— Sakura, esta é uma péssima hora. Depois nos falamos. — Itachi, sem esperar resposta, desligou o celular. Ao levantar a vista, o badboy encarou seu irmão e notou que o mesmo já não chorava, mas o fuzilava com os olhos.
— Que porra é essa, Itachi?! — Sasuke indagou.
— Do que é que você tá falando agora, droga? — Disse após guardar o celular no bolso.
— Não se faça de desentendido, seu imbecil! — O mais novo empurrou o mais velho, fazendo-o dar com as costas na parede. — Além de ser totalmente irresponsável ainda é um traidor!
— Sasuke, cala essa boca! — Recompôs-se rapidamente. — Para de cagar pela boca e me diz de que diabos você está falando?!
— O que você está fazendo com a minha namorada?
— Desculpa, cara. Eu ainda não tô te entendendo. Juro.
Sasuke deixou que seus ombros relaxassem e olhou para o chão. Respirou e inspirou fundo algumas vezes para tentar se acalmar, mas nada que adiantasse muito. Então deixou que uma risadinha escapasse de seus lábios.
— Você não muda mesmo, não é? — Levantou as vistas vagarosamente e pôs as mãos em frente ao rosto para que não encarasse o irmão e começou a esfregá-las violentamente na intenção de esvair a raiva. Novamente, nada que adiantasse muito. — Estou falando de Sakura, Itachi! O que você está fazendo com ela?!
Ao saber que se tratava de Sakura, o rapaz não pôde deixar de se sentir chocado. Era muito óbvio que tinha algo errado naquela história. Tinha que ter. Ele esperava que tivesse. Na verdade, ele rezava para que tivesse. Pois as chances de haver uma outra Sakura naquela cidade eram tão grandes quanto as de Sasuke deixar de ser ignorante.
— E porque tem que ser a sua Sakura? — Itachi esperava que não fosse, pois Sasuke o olhou fuzilante quando ele citou que essa possibilidade existia. Afinal, em sua cabeça, Sakura era única e exclusivamente dele. — Quem te garante que não é uma garota estranha de cabelos rosas?
— Porque a minha Sakura é uma garota estranha de cabelos rosas! — Nesse exato momento, o Uchiha mais velho arregalou os olhos e Sasuke pôde ver em sua expressão que era a sua Sakura. — Tá vendo, cara? Porque você sempre tem que me foder? Porra!
Após dizer isso, Sasuke saiu da sala de espera deixando um Itachi confuso e hesitante. O que ele deveria fazer agora? Ir atrás de Sasuke para tentar dar uma explicação, ou ir até Sakura para pedir uma explicação? Não, ele não faria nenhum dos dois. Resolveu voltar para casa, pois estava tarde demais para tentar se reconciliar com o cabeça dura do seu irmão e para se estressar com a rosada.
Ao chegar em casa, a primeira coisa que Itachi fez foi ir até seu quarto, tirar os sapatos e se jogar na cama do jeito que estava. Ainda não havia caído a ficha sobre a morte de sua mãe e no meio da confusão com Sasuke, Itachi encontrou uma fuga, mas ali, deitado sozinho em seu quarto o mesmo desatou a chorar, tendo saudade dos momentos felizes que teve ao lado de sua mãe e de todos que poderia ter tido se não fosse sua maldita rebeldia.
Sakura foi tirada de seu sono tranquilo pela campainha que tocava insistentemente. Sentando-se na cama, olhou o despertador e constatou que ainda era madrugada.
— Quem é o idiota que toca a campainha dessa forma as quatro e quinze da manhã? — Perguntou-se enquanto se arrastava irritada até a porta. Surpreendeu-se imensamente com a face transtornada vista pelo olho mágico. — Sasuke?! — Perguntou ao abrir a porta.
— Eu mesmo, porque? Esperava outra pessoa? — Perguntou esperando que ela entendesse o motivo do tom de ironia. O que não aconteceu.
— Não, eu só não esperava te ver. Muito menos nesse horário. Mas, olha, Sasuke, eu tenho aula amanhã, você também. Então vai pra casa...
— Você não vai fugir do assunto, Sakura! – Rosnou Sasuke.
— Mas de que merda de assunto você está falando?
— Do meu irmão!
— Você tem um?
— Tenho e, pelo visto, vocês se conhecem muito bem, não é mesmo?
— É mesmo? — Disse Sakura debochada, sentando-se calmamente no sofá de sua casa.
— Não se faça de sonsa! Eu vi quando você ligou pra ele toda preocupadinha, Sakura! — Sasuke apontou o dedo em direção a Sakura, que permanecia sem saber o motivo da revolta. — Pelo visto não foi muito difícil pra você esquecer de mim!
— Sasuke, é o seguinte. – Sakura levantou calmamente e foi em direção ao rapaz. – Eu não sei o que você andou fumando e nem quero saber. Mas, seja lá o que for, não lhe dá o direito de tocar a campainha trezentas vezes a essa hora da madrugada e sair cuspindo desaforos sem o menor sentido na minha cara. Então, se você não se incomoda, saia daqui imediatamente. — Foi em direção a porta e a puxou pela maçaneta, abrindo-a. — Tenho aula amanhã cedo e, mesmo que não tivesse, a última cara que eu gostaria de ver nesse momento é a sua.
— Sei muito bem quem você gostaria de ver.
— Quem, Sasuke? — Pousou os punhos cerrados nos quadris e, cansada daquela discussão, revirou os olhos diante da insistência sem sentido do moreno.
— Itachi, obviamente. — Debochou.
— Itachi?! — Repetiu, achando ter ouvido errado.
— Itachi, Sakura. Seu amante, meu irmão.
— Seu irmão? — Surpreendeu-se, mas não muito. — Eu sabia! Vocês se parecem demais. Apesar dele ser bem mais divertido que você. — Debochou. A relação daqueles dois tornava-se cômica pelo fato de serem dois orgulhosos prepotentes que não perdiam uma chance de tirar brincadeiras em momentos que não deveriam.
— Isso! – Sasuke bateu palmas vagarosamente. – Muito bonito! Exalte as qualidades do seu amante para que eu fique pior do que já estou!
— Não tenho como ter um amante, Sasuke. Não sou comprometida com ninguém.
— Se ele tocar em você eu vou matar aquele desgraçado! – Pegou Sakura pelos ombros e passou a chacoalha-la enquanto berrava com a mesma. – Eu vou mata-lo! Eu vou mata-lo! – Dizia, agora em meio as lágrimas. — Ele vai morrer, Sakura.
Sasuke, ajoelhado aos pés de uma Sakura completamente sem ação, chorava descontroladamente.
— Sasuke. — Chamou-o. — Sasuke, acalme-se. – Sakura abaixou-se para encará-lo nos olhos marejados. — Sasuke! — Chamou-o novamente, mas dessa vez assustada pelo descontrole de seu ex.
— Se ele estivesse lá ela ainda estaria viva, Sakura! – Repetia em meio aos soluços. — Se ele estivesse lá ela estaria viva!
— Sasuke, por favor, acalme-se. – Sakura sentou-se no chão, puxando Sasuke para seu colo. O mesmo chorava copiosamente em seus braços repetindo o mantra "Se ele estivesse lá ela estaria viva".
A raiva de Sakura se esvaiu, dando lugar à preocupação. Abraçada a Sasuke, que parecia estar fora de si, ela o acalentava e tentava transmitir seu afeto que, mesmo mascarado pela rotina corrida, ainda existia dentro de seu peito.
Aos poucos, o rapaz, vencido pelo cansaço, entrou em um sono profundo. Sakura, observando o rosto vermelho e molhado pousado em seu colo, sentiu saudades de tudo o que passaram e do que poderiam passar e, diante de uma incontrolável vontade, pousou um beijo nos lábios serenos com sabor de lágrimas.
