Nem Quente Nem Frio
capítulo 10 – Quando os Quentes sentem frio
- Mamãe, porque a tia Alice está chorando?
Bella soltou o livro que estava lendo e se virou para Nessie, que puxava suas vestes fazendo um biquinho com os lábios. Estavam na biblioteca do primeiro andar e uma leve preocupação passou pelo rosto da jovem vampira ao falar com a filha.
- Tia Alice está chorando, meu bem? De onde você tirou essa idéia? – perguntou enquanto colocava a menina nos braços.
O queixinho de Renesme tremeu quando sua mão tocou a face de Bella, mostrando Alice entrar no quarto de cabeça baixa, lamentando-se.
Bella imediatamente saiu da biblioteca em direção ao quarto de Alice e Jasper. Abriu a porta com certa brutalidade para ver uma pequena Alice desolada arrumando roupas sobre a cama. A vidente não olhou para a cunhada, apenas continuou dobrando uma camisa de Jasper enquanto soluçava em um choro mudo. Aos pés da cama repousava uma mala aberta.
OoooO
Carlisle encarou Jasper . Um silêncio ensurdecedor pairou sobre eles.
Nada se movia na floresta e assim permaneceu por uma dezena de segundos que mais pareceu um século para aqueles que observavam a cena. Os olhos de Carlisle estavam negros e profundos, janelas abertas para as trevas inimagináveis que se agitavam dentro do doutor. Enquanto os olhos de Jasper eram vermelhos, sangue quente, vida de outros, roubadas, e que agora alimentavam suas veias e seu coração frio. Seu olhar era duro e arrogante, sem arrependimento, sem nada. O de Carlisle, sem perdão.
- Carlisle...
- Não ouse se justificar. – o doutor interrompeu Jasper, inflexível. – Não cabe a mim, nem a você julgar. Não podemos escolher quem morre e quem vive, quem é ou não digno disso. Nos foi dado o poder de tirar vidas facilmente. Acha que é uma dádiva? Ser como é? Pois saiba de uma novidade: é uma maldição. Ser um vampiro é ser um demônio condenado a viver da morte de outros seres, um parasita! E não há nada de glorioso nisso!
- Eles iam estuprar a garota... – Jasper tentou manter a razão. Não queria brigar com Carlisle.
- Não fale como se você se importasse com ela, porque você não dá a mínima para a vida dela! – todos olhavam para o líder do clã estarrecidos. – Você não liga, porque se acha acima dos humanos! Todos vocês – ele apontou, incluindo até os lobos nessas acusações. – Acham que podem, acham que devem, acham que são deuses! Não! Não cabe a vocês definir o bem e o mal! Não é porque o destino, ou a vida ou sei lá quem ou o quê, deu poderes a vocês, que isso lhes dá o direito de fazer o que querem com eles.
- Não fale como se não soubéssemos o que somos... – Jasper sussurrou. Seus olhos mudando de vermelho para negro em instantes.
- E você por um acaso sabe? – Carlisle quase gritou – Você era um assassino muito antes de ser um vampiro, vai continuar sendo muito além de meus esforços ou dos de Alice.
Um rugido baixo pôde ser ouvido, Jasper cerrava os dentes e os punhos, seus olhos numa densidade negra tornando-o muito mais assustador do que antes.
- Eu tenho me esforçado – falou baixo.
- Não o bastante – o doutor também mantinha uma postura ofensiva – Você não tem responsabilidade o suficiente...
- Carlisle! – Edward interveio estagnado – Não tem o direito de repreendê-lo dessa forma. Jazz salvou a garota. Acho que você não reparou, mas... Não é o único aqui que protege os humanos.
Havia certo cinismo na voz de Edward. O doutor deu uma sonora gargalhada ao se virar para o 'filho mais velho' (ou mais novo, isso depende muito do ponto de vista).
- E com certeza você não está se referindo a você – Carlisle falou suavemente, Edward ficou sem palavras, abriu e fechou a boca várias vezes mais nenhum som saiu, não acreditava no que ouvia. O doutor continuou – Que humanos você quis proteger em toda sua existência? Bella? A coisa mais perigosa que podia acontecer a Bella era ficar ao seu lado, mesmo assim você estava lá. Isso é defender?
Edward olhava o pai como se o visse pela primeira vez. Deu um passo atrás, vacilante. Balançou a cabeça, desconcertado sob o olhar de todos, parecia que a fúria de Carlisle havia se voltado para ele.
- Eu nunca machucaria Bella – falou com voz rouca – Eu só fiquei com ela até o fim porque sabia que podia dar certo... Eu não suportaria magoá-la...
- Edward, meu filho – havia serenidade em sua voz – Bella morreu. Pode chamar como quiser, dar belos nomes a essa 'imortalidade', mas ela teve que morrer para isso. As coisas só deram certo, porque tudo saiu muito errado.
- Nessie é a melhor coisa que aconteceu em toda minha existência miserável!
- Você chegou a essa conclusão antes ou depois de querer matá-la?
Edward não teve respostas.
Carlisle levou a mão ao rosto, apertou os olhos como se sentisse dor de cabeça. Respirou fundo e olhou para o filho mais uma vez. Seus olhos voltavam ao brilho dourado de sua personalidade pacifica como se o vampiro saísse de um transe. De repente o doutor parecia exausto.
- Há pouco mais de 100 anos você é um de nós Edward... – sua voz saiu baixa, cansada – Mesmo Jasper com seus mais de 150 anos... Vocês são jovens de mais para entender a imortalidade.
- Não me diga que eu não posso entender! – a voz de Edward demonstrava um profundo desgosto – Eu já vi e vivi de tudo que se possa imaginar...
- Mesmo? – não havia repreensão em sua voz dessa vez, só cansaço – Diz isso porque passou três dias com os Volturi? Eu passei 100 anos...
A voz de Carlisle foi se tornando mais baixa até morrer no final da frase. Ele não olhava mais para o vampiro a sua frente, olhava o nada, ou talvez mesmo o passado. Nem Edward saberia dizer com certeza em que o vampiro pensava naquele momento, imagens vagas e embaçadas ocultas de mais para serem precisas. Talvez sua existência ao lado dos Volturi, ou talvez ainda fossem de sua vida.
Um calma imensa se instalou no peito de todos ali; uma leveza incontrolável e encantadora em tempos de cólera. Carlisle fechou os olhos e inspirou fundo, mandando aquelas lembranças para o mesmo calabouço ordinário onde sempre estiveram. Abriu os olhos incrivelmente dourados e se voltou para Jasper.
- Vamos para casa, agora – sua voz era suave – Malas precisam ser feitas.
OoooO
- Alice, para com isso! Me diz o que está acontecendo – havia um certo desespero na voz de Bella quando falou, enquanto segurava as mãos tremulas da cunhada, forçando-a a parar de dobrar as roupas que colocava sofregamente na mala aberta. – o que você viu? Foi algo com Jasper? Tem haver com Leah ter chamado Edward e Jacob na floresta? Responda-me por favor...
Bella quase implorava. Nessie começou a chorar baixinho segurando nas vestes da mãe. Alice parecia distraída, como se não ouvisse o que a cunhada lhe dizia, mas mesmo assim respondeu com a voz chorosa e distante.
- Vamos embora...
Bella levou um tempo tentando processar a informação.
- Como assim Alice? Vão nos deixar? Aconteceu alguma coisa com o Jasper? O quê você viu?
A vidente engoliu em seco antes de encarar Bella com olhos tristonhos e responder:
- Eu não vi o Jazz... Acho que ele deve estar com os lobos – ela mordeu o lábio, seu queixinho frágil (?!) tremeu. – Eu vi... Nós vamos embora, Bella... Foi isso que vi. Nós.
OoooO
Os olhos de Jasper ainda estavam um pouco negros, mas uma sombra avermelhada se instalava neles. Ele engoliu em seco uma, duas vezes. Colocou as mãos no bolso da calça como se não se importasse realmente, olhou o chão, as árvores, os lobos... Tudo menos Carlisle, tentando prolongar ao máximo o tempo com suas dúvidas. Quando finalmente falou, sua voz estava tranqüila:
- Está me expulsando de sua família?
Silêncio.
Incertezas.
Todos ali se importavam muito com a resposta que o líder do clã daria, cada uma por suas razões. Jasper não ligava nem um pouco para eles.
Carlisle se aproximou de seu filho mais novo (ou mais velho, isso também depende do ponto de vista) e tocou suavemente seu rosto. Havia uma paternidade naquele gesto nunca antes trocado entre os dois. Os olhos de Jazz, cada vez menos negros, denotavam um vermelho profundo, assim como da primeira vez que Carlisle o viu: cheio de suas cicatrizes. E não, não eram as cicatrizes na pele que o doutor havia visto no vampiro loiro. Cicatrizes que iam muito além disso.
- Eu não ia abandonar você, Jazz... – o doutor tentou sorrir sem sucesso. – Você é meu genro, é casado com minha filha, Alice... Estamos nessa juntos! Vamos para casa fazer nossas malas...
- Nossas malas? – Emmet indagou, incapaz de conter a incredulidade.
- Chegou a hora – Carlisle falou olhando para o chão resoluto. – Vamos embora de Forks.
Alguns segundos de silêncio se abateram sobre a pequena clareira onde lobos e vampiros absorviam a informação dada pelo líder do Clã Cullen. Havia uma áurea de tristeza no ar que não foi quebrada nem pela felicidade repentina que invadiu o coração do bando de Sam. Aliais, o Alpha não se lembrava de já ter sentido antes felicidade tão naturalmente perfeita, que fluía por todos em seu grupo. Os próprios Cullen não estavam cabisbaixos, como sempre que chegava a hora, encarariam a 'nova vida' de cabeça erguida.
Uma coisa que os Cullen sabiam é que todo o discurso/sermão (ou seja lá o que tenha sido, desabafo talvez) de Carlisle havia reforçado de maneira clara, que os Cullen sempre estariam juntos. Estarem juntos, uma família, é que os tornava fortes. Era o que os tornava bons vampiros.
Estarem juntos até o fim dos tempos, por toda eternidade.
Juntos.
Sempre juntos.
- PARA TUDO!
Todos se viraram para ver quem tinha gritado e se depararam com um Jacob Black estático, acompanhado de uma Leah boquiaberta. Jake prosseguiu:
- E EU???
OoO
N.B:Nohhhhhhhhssa que liiindo!!!! Ai, gente, eu não sei vocês, mas eu amei o capítulo. É claro que fiquei um pouco irritada com o Carlisle, diga-se de passagem, mas no final, todo mundo ficou feliz e o Jake (*-*) ainda tirou brincadeira.
xD
Bem, eu espero que vocês comentem muito, porque a Lara merece, viu?
Beijinhos.
OoO
N.A.: Repararam que a fic inteira se passa em um único dia? Pois é, no próximo capítulo sairemos desse 'esquema'.
Desculpem pela demora, é que minha net passou uns dias sem pegar (droga-de-roteador-infeliz).
Quero agradecer a todos os que leram, votaram e em especial aos que comentaram e a minha nova beta que fez o favor (imenso) de betar esse capítulo para mim.
Obrigada a todos e até a próxima.
..::Lara Prince::..
