Capítulo X – Vem comigo
"Eu quero um beijo de cinema americano, fechar os olhos fugir do perigo, matar bandido, prender ladrão... a minha vida vai virar novela. Eu quero amor, eu quero amar, eu quero o amor de Lisbela. Eu quero o mar e sertão" Los Hermanos - Lisbela
Ainda não estavam nem meio dia de viagem e Temari já tinha parado três vezes pra vomitar. Ameaçada por Shikamaru, preocupadíssimo, que teimava em querer voltar pra Konoha cada vez que ela colocava o que nem tinha comido pra fora, e ajudada por Hinata que estava se mostrando uma excelente enfermeira, decidiu dar o braço a torcer e descansar um pouco.
- Os gennins vão procurar madeira. – falou Shikamaru – Já está anoitecendo mesmo, a gente fica aqui e arma as barracas.
- Os gennins?! Por que os gennins? – desesperou-se Makoto – Os gennins somos nós!!
- Pare de reclamar, seu inútil! – vocês já sabem quem disse isso...
Naruto ajudou Shikamaru a armar as barracas, enquanto Hinata cuidava da grávida e os gennins pegavam madeira. Depois que a noite caiu e fogueira já feita, eles jantaram e comeram peixe, exceto Temari que enjoou o cheiro do peixe. Papo vai, papo vem... hora de crianças irem para a cama, ou melhor pras barracas. Como só havia duas delas, dormiram Shikamaru e Temari em uma, os gennins e Hinata na outra e Naruto se arranjou com o saco de dormir mesmo.
Mas Hinata, por mais que tentasse, não conseguia dormir. Levantou-se e saiu da barraca. Estava quente demais, não conseguia dormir, os pensamentos não lhe saíam da cabeça. Passou devagar e viu Naruto deitado no saco de dormir, meio desembrulhado.
Naruto-kun é tão engraçado...vai pegar um resfriado se ficar assim...
Cobriu-o e ficou um tempo olhando pra ele. Por que o amava tanto? E porque nunca teve coragem pra fazer nada? Ele mexeu-se um pouco. Afastou-se e saiu de perto dele um pouco pois se ele acordasse seria muito difícil explicar o que estava fazendo olhando pra ele.
Sentou-se em uma pedra e ficou olhando a noite. Não era apenas a proximidade de Naruto de não a deixava dormir, mas porque o pai agira estranho naquele dia.
Flashback on
Ela estava preparando as coisas para a viagem. Uma missão era sempre ótimo porque ficaria alguns dias fora de casa, sem o enchimento de saco que era ficar escutando sobre "o futuro do clã Hyuuga" ou "sua condição de líder do clã" ou "a nova taxa de intercâmbio dos fogos de artifício" (N/A: de onde eu tirei isso?!). Já estava quase saindo, quando o encontrou na sala com Neji.
- Papai, já estou saindo...
- Uma nova missão? – disse ele com a velha expressão séria de sempre.
- Sim, vou ao País do vegetal. Demorarei alguns dias.
- Certo. Ótimo. – pareceu alegrar-se.
Ótimo?!
Olhou para o primo como se procurasse a resposta sobre essa exclamação.
Ótimo?!
Nenhuma resposta. Não da parte dele, porque até então ele também não sabia.
- Bem.. então... eu já vou...
- Hinata – pronunciou-se o pai. – Eu andei lendo alguns documentos que Neji me trouxe sobre o clã e tomei algumas decisões. Decisões importantes sobre você e o futuro do clã.
Lá vem...
- Quero que saiba que – continuou – eu me preocupo com você. E quero que você fique segura se algum dia eu chegar a faltar.
Um choque. Foi isso que sentiu. O pai nunca dizia isso, nunca. Eram poucas palavras, mas pareciam carregadas de carinho.
- Do que o senhor está falando? – meio confusa.
- Quando você voltar, conversaremos melhor. Agora vá. – dizendo isso, calou-se.
Flashback off
Afinal o que estaria acontecendo?
- Também não consegue dormir, Hinata? – uma voz conhecida se aproxima.
- Na-naruto-kun!! – assustada.
- Ah, desculpe assustar você... – ele tinha chegado por trás dela, que, distraída, não sentiu sua presença. – Também não consigo dormir... ando tendo sonhos esquisitos... – disse ele, sentando-se ao seu lado.
Tinha sonhado de novo com a princesa. Mas dessa vez, ele era um cavaleiro medieval que traíra a corte, roubava castelos, salvava donzelas indefesas e matava dragões e demônios com suco de laranja.
(N/A: acreditem, eu já sonhei uma coisa dessas... com suco de laranja e tudo)
- Nós de novo aqui olhando o céu...
- Mas hoje não tem estrelas...
- Em compensação, a lua está linda!! E parece que está bem pertinho!
Realmente. Sabe aquelas noites de lua, em que não há estrelas no céu, e o luar recobre toda a terra e a lua parece tão próxima e tão brilhante que parece que podemos tocá-la? Estava assim.
- Estava pensando em que? – perguntou inocentemente. – Seu namorado? – brincou.
- N-nãoo.. e-eu... n-não... t-tenho... na-namo-namorado...
Comentário infeliz. Agora ela estava tão vermelha que mesmo no escuro dava pra perceber.
- Er, desculpe, não queria deixar você assim... você é mesmo muito tímida.
Tímida? Ele me acha tímida... droga!
- N-nãoo é q-que.. que...
- Vamos fazer assim, eu acho você uma garota legal e não sei porque você gagueja tanto se sei muito bem que você não é gaga. Então, já que estamos sem sono, vamos conversar sobre sua vida... mas sem gaguejar, ta certo? – disse sorridente.
Cara, que menina tímida... vou ajudar ela.
- Ta certo!
- Viu? Nem é difícil. Vamos começar por mim. Olá, meu nome é Uzumaki Naruto, tenho 18 anos, adoro comer ramen, principalmente de porco, meu amigos são muito importantes pra mim, gosto de laranja e meu grande sonho é me tornar Hokage. Sua vez.
- Oi, meu nome é Hyuuga Hinata, vou fazer 18 anos daqui há três meses, quando vou me tornar líder do meu clã... não gosto disso. Gosto de lilás, margaridas e também gosto de ramen de porco. Não tenho muitos amigos. Meu grande sonho é... é... – hesitou em dizer.
- Qual é?
- Nada importante, Naruto-kun...
Não vai se realizar mesmo...
- Como não é importante? É claro que é importante!! Todos os sonhos são! Você nunca pode deixar os seus sonhos de lado, Hinata! Nunca!
- Naruto-kun...
- Uma pessoa sem sonhos é uma pessoa vazia. E as pessoas que desistem dos seus sonhos são pessoas infelizes! Mesmo que apareça alguém para impedir, você não deve desistir. Eu não sei qual é o seu sonho, mas não desista dele.
Meu sonho é você.
Nesse momento, uma estrela cadente cruza o céu.
- Olha lá!! Você viu?! Faz um pedido, Hinata!
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Depois de três dias de viagem, chegaram à Suna. Suna havia crescido bastante e Naruto, que fazia anos não ia lá, e os três gennins, que nunca tinha ido, ficaram admirados.
Chegaram ao palácio do Kazegake, mas não foram imediatamente recepcionados por ele que estava em reunião com os conselheiros. Kankurou os atendeu.
- Bem vinda, maninha. Achei que você não voltaria mais pra casa... – De fato, Temari estava há quase 4 meses em Konoha. – Achei que tivesse se juntado com esse aí!
- Olá pra você também, Kankurou – ignorando o comentário dele.
- Ei, e você, Naruto! Como está? Quanto tempo, hein! – apertando a mão dele.
- Eu vou levando!
- Nossa! E você, quem é? – saindo da mão dele e indo em direção à morena, que estava um pouco atrás dele.
- Hyuuga Hinata, senhor.
- Hinata... bonito nome... – e voltando-se ao loiro – Parabéns, hein, Naruto... você tem bom gosto!
- Hã? E-eu?! Ahhh, não é nada disso, ela e eu.. nós.. não..
- Ah, não? Quem bom, então...
Cara folgado!
- Você ta deixando a menina envergonhada, Kankurou, pare com isso. – falou Temari ao perceber Hinata pegando fogo. E mudando de assunto: - Onde está Gaara?
- Reunião do Conselho. Mas logo vai terminar...
- Já terminou. – o ruivo de olhos verdes penetrantes e de voz rouca entra na sala.
Esse é o Kazekage? Meu Deus!! Que KAZEKAGE é esse?- pensaram quase ao mesmo tempo as duas gennins.
(N/A: se o Gaara fosse real, o imagino como um cara sério, misterioso, e com voz de fazer cosquinha no ouvido... ou seja, de fazer derreter..tá, eu pago pau pro Gaara mesmo, e daí?.)
- Gaara!! Meu amigão!! Quanto tempo!!
- Naruto! – feliz por ter visto o amigo
Conversaram um pouco mais até que Gaara ofereceu estadia aos viajantes.
- Agradeço sua hospitalidade, Kazekage-sama, mas não será necessário. – recusou Hinata. – Os gennins e eu estamos em uma missão e devemos ir até o País do Vegetal, o mais breve possível, sendo Suna somente uma passagem.
- Ainda assim, acho que você deveria comprar mais mantimentos, Hinata. – falou Naruto. – Tem mais um dia de viagem.
- Certo, Matsuri pode acompanhar vocês até o mercado. – disse Gaara, chamando-a.
- Não é necessário, Gaara. Eu vou com eles. – interveio Kankurou.
- Não, Kankurou, você fica... temos que conversar... é... em família... – Temari iria começar a dizer porque estava ali.
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- Então, o que há de legal pra fazer aqui, Matsuri-chan?
- Bem, Naruto-kun, você quer saber sobre o que?
- Sei lá... pontos turísticos!
Ele realmente estava se comportando como se estivesse de férias.
- Bom... não há muita coisa... tem o palácio que nós acabamos de sair de lá, tem algumas fontes termais, um monumento em homenagem ao Kazekage-sama, alguns restaurantes...
- Tem um monumento em homenagem ao Gaara?!
- Sim. Os aldeões o construíram e deram de presente no aniversário dele.
- Caramba... depois eu quero ver isso!
- Bom, vou levá-los ao mercado...
(N/A: isso foi apenas pra encher lingüiça...)
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- Como é que é?! – perguntou o ninja.
- Isso mesmo que você ouviu. – respondeu tranquilamente.
Cinco segundos de silêncio. (N/A: porque ninguém morreu ainda pra ser um minuto)
- Eu vou MATAR esse cara!!
Partiu pra cima de Shikamaru que tentava proteger Temari, mas foi segurado por uma areia.
- Gaara, me solta!! Eu já disse que vou matar esse cara!! Me solta!
- Você não vai fazer nada. – afirmou o ruivo. (N/A: decidido, forte,...lindo.. ai ai)
- Mas Gaara...
Ainda segurando Kankurou, Gaara levantou-se de sua mesa e aproximou-se dos dois, que permaneciam em pé, juntos. Olhou para o cunhado e depois para a irmã, mantendo a mesma expressão séria de sempre. E fez a única coisa que todos os presentes nunca imaginavam que ele pudesse fazer: abraçou Temari.
- Eu não acredito nisso! Não vai me dizer que você aceita isso, Gaara?
- Pare de bancar o idiota e venha aqui.
Chegou perto da irmã.
- Grávida é?
Ela sorriu.
- Ta certo... ta... – e virando-se para o Shikamaru. – Mas eu ainda não gosto de você.
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- Bom, acho que é só isso. Podemos partir. – concluiu Hinata após guardar os alimentos na mochila.
- Então vamos logo! – empolgou-se Suzumi.
Quanto mais cedo partirmos, mais cedo voltamos e vamos poder ver o kazekage de novo! Ai...ai
- E-então.. tchau, Naruto-kun...
- Tchau, Hinata. Boa sorte! E... volte logo!
Porque tava dizendo isso?
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- Suponho que vocês irão se casar, não é?
Shikamaru deu um pulo da cadeira e Temari derrubou o café. Isso lá era jeito de começar o dia?
- Ca-casar?
- É, baka... c-a-s-a-r. Sim, porque minha irmã não vai ficar assim!
- Cala essa boca, Kankurou! – pediu para o irmão. É...casar... legal! – pensou.
- Eu não entendo muito disso, mas um casamento precisa de organização, não é? Já que infelizmente você juntou seu horrível DNA ao da nossa família...
- Ei, casamentos são legais! Vai ser quando, Shikamaru? – perguntou Naruto.
- Fica quieto!
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O monumento em homenagem ao Kazekage tratava-se de uma estátua de aproximadamente 8 metros de altura, feita com areia e pedra, do Gaara em sua posição mais comum de se observar: sempre imponente com os braços cruzados. Embora quase todos quisessem que ela ficasse ostentando a entrada de Suna, ou que ficasse logo atrás do palácio, acabou ficando localizada ao sul, próximo à saída da cidade e, por isso, não era tão vísivel.
- Cara, é bonita... – disse Naruto, admirado.
- Eu sei. Sou lindo mesmo... – disse o ruivo, tentando parecer engraçado.
- Ha ha ha ... – risada forçada. – Então Gaara, parece que as coisas andam bem pra você aqui. Fico muito feliz com isso.
Gaara permaneceu calado.
- Alguma coisa errada? – perguntou, ao perceber o silêncio do amigo.
- Naruto...eu cresci nessa vila sendo odiado por todos e aqui, só continuei por uma conveniência do meu pai. Pra ele era bem melhor ter o jinchuriki perto, como aliado, como uma arma. Até ele mandar me matar. Daí minha existência não fazia sentido porque as pessoas me odiavam. Então passei a mata-las. Sabe quantas vezes essas mãos mataram? Quando conheci você, meu amigo, descobri o valor das pessoas e que minha existência não estava relacionada à morte. Não mais. Quando me tornei kage, poucos acreditavam em mim e muitos ainda tinham medo. Mas quando ganhei essa estátua, percebi que agora eu estava sendo reconhecido como alguém importante... como alguém que é amado.
Permaneceram mais um pouco em silêncio.
- Um dia – continuou – espero estar com você em Konoha vendo seu rosto esculpido na montanha, Hokage.
- Gaara! – abraçou o amigo e sorria, sorria e sorria.
- E quanto tempo vocês pretendem ficar aqui? – disse o Kage, enquanto caminhavam de volta ao palácio.
- Não sei... tenho três semanas de folga, mas não sei se Temari e o Shikamaru vão ficar aqui.
- Ela sempre volta com ele, e agora com o bebê...talvez ela volte e só me mande um convite pro casamento...
- Quanto a isso, Gaara, acho que você devia conversar mais com eles.
- Porque?
Naruto então explica rapidamente o ocorrido com a mãe do Shikamaru e como eles agora estavam desabrigados.
- Eu sabia que ela não tinha vindo aqui só pra me falar da gravidez. Vou conversar com eles sobre isso.
- Bom, de qualquer forma... mesmo que eles fiquem mais um pouco, eu vou ter que ir. Não dá pra ficar muito tempo sem missões, sabe?
- Sei... e aquela sua amiga? Não vai espera-la?
- Hinata? É... ela já devia ter voltado.. já fazem dois dias. Missões como a que ela estava terminam logo...
- Duvido que algo tenha acontecido. Pra falar a verdade, fico até um pouco insatisfeito de terem pedido ajuda a Konoha que fica mais longe, mas...
- É que somos melhores mesmo!
Deu de ombros. Quando entraram no palácio, encontraram os cinco lá.
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- Graças a Deus, estamos de volta! – disse a menina ruiva.
- É, eu não agüentava mais. Ô lugar chato. E que missão besta! – falou o menino.
- Não tô falando disso! – replicou a menina, com cara de pensamentos que só ela conhecia.
- Ta falando do que, então?
- Não é da sua conta.
- Vocês querem parar com isso? Já chega, hein. – A sensei também se cansava dos dois implicantes.
- Ora, ora... então já estão de volta? – falou um ninja vestido num macacão preto.
Não, ele de novo?Que saco!
- E como foi a missão? – mostrando-se interessado. – Mas, entre você deve estar cansada. – mantendo o olhar fixo nela, como se ela fosse um pão de queijo quentinho, e segurando o seu braço.
Não só ela! Tem nós três aqui, seu retardado!
- Obrigada, Kankurou-san. – tentando livrar-se dele.
- Bom dia.
- Naruto-kun?
- Ei, Hinata! Que bom que vocês já voltaram! Como foi?
- Ah, foi bem.
(N/A: minha mãe sempre diz que pra tudo que ela me pergunta como foi, eu respondo dessa forma: ah, foi bem.)
- Onde estão Temari e Shikamaru? – pergunta Gaara ao irmão.
- Lá em cima.
- Pare de incomodá-la. – disse o ruivo somente para o irmão ouvir.
- Só estou sendo cordial com os visitantes...
- Cordial demais. Vamos.
- Acho que devemos entrar também...
- É.
Coisa esquisita! Ela parece mesmo a princesa...
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Poderíamos dizer que a viagem a Suna estaria terminada. Mas algo mais aconteceria.
Após o jantar, a família Sabaku e Shikamaru foram de novo, conversar sobre a real situação do casal desabrigado ShikaTema. Enquanto conversavam, os gennis foram para o quarto, acompanhados de Hinata, restando ao loirinho ficar observando a cidade pela sacada do palácio.
Encostado na sacada, pensava na conversa que tinha tido com o Gaara pela manhã e em como já estava se sentindo cansado de tudo. Em Konoha, era um dos jounnins mais requisitados, conforme dito anteriormente, mas faltava ainda uma coisa. Embora todos ali já gostassem dele, pelo Conselho de Múmias, ele não passava ainda de um jinchuriki que precisava ser observado. Quantos anos mais demoraria pra ser Hokage? Não, nunca desistiria. Mas, já estava passando da hora. Ta, ta certo que ainda era meio idiota em algumas coisas, mas sempre se esforçava. E se esforçava desde criança.
A coisa mais importante para um Shinobi ter é o espírito e a vontade de nunca desistir.
De repente, lembrou-se do pai. Agora já sabia quem ele era. O grande homem da vila! O herói que selou o demônio das nove-caudas no próprio filho. Não sabia se tinha raiva dele ou não, só que às vezes pegava-se imaginando se não seria melhor que tudo fosse diferente. Se não fosse ele a criança. Se ele o tivesse conhecido e se a mãe estivesse viva. Ainda havia uma possibilidade que estivesse, porque diziam que ela havia desaparecido no dia que a kyuubi atacou a vila, dia da morte dele, dia do selamento, dia em que ele nasceu. E se ela sumiu, era porque tinha abandonado o filho.
De qualquer forma, a única pessoa que ele considerava como um pai, também já estava morto: Jiraya.
Sentiu os olhos encherem-se de lágrimas.
- Naruto-kun?
Enxugou rapidamente os olhos.
- Ei, Hinata! Você está aí!
- Sem sono?
- Pra variar! Hehe Vou acabar me acostumando a essas conversas noturnas com você, hein!
Ela fica vermelha. Conversam mais alguma coisa sobre a missão dela, até que ficam de novo em silêncio.
- Hinata, naquele dia, você me disse que não gosta de ter que se tornar a líder do clã. Por que?
- Bem, Naruto-kun... é que... a minha vida toda eu ouvi meu pai falar que eu seria a líder do clã. Fui criada pra isso. Mas eu não sei se quero essa responsabilidade pra mim... mas não tenho outra escolha. Aliás, nunca me deram outra escolha...
- É, pais às vezes fazem essas coisas...
Ela não entendeu. Poucas pessoas em Konoha sabiam da relação entre o Quarto e Naruto.
- Mas você não deve ficar assim! Se você não quer isso pra sua vida, diga pra ele!
- Não é tão fácil assim...
Ele percebeu a tristeza dela. Era como se ela estivesse presa em um lugar e não soubesse lutar pra poder sair. Estava tão fechada no mundinho dos Hyuuga que não vivia, conformada com uma situação que lhe foi imposta e que sabia que não ia lhe fazer feliz. Ele não podia deixar que uma pessoa tão legal, um amiga assim, ficasse daquele jeito.
Corra riscos
- Hinata, ta afim de fazer alguma coisa?
- Fa-fazer o que?
- Sei lá! É sábado, não ta tão frio, não estamos com sono, vamos sair!
- Mas pra onde?
- Ah, a gente encontra um lugar legal! Ou então... vamos andar pela cidade!
- Ta!
- Então vem comigo! – estendeu a mão para ela, e sorriu.
Em Suna, como em qualquer deserto, as noites são um pouco frias, e os dias são quentes. Ao contrário do que muitos imaginavam, através da empolgante descrição da Matsuri sobre os pontos turísticos de Suna, as noites eram até calientes.
- Diga, Hinata: o que você quer fazer?
- Não sei.. – ainda tímida.
- Ah, que é isso! Vamos lá! A noite é uma criança e eu quero me divertir!
- Eu também!
- Isso!!
- O que você quer ser?
- Eu quero ser feliz!!
"Life moves really fast. If you don´t stop to look around once in a while, you can miss it" – Ferris Buler em Curtindo a Vida Adoidado
Eles correram pela cidade, brincando pelas ruas, bagunçando alguns locais, numa maldade infantil. Tiraram as bengalas dos velhinhos, assustaram criancinhas, e fugiram de cachorros. Para Naruto era como se voltasse à infância: fazia as coisas pra chamar atenção mas até que gostava. Para Hinata, esses pequenos atos de vandalismo (N/A: pequenos... beeeeeem pequenos meeesmo... eu sei) eram os únicos que já tinha feito na vida e até que ela estava gostando.
Em plena madrugada, encontram um local que parecia estava acontecendo uma festa. Música e muita gente.
- Vamos entrar ali!
- Mas nós não fomos convidados!
- E daí? A gente se convida, ué!
Na verdade era uma boate, mas nenhum dos dois tinha mais dinheiro pra entrar. Isso não era problema pro loirinho empolgado. Usando um bushin, Naruto distraiu o segurança e eles entraram.
(N/A: Lest's play, DJ!)
Ao som de Twist and Shout – Beatles! Porque o Dj tava tocando músicas antigas! Ou porque a autora ouviu essa música hoje no filme acima! Hauahuaauhaua
Traduzida pra quem não sabe inglês.
- Sabe dançar, Hinata?
Nem precisou responder, por que ele já estava puxando ela pra pista.
Shake it up baby now
Agite-se baby agora
Twist and shout
Gire e grite
Come on, come on, come, come on baby now
Vamos, vamos, vamos, vamos, baby,agora
Come on and work it on out
Anime-se e se exercite bastante
Well work it on out
Bem, se exercite bastante
You know you look so good
Você sabe que você está bem
You know you got me goin' now
Você sabe que você me mantém agora
Just like I knew you would
Assim como eu sabia que você faria
Well, shake it up baby now
Bem, agite-se baby, agora
Twist and shout
Gire e grite
Come on, come on, come, come on baby now
Vamos, vamos, vamos, vamos, baby, agora
Come on and work it on out
Anime-se e se exercite bastante
You know you twist, little girl
Você sabe que você agita, garotinha
You know you twist so fine
Você sabe que você agita muito bem
Come on and twist a little closer now
Venha e agite um pouco mais perto agora
And let me know that you're mine, woo
E me deixe saber que você é minha, woo
Ah, ah, ah, ahhhhhhh
(N/A: tananan tananan nan nan nan nan nan nan tanantanan ... hauhaahuah )
Por quanto tempo ficaram ali? Ninguém sabia, mas quando saíram já era quase dia, estavam molhados de suor, cansados e muito felizes.
- Nossa! Eu tô acabado! – disse Naruto, jogando-se na grama de um parquinho próximo a casa de shows.
- Eu não!! Por mim a gente pode ficar a noite toda, o dia todo, a vida toda!!
Não é que ela tava mesmo gostando?
- Vem cá, você não bebeu nada escondido não, né? – brincou. Ela sorria.
Tenha iniciativa
Ele estava deitado na grama e ela agachou-se, ficou ao lado dele, criou coragem e disse:
- Naruto-kun?
- Oi.
- Ta muito cansado?
- Por quê? – curioso.
- É que eu quero fazer mais uma coisa.
- O que? – mais curioso.
Ela sorriu um sorriso sapeca que ele nunca tinha visto e correu.
- Hinata!! Volta aqui!
Correu atrás dela em direção a escassa floresta, perto já da saída de Suna, passaram pelos portões e adentraram na floresta. Não estava muito escuro porque já era quase dia. Mais alguns poucos minutos, ela parou.
- Ei, lugar bonito!
Era um pequeno lago no deserto.
- Encontrei quando estava indo pro País do Vegetal.
- Legal. Mas... por que você me trouxe aqui?
Tirou os sapatos, entrou na água e numa mistura de timidez com ousadia, disse:
- Porque... porque eu... vou te dar um banho! – E jogou água nele!
- Ah, não vai não!!
E ficaram rindo e brincando de jogar água um no outro.
(N/A: isso é tão legal!! XD)
E nessa brincadeira, num momento em que ficaram mais cansados, os olhares se cruzam e Naruto pela primeira vez fica sem jeito. Hinata tinha um sorriso e olhos tão bonitos e era tão agradável estar com ela, mas o que estava chamando atenção agora naquele momento era a roupa molhada colada no corpo dela. Ficou meio sem graça. E ela também ficou e cruzou os braços na tentativa de esconder o corpo.
Eu acho que exagerei...- pensava ela
É melhor a gente ir embora... – pensava ele.
- Atchim!
- É melhor a gente voltar pro palácio antes que você pegue um resfriado! Hehehe
Quando chegaram ao palácio já estavam menos molhados.
- Bem.. é isso. Boa noite... quer dizer, bom dia!
- Bom dia, Naruto-kun!
Cada um dirigiu-se ao seu quarto, mas mal ele tinha se afastado ela o chama.
- Uh? – vira-se de novo.
- Obrigada... f-foi a melhor noite da minha vida!
Sorriu de volta.
O amor é um ato de fé
