em meus pelos, aquela sensação de liberdade, de poder voar. Eu amava aquela parte de ser lobo. Toda aquela liberdade, me fazia sentir revigorado. O vento em meu focinho, o cheiro da mata quase nada explorada. Era tudo ótimo. Fazia parte de mim.
'' Ei seu bicha! Não se solta não cadelinha!'' Acho que queria matar o John.
'' Amigo, se eu te pego, eu te mato!" Dei uma risada, e nos colocamos a correr mais rápido.
Corremos todo o perímetro de La Push, e quando estávamos quase na fronteira mais perto da casa das Cullens, resolvi ver Hinata. John ficaria bem, e eu não precisaria me transformar para conversar com ela.
As coisas estavam boas para mim. O rastro de Blue estava próximo, ela estava na mata. Aquele cheiro doce e quente, floral, delicioso, seguia mata a dentro. Fui atrás dela. Alguns quilômetros depois, senti outro cheiro. Dessa vez muito gelado, e extremamente doce. Meu nariz ardeu em resposta a fungada que dei no ar.
Era um vampiro. Tive medo. Ela deveria estar sozinha.
Me coloquei a caça de minha amada. Ela tinha que estar segura. Era meu dever protegê-la.
Corri o máximo que pude. E pude perceber, que havia mais um fraquíssimo traço de cheiro de vampiro. Mas era um cheiro diferente. Muito... Feminino.
Os galhos soltos ricocheteavam em meu pelo, muitas vezes cortando minha pele grossa, mas depois de alguns poucos minutos, já estava em perfeito estado. Era mais algo muito legal em ser lobo.
Vi uma clareira, e me escondi atrás de uns arbustos, ficando invisível. O cheiro de vampiro estava muito forte. Minha garganta e meu nariz arderam. E senti também o cheiro da minha mestiça. Preocupado, fiquei olhando a cena. Ela estava caçando, e o vampiro se aproximava sorrateiramente dela.
- Hinata, prazer em te ver aqui. - Seria também um prazer incrivel te matar seu sanguessuga fedorento filho de uma mãe!
Meus pensamentos iam a milhão. E a conversa que se seguiu não foi tão boa. Tive certos problemas com meu auto-controle quando aquele vampiro nojento criticou a amizade do bando com as Cullens.
Mas de repente, a cena mudou, minha raiva explodiu subitamente dentro de mim. Eu queria atacar, mas não podia. Me senti preso ao chão. E o vampiro, Gramps, esse era o nome pelo qual Hinata o chamou, se aproximou de minha garota, eu sabia o que ia acontecer, mas eu não podia deiar. Eu estava congelado em meu lugar. A brisa soprou leve. Era como se eu estivesse em camera lenta. Meu peito parecia que ia explodir. A dor tomou conta de mim, quando vi aqueles lábios macios e quentes, beijando um sugador de sangue. Um assassino. Abruptamente a mestiça empurrou Gramps para longe, quando escutou meu ganido de dor. Era quase insuportável. Mas eu tinha que conseguir. A raiva me consumia por dentro.
Eu não era mais eu. Eu era um lobo. Guiado por meus instintos.
"Matt, não!" Fingi que não ouvi meu irmão me advertindo mentalmente.
Simplesmente pulei em direção ao pescoço do imbecil, que estava se colocando de pé. Meu corpo era enorme perto do dele. Pulei derrubando-o com gosto. E arranquei um de seus braços. Ele não lutou. O que me fez me sentir pior.
NÃO! - Finalmente caí em mim. E percebi o que havia feito. Senti nojo de mim na mesma hora. Soltei o vampiro. E fitei Hinata, com meus olhos pesados de dor e culpa.
"Eu já volto". Ela assentiu com a cabeça, e eu me encaminhei pra detrás das arvores.
Me transformei e vesti a bermuda surrada. Voltei e tentei falar normalmente, sem nenhum resquício dos meus sentimentos maltratados. Minha expressão era dura e fria. Simplesmente saí, advertindo sobre o Volturi em nossas terras, e se ela queria protegê-lo, que o levasse para longe de La Push.
Não suportaria magoá-la. Eu não resistiria e morreria também. Estava passando ao lado do vampiro, e sorri ironicamente pra ele. Ele não sabia com o que estava se metendo. Ele não conhecia o novo bando de La Push.
Nem me dei ao trabalho de tirar a bermuda, só explodi, a dor era mais fácil de administrar quando éramos lobos. Várias vozes mentais gritavam em minha cabeça, me culpando, me julgando. Só uma pessoa não me culpava. John. Ele era meu melhor amigo. Ele nunca me julgaria.
Depois de tantas vozes e aquela loucura, permaneci em silencio. Joseph, nosso Alpha, decidiu então, ir pra casa das Cullens, verificar a situação. Eu queria matar aquele vampiro.
Tomei cuidado com meus pensamentos. Assenti as ordens do lider, e lá fomos nós.
