Mais tarde, eles fizeram bom uso dos roupões, embrulhando-se no tecido macio e atoalhado, e caminharam de volta até a casa.

Passava da meia-noite, e Lily tropeçou de leve no caminho de terra batida, os archotes ardendo tão suavemente que vários haviam se apagado.

James segurou-lhe o cotovelo, ajudando-a a manter o equilíbrio enquanto chegavam até os degraus de pedra que conduziam ao terraço mais baixo da casa.

Lily sorriu em agradecimento, tão calma que não precisou de palavras. Falar parecia redundância depois de tudo o que acontecera. Fora a noite mais surpreendente, mais perfeita de sua vida. Ela sabia que poderia nunca mais vivenciar uma noite como aquela, sabia que a intensidade, a química e a paixão que sentira eram únicas e tinham se dado pelo fato de ter estado com James.

Não precisava que ninguém lhe dissesse que não eram todos que se amavam daquele jeito. Não precisava de uma dúzia de parceiros para reconhecer que, o que encontrara, o que sentira, era algo que poucas pessoas chegavam a ter. De algum modo, fora abençoada, acabara se tornando uma entre aquelas pessoas afortunadas.

A casa estava silenciosa, a maioria das luzes internas com a intensidade diminuída. Aqui e ali, uma lâmpada difusa iluminava uma obra de arte e algumas das esculturas maiores de bronze. Mas luzes não eram necessárias com o luar se filtrando pelas imensas vidraças. A casa parecia uma extensão da noite quente e sedutora, e Lily conteve a respiração por um momento, dizendo a si mesma para se lembrar, para não se esquecer de nada.

Aquilo era uma mostra do paraíso, pensou, alegria transbordando de seu coração. Ter sido amada por ele daquela maneira, por seus lábios e mãos tão ternos, por seu corpo ardente. Sentir-se tão bem, tão realizada com alguém. James guiou-a até a cozinha.

— Está com fome?

— Sim. E com bastante sede.

— Pegue uma das banquetas.

Lily sentou-se junto ao balcão, dando-se conta de como seu corpo estava sensível. Decididamente não era mais uma virgem. Graças a James, sabia de muito mais do que soubera àquela mesma hora no dia anterior.

James abriu a grande geladeira, reunindo frutas, queijo e garrafas de água mineral.

Levou tudo para o balcão antes de localizar um filão de pão, manteiga e uma faca.

Era como um piquenique, estarem sentados ali ao balcão sob luzes difusas. Comeram pão e queijo e, enquanto James cortava fatias de manga e mamão, não conversou.

Lily ficou contente, palavras teriam arruinado o momento. Gostou do silêncio, da quietude, do senso de mistério.

Até aquela noite, nunca havia realmente vivido. Até aquela noite, nunca se sentira bem na própria pele. Sempre se achara comum demais antes, tão insegura e desajeitada, mas nos braços dele sentira-se adorável. Tanto por fora quanto por dentro.

Não mais uma garota, mas agora uma mulher.

Havia certos ritos do ingresso na vida adulta, e naquela noite fora iniciada no mais significativo de todos.

Não era algo apenas sobre sexo, pensou, enquanto saboreava uma fatia de mamão, mas sobre viver. Era uma coisa amar um homem de todo o coração, mas algo completamente diferente amá-lo com a alma.

Amava James com todas as suas forças e ter feito amor com ele apenas acentuara sua confiança, solidificara sua lealdade. Não importando o que acontecesse no futuro, sempre seria parte dele, e ele, dela.

Saciada de muitas maneiras, bocejou.

— Você está exausta — riu James.

— Nem me fale.

Ele inclinou-se, beijando-lhe a fronte e, depois, os lábios.

— Obrigado.

— Por que está me agradecendo?

James abriu um pequeno sorriso, os olhos velados com coisas que ainda não partilhara, histórias e fatos que mantinha guardados dentro de si.

— Foi muito bom esta noite. Foi realmente bom entre nós. Pareceu certo.

De fato.

Parecera certo.

Uma onda de calor envolveu-a, os olhos ardendo, a emoção que sentia intensa. Aquela felicidade que a tomava era algo permanente, algo que sempre teria porque fora uma noite perfeita, num cenário perfeito com um amante igualmente perfeito.

— Eu te amo.

Não pretendera dizer aquilo, pensara nas palavras, sentira-as em seu coração, mas não tivera intenção de dizer nada. Mas agora que as dissera, não se arrependia. Como podia? Era a verdade, e se não pudesse ser franca com ele agora, quando poderia?

James segurou-lhe o rosto entre as mãos.

— Doçura, eu acredito em você. — Beijou-lhe os lábios demoradamente. E, quando ergueu a cabeça, acrescentou: — Agora, é tempo de você acreditar em si mesma.

Tornou a beijá-la brevemente e disseram boa-noite um ao outro. Lily fechou a porta do banheiro de sua suíte e ligou o chuveiro, deixando que a água quente lavasse o sal e a areia de seu corpo e cabelos.

Mas, quando se deitou, o sono foi leve. Horas mais tarde, seu corpo ainda estava tão sensível que acordou, certa de que James estava com ela, que suas mãos a acariciavam e que faziam amor outra vez.

Levantou-se, exausta, enquanto o dia ainda amanhecia e sentou-se na varanda, ouvindo as ondas quebrando na praia.

Sempre acreditara que o amor era a coisa mais importante entre um homem e uma mulher e prometera a si mesma, anos antes, que esperaria para fazer amor até que estivesse verdadeiramente apaixonada. Bem, fizera aquilo. Esperara para fazer amor, esperara por James, e a noite anterior provara que a espera valera a pena.

Fora uma experiência tão surpreendente. O jantar, o pôr-do-sol, o mergulho no mar. Aquelas coisas não costumavam acontecer em sua vida. Aqueles eram os tipos de eventos de livros de histórias que aconteciam com outras pessoas... pessoas como sua irmã, como Annika, pessoas que eram distintas, sofisticadas e fisicamente bonitas.

James dissera na noite anterior que a achava bonita, mas aquilo fora no calor do momento. Ele a acharia bonita depois, quando tivessem voltado a Nova York? Pensaria que era sexy e desejável quando a vida tivesse voltado ao normal?

Ela soltou um suspiro, desconfortável com as perguntas que impunha a si mesma. Não queria respondê-las agora, não queria pensar no futuro.

Levantando-se da cadeira, deixou a varanda e, fechando as portas-janelas, voltou para a cama. Cobriu-se com o lençol até o queixo, como se pudesse, de algum modo, bloquear a pequena voz de incerteza que já sussurrava num canto de sua mente.

As coisas ali podiam parecer idílicas, mas estava num paraíso. O que aconteceria quando deixasse a ilha maravilhosa e voltasse a Manhattan? O que aconteceria quando estivesse de volta ao edifício Torre e trabalhando para ele?

Passava das dez quando ela tornou a despertar e, daquela vez, sentia-se mais descansada. Usando um vestido verde de verão, foi ao encontro de James no terraço da piscina, onde o Sr. Foley a informou que estaria.

Ele tinha acabado de voltar de uma corrida pela praia e bebericava um suco gelado, sentado numa das espreguiçadeiras. Lily não pôde deixar de observá-lo, usando apenas um short azul-marinho, admirando-lhe os contornos bem-definidos do peito musculoso e bronzeado, os ombros largos.

— Já tomou o café da manhã? — perguntou James, recebendo-a com seu sorriso caloroso.

Ela sentou-se na espreguiçadeira ao lado.

— Não, mas não estou com muita fome.

— Bem, o almoço não demorará a sair. Aqui a cozinha está sempre aberta e sempre há algo bom para se comer.

— Gosto disso. — Recostando-se, ela olhou para o intenso azul do céu. Ouvia pássaros cantando e o som do mar mais adiante. A vida ali estava bem distante das preocupações de Nova York. Da agitação do escritório e dos bilhões de dólares com que James lidava na Investimentos Potter.

— Imagine só! — exclamou com um sorriso. — Plena segunda-feira e eu aqui numa ilha paradisíaca. Sim, é melhor eu aproveitar, pois na próxima segunda-feira já estarei recebendo novamente as suas ordens no escritório, não é mesmo, Sr. Potter? — Usou de um tom jovial, querendo apenas fazer um gracejo, não pensar já tão de imediato no fim daquelas férias, mas, quando se virou para fitar James, notou que ele tinha uma expressão grave.

— O que houve?

Ele hesitou por um momento, desviando o olhar.

— Estive falando com o escritório — explicou, indicando o celular numa mesinha ao lado. — Houve alguns problemas, mas nada que não possa ser resolvido. Acho que terei que despedir alguém.

— Quem?

— É uma... funcionária nova, mas, pelo que me disseram, não está se saindo muito bem. Mas você não precisa se preocupar...

— Bem, talvez eu pudesse ajudar. Talvez, quando voltarmos, eu pudesse arranjar-lhe um programa de treinamento...

Ele correu a mão pelos cabelos.

— Não é assim tão fácil. Ela é minha nova assistente.

Lily encarou-o com estupefação por um longo momento. Enfim, ergueu-se, sentando-se na beirada da espreguiçadeira e apoiou os pés no chão, como se estivesse se preparando emocionalmente.

— Você me despediu?

— Eu não despedi você.

— Mas você tem uma nova assistente.

Ele ficou em silêncio por um momento e, então, soltou um profundo suspiro.

— Sim.

Lily sentiu uma forte opressão no peito.

— Não posso acreditar que você me substituiu.

— Você ia se casar comigo.

— Mas você não pode me substituir. Eu tinha um emprego. Gostava dele. Não pode me substituir sem me falar a respeito.

James se levantou, pousando o copo na mesinha.

— Nós íamos nos casar. Achei que você teria o bastante com que se ocupar em casa...

— O quê? — Ela se pôs de pé abruptamente. — Passar roupa? Cozinhar? Ir ao supermercado?

— Não, eu tenho o Sr. Foley para cuidar de tudo isso — respondeu ele com impaciência.

— Exato! Se tivéssemos nos casado, o que eu teria feito o dia todo?

— Oh, não quero fazer isto. Quero meu desjejum e uma boa xícara de café. Estou de férias. Tempo de ilha. Nada de discussões aqui, nem de regras também.

— Não! — Os olhos dela arderam, um nó em sua garganta. — Não pode ignorar a conversa, ou a mim, desse jeito. Você me tirou meu emprego, e eu o adorava...

— Não poderia tê-lo adorado tanto. Você estava à procura de um emprego novo. Você pegou um vôo até Charleston cinco semanas atrás e foi entrevistada pelas Indústrias Osborne.

Lily piscou para conter as lágrimas.

— Quando a sua nova assistente começou?

— Ouça...

— Diga-me!

— Hoje.

— E quando você ia me contar?

— Nós íamos estar em nossa lua-de-mel. Eu precisava de alguém no escritório. Você não pode estar em dois lugares ao mesmo tempo.

Ela sacudiu a cabeça, magoada e furiosa.

— Bem, então, eu fico com o emprego!

— Tolice. Você não gostava do emprego, mas de ficar perto de mim.

— Errado.

Ele segurou-a pela cintura, puxando-a para si.

— Não, não é. Eu conheço você — disse, a voz adquirindo um tom um tanto rouco. — Talvez você gostasse de seu emprego, mas me amava mais. Me queria mais.

Tomou-lhe os lábios num beijo ardente, as mãos afundando nas mechas sedosas dos cabelos dela. Explorou-lhe a maciez da boca com a língua, fazendo-a suspirar de prazer. Com a cabeça rodopiando, Lily correspondeu com paixão, moldando o corpo sem hesitação ao dele, ficando na ponta dos pés para abraçá-lo pelo pescoço, puxando-o mais para si.

Sentiu-lhe o sexo rijo através do short fino e acentuou o contato entre ambos, movendo de leve os quadris. James soltou um gemido de encontro a seus lábios e começou a afagar-lhe o seio, massageando o mamilo sensualmente.

Lily adorava a maneira como ele a tocava e ansiou por estar nua em seus braços fortes, quis que a possuísse novamente.

— Venha comigo — sussurrou James, guiando-a até o vestiário da piscina.

Fechou a porta atrás de ambos e, então, insinuou as mãos sob o vestido de Lily, tirando-lhe a calcinha e sentou-a numa bancada.

Baixou-lhe as alças finas do vestido pelos ombros e braços e fez o tecido verde deslizar até a cintura dela.

— Você é linda — sussurrou, inclinando a cabeça para sugar um mamilo e, depois, o outro.

Lily estava quase sem fôlego, enquanto as deliciosas carícias prosseguiam, seu corpo se contorcendo na beirada da bancada, ansiando por mais.

— Oh, por favor...

— Por favor o quê, doçura?

— Toque-me.

— Mas eu a estou tocando.

As faces dela ficaram afogueadas.

— Não, você sabe...

— Oh, eu não sei.

Mas James continuou provocando-a, passando os polegares pelos mamilos úmidos e sensíveis dela, criando mais fricção, mais tensão e calor.

Lily estremeceu de prazer, os dedos acariciando seus mamilos de maneira incrível, circundando, estimulando, produzindo-lhe uma corrente de excitação por todo o corpo. Era tomada por grande urgência, quase não podendo mais suportar a doce tortura.

James ergueu-lhe o queixo delicado, forçando-a a fitá-lo nos olhos.

— O que você quer, doçura?

— Você.

Sem soltá-la, ele puxou-a para a frente, abriu-lhe os joelhos e penetrou-a com um movimento rápido e gentil. Segurando-lhe, então, os quadris com firmeza, começou a mover o corpo de maneira intensa, deliberada. Era uma explosão de paixão, primitiva e urgente.

Lily não demorou a sentir os espasmos percorrendo seu corpo e abraçou-o com mais força, James tomando-lhe os lábios com os seus, absorvendo-lhe o grito de prazer.

Estavam fazendo amor de um jeito diferente do que fora na noite anterior. Na praia, haviam se amado de maneira gentil, terna, lânguida. Agora, faziam amor de maneira igualmente intensa, o êxtase que a arrebatou foi fabuloso, mas sentiu todo o ardor de James, todo seu ímpeto febril.

Era como se estivesse lhe mostrando quanto ela o queria, quanto precisava dele e que era ele que estava firmemente no controle.


Durante os dias que se seguiram, ambos adotaram um delicioso ritmo, apenas saboreando iguarias, divertindo-se e fazendo amor. Em algumas manhãs velejaram, em certas tardes fizeram mergulho livre nas águas transparentes, mas inevitavelmente retiravam os trajes de banho e passavam horas imersos num mundo bastante particular de toque e prazer.

Ao longo da semana, Lily descobriu como tocar James e o que o excitava. Adorava deixá-lo louco de desejo, ir aumentando o clima de expectativa e gostava ainda mais de poder saciar aquele desejo. Aprendeu a usar as mãos, os lábios, diferentes posições com seu corpo. Tudo era tão natural com ele. Nada nunca parecia errado.

Na metade da semana, James a tirara do quarto de hóspedes e a levara para dividir o seu. Disse-lhe que não gostava de acordar e não vê-la a seu lado. Com frequência, acordava-a quando ainda estava escuro e longe do amanhecer, mas já se sentindo faminto por ela.

Numa noite, aninhada nos braços de James, o coração ainda voltando ao ritmo normal depois de terem feito amor, Lily obrigou-se a retomar o assunto que a estivera incomodando desde a segunda-feira.

— O que acontecerá quando formos para casa? O que devo fazer se não tenho meu emprego?

— Vá viver comigo.

Ela ergueu a cabeça, franzindo o cenho.

— Não compreendo.

— Quero que vá morar comigo. Que esteja ao meu lado. Eu cuidarei das contas.

Por alguma razão, a calma de James pareceu indiferença a ela. Não entendia que o trabalho era importante? Que ela obtinha um senso de valor e dignidade trabalhando? Que boa parte de sua auto-estima consistia em fazer um bom trabalho?

Lily desvencilhou-se do abraço e sentou-se na beirada da cama.

— Por mais que eu goste de dormir com você, isso não constitui um emprego em tempo integral.

Ele colocou as mãos sob a cabeça e fitou-a.

— Poderíamos transformar isso num emprego em tempo integral.

— Isto é importante.

A expressão de James endureceu.

— Você sabe que, quando a pedi em casamento, eu estava cansado dessa coisa de solteiro. Estou farto de ser solteiro. Gosto de estar com você. De dormir com você. De acordar a seu lado. Assim sendo, isto é igualmente importante para mim. Vá morar comigo. Torne este um relacionamento permanente.

Lily respirou fundo, abalada e confusa. Aquele era o jeito dele de dizer que a amava?

— Não somos casados.

— Não temos de estar casados para morarmos juntos.

— Mas você não me ama.

— Ouça, acho que nunca amarei alguém...

— Você amava Charlotte — retrucou ela, interrompendo-o.

James praguejou por entre os dentes, realmente zangado.

— Aprendi minha lição. Não me apaixono mais.


Olá gente! Da mesma forma que disse em Rota São Francisco: Sim, eu estou viva, sei que fiquei mais de um mês sem postar, peço perdão pela demora. O último mês foi puxado, muitas provas e trabalhos na faculdade, além de alguns compromissos sociais, mas agora que as provas acabaram (a ultima foi ontem) e só restam alguns poucos trabalhos para fazer, tentarei postar da mesma forma que antes, quase todo dia, alternando entre uma fic e outra. Ai, ai o cap começou tão bom não é, mas tinha que aparecer uma nuvem bem escura no final, aff kkkk, só para constar a fic terá ao todo 12 caps mais prólogo e epílogo. Obrigada a Joana Patricia, dudi's akara e ika chan pelos comentários. Beijos e até mais.