Capítulo IX
A Verdade?
Hoje, pelo menos hoje,
Não há mais mistérios.
Vou sair do sério.
Quero abrir os braços para que eu possa ter você.
Udora, Pelo menos hoje.
Kakashi para espanto de vários alunos desinformados se ajoelhou ao lado da jovem e procurou a sua mão, retirando com cuidado alguns cacos de vidro da palma.
- Ka-Ka... – ela balbuciou enquanto sangue saia pela boca e nariz.
- Shhhhh! – Ele disse com o coração na boca. Jun estava ensanguentada com vários cacos de vidro cravados no corpo pálido, não parecia ter nado quebrado, pois provavelmente a grama havia absorvido o impacto.
Passou a mão pelo rosto dela tentando acalmá-la e verificando se os pontos haviam se aberto, felizmente não.
Os alunos olhavam confusos. O que estava acontecendo afinal? E por que o Kakashi-sensei estava sendo tão 'amoroso' com ela? – era o que as jovens pensavam com amargura.
- Saiam da frente! – dessa vez não foi Kakashi quem disse isso, mais uma voz feminina autoritária acompanhada de dois enfermeiros com uma maca.
- Senju-san. – disse Kakashi levantando-se quando Tsunade chegou perto, fazendo com que os curiosos se afastassem.
- O que aconteceu? – Ela sibilou, fazendo um gesto com a mão de unhas vermelhas para que os enfermeiros agissem.
- Acho melhor eu te explicar onde não haja tantos curiosos – Kakashi olhou ao redor enquanto fala. Duas jovens aflitas se destacavam: uma ruiva e outra de estranhos cabelos róseos.
- Tudo bem. – responde Tsunade para Kakashi, e se virando para a pequena multidão disse: – Todos para as suas salas, inclusive os alunos do Kakashi-sensei, circulando, circulando – disse ela batendo palmas e gritando para ser ouvida.
Aos poucos os alunos foram embora, junto com a maca que já deveria estar na enfermaria do instituto.
Quando Kakashi passou pelo corredor para acompanhar a diretora, que já estava bem há frente, ele percebeu as mesmas duas jovens aflitas paradas na entrada.
- Sakura-san, Karin-san, não se preocupem. – ele disse sorrindo. As jovens também sorriram e seguiram pelo corredor para sala um pouco mais aliviadas.
Kakashi apresou o passo para se emparelhar com Tsunade que já ia à sua frente e entrava por uma porta lateral. A terceira à esquerda.
- Kakashi – disse a diretora loira – diga-me o que aconteceu! E por que a aluna estava na sua sala em horário de aula? Que raios! Daqui a pouco eu terei de ligar para a polícia!
Kakashi estremeceu a menção a palavra policia. A última coisa que queria era a polícia barrando o embarque de Jun para a Inglaterra por causa do inquérito.
- Senju-san, por que não nos sentamos um pouco? – ele sugeriu.
- Tá – ela respondeu se sentando numa cadeira próxima. Kakashi arrastou uma cadeira dobrável para perto dela, porém antes que pudesse falar qualquer coisa uma figura irrompeu pela porta.
- Me chamou senhora Tsunade? – Perguntou uma jovem vestida com um quimono simples e trazia uma prancheta na mão. Tinha olhos e lisos cabelos negros, os últimos sendo cortados na altura do queixo.
- Chamei sim Shizune, sente em alguma cadeira – ordenou Tsunade.
- Hai!
Kakashi conhecera Shizune alguns anos atrás quando ela fizera estágio em um do mais famoso hospital londrino, depois do estágio acabado ela não seguiu pela vida médica, preferindo trabalhar ao lado da cirurgiã aposentada Tsunade, como secretária e coordenadora dos cursos avançados de enfermagem, e sendo a responsável pela coordenação da própria enfermaria da escola. Não tinha certeza, mas soubera que ela havia tido um curto caso amoroso com seu amigo Senji no curto período que morara em Londres.
Após Shizune acomodada Kakashi pode começar a sua narrativa.
- Jun estava na minha sala, pois ela havia sido coagida por um dos professores que dará aula durante as férias. Ela ficou um tanto como abalada, e achei que seria propicio ela se acalmar um pouco lá. E eu também havia sugerido que depois a levaria em casa, e foi por isso que ela estava na minha sala – explicou Kakashi.
- Coagida? – Perguntou Tsunade – Que professor é esse?
- Zabuza.
- Zabuza? – Perguntaram em uníssono Tsunade e Shizune.
- É... – Kakashi não havia entendido o tom de surpresa, afinal, o que estava realmente acontecendo?
- Não há nenhum Zabuza como professor aqui! – Exclamou Shizune.
- Como assim não há? – Kakashi estava confuso. Ele mesmo havia acompanhado Zabuza até o RH além de Zabuza ter uma identificação eletrônica, algo que apenas os funcionários tinham.
- Simples – disse a diretora – não há! Que raios está acontecendo Kakashi?
Kakashi explicou detalhadamente o episódio do RH e do cartão magnético, e que Zabuza parecia ter um grande conhecimento da área da escola e do nome dos funcionários.
- Isso não me cheira bem. – Tsunade enrugou o nariz em sinal de desaprovação – Isso até que faz sentido... Nosso sistema tem sido rakeado constantemente, e o pior, de dentro da escola! Não eram alunos, verificamos isso. E pelo que você disse, ele precisaria dos arquivos da escola para ter esse conhecimento do funcionamento daqui...
Tsunade calou-se e ficou pensativa enquanto Shizune como eficiente secretária tomava notas.
- Senju-san... – disse o professor tirando a diretora de seus pensamentos – Eu poderia ver a Jun?
- Sim... – Ela disse voltando aos seus pensamentos.
- Arigatou – ele disse antes de desaparecer pela porta que ligava aos quartos. Onde eles estavam era apenas onde ficava uma pequena mesa com um arquivo grande, provavelmente onde a enfermeira chefe guarda informações dos alunos que por lá já haviam passado.
- Jun? – Kakashi chamou baixinho, entrando silenciosamente no cômodo onde havia cinco camas altas, onde apenas uma estava ocupada.
- É você Kakashi? – A jovem tentou levantar o pescoço, mas uma dor aguda a fez recuar.
- Ei, ei, ei! Não faça movimentos! – Kakashi se aproximou pondo delicadamente a mão sobre o ombro dela empurrando-a de volta a posição inicial.
- Hai – ela assentiu.
- O que aquele canalha fez com você não tem perdão... – Kakashi fechou o punho com raiva.
- Foi ele não foi? Foi ele quem me atirou na piscina, não é?
- Foi.
- Por quê?
Kakashi não sabia responder, também buscava uma resposta para essa pergunta. A resposta mais obvia era sequestro com extorsão. Mas ele não podia sequestrar alguém morto. Então a outra resposta obvia era assassinato. Ele deveria estar sendo pago para isso. Tudo se resumia a uma coisa: dinheiro.
- Não se preocupe. Confia em mim?
- Claro – respondeu a jovem sorrindo.
Kakashi também sorriu e deslizou o polegar pela bochecha cheia de arranhões de Jun a acariciando ternamente. Não sabia o real motivo de fazer isso, mas a textura da pele dela era tão macia; e isso o deixava mais calmo. Não podia resistir.
Jun fechou os olhos apreciando o contato da mão quente de Kakashi com seu rosto frio, era bom, se sentia protegida perto dele.
Kakashi permaneceu fazendo círculos invisíveis na alva pele do rosto de Jun até que uma batida na porta o fez recuar. Tsunade entrou sozinha.
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntou Kakashi franzindo as sobrancelhas.
- Não, só queria falar com você em particular. Sobre aquilo... – ela olhou em direção a cama onde Jun estava acomodada de olhos cerrados.
- Ela está dormindo, pode falar.
Tsunade respirou fundo e com um clique seco fechou a porta antes de dar dois passos a frente, ficando a menos de um metro de Kakashi.
- Ela tem de ir embora, não sei o que está acontecendo, mas ela está em risco. – A diretora passou a mão pelo rosto afastando a franja loira para trás da orelha – O que diabos Senji estava pensando quando a deixou aqui? Que podíamos sozinhos tomar conta dela? Ela é rica! Céus! Eles são milionários!
- Eu sei... – ele murmurou fitando o chão – Mas não se esqueça que ele confia na gente...
- Por que ela ainda está aqui? Ela já deveria ter ido! Ficar aqui só põe em risco a vida dela.
- Ele estava sendo muito ameaçado lá na Inglaterra... Você sabe.
- Sim eu sei – Tsunade suspirou repetindo o gesto de por a franja atrás da orelha.
- Só o que nos resta é esperar. Provavelmente o Zabuza quer dinheiro ou coisa parecida...
- Dinheiro? Você pensou em dinheiro? – ela riu frouxamente – Eu estou mais preocupada com assassinato! Kakashi, você tem cuidado às escondidas dessa menina por quase três anos, você sabe muito bem que nem tudo se resume a dinheiro. Não se esqueça que a família Hinday deixou muitos inimigos no passado, e não vai ser o tempo que vai apagar isso, japoneses são muito vingativos.
- Eu sei, eu sei – Kakashi passou os dedos pelos cabelos num ato nervoso.
- Você como segurança, agente, detetive, ou seja lá o que é deveria estar mais ciente disso! Senji confia em ti, essa menina é tudo o que ele tem. Ele confiou o tesouro dele à você e espero que você saiba cuidar dele... Afinal, ele tem sido muito generoso com você... – ela disse friamente, deixando a frase pairar no ar.
- Eu sei... – ele falou baixo, tão baixo que Tsunade quase não ouviu.
- Eu já vou indo. Pode deixar que não vou falar com a policia, só falei aquilo por causa da Shizune não desconfiar de nada... – a loira diretora se encaminhou para a porta destrancado-a – Só mais um aviso – ela disse com a mão na maçaneta – não se afeiçoe a ela, isso pode estragar tudo. Amor e trabalho não se misturam. – Dito isso ela saiu batendo a porta.
- Pare de fingir, eu sei que você está acordada – Kakashi disse sem entonação nenhuma na voz ainda de costas para a cama ocupada por Jun.
Jun se remexeu inquieta, havia entendido bem o recado. Kakashi a havia deixando saber dessas coisas, não sabia o motivo, mas ele queria que ela soubesse.
- Kakashi... – Jun chamou fraquinho. Estava confusa.
Ele se virou e a olhou com afeição. Não tinha mais como voltar atrás, já havia afeição envolvida e isso, como Tsunade havia ressaltado, deixava tudo mais complicado.
- Uma pessoa que está dormindo tem uma respiração lenta e ritmada, a sua estava irregular e rápida – o professor disse sem olhá-la sentando-se na beirada da cama.
- Vou me lembrar disso da próxima vez – ela resmungou contrariada.
- Acho que não preciso explicar nada não é? Espero que tenha entendi o que escutou – ele disse levantando o rosto e a encarando.
- Você é pago pelo meu irmão para me manter em segurança.
Ele assentiu.
- Hai.
- Então você realmente conheceu meu irmão? – Isso era uma dúvida que tinha desde que Zabuza mencionara no dia da festa na casa da Karin.
- Sim, - ele assentiu novamente – estudamos no mesmo internato e fizemos faculdade juntos. Eu me formei em administração em Cambridge junto com ele há alguns anos atrás, mas não segui por esse caminho e acabei vendendo a empresa que meu pai me deixou de herança para o Senji, se você procurar vai ver que eu detenho mais ou menos 25% das ações da empresa que você vai herdar... – ele pausou olhando pela janela, detestava falar sobre isso.
- Então...? – Jun queria que ele continuasse. Nunca que iria adivinhar isso.
- Então – repetiu a palavra que a jovem falara e suspirando continuou – eu decidi ser outra coisa. Entrei num estágio na Scotland Yard e acabei virando uma agente – ele deu de ombros – sempre me atraia o fato de ser um policial ou agente, como você preferir. Acabei que fiz faculdade de Biologia também, meu inspetor disse que poderia ser um bom disfarce no futuro...
- Então você só veio para cá por causa do Senji?
- Sim. Quando ele teve de voltar para a Inglaterra ele pediu para que eu viesse para cá. Ele achava que você longe dele e longe da Inglaterra estaria mais segura...
- Mas ele se enganou não foi? – Jun estava curiosa e aflita a cada pergunta que fazia. Será que Senji era tão burro a ponto de achar que apenas por que estava separados ela estaria em segurança?
- Mais ou menos. Aqui não há tantos recursos quanto lá e quando você fosse para a faculdade eu não poderia te acompanhar para dar segurança, por isso que você ia voltar... Mas Zabuza apareceu e estragou tudo – a mão de Kakashi encrespou e a cerrou com raiva.
- Tudo tão confuso – Jun sussurrou para o silêncio do quarto, seus olhos começavam a fechar. Os remédios estavam fazendo efeito.
- Acho melhor eu te deixar sozinha, tente descansar. Haverá uma pessoa de confiança te vigiando, tudo bem? – Kakashi se levantou e pôs a mão no rosto dela delicadamente.
- Tudo – ela sussurrou.
- Durma bem – ele disse vendo-a cerrar os olhos de maneira relutante e respirar compassadamente.
Kakashi retirou a mão do rosto da jovem e teve vontade de gargalhar. "Amor e trabalho não se misturam", era meio tarde para Tsunade falar isso. Já estava irremediavelmente afeiçoado a jovem que ressonava baixinho do outro lado do quarto e não tinha nada com o que fazer nesse aspecto.
Continua...
Viu, não demorei HAHAHAHA estou tentando manter minha promessa! Mas quero o apoio de vocês por meio de reviews, okay? Quero saber se ainda tem alguém acompanhando a fanfic.
Pelo amor de Deus! Alguém me arranja um Kakashi? Eu tô quase dando um sumiço na Jun e roubando o Kakashi para mim HAHAHAHAHA
Mas e então, o que acharam dessa revelação? Apimentou as coisas, não acham? Tirando o sangue, né?
Ja nee
