Disclaimer: O de sempre. Ainda não é meu. Estou me divertindo.
Capítulo 06 Por um beijo seu
A partir deste momento, enquanto eu viver ...
Eu sonhei e esperei
Por seu amor.
E o meu coração se acostumou
A sonhar com você.
E de repente eu te encontrei.
Eu vi no seu olhar
A paixão
Que eu sonhei pra mim.
Quando eu te vi
Acreditei
Que o amor
Não era só um sonho meu.
Eu acordei
E o mundo inteiro acendeu,
Não pára de brilhar.
E o meu olhar só vê o seu.
Eu encontrei
Meu grande amor.
Pode chover, o céu cair,
Que nada vai tirar o que eu guardei
Dentro de mim
É só pensar em você,
No amor que guia os nossos corações
Se o mundo te escondeuPor trás de muros e prisões.
Te encontrarei!Meu grande amor.
Só os tolos podem pensar,
Que o amor se deixa enganar
Nada poderá
Mudar os rumos da paixão.
Foi ele que nos escolheu.
Não foi você nem eu.
Grande amor.
Aconteceu.
Estava escrito assim.
Eu em você,
Você em mim
Eu te encontrei.
Meu grande amor.
***
Teve tempo para se acalmar no banho demorado.
Ela pensou na urgência dele. Podia até tentar entendê-la.
Mas que ele era um bastardo. Era.
Ela saiu dez minutos mais cedo.
Lupin estava chegando no corredor.
- Nossa! Você foi pontual! – ele brincou – O que aconteceu?
- Um cretino. – ela murmurou, passando a mão entre os cabelos.
- Então aconteceu alguma coisa. – ele ficou mais sério.
- Não vou poder andar com você. – sentiu por decepcioná-lo - Terei que ir para as masmorras. Agora. Não pergunte porquê.
Ele digeriu.
- Não vou perguntar porquê.
- Obrigada. Eu realmente agradeço. Vamos.
- É uma pena que ele vá desfrutar do seu cheiro de violetas. – falou baixinho.
Pela primeira vez ela se preocupou. Franziu a testa. Não queria magoá-lo.
Se pudesse escolher, ela teria preferido gostar dele. Mas não podia.
- Ele não vai desfrutar de nada. – moveu a cabeça – talvez minha raiva.
Lupin riu.
Ela suspirou. Ia ter que pensar no que fazer mais tarde. Era uma pena. Ela gostava de estar com ele.
Eles falaram pouco. Rememorou o caminho. Era diferente percorrê-lo de dia.
- Tem certeza de que não quer que eu venha buscá-la mais tarde?
- Tenho.
- Também não quer que eu a leve até a porta?
- Não. – ela se virou para ele – Por favor entenda, já é difícil o suficiente.
- Eu sei. – ele suspirou - Mas eu ficarei aqui até você entrar.
- Não precisa. Ele late mais que morde.
Ele riu do comentário.
- Bem, então nosso passeio fica para amanhã?
Ela hesitou. Virou-se para ele.
- Eu sinto muito. – precisava fazer isso - Provavelmente as coisas não estarão melhores.
Ele disfarçou.
- Não se preocupe. – sorriu – Eu entendo.
Ela ficou triste. Ele tinha um sorriso tão doce.
- Até mais.
- Até mais.
Ela andou em direção à porta.
*****
Severus estava separando alguns pergaminhos. Percebeu que não estava mais sozinho.
- Olá Barão. – não desviou os olhos.
- Eles estão vindo para cá, Severus.
- Eles? – estranhou.
- O Lupin e a trouxa.
Parou o que estava fazendo. Franziu a testa.
- Ela viria.
O Barão mudou de lugar. Pairou acima da escrivaninha.
- Ela disse ao Lupin que não precisava que ele a protegesse. Que você late mais que morde.
Severus fechou as mãos. Estava furioso.
- Obrigado Barão.
****
Bateu na porta. Foi aberta quase imediatamente.
- Entre. – ele comandou.
Sequer comentou o fato de ela estar adiantada.
Ele parecia furioso.
- Está tudo ali. Pode começar.
Nem mesmo a cumprimentou. Estava com fome. Tentou ignorar isso.
Respirou fundo. Não ia deixar que ele estragasse o pouco de calma que ela adquirira.
Havia duas escrivaninhas. Uma maior cheia de pergaminhos e outra menor. Tinha tinteiro e penas.
Os livros e os registros estavam no malão aberto. A cadeira da menor não era muito confortável.
Suspirou.
Sentou-se e começou a trabalhar.
Ele voltou. O cheiro de violetas o golpeou. Lupin tinha razão. Sentou-se.
- Você fica com os do quinto ano.
Ela levantou a cabeça. Contou até dez. Trocou de livro e de registros.
Depois de um tempo o estômago dela a traiu.
Ele a olhou. A testa franzida com a interrupção.
- Desculpe! Estou com fome. Eu não comi nada. – molhou a pena com raiva.
Ele suspirou. Levantou-se e foi para uma porta ao lado.
Voltou, sentando-se sem dizer nada.
Ela concentrou de novo.
Uma batida na porta.
Ele foi atender. Trouxe com sanduíches e chá.
- Talvez agora possamos trabalhar em paz. – disse colocando a bandeja na escrivaninha.
Pensou em não agradecer.
- Obrigada.
Largou a pena e pegou um sanduíche. Bebeu chá.
Ele comeu um. Voltaram ao trabalho sem se falar.
Não viu quanto tempo tinha se passado. Mas era muito.
Tinha se esquecido de tudo concentrada no trabalho.
Viu-o massagear a nuca insistentemente.
Ficou hipnotizada. Um sentimento morno.
Sorriu. Ele era humano afinal.
- Você está cansado. – falou suavemente.
Não era uma pergunta. Era uma constatação.
- E o que quer dizer com isso? – a voz cansada, quase impaciente - Espera ser dispensada?
Um bastardo.
Ela esperou. Ele olhou-a.
Viu que os olhos dela brilhavam. Decididos.
- Não sou um de seus alunos, professor Snape. – falou com calma, firme - Não pode me dar detenção. – encarou-o – Ou me obrigar. Estou aqui por que quero.
Ele parou. Abaixou a mão. Ela viu uma sombra de surpresa fugidia.
Ele refugiou-se na ironia.
- E por quê você... quer? – ele levantou uma sombrancelha.
Não se intimidou. Tinha visto o lado humano dele. Não ia perder isso.
- Por que eu sei o que você está fazendo. As informações sobre os alunos. Sei porquê. – ela não deixara de olhá-lo nem por um segundo.
Ele estava atento. Contrariado por ela fazê-lo buscar cada resposta.
- E por quê seria? – um meio sorriso debochado.
Ele cruzou os braços no peito.
- Por que você se importa. Você deixa que os Sonserinos façam o que querem. Retira pontos das outras casas. Lhes dá... apoio incondicional. O que a maioria nunca teve. – sentia-se bem em falar – A maioria sempre foi "ovelhas-negras". Você faz com que confiem em você. Com que tenham com quem contar.. – os olhos brilhantes - E você ama poções, professor. Então eles percebem que há coisas que merecem ser amadas. Conhecimento. É isso o que você realmente lhes dá. Uma luz. Uma estrada. Provavelmente teve oportunidade de desviar muitos deles de serem comensais. Você pensa que esta é sua penitência. Eu penso que é sua missão.
Ele estava imóvel, agora. A máscara não caíra. Mas os olhos brilhavam.
- Esta é uma maneira, no mínimo, - ele falava devagar - fantasiosa de ver as coisas. Tola. – tentou soar irônico - Mas eu admito, diferente.
Ela não disse nada. Ele moveu a cabeça. Os olhos presos.
- Não me admira que quase todos os nascidos trouxas vão para Griffindor. – ele provocou.
- Nem todos os sonserinos são puro sangues, - falou devagar - professor Snape. – ela rebateu.
Ficou calado um segundo. Levantou-se e fechou seu livro com um barulho.
Ela fez um ponto. Quase sorriu.
- Eu acredito que terminamos por hoje. Devolverei os livros amanhã de manhã. Vamos.
- Eu ainda não acabei com os do quinto ano.
- Deixe. Vamos. – ele foi em direção à porta.
Parecia querer se livrar dela o mais rápido possível.
Ela suspirou. Colocou a pena no lugar. Levantou-se.
****
Eles andavam em silêncio. Estava escuro lá fora. Devia ser quase dez. Não admira que estivessem cansados.
Agradeceu mentalmente não ter que fazer o caminho sozinha.
Respirou o ar puro.
Olhou a escuridão. Lembrou-se de outra noite assim. Ali perto.
Ela o tinha acusado. Tinha dito que ele não se importava.
Suspirou. Tinha pensado muito sobre isso.
Bom, ele se importava com os sonserinos.
Arriscava sua vida. Por todos eles.
Se isso não o redimia. Ela não sabia o que o faria.
Sentiu um aperto. Imaginou se ele se lembrou.
- É intrigante, Srtª. Ventur. Você alterna longos períodos falantes com outros de silêncio.
Pensou se devia ignorá-lo. Resolveu que sim.
Eles chegaram à sua porta. Carvão que brilha.
- Sã e salva. – ele debochou - Como vê estava certa: eu lato mais que mordo.
Ficou muda. Ele não esperou resposta. Foi embora.
Estava empatado.
*****
Sexta-feira.
Encontrou os livros e os registros no lugar. Como ele arrumava tempo?
Bocejou, cansada. Era melhor começar logo.
*****
Suspirou frustrada. Minerva tinha precisado dela. Não teve como explicar sobre os registros.
Não ia conseguir terminar tudo a tempo.
Evitou praguejar. Estava ficando com a boca tão suja quanto a dele.
Tinha pedido á professora Minerva que o mandasse seu almoço.
Ia tentar deixar o mínimo possível para trás.
Quanto mais cedo acabasse aquilo, melhor.
Não sabia se agüentava outra noite como aquela.
Principalmente quando não conseguia dormir pensando nele.
Ficou com raiva de si mesma.
****
Ele chegou às cinco em ponto.
Cruzou os braços ao vê-la escrevendo ainda.
- Então?
Respirou fundo. Passou a mão entre os cabelos. Contou até dez.
- Não está pronto. Minerva precisou de mim.
- Sei.
'E você está adorando isso!'Ela não disse nada.
- Então o que sugere?
Não agüentou mais. Levantou-se. Virou-se para ele.
- Eu estou cansada. Almocei aqui. Tentei passar seus malditos relatórios o mais rápido possível. Não consegui. A professora Minerva...
- Precisou de você. Já disse isso.
Ele não estava ajudando.
Contou até dez de novo.
- Eu o encontrarei em sua sala em no máximo uma hora. – encerrou a discussão.
Levantou-se guardando suas coisas. Ignorou-o.
Foi embora deixando a sala para ele fechar.
Que ele resolvesse sozinho.
'Seboso.'
****
Forçou-se a comer alguma coisa antes de ir. Não queria outra cena como a de ontem.
Tentou relaxar ao entrar no banho. Suspirou.
No fundo ela sabia que ele tinha razão.
Não importava os motivos. Ela tinha dito que entregaria e não o fez.
Pensou que deveria ser mais... condescendente.
Afinal, apesar de sua reputação, ele tinha agido corretamente.
Quase.
Tudo seria diferente se ela fosse uma bruxa.
Lembrou-se do que tinham conversado na noite anterior.
Ele merecia respeito. Admiração. Ele era...
Sentiu intensificar nela o sentimento. O mesmo que ela tentava combater.
Encostou a cabeça no azulejo e chorou.
'Eu não quero gostar de você. Por favor não seja bom. Me ajude a não...'
Sacudiu a cabeça. Sentiu o frio dos azulejos contra sua mão.
Tentou se controlar. Não tinha a prerrogativa de usar feitiço para disfarçar lágrimas.
E ela ainda teria que enfrentá-lo.
Penteou o cabelo.
Não conseguiu combater a tristeza. Estava no lugar errado. No tempo errado.
Sentiu-se pequena. Sozinha.
Olhou-se no espelho. Ia chegar atrasada.
'Dane-se.'
Isso não melhorou nada.
*****
Ele abriu a porta. Ela passou por ele sem falar.
O mesmo perfume. Quase resmungou. Ia ficar espalhado pelo lugar de novo. Mesmo depois que ela saísse.
Notou os movimentos vagarosos.
Franziu a testa. Alguma coisa estava errada.
Sentou-se. Não se falaram.
Percebeu pelo canto do olho que ela parava toda hora. Como se tentasse se lembrar do que estava fazendo.
Já havia se passado meia hora de silêncio.
Ele a observou. O rosto estava diferente.
Ela parecia... triste.
Isso era novo.
Ela estava sempre pronta para brigar. Atenta. Pronta para rir. Principalmente com Lupin.
Ela percebeu de repente que segurava a pena há algum tempo.
- Você está bem?
Não havia sarcasmo. Nem ironia. Fechou os olhos um instante.
'Por favor, não.'
Não respondeu. Ficou quieta. Tentou se controlar. Não ia chorar na frente dele.
Tirou a pena da mão dela.
- Eu perguntei: você está bem?
Não olhou para ele. Moveu a mão para seu colo. Para que ele não a percebesse tremendo.
- Estou. – conseguiu mentir.
Se ela não queria falar, o problema era dela.
Ela continuou imóvel.
Ele não devolveu a pena.
- É melhor você ir. –falou seco, ela ia acabar errando tudo – Continuamos amanhã.
Ela lembrou vagamente que amanhã seria sábado.
Não importava. Só queria sair dali.
- Boa noite. – murmurou enquanto se levantava.
Fechou a porta devagar.
Ele ficou olhando.
Suspirou. Tinha razão.
O perfume estava por todo o maldito lugar.
*****
Foi direto para o quarto.
Deitou-se.
Fechou os olhos. Não queria pensar.
Teve um sonho estranho.
Ele era meio homem, meio dragão. E a perseguia com suas roupas pretas.
Não importava o quanto ela fugisse, ele sempre aparecia.
Quando ela exausta, deixou que ele chegasse perto, ele se transformou em homem.
E só a tocou no rosto perguntando se ela estava bem.
Acordou com vontade de chorar.
Piedosamente, dormiu de novo.
*****
O dia seguinte estava lindo. Acordou cedo. O sol estava por todos os lados.
Levantou-se. Tinha que sair daquele torpor. E este era o dia indicado para isso.
Arrumou tudo e foi tomar café. Não queria se arriscar a encontrar ninguém.
Pegou o livro sobre os trouxas. Ainda não tinha tido tempo de acabar de lê-lo.
*****
Contornou o lago. Sentou-se. Apoiou as costas numa árvore.
Não conseguiu se concentrar no livro. Desistiu.
Se ajeitou. Ficou olhando o sol refletido na água.
Acordou com o barulho de passos.
Ele estava ali.
Levantou-se rápido.
- Este não é o melhor lugar para dormir Srtª Ventur.
Quis poder dizer que não estava dormindo.
Limpou as roupas. Ele abaixou-se para pegar o livro.
- Pensei que soubesse o suficiente sobre o assunto.
- São vocês que não sabem o bastante. Este livro é horrível.
- Vocês não escreveriam bem sobre bruxos também.
Ele estava errado. Mas ela não ia contar.
Estendeu a mão para pegar o livro. Ele ficou parado.
Ela levantou a cabeça.
Ele a olhava com atenção. Queria ver o rosto dela, se ela tinha...
Mas os olhos o atingiram. O sol estava neles. Entre as sombras das árvores. Não eram castanhos.
Eram esverdeados nas bordas. Viu o nariz . A boca. Os cabelos. Os olhos o atraíram de novo.
Desviou os seus. Viu o lago. A comparação foi fácil.
Ela tinha ficado nervosa com o exame. Não conseguiu perceber nada por trás da máscara dele.
Viu-o de perfil. O lago parecia atraí-lo.
Ele se voltou. Devolveu o livro sem olhá-la.
- Eu a verei às cinco. – falou de costas.
A voz tinha voltado a ser seca.
Ficou observando-o enquanto ele ia para o castelo.
O andar rápido, decidido. Ele parecia sempre ter um propósito. Como se não fizesse nada por impulso.
Ele não se voltou nem uma vez.
*****
Virou o corredor em direção às masmorras.
- Snape!
Parou. Voltou-se devagar. Esperou.
- O que você está fazendo com a Srtª Ventur?
Ele levantou uma sombrancelha, irônico.
- Com certeza não o mesmo que você.
Lupin sentiu um ímpeto. Mas controlou-se. Não ia conseguir nada assim. Não ia conseguir... ajudá-la.
E não queria que Nina brigasse com ele.
- Todos temos dias e horários normais para trabalhar.
Ele viu a sombra de um sorriso debochado.
- Todos temos responsabilidades a serem cumpridas. – ficou sério - E eu não vou discutir isso com você.
Ele ia continuar andando. Lupin foi mais rápido.
- Não force demais.
- Ou o quê? – a voz fria - O cavaleiro andante virá salvar a donzela do dragão?
- Não. O cavaleiro andante avisará o bruxo bom para cuidar do dragão.
Ele estreitou os olhos.
- Já pensou que talvez a donzela não queira ser salva?
Nuvem de roupões pretos.
Lupin suspirou.
Olhou o lago que aparecia entre as pilastras.
****
O dia tinha sido bom. Conseguiu descansar de tarde.
Conversou pouco com Lupin depois do almoço. Não sabia se era só impressão, mas ele parecia estranho.
Viu seu reflexo no espelho. O que será que ele viu quando a olhou no lago?
Sacudiu a cabeça. Era melhor ir. Quanto mais cedo começasse, mais cedo terminaria.
***********
Adrian – Eu me sinto honrada. Você tem razão. Nina podia ser qualquer uma.
Ela não tem características físicas muito definidas.
E um nome extremamente comum. Gasp. Um apelido.
Por favor revisem. Bem ou mal. Eu agradeço.
Sett, minha querida. (Inclinando-se.) Obrigada.
