Capítulo 10

Um Plano

Eram 3 horas da madrugada.

Snape não conseguia pegar no sono. Pela primeira vez na vida ele rezava que sua Marca Negra ardesse. Estava sentado de frente à lareira. Sua mente revivia todos os momentos que passara com Lily/Amarillys, todas as pequenas coincidências de gostos e a forma de falar dela, a maneira como ela reagia aos seus toques, à sua voz... como não percebera? Como pudera não acreditar nela?

E a Marca ardeu.

Ele vestiu a capa de comensal e correu até o sétimo andar. Acordou a Mulher Gorda.

– O que...? – bocejou o retrato, estranhando ao ver o Diretor da Sonserina ali àquela hora.

– Passe um recado para Harry, assim que ver ele. – ordenou Snape. – Diga que eu fui chamado. Ele entenderá.

E foi com um sorriso ansioso que Snape deixou para trás o confuso quadro e aparatou.


Mansão Malfoy.

Snape passou pelos portões da propriedade tão rápido quanto a neve acumulada lhe permitia. Entrou na mansão e foi recepcionado pelo próprio Lord das Trevas.

– Severus. – cumprimentou Voldemort, em pé na grande sala, com alguns comensais. – Veio rápido.

– O que deseja de mim, Milorde?

– Apenas conversar, meu caro servo. – ele fez sinal para que todos saíssem, deixando0s a sós. – Alguma novidade?

– Uma amiga de Potter está desaparecida. A Ordem acredita que ela foi pega por Comensais e estão atrás dela.

– Ah, eu imaginava que isso estava acontecendo. Mas estranhei a falta de ataques aos meus Comensais em busca de informações a respeito dela... você sabe que Mulciber a trouxe para mim.

– Ela já foi executada? – perguntou Snape, lutando para que nenhuma emoção transparecesse.

– Não. Eu tenho planos para ela. – Voldemort o fitou. – Você realmente não acredita no que ela lhe contou, Severus?

– O senhor já soube das mentiras. – o melhor era fazer de conta que não sabia de nada. – Eu não acredito em uma palavra do que ela disse!

– Bom, isso é muito bom. Não se importará com meus planos para ela. – disse Voldemort, num sorriso bizarro.

– Me permite saber quais seriam, Milorde?

– Sim, Severus. Me acompanhe num firewhisky.

Eles sentaram em frente à lareira da sala de estar e os elfos serviram o firewhisky.

– Há tempos tenho amadurecido uma ideia, Severus. – começou Voldemort. – Tenho pensado muito no futuro, no que aconteceria se meu plano falhasse e eu morresse. Eu tenho minhas garantias de sobrevivência, é claro, mas... se por acaso todas minhas garantias caírem por terra, não haverá continuação dos meus planos, entende?

– Tenha certeza de que continuaríamos seu trabalho, Milorde. – afirmou Snape.

– Isso não daria certo, Severus. Nós dois sabemos disso. Há egos demais e cérebros de menos entre meus seguidores. – riu Voldemort, sem emoção. – Não. Eu preciso de alguém que possa ser treinado por mim, alguém que não necessariamente tenha meu sangue, mas que tenha minha essência, minha alma, ou um pedaço dela, ao menos.

Snape encarou a face ofídica, começando a entender qual era o plano de garantia de Voldemort, mas ainda sem compreender onde Lily entrava nele.

– Você não percebeu ainda por que preciso dela? – perguntou Voldemort.

– Não, Milorde.

– Eu preciso de um bebê, Severus. Lendas contam que recebemos a alma no momento do nascimento, contando com essa informação, eu pretendo criar um novo Lord das Trevas, um ser que será treinado desde muito cedo. Sabemos como as almas são frágeis, principalmente quando esta é de um recém-nascido. Pretendo, e conseguirei, expulsar a alma do pequeno escolhido no momento do nascimento e implantar no corpo deste uma ou duas partes de minha própria alma. Você é o único que sabe do meu segredo de imortalidade, Severus. Utilizarei duas de minhas preciosas horcruxes para criar este ser. Eu criarei um novo Lord das Trevas, com a certeza de que ele será mais poderoso do que eu.

– Eu entendo seu plano, Milorde, e, mais uma vez, sou grato e me sinto lisonjeado por partilhar de seus segredos e planos comigo, mas... exatamente aonde a Srta. D'Angel se encaixa?

– Ela é a mãe do novo Lord das Trevas. – Voldemort pausou, esperando ver a reação do Comensal em sua frente. Mas, como sempre, Severus Snape era tão reacionário quanto a poltrona em que sentava. Aproveitando a passividade do homem em sua frente, Voldemort soltou a grande notícia: – Se lhe interessa saber, você é o pai.

Snape não reagiu externamente, a não ser por um leve tremor em sua pálpebra direita. Mas por dentro, sua mente girou, em choque, gritando 'que porra é essa?' Ele começou a montar, rapidamente, o horroroso quebra-cabeças que Voldemort criara: Lily estava viva, ele a usaria para ser progenitora de seu sucessor ao trono das Trevas, e este sucessor já estava a caminho do mundo: Lily estava grávida de seu filho.

Snape não tirou os olhos impassíveis do ser ofídico à sua frente, sua raiva por ele crescendo exponencialmente: o bastardo destruiria a alma frágil de seu filho recém-nascido e transformaria sua própria carne na destruição do mundo.

Snape terminou de beber do firewhisky em seu copo e manteve-se em silêncio.

– Pelo visto não lhe incomoda o fato dela estar grávida de você. – comentou Voldemort.

– Nem um pouco. Se a situação fosse outra, eu a faria tirar esse filho ou a mataria. – mentiu ele. – Ao menos o bastardo servirá a algum propósito para o senhor, Milorde.

– Fiquei muito feliz em saber que meu sucessor é seu filho, Severus. Apesar do seu sangue sujo, você é um bruxo muito poderoso e Lily é uma bruxa muito inteligente e extremamente competente em feitiços, apesar de ser mais suja que você. – ele pausou. – Vê a ironia do destino, Severus? Seu primogênito me destruiu uma vez; seu segundo filho é a garantia de continuação dos meus planos.

Snape não disse nada, apenas assentiu com a cabeça. Seus pensamentos furiosos:

"Você sabia? Seu desgraçado! Você sabia que Harry era meu filho e nunca me disse nada!"

– Posso vê-la? – perguntou Snape, por fim.

– Imaginei que me pediria isso. Desde que não a fira, você pode ir lá e gritar o quanto quiser com ela. Lily está no quarto de hóspedes do segundo andar, o maior deles. – informou Voldemort.

Snape fez uma mesura e se retirou, subindo as escadas.

Ele bateu na porta.

– Entre. – ouviu a voz dela lá de dentro.

Ele hesitou por um momento e abriu a porta.

– Só um minuto, Milorde. – disse Lily, do banheiro.

Snape estranhou as palavras dela e disse:

– Não sou o Lord.

Por sorte Lily estava sentada no vaso, porque se estivesse em pé, cairia.

– Severus... – sussurrou para Eli.

– Mestra quer que Eli dispense Mestre Snape?

– Não, Eli. Eu preciso saber o que ele veio fazer aqui.

Lily terminou de fazer o quinto xixi da madrugada e vestiu o robe. Saiu do banheiro e encarou Snape, seu coração pulando ao vê-lo.

– Boa noite, Severus.

– Boa noite... – ele não sabia por onde começar.

– O que deseja à essa hora da madrugada?

– Eu não sei por onde começar. – murmurou ele a encarando.

– Depende do que você pretende. Se quer conversar, pode começar por um pedido de desculpas. Se quer continuar a brigar... acredito que não vai poder me expulsar desta casa. – disse Lily, irônica.

Muffliato. – lançou ele, relaxando ao se sentir seguro para falar. – Eu conversei com Harry.

Lily o olhou, estranhando.

– Eu vi a pinta... – continuou Snape. – E eu... fiz um teste de paternidade.

– Típico de você. Nunca acredita no que está na sua frente, não é, Sev? Sempre precisa de uma prova... – eles ficaram em silêncio um tempo. – Eu ainda estou esperando suas desculpas.

– Eu... duvido que você me perdoe. Eu jamais perdoaria alguém que me jogou nos braços do Lord das Trevas duas vezes.

– Sorte sua que eu não sou sonserina, então. – disse Lily, sorrindo, percebendo nos olhos negros que ele estava arrependido e perdido, sem saber o que fazer. – Você não pediu, mas eu perdoo você.

– Eu vou dar um jeito de tirar você daqui.

– Não, Sev. Não tente nada.

– Você está grávida... eu errei uma vez... duas vezes... eu não posso perder você de novo. – a voz dele era um sussurro dolorido. – Eu sou um imbecil. Como eu não pensei nisso antes? Como eu não percebi que você não me traíra, mas sim estava protegendo nosso filho? Eu a teria trazido para junto de mim, eu teria ido à Dumbledore mais cedo e você nunca teria morrido, Harry não teria sido criado como um órfão, eu não teria passado anos sofrendo seu abandono e sua morte.

– Isso é passado, Severus. Nós estamos tendo uma segunda chance...

– Que eu joguei nas mãos de Voldemort, novamente! – gritou ele. – Mas isso não vai ficar assim. Dois dias, no máximo, e você vai estar fora daqui, nem que eu tenha que morrer pra que isso aconteça.

– Não, Severus. – ela segurou o rosto dele com ambas as mãos. – Sem mais mortes... eu não quero que você morra, eu não voltei para ficar sem você. – ela o beijou os lábios. – Você tem uma família para cuidar, não pode me deixar sozinha no mundo com duas crianças. – ela sorriu, passando a mão no ventre. – É uma menina, Sev.

Os olhos dele brilharam, ao passar as mãos sobre o ventre levemente arredondado dela.

– O Lord...?

– Não. Ele não sabe. Eli me falou. – disse Lily.

– Eli está aqui? O Lord me disse que precisava dele mas, obviamente, não me deu explicações do motivo.

– Sim, ele está. Eu não posso reclamar das minhas atuais acomodações... nossa filha me salvou, Sev. Se eu não estivesse grávida, eu já estaria morta.

Snape a abraçou, envolvendo-se no perfume que ele mesmo criara e que servia perfeitamente para aumentar o cheiro próprio dela que ele adorava.

– Você sabe o que ele pretende fazer com... nossa filha? – perguntou ele.

– Não. O Lord não me falou nada sobre os planos dele para Ísis.

– Ísis? – sorriu Snape.

– É um lindo nome. Você não gostou?

– Ísis Snape... – murmurou ele. – Soa perfeitamente bem para mim.

Lily sorriu, abraçando-o mais. Ficaram um tempo assim. Snape ponderando se contava ou não o que sabia dos planos do Lord. Decidiu por não dizer nada.

– Eu preciso ir... – murmurou ele, em seus cabelos. – Aja como se nós brigamos, eu disse ao Lord que não acreditava em você.

– Certo.

Eles se olharam por um momento, até que Snape a beijou, fortemente, passando todo seu amor e preocupação através de seus lábios. As línguas se tocavam, numa briga apaixonada. As mãos dele passeavam pela pele dela, o roupão que ela usava fora ao chão. Mas ele parou antes que chegassem à cama.

– Eu tenho mesmo que ir... – um beijo. – Ainda nesta semana, você estará fora daqui e eu lhe darei o anel que comprei há anos atrás. – outro beijo, apaixonado. – E nós seremos uma família. Nós quatro.

– Não esqueça de Eli. – murmurou Lily, com água nos olhos.

– Nós cinco, então. E todos os outros que vierem pela frente.

Ela riu, deitando a cabeça no peito dele:

– Nos tire daqui e você terá quantos filhos quiser e puder fazer em mim, Sev.

– Isto é uma promessa? Eu vou cobrar.

Ela riu mais e voltou a beijá-lo.

Mas Snape logo parou os beijos doces dela.

– Eu vou ir...

– Se cuide, Sev. E não deixe o Harry fazer nenhuma bobagem. Ele é muito cabeça quente. Como o pai.

– Não se preocupe. – sorriu ele. – Eu tenho um plano.

E Snape saiu.

Lily deitou na cama, dormindo profundamente, sonhando com a casa em Hogsmeade; crianças correndo, ela grávida, Severus lendo na varanda dos fundos, os olhos negros brilhantes ao fitar os filhos e a esposa, que esperava o que parecia ser seu sexto filho, pela quantidade de crianças que corriam.


Eram mais de cinco horas da manhã, quando Snape se aproximou das masmorras de Hogwarts. Na porta dos seus aposentos, havia uma pessoa adormecida.

– Harry?

Snape caminhou até o menino e o sacudiu, acordando-o.

– Pai...! – exclamou Harry num impulso, mas logo se corrigindo: – Quero dizer, Prof. Snape! – ele se levantou do chão. – Como foi lá? E minha mãe?

– Vamos entrar. Não é o tipo de assunto que eu queira conversar no corredor, como você bem sabe.

Eles entraram e Snape fechou a porta, colocando proteções.

– Ela está viva. E está bem. O Lord tem planos para ela e... para sua irmã.

– Como assim, ela está... o que? – perguntou Harry, pensando ter ouvido errado.

– Lily está grávida. Você tem uma irmã a caminho.

– E Voldemort tem planos para ela? – a felicidade em seu rosto foi rapidamente substituída por preocupação.

– Sim. Planos desagradáveis. – Snape caminhou até uma pequena mesinha. – Você bebe algo?

– Cerveja amanteigada. – respondeu Harry.

– Por Merlin, quantos anos você tem? Doze?

– Nunca bebi outra coisa que não cerveja amanteigada.

– Então, está na hora de eu começar a exercer meu papel de pai. – disse Snape, controlando um sorriso. – Pulando as bobagens didáticas e éticas, vamos começar com firewhisky.

E os dois começaram a beber o líquido âmbar.

Snape contou tudo o que aconteceu na Mansão Malfoy.

Uma plano foi bolado.


Nota da autora: que plano é esse? Não sei. Não faço a mínima ideia. Pretendo pensar nele nos próximos dias! O.o'

Espero que estejam mais felizes com as atitudes do Sev agora.

Beijos para: Hatake KaguraLari, Coraline D. Snape, Menina Maru, Yasmin Potter e Rossonera.

Estou muito feliz por estarem gostando desta loucurinha!

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