10º Capítulo
A garota noturna.
Abandonada pelos próprios pais aos doze anos de idade. Nessa época nenhum orfanato ofereceu-lhe assistência devido sua idade precoce para adoção. O que ela fazia era vagar pelas ruas à procura de alimento e abrigo. A forma de sustento que encontrou de início, foi trabalhar lavando calçadas e frente de casas, porém com o passar do tempo as pessoas não suportavam sua má-higiene logo recusando seu serviço. Não teve escolhas a não ser passar a pedir esmolas pela rua. Mas o máximo que se dispunham à oferecer era um prato de comida por dia. Revirava lixos e roubava comida, não importava como, queria suprir suas necessidades. Sua alimentação era baseada em pedaços de pão seco e àgua de chuva, e se a chuva não viesse eram os rios quem lhe oferecia sustento. Ao invéz de adormecer, desmaiava. E quando acordava, via o sofrimento que seu corpo passará quando inconsciente.
Foi num dia de inverno. Seu corpo desnutrido, coberto por poucas tiras de tecido manchados de sangue, desamparado sobre a neve fria, sem forças para tremer ou piscar. Todos que passavam não pareciam a perceber, talvez porque sua pele clara estivesse se fundindo com a neve. Seus olhos não enxergavam, no entanto, conseguia ouvir cada som à sua volta. Os passos apressados numa noite de véspera de natal, o canto natalino de crianças em uma igreja pouco distante, o som da neve caindo sobre o chão. Pensou que estivesse prestes a morrer, mas um fio de esperança para a vida à mantinha consciente.
Quando percebeu, estava deitada sobre uma cama quente à baixo de um grosso cobertor. Pensará que estivesse tendo mais um daqueles sonhos de que comemorava o natal com sua família ou simplesmente realizavam uma refeição juntos. Mas que família? Não tinha. Mas foi apenas até aquele momento. Foi recebida de maneira calorosa à uma bela mulher: Cabelos loiros de olhos dourados. Sua maneira de tratá-la era tão familiar que a fez imaginar se todo sofrimento que havia passado até aquele momento havia sido um pesadelo, e enfim havia acordado.
Comeu, bebeu e por fim dormiu. Já havia se esquecido de como se dormia. Os olhos fechados por conta própria e os suspiros noturnos dominando seus pulmões, foi uma sensação prazerosa. Surpreendeu-se ao ver uma luz ofuscante surgir pela janela de seu novo quarto em sua nova casa. Seria um recomeço.
Tsunade a levou em seu trabalho realizado em uma pequena boate: Sweet Sexy. Ainda pouco frequentada e pouco desenvolvida, o lucro era pouco.
Passavam muita dificuldade, e a garota sabia muito bem o porque: Havia mais uma boca para alimentar. Sentiu-se um estorvo. Ver o sofrimento de sua mãe era doloroso, pensou inúmeras vezes em fugir mas temia o mundo à fora, onde já a havia feito passar por coisas horríveis.
No entanto, ela sabia que não precisava ser assim, sabia que tinha outra escolha. Uma garota que havia sua inocência roubada, era àquele seu lugar, e Tsunade sabendo disso a adotou. Apesar dela não dizer, era notável pelos olhos que a observava.
Completo quinze anos de idade, entrou à Sweet Sexy como acompanhante. De príncipio sentia-se extremamente constrangida pelos olhares que recebia, identicos aos das noites não dormidas aos seus doze ano de idade. Em seguida, os toques lhe causava nojo, mas a única coisa que deveria fazer era sorrir e assentir com a cabeça. Não deveria decepcionar a única pessoa que a havia percebido ao meio da montanha de neve. A única que lhe depositou confiança e sem mais ou menos a aceitou. O tempo deu conta em sua adaptação e aceitação a sua nova realidade. A boate cresceu juntamente à ela. E desde então, ela tornou-se a maior atração do local, enquanto todos esperam anciosos ao seu décimo oitavo aniversário de Cherry.
Sakura's POV
-Sonho... - cheguei a tal conclusão ao ter meus olhos abertos focados no teto branco. Quase havia me esquecido dessa estória, mas ela teve de voltar para me colocar de volta a minha verdadeira realidade. Não podia me perder em ilusões e sonhos. Estava a traindo, traindo sua bondade de ter pego um cachorro de rua qualquer há seis anos atrás.
Ingrata, sou eu. Estou viva graças à ela e por ela tenho de viver. Devo de corpo e alma tudo à ela.
Meus últimos três meses foram os mais felizes de minha vida. Compartilhei momentos de extrema alegria com a pessoa que amo e não era correspondida antes daquela semana. Mas meu objetivo é único e não quero arrastá-lo junto a essa minha vida impura. Não teve outro jeito a não ser, terminar com tudo antes de fazê-lo sofrer por qualquer coisa. O término, foi a uma semana atrás ao início da estação de inverno ao fim do ano escolar, exatamente no baile de formatura do colégio. E fiz isso, da melhor maneira possível:
Flash Back ON
-Tudo começou com a Sweet Sexy. Você me usou para ser privilegiado na boate, e eu o usei para ser admirada no colégio. Foi bom enquanto durou mas, - a garota de cabelos róseos suspirou. - Tudo se tem um fim. E o de nossa relação é agora.
-Você não quer fazer isso. - o garoto respondeu com indiferença às grosseiras palavras da garota. - Me diga qual é o problema, o que houve?
-O que houve? - Sakura debochou. - Você realmente parece não ter entendido. Mas a partir de agora não quero mais nada com você, você não me será mais util.
-Sakura! - ele a chamou ao vê-la se distanciar.
-Nosso acordo já está encerrado, se voltar à boate terá que pagar pelo meu serviço. - a Haruno sorriu esnobemente e virou às costas para o moreno, abandonando-o aos pés do grande pé de cerejeira. Segurando em seu peito, as lágrimas que queriam transbordar.
Flash Back OFF
Está tudo bem, ele ficará bem.
-Cherry! - vi uma de minhas colegas de trabalho se adentrar pelo meu pequeno mas tão meu quarto. -Até que enfim acordou! Vá tomar banho para que eu te produza.
Após uma piscadela, ela se retirou de meu quarto.
Sim, hoje é o dia tão esperado de nossa freguesia. O décimo oitavo aniversário da melhor acompanhante da maior boate da cidade desde seus quinze anos de idade: Cherry.
Vestindo apenas meu conjunto de lingeries rosados fui ao pequeno banheiro próximo ao meu quarto para tomar um banho refrescante. Demorei mais de uma hora de propósito, e quando voltei ao meu quarto já estavam Tsunade e a tal colega de olhos azulados e cabelos loiros sentadas à frente da penteadeira, aparentemente a minha espera.
-Sente-se. - a garota me ofereceu sustento na cadeira que sentava. E assim que sentei-me, meus cabelos foram domados pelas suas macias mãos e delicados dedos que entrelaçava cada fio rosado meu. Com a finalização do penteado enfeitou-o com uma pequena rosa em prata e passou para a próxima etapa da produção: a roupa. Em meu corpo moldou um longo vestido prata de frente única que marcava cada parte de meu corpo. Havia uma comprida abertura da cintura aos pés deixando totalmente exposta uma de minhas pernas. Pendurada em meu pescoço havia a mesma corrente em diamantes que usará na primeira noite que encontrará Uchiha Sasuke na boate Sweet Sexy. E aos pés, uma simples sandália prateada de pequeno salto, bastante decorada em pedras brilhantes.
-Cherry, você treinou os passos da dança desta noite? - a garota perguntava-me enquanto se prendia à pequenos detalhes de minha roupa.
-Sim. - respondi-a.
-Todos estão muito ansiosos para sua primeira apresentação! - a garota exclamou com entusiasmo, sem adquirir resposta pela minha parte. - Danzou disse que não viria, por isso já providenciou uma dança no poste particular para a semana que vem!
-O que vou ganhar com isso? - perguntei sem ressentimento em minha voz.
-Filha, ele não cobra imposto sobre nossa boate. - Tsunade interrompeu nossa conversa.
-Tudo bem. - respondi respeitosamente à minha patroa.
-E providenciaram uma sessão de foto para revista erótica nacional! - a garota continuava a relatar a lista de meus trabalhos.
-Certo, - impacientemente respondi à garota que passava uma palma de creme modelador em meu cabelo sedoso. - Mas antes de qualquer coisa temos que nos focar nos trabalhos da noite de hoje.
-Si-sim... - a garota respondeu sem jeito e após dar alguns retoques na maquiagem e nos poucos defeitos de minha roupa olhou-me no espelho e comemorou: - Está prontinha!
-Está linda, minha filha. - ouvi a voz de minha mãe pela primeira vez referir-se à produção.
-Obrigada. - agradeci com reverência.
-Tsunade-sama. - ouvi bater em minha porta. -Jiraiya-sama está a chamando.
-Certo. - Tsunade a respondeu apressadamente e dirigiu curtas palavras a garota que apreciava toda a produção realizada em mim. -Quando estiver pronta, entre.
-Pode deixar. - e assim, Tsunade se retirou. Cansada de permanecer sentada na cadeira giratória, levantei-me e andei poucos passos em direção ao espelho para analisar melhor a produção feita.
-Cherry. - a garota chamou minha atenção correndo animadamente até o canto de meu quarto. Posicionado ao lado da janela havia algo encoberto por um grande tecido de seda nas cores vermelhas e brancas, acompanhando o clima natalino. - A Tsunade pediu para que eu entregasse antes de sua grande noite. - a garota enfatizou. E puxando o tecido lentamente revelou o grande armário em verniz brilhante. - Feliz aniversário, Cherry!
Sem respondê-la segui até o presente e abri suas portas corrediças apresentando uma variedade enorme de roupas eróticas. Desde lingeries, à fantasias e acessórios guardados dentro de gavetas. Realmente não havia palavras para expressar o que sentia, nojo talvez.
Mas não me surpreendeu, meus presentes de aniversário sempre se baseavam à esses tipos de intenções.
-Cherry, já está na hora. - minha colega chamou interrompendo minha analisação em meu presente.
-Tudo bem. - respondi desanimadamente e retirei-me de meu quarto logo dirigindo-se ao fundo do palco, atrás das cortinas, à espera de alerta para a minha entrada.
-Então pedimos a presença aqui no nosso palco... - ouvi a voz entusiasmada de Tsunade. - Nossa querida aniversariante: Cherry !
Subi elegantemente ao palco. Sorria mesmo que as lagrimas insistissem em escorrer e acenava ao público masculino que bradava meu nome, aplaudiam e assoviavam.
-Discurso! Discurso! - minhas companheiras de trabalho exaltaram-se, colocando um microfone em minhas mãos para que eu desse as palavras de honra. Após um longo suspiro cansativo, dei início ao breve discurso:
-Boa noite jovens e senhores. - o publico animou-se. - Sou muito grata à todos que estão aqui nesta noite de inverno em véspera de natal, para comemorar meu décimo oitavo aniversário. Mais do que nunca desejo que aproveitem os recursos oferecidos em nossa casa. Obrigada.
Com formalidade encerrei e sorri à platéia que aplaudia freneticamente.
-Parabéns, Cherry. -Tsunade tornou a falar. - Enquanto organizamos a apresentação especial de nossa aniversariante, não deixem de desfrutar o serviço da Sweet.
Com o fim da apresentação comemorativa, iniciou-se o toque de algumas leves músicas eletrônicas.
Troquei meu justo vestido por um espartilho branco com alguns detalhes na cor rosa e calcei a mesma sandália prateada. Assim que estava completamente pronta, fui até o fundo do palco novamente onde outras dançarinas da boate se encontravam para acompanhar minha primeira apresentação de palco.
-Cherry, todos estão impacientes! - a mesma garota que me produzirá pela manhã que vestia um espartilho preto discreto, resmungava pelo meu atraso.
-Todos gostam de um pouco de mistério. - rebati.
-Espero que não erre nenhum passo da dança. - questionava ainda a garota.
-Não se preocupe. - sorri. - Sei realizar meu trabalho com profissionalismo.
Com o início do toque de nossa música, adentramos ao palco e seguimos a coreografia ensaiada.
Como qualquer aniversariante, eu era o foco de atenção. Sempre situada ao centro de todas as outras dançarinas e sempre realizando movimentos mais sensuais enquanto todos gritavam meu nome. Louvavam-no.
Com três minutos de dança contínua, se deu o fim de minha tão praticada dança erótica. Estava exausta.
-Palmas à nossas dançarinas e nossa aniversariante que hoje completou dezoito anos de idade. - Tsunade subiu ao palco e se posicionou ao meu lado logo segurando minha mão. - Sua primeira apresentação já foi bastante surpreendente Cherry, espero que nos encante ainda mais de agora em diante.
-Sim, é o que pretendo. Obrigada. - respondi um pouco ofegante pela recente dança apresentada.
-Agora, minutos antes do natal daremos início à parte mais esperada de nossa comemoração... - a loira deixou alguns minutos de suspense pela boate. - Faremos o leilão em disputa à primeira noite de nossa mais jovem acompanhante: Cherry !
