- O Ian viajou ontem para a Islândia, minha amiga já deve estar indo agora para a sessão de chaves de portal – Disse Julie alegremente sentada na mesa de Hydra enquanto Letizia não chegava.
- Você acha que vai dar tudo certo? – Perguntou Hydra.
- Porque não... – As duas foram interrompidas por Letizia que chegava na sala com IAN!
- IAN? – Perguntaram as duas ao mesmo tempo.
- A, sim, eu – Disse um claramente falso Ian que parecia muito desajeitado e assustado.
- Papai mandou a gente trocar, eu vou para a Islândia e ele vai para Rússia – Disse Letizia – Só vim pegar uns papéis.
Hydra entrou em pânico, olhou assustada para Julie.
- Mas não pode! – Gritou Julie.
- E por que não? – Perguntou Letizia com desprezo.
- Porque, porque...
- Porque o Ministro da Islândia já tem uma ótima relação com o Ian.
- Eu não quero saber, são ordens do papai... – Disse Letizia que se abaixava na mesa para pegar algo.
O falso Ian estava parado na porta da sala, Hydra congelou, não sabia o que fazer agora.
- Não – Disse Hydra se colocando na frente de Letizia e bloqueando sua passagem.
- Você está maluca, Macmillan? – Disse Letizia a empurrando do caminho.
- Somnum- Hydra ouviu Julie falando e imediatamente Letizia caiu, dormindo, no chão.
- Ai meu Deus, o que a gente fez? – Disse Hydra.
- Me ajuda a colocar ela na cadeira, a gente vê o que faz quando ela acordar – Disse Julie – Danny, vai para a sala de chave de portal combinada e diz que teve uma mudança de planos, vai logo antes que o tempo acabe, corre! – Disse Julie para a bruxa (que parecia o Ian) que estava tão assustada que ficou parada, até Julie gritar e ela (ele) sair correndo.
Hydra ajudou Julia a colocar Letizia sentada em sua cadeira, com a cabeça baixa na mesa, em um sono profundo.
- O que vamos fazer agora? – Disse Julie desesperada andando de um lado para o outro.
- Eu não, usar confundus, talvez? – Perguntou Hydra.
- Não sei se vai funcionar nesse caso, era para eu ter usado antes, mas eu não consegui pensar, eu entrei em pânico! – Disse Julie com as mãos na cabeça e ainda andando de um lado para o outro da sala.
- Então o que? Ela vai acordar e saber o que fazemos e vai contar para o pai que vai querer saber o porquê fizemos isso, eu acho que posso arranjar uma poção que bloqueia um pouco o veritaserum se nos derem, mas vocês não são treinados para resistir o Imperius, fora que podem usar o cruciatus...
- Hydra, para, você está me assustando! – Disse Julie a olhando com os olhos no mais absoluto pânico – Se a gente pudesse pelo menos mudar a mente dela...
- É isso, Julie, eu posso! – Disse Hydra dando um salto em sua direção.
- Como?
- Eu sei legitimência, eu dúvido que ela tenha alguma habilidade com oclumência, eu sei fabricar memórias falsas.
- Você sabe o que? – Disse Julie de boca aberta – Aonde você aprendeu essas coisas?
- Uma longa história... mas vamos, temos que pensar no que eu vou colocar na cabeça dela, enquanto ela estiver dormindo é um ótimo momento.
Hydra e Julie combinaram que Letizia iria acreditar que desmaiou enquanto estava a caminho da chave de portal e Ian a acolheu e se ofereceu para ir em seu lugar, então Hydra deu uma poção calmante e ela acabou dormindo.
- Eu nunca fabriquei uma memória antes, espero que funcione – Disse Hydra – Cheque a porta, ninguém pode entrar – Disse para Julie que ficou parada nela.
Entrar na mente de Letizia era mais fácil do que Hydra imaginava, aliás, nunca foi tão fácil entrar na mente de alguém antes, ela entrou na memória do que tinha acontecido e a modificou de acordo com sua vontade, depois ficou rezando para que desse certo.
- Você está suando – Disse Julie quando Hydra acabou.
- Não é fácil mudar uma memória, aliás, agora eu que estou me sentindo meio doente – Disse Hydra sem forças para ficar em pé e sendo amparada por Julie.
Enquanto Julie ajudava Hydra a se sentar e ela tomava uma poção revigorante que tinha nas vestes, Letizia acordou, as duas olharam para a menina com espanto.
- O que está acontecendo? – Disse Julie confusa – Minha cabeça dói!
- Você desmaiou no corredor, Ian te colocou na cadeira e eu te dei uma poção para te acalmar, se lembra? – Perguntou Hydra nervosa com a resposta.
Letizia parecia confusa por um momento, como se fizesse um grande esforço para lembrar de algo.
- Sim... sim, eu acho que sim, mas por quê isso aconteceu? – Perguntou ela.
- Talvez esteja doente, seria bom ir até o St. Mungo's talvez.
- Não, eu já estou bem – Disse ela – Ian foi no meu lugar para Islândia? E quanto a Russia?
- A Russia é daqui 10 minutos, se você quiser eu vou – Disse Julie.
- Não, não, eu estou bem, eu vou, só não diga ao papai que eu desmaiei por favor...
- Você vai falar o que para ele?
- Que me senti mal e pedi para o Ian ir no meu lugar, é estranho..., mas, bem, eu vou indo – Disse Julie levantando e saindo pela porta.
- Eu não acredito que deu certo – Disse Julie quando ela saiu.
- Mas será que por quanto tempo? Eu nunca construí uma memória antes, não sei se é permanente.
Julie levantou sem falar nada e procurou um livro na prateleira.
- Aqui, esse livro fala sobre legitimência – Disse ela colocando uma cadeira ao lado de Hydra – Aqui diz que se o feitiço for bem feito, a memória não é desfeita.
- E se alguém desconfiar e tentar arrancar a memória verdadeira dela? – Perguntou Hydra.
- Não acho que isso seja possível, fique calma...
Mas nenhuma das duas ficou calma, as duas passaram a manhã no maior estresse que Hydra já sentiu na vida, então, Ian (o verdadeiro) apareceu um pouco antes de Letizia.
- O que diabos houve? – Perguntou ele, nervoso.
Hydra e Julie contaram rapidamente o que aconteceu e então Letizia apareceu na sala.
- O que houve com vocês? – Perguntou Letizia com seu mesmo olhar de desprezo de sempre.
- Nada... você está melhor? – Perguntou Ian.
- A, sim, estou... obrigada eu acho, eu não consigo lembrar direito o que aconteceu, mas acho que você me ajudou, não foi? Obrigada de qualquer maneira.
Graças a Deus por Letizia ser tão lerda, pegou Hydra, eles passaram o dia inteiro sem ela desconfiar de nada sobre sua memória alterada, a não ser que talvez tivesse batido com a cabeça, se fosse alguém mais esperta, talvez desconfiaria mais dos três, até nisso tiveram sorte no final das contas...
O Sr. Spinelli entrou correndo na sala, por um momento Hydra tinha certeza que tinha dado tudo errado e ele descobrira tudo.
- O ministério foi invadido! – Disse ele parecendo sem fôlego.
- Por quem? – Perguntaram todos ao mesmo tempo.
- Harry Potter!
- O QUE? – De novo, todos falaram ao mesmo tempo.
- Sim, ele entrou com poção polissuco, fingindo ser funcionários, correram com os nascidos trouxas que estavam esperando audiência e fugiram!
- Eles fugiram? Aqui dentro? Eles fugiram? – Perguntou Hydra chocada, com a boca aberta e caindo na cadeira.
- Sim, mandaram isolar todas as saídas e entradas, mas eles entraram e parece que pegaram algo da Umbridge, não sei direito todos os detalhes ainda – Disse o Sr. Spinelli.
- Meu Deus, mas por quê eles fizeram isso? – Perguntou Hydra
- Eu não sei, não sei o que aquele meio-sangue imundo faz ou o porquê, mas só para vocês saberem, todas as saídas estão trancadas.
Hydra encontrou Fred e Jorge em sua casa com Peter naquela noite.
- O Rony invadiu o Ministério? Uau, eu nunca imaginei ele fazendo algo legal desse jeito – Disse Fred.
- Totalmente, nosso irmãozinho cresceu! – Disse Jorge irôinco.
- Eles estão em então? Harry, Hermione e Rony? Eles não foram achados? – Perguntou Peter.
- Não, estão bem sim, pelo que ouvi no ministério não sabem que o Rony e a Hermione estavam junto, eu só deduzi mesmo que ele não estivesse sozinho pelo que me falaram e só pode ser com eles que estava, certo? - Disse Hydra.
- Meu Deus, o que será que eles estão aprontando? – Perguntou Peter, ainda chocado com o acontecimento.
- Não sei, mas com certeza era algo importante, eu só espero que eles estejam bem de verdade e saibam o que estão fazendo – Disse Hydra – E falando nisso...
Hydra contou toda história sobre o que deu de errado com a viagem deles naquele dia.
- Hydra, pelo amor de Deus, que risco vocês correram! – Disse Peter horrorizado quando ela chegou em casa e contou para ele o que houve.
- Eu sei, eu sei disso, mas foi um momento desesperado! – Respondeu ela.
- E agora? Como vai ser? – Perguntou Peter sentando ao seu lado no sofá.
- Não sei Peter, com sorte a Letizia vai manter a boca fechada e nada vai mudar...
- Espero que sim, Hydra, mas realmente é muito arriscado o que vocês fizeram meu amor – Peter a abraçou, Hydra sabia que ele sentia medo, medo de que ela fosse presa ou algo pior acontecesse, na verdade, Hydra naquele momento também sentia esse medo.
As consequências do esforço para alterar a memória de Letizia apareceram nos dias seguintes, foram dois dias com dor de cabeça e lentidão, a segurança no Ministério estava incrivelmente fechada depois da invasão de Harry Potter, cartazes com o seu nome e rosto oferecendo uma grande recompensa já eram espalhados desde antes, agora mais ainda, ele era considerado o indesejável número 1, na sexta, até para se vestir levou um tempo, finalmente escolheu uma veste preta um pouquinho justa no corpo com detalhes em prateado não brilhante no peito até o umbigo, normalmente usava roupas mais simples para trabalhar, mas ainda estava se sentindo tão lerda quanto nos outros dias, a sensação só melhorou lá para a hora do almoço, aonde todos do setor foram chamados para uma reunião com o Sr. Spinelli.
Ao entrarem na sala do Sr Spnielli, levaram um choque ao ver, o pai de Ian, o Sr. Kozlov outros dois bruxos que Hydra não conhecia, um de vestes azuis escuras e outro de vestes pretas muito bonita esperando.
- Sentem-se – Disse o Sr. Spinelli.
Todos se sentaram com a mesma expressão de pânico no rosto, será que descobriram algo? Mas Letizia também parecia estar confusa com o que estava acontecendo, ela não poderia ter denunciado então eles, poderia? Será que ela sabia de algo? Ela não era tão boa atriz assim.
- Bem, como eu disse no primeiro dia de volta ao trabalho de vocês, provavelmente haveriam mudanças no nosso departamento – O sr. Conrado olhava fixamente para cada um, menos para Letizia – Queria dizer vocês irão mudar de departamento no Ministério.
Todos soltaram múrmuros de surpresa, mas Letizia foi a que ficou mais chocada.
- Até eu, papai?
- Sr. Spneilli aqui, já disse! – Disse ele meio sem paciência – Não, você não, mas Kozlov, Macbay e Macmillan sim.
Os três se olharam, era coincidência demais que tenham sido removidos de seus cargos logo depois do incidente com Letizia, alguém sabia de algo, ou pelo menos desconfiavam, isso já era certo!
- O sr. Kozlov Sênior solicitou os serviços do sr. Kozlov para o setor dele, Ian Kozlov agora vai trabalhar no setor administrativo do representante Russo.
Ian parecia arrasado, com certeza não parecia querer trabalhar para o pai e Hydra sabia que isso significava que ele ficaria longe de chaves de portal por um tempo.
- Senhorita Macbay foi requisitada no setor de manutenção mágica.
- O que? – Disse Julie – Mas eu sempre trabalhei no setor de cooperação internacional, sempre! Eu não sei nada sobre manutenção mágica!
- Por favor calada, srta. Macbay ou não irá para setor nenhum, o sr. Handson aqui irá lhe ensinar tudo o que precisa saber, irá ser assistente de manutenção.
- Assistente de manutenção? – Disse ela indignada.
Hydra sabia que Julie estava sendo mais punida do que todos, era uma queda muito grande de função para a que ela tinha agora e Julie tinha fúria no olhar.
- Não se preocupe, é melhor do que pensa – Disse o bruxo de vestes azuis.
- Quanto a você, Sra Macmillan, Dollores Umbridge pediu para que o sr. Knight aqui a leve pessoalmente até ela para que lhe explique sua nova função.
Umbridge? Umbridge? Hydra não conseguia acreditar, Umbridge queria ela? Mas para o que? Seria ela punida? O que estava acontecendo?
- Mas por quê essas mudanças, Sr. Spinelli? – Perguntou Hydra.
- Eu sinceramente não sei, Sra Macmillan, eu gostava do seu trabalho, irá fazer falta – Disse o Sr. Spinelli parecendo extremamente sincero.
Os três seguiram com seus novos chefes, Hydra seguiu em silêncio o homem com as vestes pretas, eles os levaram até sua antiga sala, aonde os três pegaram com tristeza os seus pertences, os três trocaram um longo olhar, tristes, Hydra sabia o que cada um deles queria dizer "fomos descobertos".
Os três saíram, Hydra seguiu com o bruxo de vestes pretas até o elevador.
"Nível um, ministro da Magia e Serviços Auxiliares." – Disse a voz no elevador depois de um tempo.
- É aqui – Disse o bruxo.
Hydra continuou o seguindo pelo espesso carpete do corredor, lembrou quando eteve ali uma vez para ver Fudge e encontrou seu pai no elevador, foi passando pela sequência de portas de madeira envernizadas, cada uma com uma plaquinha indicando o nome do ocupante e a respectiva função, o poder do Ministério, eles viraram em um canto. Na metade do corredor seguinte, desembocaram em um espaço aberto, onde uma dúzia de bruxos e bruxas estavam sentados a pequenas escrivaninhas enfileiradas que lembravam as da escola, embora muito mais lustrosas e sem rabiscos. Em sincronia, eles gesticulavam com as varinhas fazendo quadrados de papel colorido voarem em todas as direções como pequenas pipas cor-de-rosa. Eles pararam em frente a uma porta de mogno defronte ao espaço que ocupavam aqueles bruxos. Hydra viu a porta de Umbridge, em uma placa perto de um buraco lia-se:
Dolores Umbridge
Subsecretária Sênior do Ministro
Abaixo, uma plaqueta nova um pouco mais reluzente informava:
Chefe da Comissão de Registro dos Nascidos Trouxas
- Entre – Disse uma voz doce e feminina quando o homem bateu na porta.
A sala era muito parecida ao escritório da bruxa em Hogwarts: cortinas de renda, paninhos bordados e flores secas cobriam todas as superfícies disponíveis. As paredes exibiam os mesmos pratos ornamentais, cada um deles com um gato muito colorido e laçarote de fita, aos saltos e cambalhotas, enjoativamente bonitinho. Sobre a escrivaninha, havia uma toalha florida arrematada com babados. Por trás do olho de Olho-Tonto, um acessório telescópico permitia a Umbridge espionar os funcionários do outro lado da porta. Umbridge estava lá, com suas vestes cor de rosa e seu sorriso irritante de sempre, sentada em sua escrivaninha.
- A, srta. Malfoy – Disse ela sorrindo – Quer dizer, senhora Macmillan, que prazer! Sente-se – Disse ela apontando para a cadeira em frente a sua escrivaninha.
Hydra se sentou nervosamente, parecia uma menina aluna de Hogwarts novamente em seu sétimo ano, mas agora pior, agora poderia ser punida e levada até Azkaban e não expulsa do colégio.
- Você pode ir, Knight, muito obrigada – Disse ela com sua voz cantada.
O Homem fez uma pequena reverência e se retirou, Umbridge olhava para ela sorridente (com seu sorriso falso e assustador de sempre) e então olhou para sua barriga.
- O bem, quem diria, não é Malfoy? Que eu encontraria você aqui, casada, grávida, com uma carreira no Ministério e não só mais uma jovenzinha aluna, incrível, não? – Umbridge deu uma risadinha que foi até todos os nervos de Hydra.
- Sim, incrível... – Respondeu Hydra.
- Você está bonita como sempre, elegante, uma sangue-puro sem dúvidas – Disse ela de novo a analisando. Hydra se sentia enojada, mas nada falava.
- Obrigada – Respondeu Hydra sem emoção.
- Bem, você deve estar se perguntando porque eu chamei a Senhora aqui, certo? – Umbridge mantinha o tom e o sorriso que poderiam até enganar alguém que não a conhecesse.
- Sim, claro, de fato estou, por quê eu estou saindo do meu departamento? – Perguntou Hydra.
- Porque eu acho que uma mocinha puro-sangue como você pertecende a outro lugar, o Ministério está em reforma e você é uma delas.
- Por que eu faço parte dessa mudança? - Umbridge tirou o sorriso do rosto por um segundo, mas logo voltou.
- Bem, minha querida, achamos que você e seus amigos mereciam posições diferentes das que estão agora, só isso.
- E qual posição eu vou exercer agora?
Umbridge deu um cuidadoso e assustador sorriso.
- Por que você não olha na sua identificação?
Hydra pegou imediatamente sua identificação do Ministério do bolso das vestes e agora na parte de departamento, onde antes era escrito confederação Internacional de Bruxos, sede britânica, agora dizia, Comissão de registro dos nascidos trouxas.
- Eu vou ser da comissão? – Perguntou Hydra se sentindo confusa, eles dariam a ela mais poder sob os nascidos trouxas? Isso no final poderia ser bom, ela poderia ajudá-los, sumir com papéis, forjar linhas de família, etc. Hydra deixou até escapar um leve sorriso antes de Umbridge continuar.
- Você irá registrar, então espero que seja boa com pena e pergaminho.
- Registrar? – Perguntou Hydra agora voltando a realidade – Registrar o que?
- As audiências, é claro, você irá ver cada uma delas comigo, irá anotar tudo que acontece e depois passar tudo a limpo da forma apropriada.
- Eu vou ver as audiências?
- Sim, todas elas, cada uma e srta. Malfoy... Perdão Macmillan, nem pense em tentar alterar alguma ata, a pena que você usará é mágica e não permitira que você minta, você vai ver, vai anotar, vai assinar cada papel, cada ordem de aprisionamento, cada uma delas terá sua assinatura, normalmente nós pegaríamos pessoas de departamentos variados para irem uma de cada vez, variando, mas eu preferi assim, por que não, certo? – Umbridge sorria mais ainda.
Hydra começou a ter lágrimas nos olhos, enquanto Umbridge tinha um sorriso ainda maior, ela entendera agora, isso era um castigo, uma punição horrível, ela teria que assistir a todos os nascidos trouxas sofrendo sem poder fazer nada para ajudá-los.
- Eu não... eu não vou fazer isso... – Disse Hydra se controlando para não chorar.
- Você nao o que, querida? Não vai fazer? Bem, então talvez o Ministério tenha que tomar providências contra a sua querida família e amigos.
- Meus pais? O que vocês vão fazer com meus pais? E comigo?
- Não seus pais, seu marido, seus sogros, seu marido, aquele seu cunhado que trabalha com comércio internacional, aqueles Weasleys traidores do sangue que você tanto ama, principalmente aqueles gêmeos horrorosos, sua querida tia casada com aquele sangue-ruim que já está foragido do Ministério, sua prima e aquele lobisomen imundo...
- Mas o que eles fizeram?
- Nada, mas eles já estão sob suspeita de ajudar um indesejável, assim como você, é claro, então será fácil arranjar algo, não acha?
- O que você quer, Umbridge? Quem lhe mandou fazer isso? – Hydra ma controlava as lágrimas agora.
- Nada de mau minha querida, eu não ia querer punir uma linda família mágica de sangue-puro como a sua, eu quero lhe mostrar que não importa o quanto você tente, o quanto você queira, os nascidos trouxas vão ter o que eles merecem e você só pode assistir... E ninguém me mandou nada, isso foi ideia minha, quando soube que a senhorita estava disponível, não pude resistir, eu sei que está sob má influência, mas ainda é uma filha de Lúcio Malfoy, uma sangue puro das mais nobres que tem, não podia deixar isso ser jogado fora assim – Umbridge dava uma risada feliz.
- E se eu fizer, se eu ficar quieta trabalhando, você vai deixar minha família e meus amigos em paz?
- Sim, claro e você poderá ter sua licença maternidade, é claro, não queremos uma criança de puro-sangue nascendo com problemas, é só uma lição, minha querida, acredite, um dia, muito provavelmente você vai me agradecer.
Hydra sofria muito para não chorar, não queria parecer fraca na frente de Umbridge, desse monstro que estava na sua frente.
- Aonde eu fico? – Perguntou ela engolindo o choro e fechando a cara
- Ali, na frente da minha sala, na frente dos que estão fazendo os panfletos, separei uma mesinha para você, mas não fique muito confortável, vamos passar a maior parte do dia fazendo audiências, não é maravilhoso?
Umbridge acompanhou Hydra até o lado de fora da sua sala e a colocou em uma mesa quase na frente da sua porta.
- Aqui, por que não coloca suas coisas aqui na mesa? Fique a vontade, quando tivermos que sair eu aviso.
Umbridge entrou para sua sala, Hydra ficou sentada, contemplando o chão.
- Ei, psiu, por que você está aqui? – Perguntou uma bruxa baixinha atrás dela – Achei que essa equipe já estava cheia...
Os bruxos ao redor dela, nas outras mesas, a observavam também.
- Eu, eu fui transferida de outro setor, mas eu tenho outra função – Respondeu Hydra.
- Ela pegou pesado com você? Você parece arrasada – Disse um bruxo ao lado da bruxa que fez a pergunta anteror.
- Bem pesado... – Respondeu Hydra.
- Hunf hunf – Umbridge deu uma tossidinha, que arrepiou Hydra, lembrava das épocas da escola – Não temos necessidade para conversas, agora, temos?
- Não, Madame Umbrigde – Responderam todos, parecendo muito infelizes.
- Malfoy, vamos?
- Macmillan – Disse Hydra sem muita vontade e Umbridge parece não ter ouvido, ou apenas ignorado ela.
Elas desceram até o átrio, todos pareciam temer e/ou respeitar Umbridge, Hydra só parecia miserável atrás dela a seguindo, elas viraram no portal à esquerda, desceram uma escada que levava até uma câmara. Hydra começou a sentir um frio anormal e tornando mais forte a cada passo que dava: um frio que entrava por sua garganta e forçava seus pulmões. Então sobreveio aquela sensação sub-reptícia de desespero, uma desesperança, uma sensação pior ainda da que já tinha antes de entrar ali.
- Dementadores – Disse ela baixinho, mas Umbridge ouviu.
- Sim, querida, estão aqui para cuidar dos que forem condenados e bem... – Mesmo de costas, Hydra conseguia ver que Umbridge sorria.
Quando alcançou o pé da escada e virou à direita, deparou com a cena mais triste que já viu na vida. O corredor escuro ao longo das câmaras judiciais estava repleto de vultos altos e encapuzados, dementadores. Cheios de terror, os nascidos trouxas trazidos para interrogatório tremiam apertados nos bancos duros de madeira. A maioria escondia os rostos nas mãos, num gesto instintivo para se proteger das bocas vorazes dos dementadores. Alguns estavam em companhia da família, outros sentavam-se sozinhos. Os dementadores deslizavam de um lado para outro diante deles, mas não chegavam perto de Umbridge e Hydra, a sensação de terror, tristeza e medo crescia tanto em Hydra que ela teve vontade de chorar, ela também sentia Libra se mexendo em agonia dentro dela.
- Expectro Patrono – Disse Umbridge e um gato prateado começou a cercar as duas, a sensação de melhora foi imediata, pela primeira vez, ficou realmente grata por Umbridge.
Elas entraram pela porta de uma das masmorras, era uma sala não muito grande, com o teto alto, havia outros dementadores ali, cobrindo o local com sua aura congelante; estavam postados como sentinelas sem rosto nos cantos mais afastados da imponente plataforma. O gato patrono de Umbridge seguiam as duas, que sentaram atrás de uma balaustrada, você, sente ali do outro lado, Hydra obedeceu, petrificada com a cena, Umbridge conjurou uma pequena bandeija no seu colo, pergaminho, pena e tinta.
- Anote tudo que ver e ouvir – Disse ela com autoridade, o gato de Umbridge andava de um lado para o outro da sala, Hydra não sentia o desespero vindo dos dementadores, somente o que vinha dela mesma – E aqui estão os pergaminhos com os questionários de cada um deles, me passe quando necessário – Disse Umbridge entregando alguns pergaminhos para ela guardar, Hydra tinha vontade de queimar tudo, mas sabia que não iria adiantar.
- Um bruxo que Hydra reconheceu como Yaxley chegou na sala, com seu patrono ao seu lado.
- Umbridge – Disse ele se sentando ao seu lado e seu patrono se desfazendo – Quem é essa? – Perguntou ele olhando para Hydra, que sentava dura em um canto.
- Malfoy – Respondeu Umbridge.
- Malfoy? – Disse Yaxley sorrindo – Filha de Lúcio e Narcisa? – Ele olhava para Hydra.
- Sim, a mais velha – Respondeu Umbridge.
- Achei que ela estava... bem, desviada de seus caminhos.
- Estava, mas não mais, não é querida? – Perguntou Umbridge se virando para ela.
- Não, de jeito nenhum... – Respondeu Hydra, ainda encarando cada canto da sala.
- Lúcio vai ficar feliz de ouvir isso então – Respondeu Yaxley – Sempre bom termos puros-sangue conosco, não acha, Umbridge?
- Com certeza, Yaxley.
Hydra ficava enojada como os dois podiam achar aquilo tudo tão normal, tão divertido até, parecia pelo menos que achavam.
- Bom, vamos chamar o primeiro sangue-ruim? – Perguntou ela para ele.
- Vamos – Respondeu Yaxley sorrindo.
- Brian Ashley – Umbridge colocou a varinha na garganta e sua voz ficou magicamente ampliada.
Um bruxo de meia idade, baixinho e barrigudo, com a expressão mais infeliz que Hydra já viu na vida, entrou.
- Sente-se – Disse Umbridge com sua voz suave e sedosa apontando para a única cadeira no centro da sala.
- Você é Brian Makenzie Asheley? – Perguntou Umbridge.
- Si... Sim senhora – Disse o bruxo trêmulo. O coração de Hydra se apertava cada vez mais.
- Anote, Malfoy – Disse Umbridge se virando para ela e Hydra começou a anotar tudo.
- É casado com Maria James Asheley? – Enfermeira do Hospital St. Mungus para Doenças e Acidentes Mágicos
- Sim – Confirmou o Bruxo, ainda apavorado.
- É pai de Lisa e Carlos Asheley?
- Sim – Confirmou mais uma vez o bruxo.
Tinha filhos, uma esposa... Era horrível ouvir tudo isso, pobre homem...
- Eles são meus filhos, minha esposa, por favor... – Suplicou o homem.
- Nos poupe dos seus lamentos, sangue-ruim – Disse Yaxley.
– A varinha que tinha em seu poder quando chegou hoje ao Ministério, sr. Asheley, foi confiscada – ia dizendo Umbridge. – Vinte e sete Centímetros e três décimos, madeira de pinho, núcleo de pelo de unicórnio. Reconhece a descrição?
- Sim, sim, é a minha varinha – Disse o bruxo ainda apavorado.
– Pode, por favor, nos dizer de que bruxa ou bruxo tirou essa varinha?
Hydra se assustou tanto quanto o pobre bruxo, como assim tirou?
- Tirei? Eu não tirei de ninguém, senhora, eu comprei aos 11 anos, do Olivaras!
Umbridge sorriu e Yaxley a acompanhou em uma leve risada.
– Não – replicou Umbridge –, não, acho que não, sr. Asheley. Varinhas escolhem somente bruxos. O senhor não é nenhum bruxo. Tenho aqui as respostas ao questionário que lhe foi enviado – Ela fez um gesto para que Hydra passasse os papéis para ela e ela o fez tremedo, olhando para o pobre homem apavorado.
Umbridge foleou o questionário.
- Profissão dos pais, vendedores de bolsas? – Perguntou Umbridge rindo junto com Yaxley.
- Sim, sim, meus pais eram vendedores, é verdade, mas eu sou um bruxo! – O bruxo parecia desesperado e Hydra se controlava fortemente para não chorar.
- Diz aqui que você frequentou uma escola trouxa antes de ir para Hogwarts, que nasceu em um lar trouxa e sem um bruxozinho na família? Tsc tsc tsc.
Umbridge e Yalex se divertiam, Hydra tremia para anotar tudo que ouvia.
- Bom, não irá nos dizer de quem roubou a sua varinha? – Perguntou Umbridge pacientemente de novo.
- Eu não roubei de ninguém, eu juro, eu juro! – Dizia o bruxo desesperado.
- Bem, se não quer nos contar... eu o condeno, Brian Makenzie Asheley para Azkaban, pelo crime de roubo de identidade bruxa.
- Não, não, eu sou um bruxo, eu sou um bruxo de verdade, eu juro! – Disse o bruxo chorando. Hydra agora não conseguia controlar as lágrimas e o bruxo finalmente olhou para ela – Conte para eles, você sabe que eu sou um bruxo, conte para eles.
- A Senhorita Malfoy está apenas emocional por estar grávida, não é mesmo? – Disse Umbridge se virando para ela.
Hydra notou que ela tentava falar, mas o som sumiu de sua garganta, ela então viu que Umbridge tinha a varinha escondida apontada para ela e deve ter tirado a sua voz.
- EU SOU UM BRUXO, EU SOU UM BRUXO! – Gritava e chorava o pobre bruxo.
- Levem-no – Disse Umbridge e a porta da câmara se abriu, dois dementadores apareceram.
- EU SOU UM BRUXO, EU JURO QUE SOU UM BRUXO! – Disse o bruxo chorando.
- Eu sugiro que vá quieto, se resistir, será submetido ao beijo do dementador – Disse a voz de Umbridge e os dementadores levaram o homem que ficou quieto, provavelmente de medo.
A porta da câmara fechou e Umbridge devolveu a voz para Hydra.
- Senhorita Malfoy, será que vou ter que usar a força para fazer com que leve seu trabalho a sério? – Disse ela de forma muito gentil.
- É senhora Macmillan – Disse Hydra com desprezo na voz.
- Lembre-se, sra. Macmillan, do que conversamos – Umbridge a encarou e Hydra então se calou, ela finalmente compreendeu o que Draco devia estar passando, a ameaça de alguém de sua família sofrendo, isso era mais horrível do que qualquer coisa que tinha que aguentar.
- Ora Umbridge, a menina claramente está emocional – Disse Yaxley.
- Sim, emocional, exatamente, vamos tentar nos acalmar, não vamos, Sra. Macmillan? – Perguntou Umbridge.
- Sim, emocional... – Respondeu Hydra com tanto ódio daqueles dois quanto achou que podia ter dentro de si.
