Eu sabia que eles fariam alarde dos meus sumiços, enfatizando a parte de sumir com a Jenna, mas não pensei que seria tanta curiosidade, meu Merlin. O Sirius e a Dara então, são os maiores responsáveis pela desconfiança do boato de eu estar me escondendo com a Jen ser verídico. E isso porque foram os próprios a espalhar essa maluquice por todo o colégio, aumentando em alguns pontos, pois, até onde sei, não passei a noite com Jen em Biblioteca alguma! Esses dois são terríveis, sério. Muito me admira o Sirius falar que eu, um lobisomem esquisito e feio, teria uma noite incrível acompanhado pela menina mais bonita da escola – pelo menos pra mim -. Seria algo humanamente – ou lupinamente – impossível, principalmente pelos olhos arroxeados dela me paralisarem instantaneamente, me fazerem delirar e sucumbir à vergonha de tê-la por perto, tão real e tocável. Sendo assim, uma aproximação estaria fora de questão.

De qualquer forma, mudando o foco da conversa, é verdade que Jenna e eu estamos nos encontrando por aí para descobrir o que a Marlene está armando, porque, após a revanche do Padfoot, a vi conversar com Skeeter e, quando essa fofoqueira venenosa está no meio, não pode ser boa coisa. Especialmente quando, e eu tenho certeza ao afirmar, o assunto é o Sirius, pois desde o furo dele em um encontro – ok, posso não gostar da Rita, mas foi muita maldade deixá-la na expectativa durante dois meses e depois não comparecer à casa de chá – a sonserina passou a persegui-lo com reportagens infames. Chegou até a nos delatar quando pegávamos um sonserino desprevenido. Então, você há de convir que eu deveria averiguar e, admito, passar um tempo a sós com a Creeb – juntei o fogo ao dragão –.

Obviamente, descobrimos que Skeeter, além de escrever para o Hoggy's Daily semanalmente – só para você ter uma noção de como é o trabalho dela. Rita faz uma aparição aos sábados e o jornal é de diário –, publica um outro jornal apenas para os sonserinos mais íntimos, mantendo a 'elite' informada dos boatos que cercam os muros do castelo. É por essa razão que Chuck e Nate são os mais irritantes e idiotas de toda a escola, jogando os segredos na cara das pessoas. E, para ser honesto, ainda não acredito que não descobriram sobre o meu. Bem, de todo modo, a Marlene procurou a Rita para ajudá-la a divulgar o RumourS por saber, por Bass e Archibald – digamos que a McKinnon já andou se atracando com eles pelos corredores –, a existência desse caderno repleto de frivolidades.

Pareceu-me sensato não comentar com os marotos, pelo menos não antes de ter coletado dados concretos. Porém, precisava desabafar com alguém e é para isso que serve um diário, certo? Quer dizer, estou sentado, à meia noite, na privada do nosso banheiro – sim, a tampa está fechada –, quase quebrando minhas costas para escrever, desesperado para não chegar à semana que vem, que é de lua cheia, e não conseguindo mais esconder minha preocupação. E isso porque nós marotos temos um pacto: não deve existir segredo entre os quatro. MEU MERLIN, ESTOU QUEBRANDO UM JURAMENTO! E UM JURAMENTO SOLENE! AAAH!

Tudo bem, calma, Lupin. Vamos nos deitar e dormir, você tem aula pela manhã. Caaalma!

Bosta de lua cheia que me deixa MALUCO! EU NÃO CONSIGO ME CONTROLAR! Parece que uma grande bola de pêlos está presa em minha faringe, não podendo terminar o processo normal de digestão – sabe, aquilo tudo de a comida passar pelo esôfago, parar no estômago e ser destruído (molécula por molécula) por enzimas digestivas, depois ir para os dois intestinos e terminar onde estou sentado agora -. Tá, informação demais. Bem, pelo menos eu sei disso, coisa que a maioria dos bruxos mimados desse castelo não sabem.

Por falar em pessoas toscas, tem um maldito que passa informações à Rita. Esse maldito é conhecido como Mister W. Que eu saiba, e olha que não sei pouco, ele um grifinório. Isso aí. Um grifinório. Um de nós. Pelo menos isso eu contei para os meninos, assim, só pra eles ficarem cientes de um possível espião. Devo dizer que Peter me pareceu apavorado com essa idéia, mas tudo bem, ele é assim sempre. Não que seja um covarde – pelo amor de Merlin, Wormtail, eu jamais pensaria algo assim de você -, é que ele é tão inocente que acredita seriamente que ninguém seria capaz de fazer maldades. Ou delatar segredos alheios à corja da Sonserina, o que considero algo mais que terrível; é um ato criminoso. Quer dizer, alô!, ninguém gosta das cobras, e um leão-cobra é meio que inaceitável. De qualquer forma, Sirius pareceu-me entusiasmado com a notícia, fazendo questão de investigar sobre o tal Mister W. mais a fundo. Está querendo brigar, decerto. Sirius é tão fanfarrão por vezes.

MERLIN, SÃO DUAS DA MANHÃ E AINDA NÃO DORMI!! EU TENHO AULAS E DEVERES DE MONITOR PARA CUMPRIR E AINDA NÃO SAÍ DESSA PRIVADA, ONDE ESCREVO COISAS INÚTEIS EM ALGO AINDA MAIS INÚTIL!! Mesmo que esse diário esteja me ajudando a liberar minha loucura pré-lua cheia.

Okay, vou dormir. Boa noite.

Nota: não desejar 'boa noite' a um objeto inanimado. POR MERLIN, ESTOU PERDENDO MINHA SANIDADE.


Eu sabia, simplesmente. Eu devia ter dormido hoje mais cedo, antes das duas e vinte. Agora estou um trapo. Não que eu já não seja um trapo, mas estou pior do que de costume. Na verdade, menos que a lua cheia passa, mas ainda sim em um estado deplorável. Para você ter idéia, estou na terceira aula da manhã, ouvindo Flitwick guinchar alguma coisa sobre feitiços não-verbais de proteção avançada, debruçado sobre um livro e rabiscando de qualquer jeito uma pena com tinta em suas folhas. Isso porque esqueci de colocar minha gravata dourada e vermelha e de abotoar minha camisa do umbigo pra cima – algo que fez Padfoot assobiar, só por brincadeira, e dizer que Jen teria um ataque ao me ver tão sexy –, meu suéter cinza ficou ao lado do meu livro de Poções, mas Slug nem se importou por eu não levá-lo para a aula hoje mais cedo. Além disso, suponho que meu cabelo esteja horrível, afinal, não tive coordenação motora suficiente para escová-lo por estar quase dormindo ao escovar os dentes. Assim, o meu cabelo quase me cega, pois algumas pontas insistem em tentar tampar meus olhos cor de âmbar, agora embaçados pelo sono. Como se não me bastasse, algumas meninas da Corvinal não param de me lançar olhares e darem risinhos. Isso mesmo. Legal. Riam de mim, suas otárias. Eu deixo. Esperem até eu dormir um bocado, daí vocês vão ver um Lupin arrumado decentemente, não um mendigo capenga.

Cara, que DROGA. Essas meninas não PARAM! Estou começando a ficar preocupado. Quer dizer, eu SEI que estou ridículo e tudo o mais, mas NÃO SEI se estou tanto assim. Pelo visto, estou medonho. Beleza. Isso porque semana que vem estarei pior, e na semana seguinte, pior que o pior. AH, ESSA FOI DEMAIS! Uma delas piscou para o Peter, certeza! E ele nem reparou, já que estava prestando atenção à aula e não deitado, anotando freneticamente, como eu. Óbvio que Wormtail tem certo jeito com as garotas, ele é um maroto, oras. Mas daí a receber piscadelas como apelativo sexual? Nunca o tinha visto receber uma cantada sequer! Realmente, estou A-CA-BA-DO.

Okay, deixando essas esquisitas de lado, a Jen está sentada bem à minha frente. Posso inalar o perfume de seus cabelos louros, com caracóis largos. Deus sabe o quanto esse cheiro de morango me tira do ar, me faz delirar com tempos de bonança, cujos são repletos de beijos bem molhados e mãos escorregadias... ELA SE VIROU! VIROU-SE PARA TRÁS E FALOU COMIGO! Como se ela já não o fizesse diariamente. De qualquer jeito, ela me viu nesse estado e ainda foi gentil! Olha isso:

"Lupin, você anotou o que ele disse sobre...", ela me olhou atentamente, dentro dos meus olhos, enrubescendo na velocidade da luz, "Hm... você está bem?", acho que Jen notou meu nervosismo quanto à minha aparência, enquanto eu tentava dava um jeito na franja que persistia em cegar-me, pois comentou rapidamente: "Sabe como é, você me parece exausto. Acaso algo lhe perturba o sono? Se precisar de alguma ajuda, sabe que estou aqui, certo?", menos neurótico pela minha ausência de beleza natural, assenti com a cabeça, "Ah... mas você está... hm... fofo!"

É isso. A Jenna Ann Creeb disse que estou fofo. FOFO. Como se eu realmente estivesse. Quer dizer, alô!, ela só estava sendo gentil. Sabe, aquilo de não querer perder ou atrapalhar uma amizade por dizer verdades doloridas. Acho que é isso. Só pode ser. A Jen não poderia estar me elogiando pra valer. Ela quer ser amável comigo, pois passamos muito tempo juntos, procurando mais informações sobre o que Marlene e Skeeter andam tramando. O que é muito chato, se quer saber minha opinião. Ela não ter me elogiado, não o fato de passar um tempo com ela.

Opa, acho que acabou a aula; tem umas pessoas se levantando e guardando o material. Ah, perguntei ao Peter e ele me disse que é a parte prática agora. Como se eu soubesse o que fazer... ELA SE VIROU! VIROU-SE NOVAMENTE PRA FALAR COMIGO!! Merlin, estou LOUCO hoje. Será que toda vez que ela dirigir a palavra a mim vou ficar assim? Bem, é o que parece. Mas dessa vez foi melhor que um falso elogio. Ela me chamou para fazer par, sabe, pra treinar o feitiço dessa aula. Você deve estar pensando: 'deixe de ser molenga, Remus! Pare já de escrever e aceite o convite antes do fim da aula!'. Acontece que eu já ia me levantar, tirando a varinha do bolso interno da minha capa negra, que estava no chão, e me senti corar pela minha camisa ainda semi-aberta, tentando acabar de abotoar. Entretanto, paralisei-me ao ouvir Flitwick dizer que os pares não podiam ser da mesma casa. Logo, não pude fazer com a Jenna. Tudo bem, porque Rubens Cartelle e eu ficamos juntos no exercício, durante cinco minutos apenas. Ele está me ajudando com a Marlene. Quer dizer, quando Dorcas não está por perto, sugando a alma dele pela boca. Era para eu estar guardando meus materiais e correndo para o salão Principal, almoçar como todo estudante normal. Mas estou aqui, relatando inutilidades. Bem, na verdade, não estou só. Parece que a Jen não terminou de anotar alguma coisa e pediu que eu esperasse, sabe, para seguirmos juntos para o almoço.

Ah, ela terminou. Deseje-me sorte!


Nunca pensei que um almoço poderia ser tão conturbado, céus!

Tudo estava perfeitamente normal; Jenna e eu descíamos a escadaria de mármore, repassando nossas descobertas sobre o Mister W. Foi aí que desandou. Eu tropecei na mão de alguém que estava sentada na escada, nos últimos sete degraus de pedra. É claro que eu tive de cair até o piso, arranhando meu peitoral, exposto pela minha falta de decência em arrumar-me, e minha bochecha direita. A Jenna pareceu saltar os sete degraus e me ajudou a levantar. Por sorte, todos os alunos estavam no Salão Principal, se empanturrando. Quer dizer, todos menos Bill Lopes e Dara Niz, cuja mão pertencia. Ela estava tão bonita quanto todos os dias, só que sua boca parecia mais saliente e tinham cascatas em seus olhos meio avermelhados. Mesmo chorando de se acabar, não podia negar que era atraente. Mas, continuo com a Creeb, se não se importa.

"Que houve, Dara?", perguntou Jenna, depois de se certificar que eu estava bem – só meio quebrado, mas bem –. A morena desabou ainda mais, se é que era possível. Nunca vi alguém chorar tanto. Lopes pareceu desesperar-se com o estado dela, abraçando-a como se fosse engolir a garota. Acariciando seus cabelos, o menino respondeu por ela:

"Skeeter, Archibald, Bass e McKinnon. Vocês não tiveram aula com os sonserinos hoje, não? Estão todos comentando. Pelo jeito, alguns lufanos e corvos já sabem sobre...", Dara berrou, como se algo a ferisse mortalmente. Eu não conseguia compreender, apenas que o assunto era sério e, possivelmente, tratava-se de uma mentira. Jenna, solidária como sempre, aproximou-se da menina chorosa e tentou reconfortá-la enquanto Bill se pôs de pé, entregando-me um papel.

Meu queixo caiu. Sério. Eles foram baixo DEMAIS, até para cobras.

RumourS

Caros alunos da ilustre casa Sonserina, herdeiros de sangue bruxo legítimo, e podres de ricos – como eu –. Mais um pouco de rumores escandalosos e destruidores de vidas. Eventualmente, para nossa primeira página, a notícia mais importante: Um suposto triângulo amoroso em nossos terrenos.

Todos sabem que Dara Niz, a conhecida D. do Hoggy's Daily, está muito amiga de ninguém menos que Sirius Black, nosso jogador mais quente. O que ninguém fazia idéia era que Black e Niz têm um caso. Pior, a nossa amada D. não tem relações apenas com o batedor, mas com seu amigo de trabalho, Bill Lopes, o famoso O grande B.

Para comprovar o que digo, Marlene McKinnon, difamada pelo trio acima, nos deu esta preciosa entrevista:

Marlene; Skeeter.

Então, amiga, como você define o caráter de Dara? Assim, eu sei que ela ajudou Black a espalhar por todo o colégio que você não satisfaz rapaz algum. Você não sente... raiva?

Claro que sinto! Dara é uma vagabunda que se faz de santa, só para que todos leiam aquela porcaria de jornal que Jenna criou. Bem, a Jenna foi meio tola em deixar que Dara passasse a controlar o jornal, mas é melhor não falar dela, pois é minha melhor amiga. Mas, voltando à primeira pergunta, ela é mesquinha e vulgar. Niz não se contenta com Lopes, que, como eu disse, transa com ela. Parece que ela precisa conseguir o namorado das outras. Sinceramente, essa menina não tem senso nenhum, achando que escreve bem. É um pobre coitada que um dia vai cair do cavalo.

Realmente, ela é uma tosca esquisita. Uma invejosa, se quer saber mais. Sabia que ela restringiu minhas aparições no Hoggy's pela minha coluna ser a mais comentada? Bem, até parece mesmo que alguém vai se interessar pelo o que acontece no corpo docente dessa escola. Quero dizer, só se for uma coisa escandalosa sobre Dumbledore e McGonagall. Bem, mas o que leva você a pensar que Dara tem um caso com Sirius e Bill?

Ora, eu não sou tão burra quanto pensam! Vi Dara e Sirius juntos, bem íntimos mesmo, durante todo o mês que se passou. Além disso, o Lopes está sempre com eles. Acho que se conformou com a perversão da namorada de querer dois. E eu sei que ela tinha algo com o Bill antes porque todo mundo já comentava que eles andavam juntos demais para meros amigos. Estava claro que, se fossem amigos, eram daqueles que ganham algo, sabe? Do tipo... colorido.

Não quis ler nem mais uma palavra. Era vulgar DEMAIS para meus olhos. Os termos utilizados, a questão da estética do jornal por si só era uma porcaria completa. O conteúdo uma vergonha. Era algo tão agressivo e... repugnante que nem me dei ao trabalho de prosseguir. Não era pra menos o escândalo que Dara fazia ao ver minha expressão de nojo ao ler cada linha, imaginando que eu podia estar acreditando ou coisas do gênero.

Obviamente, eu não compactuo com essa idéia absurda de triângulo amoroso. Quer dizer, eu sei que o Padfoot está rondando Dara, tentando algo com ela e tal, mas a garota já disse que não pode ter qualquer tipo de relacionamento amoroso com ele. Além disso, não vejo amor nos olhos de Niz ao encarar Lopes. Assim, nada mais que o amor fraternal que ela parecia nutrir por ele. Nesse caso, os absurdos ali escritos, em minhas mãos trêmulas de indignação e raiva, não seriam NUNCA verdadeiros para mim. E, pelo visto, nem para Sirius, que saiu correndo do Salão, indo ao nosso encontro e afastando Dara de Jenna, para que ela se aconchegasse em seus braços. Nesse instante, meio mundo o seguiu, todos murmurando coisas ininteligíveis, olhando Pad e Niz abraçados de forma tão... triste. Não que o Sirius estivesse triste, ele tinha fúria nos olhos acinzentados pelo ódio.

Virei-me de costas, encarando, enraivecido, aqueles espectadores da dor alheia. Ia ralhar sobre o fato de ninguém mais cuidar de sua própria vida, como deveria ser, ou os direitos de uma pessoa ter privacidade ao menos para morrer em lágrimas, sem que outros a perturbem. Entrementes, nem precisei. Eram lufanos, corvos e grifinórios, todos procurando ajudar de alguma maneira a melhorar o estado de espírito, despedaçado, de Dara. Fiquei boquiaberto por um momento, até Jenna fechar minha boca, encostando sua delicada mão no meu queixo. Ah, você tem que concordar que foi muita sensibilidade e generosidade da parte de todo mundo. Na verdade, foi mais que isso. Foi união. Entende, de todos se prestarem a desmentir o que quer que fosse, pois não acreditaram em nada que os sonserinos destilaram no horário de almoço. Ouvi alguém dizer – uma das meninas que estavam rindo de mim – que era patético tudo aquilo. Isso fez uma manifestação conjunta que Dara, Sirius, Jenna, Bill e eu, saltamos para trás – eu quase tropeçando no primeiro degrau –. Era tanta desordem que Padfoot se adiantou, pedindo silêncio. Assim, a vítima se apresentou, tímida como jamais a vi antes – vamos concordar que para uma sonserina, Dara possui algumas qualidades, mas não deixa de ser uma sonserina ardilosa quando o quer –. Ela suspirou profundamente, cessando o choro e controlando-se aos poucos.

"Agradeço àqueles pensantes, pois somente os que possuem cérebro são capazes de perceber o quanto esse papel", ergueu uma bola de pergaminho que estava em sua mão direita, "levantou calúnias sobre mim. Eu sabia que Marlene faria algo contra mim, afinal, eu ajudei mesmo Sirius a desmascará-la. Entretanto, não pensei que uma pessoa conseguisse ser tão ridícula. Mas não se preocupem, caros amigos e leitores. Não choro pelo que foi escrito ao meu respeito, sobre esse tal triângulo amoroso inexistente ou sobre meus artigos. Aquilo que me faz chorar trata-se de uma pessoa. Não Marlene ou Skeeter, ou qualquer merda parecida. Falo de Regulus Black, irmão do meu suposto segundo marido.", falou apontando para alguém na multidão, uma pessoa escondida nas cores amarelas, vermelhas e azuis. Um verde se destacava ali e eu nem tinha reparado. De súbito, surgiram mais pontos verdes. Só que o primeiro era especial, percebi. Regulus tinha uma feição disfarçada de calma, pois, normalmente, era tão controlado quanto Dara e Bill, sendo do mesmo ano que o último.

"Sabe, eu pensei que namorados confiavam.", Niz continuou, esclarecendo-me a ligação de Regulus a tudo aquilo, "Pelo menos eu sempre confiei em você, Regulus. Uma pena que você terminou por meras insinuações vãs. Se você tivesse ouvido a história toda quando tentei lhe dizer, talvez eu não estivesse tão acabada moral e sentimentalmente. Mas você não tem escapatória desta vez. A Skeeter não está aqui para me atrapalhar porque, se eu bem imagino, Kenny e Neto já sabem do que ela fez, logo, Rita está ocupada demais para se intrometer em nossa relação. Ou melhor, em nossa ex-relação, como você fez questão de terminar.", ela parecia preste a cair no choro novamente, porém, esforçava-se ao máximo para ater-se à explicação. Todos estavam calados no recinto, nem tinha sombra de um professor, o que era meio estranho.

"Como você sabe, Bill e eu somos refugiados nesse país por causa de guerras civis na Espanha. Claro que em guerras as pessoas morrem. Não foi diferente com meu pai. Eu tinha sete meses. E, mais comum que morte em guerras, minha mãe passou a namorar outro sujeito, casando-se em poucos meses. Em tempos de conflito, laços são importantes. Assim, minha mãe engravidou e teve outro filho, desse novo homem. Eu tinha um ano apenas e já havia um registro com o sobrenome de papai. Mas meu irmão mais novo teve o de pai, Lopes.", Bill passou o braço esquerdo por Dara, sempre maior em ela em tamanho. Eu não era o único boquiaberto, então aproveitei para fechar a boca de Jenna e reparar que Sirius tinha uma expressão de derrota. Também, ficou claro que Dara queria voltar com Regulus, pois o amava. Perder uma garota para o irmão mais novo, principalmente se este lhe é detestável, deve ser terrível. Acho que essa é uma vantagem de ser filho único, não ter que dividir Jen com ninguém de laços consangüíneos.

"Já sobre o Sirius... nós tínhamos conversado sobre o fato de eu querer me aproximar de meu cunhado de forma discreta. E eu gostei muito, pois o Six é uma pessoa maravilhosa que, agora, eu confio plenamente, como confio em Rubens, Kenny, Neto e Bill.", ela baixou o olhar, descendo os sete degraus que a afastava da multidão. Todos se deslocaram, possibilitando que ela passasse e fosse de encontro a Regulus. Entretanto, ela não o fez. Ficou parada, encarando-o nos olhos de forma feroz. "E como eu confiava em você, pois acreditava que você fazia o mesmo.", ela se virou para a esquerda e começou a andar em direção às masmorras.

Pensei que Regulus fosse segui-la de imediato, mas não. Ele ficou imóvel, sendo observado por todos que tinham as mesmas expectativas que eu. Quer dizer, eu respeito a decisão dela amar outro que não meu amigo Pad, que até estava aceitando bem perdê-la para o irmão que tanto sentia raiva por ser idêntico aos pais. Sinceramente, acho que Regulus é diferente de Orion e Walburga Black. Não sei explicar, mas já o peguei observando Sirius com extrema atenção, seus olhos chegavam a brilhar loucamente. Penso que ele tenha uma admiração contida pelo irmão mais velho, só que não consigo argumentar com Padfoot sobre isso, pois ele muda de assunto. Pad nunca gostou muito de falar sobre família e coisas do tipo.

Enquanto as atenções estavam voltadas para Regulus, ouvi uma gritaria logo acima de nós. Do nada, Willbeirning e Texeira desceram desembestados a escadaria de mármore, o primeiro dirigindo-se para o Salão Comunal da Sonserina, enquanto o segundo corria para os jardins. Logo atrás, McGonagall surgia meio irritada e afobada por tentar apanhá-los, inutilmente. Ela virou-se para mim e entregou-me um papel, contendo minha programação para noite como monitor. Não consigo me conter de excitação em perder precioso tempo de sono.

De qualquer jeito, não almocei e entrei no banheiro do meu dormitório, porque agora é horário vago e posso escrever sossegado. E, sim, pode parecer loucura, só que é mais sossegado no banheiro que no quarto, onde qualquer um pode entrar e me ver anotando freneticamente, como estou fazendo agora, todo encurvado de novo.

Padfoot disse que eu podia dormir o resto da tarde, para agüentar a noite de detenção. Ele diria que eu não estava me sentindo bem aos professores das matérias que ainda teria aula. Concordei, pois estou moído. Além disso, estou praticamente sonhando, pois, antes de subir e desistir de comer, a Jen se virou pra mim, com um sorriso acanhado e tristonho, dizendo:

"Que bom que finalmente sabemos o que a Lene andava aprontando, não? O ruim é que... bem... não vamos mais passar um bom tempo juntos. Quero dizer, foi bastante divertido enquanto durou. Vou sentir falta.", e se virou para os jardins, pois queria achar Lily e James.

ELA DISSE QUE VAI SENTIR FALTA!! A MINHA FALTA!! Bem, ela não disse que vai sentir a minha falta, mas que vai sentir falta da minha presença. De qualquer forma, ela vai sentir algo ao meu respeito! MEU MERLIN, AGORA POSSO TER AQUELE ATAQUE CARDÍACO POR EU SER UM LOBISOMEM E MEU CORPO NÃO AGUENTAR AS TRANSFORMAÇÕES. SÉRIO.

Nota: Os senhores Kendall Bearning Willbeirning e Dorival Texeira Neto foram intimados a comparecer na Sala de Troféus esta noite para uma detenção devido à quebra de pertences, agressão física e verbal. As senhoritas Skeeter e McKinnon, assim como os senhores Chuck Bass e Nathaniel Archibald, sentem-se lesadas e pedem uma indenização. Ver com os detentos em quê eles podem estar indenizando suas vítimas. A causa da infração é 'defender a honra de uma amiga', segundo eles (verificar a veracidade da justificativa).

Ah, Kenny e Neto, já sei como livrar vocês dessa barra. Afinal, amigos são pra isso.


N/A: Puxa vida, como demorei a postar! Perdão, gente, acontece que não tinha como eu entrar em período tão apertado na escola. Sem mentira, tinha tanto trabalho que nossa... por agora que encontrei uma folga pra dar continuidade, sabe? Espero que este capítulo não esteja ruim e cheio de erros. Nem deu tempo de revisar e essas coisas. Peço desculpas MESMO. No mais, beijos e nos vemos em breve, espero.

Pattt: Ah, que ÓTIMO que você gostou do James! Realmente ele é um FOFO. Cara, eu morro com o jeito dele tratar a Lily e tudo que a envolva. Além disso tem a questão dele ser um garoto e lutar contra seus 'instintos' para poder ficar com a ruiva. Adorável! Beijos, querida ; Rose Anne Samartinne: A questão é que todos nós temos nossas picuinhas e elas demoram para passar, certo? Quero dizer, eu pelo menos sou assim, marco uma pessoa, fico com ela na cabeça. Às vezes passa, às vezes não. É a vida, suponho. E que bom que você achou que tratei bem sobre esse assunto. Quero dizer, eu quis deixar as coisas não muito 'foras do controle'. A fic não está no ponto que eu quero ainda, entende? Não vou jogar tudo agora, só uns verdes. Beijos e espero que tenha gostado do Remus ; Prongs: Amiga! A culpa não é minha se eu não me esqueço facilmente dos nossos micos, no caso, os seus. Beijos e te amo, Isabelinha.