Capítulo 10

Ponho o fone no gancho e fico olhando para a frente, pensativa. Edward Cullen está ocupado com a sua pilha de papéis.

— Volto em um segundo — digo.

Pego a carteira dentro da minha bolsa e saio às pressas. Cinco minutos depois estou em frente à pequena banca de jornal da esquina comprando o Journal. Volto rápido para a delegacia, subo esbaforida para o segundo andar e chego à minha mesa. Abro o jornal, esquadrinho as manchetes e começo a procurar a matéria página por página. Não tenho de procurar muito tempo. Na página três a manchete "LADRÃO SOFISTICADO ROUBA PRECIOSAS ANTIGÜIDADES" chama a minha atenção. Começo a ler.

"O coronel aposentado Sebastian Forkar-White foi vítima de roubo de lindas antigüidades de família enquanto dormia. Aparentemente o ladrão forçou o trinco de uma janela e entrou na casa na calada da noite. "Ele deve ter um bom olho", disse um vizinho. "Os Forkar-White só têm o que há de melhor." Uma fonte interna revelou que a polícia esta desconcertada e não tem pista alguma, a não ser um fio de cabelo que foi enviado para analise de DNA e uma substancia misteriosa encontrada na cena do crime. A primeira pessoa que esteve no local foi o sargento-detetive Cullen e uma repórter do Bristol Gazette que vem sendo sombra do detetive para fazer um diário exclusivo de seis semanas, porém o seu próprio Bristol Journal conta a história toda para vocês. Continua na página sete." Respiro fundo e fico olhando o jornal à minha frente. Meu cérebro examina freneticamente os fatos. Como alguém pode ter sabido de detalhes como esses?

— Sargento-detetive Cullen? — Ele levanta a cabeça e franze as sobrancelhas. — O senhor viu isso? — pergunto, mostrando o Journal.

— Prefiro fatos à ficção — ele diz, voltando aos seus papéis.

— Acho que o senhor devia dar uma lida nisso. — Passo o jornal para ele e espero em silêncio, observando sua expressão de incredibilidade e depois de raiva. Quando termina a leitura, olha para mim.

—Como é que...? ESTÁ VENDO? — diz ele louco de raiva. — Para mim chega! Você é responsável por isso e vou tomar providências para dar um ponto final nesse seu diário idiota.

Uma semana de tensão estala na minha cabeça. Dá quase para ouvir. Começo a gritar com voz esganiçada. Infelizmente voz esganiçada é uma descrição perfeita.

— Meu diário não é IDIOTA. O fato de nem todas as pessoas terem a sua postura arrogante e autoritária perante a vida não significa que as outras carreiras sejam IDIOTAS.

— Quem é arrogante? — ele grita de volta.

—O SENHOR é arrogante. — Eu olho para Emmett. Meus olhos se fixam nele, sentado inocentemente em sua mesa nos observando. — Ele não é arrogante, Emmett? - Emmett ri e faz que sim. Alguns outros oficiais do departamento me olham interessados e balançam a cabeça, como que concordando comigo. — Está vendo? — digo, gritando de novo para Edward Cullen. — Emmett disse que o senhor é arrogante.

— Eu não disse exatamente que Edward era arrogante. Só concordei que às vezes ele é um pouco...

— Não se meta nisso, Emmett — diz Edward Cullen com raiva.

— O senhor não aceitou a minha presença desde o começo — continuo, meio confiante. — Vai usar qualquer desculpa para se livrar de mim. O senhor tem sido pouco cooperativo, difícil e obstrutivo. Mas não percebe, com a sua agressividade, que enquanto está se sentindo e bancando o super-herói a vida dos outros... — faço uma pausa de um segundo, com ar melodramático — ... a vida dos outros e suas carreiras estão sendo minadas, só porque o senhor não agüenta ser seguido por mim durante algumas semanas. Que vergonha! — digo finalmente, de dedo em riste. Parece cena de um filme de segunda categoria do final dos anos 1940. Paro e dobro o dedo devagar. Alguns aplausos esparsos são ouvidos, que se dispersam rapidamente quando Edward Cullen se vira e olha em volta.

— Só que você não percebe, srta. Swan — diz ele, olhando para mim com ódio —, como é irritante a sua presença à minha volta. É como ser seguido por um mosquito particularmente persistente que se recusa a procurar outro pra picar. Nós somos tão poucos aqui que cada um faz o trabalho de três, e além disso agora eu tenho um trabalho extra criado por você. Por que o seu jornal não faz alguma coisa positiva em vez de atrasar o desenvolvimento de todos os meus casos? — Ele faz uma pausa. — Vou ter de relatar este vazamento de informação para o inspetor-chefe. — Vira-se no calcanhar e sai para cumprir sua missão. Estremeço e fico paralisada por um instante.

Então, Bella, a que ponto você chegou! De que forma você pensou em salvaguardar o seu futuro aqui? A comparação com o mosquito me atingiu em cheio. Reflito por um instante, tentando saber quem estava certo e quem estava errado. Parece que talvez nós dois tenhamos razão. Obviamente eu tenho mais razão que ele. Dou um suspiro para mim mesma e pego o telefone para avisar a Jake que o diário talvez seja um pouco mais curto do que imaginávamos. Disco o número para o ramal dele direto.

— Alô?

— Jake, aqui é Bella.

— Você leu a matéria?

— Li. O sargento-detetive Cullen foi avisar o inspetor-chefe.

— Que merda.

— É. Eu acho que eles vão me chutar — disse eu, falando o óbvio.

— Só por cima do meu cadáver — diz Jake rosnando. Acho que não é o momento apropriado de mostrar que (A) talvez tenha de ser assim se o sargento-detetive Cullen tiver alguma coisa a ver com isso e que (B) "por cima do meu cadáver" não é a expressão correta.

—Você sabe como o Journal pode ter conseguido essa informação?

— Não, mas vou tentar descobrir, se você quiser. Ligarei mais tarde. — Ponho o telefone no gancho, pensativa. Rose é meu ponto de partida. De início ela parece muito preocupada com alguma coisa, mas depois que eu conto tudo que aconteceu sua concentração muda de foco. Rose fica tão pasma quanto eu muito com o futuro do diário. Ela lembra que o release de RP foi distribuído hoje e que naturalmente contém as informações importantes sobre o fio de cabelo e a substância misteriosa. Falo de Edward Cullen e do nosso desentendimento, e ela faz exatamente o que eu esperava que fizesse. Liga para o Chefe para salvaguardar o numero do projeto. Sorrio para mim mesma e saio da sala. Talvez não seria tão fácil assim me chutarem. Volto para a minha mesa e fico olhando para o artigo. Edward Cullen também volta e eu me dirijo a ele.

— Então, eu vou ter de arrumar as malas?

— Ainda não. Mas não se iluda muito — diz, estalando o dedo. O lema da família Cullen é, obviamente, não "perdoar nem esquecer.. — O Chefe quer que eu vá a fundo nisso por enquanto.

— Ele e eu — digo baixinho.

—O que você descobriu?

— Nada — digo, baixando os olhos para o jornal.

— Maravilhoso — diz Edward Cullen com sarcasmo.

— Eu estou tentando.

— Com um empenho assombroso.

Eu o ignoro e leio e releio o texto, até que vem à minha cabeça uma coisa tão óbvia que não posso acreditar que não tenha visto.

—Sargento-detetive Cullen, como o senhor arquiva os seus relatórios? — pergunto de repente.

—Como assim?

—O senhor tem um arquivo para cada crime?

— Digitamos o relatório no computador e arquivamos os original e documentos adicionais em uma pasta de papel.

— Onde fica a pasta de papel?

—Todos os arquivos de papel ficam trancados na minha mesa.

— E o computador?

— Acho que não consigo guardar isso na gaveta — ele diz secamente.

— Alguém mais pode abrir seus arquivos no computador?

— É claro. Outros oficiais podem precisar de informações sobre um caso. Você não está sugerindo que alguém aqui...

— Posso ver o arquivo do computador?

Ele olha hesitante para mim, depois dá de ombros.

— Acho que sim. — Vira-se para o computador e depois de uns minutos encontra o arquivo. Eu dou a volta na mesa dele e olho por cima do seu ombro. Ele desce a tela.

— Pare aí! — digo, apontando para a tela.

— O quê?

— Pare aí. O senhor escreveu o nome de Sebastian Forquar-White com um "k".

— E daí?

— No artigo do Journal o nome está assim também. Verifiquei com Anton ontem como se escreve esse nome, e ele me disse que é com "q".

Edward Cullen fica calado, olhando para a tela.

— Isso não quer dizer nada. Alguém poderia facilmente ter cometido o mesmo erro — diz ele depois de um instante.

— Talvez. Mas será que uma pessoa de fora teria entrado neste computador? O mainframe é conectado por modem a alguma coisa?

— Não. É preciso estar dentro do departamento para entrar nos arquivos.

— Dá para saber quem usou por último o arquivo?

— Não posso saber, mas o Departamento de Informática provavelmente pode. Vou ver o que eles conseguem fazer — diz, levantando-se e saindo da sala. Volto para a minha mesa e sento pesadamente. Meu entusiasmo momentâneo é substituído por frustração. Olho em volta do departamento, imaginando, fora o suspeito óbvio, se alguém do escritório está passando informações para o Journal. Minha primeira tentativa de detectar alguma coisa termina ali. Por mais deprimente que pareça, não há nada que eu possa fazer. Preparo um e-mail para Jake dizendo que vou dar uma passada lá mais tarde para discutirmos a situação. Edward Cullen retorna depois de algum tempo.

— O senhor falou com o Departamento de Informática? —Eles vão estudar o caso. Edward Cullen volta a cuidar de seus papéis. Deve haver alguma coisa interessante ali, pois ele imediatamente pega o telefone, tem uma breve conversa, faz umas anotações e se levanta. Olho para ele intrigada. — Nós vamos sair? — pergunto esperançosa.

— Eu vou.

O que quer dizer isso? Será que ele vai ao banheiro? Fico sem saber o que fazer, até que ele olha por cima do ombro e diz:

— Vamos então, se é que você vem Saio correndo atrás dele. Ouve-se um coro de: "Tchau, Dick" e "A gente se vê mais tarde, Dick".

Espero ardentemente que ele não tenha ouvido nada. O sargento-detetive Cullen acelera o carro na rampa e nós saímos do estacionamento subterrâneo.

— Aonde estamos indo? — pergunto.

— Um policial andou interrogando umas pessoas do staff do hospital sobre o roubo de medicamentos. Eles não gostaram do jeito de uns dos enfermeiros. Vou lá interrogá-lo.

— Enfermeiro?

Edward Cullen olha para mim. — É um homem.

—Ah, sei!

Faz-se um silêncio constrangedor. Nosso relacionamento passado é um verdadeiro protesto de amor comparado à conseqüência da nossa briga. Mordo o lábio e olho pela janela. Acho que eu devia me desculpar pelo diário, mas ainda não consigo. Por fim, com uma certa má vontade:

— Desculpe se extrapolei um pouco esta manhã. Não foi uma semana muito fácil para mim. — Bom, foi quase um pedido de desculpa. Ele fala igualmente de má vontade:

— Tudo bem. Desculpe por ter chamado você de mosquito. Apesar de ser verdade, não devia ter dito isso. — Esse pedido de desculpa foi ainda pior do que o meu. Nós nos olhamos, sem sinal de arrependimento, e seguimos durante todo o trajeto em silêncio. Vou pensando no interrogatório do suspeito e tentando alcançar Edward Cullen, que se dirige para a casa do suspeito.

— O senhor quer que eu diga alguma coisa? — pergunto.

— Não. Fique de boca calada.

— O senhor não quer que ajude em nada? — sugiro, ansiosa para me envolver no caso.

— Ajude?

— Bom, talvez eu possa fazer o papel da má policial ou coisa parecida. - Ele pára e me olha.

— Má policial?

— Ou boa policial. Tanto faz. Ou...

— Srta. Swan, agradeço a sua oferta de ajuda, mas sabe qual é o erro fatal disso tudo? — Mostro um ar de curiosidade — Você não é policial. Entendeu? Bom policial — continua ele devagar, apontando para si mesmo, como se explicasse para uma criança de cinco anos, depois apontando para mim —, não policial. — E remete a cena. — Mau policial. Não policial. Entendeu? Você anda vendo televisão demais.

Eu me resigno a ficar quieta. Subimos uma escada de ferro batido e ele toca a campainha do apartamento três. Nenhuma resposta. Edward Cullen vira-se para mim.

— Lembre-se, bico calado. — Sacudo a cabeça veemente, como se essa idéia nunca me tivesse ocorrido. Uma fresta da porta se abre. O sargento-detetive Sabine mostra sua identificação e pergunta: — O senhor é Kenneth Tanner? - A figura sombria faz um sinal afirmativo com a cabeça. — Eu sou o sargento-detetive Sabine. Gostaria de lhe fazer umas perguntas com relação ao roubo do hospital onde o senhor trabalha segundo me informaram. — A porta se abre um pouco mais e vera um homem dos seus vinte e cinco anos, com calça e blusão de moletom surrados.

— O que o senhor deseja saber?

A impressão que temos é a de que o homem vai abrir a porta para nos dar passagem, mas ele bate com a porta na nossa cara quando fazemos menção de entrar. Edward Cullen, que tem obviamente reações mais rápidas do que as minhas, tenta agarrar o homem pelo ombro, mas é tarde demais, a porta já foi trancada. Ele dá um passo atrás e chuta a porta com a perna direita, bem acima da maçaneta e cai de encontro à parede.

—Fique aqui — ele diz, correndo para dentro.

Não é preciso dizer que eu não fico. Vejo-o atravessar o corredor como uma flecha e passar por uma porta do outro lado. Depois ele entra no quarto e eu chego a tempo de vê-lo lutando com Kenneth Tanner para ele não fugir por uma janela aberta, com uma escada de emergência do lado de fora. Passados não mais de trinta segundos Edward Cullen prende as mãos do suspeito atrás das costas, ajoelha-se sobre ele, tira do bolso um par de algemas, como que num passe de mágica, e coloca-as no homem para finalmente ler os seus direitos. — O senhor não é obrigado a responder nada. Mas isso pode atrapalhar a sua defesa...

Puxa! E nem é hora do almoço ainda.

— Bella! Meus parabéns! — diz Emmett. — Sua primeira prisão!

— Muito bom! —grita outro oficial da sua mesa, e vários outros sorriem para mim. Retribuo os sorrisos com modéstia.

— Foi uma prisão difícil? — pergunta Emmett brincando.

— Terrivelmente difícil. - Edward Cullen está atrás de mim, Emmett gesticula para ele.

— Dick ajudou muito?

— Foi um inútil. Ficou sentado no carro. — Emmett e eu rimos. O sargento- detetive Cullen revira os olhos para cima e sai. Vou para a minha mesa e de repente me dou conta de que a história da minha primeira prisão provavelmente irá vazar. Cullen começa a fazer o longo trabalho burocrático que se segue a uma prisão (se fosse eu, acho que provavelmente iria preferir deixar o suspeito fugir) enquanto escrevo o capítulo de hoje no meu laptop. Emmett dá uma volta pela sala e joga mais uns papéis na mesa de Edward.

— Acabei de falar com os peritos. Aro me pediu para lhes entregar isso.

— Que papel é esse? — pergunto.

— O relatório do roubo na casa de Forquar-White. — O sargento-detetive Cullen já está lendo.

— Eles já tiveram o resultado do DNA do fio de cabelo? — pergunto muito excitada. O sargento-detetive Cullen nem olha para cima, mas Emmett responde.

— Isso leva semanas para ficar pronto, Bella. Não é de alta prioridade...

— Por quê? — Bem, assassinatos, estupros e outras coisas do gênero são mais prioritárias que um roubo.

— Eles não conseguiram identificar a substância peculiar — diz Edward Cullen baixinho, com os olhos grudados no relatório.

— É mesmo — diz Emmett. — Aro mencionou isso. Disse que não tem idéia do que possa ser.

— Eles vão tentar descobrir? — pergunto horrorizada. Edward Cullen levanta a cabeça.

— Eles não têm recursos no momento, srta. Swan. Falta de verba. É outro assunto que poderá ser discutido no seu diário.

O resto da tarde fica tomado com o interrogatório de Kenneth Tanner, ao qual não tenho permissão de assistir. Eu espero não ser espionada de novo, mas quando vejo Edward Cullen digitar os detalhes no computador percebo, com o coração partido, que as notícias não vão parar ali. No final da tarde arrumo as minhas coisas, me despeço e vou para o jornal encontrar-me com Jake.

— Então? — ele pergunta.

— Então o quê?

— Você descobriu alguma coisa sobre o Journal?

— Descobrimos que alguém deve ter lido os arquivos do sargento-detetive Cullen no computador, o que significa que pode ser praticamente qualquer pessoa do prédio, com a possível exceção das atendentes da cantina. E talvez nem mesmo elas. O Departamento de informática está tentando rastrear o culpado, mas sem grande entusiasmo. E você, conseguiu descobrir alguma coisa?

— Fiz uns contatos com uns ex-empregados do Journal para ver se eles têm alguma pista, mas todos disseram que foi uma fonte interna.

Eu me sento na cadeira em frente a Jake, e ele fica andando por trás da mesa.

— Spike Troman é o repórter policial, não é? — pergunto. Pelo que eu sei, Spike é um homem pequeno, com cara de fuinha, cujo nome forte, infelizmente para ele, não condiz coma sua natureza. Ele não tem nada de especial.

— Não há a menor possibilidade de Spike ter feito esse tipo de coisa. Ele é medíocre demais para isso.

— Há quanto tempo você acha que ele tem um contato na delegacia? — pergunto.

— Eles não podem ter arranjado alguém só para arruinar o seu diário. Esse diário foi resolvido tão depressa que não haveria tempo para isso.

— Mas foi muito escandaloso. Revelação de material da perícia e coisas assim. Eles devem saber que vai haver um interrogatório.

— Sabotagem deliberada. Seu diário deve ter deixado o pessoal preocupado. Eu esperava que fosse um sucesso tal que faria com que os leitores passassem do Journal para nós. Provavelmente eles acharam que valia a pena arriscar uma espionagem.

— O que podemos fazer?

— Você pode tirar os detalhes do computador para que eles não possam ser copiados?

— 0 sargento-detetive Cullen não concordaria com isso.

— Bom, então não adianta. Talvez com a atuação do Departamento de Informática o informante fique amedrontado. Não confie em ninguém lá, Bella.

— Eu não confio.

— Não mande o seu material por e-mail; é melhor você vir ao jornal todo fim de tarde para entregar o trabalho pessoalmente. Além disso, Bella, você pode tentar fazer alguma coisa diferente do Journal?

— Como assim?

— Nós não publicamos nada que não fosse do conhecimento do Journal. Eles estão nos fazendo de idiotas. Devíamos ser os únicos lá dentro, mas eles ainda estão conseguindo todas as matérias. Você vai ter de descobrir alguma coisa interessante com esse detetive, coisas a que o Journal possivelmente não teria acesso. Ele gosta de roscas fritas? Há muitas hostilidades internas no escritório? Escreva alguma coisa bem apimentada! Dê aos leitores alguma coisa que o Journal não possa dar. Detalhes.

— Detalhes — repito, balançando a cabeça e saindo preocupada do escritório para buscar o Tristão.

Eu me sinto enfurecida com o Journal e o seu maldito espião. Eles estão arruinando a minha única grande chance. Quem estaria fazendo isso? A única coisa que se teria a ganhar seria dinheiro, e mesmo assim com grandes riscos. A não ser que... A não ser que um oficial de polícia que não gosta de repórteres esteja tentando se ver livre da sua assistente. Mas será que ele realmente sabotaria os seus próprios casos para me ver pelas costas?