Nota: Os personagens de Naruto não me pertencem, pertencem ao seu criador Kishimoto Masashi e empresas licenciadas. Fic sem fins lucrativos a não ser diversão. Feito de fã para fã.
Um obrigada especial a todas as garotas que comentaram o capítulo anterior: Hachi-chan 2, SakuraHaruno, Jade Miranda, May-chan, Lirit T e Patty de Aquarius!
E antes de começar, gostaria de deixar um recadinho especial a Hachi-chan2 e SakuraHaruno.
Hachi, querida, eu sinceramente espero que esse novo capítulo e os próximos esclareçam as coisas para você. O capítulo anterior, que você diz não ter entendido, foi como sempre narrado pela Sakura, o que significa tudo aquilo pode sim ser coisa da cabeça dela ou então não. É algo para ser subentendido, entende? Quando se trata do Kakashi, tudo, é uma verdadeira incógnita e na minha opinião é isso que faz desses dois um do melhores casais de Naruto no fanfiction. Entender a situação depende da visão do Kakashi também, o que ainda não expressei nessa fanfic. Já me pediram um POV do Kakashi (Né, May-chan?), o que eu já havia pensado em fazer, mas é como eu disse, para saber o que é real ou não somente ouvindo os dois lados da história, não acha? O Kakashi, ainda vai se pronunciar, aí sim, garanto, você vai compreender a situação, assim como a Sakura. Ela está tão perdida quanto você, acredite.
SakuraHaruno, não, NÃO tinha um outro jeito de escrever esse capítulo e eu vou lhe explicar porque. Primeiro, saiba que a Sakura é uma das personagens que mais gosto de Naruto, por isso mesmo não posso facilitar as coisas pra ela. O sofrimento nos faz crescer, o próprio autor já fez uso disso, com o Shikamaru, por exemplo. Quando eu comecei a escrever essa história eu pretendia fazer a Sakura crescer como mulher e para isso é preciso que ela passe por certas coisas, todo mundo precisa. Cair e depois levantar, todos nós fazemos isso. A Sakura é inexperiente no amor, quanto mais se tratando de uma relação com um homem mais velho, acho normal que ela confunda as coisas e faça coisas que não deveria fazer. Isso faz parte dela, a Sakura é impulsiva. Já o Kakashi em si é pura confusão, como ela não se sentiria confusa e perdida? O que aconteceu no capítulo passado tinha de acontecer não só para que ela aprendesse certas coisas com relação ao amor, a relação homem e mulher, mas também para que a história tomasse o rumo certo. Espero que você compreenda os acontecimentos com esse novo capítulo porque daqui em diante as coisas realmente vão se desenrolar entre os dois levando em consideração exatamente esse acontecimento. Isso vai ser o ponto de partida para aproximar de vez os dois, expor seus reais sentimentos e desejos.
Uma boa leitura a todos!
Um mal chamado Amor
Capítulo 9: Kemal
Kemal.
Kemal Eienno.
Ela me queria morta.
E... eu?
Eu não sabia porque.
A mulher a minha frente era alta e de pele dourada. Suas curvas sensuais eram perfeitas e jaziam cobertas apenas por tiras de seda branca. Ela parecia irreal com seus pés morenos e descalços, argolas douradas em seus tornozelos e pulsos. Os cabelos eram uma cascata negra e ondulada a deslizar pelos ombros nus, tão compridos que chegavam a tocar o chão. Kemal era como uma espécie de princesa tribal, linda e perigosa.
E aquilo era tudo o que eu sabia sobre aquela mulher.
Seus olhos claros, de um verde claríssimo, quase que transparente, me fitaram por um bom tempo em silêncio como se estivesse esperando que eu lhe suplicasse por clemência. Diante daqueles olhos vítreos eu me sentia sob a mira, ou melhor, a ira de uma deusa ainda que contida.
-Haruno Sakura.
Seus lábios cheios e bem desenhados se moveram revelando dentes perfeitos e brancos como mármore. Estranhamente ela me soltou, sua técnica de fios de chakra foi desfeita. Suas mãos penderam ao lado do corpo fazendo com que as inúmeras pulseiras de ouro em seus braços titilassem.
-Por quê? –comecei enquanto esfregava meus pulsos doloridos. –Por que quer me matar? Eu sequer a conheço.
-Você destruiu a minha razão de existir; disse-me Kemal.
-Como? –agora sim eu estava confusa.
-Sasori.
Meu coração parou, senti-me petrificada. Era como se o tempo tivesse momentaneamente parado e aos poucos as peças de um enorme quebra-cabeças fossem sendo jogadas sobre a mesa, mas essas peças estavam sendo jogadas de forma aleatória por Kemal. Eu ainda não me sentia totalmente preparada para montá-lo. Titubeante voltei-me para a mulher a minha frente.
-Sas... sori?
Sasori? Quantos anos haviam se passado desde que Chiyo-baa-sama e eu o haviamos derrotado? Aquilo havia acontecido há muito tempo, quando a Akatsuki havia apenas começado sua caça aos bijus. Gaara havia sido o primeiro a ser capturado, mas... Sasori? O que Sasori tinha haver com a situação atual em que estavávamos? Com aquela mulher e o seu desejo em me matar? Aos poucos as peças daquele quebra-cabeças começavam a se juntar em minha mente anunciando uma cena que eu custava crer que fosse real. Ela não podia ser real. Haviam sido lançadas peças demais para compor uma cena tão óbvia.
-Você; comecei incerta e já que aparentemente ela havia me deixado livre, pus-me de pé. –Sasori e você...
-Eu amava Sasori.
Eis que a resposta para tudo aquilo me era revelada. Os olhos de Kemal eram duros como pedra, frios, mas de certa forma eu a compreendia. Perder alguém que se ama é de fato algo terrível. Quando perdi meus pais achei que jamais fosse me recuperar da perda, mas o tempo tratou de cicatrizar as feridas. E Kemal amava Sasori, o homem que Chiyo-baa-sama e eu havíamos matado. Ela tinha porque me odiar.
-Sasori; começei incerta. –Sasori era membro da Akatsuki, eu não tinha escolha. Precisava detê-lo, precisávamos deter o plano da Akatsuki de extrair os jinchurikis dos bijus.
Era como se de certa forma eu devesse isso a ela, devesse me justificar. Olhando-a em seu silêncio sepulcral, ela de certa forma me lembrava Sasori, o garoto que havia decidido se tornar eternamente jovem. Aquela mulher e toda sua perfeição era um par perfeito para ele, Akasuna no Sasori.
-Eu não queria que ele se envolvesse com a Akatsuki; disse-me Kemal dando um passo em minha direção. –Mas Sasori tinha pressa. Ele sempre teve. Sasori precisava de contatos, certos contatos que lhe gerariam novos conhecimentos. Esses novos conhecimentos lhe gerariam as informações finais para poder concluir o jutsu proibido que tanto buscava.
-O jutsu capaz de o transformar numa marionete, o Hitokugutsu; completei-a, Kemal assentiu.
-Eu lhe disse que poderíamos encontrar a fórmula juntos, que levaríamos algum tempo e que isso exigiria paciência, mas... Como Exigir de um homem o que ele nunca teve?
-A Akatsuki tinha esse conhecimento? –indaguei incerta e Kemal continuou.
-A Akatsuki era formada por ninjas providos de uma capacidade muito acima da média. Havia um homem que diziam não poder morrer ainda que tivesse que ferir-se mortalmente para aniquilar seu inimigo. Outro que segundo as lendas era tão velho quanto a própria história ninja, pois havia duelado com o primeiro Hokage de Konoha. Esse homem podia manter-se vivo roubando o coração de seus inimigos e o implantando em si mesmo. Havia inúmeros membros portadores de habilidades especiais na Akatsuki, mas havia um em especial que chamou a atenção de Sasori e que poderia o ajudar a concluir suas pesquisas sobre o ninjutsu que estávamos pesquisando.
Kemal ponderou, enquanto seu relato me fazia recordar os duelos contra Hidan e Kakuzu. Aquilo tudo estava fazendo com que minha mente desse voltas e voltas.
-O homem que motivou Sasori a entrar para a Akatsuki era conhecido como um dos três Sanins de Konoha; completou Kemal.
-Orochimaru? –murmurei confusa, mas tão logo entendi. –Orochimaru conseguiu concluir o justsu proíbido de reencarnação, Fushi Tensei, o jutsu capaz de lhe promover jovialidade, ou melhor, vida eterna.
-Exatamente; confirmou-me Kemal. –Orochimaru tinha conhecimentos que Sasori não possuía sobre esse assunto. O resto? O resto dessa história você já sabe, não é mesmo? Sasori conseguiu, conseguiu completar o seu jutsu e sua vida acabou se tornado a moeda de troca. Havia sido preciso entrar para a Akatsuki para conseguir completar suas pesquisas e ao entrar na Akatsuki teve seu destino ligado ao seu, aprediz da princesa Lesma, a mulher que junto daquela velha acabou por aniquilá-lo. Sasori morreu e infelizmente ele se foi sem saber de um coisa.
Kemal ponderou fitando o nada, a expressão completamente vazia e distante. Eu tive medo de lhe perguntar o que era, o que só se intensificou quando Kemal me sorriu. Seu sorriso tinha uma ponta de loucura que beirava a total insanidade.
-Eu completei o jutsu. Completei nossas pesquisas.
Kemal riu, riu alto e seu riso retumbou nas paredes de pedra me causando terríveis calafrios. Inesperadamente ela juntou ambas as mãos sobre o peito e puxou com brusquidão o tecido fino que a cobria a ponto de quase deixá-la nua. Ali, entre seus seios rijos havia a prova de que estava falando a verdade. Seu coração, sua alma havia sido transplantada num corpo sem vida. O tubo cheio de selos, o recepiente de sua alma fixo em seu peito comprovava a veracidade de suas palavras.
Kemal era uma marionete tal qual Sasori um dia o foi.
-Céus! –levei ambas as mãos a boca e Kemal sorriu.
-Vê? Sasori não precisava ter me abandonado, nós conseguiríamos concluir a pesquisa juntos. Ren iria nos ajudar.
-Ren? –indaguei confusa.
-Ren é nossa filha; Kemal se voltou numa expressão alucinada e aquilo me fez congelar.
-C-Como? Vocês...; eu realmente não sabia o que dizer.
-Quando Sasori me deixou para se tornar membro da Akatsuki eu estava grávida de Ren. Ele não sabia, mas eu havia decidido que de alguma forma aquela criança iria nos ajudar, iria trazê-lo de volta para mim.
-C-Como? –eu estava enojada, assustada, simplesmente não conseguia acreditar que alguém fosse capaz de algo tão doentio. –Como pode fazer isso com a sua própria filha? –completei horrorizada depois de somar dois mais dois. Era óbvio que Ren também era uma marionete, e, o pior, havia sido cobaia da própria mãe.
-Eu amava Sasori e eu sabia que só o teria de volta se pudesse lhe dar o que ele tanto buscava. O problema é que eu tive de esperar alguns anos, Ren precisou crescer para que só então eu pudesse dar inicio as minhas pesquisas na parte prática. A alma de uma criança é frágil demais para conseguir manter-se unida na hora de ser tranplantada em outro corpo que não o seu. Quase perdi Ren em minha primeira tentativa, então tive de ser paciente, coisa que o seu pai nunca foi e... Ren?
Nesse instante Kemal acenou para um dos cantos do salão, de onde Ren saiu, ela provavelmente estava ali desde o inicio. Ren caminhou até a mãe que a abraçou.
-Veja! Ela é perfeita, é a primeira humana que consegui transplantar a alma usando esse jutsu. A primeira com sucesso é claro.
-Você é louca! –esbravejei e ambas sorriram.
-Vamos, Ren? –Kemal se voltou para a filha no que poderia ser chamado de tom maternal. –Vá para a entrada leste, há intrusos por lá, sinto o seu chakra. Mate-os.
-Como quiser, okaa-san; anuiu Ren.
Enquanto as duas se despediam como se fossem mãe e filha e não duas bonecas carregando uma infíma parte do que um dia haviam sido no peito, eu me aterrorizava com uma coisa. Invasores? Quem mais poderia ser? Kakashi e Kankurou iriam enfrentar Ren sozinha? Para Kemal mandar a própria filha e sozinha até eles... Ren sem dúvida era mais que aquele rosto bonito.
Lutar contra Sasori há alguns anos havia sido terrivelmente difícil e sem a ajuda de Chiyo-baa-sama eu certamente teria perecido, mas aquilo havia me ensinado muita coisa quando o assunto eram marionetes. Eu poderia sair vitoriosa, afinal, era mais madura do que há alguns anos atrás, mas Kakashi? Eu não me lembro dele ter enfrentado algo parecido antes. Enfrentar marionetes recheadas com almas psicóticas não estava escrito no extenso currículo do copy-nin. Pelo menos não a parte pública dele.
Kankurou? Kankurou havia sido facilmente derrotado por Sasori no deserto, ele que tinha muito mais conhecimento sobre marionetes do que quaquer pessoa. Obviamente ele também havia amadurecido nesses anos, mas ainda sim isso me preocupava.
Eu me preocupava com tudo, com todos, menos comigo, até que a voz fria de Kemal me fez voltar aquela sala.
-Acho que deveria se preocupar consigo mesmo, criança. Seus amigos já estão mortos acredite; Kemal completou confiante como se estivesse lendo meus pensamentos e eu cerrei os punhos.
-Kakashi-sensei não é qualquer um, ele é famoso copy-nin. Sua filha não será capaz de derrotá-lo, afinal ela não é mais que uma boneca; completei entre dentes e o sorriso de Kemal se alargou.
-O copy-nin? O maldito filho do Canino Branco? Então será um prazer ainda maior para Ren o aniquilar, afinal seus avós foram mortos pelo pai dele.
Maldição! Essa história de novo?
Eu não tive tempo para pensar.
O chão abaixo de meus pés rangeu e começou a mover-se. Confusa me voltei para Kemal que ainda sorria, mas nada me disse. Quando eu menos esperava as placas de granizo começaram a se desprender, ou melhor, despedaçar, ruir. Mudar de lugar era apenas uma forma de escapar momentâneamente do problema.
A medida que as placas de pedra ruiam altos bastões de madeira surgiam sob a poeira. Não demorou muito e só havia restado aquilo, bastões de madeira, a única coisa segura em que nossos pés podiam pisar. Momentaneamente eu olhei para baixo e senti-me zonza. Era como se um abismo se abrisse abaixo de nós. Não havia fim, apenas o completo e indistinto breu.
-Sabe? –começou Kemal chamando-me a atenção. –Sasori e eu costumávamos treinar aqui. É um grande incentivo manter-se alerta e em equilibrio quando se sabe que abaixo de nós há coisas ainda piores nos esperando. Sabe o que há abaixo de nós nesse momento?
Eu neguei com um aceno de cabeça, incapaz de esconder meu temor. Kemal sorriu.
-Veneno. Cair aí é como assinar seu atestado de óbito. Morte súbita. Há milhares de estacas carregadas de substâncias tóxicas presas as paredes, armadilhas que só serão acionadas quando sentirem a presença humana. Ferir-se numa delas será o mesmo que inundar todo o rio com veneno, pois há um mecanismo que as fará jorrar toxinas por todos os lados. Um rio de veneno? Interessante, não?
Por alguns instantes apenas mirei a expressão alucinada na face de Kemal, ela ria. Eu? Eu realmente não conseguia acreditar que tudo aquilo fosse mesmo verdade.
-Vocês...Você é doente! –grunhi depois de fitar mais uma vez o breu abaixo de mim e pela primeira vez atenta a som de água correndo ali.
-Haruno Sakura? –disse-me Kemal enquanto se movia graciosamente entre os bastões, o que só lhe era possível com os pés descalços porque não era humana. Os meus pés nus doiam ao menor movimento. –Quero uma luta justa, mas não espere que eu tenha piedade por você.
-Não se preocupe, eu não desejo sua piedade; respondi-lhe tentando parecer confiante enquanto me equilibrava melhor sobre os bastões e concentrava chakra em meus punhos.
-Wow! Isso mesmo, venha contudo, criança! Quero mesmo saber se é verdade que a pupila da princesa lesma também possui a sua força bestial...
Kemal sorriu e no instante seguinte ela havia sumido de meu foco de visão. Ela era rápida, rápida de mais e só percebi isso quando a senti atrás de mim.
-Lenta.
Kemal me lançou longe depois de me acertar um chute nas costas. Como eu esperava, além daquele rosto perfeito de boneca havia apenas o aço e senti algumas costelas se partindo. Doeu, doeu demais, mas eu tinha algo mais importante com o que me preocupar naquele momento, não cair de cima dos bastões. A muito custo consegui me equilibrar, mas me curvava de dor.
-Vamos criança, me mostre a Haruno Sakura que derrotou Sasori!
Dessa vez ela vinha com força total, seus olhos claros flamejaram. Mais uma vez concentrei chakra em meu punho. Desviar de Kemal não era fácil, mas consegui me defender dessa vez. Escorreguei para o lado para então tentar desferir um soco contra Kemal. Aquilo foi em vão, pois ela mais uma vez facilmente se esquivou de mim.
Eu tinha de me concentrar.
Aquilo me fez lembrar de Kakashi, de um de seus primeiros ensinamentos como meu professor.
-o-o-o-
-Hei, Kakashi-sensei?
-Uhm.
-Em que isso vai me ajudar?
Era óbvio porque alguém lhe faria essa pergunta. Uma genin vendada no meio de uma clareira?
-Não disse que queria melhorar sua percepção com kunais? Você é boa em genjutus, é inteligente, mas realmente precisa melhorar sua habilidade com armas, Sakura.
-Eu sei, mas... Eu não consigo entender como isso pode me ajudar.
-Naruto, Sasuke? Podem começar.
Uma chuva de kunais foi lançada, mas Naruto e Sasuke nunca estiveram ali.
-o-o-o-
Era isso, era disso que eu precisava. Concentração.
Naquele dia Kakashi havia me ensinado a perceber um ataque quando não se podia prevê-los. Privada de um dos sentindos, um dos principais deles que era a visão, eu havia aprendido a ouvir. Ouvir me fez desviar daquelas kunais, me fez perceber que não havia ninguém mais naquela clareira além de Kakashi-sensei, ainda que ao retirar aquela venda dos olhos Naruto e Sasuke estivessem lá. Kakashi havia me testado, havia tentado me confundir, mas eu havia passado no teste.
"Você realmente é a minha preferida, Sakura-chan!"
Aquilo havia inflado meu ego de genin, ou melhor, ainda inflava o meu real potencial como ninja.
Fechei os olhos, concentrei-me. Kemal riu.
-Está com medo criança? Tem medo de me encarar de frente?
Enquanto ela falava eu percebia mais que o som de sua voz, ela andava, saltava de um bastão para outro, seus passos continuavam leves, mas agora eu podia ouvi-los com clareza. Ela se aproximou e eu voltei a concentrar meu chakra. Senti quando emfim seu corpo estava próximo, próximo o suficiente para que eu a acertasse. Sim, dessa vez eu a acertei, acertei seu ombro esquerdo e pude ouvir o estranho barulho de aço, madeira, seja lá do que era feita aquela criatura se partindo.
Os ossos em minha mão também se partiram e diferente dela eu podia sentir aquilo.
Palmas, Kemal batia palmas, quando enfim abri os olhos.
Seu ombro outrora moreno e delicado nada mais era que um estranho conjunto de barras de metal retorcido e madeira lascada agora. Não era a primeira vez que eu via aquilo, mas estava igualmente horrorizada.
-Parabéns, criança, conseguiu me acertar. Admito, é uma boa oponente, mas saiba que não sairá viva daqui.
Eu não tinha tempo para falar, para ouvir a voz de Kemal. Eu precisava apenas ouvir e seguir seus próximos movimentos. Dessa vez eu não teria a ajuda de Chiyo-baa-sama, teria de enfrentar aquilo tudo sozinha. E talvez eu pudesse se não pensasse tanto nele, em Kakashi. Eu precisava saber o que estava acontecendo lá fora, com Kakashi, com Kankurou, e aquilo me desconcentrava.
Kemal mais uma vez vinha para cima de mim, mas diferente do que eu esperava ela não me atacou, parou em meio ao percurso. Abri os olhos e não pude acreditar no que via. Kemal havia aberto os dois braços e os jogado de encontro ao céu como se fizesse uma silenciosa prece. Eu estava redondamente enganada sobre isso, pois no instante seguinte uma centena de armas, que eu sabia estarem envenenadas, pairaram sobre sua cabeça, era como se ela as tivesse conjurado.
Era como no teste de Kakashi-sensei com as kunais e tudo o que eu precisava era fechar os olhos.
A saraivada veio para cima de mim mais rápido do que eu imaginei que viriam e eu tratei de me desviar das que podia e de pulverizar as impossíveis de se desviar. Meu chackra não seria suficiente para destruir todas aquelas armas e ainda me manter de pé para encarar Kemal depois disso.
Senti quando uma delas passou rente a minha cabeça levando consigo um tufo de cabelo. Senti minhas costelas machucadas doerem ao ponto de prender a respiração ao desviar de uma lança que fatalmente me atravessaria se não desviasse a tempo. Tudo aconteceu muito rápido, mas eu havia escapado ilesa. O que eu não esperava, mas podia prever, era que quando voltasse a abrir os olhos Kemal estivesse a minha frente.
-Chega de brincadeiras; ela murmurou e no mesmo instante suas mãos de aço se prenderam em minha garganta.
O ar me sumiu dos pulmões e eu sentia que a qualquer momento meu pescoço podia se partir ao meio. Minhas mãos se prenderam sobre os braços de aço dela, mas era inútil. Eu estaria vulnerável enquanto ela continuasse a me sufocar daquele jeito.
-Você não sabe o que é amar alguém, muito menos perder esse alguém. Você não sabe o tamanho da dor que guardo dentro de mim.
Kemal me fitava fixamente nos olhos enquanto me sufocava, estendia toda a sua ira sobre mim e eu nada podia fazer além de escutá-la.
-VOCÊ NÃO SABE O QUE É O AMOR!
Kemal gritou e de certa forma aquilo me doeu mais que seu aperto mortal. Eu realmente não sabia o que era o amor, não sabia se um dia alguém já havia verdadeiramente me amado, tão pouco saberia dizer se um dia amei alguém de verdade. Minha paixão por Sasuke? Aquilo não havia sido amor. Eu queria saber o que era o amor, e quando pensava nisso, eu imediatamente pensava nele, Kakashi.
Eu não queria morrer.
Eu não queria morrer sem saber o que era o amor.
Eu precisava sobreviver para descobrir o que realmente sentia por Kakashi e, principalmente, o que ele sentia por mim.
Aquela seria uma árdua batalha, muito mais dura que a que eu travava com Kemal, mas eu precisava estar firme para vencê-la também.
Algo dentro de mim havia inflado, reacendido, e meu cérebro, aquele que na maioria das vezes me fazia ser reconhecida, tratou de dar o golpe final. Concentrei o chackra que me restava no punho e atravessei o peito de Kemal. Apertei o cilindro que era o receptáculo para sua alma e ele estraçalhou. Algo quente como sangue jorrou e inungou minhas mãos para então tornar-se gélido.
Sua alma se fora.
Os olhos de Kemal jaziam vidrados em mim como os de uma boneca, talvez com um último vestígio de sua alma perturbada.
-Regra ninja número 1: Um shinobi nunca deve demonstrar suas emoções; murmurei enquanto desprendia suas mãos de aço de meu pescoço.
As emoções de Kemal, seus sentimentos por Sasori, obcessão, não importa, o que importa é que foi exatamente isso a deixá-la vulnerável e o que de fato me concedeu vitória. Um ninja nunca deve deixar seus sentimentos interferirem em sua missão, em seu propósito.
Empurrei para longe aquela boneca sem vida, para o profundo breu a nossos pés, mas a escuridão tão logo me engolfou também. Senti-me zonza e só então percebi o pequeno corte no lado esquerdo do corpo, logo abaixo de minhas costelas. Era pequeno, quase que um arranhão, mas eu sabia que seria fatal, muito mais grave que minhas costelas quebradas. No fim eu não havia conseguido me desviar de todas as armas de Kemal.
Sorri infeliz, pois ao que parecia eu realmente não conseguiria descobrir o que era o amor. Kemal de certa forma havia vencido.
Tombei de encontro as profundezas além daqueles bastões e mergulhei no desconhecido. O choque com a água foi forte e senti como se meus ossos tivessem se partido. A água adentrou minhas narinas e eu sabia que havia acabado.
Tudo o que eu queria era poder rever o rosto dele mais uma vez.
Continua...
N/A: É o fim? É claro que não, se não não haveria história não é mesmo? Pois bem, no próximo capítulo o Kakashi finalmente entra em cena, já estavam sentindo falta dele né? Eu também! Haha e o mais importante, o romance enfim se desenrola! Juro! XD
A Sakura merece um "prêmio" depois de tudo o que passou, não?
Merece sim e nada melhor do que o copy-nin embalado pra presente!
Aguardem, pois o próximo capítulo promete! XD
Bjus e tudo de bom!
Ja ne! ^^
P.s: Eu ainda quero os meus reviews, hein? Sem reviews, sem atualizações também, ok?
