Kagome de fato tinha pensamentos violentos enquanto dirigia ao quarto. Kanna a olhava assustada e curiosa enquanto ela lavava o rosto e enxaguava a boca, mas não dava nenhuma explicação. Nem poderia, pois, sentada na cama, ela rompeu em lágrimas amarguradas.

Kanna e Bek não sabiam o que fazer. O menino finalmente pegou a escova, acomodou-se atrás dela e começou a escovar seus cabelos. O gesto a emocionou. Ela bebeu o chá de ervas preparado por Kanna, depois deixou a criada vesti-la com a camisola de dormir. Enquanto isso, Bek relatava a Kanna os últimos eventos. Kagome queria ajudá-lo, mas os soluços e o pranto a impediam de falar. Finalmente se deitou, recebendo, recebendo sobre a testa a compressa de água fria que Kanna providenciou em silêncio, e ficou olhando para o teto, tentando sufocar os soluços que sacudiam seu corpo.

-# Pobre Bek – murmurou, olhando para o menino que ainda segurava sua mão. - Não sabe o que fazer comigo não é?

-# Vou ficar aqui. A seu lado – ele declarou.

-# Sua companhia será um balsamo para mim.

-# Ela planejou tudo.

-# O que disse?

-# Minha mãe. Ela planejou tudo. Ouvi quando ela conversava com aquele homem. Ela queria que meu pai a visse com aquele homem, porque então se reaproximaria dela.

-# Eles se merecem!

-# Oh, não, milady – Kanna protestou. - Não pode estar falando sério! Lorde Inuyasha jamais se envolveria com aquela mulher.

-# Não mesmo – confirmou Bek.

-# O problema não é lady Kikyou – Kagome argumentou. - É ele. Inuyasha ficou ali parado sem fazer nada. Nunca confiou em mim. Esperava que eu agisse como a meretriz que acredita que seja.

-# Não! - Bek e Kanna gritaram ao mesmo tempo.

-# Sim. Quero ir pra casa. Desejo voltar a Riverfall.

-# Papai logo estará aqui, eu sei! E ele vai poder deixar a corte em breve.

-# Quero ir para casa agora, Bek. Kanna, comece a arrumar minhas coisas.

-# Vou avisar meu pai – Bek decidiu.

-# Não é necessário. Deixarei uma mensagem para ele. Quer ir comigo, Bek?

-# Sim, mas meu pai.....

-# Seu pai não vai ficar zangado com você. Kanna, ainda não começou a arrumar as coisas?

Kanna e Bek tentaram dissuadi-la da ideia de partir, mas Kagome estava irredutível. Sabia que ambos esperavam que Inuyasha aparecesse e pusesse um fim à discórdia, mas ele não apareceu, para seu alívio. Rumores davam conta de que ele se encontrava nos aposentos de Miroku, bebendo muito e sentindo pena de si mesmo. Esperava que ele continuasse bêbado até poder chegar em Riverfall, onde estaria fora de seu alcance.

Kagome estava cansada. Dentro dela havia uma dor tão grande que nenhum remédio era capaz de amenizá-la. Amava Inuyasha, mas preferia não amá-lo. Havia sido justamente esse amor que a deixara inteiramente devastada por sua desconfiança, destruída pela descoberta de sua verdadeira opinião. O que antes parecia belo e promissor, agora era a maior das maldições.

O céu começava a clarear quando ela finalmente chegou em Riverfall. Quatro homens de seu pai a acompanhavam, garantindo sua segurança. Bek e Kanna dividiam a carruagem com ela. Talvez estivesse seguindo a trilha da covardia, mas não tinha importância. Precisava dessa retirada estratégica para garantir sua sanidade mental. Necessitava de um refúgio onde pudesse lamber suas feridas com alguma privacidade. Tinha de pensar em que atitude tomar com relação ao casamento, se é que ainda havia um casamento com que se preocupar.

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O novo dia encontrou Inuyasha em péssimas condições. Sua cabeça doía, a boca estava seca e amarga, e saber que cometera um erro para o qual poderia não haver perdão o atormentava. Para aumentar sua infelicidade, tinha de responder a um chamado urgente do rei. Ele atendeu a convocação com grande relutância, esperando que o homem foce breve. Precisava ver Kagome. Para aumentar sua frustração, o rei o manteve cativo por horas.

-# Viu Kagome? - ele perguntou a Miroku no final da tarde, quando voltou aos aposentos do amigo.

-# Não. E também não vejo Bek desde ontem à noite.

-# Ele deve estar com Kagome – Inuyasha resmungou enquanto se lavava. Batidas na porta o irritaram ainda mais. - Quem pode ser?

Miroku foi atender o chamado e, ao reconhecer a mulher parada no corredor, não escondeu a indignação.

-# O que quer aqui?

Kikyou entrou, mesmo sem ser convidada, e caminhou para Inuyasha.

-# Você parece estar muito bem – ela disse.

-# Em que posso ajudá-la? - ele disparou com frieza, tratando de se vestir rapidamente.

-# Bem, já que sua esposa partiu, achei que gostaria de me acompanhar ás festividades desta noite.

-# Kagome partiu?

-# Sim. Soube que ela deixou a corte antes do nascer do dia e..... Aonde vai? - ela perguntou assustada.

Inuyasha não se deu ao trabalho de responder, porque já corria para fora do quarto seguido de perto por Miroku.

Um momento mais tarde, os dois homens entravam nos aposentos que Inuyasha havia dividido com Kagome. Ali estavam todas as provas necessárias, todos os sinais que confirmavam a partida repentina.

-# Espere até amanhã, você disse! Deixe-a superar a ira!

-# Jamais pensei que ela seria capaz de deixá-lo – Miroku se defendeu.

-# Bem, é claro que ela partiu. O que é isto? - Ele se sentou sobre a cama para ler o bilhete que encontrara sobre ela.

Inuyasha,

Retornei a Riverfall. Bek está comigo. Fiz-me
acompanhar por alguns homens de meu pai. Não precisa se
apressar para vir me encontrar.
Kagome

Ele entregou a breve mensagem a Miroku, que fechou os olhos por um instante depois de ler as palavras secas. Havia uma frieza evidente no bilhete. Inuyasha sabia que Kagome tinha consciência da intenção de Kikyou; afinal, a mulher não era sutil. Mesmo assim, ela o deixara à mercê dos planos e ardis da megera. A atitude era mais eloqüente que todas as palavras. Ela o abandonava. Era isso.

-# Preciso ir atrás dela.

-# Não pode partir, Inuyasha. Não sem a permissão do rei.

-# Mas isso pode atrasar a viagem em semanas!

-# Kagome sabe que você não pode simplesmente abandonar a corte. Se essa sua tarefa se arrastar por muito tempo, converse com o rei. Explique a ele que tem assuntos pessoais para resolver. Pelo menos ela foi para Riverfall, não para a casa do pai.

-# Sim, mas a mensagem deixa claro que minha presença em Rivefall não é bem vinda.

-# Ela ainda estava magoada quando escreveu o bilhete, Inuyasha. Talvez seja melhor assim. O tempo vai amenizar a dor.

Ele não sabia se concordava com isso, mas Miroku estava certo em dizer que nada poderia fazer, pelo menos naquele momento.

-# Sim..... vou aproveitar esse tempo para encontrar o patife que causou toda essa horrível confusão.

-# Ele já deve estar a caminho de Londres.

-# Nesse caso, só está adiantando o amargo fim da própria vida.

Inuyasha tinha tempo. Muito tempo. O rei enviava com alguns de seus homens em ataques contra pequenos covis de rebeldes e ladrões, bandidos que eram como praga naquela região. Ele jurou cumprir seus quarenta dias de serviço, mas não iria uma hora além disso.

Sango recebeu Kagome em Riverfall sem esconder a surpresa. Kagome contou à prima tudo que havia acontecido e, para irritação. Teve de enfrentar a resposta compreensiva e racional de Sango. Logo ficou claro que ela esperava convencê-la de seu ponto de vista antes da volta do senhor do lugar.

Apesar do esforço persistente de Sango, dias se passaram antes de Kagome começar a pensar realmente no que precisava fazer com relação ao casamento. Estava encurralada e, relutante, reconhecia que não queria mudar aquela situação. Não queria desistir de Inuyasha. Na verdade, já estava ansiosa pela volta ou por alguma notícia do marido. Por mais profunda que foce a mágoa, ainda pertencia a ele de corpo e almo. Seria necessário um bom tempo até que voltasse a amá-lo abertamente, com a liberdade de antes. Ele a ensinara a ser cautelosa, a desconfiar.

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Na véspera de seu quadragésimo primeiro dia na corte, Inuyasha disse ao rei que partiria para Riverfall na manhã seguinte. O rei permitiu relutante, e só depois de ser lembrado que a dívida do sídito leal já havia sido paga. Ele também ouviu Inuyasha falar sobre os problemas que teria de resolver em casa, questões cuja a solução adiava havia um bom tempo. Como a repentina partida de Kagome fora motivo de comentários na corte, o rei Jineni não o pressionou. Inuyasha partiu antes que o soberano pudesse reconsiderar sua decisão.

Quando se deitou para a última noite na corte, ele agradeceu a Deus por isso. As noites que passava sozinho na cama que antes dividira com Kagome eram as mais difíceis de enfrentar. Para conciliar o sono, acabava bebendo demais. Foram várias as noites em que Miroku tivera de despi-lo e colocá-lo na cama.

Kikyou ainda o assediava, tentando reacender a paixão ou reviver o feitiço que lançara sobre ele no passado. Estava ansioso para livrar-se dela. Ela era tediosa em alguns momentos, mas era sempre tentadora. Viril, solitário como estava, sentia o corpo clamar por uma mulher que se pusera longe de seu alcance. Mas quando se viu bem perto de Kikyou, que oferecia seus favores abertamente e com liberdade ultrajante, ele recuou sem se preocupar com a cortesia e as boas maneiras. Não importava que agora, depois de anos, pudesse finalmente devolver a humilhação sofrida por suas mãos. O que importava era que, rejeitando Kikyou, havia contraído uma inimizade perigosa e de grande peso.

Enquanto esperava pelo amanhecer, ele tentou fortalecer sua coragem. Não era muito habilidoso com as palavras ou com as mulheres. Esperando por ele em Riverfall, estava uma mulher que ele havia magoado profundamente. Reparar essa situação exigia as palavras corretas, a abordagem perfeita e oportuna. E não sabia ao certo se seria capaz.

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Gente desculpa pela demora e pelo capitulo pequeno, primeiro fiquei doente com um gripe bem forte, e depois tive que coloca minha leitura em dia, más já estou trabalhando no próximo capitulo que sai esta semana se tudo der certo, e muito obrigada pelas reviwes de vocês....