Pov Bella.
Eu olhei a porta sendo fechada, fui em direção à cama e me sentei. Por um momento me senti perdida. Vazia. Olhei mais uma vez a minha volta, e não consegui segurar uma careta; pra que tanto laço? Vi que tinha duas portas além daquela por que entrei, caminhei até a primeira.
Ela dava acesso a um closet, onde havia uma variedade de roupas que supus serem para mim. Havia muitos vestidos... O que houve com a velha calça jeans e camisetas básicas? E as lingeries eram tão rendadas! E que tamanhos eram aqueles? Só iria cobrir o essencial. As camisolas eram lindas e muito sensuais, mas nada combina com meu estilo usual. Lembrei-me do meu velho moletom e de minha camisetinha meio rasgada com que eu dormia normalmente. Será que estas roupas foram eles que as escolheram?
Estremeci com a idéia deles escolhendo a calcinha que iria usar. Droga. Por que simplesmente não me deixavam ir embora e esqueciam essa coisa de escolhida? E afinal o que é uma escolhida? Eles não podiam escolher outra, não? Por que eu? Suspirei frustrada. Eu queria saber as respostas. Ou melhor, eu não as queria, eu só queria a minha vida de volta. Vi eu mesma refletida no espelho que se encontrava ali, levei um susto com a minha imagem, nele.
O vestido que eu usava estava todo amassado, meu cabelo estava uma confusão, levei as mãos a ele e por um motivo que eu não sabia explicar, havia uma folha enroscada ali. Eu precisava de um banho.
Fui até a porta que eu acreditava ser o do banheiro. Era. O banheiro era enorme, só perdendo para o closet que era absurdamente grande. Tinha uma linda banheira, muito convidativa, mas descartei a idéia. Era melhor tomar uma ducha rápida, antes que um deles resolvesse voltar. Eu queria estar vestida nesta ocasião. Voltei ao closet e peguei um baby-doll era o mais simples que existia, e mesmo sendo de seda não revelava muita coisa. Eu queria meu velho moletom, eu me sentia confortável nele. Fui para o banheiro, tirei a roupa rapidamente e entrei no chuveiro. Água quente caia sobre minha cabeça. Fechei os olhos e deixei a água se derramar em minhas costas. Quase gemi com a sensação proporcionada. Lavei meus cabelos com o shampoo que estava ali. Ele tinha um cheiro maravilhoso. Terminei rapidamente meu banho e me vesti. Olhei a cama, porém no meio do caminho mudei de direção; fui até a porta de saída do quarto, coloquei minha mão na maçaneta e hesitei. Como iria fugir sem carro? Estava longe da cidade, ir a pé não era uma boa idéia, estava cansada. Não iria muito longe. Não era inteligente sair no meio da noite, onde não se tinha conhecimento de onde se encontrava direito. Desanimei. Voltei para a cama e me deitei. Eu tinha que pensar em uma maneira de mudar a direção que minha vida havia tomado. Antes que eu percebesse me encontrava nos braços de Morfeu. (n/a: antes que vocês pensem que Bella está nos braços de algum homem, devo dizer que ela dormiu, Morfeu na mitologia era o deus dos sonhos).
Senti um cheiro muito gostoso, um cheiro familiar e novo ao mesmo tempo, me fazia pensar em longas caminhadas. Uma imagem veio a minha mente, eu andava a cavalo. Eu conseguia sentir o vento em meus cabelos. A sensação de liberdade que isso me proporcionava era maravilhosa! O belo garanhão galopava veloz, tão indomável quanto eu gostava de pensar em relação a mim, ouvi meu pai chamando ao longe, pelo seu tom de voz, ele estava furioso. Sorri meu pai estar furioso não era novidade. Algo corriqueiro. Vi quando ele passou a mão em seus cabelos frustrado pelo fato de não o atender de pronto.
A contra gosto, parei o garanhão próximo ao meu pai e saltei para ir ao encontro dele. Seus olhos azuis fitavam-me irritados... Olhos azuis? Charlie tinha olhos castanhos como os meus; então, quem era ele? Eu nunca andei a cavalo. Abri os olhos. Aperto as pálpebras devido à claridade.
- Damon?- sussurrei, surpreendendo a mim mesma. Não tenho motivos para achar que ele estaria aqui. E dali a pouco escuto um ruído, algo como um sussurro. Olho em volta e quase fico desapontada quando não encontro ninguém. Ainda com o travesseiro entre os braços, levanto da cama e caminho até a porta de saída, e a abro lentamente. Olho os dois lados do corredor, encontrando ele vazio. Volto a fechar a porta e dou uma olhada no closet e mesmo achando ridículo olho embaixo da cama sem nada encontrar.
Volto para a cama me perguntando se o sonho pode ter sido desencadeado devido a toda a ansiedade. Foi um sonho tão real! Fecho os meus olhos e tenho a sensação de que ainda poder sentir o mesmo cheiro. Assusto-me quando escuto duas batidas na porta; mas antes mesmo de fazer menção de ir abri-la ou de perguntar quem era uma moça ruiva entrou.
Ela era ainda mais baixa do que eu, sua pele era clara e fazia contraste com seus cabelos ruivos que desciam em cachos. Ela me fitava com seus olhos castanhos cintilando de empolgação. A carinha em forma de coração toda iluminada, a pele tão clara e transparente quanto a minha. Ela segurava uma bandeja, que foi logo depositada ao meu lado. Ali, havia tudo o que se podia esperar de um café da manhã.
- Bom dia. Eu me chamo Bonnie. –ela sorriu amável.
- Bom dia. Eu sou a Bella.
- Bella?
- Bem, eu me chamo Isabella, mas eu prefiro Bella. – Olhei com curiosidade. Ela me olhava da mesma maneira; porém no seu caso, parecia haver certa diversão em seus olhos.
- O que é engraçado?
- Desculpa, é que eu queria ver a garota que teve a coragem de roubar e destruir o carro do Edward. – Ela deu uma risadinha. – Não fique constrangida, não era minha intenção. Tomei a liberdade de vir vê-la, aproveitando que eles não estão.
Animei-me com tal fato. Era minha chance.
- Mas eu não me animaria se fosse você, eles deixaram vários seguranças, para guardá-la.
- Droga!
- Você não está feliz em estar aqui, não é mesmo?
-Não.
Ela me olhava pensativa.
-Você não precisa ficar trancafiada dentro do quarto, eu poderia mostrar o restante da casa.
Eu não estava empolgada com a idéia, até que ela disse
- É sempre bom à gente saber realmente onde se está para melhor pensar nas alternativas.
Pulei da cama no mesmo instante, indo até o closet e escolhendo um vestido leve na cor creme. Voltei ao quarto e ela se encontrava no mesmo lugar.
- Vamos?
- Não quer tomar seu café da manhã primeiro?
Peguei uma maçã na bandeja e comendo fui em direção à porta, ela me seguiu. Chegamos ao corredor e Bonnie foi logo apontando os demais cômodos e dizendo o que havia em cada um deles. Em determinado momento eu perguntei curiosa:
- Bonnie?
- Sim?
- Por que disse que aproveitou o fato deles não estarem presentes para vir falar comigo? Não pode ser apenas por causa do carro ou é?
Ela suspirou e deu um pequeno sorriso.
-Não. Não é por causa do carro. Eu vi quando você chegou aqui ontem. Vi que não queria estar aqui e...
- E?
- Eu queria ajudá-la.
- Então me ajude a sair daqui. – Pedi esperançosa.
- Não posso.
- Mas você disse...
- Bella eu não sei explicar, mas sinto que seremos grandes amigas. Eu disse que queria ajudá-la e vou, na medida do possível. – Ela levantou a mão quando fiz menção de falar. - Minha avó trabalha pra eles. Ela é uma bruxa.
- Então você..?
- Sim, eu também sou uma bruxa. Meus dons começaram a aparecer agora e estou aprendendo a lidar com eles. O fato de você ser a escolhida deles não lhes dá o direito de te manter contra a vontade, mas essa é a minha opinião. Eu não gostaria de me casar ou ser companheira de alguém de quem eu não gosto.
- Eu não entendo por que eles não escolhem outra pessoa? Por que eu? E afinal de conta o que é uma "escolhida"?
- Como eu disse antes, eu ainda estou apreendendo, não tenho todas as informações. Posso explicar o pouco que eu sei sobre ser uma escolhida.
-Você pode? Então por favor, me explica.
- Bem... o que você sabe sobre concepção? Revirei os olhos.
- Bonnie, eu não sou criança. Sei como os bebês são feitos, tive aula de educação sexual na escola. Sei que o espermatozoide fecunda o óvulo e...
- Isso - Ela me cortou - Seu pai e sua mãe contribuíram com sua formação genética, isto é a cor dos olhos, cor da pele e por aí vai... A alma, no entanto...
-Alma? Minha alma?
- Sim, sua alma. Sabe quando um humano se transforma em vampiro parte de sua alma, um fragmento. Ele é devolvido ao plano astral. É por isso que eles perdem suas lembranças humanas. Lá, esse fragmento encontra outro fragmento que de certa forma tem compatibilidade um com o outro e assim eles podem nascer novamente, um novo ser. É o seu caso, quatro fragmentos que tinham compatibilidade se juntaram formando a sua alma, não quer dizer que não tenha uma parte só sua. É preciso dois fragmentos para esta nascer de novo, nunca aconteceu de mais de dois como no seu caso. Um único fragmento não tem força necessária para nascer de novo. Nem todo fragmento nasce novamente e nem todo vampiro tem uma escolhida. É por isso que eles se sentem atraídos por você. Você não se sente atraída por eles também?
Eu corei com isso. Eles eram muito atraentes, eu não podia negar. Parte de mim queria negar tal fato. Com esse dilema interno e a informação que Bonnie havia me dado, me mantiveram calada. Ela passou a mostrar a casa, eu olhava mecanicamente tudo que ela mostrava.
Na parte principal da casa, havia cômodos com o pé-direito bem alto. O hall e a escada central separavam a sala de estar, a biblioteca, a varanda da sala de jantar, a cozinha e a sala de televisão. Atrás da sala de televisão havia uma galeria que levava à ala central da casa e a um escritório, os quartos ficavam no andar superior. Eu me sentia envolta em uma nuvem sem ver de fato e esperando um faixo de luz que indicaria a saída. Nem percebo que parei, até que ela toca meu antebraço.
- Tá tudo bem? – Seus olhos mostrando toda preocupação ali contida.
- Eles não vão me deixar ir, não é mesmo?
- Não creio que eles vão permitir. Muitos vampiros apenas se apaixonam e faz daquela sua companheira. Quando um vampiro tem uma escolhida ele...
- Ele?
- Ele não desiste dela. A escolhida trás força a eles é como se eles estivessem inteiros novamente, é o mesmo de dar visão a um cego e depois dizer a ele que vai levar a visão embora.
- Mas...
- Veja, eu não sei muita coisa sobre o assunto, como eu disse estou aprendendo. Posso pesquisar sobre o assunto e vê o que dá pra fazer, ok?
- Obrigada Bonnie. - Num impulso, eu a abracei. Talvez houvesse esperança.
Nota da autora: Obrigada a chovitap por deixar um comentário. Eu amei ler suas palavras. Por favor, comentem...
