O brilho de uma deusa
N/A: Laarc – Você tem toda razão. O grande vilão dessa história já apareceu ! Garanto que teremos grandes surpresas ao longo da fic...
Nosso casal preferido ainda não viu nada... ;)
Bjs e obrigada por acompanhar!
As sailors se posicionavam diante dos inimigos.
– Elas conseguiram se sair vitoriosas em seus propósitos – Disse Sailor Pluto ao ver a sombria figura do deus à sua frente.
– Então são vocês as guerreiras que ousam se colocar no caminho dos deuses? – Perguntou Tânatos.
– Nossa missão é defender este planeta! Não importa quem sejam vocês. Não vamos permitir que façam nenhum mal à Terra! – Disse com convicção Sailor Moon.
– Quem é você e essas três criaturas que cheiram à submissão? – Perguntou Sailor Urano.
– Você é uma mulherzinha abusada. Não tem problema; gosto disso! Sou Tânatos, Deus da Morte, e estas são as Queres, Akhlys, Ker e Stygere.
– O que vocês querem? – Perguntou Sailor Moon.
– Nós três seremos os novos governantes desse planeta! – Sentenciou Tânatos – E, você, guerreira... Vejo que é filha da Lua. Diga-me: sabe algo sobre Selene?
Circe se arrepiou com a pergunta. Tânatos ainda perguntava por Selene após tudo que se passara? Como ele podia ser tão submisso? A Deusa da Lua, aquela detestável... Ela foi importante no fracasso dos planos dos três no passado. Não, ele não podia estar fazendo aquilo...
– Tânatos! – Disse ela, com voz seca.
O deus apenas ergueu uma das mãos num gesto de quem pedia calma.
– Não vejo a Deusa Selene desde a nossa batalha contra Nyx, encontrei-a na imensidão do universo – Respondeu-lhe Sailor Moon.
Agora era Nêmesis que ficara sobressaltada. Como assim? Nyx? A poderosa deusa, aquela que a gerou? Sailor Moon estava afirmando que ela e suas guerreiras batalharam contra a Deusa da Noite?
– Vocês enfrentaram Nyx?
– Nós a enfrentamos e protegemos esse planeta! Nyx perdeu a batalha, mas acordou a tempo de cumprir seu papel de deusa e não mais ameaça a Terra!
Circe deu um passo para trás. Que tipo de guerreiras eram aquelas? Enfrentaram uma deusa poderosa como aquela e ainda por cima sobreviveram para contar a história?
Nêmesis, por seu turno, também não se conformava. Que história era essa? Ela avançou em Sailor Moon e buscou no seu olhar o que ele guardava acerca da deusa poderosa a quem dizia ter derrotado.
Ela ergueu a guerreira da Lua e ascendeu com ela a alguns metros do chão, diante dos olhares perplexos das demais sailors. Ela conseguiu ver flashes da atuação do grupo e da deusa e ficou espantada com as revelações. Sailor Moon usou seu Cristal de Prata contra a Deusa da Vingança, que sentiu os olhos queimarem com o brilho da pedra e soltou sua vítima.
As duas caíram no chão. Nêmesis estava completamente transtornada. Até mesmo seus cúmplices estavam estarrecidos com sua postura. Ela ergueu sua lança, seu olhar transmitia ódio, enquanto descia-o lentamente contra Sailor Moon.
– Não! Não faça isso! – Gritaram as sailors em coro, precipitando-se contra a deusa, tentando ajudar a amiga.
No entanto, uma rosa se mostrou mais rápida que a movimentação das sailors se interpôs entre a deusa e sua vítima.
– Você... De novo!
– Sailor Moon, você está bem?
Ela apenas acenou a cabeça.
– Chega dessa conversa! Tenho mais o que fazer! Divirtam-se com as Queres. – Disse Tânatos ao lado de Circe – Nêmesis, não nos acompanha?
A deusa respondeu com um aceno e encarou Tuxedo Mask:
– O que tem você, humano, pra ter sido um eleito da Deusa da Noite? Sim, eu vi nos olhos da guerreira da Lua e conheço agora parte dessa narrativa... – Esclareceu ao notar a surpresa nos olhos dele – E você simplesmente se recusou a uma das deusas mais poderosas. Por quê?
– Porque eu amo outra pessoa.
– Entendo – Disse, retirando-se.
Serena ouviu penalizada aquele diálogo e segurou fortemente nas mãos de Fighter. Precisava se prender a alguém para não correr até Darien, envolvê-lo em seus braços e beijá-lo.
Mas, embora o trio de deuses tenha partido, as três Queres ficaram. E estavam dispostas a lutar.
As sailors e Tuxedo Mask se puseram em posição de luta. Os raios, trovões e a chuva não cessavam.
Akhlys foi a primeira a se posicionar, enquanto Ker e Stygere ficavam atrás.
– Eu não esperava encontrar inimigos tão logo abandonasse o mundo inferior, mas devo dizer que estou muito satisfeita. Estava entediada sem nada de interessante pra fazer!
A criatura deixava entrever seus agressivos caninos vampirescos e levantava suavemente suas mãos. Uma névoa sinistra começou a preencher o local e as sailors não mais conseguiam enxergar direito.
Mas isso ainda não era o pior. O local, antes ornado por belas e delicadas flores, agora cheirava à morte.
As duas outras Queres saíram de trás de sua companheira para se colocar em batalha. As sailors se dividiram para tratar das três inimigas.
Sailor Moon, Fighter, Mercury e Vênus duelariam contra Akhlys.
Urano, Netuno, Saturno e Júpiter enfrentariam Ker.
Sailor Pluto, Mars e Tuxedo Mask ficaram diante de Stygere.
Dava-se início ao confronto.
– Quatro contra uma! – Dizia Akhlys – Devo dizer que essa luta será desigual... Vocês estão em grande desvantagem!
– Não seja presunçosa! – Advertiu Fighter.
Akhlys sorriu em resposta. Não demorou a mostrar seu poder de ataque:
– Névoa da Morte, espalhe-se!
De dentro da boca de Akhlys saiu uma fumaça escura que envolveu cada uma de suas oponentes, desferindo-lhe choques elétricos. Mas não era só isso. Essa estranha fumaça parecia penetrar pelo corpo das sailors, provocando-lhes fortes dores.
Sailor Moon usou o brilho resplandecente de seu Cristal de Prata e conseguiu salvar a si e as amigas do ataque inimigo.
– Não vai nos derrotar assim tão fácil! – Disse a guerreira da Lua.
– Acaso vocês pensam que eu tinha a pretensão de derrotar vocês com semelhante ataque? Eu estava só começando...
Novamente, ergueu suas mãos, invocando os raios, concentrando energia em suas mãos. E começou a lançar pequena bolas de energia que explodiam ao tocar os corpos das sailor. Fighter conseguiu escapar e ajudou Sailor Moon a se desviar, mas Mercury e Vênus foram atingidas.
– Meninas, não! – Gritou em desepero Serena.
Ami havia sido atingida no ombro direito e Mina, na barriga. Ambas caíram no chão destransformadas.
Akhlys sorria satisfeita e partiu na direção das duas jovens estiradas no chão, mas Sailor Moon se interpôs:
– Deixa elas em paz!
Enquanto a luta entre Akhlys e as quatro sailors se desenrolava, Ker enfrentava Urano, Netuno e Júpiter.
Os olhos da criatura brilhavam intensamente. Ela abriu os braços e de dentro de seu peito saíram dardos fumegantes, centenas deles, na direção de suas oponentes.
Júpiter e Urano conseguiram se desviar e se proteger. A primeira, inclusive, lançando seu ataque, "Grande Mancha Vermelha de Júpiter". Mas de nada adiantou. Ker parecia muito forte de fato e não lhe foi difícil desviar do golpe.
Saturno e Netuno não tiveram a mesma sorte e acabaram atingidas.
Urano correu sobressaltada em direção às companheiras. Foi com perplexidade que ela viu que por pouco o dardo não atingira o coração de Netuno. Saturno fora atingida no estômago
– Esse são dardos da destruição. Eles vão corroer a alma dessas estúpidas e consumi-las em um pesadelo incessante. Suas idiotas, ninguém deveria se atrever a enfrentar as Queres!
– Maldita! Campo Magnético de Urano! – Gritou a sailor com lágrimas nos olhos.
Mas Ker invocou também ela os raios do céu, que formaram uma barreira ao redor dela, protegendo-a do ataque da sailor.
– Nunca vão me derrotar!
Ker se juntou a Akhlys e debochou das sailors:
– Quatro já caíram!
Sailor Moon estava muito preocupada com as guerreiras feridas. A coisa estava se complicando...
– Rajada de luz da Princesa da Lua! – Lançou ela seu ataque contra as duas Queres, tentando resolver a situação.
Mas as duas se deram as mãos e criaram um escudo elétrico, que refreava o ataque.
Stygere também levava vantagem sobre o grupo que enfrentava. Ela fez surgir pequenas linhas esverdeadas, cortando o espaço que a separava de Sailor Pluto, Sailor Mars e Tuxedo Mask, impedindo a aproximação deles.
O mascarado jogou várias rosas consecutivas. E, embora a maioria delas tivesse se desfeito nas linhas, duas conseguiram passar por elas e atingiram a inimiga.
– Seu miserável, acha que pode me derrotar?
O olhar de Stygere estava repleto do sentimento que ela representava, ou seja, o ódio. Ela cerrou a mão direita com tal força que ela começou a sangrar. Uma simples gota do líquido vermelho percorreu lentamente o caminho de sua mão caindo no solo. E de lá brotou um labrys, machado de dupla lâmina.
Ela sorriu com malícia, limpando a mão que sangrava com a língua. Sailor Pluto lançou mão de seu ataque:
– Grito Mortal!
E a imensa bola de energia partiu na direção da oponente, que usou seu labrys para parti-la ao meio.
– Não pode ser! – Lamentou-se ela, estupefata.
– Mas é claro que pode! – Partiu ela, com toda sua fúria para cima de Tuxedo Mask.
Stygere atirou o labrys, que percorreu seu caminho celeremente...
Um grito de dor se fez ecoar por todo o campo de batalha, no qual se transformara aquele belo jardim.
Era Rei, que se interpôs entre o labrys e seu alvo, caindo gravemente ferida.
Ocupada, ainda tentando superar a barreira formada pelas suas oponentes – agora com a ajuda de Fighter, Júpiter e Urano –, Serena sentiu o corpo estremecer e cessou o ataque ao perceber o que ocorria aos que lutavam contra Stygere.
– Rei, não! – Gritou ao ver a amiga ferida, nos braços de Tuxedo Mask.
– Por que você fez isso? – Perguntou o jovem – O golpe era pra mim, não pra você!
– É por isso que entrei na frente; não podia permitir... Você ainda está ferido... Eu vou ficar bem... – Respondeu a sailor, a voz cada vez mais enfraquecida.
As Queres riam-se ensadecidas. Estavam satisfeitas por terem voltado tão arrasadoras do mundo inferior:
– Cinco já caíram! Cinco já caíram! – Repetiam como se fossem crianças implicantes.
– Já chega! – Gritou Sailor Urano.
"Terra, trema!"
Mas Ker parou o ataque com as próprias mãos e o atirou de volta contra as sailors. Felizmente, elas se desviaram e nenhuma se feriu.
As três Queres continuavam a sorrir e tramavam invocar um ataque tríplice, quando uma luz brilhante interrompeu seus maléficos propósitos.
– Que luz é essa? Parece até um brilho divino! – Espantou-se Akhlys.
As sailors percebiam essa nova movimentação com aflição. A batalha caminhava de mal a pior para elas; a chegada de um novo inimigo ou inimiga só serviria para piorar ainda mais a situação.
No entanto, Serena logo reconheceu os contornos que, pouco a pouco, se formavam à sua frente. Aqueles longos cabelos negros que se estendiam até a cintura e aquele vestido alvo como a luz da Lua.
– Selene! – Disse Serena para espanto das outras guerreiras.
– Quer dizer que essa é... – Disse Sailor Pluto.
– A Deusa da Lua! – Completou Sailor Moon.
Selene surgia imponente diante das Queres. Seu brilho de deusa intimidou os três seres.
– Voltem para seu senhor e deixem todos em paz. Sua luta por hoje acabou! – Disse com altivez.
As Queres se entreolharam. Sabiam do desejo de Tânatos de rever a deusa. Por isso, resolveram deixar o campo de batalha; no mais, por mais que estivessem cantando vitória, também já estavam começando a se enfraquecer após desferir e refrrear tantos ataques. Não seria prudente entrar em conflito com a Deusa da Lua.
– Guerreiras, guerreiro, cuidem de suas feridas. Da próxima vez, pode ser que não tenham a mesma sorte! Selene, Tânatos vai gostar de saber que conseguiu regressar também! – Afirmou Ker.
E as três Queres deixaram o local a fim de se juntar a seu senhor.
– Obrigada! – Agradeceu Serena.
Ela estava aflita, querendo ajudar as amigas, que estavam feridas. Foram todas para o templo de Rei, onde poderiam cuidar de todas as sailors com tranquilidade, já que o avô da morena estava ausente da cidade por uma semana.
A Deusa da Lua se prontificou a ajudar nos cuidados com as sailors, o que emocionou Serena. Depois de se deparar com tantas artimanhas desde seu primeiro encontro com Nyx, era reconfortante que Selene se mostrasse tão protetora.
Dessa forma, Júpiter pôs Ami sobre os ombros; Fighter carregou Mina; Urano pôs Michiru em seu colo; Pluto se encarregava de Hotaru e Darien tomou Rei em seus braços.
No templo, Selene orientou Serena a usar o poder de cura do Cristal de Prata em Michiru e Hotaru para impedir os efeitos malignos dos dardos lançados por Ker. Com a ação da jovem princesa da Lua, as duas logo se sentiram melhor.
– Michiru! Hotaru! – Emocionou-se Haruka.
– Você está ficando muito chorona! – Brincou Michiru.
– Culpa sua! – Devolveu a jovem de cabelos curtos.
Mesmo estando ferida, Ami conseguiu orientar Lita a tratar dos seus ferimentos e dos de Mina.
Darien cuidou ele mesmo do ferimento de Rei.
– Você não devia ter feito isso – Disse ele, com um ar sério.
– Fico feliz que não tenha se machucado e o convido a tomar um café comigo como forma de me desculpar – Brincou a morena, fazendo uma alusão ao primeiro encontro dos dois.
O ar sério do jovem se desfez e ele sorriu. De onde Rei desencavara aquela lembrança?
– Assim que melhorar, nós vamos beber café juntos – Prometeu ele.
Serena observou a cena com um quê de ciúmes, mas estava decidida a não deixar transparecer semelhante sentimento. Seiya surgiu para salvá-la desses pensamentos.
– Bombom... Essa luta foi difícil.
– Sim. Que bom que estava ao nosso lado.
– Eu vou ficar a seu lado até o fim, Bombom! Jamais deixaria você sozinha num momento como esse!
Os dois se abraçaram. Mas, mesmo nos braços de Seiya, a mente da jovem ainda estava ligada à cena que vira há pouco. De repente, um pensamento passou-lhe pela cabeça: não tinha conseguido ver quem era a mulher que enlaçara seu destino ao de Darien naquele sonho. Será que... ?
– Serena... – Disse seu nome com voz branda a Deusa da Lua.
– Sim – Tornou a loura.
– Preciso descansar! Apesar de ter conseguido afugentar as Queres, estou me sentindo muito fraca. Não consegui me restabelecer ainda. Não sou a deusa poderosa que era antes.
– Fique aqui. Tenho certeza de que minha amiga, Rei, não se importa. Pelo contrário, será uma honra. Você nos salvou.
A deusa assentiu com a cabeça. Que mal poderia haver em ficar ao lado dessas que, pelo desenrolar dos fatos, eram suas novas protegidas?
Após acomodar a deusa e dispensá-la de incômodas perguntas, permitindo que repousasse, Serena finalmente se dirigiu ao quarto de Rei. Suspirou fundo e criou coragem para ficar de frente para Darien.
– Como ela está?
– Vai melhorar! Eu sei que vai! – Disse ele preocupado, retirando com carinho os cabelos da testa da morena.
– Você vai cuidar dela? – Perguntou sem direcionar o olhar a ele.
– Vou! Ela fez isso pra me proteger. Não devia ter feito isso... Não queria que ninguém se machucasse por minha causa.
– Não foi culpa sua.
– Serena... – Disse ele, com olhos suplicantes.
– Eu preciso me deitar. Estou cansada e, como você se dispôs a cuidar dela, não preciso ficar.
– Bombom... –Chamou-lhe Seiya da porta.
Serena ensaiou seu melhor sorriso e deixou o quarto de mãos dadas com Seiya, questionando-se se era mesmo necessário ainda fazer tudo aquilo. Mas era impossível negar que aquelas mãos do cantor eram salvadoras, pois ela não sabia o quanto poderia resistir, estando tão próxima de Darien.
Já na porta de seu quarto, ela abraçou o amigo e sentiu-lhe o calor.
Seiya olhou profundamente nos olhos dela e, naquele momento, palavras não eram necessárias. Ela reconheceu ali o amor que ele nutria por ela, amor que o fez largar tudo para se atirar numa luta que nada tinha a ver com ele. Não era o amor de um grande amigo. Ela pôde ver e compreender que era um sentimento de outra tonalidade, de outra ordem.
Estava se sentindo terrivelmente só e ferida. Abrir mão de Darien era a última coisa que pensava fazer na vida.
Seiya aproximou sua face lentamente. Serena olhava-lhe ternamente. Aos poucos, os dois lábios se aproximavam. Nos últimos milímetros que os distanciavam, a jovem virou um pouco rosto e recebeu o beijo de amigo, não de namorado.
– Me dê um tempo, por favor... – Disse ela, agora, abraçando-o com força.
E correu para dentro do quarto, onde estavam Mina e Ami dormindo.
Chorou silenciosamente até finalmente dormir.
Naquela noite, não sonhou.
