N/A: Finalmente reviews que chegaram completas :D Muito obrigada mesmo por acompanhar! A história já está na reta final, veremos como esses dois vão lidar com os problemas que forem aparecendo °3°

Boa leitura!


Apesar de tudo, Peeta tinha bom senso e resolveu colocar o que era prioridade primeiro. Engoliu o seu aborrecimento e tentou tomar uma atitude minimamente profissional.

— Conversamos sobre isso depois. – disse, olhando para Cato, que fez uma pequena careta antes de encher a boca de sanduíche e virar para o outro lado, como uma criança emburrada que acabava de receber uma bronca. — E Haymitch, nós não somos casados nem nada, sou o assistente dele e nós viemos aqui para saber o que diabos aconteceu com a fotografia 25.

O homem se recostou na cadeira, com os braços cruzados e uma sobrancelha erguida, encarando Peeta como se estivessem tratando de um negócio muito sério. O que era mesmo, considerando as circunstâncias. Peeta percebeu que Haymitch Abernathy era um jogador, um hedonista filho da mãe. Do tipo que gostava de se divertir às custas dos outros, assim como Crane, de certo modo.

— A quintessência… – ele reconheceu, pensativo. Mas, então deu de ombros e continuou: — Não está comigo.

— O quê!? – Cato voltou para a conversa, de boca cheia e cara de quem não engasgou por pouco.

— Como é que você não tem a droga da foto? – Peeta perguntou, indignado. — Se a não a mandou nem a guardou, o que você fez? Enfiou ela no rabo?

Então, Cato engasgou de verdade, tossindo e batendo no próprio peito. Olhou para Peeta como se nunca o tivesse visto antes. Ele nunca tinha visto o outro ficar irritado desse jeito e ele nunca tinha nem chegado perto de xingar antes, e agora estava sendo rude com uma pessoa que nem conhecia. Haymitch estava rindo.

— Não seria nem um pouco agradável enfiar um negativo no rabo, meu amigo, posso garantir isso… De qualquer forma, eu a mandei sim. – ele se inclinou para o sobrinho e colocou a mão no peito dramaticamente. — Eu a enviei especialmente pra você, como um presente de aniversário. Você puxou tanto a sua mãe que eu sabia que nada deixaria você mais excitado do que um negativo exclusivo. Viu? Eu sou um cara legal.

— Você só pode estar de brincadeira. – Cato disse, apertando o guardanapo com força na mão e olhando para Haymitch como se quisesse que aquilo fosse o pescoço dele. — Isso é mentira. Eu não recebi nada. Porra, eu não teria entrado na porcaria de um avião se eu tivesse recebido alguma coisa.

— Mas, você mandou pra onde? Pra Life? Pra casa dele? Pra onde? – Peeta perguntou, massageando suas têmporas, enquanto sua raiva se transformava em desânimo.

— Pro mesmo endereço pra onde eu mando os cartões de Natal, de ano novo, de páscoa, de aniversário, de pior pai do ano, do dia da árvore… sei lá, eu só tenho um endereço, não é como se eu tivesse um agenda ou algo assim. – ele deu de ombros mais uma vez, e gritou por mais uma coca.

Cato e Peeta se entreolharam.

— Nós precisamos ir. Agora. – o loiro disse, sério, já se levantando e tirando a carteira da mochila para pagar a conta.

— Pra onde diabos vocês pensam que vão? – Haymitch perguntou, com uma expressão cômica de confusão no rosto e Peeta, sinceramente, gostaria de ter sua bengala de volta para usá-la na cara dele.

— De volta para Nova York. – Cato respondeu, seco.

— E como pretendem fazer isso?

— Eu não sei, ir para um aeroporto, pegar um avião, voar, aterrissar. Não deve ser muito difícil. – Peeta replicou, sarcástico. O mais velho riu, balançando a cabeça negativamente.

— Aham. Logo depois do vulcão dar sinais de estar acordando com certeza os aeroportos vão estar funcionando. Absolutamente.

Droga. Peeta tinha se esquecido por completo da experiência de quase morte que havia tido naquele mesmo dia. Mal tinha começado nesse trabalho e ele já estava precisando urgentemente de férias.

— Sem problemas. – disse Cato, simplesmente. — Vamos para um hotel, então. Amanhã damos um jeito de voltar.

Peeta acenou e se sentiu um pouco culpado por não ter contado ainda sobre as informações que recebera de Katniss. Se o loiro soubesse da atual situação da Life ele não estaria tão tranquilo.

Mas decidiu ficar calado, por enquanto. Tinha que conversar sobre aquilo que o estava incomodando primeiro e não seria prudente compartilhar dados como esses na frente de alguém como Haymitch Abernathy.

Os dois saíram e deixaram o cara para trás, que ainda estava reclamando e falando alto, insistindo para que ficassem mais um pouco. Enquanto caminhavam, em silêncio, para o centro da cidadezinha mais próxima do Papa John's, Cato estendeu uma barra de cereais para Peeta, sem encará-lo, e enfiou as mãos nos bolsos depois. É claro que o loiro não deixou passar o fato de que ele acabou não comendo praticamente nada depois de tudo.

Peeta estava confuso, porque ele queria brigar, mas tinha aquela sensação quente no peito, que o fazia ter vontade de esquecer tudo.

Então, ele deu um mordida e fechou os olhos, sentindo a brisa fria tocar o seu rosto. O sol estava se pondo atrás deles e o céu estava alaranjado. Não importava o quão estranha tenha sido essa viagem, a beleza dos lugares por onde haviam passado era inegável. Então se lembrou.

— Quantos anos? – perguntou, também sem olhar para ele. Os dois encarando a rua como se uma atenção extra para onde estavam pisando fosse necessária. E talvez fosse mesmo, metaforicamente.

— De quê?

— Seu aniversário. Quantos anos fez?

— Ah. Vinte e sete. – ele respondeu, dando de ombros. – Vinte e sete longos anos.

— Oh. – Peeta ficou um pouco surpreso por saber que era mais novo que Cato um ano e meio. Ele era mais novo e parecia ser mais velho, uma vez que o loiro parecia nunca ter amadurecido de verdade. Peeta parou de caminhar e virou-se para o outro antes que o momento acabasse, antes que o céu escurecesse de vez. Olhou nos olhos dele e deu um meio sorriso. — Feliz aniversário, então. Apesar de que é uma pena passá-lo desse jeito, no meio do nada, longe das pessoas que você gosta.

Ao ouvir isso, Cato riu e revirou os olhos. Peeta o viu escanear o seu rosto, como acabava fazendo de vez em quando, quando achava que ele não estava olhando, e lambeu os lábios de leve e Peeta achou que ele iria beijá-lo de novo. Ele quase quis que Cato o fizesse. Mas, então, o loiro só lhe deu um soco fraco no ombro e voltou a caminhar.

— Você é um idiota. – ele disse, de leve.

— Eu sou mesmo. – disse. Ele pensou em sua reação no restaurante e entendeu o porquê de ter ficado tão chateado. Estava gostando de Cato, gostando de verdade. E isso era uma coisa que ele não queria, nem com o loiro e nem com ninguém. Ele estava procurando motivos para empurrar Cato para longe. — Sobre Haymitch…

— Eu não quero falar sobre isso agora.

Eles estavam andando mais devagar que o normal por causa da perna de Peeta, que estava doendo como o cão naquele momento e ele estava poupando comprimidos, tomando um por vez, pois eles estavam acabando e a última coisa que ele queria era ficar sem nenhum para tomar.

— Bom, mas nós temos que falar sobre isso. – Peeta insistiu. — Eu sei que recebi mal a notícia de que ele era o seu tio e tal, sinto muito por isso, mas era uma coisa meio importante para me contar, não era? Principalmente pelo fato de ele ser um tremendo filho da mãe.

— Foi justamente por isso que eu não falei nada, eu acho. – ele disse. — Eu o odeio e tive que vir aqui atrás dele, eu não queria ter ficar revirando nisso a viagem toda.

— Faz sentido. – eles chegaram até a cidadela e se surpreenderam com a quantidade de movimento. As ruas estavam bem iluminadas e vários carros transitavam, sem lugar para estacionar, tamanha era a lotação.

— O vulcão… – Cato lembrou, desanimado. — As pessoas que foram evacuadas daquela outra cidade devem ter vindo em massa para cá. Ótimo! Hoje, definitivamente é o nosso dia de sorte. Peeta, fica aqui, eu vou dar uma volta, ver se ainda encontro alguma vaga em algum hotel.

Cato já ia saindo, mas Peeta ainda não tinha terminado aquela conversa. Ainda tinha mais uma coisa que ele precisava saber.

— Cato, espera. Tem mais algo que você queria me contar? – perguntou, de forma vaga, para diminuir a sensação de estar pressionando demais. Mas o outro fez apenas selar os lábios e estreitar os olhos, então Peeta teve que ser mais direto. — Sério, eu tenho que saber… Por acaso o Snow é o seu pai?

A semelhança entre ele e Haymitch era sutil, mas estava ali para quem quisesse ver. E ele se encaixava exatamente na descrição de péssimo pai que tanto Cato quanto seu tio vinham pintando.

O loiro não respondeu com palavras, mas suspirou fundo e fez uma cara de "não posso fazer nada quanto a isso" antes de dar as costas.

Peeta suspirou também, cansado. Agora que estava sozinho, ele começou a se sentir mal, desconfortável, e arranjou logo um lugar para se sentar e ficar encolhido, enquanto as pessoas iam de um lado para o outro, com seus próprios problemas.

Ele pegou o celular e teve vontade de ligar para Lindsey, saber como ela estava ou se estava preocupada com ele. Mas era óbvio que estava. Quando viajou, a única coisa que lhe disse era que passaria uma noite fora, já era a segunda e ele não lhe deu mais nenhuma notícia. E do jeito que ela era paranóica, com essa tendência de substituir as funções da mãe deles nessa questão de superproteção, receberia a ligação dele com um sermão pronto. A última coisa que ele queria agora era ouvir um sermão.

De qualquer modo, em torno dele, as pessoas não estavam em um ânimo tão baixo. A quantidade de gente incentivou os pequenos comerciantes a formar um espécie de feira na praça da cidade e uma multidão começava a se formar. Logo, havia música alta tocando no fundo e o burburinho dos passos e das conversas se misturando. Isso só fê-lo sentir-se mais sozinho.

Entretanto, não muito longe de onde ele havia se encolhido, uma barraquinha tinha sido montada, contendo artigos que deveriam ser tradicionais na Islândia, eram coloridos e diferentes, peças de decoração em madeira talhada e alguns outros itens de artesanato. Era bonito. Haviam bengalas ali. Uma delas tinha uma forma engraçada. Era feita de uma madeira escura e a parte do apoio tinha a forma de um punho fechado, rústico e interessante.

Peeta comprou aquela bengala e recebeu uma olhada divertida de Cato quando ele reapareceu, quase meia hora depois, com a notícia de que havia conseguido um quarto. Um único quarto. Brilhante.

— Você vai dormir no sofá. – Peeta estatizou, enquanto se acostumava com o novo objeto, a bengala que ele perdeu tinha um pegador alongado comum, com esse, ele tinha uma constante sensação de estar brigando por espaço com outro punho.

Se tiver um sofá lá, talvez. Se não, você vai ter que fazer um esforço gigantesco e dormir de conchinha comigo. De novo. – Cato provocou, fazendo uma cara e bagunçando o cabelo de Peeta com aquela mão enorme. Foi uma boa oportunidade para testar a qualidade do golpe que essa bengala poderia causar e achou que era dolorido o suficiente, considerando a careta que Cato fez quando foi atingido no braço.

No fim das costas, lá estavam eles, dividindo a cama mais uma vez. Sem brigas ou resistência. Mas Peeta estava nervoso e demorou para pegar no sono. Era uma cama de casal e o espaço era maior comparado com aquela beliche em que ficaram na última noite, e eles aproveitaram essa distância, embora tenham se deitado de frente um para o outro. Peeta não conseguiu evitar passar parte da sua insônia observando Cato dormir.

Ou pelo menos, parecia que dormia.

— Você poderia, por favor, parar de ficar me encarando e relaxar um pouco? – Cato surpreendeu Peeta em determinado momento, com a voz amolecida de sono, sem abrir os olhos.

— Como…?

— Shh. – e enfiou a mão no rosto de Peeta, às cegas, tentando fazê-lo calar a boca e fechar os olhos.

— Mas, eu… tira isso da minha cara… meu olho, 'tá enfiando o dedo no meu olho, seu idiota. – reclamou, afastando o braço dele pelo punho e prendendo-o no espaço entre eles no colchão. – Eu não consigo dormir.

— Aposto que se você parar de pensar um pouquinho, vai conseguir descansar. Acho que você devia fazer yoga ou sei lá. Você é muito estressado, Peeta. – ele disse, bem menos sonolento e, mesmo na penumbra, dava para saber que ele estava achando graça.

— Olha quem fala. – Peeta disse e fez um muxoxo.

— É. Mas eu fico chateado, quebro umas coisas, faço alguns olhos roxos e fica tudo de boa. Você fica se torturando por dentro pensando em sei lá o quê. É difícil saber o que se passa pela sua cabeça.

Ele disse e ficaram em silêncio por um tempo, Peeta quase achou que o outro tinha se entregado ao cansaço, mas sentiu os dedos dele se mexerem debaixo dos seus e percebeu que ainda estava segurando a sua mão. E se sentiu um idiota por isso.

— 'Tá vendo? Está fazendo de novo. – Cato disse, gentilmente, e puxou o seu braço devagar. Peeta ficou tenso, imaginando o que aquilo significava, ele estava se afastando, provavelmente de saco cheio dos conflitos internos dele, cansado de lidar com o seu comportamento e a sua dificuldade para se adaptar.

Mas sentiu o peso de Cato balançando a estrutura da cama de leve enquanto ele se movimentava e quase levou um susto quando sentiu a mão que ele havia acabado de tirar tocar-lhe o rosto. A respiração de Cato perto de seu rosto. A temperatura ficando imediatamente mais quente com a proximidade.

— Você precisa se focar em alguma coisa. – ele disse, sussurrando, fazendo Peeta sentir arrepios em lugares que não deveria. — Pode fazer isso? Pode me deixar te ajudar a limpar a sua mente?

Mas aquilo que ele estava fazendo estava causando o total oposto do que ele estava sugerindo, sua mente não estava ficando mais limpa. Na verdade, ele estava tendo vários pensamentos impuros naquele momento.

— E como você pretende fazer isso? – Peeta perguntou, sua voz mais rouca e baixa do que o normal.

A resposta foi Cato encostando seus lábios nos dele. Suave, no começo, como se estivesse pedindo permissão para se transformar em um beijo de verdade. E Peeta consentiu. Logo o loiro explorava com ânsia, aproveitando a oportunidade para sentir o gosto e o toque do outro, como se nunca mais fosse conseguir fazer isso de novo.

Então, de repente, Cato estava sobre ele, os joelhos prendendo seus quadris com firmeza e as mãos percorrendo seu corpo, sob sua camiseta, tocando sua pele, pressionando-o, arranhando-o. Realmente, Cato era, com certeza, do tipo possessivo.

Quando finalmente se separaram, o loiro passou a depositar beijos em seu rosto, na extensão do queixo, nas bochechas, no pescoço. A impressão que Peeta tinha era que ele estava fazendo o mesmo que fazia quando o encarava de vez em quando, mas com a boca, Cato queria decorá-lo visualmente e fisicamente.

Peeta não tinha ideia de que isso o faria se sentir tão bem.

Bem até o momento em que Cato mordiscou sua clavícula, em uma região especialmente sensível, e parou. Simples assim.

— O quê? Não… – Peeta reclamou. Ele tinha a impressão de que sentiria vergonha disso no dia seguinte, mas preferiu não pensar nisso naquele momento.

— Eu não quero começar uma coisa que eu não vou poder terminar. – ele disse, firme, mas ofegante e o fato de que ele não havia saído de cima de Peeta ainda, apesar do que estava dizendo, era sinal de que ele estava tão frustrado quanto o outro.

Mas ele, infelizmente, tinha razão. Peeta não estava pronto para isso ainda, e o faria parar em algum ponto dessa… intimidade toda.

Cato grunhiu baixo e se jogou para o seu lado da cama, sem soltar Peeta, entretanto. Envolvendo-o em um abraço e cumprindo a promessa de dormir de conchinha.

Pelo menos, depois disso, Peeta dormiu quase que imediatamente.