Capítulo IX
"Sei que amo em vão, e inutilmente luto contra toda esperança. Apesar disso, nesse crivo capcioso e insustentável não paro nunca de deitar as águas do meu amor, sem que jamais se esgotem, porque a perdê-las venha sem descanso."
Bem Está o que Bem Acaba
Shakespeare
Mina observou, pensativa, o céu claro com que a véspera de natal os brindara. Um meio sorriso surgiu nos lábios pequenos, enquanto ela arrumava os óculos, que tinham escorregado para a ponta do nariz, flexionando os ombros para dar melhor caimento à pesada capa de inverno que estava usando.
- Desculpa a demora, Mina. - Lyncis desceu os degraus quase pulando, arrancando a escocesa de seus pensamentos, antes de parar ao lado do automóvel, diante dela - Podemos ir agora.
Mina meneou a cabeça, sentindo-se tentada a provocar a amiga.
- Não se preocupe isso. - um ligeiro sorriso insinuou-se nos lábios dela - Eu estou mais aflita com a idéia de você dirigindo.
A morena riu, jogando os cabelos para trás.
- Você não acreditou realmente na história do meu irmão, não é?
- Ele me parece uma fonte bastante confiável. - Mina respondeu, enquanto tomava seu lugar no banco de passageiros - Seja como for, nós teremos que ser rápidas hoje se quisermos fazer tudo o que precisamos fazer antes da ceia. Então, acho que o melhor é você ser a motorista mesmo.
- Quando acabarmos, teremos que devolver a lanterna da Aria. Acho que para compensar meu irmão, podíamos trazer as meninas mais cedo, quando voltarmos. - Lyn observou, girando a chave para ligar o carro - O que acha?
Os olhos de Mina adquiriram o brilho peculiar de quando estava às voltas com algum de seus casos. Desde que a história do fantasma do piano surgira na Academia, ela estivera fuçando, determinada a descobrir o que realmente estava por trás de tudo aquilo.
E, para sua surpresa, na noite anterior, acabara por achar o culpado bem debaixo do seu nariz. Quando Ariadne, a filha do detetive Lupin e namorada de Órion, mostrara a caixinha com a lanterna mágica que ganhara dele, todas as peças do quebra-cabeças tinham assentado miraculosamente em sua cabeça.
E a verdade é que, mais do que nunca, ela se sentia leve e satisfeita. Diante daquela situação, não havia mais dúvidas que estava na vocação certa afinal.
Ela definitivamente seria uma detetive.
- Uma excelente idéia. Então, qual será a nossa primeira parada?
- A pastelaria de Mme. Leroux. - dando a partida, Lyn fez um sinal com a mão para que o criado junto ao portão pudesse abri-lo - Eu aposto que não colocaram os morangos frescos da mamma. Então, vamos passar por lá para mandar que eles consertem logo o bolo e por último voltamos para pegá-lo.
Mina assentiu, voltando o olhar para a sacola em seu colo.
- Eu fiz uma lista dos lugares que seu irmão nos deu como dica para fazermos nossas próprias lanternas. Só vamos precisar confirmar se ele encomendou o material nelas antes do nosso fantasma começar a aparecer. Não deve demorar muito.
O carro já estava rodando pelas ruas de Londres a essa altura. Lyn suspirou, meneando a cabeça.
- Eu sinceramente não consigo acreditar que Órion tenha sido capaz de fazer isso. Ele não é o tipo de pessoa que se diverte pregando peças nos outros. Especialmente quando pode machucá-las.
- Eu não acho que ele quisesse machucar alguém. - a escocesa observou - Seu irmão deve ter tido algum motivo, Lyn. Além disso, eu verifiquei com a Meri, ela fez alguns dos exames de sangue das pessoas que acabaram na enfermaria por causa do fantasma. Pelo que ela me disse, a substância usada para deixá-los em choque era alguma coisa praticamente inócua, uma espécie de gás do riso.
Lyn sorriu, voltando-se ligeiramente para a amiga.
- Você realmente fez sua lição de casa, não é, Miss Holmes?
Mina sorriu de volta, marotamente.
- No futuro, quando eu for uma detetive famosa, vão me perguntar qual foi o meu primeiro caso. E então eu vou me gabar de ter colocado as mãos no prêmio Nobel da química daquele ano, dizendo que Órion Black demonstrava todos os sinais de sua genialidade criminosa em sua mais precoce idade.
- Pensei que eu fosse a genialidade criminosa da família... – Lyn suspirou – Parece que eu estou perdendo o jeito...
Mina abaixou a cabeça, coçando ligeiramente o nariz.
- Bem, Lyn, considerando o que eu vi você tirando da sua mala quando chegamos, eu acho que sei a quem seu irmão puxou afinal.
Uma freada brusca. Mina segurou-se no painel, piscando os olhos violentamente, enquanto os óculos cambaleavam em seu rosto, presos por apenas uma perna. Lyn a olhava com a boca aberta.
- Você está tentando nos matar? – a escocesa perguntou quando finalmente recuperou a voz – Porque se está, devo dizer que está fazendo um trabalho muito bom.
- Você não vai contar para minha mãe, vai? – Lyn retorquiu – Ela vai me matar se souber.
- Não se você se matar antes... – Mina suspirou, antes de sorrir – Sorte nossa que estamos numa rua razoavelmente deserta... Mas não se preocupe, Lyn, eu não pretendo contar a sua mãe que você levou um revólver para a Academia. Não vejo por que não levaria, eu mesma sempre ando com alguma arma quando estou em casa.
- Você sabe atirar? – Lyn perguntou, curiosa, voltando a engatar o carro.
- Todo mundo nas Highlands sabe atirar. É uma questão de sobrevivência. – Mina respondeu.
- Bem, parece que temos então outro compromisso antes do final das férias. – Lyn observou, particularmente contente – Teremos de medir nossas capacidades num campo de batalha, Mina.
- Vou esperar ansiosa por isso, Lyn. – Mina retrucou – Agora, eu acho que acabo de ver uma senhora ali na frente vendendo frutas. O que acha de providenciarmos por nós mesmas os benditos morangos frescos?
Lyn piscou um olho, sorrindo.
- Eu diria que você teve uma excelente idéia, minha cara. Uma excelente idéia, mesmo...
As duas pararam para comprar os morangos, passando em seguida pela pastelaria onde, como Lyn esperara, o bolo estava pronto, mas com frutas secas decorando-o. Depois de deixarem sua encomenda, com recomendações expressas para quando voltassem, elas seguiram para o centro de Londres, começando a visitar cada uma das lojas da lista de Órion.
Não precisaram chegar à terceira para terem certeza de que o Pequeno Caçador era, realmente, o responsável pelo fantasma no teatro da Academia. Depois disso, almoçaram juntas em um pequeno café, não muito longe da casa de Remus Lupin, avaliando as descobertas do dia.
- Eu mal posso esperar para colocar meu irmão contra a parede. – Lyn observou, flexionando os dedos – Ele vai ter que cantar bonito dessa vez.
- Você sabe, Lyn, com essa linguagem eu acho que você fica parecendo uma gângster... Ou uma mafiosa, se formos pensar na sua descendência italiana...
Mina observou, um tanto curiosa, a amiga lançar-lhe um sorriso dúbio. O que aquilo significaria?
- Mudando completamente de assunto, Mina... – Lyn acomodou-se melhor em sua cadeira – Nós ainda não conversamos sobre ontem à noite. Você não estava realmente com dor de cabeça. O que aconteceu afinal?
A outra moça corou de leve ao perceber do que se tratava.
- Foi apenas um pequeno... desentendimento com Isaac.
- Desentendimento? – Lyncis repetiu, cruzando os braços.
Mina suspirou, sabendo que não conseguiria fugir do interrogatório da amiga. E, na verdade, não é como se realmente ela quisesse guardar aquilo apenas para si.
- Não foi nada demais. Eu reagi um pouco precipitadamente demais, acho. Isaac me deixa confusa às vezes. - ela confessou.
Por alguns instantes, Lyncis apenas observou-a em silêncio, antes de dar um meio sorriso malicioso, demonstrando claramente que compreendera mais do que Mina deixara entrever em suas palavras.
- Você gosta dele, não é? Você, Lady Mina, está realmente apaixonada pelo Duque de Winchester.
Dessa vez, Mina assumiu uma coloração rubra, enquanto mordia os lábios com força.
- Você tem razão. – ela esforçou-se por falar – Eu gosto do Isaac. Mas não é recíproco.
Lyn estreitou os olhos.
- Como não? Ele pediu você em casamento, não pediu? E ele se preocupa com você. Isso, ao menos, ficou claro pra mim ontem.
A outra meneou a cabeça.
- Minha história com Isaac é mais longa do que você imagina, Lyn. Ele está se sentindo culpado, eu acho. Desde que ele foi embora, nós... – ela respirou fundo. Alguns detalhes daquela narrativa não deveriam ser lembrados – Eu já lhe disse uma vez, Lyn. É um casamento de conveniências. Ele mesmo deixou isso muito claro para mim quando fez o pedido.
- E por que ele está se sentindo culpado, Mina? O que ele fez? – Lyn questionou, colocando uma mão sobre a da amiga.
- Acredito que o mesmo que Harry Potter fez a você. – ela respondeu, encarando-a com um olhar sereno – Eu sinto muito, Lyn, mas ouvi sua conversa no vestíbulo antes de sairmos. Não foi de propósito.
A morena quedou-se em silêncio por alguns instantes, apenas encarando a amiga de volta.
- Lyn?
- Está tudo bem. – a morena meneou a cabeça, levantando-se – Você já terminou? Podemos ir?
A escocesa respondeu com um sorriso triste, sabendo que era hora de colocar não apenas seus sentimentos em evidência, como também ajudar a amiga com os seus próprios.
- Você gosta dele, não é? Está com o Malfoy, mas ainda gosta dele.
Lyncis respirou fundo.
- Talvez. Talvez eu ainda goste do Harry. Mas não faz diferença agora, não é? É tarde demais.
Mina também se levantou, parando diante dela.
- Não é tarde demais. A não ser que você queira que seja. Nós duas temos uma decisão a tomar, Lyn. Eu devo descobrir se vale realmente à pena entrar nesse casamento com um amor platônico e um grande ressentimento... E você tem que decidir se quer continuar usando o Draco até esquecer definitivamente o Harry ou se vai dar uma última chance para ele. No fundo... – ela sorriu – Somos mais parecidas do que imaginávamos.
- Você tem razão. – Lyn assentiu – Mas pelo menos agora temos uma a outra para resmungar, não é?
- Claro. – Mina riu – Em último caso, podemos virar duas solteironas e irmos morar juntas, à sombra de Freud e Jung.
- Você sabe, eu acho que já ouvi isso antes... – Lyn observou, enquanto elas se dirigiam para o carro – Sem a parte de Freud, obviamente... Mas a proposta parece tentadora, Miss Holmes... Acho que vou pensar no seu caso.
Mina apenas riu em resposta e, durante o resto do dia, estiveram às voltas com os preparativos para a ceia daquela noite. Só bem mais tarde, quando terminava de se arrumar, sozinha no quarto de hóspedes em que estava instalada, é que Mina se deixou refletir mais acuradamente sobre o que acontecera no dia anterior e a conversa daquela manhã.
Seus olhos bateram em uma delicada caixinha que sobressaía por entre as roupas reviradas na mala e ela mordeu ligeiramente os lábios, antes de alcançá-la, brincando com o objeto por entre as mãos enquanto se sentava na beirada da cama.
Com uma batida seca, a caixa de jóias caiu no chão, abrindo-se, deixando que um pesado aro de ouro rolasse de dentro dele, vindo parar, equilibrado, já quase aos pés dela.
Mina se abaixou, tomando a jóia entre os dedos, observando-a cuidadosamente. Quando Isaac partira, uma das primeiras atitudes dela tinha sido guardar a aliança que ele lhe dera. Mas, embora não a usasse, ela tinha seguido com a garota para todos os lugares que ela fora, encerrada em sua prisão.
E, muitas vezes, mesmo não a usando, ela sentira o peso do anel em seu dedo, quase como um grilhão a prendê-la - não a Isaac - mas ao título do Duque de Winchester.
Um ligeiro suspiro escapou dos lábios da escocesa. Era hora de tomar uma decisão. Ela precisava revelar a Isaac como se sentia. Como realmente se sentia. E, a depender da reação que ele tivesse, ela então saberia que decisão tomaria da vida.
Guardando novamente a jóia, ela fechou a caixa, colocando-a de volta na mala antes de seguir para fora do quarto. E, agora que sabia o que fazer, pela primeira vez em muito tempo, sentia um estranho frêmito de liberdade.
Tudo iria se resolver afinal.
Era véspera de Natal. Véspera de Natal e ele estava sozinho, fechado na biblioteca, saboreando uma garrafa de conhaque.
Sua irmã e sua mãe o tinham chamado para passar os feriados em Gales, onde as propriedades principais da família ficavam. Ele se negara a ir, contudo. Argumentara que era uma viagem cansativa demais e que, de uma maneira ou de outra, depois teria de voltar para Londres. Felizmente, elas tinham se deixado convencer. Cecille, particularmente, podia ser bastante inconveniente quando queria.
A verdade, porém, é que simplesmente queria ficar sozinho.
Estava naquele estado de humor desde o baile. Desde que tinha deixado Mina na casa dos Black.
Aquilo era interessante... Como, de uma hora para a outra, ele conseguira estragar toda a camaradagem que voltara a se colocar entre eles. Como, com uma única pergunta, ele conseguira colocá-la distante dele novamente.
Ele estava começando a se tornar patético. Patética a maneira como estava se conduzindo e como estava deixando seguir toda aquela situação. Patético porque, justamente quando ele percebia o valor que ela tinha em sua vida, ele a perdia um pouco a cada dia.
Os olhos claros do rapaz caíram sobre uma pequena e delicada caixa de veludo vinho sobre sua escrivaninha. Seu presente de natal para Mina.
Ele alcançou-a com a mão, abrindo-a com um suave estalido, revelando um aro dourado simples, onde um solitário brilhava, encravado no alto do anel. Era uma jóia consideravelmente mais simples do que aquela que ele dera à noiva quando tinham firmado o compromisso.
Contudo, quando batera os olhos sobre ela, na tarde antes do baile, ela simplesmente lhe parecera tão certa e tão adequada que ele simplesmente tivera de comprá-la.
Não tinha mais certeza, entretanto, se aquele seria um presente que Mina gostaria de ganhar...
Ainda havia muito ressentimento entre eles. Embora eles tivessem se esforçado para manter o clima cordial de antes quando se reencontraram, a verdade é que as coisas nunca voltariam a ser como tinham sido.
E a culpa disso era inteiramente dele...
- Eu espero que esteja se divertindo. – ele murmurou, quando afinal pararam diante do portão que levava a casa dos Black.
Isaac observou-a sorrir, inocente, em resposta. Dois dias tinham se passado desde o Natal e só naquela tarde ele conseguira reunir coragem suficiente para procurar a moça depois da reação que ela tivera no baile.
Levara Mina para passear em um dos muitos parques nos arredores de Grosvenor Square; durante uma hora e meia tinham caminhado de braços dados, conversando educadamente sobre o clima e outras inanidades, enquanto a caixa com o presente de natal dela pesava em seu bolso, convenientemente esquecida.
Apesar de tudo, ela parecia empolgada. Havia qualquer coisa de febril no olhar dela, de misterioso nas reticências que às vezes ela se impunha, desviando o olhar. Mina parecia uma criança que se esforçava para manter um segredo que estava morrendo de vontade de contar.
- Muito. – ela finalmente respondeu, parando diante dele – Eu posso seguir daqui. Obrigada pela companhia, Vossa Graça.
Ela fez uma ligeira curvatura, segurando a saia do sobretudo. Isaac apenas sorriu, tomando a mão dela, depositando um beijo que ela quase não sentiu contra o tecido grosso da luva.
Um criado abriu o portão e Mina afastou-se, começando a percorrer a pequena alameda que levava até a mansão. Ele a observou por alguns segundos, antes dele mesmo voltar-se para o carro.
Já estava a meio caminho do automóvel – o motorista inclusive já tinha aberto a porta, quando ouviu Mina gritar seu nome com todas as forças.
- ISAAC!
Ele se virou, surpreso, assistindo a noiva sair correndo em sua direção. O criado dos Black não tivera tempo ainda de fechar o portão, e assim, ela passou por ele, quase sem vê-lo, para, em seguida, jogar-se em seus braços sem qualquer explicação.
Nada, entretanto, poderia ter preparado o jovem Lorde Winchester para o que veio em seguida. Abraçando-o pelos ombros, Mina selou seus lábios com delicadeza, num roçar tão ligeiro quanto o adejar de uma borboleta.
Tudo aconteceu rápido demais para que ele reagisse. Mina deu um passo para trás, soltando-se dele, encarando-o com um olhar brilhante e curioso. E, aparentemente, ela estava esperando que ele dissesse alguma coisa, porque havia expectativa ali também.
O rapaz suspirou, sem conseguir compreender o significado daquela cena. O que Mina estava tentando provar? O que ela queria assaltando-o daquela maneira em plena luz do dia, numa rua movimentada, esquecendo todo o decoro e todas as obrigações que ambos tinham?
- Você não deveria ter feito isso. – ele murmurou, enquanto observava o criado dos Black e os passantes da rua, que passavam por eles, curiosos.
Mina piscou ligeiramente os olhos, antes de suspirar e assentir.
- Eu sinto muito. Não pensei no que estava fazendo. – ela meneou a cabeça, como se para afastar alguma outra idéia perigosa que estivesse tendo, antes de levantar novamente o rosto para ele, sorrindo mais uma vez – Adeus, Isaac.
- Até. – foi tudo o que ele respondeu, sem olhar diretamente para ela.
Talvez, se seus olhares tivessem se encontrado, naquele momento ambos tivessem percebido o que realmente lhes ia no coração. Mas não foi essa a escolha do destino.
Mais uma vez, Mina voltou os passos para o palacete dos Black. Isaac esperou até que ela alcançasse os degraus e sumisse entre os grandes portões da mansão.
E, em nenhum momento, ela olhou para trás.
Lyncis estreitou ligeiramente os olhos, enquanto ouvia as batidas e os sons de passos vindos do quarto da amiga.
Aquilo era estranho... Desde que chegara do passeio pelo parque com o duque, Mina mantivera-se distante; nem mesmo quando Órion as convidara para uma visita ao "laboratório" dele – e o irmão estava particularmente empolgado em mostrar algumas de suas invenções para a escocesa depois de ela provar seus dotes de detetive – ela parecera se empolgar.
Depois disso, tinha se retirado, alegando uma enxaqueca. A mesma desculpa que usara na noite do baile.
Todos esses eram indícios mais que suficientes para que Lyn soubesse que a dor de cabeça da amiga tinha nome e sobrenome. E não eram científicos.
A morena não bateu à porta. Em vez disso, entrou sem se anunciar, surpreendendo Mina no meio do quarto, segurando um bolo de roupas – e a maior parte destas já estava enfiada de qualquer maneira na sacola de viagem que ela trouxera da Academia.
- O que você está fazendo? – Lyn perguntou, surpresa, cruzando os braços.
Mina não titubeou em responder.
- Eu vou embora da Inglaterra hoje à noite.
