Capítulo 10. Aos Cullens!
Atravessamos o país em uma semana, sempre por rotas alternativas, longe das grandes cidades e escondidos pelas sombras de bosques e florestas. Era mais fácil assim, não chamávamos atenção dos humanos e podíamos caçar sempre que Jasper começava a se sentir inseguro.
Uma centelha de felicidade crescia em mim ao vê-lo animado em caçar, em discutir gostos e preferências de sangue. Finalmente, ele parecia encarar aquele tipo de vida como possível e aceitável.
A noite que nos encobria já estava no fim e, assim que o dia raiasse, chegaríamos à casa dos Cullens. Eu mal me aguentava de ansiedade e vasculhava cada passo de cada um deles.
- Oh, droga.
- O que foi? – Jazz me olhou assustado enquanto caminhávamos.
- Nada de importante, tenha calma. É só que Emmett e Edward não estão em casa, então vão nos conhecer somente quando voltarem.
Ele sorriu de leve para mim e de repente ficou pensativo.
- Já pensou que fazer uma surpresa pode ser perigoso?
- Claro que não será perigoso! – eu ri e fiz com que ele me girasse ao seu redor.
- Alice... você ainda é humana demais... Vampiros não gostam de ser surpreendidos, mesmo que sejam menos agressivos – ele me girou novamente, ainda com uma ruga entre as sobrancelhas.
- Não se preocupe – me aproximei e beijei seus lábios – Não vai acontecer nada de ruim. Eles vão nos adorar no primeiro momento!
- Bem, estamos quase lá – ele deu um suspiro resignado.
As árvores ficaram mais espaçadas e eu podia ouvir o som de carros passando por uma estrada e água correndo por um riacho. O vento soprou em nossa direção e os cheiros da casa nos atingiram.
- Hum, eles têm um cheiro diferente... – Jasper aspirou o ar – Parece com o seu cheiro, mas com a peculiaridade de cada um – ele fungou mais uma vez – Um homem e duas mulheres?
- Sim – eu assenti, feliz pelo interesse dele – São Carlisle, sua esposa Esme e o último é de Rosalie. Oh, eles também vão sentir nossos cheiros!
Eu peguei a mão dele e a senti tensa dentro da minha.
- Está tudo bem – sussurrei para ele, antes de dar o último passo para fora da floresta.
A linda casa, branca, clássica, com um belo jardim e rodeada por montanhas (como eu a vira tantas vezes) se descortinou a nossa frente. Eu puxei Jasper pela mão e saltamos o riacho que corria no terreno da casa. Assim que pousamos na grama bem cuidada, três figuras saíram da varanda posterior e começaram a andar em nossa direção.
Carlisle caminhava na frente, alto e loiro, com a expressão muito serena, apesar de intrigada. Esme o seguia e segurava sua mão, o cabelo castanho claro destacando-se em sua pele, seu rosto curioso. Rose vinha logo atrás, também com uma mão segura na de Esme; ela era tão bonita, os cabelos loiros desciam em ondas pelo ombro e ela nos olhava com desconfiança.
Também começamos a caminhar. Jasper ainda apertava minha mão, os olhos pulando de mim para Carlisle, analisando as emoções de todo mundo. Minha euforia crescia e eu permiti que ele me acalmasse.
- Por favor, Alice – ele sussurrou, mesmo sabendo que os outros ouviriam – Não faça nada imprudente, tenha calma.
Quando estávamos a menos de um metro deles, Jasper se posicionou na minha frente. Carlisle parou de andar, logicamente intimidado pela postura protetora. Eu bufei de irritação e passei na frente de Jasper, ao que ele pegou minha mão, ainda inseguro.
- Saudações – Carlisle estendeu sua mão para mim, simpático.
Eu quase não continha minha emoção. Então ele era o idealizador de tudo isso! Seus olhos eram tão dourados e seu sorriso era tão sincero que eu quase tive vontade de chorar. Olhei para trás, sorrindo segura para Jasper. Ele me olhava preocupado.
- Olá, Carlisle – eu peguei sua mão no ar e a apertei. Ele me olhou surpreso e confuso.
Vi Esme se mover, se aproximando das costas de Carlisle – Oh, Esme, você é tão bonita! – não pude me segurar e a abracei, sentindo seus músculos tensos sob meus braços.
Eu sabia que Jasper estava logo atrás de mim, pronto para me tirar de perto deles se fosse preciso. Eu tinha vislumbres em minha mente dele atacando Carlisle, o que era um absurdo, porque ninguém me faria mal! Ignorei o gesto dele por um instante e olhei para Rose, cuja expressão também estava assustada. Me soltei de Esme e estendi meus braços para abraçá-la, quando minha visão se turvou novamente.
Quase não tive tempo de voltar da visão para a realidade. Eu me senti sendo deslocada, quando Jasper me puxou para trás de si, em postura de ataque, rosnando alto. À nossa frente, ocorria exatamente a mesma cena que eu acabara de ver: a nuvem de poeira se desfazia, enquanto Emmett (imenso como um gigante) e Edward (mais magro e baixo, mas igualmente ameaçador), ambos na mesma postura que Jasper, rosnavam em frente a Carlisle, Esme e Rosalie.
- Eu disse que não era uma boa idéia! – Jasper disse entre dentes para mim.
- Mas é claro que é! – eu me irritei por as coisas estarem saindo do controle daquele jeito. Saí de trás de Jasper e me posicionei entre os "machos rosnadores" – Emmett, Edward, parem com isso! Não viemos fazer mal algum!
O silêncio foi geral. Todos me olhavam, mudos e atônitos.
- Edward, diga a eles. Eu sei que pode ver o que estou pensando!
Ele saiu da postura de ataque e olhou atordoado para mim.
Eu me virei para Jasper e espalmei minhas mãos em seu peito, tirando-o também da máscara ameaçadora.
- Jazz, pode acalmá-los? – ele me encarou como se eu fosse louca, mas assentiu e direcionou seu olhar para os outros.
Em instantes, a tensão no ar se dissipou, mas Emmett ainda permanecia protetoramente na frente de Rose, assim como Carlisle fazia com Esme. Só Edward ficou sozinho a um canto. Ele olhava de Jasper para mim, completamente confuso.
- O quê essa gente quer, Carlisle? – Emmett não tirou os olhos de Jasper enquanto falava.
- Era o que descobriríamos se vocês não tivessem interrompido tão rudemente! – Esme saiu de trás de Carlisle e andou até mim. Eu me senti aquecida pelo olhar dela, tão afetuoso sem nem ao menos saber quem eu era.
- Meu nome é Alice – abracei a cintura de Jasper – E este é Jasper. Viemos de longe para encontrá-los.
- E o que procuram aqui? – Carlisle imitou Esme, abraçando os ombros dela.
- Redenção – eu temi que estivesse sendo ridícula, mas os olhos de Carlisle me encorajaram a continuar a falar – Sabemos que seguem um estilo de vida diferente dos outros vampiros e queremos nos juntar a vocês. Claro, se nos aceitarem.
- E como sabem sobre nós? – Rose se pronunciou acima do ombro de Emmett.
- Alice tem visões do futuro. Ela sempre viu vocês na mente dela... – Jazz começou.
- ...e a esperança de uma vida sem assassinatos foi o que me manteve sã até agora – eu completei o que ele iria dizer – E também o que me levou a Jasper – esbocei um sorriso para ele.
- Se não vieram para cá com más intenções... – Edward falou, dando um passo em nossa direção – Porque ele estava planejando atacar Carlisle, Esme e Rosalie quando eu os ouvi chegando?
Todos os olhares se voltaram para Jasper. Ele pareceu surpreso e ameaçado pelo que Edward dissera.
- Como sabe disso? – ele quase cuspiu as palavras.
- Eu li a sua mente – Edward cruzou os braços, claramente irritado pela raiva na voz de Jazz, cuja mandíbula se trancou.
- Jasper só estava pensando em me proteger – eu me apressei em explicar – Mas ele não faria mal algum a vocês, eu não permitiria.
- Ha, você não permitiria? – Emmett olhou para mim divertido – Não passa de um gnomo!
- Cuidado, grandalhão – eu ri em tom de ameaça para ele – Posso arrancar sua cabeça em um segundo!
- Ah, isso eu queria ver! – ele apertou os nós dos dedos, que estalaram audivelmente. Jasper se colocou na minha frente de novo e eu ri, apesar da leve tensão.
Eu pensei sobre uma maneira melhor de convencê-los e só encontrei uma. Saí de trás de Jasper – sem tirar uma mão da dele – e encarei Edward. Então comecei a recordar rapidamente, desde minhas primeiras lembranças no porão, até a visão de Jasper, a visão com os Cullens, meu encontro com Jazz, nossas discussões, as caçadas e, por fim, nossa viagem até Forks.
No fim, Edward puxou o ar com força e me encarou, surpreso.
- Passaram por muita coisa até chegarem aqui – ele disse olhando para mim e para Jazz.
- Sim. E não foi nada fácil – eu disse, ainda sustentando o olhar dele – Mas conseguimos nos manter vivos e estamos aqui agora para pedir uma chance – eu olhei para os rostos de cada um deles, terminando em Esme.
- O que ela diz é verdade, Carlisle – Edward ainda nos olhava intrigado – Não vejo motivos para não recebê-los.
Carlisle se colocou a frente de todos eles, não como medida de proteção, mas em postura de anfitrião.
- Sejam bem-vindos – ele estendeu as duas mãos no ar para mim – É um prazer que estejam aqui.
- Obrigada – meu sorriso nunca tinha sido tão largo. Eu depositei minhas mãos nas de Carlisle e ele as apertou levemente, em sinal de afeto.
Depois dele, Esme me pegou nos braços e ficamos algum tempo abraçadas. Então Rose se aproximou e também me abraçou, mas de forma mais breve e menos apertada. Emmett tocou meu braço e tentou tirar meu chapéu, ao que eu me desviei rindo. Somente Edward continuava me olhando confuso, mas logo se aproximou e depositou uma mão em meu ombro, murmurando um "bem-vinda".
Depois eles partiram para Jasper. Ele parecia muito desconfortável com tanta gente ao seu redor sem atacá-lo. Esme o abraçou pela cintura – parecia que ela tinha a mesma necessidade de demonstrar afeto que eu; Carlisle, Edward e Rose foram mais contidos, trocando apenas apertos de mão e palavras breves.
- Desculpe pelos rosnados, hein, amigo – Emmett abraçou os ombros de Jasper, batendo com força em seu peito – Mas sabe como é... recém-casado... tenho que tomar conta da minha dona!
- Sim, eu entendo – Jazz riu sem graça e desviou seu olhar para mim, pedindo ajuda. Eu dei de ombros, como se não pudesse fazer nada enquanto Esme enlaçava meus ombros e Rosalie nos conduzia para dentro da casa.
Nota da autora: Ha! Mais um capítulo, babies!
Hoje estou inspirada para discorrer sobre a vida! Hehehe!
Esse capítulo especial para mim, porque a partir daqui a fic começou a tomar vida própria. Minha ideia original era não incluir os Cullens, acabar a fic antes que Jazz e Alie chegassem a Forks, mas eles rosnaram bastante comigo, então acabei cedendo. ^^
Como sempre, minha imaginação está mudando alguns detalhes dos livros originais, mas acho que vai fazer sentido no fim de tudo.
Bão, vou parar de tagarelar! Mando um beijo especial para a Mah Rathbone, que nunca deixa de comentar (Muito obrigada, flor!)! Outro pra Mariih Rodrigues (ha, vi seu nome antes de vc virar anônima!) e pra Lady , que adicionou a fic como favorita. Beijos pra quem lê sem comentar tb!
Até o próximo capítulo!
Gabi Granja
