CAPITULO 10 – A AMEAÇA EMÍLIA

Os dias seguintes foram provavelmente os melhores da vida que Harry já tinha tido na Rua dos Alfeneiros. Tio Valter, Tia Petúnia e Duda estavam prontos pra fazer pra ele tudo por ele, mesmo se não pedisse por nada. (Eles até o toleravam perambulando pela casa usando suas vestes da escola.) Ele sabia que essa súbita gentileza da família Dursley tinha apenas uma razão: tinham medo dele.

Por três ou quatro dias ele se encontrou numa situação super divertida. Ele até escreveu para seus amigos, padrinho e noiva, para dizer que ele estava sendo bem tratado pelos parentes. Ron lhe escreveu lhe dizendo para aproveitar cada segundo da sua "nova vida" e devolver tudo o que Duda lhe fez trabalhar, e fazer tudo ficar o mais sórdido possível. Ron até lhe enviou uma lista com as melhores idéias (seus irmãos gêmeos adicionaram suas próprias idéias na lista):

- primeiro de tudo, faça ele limpar o banheiro, de preferência sem luvas.

- depois de lhe dizer que ele está fedendo, o mande lavar o carro e lavar si mesmo.

- o faça aparar a cerca no formato do castelo de Hogwarts.

- o faça limpar o seu quarto cinco vezes por dia.

- não o deixe ver TV, mas sempre diga como foi terrível o último episódio de Pokemon para que ele fique verde de inveja.

- coma maravilhosamente tortas na frente dele mas não lhe dê nenhum pedaço.

- finalmente, quando ele quiser ir para a cama, o faça ficar acordado e ficar de olho na possibilidade de ataques de dementadores e jornalistas.

Quando Harry leu a carta, não pode deixar de gargalhar. Ele sentiu uma grande tentação de tentar cada item da lista com seu primo, mas eventualmente seu bom coração não iria deixar de importunar Duda.

Ele também recebeu uma carta de Hermione, lhe dizendo para não ouvir os garotos Weasley, porque eram incrivelmente infantis. Harry sorriu. A boa e velha Mione. Ela sempre queria que as pessoas fossem como ela: absolutamente perfeitas, e não criancinhas. Mas ela sempre parecia esquecer de uma coisa: os garotos amadurecem muita depois das garotas.

Seu padrinho lhe escreveu sobre o emprego com Arthur Weasley (eles finalmente haviam conseguido pegar Lucio Malfoy – eles encontraram uma infinidade de objetos de magia negra ilegais na casa dele). Sirius também lhe enviou saudações de Bicuço.

Harry recebeu uma carta de Ginny, também. A garota reassegurou sobre seu amor infinito. Ela também lhe contou sobre o desenvolvimento sobre o caso dos jornalistas. Ela escreveu que Rita Skeeter estava sendo pior que nunca, importunando as pessoas e coisas deste tipo.

"Se Hermione não a tivesse libertado... E você sabe, Harry, tenho certeza que foi Draco a primeira pessoa que contou a ela sobre nosso bebê. Ela não poderia ter sabido de outra maneira".

'É claro... Draco. Quem mais?'- Harry pensou descendo as escadas para o almoço. (Tia Petúnia cozinhou seu prato favorito e fez uma torta doce.)

A família estava sentada a mesa, Harry estava indo se sentar na ponta da mesa, quando a campainha tocou.

- Duda, vá abrir a porta! – a mãe ordenou.

- Manda o Harry abrir.

- Não retruque, Duda! – Valter gritou com o filho.

- Fico contente em ir. – Harry o interrompeu e se levantou.

- Obrigada, querido. Um cavalheiro tão educado! – Petúnia elogiou enquanto Harry saia da cozinha e abria a porta da frente.

- Emília! – ele gritou.

Sim, era Emilia Bullstrode parada no tapete da entrada.

- Harry! – ela gritou, o puxando para um abraço. – O)lh, eu senti tanto sua falta! Dumbledore disse que você voltaria logo, mas não podia esperar tanto tempo, meu adorável herói! – ela o apertava tanto que ele quase sufocou.

- Obrigada pela visita, Emilia. – ele murmurou, tirando os braços da menina do seu redor. Não era uma tarefa fácil.

Quando ele finalmente conseguiu se soltar e ficar a meio metro de Emilia, um Duda curioso chegou na entrada, olhando por cima dos ombros de Harry para ver quem era.

Era uma garota. Uma garota que parecia com ele. Ele estava parado como um poste, sua boca aberta, e não podia pronunciar uma palavra. Estava abobalhado.

- Seu primo? – Emilia perguntou.

- Uh, é. – Harry murmurou. – Emilia, esse é Duda. Duda, essa é Emília.

- Oi. – a garota disse com um sorriso enorme.

- Prazer... prazer em conhecê-la. – Duda tremeu.

- Uh, não vai me convidar pra entrar, Harry? – Emilia sugeriu.

- Oh, é claro. – Harry disse.

- Sinta-se em casa. – Duda adicionou, finalmente sua voz saindo novamente.

- Obrigado. – Emilia sorriu, não dando um olhar ao garoto gordo toda a atenção que dava a Harry, para o maior alívio de Harry e Duda.

XxX

- Então, você é amiga de Harry? – Petúnia perguntou polidamente depois do almoço. (Emilia provou ter um apetite maior do que de Duda).

- Bem, mais ou menos. – a garota riu. – Pra dizer a verdade, Sra. Dursley, Harry e eu nunca nos importamos um com o outro até uma semana atrás.

"Por que você não diz que eu ainda não me importo com você? Por que?" – Harry suspirou.

- Entendo. – Petúnia assentiu. – Você estuda na mesma classe de Harry, Emilia?

- Não. Ele é um Grifinório, eu sou Sonserina. – a garota disse, como se fossem obvias para os Dursley como as casas de Hogwarts eram chamadas.

- Ele é o que, e você é o que? – Duda cortou.

- Hogwarts, nossa escola, você sabe, tem quatro casas. – Harry explicou. – Grifinória, Lufa-lufa, Corvinal e Sonserina. Há um chapéu que sorteia o estudante para uma destas casas no começo do primeiro ano.

- Exatamente. – Emilia assentiu. – Eu queria que você tivesse ido para a Sonserina, Harry. – ela disse.

- Nos diga mais sobre a escola! – Petúnia fingiu estar interessada. – Nós estamos tão curiosos, não é, Valter?

- Huh? – o marido perguntou. Petúnia o encarou, não parecendo gentil. – Oh, claro. – ele devolveu sorrindo.

- O que você quer saber? – Harry perguntou. Ele não estava acostumado com os Dursley perguntando sobre a escola. Era sempre um tópico tabu na Rua dos Alfeneiros, número quatro.

- A senhora gostaria de ouvir sobre as façanhas de Harry, Sra. Dursley? – Emilia ofereceu.

Tio Valter o olhou, com uma expressão interessada no seu rosto.

- Façanhas? Que façanhas? – ele não podia imaginar seu sobrinho saco-de-ossos fazendo nada heróico. De fato o conceito de heroísmo tinha um significado totalmente diferente de Valter Dursley do que da maioria das pessoas. Ele achava que o heroísmo de verdade significava ser capaz de viver junto com um sobrinho idiota que na verdade tinha sangue bruxo correndo nas veias.

- Que façanhas? – Emilia riu (ela parecia mais feia que o normal). – Bem, é claro que encarar e derrotar Lord Você-sabe-Quem no primeiro ano, salvando Ginny Weasley - quando ela disse o nome ela fez uma careta desgostosa – do Rei das Serpentes, vencendo o torneio Tri-bruxo como o competidor mais jovem, encarando e duelando com Lord Você-sabe-Quem de novo e sobrevivendo, ajudando Sirius Black a derrotar Lord Você-sabe-Quem no ano passado, bem, que mais? – ela pausou.

- Er, é claro, tem sido o jogador de Quadribol mais jovem do último século, e o mais talentoso voando numa vassoura, também, e é claro, ele lutou e venceu um Dragão Rabo Córneo Húngaro, salvou Ron e a irmã de Fleur dos sereianos arriscando sua posição de líder no torneio, e, er, é, acho que é isso.

Tio Valter, Tia Petúnia e Duda estavam olhando a garota por quatro minutos sem falar, enquanto Harry desejava desaparecer naquele momento. Ficou com vergonha de não ter aprendido isso ainda.

- Você fez... fez todas essas coisas, Harry? – seu primo foi o primeiro a recuperar a voz.

- É, mas eu nunca estive sozinho. Meus amigos me ajudaram muito.

- Ah, ele está sendo modesto. – Emilia riu. – Quando ele encarou o Senhor da Trevas no quarto ano, ele estava sozinho, acompanhado pelo corpo de Cedrico Diggory. Certo, Harry.

- Certo. – o garoto suspirou. Ser lisonjeado pela sua chamada família era a ultima coisa que ele precisava. Bem, não a ultima porque ter Emilia Bullstrode dando em cima dele era a bem a ultima coisa que ele queria.

- Sim, Sr. e Sra. Dursley, seu sobrinho é um verdadeiro herói! – Emilia riu, e passou o braço em volta de Harry. – Ele é tão maravilhoso!

- VOCÊ é que é maravilhosa, Emilia! – Duda soltou.

Por um segundo todos os olhares se focarem nele. Eles ouviram direito? Dudinha, o Dudinha deles – chamou uma garota de maravilhosa? Impossível.

Petúnia chacoalhou a cabeça e decidiu que ela tinha interpretado mal as palavras do filho. Duda não poderia gostar de uma garota, que é era dessa laia! Ela tremeu com o pensamento. Ter uma pessoa desse hocus-pocus na casa era o suficiente, mas dois já era demais!

- Bem, Sr. e Sra. Dursley, eu tenho que ir agora. – Emilia se levantou.

- Graças a Deus! – Harry exclamou.

- Huh? – a garota se virou para ele.

- Eu disse que pena! – Harry se corrigiu.

- Eu sei que você gostaria que eu ficasse, mas só passei para ver como estava. Se eu ficar mais tempo, minha ausência na escola vai ser descoberta. Eu tenho que voltar pra Hogwarts.

Harry assentiu, seus olhos brilhando.

- Como você vai voltar? – ele perguntou.

- Do jeito que eu vim. – a garota respondeu. – Pela lareira da Sra. Figg. – na hora Valter e Petúnia trocaram olhares nervosos. "A Sra. Figg é um deles?"

- Como você conhece a Sra. Figg? – Harry perguntou.

- Oh, eu ouvi uma discussão entre Ginny e Neville, e eles mencionaram esse velha morcega.

- Não a chame assim! – Harry gritou. – Ele merece mais respeito.

- É, é, é sim. – Emilia sorriu. – Não fique bravo, meu precioso, okay?

- A Sra. Figg não ficou surpresa ao te ver saindo da lareira dela?

- Só um pouco. Ele disse que esperava que algumas pessoas quisessem te visitar.

- Entendo. Venha, vou te levar lá fora. – Harry disse.

- E eu lhe acompanharei até a casa da Sra. Figg, okay? – Duda se ofereceu.

- Duda? – Valter estava pra mandá-lo voltar.

- Deixe-o ir, tio. – Harry sorriu. Ele queria se livrar de Emilia tão logo o possível.

Então Duda e Emilia saíram na direção da casa da velha Arabella Figg, que ficavam a trezentos metros dali.

- Você gosta de Pokemon, Emilia? – o garoto perguntou, não tendo a menor idéia do que conversar.

- O que? – a garota levantou a sobrancelha. – É alguma coisa trouxa?

- Oh, deixa pra lá. – Duda pressionou os lábios. "Estraguei tudo! Estraguei tudo!"

- Oh, bem, aqui estamos. – Emilia disse quando chegaram ao portão do jardim da Sra. Figg. – Você quer entrar e me ver sair? Eu presumo que nunca tenha visto algo assim antes.

- Bem, na verdade, eu já vi. – Duda tremeu. - Mas por que não?

Antes de eles entrarem na casa, ele alcançou a mão de Emilia.

- Uh, Mili, posso lhe dizer uma coisa?

- Claro, o que?

- Eu... eu gosto de você, eu acho.

A garota largou a mão rapidamente.

- Seu trouxa idiota! Você acha que eu prestei atenção em você? Tonto. Há muitas razões por que eu não faria isto.

- E quais são? – Duda murmurou, corando.

- Primeiro de todas: você é feio e gordo! Número dois: você não pode competir com Harry em nada! Ele é esguio, lindo, sexy, poderoso, bravo, esperto, potente.

- Potente? O que você quer dizer com isso? – Duda fez uma cara de total burrice.

- O que? – a garota riu. – Você não sabe por que ele teve que sair da escola?

- Não. – Duda chacoalhou a cabeça. – Por que?

- Porque ele engravidou Ginny Weasley e colocou Hogwarts num terrível escândalo, é o por que!

- Engravidou? – o garoto parecia mais um macaco que um burro.

- Engravidou ela! – Emilia disse. – Você é tão estúpido, ou finge ser?

- Uh, deixa pra lá. – ele tentou sorrir. – Vamos entrar, certo?

Eles entraram na casa da Sra. Figg. A velha senhora estava alimentando os filhotes quando eles chegaram.

- Já esta indo, srta. Bullstrode? – ela os olhou.

- Já. Tenho que ir. – ela disse e alcançou um pote pequeno e pegou uma mão cheia de um pó brilhante.

- Tchau, Duda. – a garota jogou o pó no fogo e disse: - Hogwarts!

No segundo seguinte, ela desapareceu.

Sra. Figg riu da expressão estúpida de Duda.

- Jeito estranho de viajar, né?

- Como... como se chama essa coisa? – o garoto perguntou.

- Pó de Flú. – a velha respondeu. – Você pode viajar por lareiras com ele. Quinhentos anos atrás levou o prêmio do Concurso de Invenções Bizarras.

- Entendo. – o garoto suspirou e estava saindo, quando velha senhora o parou.

- Você parece extremamente triste, meu garoto. Qual o problema?

- Qual? – Duda se virou. – Acho que estou apaixonado.

- Oh, uma boa razão pra ficar triste. – Sra. Figg riu. – Essa jovem que acabou de sair é a sortuda?

- Sortuda? Não, Harry é o sortudo, porque ela o ama, embora não saiba o por que. – ele tremeu. – Emilia nunca vai gostar de mim... ela disse que sou gordo e feio.

"O roto falando do esfarrapado". – Arabella pensou com um sorriso.

- Bem, uma coisa é certa meu garoto: Harry não está apaixonado pro ela. Ele ama outra.

- Aquela Ginny que está grávida do filho dele?

- É. Uma garota maravilhosa ela é. Espero que sejam muito felizes juntos.

Duda não respondeu. Ele nunca quis que Harry fosse feliz, e agora ele queria bem menos do que antes.

Mas ELE pretendia ser feliz. E pela primeira vez na sua vida ele não queria saber de vídeos, mountain bikes e comida, comida, comida como fonte de felicidade. Não.

Pela primeira vez na sua vida ele achou que apenas o amor pudesse faze-lo feliz. O amor de Emilia Bullstrode, pra ser exato.

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Duda não queria ir direto pra casa. Ele foi pra fora, se escondeu debaixo de uma árvore e esperou. Ele sabia que a velha Sra. Figg iria sair para uma caminhada. Ela sempre saia pra esticar as pernas.

Agora Duda sabia que aquela velha era uma bruxa. Ela tinha que ser. Não lhe ocorreu pergunta-la, mas ele sabia positivamente que a louca, amante de gatos Arabella Figg era da laia deles. Se não, por que ela teria Pó de Flú, certo?

Quando ele viu a velha senhora sair de casa sozinha, ela não quis levar nenhum dos seus gatos, Duda entrou na casa. Para sua surpresa não estava aberta.

"Bem, sua velha louca, não deveria confiar na honestidade das pessoas!" – ele riu.

Ele fez o caminho até a lareira. Ele nem viu Barney e Fred atrás dos seus calcanhares.

A possibilidade de tentar o que ele queria estava a sua frente agora. Ele apenas tinha que ir até a escola, dizer a Emilia que ele não era tão idiota quanto ela acreditava que ele era, e ela iria cair nos seus braços. Ele lhe pediria para ser sua esposa – não se importando com a opinião dos seus pais sobre o casamento Bruxo-trouxa – e a traria para a Rua dos Alfeneiros. Era fácil, em teoria.

Ele pegou um pouco do pó brilhante, jogou nas chamas, e disse:

- Hogw.. malditos gatos! – ele quis chutar Barney da sua perna, mas não houve tempo.

Ele foi sugado pelas chamas.

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