Capítulo IX - Saindo do Casulo

" Querida Mione

Como você esta? Desculpe ter demorado, mas aqui eles exigem concentração total, dai não tive tempo de te escrever. Estamos aprendendo um monte de coisas aqui, como criar nossos próprios remédios básicos a partir de ingredientes fáceis de se conseguir. Eu fiquei espantado quando Luna e Pansy, na prova em dupla de ontem, criaram poção cola-ossos a partir de algumas ervas bem comuns. Eu fiz com o Chaz, tiramos nove por que dentre as poções, a cola-ossos não ficou legal, e era justamente a única que e tinhamos que demonstrar um teste prático para o professor. Depois de uma calorosa discussão na qual eu explicava para nosso caro Chaz Irídio Jordan - ele é de uma linhagem da família de Lino Jordan, pelo que eu acabei de descobrir, formada na América. Os pais dele eram filhos de bruxos, mas não podiam usar magia, apesar de manterem contado com a família, mas ele acabou podendo. Curioso, não acha? E pensar que todo mundo o trata como trouxa, veja só - e depois de falhar em convencê-lo das vantagens de ter o braço quebrado, aleguei que já passei por isso e não doía tanto quanto imaginava. Depois de meia hora consegui convence-lo, não me pergunte como. Infelizmente a poção não ficou muito boa, não funcionou direito, tivemos que usar outra poção para botar o braço dele no lugar - ainda bem que aprendemos em Hogwarts como fazer isso - e agora ele vai levar mais algumas horas pra ficar bom - e avisa pra Amanda que uma carta dele vai demorar um pouco, pois eu quebrei o braço esquerdo dele - isso mesmo, ele é canhoto. - mas daqui há pouco tudo fica bem. Como estão Harry e Gina? Ele ainda está dando encima dela? Espero que não . Depois da briga que ele e Chaz tiveram, fico receoso do Yoh acabar se enfezando com ele e a coisa piorar de vez. Graças a Merlim pelo Yoh não ter o pavio curto, graças. Me preocupo com ambos, mas eles são jogadores do mesmo time de Quadribol, vai que a Gina resolve sair do time por causa dele, e o que é pior, a Amanda também? Se bem que, bem... eu ando meio receoso quanto a isso, sabe. Quer dizer, o clima não anda muito bom por causa disso, mas eu explico com mais detalhes na próxima carta. Bem, por enquanto e só, mais uma semana e o curso termina.

Te amo

Rony"

***

" Cara Rika

você é cruel! Por que fui te ouvir? Não posso nem escrever para o draquinho!

De qualquer forma, obrigada pela ajuda. Semana que vem eu estou de volta, mas ainda vou tentar convidar o Draco para sair. Ai, será que ele vai aceitar? Espero que sim, espero que sim, espero que sim!!!! Hmm... ele bem que podia brigar com o Potter de novo, assim eu podia curar os ferimentos dele e... ops, deixa eu terminara aqui, que aquele trouxa da sua casa está pegando no meu pé, fazendo acusações sem fundamento!!!

Pansy"

***

" Amanda ,

Minha fada, estou com muita saudade. Aqui vai demorar um pouco, e o Rony acabou quebrando meu braço, e eu tive que fazer ele escrever esta carta - ou melhor, convencê-lo, por que se dependesse dele, você só teria noticias minhas quando meu braço estivesse melhor - por isso essa letra não é minha, estou com muitas saudades, e eu espero que o Potter , não tenha tentado nada com você, pois da próxima vez, e espero que não tenha uma próxima vez , eu quebro o nariz dele. Se cuida meu anjo.

Ah, sim... sei que vai totalmente contra ao que eu disse, mas... não desista do time de Quadribol. Você joga tão bem, seria uma pena você abandonar isso por causa dos problemas pessoais de outra pessoa.

Com amor ,

Chaz. "

***

"Cara Morgana

Você precisava estar aqui, aquela Sonserina é doida! Ela misturou os ingredientes da poção aqui e deu tudo errado, dai eu sugeri trocarmos com a dos rapazes enquanto eles saíram para comer algo ..

Fora isso, tá tudo bem aqui.

Luna"

Morgana terminou de ler a carta, mas não conseguiu parar de rir, sua amiga deveria estar sofrendo um bocado nas mãos da Parkinson , ela queria ver é quando eles voltassem.

Mas, antes...

"Cara Luna

Está se divertindo, não é? Confesse, aposto que você gostou de ter trocado a poção dos rapazes, eu te conheço, sua malandrinha! As coisas tem andado normalmente por aqui. Menina, você precisa saber das últimas! O Michael , O Nicholas, Elton, Justino, Suzana e Ana estão treinando com bastante afinco para o próximo jogo! Acho que depois de terem visto você do jeito que ficou, devem Ter tomado vergonha na cara e resolveram não fazer mais vergonha. Pensando bem, você até que estava um pouco certa, é vergonhoso nosso time só perder, perder e perder! Vou dar uma bronca no Michael da próxima vez que vê-lo. Ah é, ontem o Justino me levou em Hogsmeade, você precisava ter visto, ele dançava tão bem... ah sim, a sua prima, a Sarah, anda meio sumida. Ultimamente ela tem visitado muito madame Pomfrey, mas não consegui descobrir o motivo. E por falar em clima romântico, você vai cair pra trás: Lembra do leilão que teve no baile e que leiloaram algumas garotas, inclusive a Weasley da Grifinória, que os garotos ficaram babando? Pois é, a gente não tava prestando atenção na hora, mas você não adivinha QUEM "comprou" a Parvati Patil, aquela garota da Grifinória!

Um beijo, de sua amiga

Morgana

***

"Caro Goyle

Oi, como você tem passado? Muitas novidades por ai?

Desculpe não ter enviado uma carta antes, as coisas estavam difíceis por aqui no começo, e eu não estava com muito ânimo para escrever. E a Pansy, como vai? O Draco continua esculachando ela a cada segundo? Se sim ... bem, cara, não deixe. Sei que ele trata você - e eu também - como lixo, mas quando eu via ele fazendo isso com ela, me sentia mal, por que aquela garota realmente gosta dele, disso nos dois temos certeza. Bem, por enquanto é só. Espero poder estar sempre mantendo contato. Sinto saudades, amigo .

Crabbe"

***

"Papai e mamãe

Oi, aqui é a Gina! Eu não agüentei de empolgação, era para vocês saberem só quando ele voltasse, pois ele iria querer fazer surpresa, mas... o Rony está na escola Londrina de Medi-bruxos fazendo um curso de agente estudantil de saúde, ele e mais três alunos, para dar apoio à madame Pomfrey. Ele foi escolhido em meio há centenas de alunos, e todos aqui ficamos muito felizes. Quando ele voltar do curso, exercerá um cargo na escola equivalente ao de Monitor, que nem o Percy! Isso mesmo, ele vai ser uma espécie de monitor, mas com a função não de vistoriar se os alunos estão se comportando, mas sim as condições de saúde da escola. Ela vai ser uma espécie de médico -mirim, e vai chegar em uma semana! A gente está dando pulos de felicidade! Assim que ele der sinal, eu retorno para vocês a carta.

De sua filha

Gina

Ps.: Recebi a carta depois do jantar, e como o Pitichinho iria demorar, é o Karasu quem está levando a carta por que ele pode voar a noite sem perder velocidade por causa da visão, então antes da meia-noite vocês devem estar recebendo-a.

***

"Para Harry e Hermione

Venho por meio desta carta avisar que em dois dias estarei chegando. A propósito, o Chaz conseguiu uma maquina de trouxa que escreve, não me pergunte como. A gente refez todo o processo da poção cola ossos e da poção anestesiante, e não entendemos o que deu errado, logo Chaz está começando a achar quem alguém aprontou com a gente. Felizmente a gente fez a poção novamente, dai o Chaz queria testar em mim, mas por sorte havia um cachorro passando no meio da rua e então ..."

Abraços

Rony

Anexo I : Somente para Hermione

Meu amor, estou enviando a carta aos seus cuidados, então não mostre essa parte para o Harry, ok? É só para você. Bem, eu queria te pedir um favor... será que dava pra você fazer uma pesquisa pra mim? É sobre poções, imagino que você vai encontrar algo na biblioteca fora da seção de livros restritos, apesar de eu achar que a única coisa que você irá encontrar será uma descrição da poção, não de como fazê-la.

Bem, sem enrolação. Você sabe que eu, digo, nós, estamos preocupados com o Harry. Eu fiquei surpreso com a declaração que ele fez para a Gina, mas com o tempo eu comecei a perceber algumas coisas. Primeiro, ele era gamado na Cho desde o terceiro ano; segundo, nunca olhou para a Gina, e se formos lembrar, no ano anterior ele até que não se dava mal com o Yoh. Eu comecei a pensar aqui, e acho que tem algo errado. Sei que é um possibilidade meio maluca, mas... e se ele estiver sobre o efeito de alguma poção? Ou quem sabe, algum feitiço ? Prefiro não pensar em feitiços, visto que provavelmente alguém perceberia. Daí eu comecei a ter algumas idéias, e durante uma aula aqui a respeito de remédios ministrados sob alto controle médico, eu me toquei disso. Há ingredientes e remédios, assim como poções, que tem um controle muito restrito por parte das suas devidas organizações. Descobri aqui que existem até as poções restritas, as limitadas e, finalmente, as proibidas. Tenho certeza de que o Snape nunca nos contou a respeito disso. As poções proibidas são comparáveis as três maldições proibidas, com a diferença que as poções que se enquadram nesta categoria estão em número bem maior.

Entre elas, tem uma poção muito especial, a qual eu desconfio de que tenham dado para o Harry tomar sem ele perceber.

A do amor.

Claro, pode ser uma leve hipótese, um pensamento absurdo, mas isso me chamou a atenção diante das ultimas atitudes que ele tem tomado. Poderia pesquisar isso para mim? No momento eu não posso, só poderei fazer isso quando voltar.

Beijos

Rony

***

"Cara Amanda

Como tem passado? O tempo se arrasta por aqui. Está cada vez mais difícil escrever. Ah, esqueci, você deve estar se perguntando o motivo do meu braço ainda estar quebrado, não é? Bem, refizemos a poção cola-ossos - eu juro que alguém trocou a poção antiga, passamos a madrugada fazendo estoques dela e não encontramos nenhum erro! - mas na hora de "testar" no Rony, ele deu pra trás, e queria usar em um gato. Eu não aprovei, mas ele insistiu e quando fomos pegar o gato, o bichano não apenas arranhou o meu rosto todinho como derramou no chão todo o nosso estoque de poção cola-ossos Pedimos um pouco emprestado das meninas, pois eu acabei caindo por causa do gato e quebrando o braço - no fim, acabou acontecendo de novo - mas sinto que a poção cola-ossos delas não ficou cem por cento, logo não estou podendo usar o braço esquerdo - Justo ele. Em horas como essa é que você gostaria de ser destro - dai consegui uma maquina de escrever, por isso o texto está com essas letras estranhas. Em breve estarei de volta.

Um beijo .

Chaz .

***

Domingo. Uma carruagem se aproximava dos arredores da escola, da qual quatro jovens descem. Aparentemente não tinham nada, mas nada em comum, com exceção de uma braçadeira vermelha com uma cruz branca nos braços.

- Ahh ! - a de cabelos brancos se espreguiçava - finalmente, já não agüentava todo esse tempo de viagem!!!

- Graças a Merlim! Não agüentava mais a cara daquele professor, fiquei até com saudades do Snape!

- Não exagera, Pansy. - Disse Rony , que no final teve que usar óculos, graças a uma poção errada.

- Vai me dizer que não gostou de estudar lá? Podemos até fazer uma operação de risco!

- Ei, não comecem! Somos alunos em treinamento, não se esqueçam. Ainda estamos subordinados à madame Pomfrey, portanto nada de ficar realizando manobras arriscadas, entenderam?

- Rony - Luna o olhava de lado - quem foi que morreu e te nomeou líder?

- Líder? Alguém aqui quer se arriscar a fazer algo para o qual não está apto? Eu não. Farei o melhor que eu puder, mas não quero me vangloriar achando que sou o sabe tudo , por que não sou.

- O Rony tem razão, tudo o que eu quero é chegar, tomar um banho e deitar, eu tô todo moído!!!

- Somos dois...Graças a duas traíras ...

- Traíras não, foi uma ação de emergência! - Luna dava um sorriso cinico, enquanto que Pansy se escondia atrás dela.

- Quase que ficamos internados, suas cabeças de alfinete!

- Cabeças de alfinete? o que é isso?

Rony abaixou a cabeça, Chaz olhou pela janela e Luna sentiu uma enorme pena de Pansy, mas graças a Merlim nenhum dos dois tiveram a ousadia de rir.

Os quatro foram caminhando pela escola, sabendo que mais tarde teriam que passar na enfermaria, de modo que foram ficando pelo caminho, cada um seguindo para suas respectivas casas.

- Ué, cadê todo mundo ? - ele olhava ao redor , percebendo que a sala comunal da Grifinória estava meio vazia - costumava ter gente aqui hoje ...

- SURPRESA ! - Gritaram muitos alunos, o ruivo ficou chocado com a boa vinda preparada para ele... fizeram mesmo aquilo para ele?

- Que saudade, meu amor!- Hermione abraçou ele, que estava sorrindo feito um bobo.

- Oi, Mano! - Gina lhe dava um abraço, enquanto Harry fazia o mesmo.

- Ai! espera um pouco, um de cada vez!

- Espera nada, a gente tava morrendo de saudades! Anda, conta pra gente tudo o que aconteceu lá!

- Ah, mas eu... bom, não foi lá muito - ele percebia um singelo olhar de alegria estampado nas faces dos mesmo - bom, na verdade, foi bastante interessante, eu e...

***

- Oi, Morgana. Olá, Jackson!

- Mas será que nem depois de duas semanas fora você para com isso? - ele espumava, segurando-a pelo pescoço.

- Credo! Vocês parecem cão e gato! - Diz Morgana se levantando e caminhando até a amiga , mais o que vê a assusta.

- Apesar dos pesares, Aluada... estava com saudade de você. - Ele a abraça e logo vai para torre, Luna sorri para Morgana.

- Não tava com saudade de mim, não? . - Ela beicinho para a amiga , mais logo as duas sorriem e se abraçam. - ou será que o Justino andou de abraçando muito nesses dias?

- Me conta , Lu, como foi lá? Pois por carta já foi engraçado, me conta!

- Ih, nem te conto, eu e a Pansy estávamos fazendo alguns remédios ... dai ele se distraiu e deu errado ... dai .... mas não muda de assunto, eu quero saber de tudo, é verdade aquela história da Parvati? Me conta tudo, não omita nenhum detalhe!

- Ih, você nem imagina! Outro dia eu e o Justino encontramos aqueles dois no vilarejo e...

***

- Ei - ele colocava a mão no ombro da garota que estava sentada na sala comunal, lendo um livro - cadê o resto do pessoal?

- Eles tem vida social, sabia ? - Cassie se levantava, abraçando o amigo - melhor do que ficar aqui o dia todo.

- É . Senti saudades. Mas não tem ninguém aqui?

- O pessoal do time está treinando, alguns foram para o vilarejo, o resto está circulando pela escola, oras. Também senti saudades - Cassie e Chaz se abraçam. - Mais acho que alguém esta com mais saudade sua.

- Quem ... - Chaz olha para trás , e lá estava sua fada , levemente corada , sorrindo meigamente. - Amanda...

- AHHH Chaz , estava com tanta saudade. - A menina corre e abraça o namorado.

- Eu também , eu também. - Os dois se beijam , Cassie saiu de fininho.

- Sabia que você parece mais bonita?

- Jura ?

- Sim. Seu semblante está diferente, mais alegre, mais ... vivo . Daria para imortalizar essa face em uma tela.

- Adoraria ser pintada por você.

- Claro, por que não? Deixa eu pegar meu material e... - ela colocava o dedo na testa dele.

- Depois fazemos isso... agora, vamos curtir o dia, ok? Só você e eu...

***

- Olá, Goyle.

- Pansy? Já de volta?

- Já, alguma novidade? Noticias do Crabbe?

- Nada de novo, mas o Crabbe andou escrevendo, perguntando como estamos, eu disse que você ficou fora esse tempo, e lá, como foi?

- Ah, aprendi algumas coisas , agora deixa eu tomar um banho que eu estou exausta! Depois eu desço e conversamos com mais calma, tudo bem?

- Sem problema, não vou fazer mais nada hoje, mesmo.

- Ah, até que enfim você chegou.

- Olá, draq ... digo, Draco - e ela passava direto com um semblante sério próxima dele, seguindo para o dormitório feminino e entrando no banheiro, deixando Draco um pouco curioso.

Ela conseguiu. Fez exatamente o que Rika, Amanda e Ariel lhe recomendaram: conseguiu ignorá-lo, não ficar agindo como uma eterna serviçal dele.

Mas pelo visto, a curiosidade fora apenas momentânea, pois no instante seguinte ele no tinha se esquecido por completo da reação dele.

***

Já havia anoitecido, de modo que todos estavam no salão principal, jantando. Foram apenas duas semanas, as quais se arrastaram como se fossem anos, de modo que a comida da escola nunca esteve tão saborosa quanto daquela vez. Em cada uma de suas respectivas mesas, os quatro eram a noticia na boca de cada aluno. Na mesa da Grifinória, Rony rabiscava um folha de papel enquanto comia um pedaço de pudim oferecido por Hermione, enquanto seu outro braço enlaçava a cintura dela e o mesmo respondia alguma pergunta ocasional. Na mesa da Lufa-Lufa, Luna era pura energia, não apenas respondendo como dando ênfase aos momentos mais engraçados, as vezes gastando longos minutos para explicar detalhadamente cada parte. Na Corvinal, Chaz catava um pouco de arroz, feijão, ervilha e milho e fazia algumas formas curiosas, tendo que, por várias vezes, ser interrompido para responder as diversas perguntas que lhe eram feitas - e elas eram muitos, apesar do mesmo estar prestando toda a sua atenção a forma que aquilo tomava, o rosto da namorada, a qual conversava animadamente com Julieta, logo após ter percebido o que ele tanto fazia.

Já na mesa da Sonserina, por incrivel que pareça mediante a situação atual, não haviam muitos encima de Pansy, pelo contrário, com exceção de algumas amigas delas - alias, Goyle era o único homem da mesa que estava lhe fazendo perguntas, apesar de vez ou outra Thor mandar uma piadinha em relação a Draco - poucas eram as vezes que lhe interrompiam.

E, apesar de tudo, ela fazia um esforço enorme para não falar com Draco. E tinha que admitir, que tarefa dificil! Por que foi dar ouvidos a Rika?

Pouco depois de jantarem, os quatro estavam seguindo para a ala hospitalar quando, de longe, Florinda sorriu jovialmente para eles ao avistá-los.

- Ora, ora, ora... sejam bem vindos, Madame Pomfrey esta um pouco ocupada com um aluno do primeiro ano, por isso esperem por ela aqui, pois logo depois ela nos levará até a sala em que haverá uma pequena reunião. - Os quatro se olharam , fazer o que ,esperar não custava nada. Na verdade, já esperavam por isso, sabiam que a enfermeira chefe da escola iria querer saber de alguns detalhes acerca do treinamento intensivo.

E como fora duro! Tanto, que até agora Chaz repetia mentalmente uma poção especial para tirar bolhas de pus de alguém.

- Acho que posso dar uma ajuda - Rony entrou na enfermaria - olá, madame Pomfrey. Posso ajudá-la?

- Hã? Ah, claro Pode segurar o braço desse rapaz aqui enquanto eu preparo um remédio?

- Claro - ele segura o braço do aluno - qual é o seu nome?

- Vincent.

- Oi, VIncent. O que houve? Caiu?

- É... me machuquei um pouco na aula de vôo.

- Isso acontece, deixa eu ver - Rony passa a mão pelo braço dele, sentindo as inflamações - madame Pomfrey ...

- Só está um pouco torcido, Rony.

- Eu posso colocá-lo no lugar.

- Eu tentei, mas o rapazinho ai está morrendo de medo, então vou arrumar uma anestesia para ele.

- Eí, Vincent ... se tomar esse remédio, vai ficar com um gosto ruim na boca o resto da noite e perder o apetite. Já jantou?

- Hã ... ainda não. Isso dói?

- Um pouco, mas já passa.

- Hmmm .... tá bom - ele coloca a blusa na boca, imaginando a dor. Rony pressiona o braço dele pouco acima do cotovelo, massageando aquela área com cuidado, minando a dor que o garoto sentia, relaxando os seus músculos quando, em um rápido movimento, ele força um pouco o músculo e osso, de modo que um estalo seco é ouvido, e o garoto dá um leve grito. Na verdade o grito em si é mais pela surpresa do que pela dor, visto que o garoto se cala no momento seguinte.

- Pronto. Veja como esta.

- Ai! - ele esticava o braço, sentindo ainda um pouco de dor, mas a mesma era bem menor - ei, já estou melhor! Nossa! Obrigado ... qual é o seu nome, mesmo?

- Ronald. Mas pode me chamar de Rony.

- Valeu, Rony! - e ele corria para o salão comunal.

- Eí, espera! Melhor madame Pomfrey ver isso e...

- Já esta bom, Rony. Era uma torção leve, se ele podia se mexer, então estava no lugar. Vejo que o curso lhe serviu para alguma coisa.

- Sim ...

- Florinda, pode deixar os outros três entrarem. - Chaz , Luna e Pansy adentram na sala, de modo que Pomfrey os guia até uma sala no fim daquele aposento, aonde uma mesa se encontrava, cheia de remédios e bulas médicas. Ela agita sua varinha, fazendo tudo aquilo desaparecer e a mesa aumentar de tamanho, bem com surgirem mais quatro cadeiras além das duas que já haviam ali, de modo que convida todos eles para se sentarem. - Nossa reunião será sobre o seguinte assunt: Os animais que podem e não podem ficar na escola. A propósito, sejam bem vindos todos vocês.

- Ué - Luna se sentava, mas olhava para ela - fizemos um curso de medi-bruxaria para tratar de animais?

- Não, Luna. Vocês serão responsáveis pelas condições de higiene.

- Teremos que lavar os vasos? - perguntava Pansy.

- Não, terão que supervisionar para que os alunos cumpram com as normas - Pomfrey suspirava - sei que vocês já sabem, pois isso já é assunto mais do que falado na escola ... mas semanas atrás o rapaz que vocês conhecem como Yoh Kneen faleceu.

- Eí, pensei que isso era conversa de corredor! - exclamava Pansy.

- Não, Pansy. Tecnicamente falando, ele morreu mesmo. Seu coração ficou inativo por longos minutos, mas eu consegui reativa-lo com um massagem cardíaca. Mas isso me levou a rever os riscos que nossa escola oferece, e por isso enviamos os quatro para esse curso. Infelizmente não tenho como vigiar se os alunos estão realmente vivendo em condições de saúde perfeitas, nem Filth ou os elfos podem fazer, depende dos alunos. Sei que é muito frio da minha parte, mas foi bom que tenha acontecido com o jovem Kneen, e não com nenhum filho de algum membro importante do Ministério da Magia. Imaginem o que poderia acontecer, o quanto isso iria repercutir.

- Mas essa história de proibir certos animais ...

- Também acho isso estranho. - Rony mandava um olhar para Luna e a mesma puxa um pergaminho e algumas penas, começando a fazer anotações - Desde os tempos antigos os bruxos estão cercados de cervos animais, como convencê-los do contrário? Eles fazem parte da nossa história, não dá para mudar de uma hora pra outra uma forma de pensar que se estendeu por séculos e séculos!

- Não vamos proibir todos ... apenas alguns que apresentam perigo nesses tempos atuais. Muitas doenças e pragas foram espalhadas antigamente por servos animais e pela ignorância e arrogância das pessoas.

- A peste negra - Chaz murmurava, apesar de todos terem ouvido. O mesmo olhava para uma pequena estante no alto, aonde algo que lembrava um roedor estava preso em um pote de vidro com um liquido de cor amarela - ouvi falar que sua verdadeira causa na verdade era por que um bruxo muito poderoso rogou uma maldição por toda a Europa que fez ela ser atacada por uma praga de ratos. Lembro-me bem, meu pai me contou isso, era um bruxo que tinha muito ódio dos trouxas.

- Depois eu os guiarei até a seção de livros restritos, na parte de doenças, para conhecerem a respeito da verdadeira história de muitas doenças. Isso lhes será útil acerca do que é fato e do que é mito referente a algumas das doenças mais antigas da Terra. Mas uma coisa de cada vez.

Livros. Livros restritos. Como uma flecha, as palavras de Pomfrey varam a mente de Rony. Ele teria a chance de descobrir a respeito de doenças antigas nos livros que não estavam acessíveis para os demais alunos. Lá haviam as causas de doenças e, inclusive, a cura para muitas delas. Mas o que o atraia no momento era como causá-las, como preparar poções e lançar maldições que tinham um efeito incrivelmente prejudicial para o seu alvo.

Como uma poção do amor. Era a chance que ele tanto esperava. Nada lhe tirava da cabeça que Harry estava sob o efeito de uma. Era uma maneira um tanto quanto radical de se pensar, mas não conseguia pensar em outra coisa. No período anterior Harry estava progredindo em suas investidas com Cho - certo, naquela vez em que o Yoh tomou Cho dos braços dele durante a dança, ele tinha certeza de que o amigo tinha ficado furioso, mas eram águas passadas, e ambos estavam se dando tão bem depois daquilo... como era possível? De uma hora pra outra ele começa a olhar sua irmã com outros olhos - certo, não era algo impossível de se acontecer, mas para tudo havia um limite. E com certeza Harry o atingiu quando brigou com Chaz. Havia perguntado qual era o motivo, mas Harry o evitou para não dizer - a ponto de discutir com seus amigos - ele perguntou sutilmente a Chaz, e o mesmo apenas respondeu que Harry queria causar ciúmes na Gina.

Obviamente, ele se recusara a acreditar em tal coisa no primeiro momento, mas levando em conta os fatos, fora obrigado a dar o braço a torcer.

De certo modo, se sentia responsável por isso. Ele mesmo havia dito para Harry que preferia ele ao invés do Yoh com sua irmã. Ele mesmo. E o pior, desde então nunca chegou perto do amigo para dizer que fora um pensamento tolo, uma idéia infantil, um desejo egoísta... de ambos.

Doía só de pensar no que Hermione havia lhe dito no período anterior, em todas as situações. E pensar que antes era ele quem implicava com o namorado da irmã, falando um monte de besteiras - ele sente um aperto enorme no coração quando se lembra de que o chamou de "Aberração bruxo" - pegando no pé dele - quase perdeu o amor de Hermione por causa disso, quase. Faltou um pouco para tal coisa acontecer, na verdade, tinha quase certeza de que esteve na tênue linha para tal coisa. E nas férias, ele ainda furioso com o cara, ainda por cima com o apoio de Percy, deve Ter sido o estopim para Harry sentir que não seria dificil conquistar Gina.

Mas, mesmo assim, a idéia de uma poção do amor ainda não era descartada. Nem um pouco. Afinal, quando Cedrico Namorava com Cho, não se lembrava de ver Harry tratando-o daquela forma, bem, não eram exatamente amigos, mas não havia uma frieza tão grande como a atual.

Mas, se fosse verdade, quem teria feito tal coisa, dado uma poção do amor para o amigo?

- Certo. Então todos concordam que ratos estão fora da lista de animais permitidos? - Luna continuava fazendo algumas anotações no pergaminho - lembrem-se do risco enorme que eles oferecem, assim como algumas doenças. Chaz, qual era mesmo o nome daquela doença que você disse?

- Peste bubônica.

- Eu tive um rato durante anos, e ele nunca me mordeu. Bem, não era bem um rato, mas...

- E você tem certeza de que ele nunca mordeu outra pessoa nas redondezas? - A jovem Sonserina batia de leve os dedos na mesa.

- Que eu lembre no momento, não...

- Isso não é o suficiente. Partindo do principio de que o seu rato não era o único da escola, ele pode ter mordido alguém e ser confundido com outro, sem que você soubesse.

- Aham - Luna retomava o fio da meada - Bem , eu acho que besouros também não, eu já vi alguns alunos portando potes com besouros aqui na escola.

- Tem razão - Madame Pomfrey finalmente se manifestava depois de assistir àquela breve discussão entre os quatro - besouros também, pois tem alguns tipos que transmitem doenças perigosas ao homem, e não é por que somos bruxos é que não vamos pegar essas doenças. Somos bruxos mais não somos de ferro, somos de carne e osso.

- Certo. Ratos e besouros... o pessoal vai querer nossa pele, mas tudo bem... vamos proibir também os morcegos?

- Morcegos? Hmmm... e que tal se... - Chaz mandava um olhar para Luna, e a mesma capta a idéia na hora.

- Vetássemos os chupadores? - ela falava, estalando os dedos.

- Chupadores? - perguntava o ruivo.

- Ah, você sabe. Existem animais que se alimentam do sangue de outros, Como os morcegos, por exemplo. Claro, existem espécies de morcegos que se alimentam de insetos e frutas, mas estamos indicando um tipo especifico de animal. Sugiro que sejam proibidos animais que se alimentam do sangue de outros para sobreviver. Existem animais que não desenvolvem a doença, são apenas hospedeiros, como o rato que passa peste bubônica. Um morcego se alimentando do sangue de um animal doente pode acabar atacando outros animais dentro da escola e iniciar uma epidemia, o que acham? Claro, não abrangeria só morcegos, mas animais que se enquadrem. Isso sem contar que ele pode passar para o dono...

- Cachorro transmite doença quando não é vacinado. - Chaz apontava para uma linha nas anotações de Luna, a qual apaga na mesma hora e corrige.

- Aqui em Hogwarts tem três - falava Rony, lembrando-se do cachorro de três cabeças de Hagrid.

- Mas cachorro não se alimenta de sangue, não se esqueçam disso e ... vocês disseram vacinas? - Pansy tinha um olhar curioso diante do que Chaz acabara de dizer.

- Sim - Luna respondia, adiantando-se - deixe-me anotar isso para uma outra reunião. Bem, acabei de pensar em uma coisa... de que adianta poder ter um animal, se a pessoa não tiver responsabilidade por ele? O que mais tem ai são alunos com cães, corujas e outras espécies. Enquanto os alunos estão em aula, esses animais ficam zanzando livremente por ai.

- O que sugere, Pansy ? - perguntava Madame Pomfrey para a garota que ainda olhava Chaz de maneira curiosa.

- Além de proibir alguns animais ... deveríamos ter um controle dos animais aqui dentro, antes que isso aqui vire um Zôo.

- Sei como é, o Neville vive perdendo o sapo dele. - Rony supria uma pequena risada ao se lembrar das circunstâncias nas quais conheceu Neville.

- Então vamos fazer o seguinte. - Diz Chaz pegando um outro pergaminho com Luna. - Vamos fazer um tipo de coleira de identificação para todos os animais. - Chaz desenhou o modelo e mostrou para todos. - Não irá sair caro.

- Mas sapo usa coleira? - Perguntam Luna e Pansy.

- Podemos adaptar e ...

- Já sei! - A moça de cabelos brancos e olhos cor de âmbar erguia a mão - Os Gêmeos Weasleys criaram uma coleira que faz o animal te obedecer e faz ele ir até você independente de onde esteja. Podemos fazer algumas alterações e solicitar para eles.

- Meus irmãos fizeram isso, é? - Rony a olhava de rabo-de-olho, surpreso com a noticia - essa é nova, tenho que fazer uma visita na loja deles para ver o que mais tem de novo.

- Aham - a Enfermeira-Chefe interrompe o comentário de Rony, impedindo-o de começar uma discussão inútil para a situação - Isso vai custar muito caro, já que terão que fazer centenas delas. Importam-se de me explicarem onde conseguirão dinheiro para pagarem por elas?

- Com os alunos, logicamente - ele falava em um tom bem sério - Ou eles colocam a coleira indicando que aquele animal tem dono e o mesmo tem uma maneira de encontrá-lo, ou ele assume o risco de seu pobre bichinho ser pego pelo Filth e ... o que ele fará mesmo com os bichos?

- Ele pode fazer o que quiser. Dentro das dependências da escola, ele tem liberdade total de ação para fazer O QUE BEM ENTENDER com qualquer animal sem dono - dizia Pomfrey - mas essa idéia da coleira parece interessante... ela pode mesmo fazer o animal vir até o dono e o dono encontrá-lo se quiser?

- Ah, eu usei na Penélope, a cadela do professor Remo, e funcionou direitinho!

- Cadela? Mas... - Madame Pomfrey se calou. - Bem , Rony, pelo que me lembre seus irmãos estão em Hogsmeade não é mesmo?

- Sim, e poderemos fazer as encomendas, primeiro teremos que ter uma idéia de quantos animais temos circulando pelos corredores da escola.

- Primeiro temos que ter uma idéia dos modelos - ela se ergue e caminha até o assento de Chaz, olhando por cima do ombro dele os desenhos que o mesmo fazia - alguns animais carregarão no pescoço, outros no corpo, nas patas...

- Não precisa ser exatamente uma coleira - e continuava desenhando - mas o feitiço que eles usaram na coleira já resolve, pode ser uma simples corrente, um pedaço de metal que corujas costumam usar para distinguir seus donos... eu vou fazer um esboço mais detalhado dos modelos. Vejamos, vocês disseram que temos três cachorros, certo? Bom, seria uma coleira. O mesmo para gatos . Aves e pássaros poderiam usar prendedores nas pernas, e eu posso criar modelos de acordo com os animais que formos identificando.

- Vamos fazer um registro dos animais para saber o que cada aluno tem - Rony também se aproximava, examinando os desenhos que ele fazia.

- Um senso, você quer dizer. - e continuava desenhando, encostando de leve o cotovelo na barriga de pansy e de Rony, indicando para se afastarem um pouco pois estavam tampando a luz que ele utilizava para desenhar - Cada aluno seria obrigado a registrar e relatar os animais que tem.

- Obrigar? - Florinda se manifestava pela primeira vez na reunião, a qual estava claramente sendo conduzida pelos quatro - Não acham que estão sendo duros demais?

- Não. - Rony retomava a palavra - vocês se lembram do décimo dia de aula, em que nos explicaram que em determinadas situações, órgãos de saúde muitas vezes podem ter autoridade equivalente a dos lideres? E estamos lidando com a saúde dos alunos, em situações como a atual madame Pomfrey tem tanta autoridade quanto a do diretor, talvez até mais. Na verdade, durante o "Caso Kneen", ela tinha mais autoridade do que ele.

- Se é assim - Luna rabiscava algumas linhas que considerou impróprias - então nós temos um problema bem maior, não é? Quer dizer... isso consta de séculos!

- É - Pansy se afastava de Chaz e retornava ao seu lugar - agora que você falou, os bruxos usam servos animais ao longo dos séculos, e essa tradição tem seguido em Hogwarts. Vamos ter problemas se de uma hora pra outra começarmos a limitar as espécies por aqui. Muita gente não vai gostar da idéia.

- Não, não vai - Pomfrey abria sua gaveta, retirando algumas anotações de dentro dela - o ministro da Magia vai se opor, dizer que é um ato contra a história dos bruxos e tudo mais.

- Pode ser, mas a senhora mesma disse que muitas doenças antigamente foram causados por servos. - Luna se erguia, apoiando-se pesadamente na mesa - Imagine o número de bruxos que executavam rituais e misturavam seu sangue com o dos seus servos, e acabavam se infectando. Tem idéia do número de doenças um sapo pode carregar? Ou aqueles que empregam rituais nos quais precisam beber sangue contaminado? E a aula do professor Snape, então? Há alunos que são alérgicos a alguns dos ingredientes usados por ele, a senhora sabia disso?

- Estou ciente disso, Luna. Tenho o histórico médico de todos os alunos desta escola, sem exceção. Tipo sangüíneo, antecedentes, características positivas e negativas da corrente sangüínea.... tudo. Mas ainda assim, precisaremos de um bom argumento.

- Algo que convença o ministro. - Chaz se erguia, encarando Rony.

- Que não deixe dúvidas sobre a necessidade do que queremos fazer - Pansy também se erguia, encarando o ruivo.

- Que não faça ele cair na nossa pele... não de cara - demora alguns segundos para Luna entender o raciocínio dos outros dois e se erguer também.

- Quem mais sabe sobre o incidente com Yoh? - a ficha tinha caído para Rony no exato momento em que Chaz o encarou. Era bastante óbvio o que todos queriam. Em verdade Chaz e Luna eram amigos de Yoh, mas Rony era cunhado dele, na verdade, era o que tinha mais chances de contar com a cooperação do mesmo.

- Fora da escola, praticamente ninguém. - falava Madame Pomfrey, não acompanhando o raciocínio deles. Aquilo estava deixando-a mais surpresa do que o esperado. Sabia que reunir um grupo daqueles poderia trazer surpresas e confusões, mas nunca imaginaria que eles aprenderiam a trabalhar/pensar em conjunto em tão pouco tempo.

- Ótimo, então faremos assim: Faremos um senso de todos os animais, catalogaremos cada espécie, dai apresentamos as espécies perigosas para o ministro da magia, e a senhora conta para ele sobre o "Caso Kneen".

- Caso? - ela suava frio - mas isso será terrível para a escola! Vocês tem idéia da repercussão disso tudo? Luna, na época você ainda não estudava aqui, mas há algum tempo atrás houve outro incidente no qual os alunos foram petrificados. Pois bem, não demorou muito para responsabilizarem o diretor pelo incidente e resolverem tirá-lo do carogo. Vai haver um rebuliço enorme, milhares de pais e mães irão querer vistoriar a escola e exigir providências!

- E não é isso o que estamos fazendo, tomando providências? - A Sonserina - colocava o braço por cima da cadeira, enquanto olhava para o teto, perdida em meio de pensamentos distantes.

- Melhor do que acontecer de novo, não acha? Quer dizer... - Luna jogava seu pergaminho por sobre a mesa - quantos alunos precisarão passar pelo mesmo para que ele nos ouça? Temos um caso pronto para apresentar, e se ele não concordar, será tão responsável quanto qualquer outro.

- E se ele alegar que é um caso isolado, que não podemos limitar o número de animais aqui só por que um aluno foi afetado por um animal que quase não há aqui? Tirando Hagrid, que não entra na escola com seu cachorro, essa tal de Penélope que eu nunca vi e o outro cachorro, que fica escondido, Frudge dirá que é um caso isolado.

- Mas, madame Pomfrey - havia uma forte indignação no tom de voz de Rony, mas Pomfrey o interrompeu.

- Não estou contra vocês, sou a favor da idéia... mas convenhamos que Frudge não é ministro da magia por puro acaso do destino. Ele sofrerá muita pressão e, em matéria de argumentos, ele pode levar a melhor.

- Certo, então vamos dar um passo de cada vez. Primeiro fazemos o senso de animais, depois apresentamos a proposta ao Frudge, mas...

- Mas?

- Vamos analisar cada animal... verificar se eles tem alguma... doença, moléstia ou outra coisa. Alguma infeção, qualquer outra coisa, que possamos usar para colocar no relatório. O instituto Londrino de Medi-bruxaria tem uma ala inteira para tratamento de animais, se bem me lembro. Podemos enviar as amostras para eles e aguardar por exames completos, assim teremos certeza de como anda a saúde dessa bicharada toda.

- Ok, tomei nota. - Luna fechava o tópico do pergaminho - E agora, nos podemos fazer o...

- Calma, gente. - Pomfrey arregalava os olhos diante daquela energia extra que os quatro emanavam - Um passo de cada vez. Sei que estão animados, mas temos que dar um passo de cada vez. Amanhã conversarei com o professor Dumbledore a respeito do senso e, se estiverem dispostos, posso conseguir isso para até o final da semana.

- Seria até melhor se o fizermos no final de semana. - falava Chaz.

- Melhor que isso - Pansy completava - estipulamos um prazo para todos fazerem, assim ninguém tem a desculpa de que não teve tempo. Podemos destacar alguém para ficar aqui durante o dia nos intervalos das aulas, dai fazemos um rodízio a cada dia.

- Rodízio? - Florinda perguntava, curiosa com a palavra.

- É uma palavras que ouvi alguns trouxas dizerem uma vez.

- Boa idéia, Pansy - Rony se toca do que acabara de dizer, nunca imaginou que elogiaria uma Sonserina.

- Obrigada .

- Estão liberados, nossa reunião acabou. Qualquer eventual mudança , eu pedirei gentilmente para nossa colega Florinda ir avisa-los.

- Boa noite madame Pomfrey , boa noite Florinda. - os quatro se erguiam.

- Boa noite. - Disseram as duas.

Todos foram para suas casas, cada um fazendo seus planos, cuidando de sua parte. Se tudo desse certo, no dia seguinte o professor Dumbledore avisaria aos alunos sobre o senso na parte da manhã e depois poderiam colocar seus planos em prática.

Em seguida, a análise dos animais e seu estado de saúde.

E depois... FRUDGE!!!!!

***

- Silêncio ! - Pediu o diretor, concedendo em seguida a todos um sorriso bondoso. - O que tenho a dizer para vocês hoje é algo muito importante, algo ligado a saúde de cada um que está presente neste salão. Devem ter percebido que hoje não recebemos o correio-coruja, o que havia se tornado um costume. Madame Pomfrey, a senhora poderia se erguer e esclarecer a todos nós a situação?

- Senhores, como já deve ser de conhecimento de todos, os agentes estudantis de saúde retornaram e desde já temos tomado providências para zelar pela saúde de cada aluno. Como primeira providência, venho informar que desde hoje até o prazo máximo de dez dias todo aluno terá que registrar quaisquer tipo de animal que seja de sua propriedade. No intervalo das aulas será comunicado o local para isso, mas é obrigação de todo aluno fazer o cadastro. Cada animal que freqüentar a escola será devidamente cadastrado, como parte do planejamento inicial de controle das condições de saúde da escola. E gostaria de avisá-los de que qualquer animal encontrado pelos corredores de Hogwarts sem identificação será entregue aos cuidados do nosso caro zelador, o senhor Filth - ela apontava para ele, o qual estava na porta, com um sorriso de um lado ao outro do rosto - o qual sabe como tratar animais "sem dono".

Todos os alunos começaram a cochichar entre si , até que o salão é tomado por um total silêncio , e os professores se olham, não acreditando que aquela ali , parada na porta, era mesmo Sibila. Estranho, ultimamente ela estava saindo da torre com mais freqüência do que o usual.

- Teremos que fazer um senso? - Hermione olhava para Rony, quebrando o silêncio imposto por todos os presentes.

- Isso. Terá que levar bichano, e vamos aproveitar para dar uma olhada na saúde dele. Vamos fazer um rodízio para cadastrar todos e ...

- E devo lembra-los - Rony se cala, percebendo que Madame Pomfrey ainda não tinha se sentado, pelo contrário, continuava com seu jeito rígido de sempre - que passados os dez dias, quais quer animais encontrados nas dependências da escola sem identificação ou não catalogados serão imediatamente entregues aos cuidados do zelador Filth, o qual sabe como cuidar deles. Pelos próximos cinco dias não receberemos corujas de fora da escola, pois estão sendo feitos preparativos para cuidar delas. Obrigado pela atenção, senhoras e senhores.

Aquilo era novidade. Cinco dias sem receberem corujas? E quanto aos assinantes do profeta diário? Ou os que aguardavam alguma correspondência importante? Ou até os que se acostumaram a receberem quitutes de casa?

Realmente aquilo já estava começando a se tornar bastante incomodo, de modo que vez ou outra os quatro agentes percebem olhares fuzilando-os pelas costas.

- Yoh, e o Karasu? - Padma conversava com ele, o qual estava sentado do seu lado.

- Vou registrá-lo, não tem problema, mas eu duvido que ele tenha alguma doença. Eu o levei ao veterinário nas férias e o mesmo não diagnosticou nada de ruim.

- Mesmo? - ela dava um sorriso - que bom, espero que ele fique bem. Acho que assim resolvem o seu problema, não é?

- Aham - ele respondia casualmente - obrigado por perguntar.

- De nada - e respondia com outro sorriso, fato que não passou despercebido por Miranda.

- Hmmm.... sei não...

- O que foi? - Carlos ouve o murmúrio da namorada e fica curioso.

- Anda tão "amiga" ultimamente, tão preocupada com "os outros"...

- Quem?

- Ninguém, amorzinho - e dava um tapinha em seu ombro, mandando um olhar furtivo para Ariel, a qual dá de ombros.

****

- Oi, é daqui que estão registrando os animais? - Neville apareceu na enfermaria, encontrando apenas madame Pomfrey.

- É a terceira sala no fim do corredor, querido.

- Obrigado - ele vai caminhando - olá, é aqui que... oi, Luna.

- Oi, Neville. Veio cadastrar seu animal?

- Sim, é o meu sapo.

- Bem, então vai me dizendo as características dele , e eu vou anotando. - Neville se sentou em frente a amiga e começou a dizer as características do sapo, Luna quase se partiu por dentro ao saber que Neville tinha o sapo desde que o bichinho era um girino.

- Obrigado, Luna.

- De nada, daqui alguns dias vamos fechar o registro dele em uma coleira, mas eu não sei como vamos fazer para colocar, mais para tudo tem um jeito. Me dá ele aqui, por favor - ela pega o sapo e o leva para dentro, aonde Neville a vê fazendo alguns testes junto com Florinda. Quando Neville vê elas com uma seringa, entra me pânico.

- O que vão fazer?

- Só tirar uma pequena amostra de sangue dele, não se preocupe - dizia Florinda - temos que fazer alguns testes para ver a saúde do seu sapo.

- Mas ele é saudável!

- Eu sei, Neville - dizia Luna - mas ele pode ser hospedeiro de uma doença - ela terminava de tirar o sangue - viu só? Foi rápido! Bem, já temos o seu cadastro. Em algum tempo vamos colocar uma coleira especial nele para você não o ficar perdendo, depois entramos em contato, ok? - ela dava uma piscadela para ele, o qual fica levemente corado.

Até sentiu vontade de conversar mais, de repetir para ela o quanto gostou de sua companhia no baile, de dizer mais uma vez que sentiu saudades dela durante as duas semanas nas quais esteve fora, mas ela de maneira sutil já tinha lhe dado um fora "amigável" na tentativa anterior, em que durante uma conversa, ela lhe conversou que não estava interessada em garotos no momento, que não queria tentar nada com ninguém mais sério do que uma amizade.

Talvez se ela tivesse jogado o Expresso de Hogwarts encima dele teria doído menos.

Provavelmente sim.

Draco apareceu na porta e, em seu ombro, estava Gwenhwyfar. Luna sorriu por dentro, ele e Yoh passaram por maus bocados quando a professora Jane arrastou eles pela orelha para outra sala.

- Vim...registrar minha coruja ...

- Claro... qual é o nome dela?

- Gwenhwyfar.

- Que nome, heim! Estava de mal humor quando deu esse nome para ela? - E não apenas ela, como também Neville e Florinda riam descontroladamente de sua observação.

***

- Olá, eu gostaria de registrar minha Edwiges e... - ele fecha o cenho.

Pansy

Não lhe agradava ter que ficar ali com aquela subalterna do Malfoy. Nem um pouco.

- Claro. Sente-se, por favor. Acabaram-se os papeis das fichas, vou buscar mai , é só um instante.

- Eu espero...

- Aqui. Bem , farei as perguntas e você irá me responder.

********

- Eu trouxe o Pitichitinho. - Diz Gina segurando a coruja nas mãos , Chaz olha para a bola de penas que se remexia e piava sem parar.

- Tem certeza de que isso é uma coruja?

- Pelo menos é o que parece ser...

- Sabe qual é a espécie?

- Boa pergunta. Mmeu irmão deve saber, acho... ouvi dizer que estão tirando sangue dos bichos...

- Desde o primeiro dia, se bem que eu me pergunto se isso seria seguro no seu caso, já que uma única gota deve fazer falta para esse bicho ai... onde o conseguiu?

- Meu irmão ganhou de um amigo, pelo que me lembro.

- Já ouvi essa história antes... o corvo do Yoh não implica com ele, não?

- Como assim?

- Ah, bem, de querer ser o único intermedário entre as cartas que vocês trocam?

- Sabe que eu nunca pensei nisso antes? Se bem que o Karasu cuida muito bem das cartas, quase arrancou os dedos dos meus irmãos uma vez por que eles queriam ler uma carta minha.

- O Yoh deve ter ensinado isso para ele.

- É? Dá pra ensinar truques assim para uma ave?

- Você não imagina o quanto...

***

- Olá, Pansy .

- Oi, Kneen. Trouxe seu corvo?

- Sim. Está com um belo sorriso, sabia?

- Mesmo ?

- Aham. Vejo que te fez bem esse curso. Você parece , sei lá, mais jovial, mais a vontade...

- Puxa, se o Draco me tratasse assim...

- Como disse?

- Nada, não...

****

- Olá Rony, vim trazer o Canino.

- Sente-se, Hagrid. Vamos fazer a ficha do canino, mais tarde iremos lá, para ver os unicórnios.

- Mas eles não ficam comigo, só vem de vez em quando para me fazer companhia, assim como um monte de animais da floresta proibida.

- Quantos você costuma trazer na escola vez ou outra?

- Só o canino...

- Então, vamos registrar apenas ele. E vou pedir para você ficar de olhos para continuar evitando qualquer animal da floresta proibida de se mover pelos arredores da escola, certo?

- Sem problema.

***

- Oi, Pansy!

- Rika! Você tem um animal?

- Sim, o Spyker - um gato negro caminhava ao lado dela - ainda dá tempo?

- Claro que dá! E obrigado por escreverem!

- Não foi nada.

- Vou fazer umas perguntinhas para por na ficha do Spyker, ok?

- Certo. - Rika pegou o gato no colo , e foi respondendo as perguntas de Pansy.

Quando se deram conta, eles haviam registrados vários animais, muitos mesmo, em dez dias, todos os animais de alunos estavam registrados e os animais dos professores também, as corujas da escola , todas ganharam identificações, assim como as corujas dos alunos.

E o numero de espécies na escola era enorme, de gatos a cobras, de sapos a águias. Alguns bastante nocivos, por sinal.

- Bem - Rony se sentava à mesma, encarando os outros cinco presentes - temos o relatório final dos animais presentes na escola . Luna, por favor.

- Aham. Segundo nossas anotações, o número total de animais na escola é de 3.200 animais que temos na escola, todos devidamente registrados, mas tem alunos que tem até 3 animais, eu achei isso o cumulo...

- Mas está escrito que apenas deve ser 1 animal por aluno. - Diz Pansy incrédula.

- Contamos também com os que pertencem a escola. 500 corujas, na verdade. Lembrem-se da lista de material escolar que recebemos e outras coisas? São muitos alunos para receber e muitas viagens, o número de corujas é enorme.

- E... - Florinda dava um tapa na testa, como se tivesse descoberto uma falha naquele relatório - como assim, 3.200? Cada aluno só pode ter um animal, sempre foi assim.

- Eu andei pesquisando e descobri uma brecha nessa lei. - Todos olham para Chaz, surpresos com seu comentário. Brecha? - Cada aluno na verdade pode ter um animal, ENTRAR na escola com um, mas nada é dito sobre, bem, como eu posso dizer, "reproduções". Eu e Luna encontramos alguns ovos no corujal. Se foram as corujas ou os donos, eu não sei, mas não há nada na lei dizendo que você pode ter filhotes ... mas também não há nada contra , então não é proibido. E como geralmente vale a lei do "se não há nada contra isso, então é permitido"...

- Outra razão para o controle. - Rony se sentava próximo de Luna, rabiscando algumas palavras no pergaminho dela - Os animais podem se multiplicar desenfreadamente, e não temos como evitar isso. E levando-se em conta que as corujas perambulam para fora dos dominios de Hogwarts, imagine o que podem fazer em épocas de reprodução.

- Já estão fazendo isso. E alguns animais, como os ratos, podem causar uma verdadeira infestação. Temos um total de 20 ratos, eles podem entrar em assoalhos, salas abandonadas e iniciarem uma verdadeira colônia por aqui! - falava Pansy, visivelmente preocupada - obviamente, me refiro aos ratos que foram registrados. Não acho que algum dono de uma rato fêmea queira correr o risco de perder os filhotes dela, sabe.

- Vamos por parte. Chaz, fez os desenhos? - perguntava Pomfrey.

- Aqui estão - ele entrega um prancheta com algumas folhas, as quais passam de mão em mão - fiz desenhos das coleiras de acordo com a anatomia dos animais. Nos casos de répteis, não é muito difícil.

- E a coleira não sai?

- Não.

- Mesmo se fizerem isso de propósito? - Florinda olhava curiosa os desenhos.

- A não ser que seja um aluno muito habilidoso com más intenções, o que eu divido muito, não. - Luna tinha um sorriso maroto nos lábios - Eu coloquei uma em Penélope, e o professor Lupin teve que levá-la a outro local para retirar aquilo.

- Quanto isso vai custar? - a enfermeira-Chefe chega a um ponto principal da conversa.

- Ainda estamos analisando, mas é barato, a não ser que considere o número de alunos. O valor será repassado para eles, logicamente. - Rony continuava fazendo alguns rabiscos no pergaminho de Luna, a qual apontava para uma parte que aparentemente ele não havia visto antes, o que o faz fechar o cenho.

- Significa que a escola terá que comprá-las. Não sei se temos verba para isso.

- Eu posso comprá-las. - Pansy recebia toda a atenção da sala - Depois os alunos me reembolsam. Falando nisso, já enviamos as amostras de sangue, pelugem e penugem para o instituto Medi-bruxo de veterinária. Em alguns dias eles nos enviarão os resultados, com o estado de saúde de todos os animais.

- Acreditamos que alguns, apesar de não aparentarem estar doentes, possam ser hospedeiros de doenças. - falava Rony - a principio nenhuma doença grave, mas no caso dos gatos, eu espero sintomas de Raiva. Estamos um pouco preocupados com os ratos mas, uma vez que até agora não tivemos nenhum caso de Peste Bubônica, acredito que os resultados serão razoáveis.

- Agora estão liberados, vocês tem direito a uma tarde de folga depois de todo esse trabalho. Vão se distrair e ver se acham ninhos de ratos por ai. - Luna e Pansy se olharam e fizeram careta. - Vão logo antes que eu mude de idéia.

Os quatro saíram, enquanto Madame Pomfrey observava pela janela.

Aparentemente, o resultado sai aquém do esperado. Esperava apoio, não novas idéias. E que idéias eles tinham! Na verdade, as observações acerca da reprodução e das doenças a deixou impressioda.

Muito.

***

Dez minutos depois os quatro já haviam se dispersado pelos corredores. Pansy andava calmamente, até que passa por Draco.

- Oi, Draquinho!

- Oi, Parkinson - e continuava sua caminhada.

- Que canalha! - Rika parava ao lado dela - Escuta, eu já te disse que esse cara não vale o trabalho?

- Já, mas...

- AI, Pansy... você não toma jeito mesmo, heim!

- O que eu posso fazer? Mas ele não dá a mínima pra mim!

- A culpa é sua.

- Não era pra você dizer que ele não me notava?

- Vem comigo - ela puxa a garota para o banheiro feminino, noo qual ninguém entrava.

- Escuta... aqui não é onde tem aquela fantasma chata?

- Ah, não liga pra ela! - Murta apareceu do nada, parando em frente as duas meninas.

- Ninguém liga para mim, maltratem a Murta... Buaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaá. - E passou direto por ambas e saiu do banheiro.

- Bem, como eu ia dizendo, você tem que parar de chamar ele de Draquinho.

- Mais...

- Deixa eu falar?!?!?

- Claro...

- Esqueça essa história de Draquinho, ouviu bem? Por aqui as pessoas só chamam ele de Malfoy, e alguns poucos, de Draco. Pra falar a verdade, posso contar nos dedos o número de pessoas que não o chamam pelo sobrenome, e olha que os professores só o chamam pelo sobrenome!

- Mas eu gosto de chamá-lo de Draquinho...

- Mas você acha que ele gosta?

- Bem... ele nunca disse que não gostava.

- Vou mudar a pergunta: você acha que ele gosta de ouvir VOCÊ chamá-lo de Draquinho?

- Eu... eu... eu - os olhos dela se encheram rapidamente de lágrimas, mas ela reprimiu - eu...

- Como imaginei. Pare de chamá-lo de Draquinho, a não ser que tenha um bom motivo, ok?

- E qual seria esse bom motivo?

- Você saberá na hora certa.

- Tudo bem. É só isso?

- Não. Pare de ser oferecida.

- EU NÃO SOU OFERECIDA!

- É, sim.

- NÃO SOU!

- É, sim.

- NÃO SOU, NÃO!

- É OFERECIDA, SIM! - Rika, que era mais alta que Pansy, a olhou com aquele olhar ameaçador de cima para baixo. Naquele instante, Pansy se lembrou do momento em que Draco mandou uma indireta para Thor, o novo apanhador da Sonserina, sobre ele namorar uma trouxa, e ao contrário dos demais alunos, ele não se intimidou, pelo contrário, com apenas um braço, ergueu seu draqui... digo, Draco pelo pescoço e o prensou contra a parede.

- Tá, eu sou - e dizia em um tom de voz quase que inexistente.

- Ótimo. Aceite isso e seja feliz.

- Mas... quer dizer... você acha mesmo que eu sou uma oferecida?

- Todo mundo te acha uma oferecida, Pansy.

- Como é? Todo mundo quem? Eu quero saber!

- Todo mundo que já te viu ser esculachada pelo Malfoy e ainda assim você continuar na cola dele - ela viu a garota mudar de surpresa para profunda tristeza em sua face - desculpe, mas é a mais pura verdade. Você descaradamente assume que ama o Malfoy, mesmo que não diga com palavras, mas todo mundo sabe disso. Igualzinha a uma conhecida minha. Claro, ele é um grosso que não sabe tratar uma mulher.

- Ele não é grosso!

- Não? Quantas palavras gentis ele já te disse?

- Mas... ele não é meu namorado e....

- Precisa ser seu namorado para ter um pouco de educação com alguém da sua casa? Thor era um bruto, mas ele mudou. Não muito, mas mudou.

- Você já o conhecia?

- Ele teve alguns problemas com o pessoal lá da Corvinal anos atrás, mas isso não vem ao caso. A questão é que você é oferecida, sim. Se entrega por completo ao Draco, mesmo sabendo que ele não liga para você.

- Mas não é o que chamam de amor?

- Eu chamo isso de falta de amor próprio. Você é uma moça, Pansy. Tem 16 anos. Se o Malfoy não te dá o respeito que você merece, procure outro.

- Ah, eu sei como é isso, as pessoas não me respeitavam, não gostavam de mim - Murta entrava pela janela - e no fim eu acabei assim e...

- Não ligue pra ela, Pansy. É só uma alma recalcada.

- Recalcada? Buááá!!!!

- Não foi muita crueldade da sua parte?

- Não, foi ela quem resolveu passar a "vida" em um banheiro. Se eu ficasse magoada assim toda vez que discutia com um garoto, estaria cheia de rugas. Como eu dizia, você tem a opção de procurar outra pessoa. Duvido que ninguém tenha te dado bola até então.

- Eu... eu nunca percebi... mas eu gosto tanto dele e...eu não sei, eu...

- Tem que ter um pouco mais de amor próprio, Pansy. Vai ver é por isso mesmo que ele não te respeita, deve achar você... bem...

- O que?

- Fácil demais. Imagino que ele deva gostar de mulheres difíceis, com charme, com personalidade.

- E eu não tenho isso?

- Se decidir que sua vida será baseada somente na dele, não.

***

- Você sabia que a cada dia fica mais bela?

- É impressão sua. - Ela corou.

- Fica mais bela. - Ele a puxou pela cintura a trazendo para mais perto. - Te amo.

- Eu te amo muito. - Sussurrou ela , os dois se beijaram. - Rony...

- Sim?

- Sabe, estava pensando, a vida da voltas ... Nunca imaginei que namoraria você.

- Eu sonhei com isso. - Os dois sorriram.

- Você está diferente...

- Como?

- Está diferente, não sei o que, mas tem algo de diferente em você.

- Impressão sua.

- Não, não é, não. Algo ... algo mudou em você, depois dessas duas semanas.

- Talvez seja porque eu deixei os livros de Hogwarts e sai em um lindo passeio.

- Rony Weasley, estou falando sério.

- Talvez seja porque eu sai, conheci gente nova, fiz amizades novas.

- Está mais maduro .

- Você acha ?

- Tenho certeza . Até sua feição mudou. Não está mais com rosto de garoto.

- É? Então acho que vou passar mais algumas semanas fora para ficar mais robusto!

- É sério! - ela dava um tapinha no ombro dele - seus olhos estão diferentes.

***

- THOR !!!!!!!!

- CHAZ !!!!!!!!!!!!!! - As duas se olharam e gritaram ao mesmo tempo. - PAREM !!!!!!!!!!!!!!!

Mesmo assim , eles pareciam não escutar , e lá estava os dois se atracando no chão, por apenas duas palavras mal colocadas no vocabulário do moreno de bandana vermelha. Ou seja, Chaz provocou o a fúria do Sonserino, Thor.

Thor apenas se ergueu e, virando Chaz, o imobilizou completamente contra a parede.

- Fica calmo, esquentadinho.

- Ora...

- Eu tenho paciência.

Cinco minutos depois, Thor ainda segurava Chaz contra a parede.

- Está mais calmo agora?

- Sim, dá pra me soltar? - ele larga Chaz - Obrigado . Você é um bruto, sabia?

- E você é muito esquentadinho. Qualquer dia desses vai arrumar confusão das brabas por causa do seu gênio.

- Sei, como aquela que você arrumou com a Cho, não é?

- Não diga isso. Foi há anos atrás, não pode ficar me culpando pelo resto da vida só por causa de um desentendimento que eu tive com sua amiga. Na verdade, é imaturidade sua dizer tal coisa.

Chaz ficou calado. Sabia que estava sem argumentos, não tinha como dizer mais nada.

- Certo... desculpe.

- Me desculpe por ter te imobilizado... mas você precisava se esfriar.

- Certo - ele se despedia, e junto com Amanda saia dali.

- Você está bem, Chaz?

- Estou sim...desculpa ... mas as vezes o Thor me enche tanto...

- Sabia que você fica lindo brigando , mesmo que brigar seja algo não muito agradável?

- Não gosto muito disso, mas ele as vezes sabe ser irritante com aquela pose de Superman.

- Quem?

- Deixa pra lá.

- Qual o seu problema com ele?

- Ele andou aprontando com o pessoal lá há uns anos atrás, mas agora já está bem melhor. Digamos que, bem, ele é o motivo de Julieta ter ficado durante algum tempo se menosprezando.

- Mais o que ele fez para a Ju?

- Não vamos sobre isso, que tal se...

- Vai, me conta! O que ele fez para a Julieta?

- Bom... tipo assim ... as pessoas se enganam se acham que era só o Malfoy que ficava menosprezando os trouxas... sempre tinha um ou outro. O Thor era um pouco mais arrogante antes, mas depois do confronto que teve com a Cho, ele mudou um pouco.

- Confronto?

- Bem, você sabe, viu a chave de braço que ele me deu agora há pouco? Bem ... ele jogava antigamente no time de Quadribol da Sonserina, mas foi afastado por ser muito violento. A própria juíza disse isso.

- Mais violento que os outros sonserinos?

- Sim. Mas a questão não é essa. No jogo de estréia da Julieta, ela teve o azar de encontrar com o Thor. Ele massacrou ela. Thor Gama Maxwell, a "bomba" Sonserina.

- Como assim?

- Ele é batedor, sabe . Ele tem uma técnica incrível : quando ele rebate um balaço na direção de alguém, ele não erra o alvo. A não ser que um outro batedor intercepte, adeus alvo. Ele ficou o jogo todo jogando poses de invencível, minando a moral do nosso time, até que ele mandou um tremendo de um balaço na Julieta. Ela estava em duvida sobre deter a goles ou se desviar do balaço, e se deu mal na sua escolha. Se hoje ela tem uma agilidade incrível, é por que ficou traumatizada de ser atingida. Depois do jogo teve uma discussão entre os times, mas não adiantou de nada. A Cho ficou muito irada e foi tirar satisfações com o Thor, ainda mais por que o time da Sonserina em massa ficou dizendo que era isso que dava colocarem sangue-ruim no time, daí você sabe, a Ju ficou com muito medo depois disso. Bem, a Cho foi tomar satisfações com ele, se me lembro bem. Eles brigaram. Foi uma luta violenta, sabe. Quer dizer, a Cho... bom, eu pensei que só iria ver aquelas coisas nos filmes, mas nunca imaginei que veria pessoalmente uma praticante de Wu Shu.

- Wu Shu?

- Kung fu Acrobático. Uma espécie de luta de trouxas. Os aurores não tem técnicas de combate? É algo parecido. Mas o Thor era, ou melhor, é versado em combate armado e desarmado. Ele está na Inglaterra fazendo intercâmbio, mas seus pais são Nórdicos. Lembra das histórias dos bárbaros sanguinários do passado? Thor descende deles e ... bem, a luta nunca terminou, por que os professores separaram os dois. Quase foram expulsos.

- E agora ele namora a Cassie, que é trouxa?

- Para você ver como o mundo é grande e dá voltas.- Chaz sorriu e se encostou na parede, segurando Amanda pela cintura. - O que você fez hoje , minha fada?

- Nada de muito útil... tinha que falar com a Gina mais ela evaporou. Aliás, nos últimos dias ela tem evaporado, se bem que uma vez eu a vi na sala da professora Kneen estudando. .Sabe. - Amanda ajeitou a bandana dele.- Você fica um gatinho com essa bandana vermelha!

- Ah, é ? - Chaz a beijou, os dois estavam se beijando quando escutaram passos no corredor.

Luna vinha correndo, mais diminuiu a velocidade bem encima do casal , o inevitável aconteceu e o estrondo foi inigualável.

- VOCÊ ESTÁ DOIDA, LUNA?!?!?!?

- Bem.... é que eu estava distraída... e acabei não vendo vocês!

- Luna, da para sentar no chão e não na minha perna?

- Claro Amanda, desculpa.

***

- E Então, o que mais eu tenho que fazer?

- Ignore-o.

- Não vou conseguir!

- Finja que não está dando bola para ele. Ele te menospreza por que você se entrega facilmente. Deixa ele perceber que você não tá dando mais bola pra ele, que ele vai ficar ciumento.

- E isso funciona, é?

- Claro que funciona! Bom, agora eu vou sair deste banheiro e você trata achar um menino para conversar, menos o Draco.

********

Chaz e Amanda saíram daquele corredor , e Luna vez ou outra olhava para trás, estava aliviada. Mas, fazer o que, gostava de provocar a "Penélope". Mas uma mão no seu ombro fez ela congelar, a mesma virou lentamente para trás esperando pelo pior, mas abriu um sorriso.

- PAI !!!!!!!!!

- Oi, filha.

- Senhor Fletcher? - Chaz o encarava. Tinha visto a foto dele, fora o Auror que capturou um dos comensais do Lord das Trevas.

- Sim. Bem crianças, eu preciso falar com Dumbledore, vocês me levariam até a sala dele?

- Claro, pai! Nós levamos o senhor! - Amanda e Chaz se olharam e acompanharam a amiga e o pai dela até a sala do diretor.

- É aqui - eles pararam na escada.

- Ótimo, se me dão licença...

- Pai... eu queria tanto ficar com o senhor...

- Eu sei, filha, mas... é que eu tenho que tratar de assuntos com ele e... ah, tudo bem, vem comigo - ele pega a menina no colo, a passagem se abre e ambos sobem, deixando o casal para trás .

***

- O que foi dessa vez ?

- Tudo, Sirius. Tudo. - Harry encarou o homem a sua frente. - Me diz, o que eu tenho de errado?

- Sua vontade de ser o primeiro, mesmo que você nunca o perceba, acaba acontecendo.

- Definitivamente não da para conversar com você.

- Não seja mal educado, Harry. Só estou querendo te ajudar.

- Desculpe, não queria ser rude com você. Mas tudo dá errado! E pra piorar, o demente do Kneen conseguiu me esculachar pior do que o Malfoy. Ficou falando umas besteiras depois de dar o braço e tudo mais pela Gina.

- Ele disse isso?

- Sim, quando o Draco fez um lance muito alto, ele disse que dava o braço.

- Bem... temos que admitir que ele sabe jogar alto... e blefar, também.

- Blefar?

- Claro. O que pensou?

- Ele ficou disputando comigo, sempre dobrando minha aposta e... blefe?

- Quanto o Draco apostou?

- Eu não sei, sai do salão antes do final, mas algo na casa dos bilhões...

- E você acha que ele tinha tudo isso?

- Bem, ele é rico, não é?

- Sim, mas não é como se ele andasse com tanto dinheiro no bolso assim.

- Mas ele pode pedir um empréstimo para o pai, digo, pode mandar buscar em seu cofre, não pode?

- Ele é menor de idade, assim como você. A fortuna de Draco está sob a responsabilidade de seus pais. Seja lá quanto ele tenha, não pode tirar um tostão até que atinja a maior idade.

- Quer dizer que isso vale para a fortuna do Kneen também? Mesmo que ele oferecesse um trilhão, não poderia pagar?

- "Se" ele tivesse tal quantia, obviamente.

- Eu não acredito que fui enganado!

- Pois é, mas poderia ser pior, vai que você faz um lance grande demais e ele resolve desistir? Ao menos bocê soube quando parar.

Remo entrou na sala e nem reparou nos dois, foi logo se jogando na cadeira. Harry e Sirius apenas se olharam, tinha algo de estranho com o Aluado.

- Harry, saia. Preciso conversar com o Remo. - O menino saiu da sala , e Sirius se sentou na frente do amigo. - O que houve?

- Mudungus está aqui.

- Mas isso é ótimo! Ele veio trazer minha anistia, certo? Não vou mais precisar me esconder na forma de cachorro, e aquela professora maluca não vai mais querer me castrar!

- Ele veio sim trazer sua anistia ... a Luna ficou tão feliz quando viu ele...

- E por que não ficaria? Afinal, ELE é o PAI dela. - Remo olhou torto para Sirius. - Calma lá, irmão! Pai é quem cria, pois fazer é fácil...

- Você tem razão. Você, a Arabella... enfim todos tem razão.

- E ai, vamos fazer o que para comemorar minha liberdade? Tira isso da cabeça, anda! Ficar se remoendo por isso não vai dar em nada. Olha só como ela está bem, alegre, bagunceira, cheia de vida... igualzinha a mãe! Vamos, não é hora para ficar se remoendo pelo passado, você tomou a decisão que considerou como sendo a melhor, não tem culpa. E se me lembro bem, você nem mesmo sabia da existência dela há até pouco tempo atrás.

***

Rony estava no salão enquanto Hermione dava comida em sua boca. O mesmo estava um pouco corado, e ficava ainda mais quando encarava Hermione. Na verdade, conforme alguns de seus amigos prestaram atenção, Rony tentava ao máximo não encarar Hermione e, quando o fazia, ficava cada vez mais rubro. Ela, por sua vez, estava com um sorriso invejável, uma expressão de "A vida é boa, a vida é bela, viva Woodstock". Vez ou outra uma das garotas da Grifinória olhavam para Rony e davam um risinho bem baixo, deixando-o ainda mais nervoso.

Mas que diabos, será que elas sabiam o que ele ... não, melhor nem pensar nisso. Ainda estava com um pesar e um receio enorme na mente, melhor não pensar no que ele e Hermione acabaram de fazer. Tinha que procurar algo para prestar mais atenção, o que realmente ocorre quando ele ergue uma de suas sobrancelhas.

E Neville. E Simas.

E James, também.

E Michael.

Hermione torceu o pescoço. Só tiveram tal reação quando a professora Jane entrava na sala, já que os meninos viviam babando por ela. Hormônios, ela se lembrava. Tinha que admitir, a professora Kneen era uma mulher muito bonita e tinha um corpo mais, aham, "turbinado" do que o de qualquer um delas, na verdade, servia para espantar a idéia de que todas as bruxas eram velhas e ruguentas. Ainda bem! Não iria gostar de ficar baixinha e vesga quando fosse mais velha. Será que conseguiria ser tão esbelta quanto a professora Kneen?

TOMARA QUE SIM!!!

Mas ela não estava ali. Era sábado, ela fora para casa, só haviam alunos e...

Ela olha. Havia uma garota entrando no salão. A roupa era uma roupa comum, com a manga do ombro um pouco caída, e o casaco amarrado na cintura. Tinha que admitir que era uma garota bem apessoada e que sabia improvisar um bom visual com roupas comuns, mas não a reconhecia.

Nem mesmo quando ela se sentou na mesa da Corvinal, ao lado da artilheira Miranda. Quem seria? Não se lembrava de ter visto aquela garota antes - o que a faz dar um beliscão em Rony, o qual estava olhando demais para ela. O mesmo vira o rosto envergonhado, encarando a expressão séria de Hermione. Não era algo tão escancarado assim, mas podia jurar que aquilo fora um principio de ciúmes e, considerando o "salto" que o relacionamento de ambos acabara de dar, era melhor ele tomar mais cuidado com suas ações.

Muito cuidado.

- E ... - Carlos olhava de lado - quem é sua amiga, Miranda? - ele apontava para a garota - eu a conheço?

- Pansy Parkinson, da Sonserina. - Miranda sorriu. - Oi Pansy , tudo bem?

- Tudo bem, e com você, Miranda?

- Está tudo ótimo! Como foi o curso, já que mal tivemos temo de conversar?

- Foi ótimo, vou contar tudo nos mínimos detalhes. - ele começava a conversar animadamente com Miranda, Ariel e Julieta. Pouco depois Rika aparecia no corredor e se sentava ao lado dela, com um sorriso vitorioso no rosto. Conseguiu tirar aquele visual horrivel que Pansy tinha, dando-lhe um ar mais jovial e "teen", e só precisou de um pouco de maquiagem para retirar os efeitos do dia-a-dia e algumas roupas novas. Incrível o que um pouco de toque feminino é capaz de fazer, não?

***

- O que aquela estúpida esta fazendo na mesa da Corvinal?

- Eu que vou saber Draco. - Diz Goyle comendo. - Puxa, eu nem a reconheci!

- Você deveria deixar de ser idiota, Malfoy. A Pansy está bem grandinha para escolher com quem conversar.

- Cale a boca, Maxwell ... - Thor, o qual estava do outro lado da mesa, fitou os olhos do loiro. - Que foi?

- Diga a verdade, você está se remoendo de raiva por causa da Weasley e do Kneen terem saido juntos no baile ...e mais agora com a Pansy, que pelo visto está abrindo suas asinhas...

- Não diga bobagens, Maxwell. E cadê sua namoradinha sangue-ruim? Não prefere se sentar com ela?

- Não fale muito, Malfoy ... eu posso perder o controle fazer você "baixar" na ala hospitalar.

- Acha que eu tenho medo de você?

- Acha que eu tenho medo do seu pai? - Thor sorria - enquanto seus antepassados brincavam de construir castelos, os meus invadiam e tomavam posse dos reinos do norte, Malfoy. Não me confunda - ele colocava a mão sobre o ombro de Draco, o mesmo com uma gota de suor na testa. De todos, Thor era um dos que não se deixava intimidar facilmente.

- Ora... mas ela deveria estar aqui, e não lá!

- É? E... por que? Não me parece que você ligue para ela. Na verdade, Draco ... você liga para alguém além do seu próprio umbigo?

- Consigo ver sim , muito bem.... - e olhava para uma outra pessoa em especial no salão - bem melhor do que você imagina...

***

- Nossa ! É você mesma, Pansy? - Ariel ajeitava um pouco a gola dela - Que mudança!

- É... nada que eu não possa fazer - Rika tinha um ar de vitória no rosto.

Ela nem vira o rosto, apenas olha de rabo de olho para a mesa da Sonserina, aonde percebe claramente que Draco volta e meia a olhava e resmungava.

E Não é que deu certo? Mas será que ele estava resmungando por ciúmes ou por ela estar ali? Da últimas vez que um sonserino se meteu com um corvinal, deu no que deu. Hmmm, como estaria o Crabbe? Tinha que se lembrar de escrever para ele qualquer hora.

Ela olhava Yoh, um pouco longe dela, mas na mesma mesa, e em seguida, para a Weasley, na mesa da Grifinória.

Eram mesmo verdadeiros os boatos? Não fazia sentido... mas fazia se o que Rika disse era verdade E não era ela a garota que amava descaradamente o Potter?

Seria mesmo verdade que, quando ela passou a ignorá-lo, o Potter se interessou nela?

Se fosse assim... seria possível que seu Draquinho a olhasse com interesse?

***

- Gina , não vai lá falar com o Yoh? - Perguntou Amanda.

- Você não vai lá falar com o Chaz? - Disse Gina sem expressões.

- Amiga , o que você tem? Preocupada com o jogo contra a Sonserina amanhã?

- Um pouco, mas... sei lá, ultimamente tem baixado um clima ruim por aqui. Tenho um mal pressentimento.

- Sem disposição para o jogo?

- Não, totalmente pronta... e você, nervosa? Amanhã é seu primeiro jogo. Aliás, da Mione, do Rony, do Neville, da Anne como artilheira... nervosa?

- Mais ou menos. Sempre joguei com o meu irmão e alguns amigos dele, e eles jogavam bem pesado, mas - ela aproxima a face ainda mais de Gina, diminuindo sua voz - eu não sei, sabe. Quer dizer, todo mundo está treinando, se esforçando... mas eu não tenho lá muita confiança no Harry como capitão do time, sabe.

- Ele é o mais experiente de todos, Amanda. É a escolha mais natural, oras.

- Não sei, não.

- Um jogo é um jogo, Amanda Wood. Deixe suas desavenças pessoas para outro momento e...

- Não é isso, eu... é a posição que ele ocupa, a de apanhador. Todas as posições apresentam seu grau de dificuldade, ainda mais se você ainda por cima tiver que coordenar uma equipe, mas sendo ele justamente o apanhador... Olívio sempre dizia que o apanhador é o pior jogador para ser capitão, e só agora eu estou começando a entender.

- Tudo vai dar certo, mas eu ainda não entendi qual é a sua preocupação.

- Estou preocupada com o fato de que provavelmente perderemos o capitão durante o jogo. Ele terá que estar concentrado no pomo, não em nós.

***

- Bem, se me dá licença ... até mais, Pansy - Yoh se ergue da mesa, saindo do salão principal e, no caminho, dando um tapinha nas costas de Chaz, de modo que o mesmo ser ergue e vai junto dele.

- Que foi? - ele perguntava enquanto caminhavam pelos corredores .

- Não quer falar com a Amanda?

- Quero, mas acho que ela não está se sentindo bem hoje e...

- Amanhã eles jogam contra a Sonserina.

- Ela deve estar super concentrada, então.

- Também, mas o motivo é outro. Se elas se sentassem conosco, iriam dizer que nós atrapalhamos o raciocínio delas.

- Que absurdo!

- Eu sei, tive o mesmo problema no ano passado, mas deixa pra lá. Como vocês dois tem ido?

- Relativamente bem.

- Relativamente? Não está certo disso?

- Eu estou, mas ela...

- Acha que ela não te ama?

- Não, disso eu tenho certeza, sei que a Amanda não me ama. Não tenho ilusões quanto a isso. Ela gosta de mim e está começando a confiar em mim, é diferente de realmente amar.

- Isso te chateia?

- Nem um pouco. Não se nasce o amor de uma hora pra outra, você sabe que não. Ela ... ela ainda tem uma ferida no coração por causa do antigo namorado, sabe.

- Crabbe.

- Ele mesmo.

- Irritado com ele?

- Como posso odiar alguém que nem conheço? Ele foi ele, eu sou eu. Se ele a magoou... isso é problema dele, é ele quem tem que dar satisfações a ela. Quanto a mim, eu só posso ajudá-la a superar isso, me dedicar por completo. Ela gosta de mim, tem um carinho , afeto e confiança enorme, gosta da minha companhia, e eu gosto dela... mas ainda falta algo para isso virar amor.

- Também passei por isso. A Gina era gamada no Potter. Eu achava ela uma gracinha, e então ...

- Você resolveu investir, pra ver no que dava.

- Bom... funcionou, não foi?

- Se me lembro bem, duas semanas antes quando as aulas começaram você já andava de olho nela. Por que não começou antes?

- Sabe que eu não sei? Acho que foi por causa do teste. Não sei por que, mas depois daquilo, me senti bem mais confiante, cheio de mim... quase fui expulso pelo Snape, entende. Depois daquilo, era como se nada mais fosse impossível, então eu olhei para trás, me fiz de desentendido com o Carlos e perguntei se aquela era a caçula Weasley. Linda como sempre.

- Dai você se levantou, com a cara e a coragem, e foi puxar um papo. Dai se conheceram, ficaram amigos, você a levou para passear, incluiu ela em seu grupo de amigos e tudo mais...

- Você entendeu.

- Sabe, Yoh, o Potter...

- Eu não sou cego, Chaz.

- Não queria se rude, desculpe.

- Também não queria ser grosseiro. Mas eu não sou cego nem surdo. Sei muito bem que o Potter anda de olho na Gina. Sei também que o Draco tem uma queda por ela.

- Mesmo?

- Sim, só que o problema do Draco é mais uma atração, pelo que eu descobri. Ela está tomando proporções cada vez mais belas, e isso o atrai.

- então, não é amor o que ele sente ?

- Você ama Amanda, ela está apaixonada por você. Se investir bem, ela vai te amar do fundo do coração. Draco não tem nenhum dos dois, ele só tem atração, e eu não o culpo, na verdade, é muito educado da parte dele não ir além disso. Ele não é o único que se sente atraído pela Gina mas, ao contrário de alguns, ele não fica dando encima dela, tem ao menos o respeito de não ficar dando encima da namorada dos outros.

- Potter.

- Exato. Ele sente uma atração por ela. Poderia até dizer que está apaixonado, mas acho que é atração, mesmo.

- Mas... por que agora? Por que não antes?

- Ele não percebeu antes a bela moça que ela se tornou e... bem, ele devia achá-la fácil demais.

- Jura? No duro?

- Ora ... convenhamos, se uma garota ficasse direto no seu pé, dizendo alto e claro que gosta de você e quer ficar com você, o que faria?

- Não sei... acharia isso muito melento, que ela era muito grudenta e não tinha amor próprio ?

- Isso. A escola toda sempre soube da paixão que ela tinha pelo Potter, isso não é novidade nenhuma. Mas veja só, ela estava pronta para amá-lo incondicionalmente pelo resto da vida... até que uma pessoa resolveu se aproximar dela, uma pessoa que não a via como menina, como seu irmão, mas como a bela moça que havia se tornado.

- E depois disso, as pessoas ao verem ela com namorado perderam a visão de menininha que ela tinha, e passaram a vê-la como moça... dai o Potter foi um deles, não?

- Era inevitável. Sabia que ele sempre passa as férias com o Rony?

- Não... eu entendo. O que vai fazer a respeito?

- Se eu desse bola pra cada sujeito que olha para a Gina, eu teria um derrame cerebral de ciúmes.

- Mas ele é o Potter, lembre-se de que ela já gostou dele, isso não te preocupa?

- Nem um pouco. Se eu acreditasse que ela ainda gosta dele, não estaríamos juntos.

Ambos entram na sala da Corvinal e vão até seus dormitórios. Chaz pega sua prancheta e seus lápis, Yoh pega de sua mochila alguns ingredientes que surrupiou da cozinha.

Cinco minutos depois, Chaz estava na sala comunal desenhando, enquanto que Yoh batia a mistura que fez, enquanto esperavam pelas meninas. O Desenho de Chaz tomava belas formas, na verdade, uma forma imaginária que ele visualizou, na qual ele e Yoh, junto das meninas, estavam sentados na sala comunal da Grifinória.

- Você desenha bem, Chaz - dizia Yoh, olhando de longe para o desenho.

- Pura prática, nada demais. Isso ai é o que eu estou pensando que é?

- Pode ser. Gosta de Milk-shake?

- Não é a minha bebida favorita, mas gosto. Isso ai é pra dar força pra elas?

- Mais ou menos. Amanhã é o jogo, então é como um "boa sorte" adiantado. E esse desenho?

- Pra levantar o ânimo delas, também. Gosto de captar os sentimentos das pessoas.

- Devia usar tintas mágicas, poderia ficar melhor.

- Eu sei... mas eu quero me aperfeiçoar a ponto de deixar a pintura tão boa que mesmo que os personagens nela não se movam, ainda assim eu consiga passar a vida e o retrato das pessoas. Me dá um gole?

- Não - dizia duramente - espera elas chegarem.

- Escuta, seria muita indelicadeza da minha parte perguntar por que nos últimos dias você e dona Jane não tem se...

- Sim, seria.

- Ok, não vou mais perguntar. O que acha do jogo de amanhã?

- Bem ... você sabe, é um time novo o da Grifinória...

- Mas isso não conta, afinal, muitos ali já jogavam Quadribol em suas casas há anos.

- É diferente. Eu e Carlos apostamos corridas na fazendo do meu pai há anos, mas não é a mesma coisa que participar de corridas de verdade, como a grande corrida anual da Suécia.

- Vai participar esse ano novamente?

- Vou . Carlos e James também.

- Como é? De onde ele tirou essa idéia?

- Ele gostou tanto de ver a gente correndo ano passado que se empolgou.

- Madame Hooch sabe disso?

- Depois que ficou sabendo de Julieta, não teve ressaltavas.

- Ahhhh .... mas voltando ao assunto, acha que terão dificuldades?

- O time da Grifinória é bem novo, você sabe. Mas vamos analisar as coisas por esse lado, Chaz: muita gente ali já praticava antes, certo? Tem a Anne, que era a reserva da Gina no ano passado e só jogou nos treinos, temos Amanda, irmã de Olivio Hooch, o que me lembra... já voou com ela?

- Não, mas você me deu uma excelente idéia.

- Assistir a lua cheia encima de uma vassoura é uma sensação adorável, ainda mais quando você tem a pessoa certa do seu lado.

- Já fez isso?

- Aham. As vezes eu e Gina ficamos até tarde do lado de fora do castelo só para curtir a noite, sabe. Quando a gente voa o mais alto possivel, vendo o castelo tão pequeno lá embaixo, a luz com sua luz magestosa como sempre... mas voltando, Eu acho que o time da Grifinória está bem servido. Tem a Amanda, Irmã do Grande Olivio, temos a Gina que já provou que é uma grande goleira, tem a Anne que não é tão novata assim, tem o Rony, o que me faz perguntar se ele joga tão bem quanto a Gina, disso eu não sei.

- Ouvi falar que o Neville é péssimo voando.

- Disso eu não sei, mas o que não entra na minha cabeça é a idéia da Hermione como artilheira.

- Ela deve ter recebido incentivo do namorado, simples.

- Justamente. Só espero que eles sobrevivam ao primeiro jogo.

- Ah, não esquenta. Sei que geralmente muitos jogadores desistem depois de uma derrota na estréia, mas o time está bem estruturado.

- Só espero que eles saibam agir em equipe na hora do desespero e não se deixarem ser tomados pelo individualismo.

- Individualismo? De quem?

- Do Potter.

- Ah, qualé! Eles venceram durante anos seguidos, acha mesmo que ele não saiba liderar?

- Bem, iremos descobrir, não acha?

- E o que te faz pensar que você é a pessoa mais adequada para julgar a capacidade dele?

- Quem irá julgar a capacidade dele como líder serão os membros do time, não eu... e eu aprendi isso da pior forma possivel, ou por acaso se esqueceu que eu quebrei quase todos os ossos do meu corpo? - e dava uma batida em seu ombro, imitando com a boca um som de algo se partindo.

- Nem me fale, saiu uma foto no profeta diário, sabia?

- E acha que eu não vi? Eles bateram a foto do momento em que eu fui atingido até a hora em que meu corpo parava de girar no chão! Nossa, eu ainda não acredito que sai vivo! Como é que Dona Hooch deixa James e Rika participarem? Toma, continua batendo - ele entrega a vasilha de Milk-shake para Chaz, enquanto se dirige para a entrada da sala da corvinal, conforme havia conbinado com as garotas.

Amanda e Gina viram Yoh na entrada da torre da Corvinal e apuraram o passo ambas entraram e Amanda se sentou ao lado de Chaz.

- Bem , eu fiz algo . - Ele toma "delicadamente" das mãos de Chaz, que olha torto para Yoh , a vasilha de Milk-shake. - Algo que vocês iram gostar.

- Que gostoso, o que é isso? - perguntava Amanda.

- Chamamos de Milk-shake.

- Que bom! O que é isso, lindinho? - Amanda tentava olhar, mas Chaz escondia a prancheta - ah, deixa eu ver ! - ela se debruçava, tentando tomar a força o desenho incompleto.

- Não, quando eu estiver pronto eu lhe mostro.

- Ah, lindinho! Deixa eu ver! - Yoh e Gina estavam apenas olhando a cena, tentando não rir da imitação de criança pidona que Amanda fazia.

- Toma seu Milk-shake enquanto eu tento acabar o desenho.

A curiosidade de Amanda foi mais forte, de modo que ela acabou caindo por cima de Chaz, tentando tomar o desenho, ambos rolando pelo chão. Quando se deu conta, Amanda estava com a prancheta na mão, e Chaz com uma delas nos glúteos da namorada...

- Ahh! Desculpe! - ele se erguia, afastando-se um pouco - eu... desculpe, não tive a intenção - dizia, percebendo o quanto ela havia ficado envergonhada. Yoh se afogou com a saliva pois não queria rir Já Gina....

- Hehehehe , que pouca-vergonha é essa, Amanda?. - A morena se levantou e colocou as mãos na cintura e ficou encarando Gina.

- Nem vou responder. - Chaz estava roxo de vergonha.

Amanda cobria o busco com a prancheta, como se ele estivesse descoberto, olhando os desenhos pelo canto dos olhos.

O time da corvinal - Hmm, ele e uma garota idêntica a Parvati, a qual ela identificou como sendo Padma Pátil, apareciam no desenho, o que a faz lembrar-se dele ter comentado que era o reserva da Corvinal - Yoh e Gina - mas aquilo realmente estava bom, ela podia jurar que o sorriso de Gina estava ofuscando todo o desenho - alguns professores - impressionante como ele conseguiu captar a essência das personalidades, podia jurar que estava encarando o professor Remo - e...

- Essa ... sou eu? - ela o encarava, curiosa - sou eu mesma?

- Sim - ele se aproximava, mostrando a ela em um belo vestido, dançando com um rapaz sem rosto, o qual estava vestido como um príncipe - é um desenho incompleto meu.

- Está lindo, sabia?. - E, sem perceber, ela se senta no colo do namorado, o qual ficou com as maçãs do rosto meio rosadas.

Rosadas não... vermelhas, mas muito vermelhas.

- Não sei, estava sem inspiração na hora.

- Mesmo assim, ficou lindo - ela vira o rosto e, quando se dá conta, estavam trocando um beijo apaixonado.

- Bem, Gina, percebeu que estamos segurando vela?

- Percebi. - Gina estava sorrindo, era bom ver que a amiga estava novamente como sempre foi. Que bom que ela conseguiu arrumar alguém que gostasse, alguém a altura. A mesma estava com a sua auto-estima bem baixa desde o ano passado, ficava feliz por vê-la exalando tanta alegria.

Eles se afastam, indo para perto da janela. Gina se apoiava na mesma, com Yoh a abraçando. Perdera a conta das vezes em que ficou a admirar a lua com ele.

- Vou torcer por você amanhã.

- Obrigada.

- Está preocupada, não está?

- É.. não sei, é como se dessa vez fosse diferente, sabe.

- Hmm, entendo...

- Mesmo? - ela se vira para ele, encarando seus olhos acinzentados.

- Sim... sente que a vitória já não é tão importante, não é?

- Sabe... depois de anos vencendo o campeonato, ano passado fomos derrotados pela Corvinal e... bem, sei lá, acho que o que realmente importou foi que conseguimos quebrar o jejum contra a Sonserina, e depois foi a vez da Corvinal. Não sei bem dizer, mas vencer deixou de ser tudo, acho que agora o que importa é competir, mesmo.

- Bem, é só um jogo. O que importa sempre é competir. Não podemos definir isso como rumo para nossas vidas. Mas tome cuidado com o Thor, ok?

- Ok. - ela o beijava - acha que ele será tão impiedoso?

- Não duvide. Ele pode ter mudado, mas no campo de Quadribol, ele faz o que é preciso fazer, nem que para isso precisasse derrubar a própria namorada.

- Mesmo?

- Não me leve a mal... mas é o que eu faria se fosse necessário. E lembre-se de avisar ao Rony para ele pensar duas vezes antes de rebater diretamente um balaço dele, pois virá com potência total

- Entendi, Entedi. Não se preocupe, já passamos por coisas piores, não será um sonserino valentão que irá nos assustar. - Gina olhou para o jardim , e viu uma menina com os cabelos brancos , acompanhando um homem até uma das carruagens.

***

- Tchau pai.

- Até o natal, filha.

- O senhor não podia ficar mais um pouco? - ela fazia uma cara de choro.

- Não posso, já esta tarde, filhota - o mesmo passava a mão em seu cabelo - ficou bom esse corte, sabia?

- É, foi a Morgana quem fez. Ah, eu tirei uma foto do baile, depois eu mando para o senhor!

- Mesmo? Arrumou um par, é? Nossa, minha menina está crescendo, já deve estar cheia de rapazes no seu encalço - ele sorria, enquanto a erguia e a abraçava.

- Tá me deixando encabulada! - ela ficava levemente corada - É só um amigo!

- Claro que é...

- Pai !

- Desculpe, falando nisso, seu próximo jogo é depois do natal, é?

- É... mas o próximo eu vou vencer!

- Vencer não é tudo, filha.

- Eu sei... mas já tô cheia de não ver a minha casa ganhar nada!

- Bem... se você estiver disposta a dar o melhor de si pelo seu sonho, então é verdadeiro.

- O que quer dizer?

- Uma mulher me disse isso, anos atrás. Era uma amiga, mas significa que se você estiver realmente disposta a dar o melhor de si pelo que realmente acredita, então seu desejo é verdadeiro, e não fruto de uma excitação ou vontade repentina.

- Nossa... como o senhor é sábio, papai!

- Eu tento. Bom, tenho que ir.

- Ahhh!!! Fica, por favor... porfavorporfavorporfavorpororporfavorporfavorporfavor!!!!

- Ai - ele a encara, aqueles belos olhos, aquele sorriso de quem não aceitava um não estampado, aquele abraço carinhoso - está bem, mas só por essa noite, ok?

- IIIIUUUUPIIIII!!!!

- Vamos, tenho que enviar uma carta para sua mãe... ela vai me matar ...

- Vai nada, ela ama o senhor - dizia, enquanto andava agarrada a ele pelos caminhos da escola.

***

- Esses livros, tenho que devolver para madame Pince antes que ela me enforque!

- Remo! Ô, Remo ! - O professor se virou e deu um sorriso cansado ao homem que o chamava.

- Oi Mundungus, como vai?

- Tudo ótimo. Como está?

- Bem. Falou com Dumbledore?

- Sim, a propósito, é melhor Sirius não aparecer por aqui nos próximos dias, entende. O Frudge já anda irritado com o Dumbledore, ainda mais se souber que escondeu o Sirius aqui nos últimos tempos, a coisa vai ficar feia. Diga para ele passar uns dias fora, antes de aparecer por aqui.

- Certo.

- E diga a ele que eu nunca acreditei que ele era culpado. Quando soube da versão do Alvo, fiquei furioso e procurei Rabicho como um louco. Era o que faltava para libertar nosso amigo. Espero que possamos adaptá-lo a essa nova vida, em compensação a tudo o que ele sofreu.

- Sirius Black ? - Remo e Mundungus olharam para Luna que havia parado de andar.- Penélope... é Sirius Black?

- Sim. - Diz Remo sorrindo.

- Penélope? Sirius virou... mulher? - Mundungus estava estático.

- Não, pai... mas vai virar se a professora Jane pegar ele.

- O que houve?

- É que o filho da professora Kneen quase morreu por causa de uma alergia que ele tem a cães, e como Penélope é o único cachorro que anda pela escola nos últimos dias, tudo leva a crer que seja ela, ou melhor, ele. O Hagrid tem um, mas ele quase não vem na escola, não sem o dono.

- Remo... bem, vai pesar para Dumbledore se Sirius aparecer aqui de uma hora pra outra e... bom, dê um jeito de esconde-lo fora da escola, por precaução. Bem, vamos filhota - ele carregava Luna novamente na carcunda, enquanto ela dava tchau para Remo, o qual dava um sorriso, mas se remoía por dentro.

***

Roupas jogadas pelo chão... as meninas da Sonserina apenas estavam olhando para tudo aquilo sem entender nada. Afinal a Pansy estava jogando roupas que não queria mais usar, o que por si só já era uma surpresa, quer dizer... seis anos com o mesmo visual, e de uma hora pra outra, ela resolve mudar todo o seu armário?

Emma, colega de quarto de Pansy, se sentou ao lado de Draco, o qual resmungava insensantemente.

- A Pansy encomendou roupas novas para ela, e agora ela está dando um jeito na antigas antes das novas chegarem.

- O que deu naquela cabeça-de-vento? - falava Draco, tentando se concentrar na partida de Xadrez que disputava com Goyle.

- Hmm... como ele se chama... é Arnold Wilson, acho... do sétimo ano da nossa casa. - Draco estava com os olhos arregalados. - Ela me contou que ele a pediu em namoro durante a semana, sabe.

- Ela está blefando...

- Não sei... mas que as roupas que chegaram são mais... como posso dizer... "sensuais e bonitas" que as outras, são.

Draco pegou o tabuleiro de xadrez e jogou do outro lado. Emma sorriu internamente e começou a conversar com Goyle.

- Goyle, o que deu na Pansy? - a garota ajudava o rapaz a procurar as peças do jogo que foram espalhadas pelo salão comunal, fruto dos caprichos do loiro.

- Sei lá. Ultimamente ela tem andado estranha. Se bem que ...

- "Se bem que ..."?

- Bom ... ela tem andado estranha desde o baile.

- É? Mas o Draco não era o par dela? E aquele garoto que comprou ela no leilão?

- Sei lá, mas ... ela anda meio estranha. Nem sentou com a gente hoje.

- Percebi Aliás, ultimamente tenho visto ela andando com aquela garota alta da Corvinal, como era mesmo o nome dela? Ah, deixa pra lá, não tem importância. Mas fala pra mim, é verdade que o Draco está com ciúmes dela?

- Draco? Ciúmes? - ele dava uma gargalhada - E da Pansy? Ah, por favor ... o Draco nem liga pra ela! Todo mundo viu ele babando pela pobretona da Weasley no baile!

- Bem, talvez ele...

- Emma, vem cá!

- Que foi, Draco? - ela se virava para ele, um pouco irritada por ter sido interrompida - o que você quer?

- Quero que você faça uma coisa...

*****

- Lindinho... faz um rosto no príncipe. - Pedia Amanda fazendo cara de choro e com uma vozinha incrivelmente doce.

- Depois eu faço. - Yoh sorria abraçado a Gina, e Chaz desenhava os dois. Amanda não sabia o por que mais tinha certeza que o príncipe não teria um rosto, não agora, mais um dia teria.

E que isso também tinha um significado. Não sabia qual, mas deveria haver algum significado. Mas qual seria? Uma indireta? Um enigma? Mas talvez fosse mais fácil descobrir do que imaginava...

- Sabia que se usasse tintas mágicas iria ficar melhor? - ela coçava a orelha dele, desconcentrando-o.

- Eu sei... mas eu quero dar vida a esse desenho sem depender de mágica. Se eu não puder fazer isso por mim mesmo, então nunca serei um grande pintor.

- Sério? Você quer seguir carreira como um grande artista?

- Aham. E eu ainda estou te devendo um quadro completo, então lembre-se de me cobrar.

- Ok.

- Vocês poderiam se beijar, por favor ? - eles cumprem a ordem sem pestanejar. Suas mãos seguravam com perícia o lápis, enquanto tracejavam linhas simples e singelas, as quais não eram nada sozinhas, mas unidas tomavam formas incríveis - poderiam ficar assim por alguns minutos... PARADOS na mesma posição? - ambos gesticularam com o polegar, sinalizando - obrigado.

- Ouviu isso? - Gina girava o pescoço na direção da entrada.

- EU FALEI PARA VOCÊS FICAREM PARADOS!!! - ele dava um grito, assustando Amanda e fazendo eles continuarem do jeito que estavam, não que estivessem reclamando - PÔ, NÃO É PARA SE MEXEREM!

O susto de Amanda durou menos de um segundo. Era novo esse lado artístico de Chaz, que procurava dar o seu melhor no que fazia e se preocupar em não errar.

- Ouviu isso? - agora era a vez de Amanda perguntar - desculpe, mas acho que tem alguém lá fora chamando, Chaz. E se está chamando, então não deve ser daqui.

- Ai... ok, podem se separar e... ah, esqueçam. Vou ver quem é - ele caminha até a entrada, quando dá de cara com uma garota que possuía um emblema com o desenho de uma serpente - pois não?

- Eu vim ver o Kneen - ela respondia.

- Entra - a mesma adentrava, uma vez que a passagem já estava aberta, e vai caminhando até a sala comunal da Corvinal.

- Então, esse aqui é o salão de recreio dos "Corvos"... hunf, que lixo. Esperava algo assim, mas não achei que fosse tão deprimente. É pior do que o salão comunal da Lufa-Lufa.

- Ei, olha como fala! - Chaz franze o cenho para a mesma, mas ela o ignora veemente.

- Queria falar comigo? - Yoh estava sentado no sofá, ao lado de Gina, a qual aninhava sua cabeça no ombro dele.

- Sim... o Malfoy pediu pra te entregar isto - ela entregava uma caixa para Yoh, o qual tem uma surpresa daquelas quando, de cara, percebe o formato que tinha a caixa. Ele a abre rapidamente, confirmando suas suspeitas.

- MEU VIOLINO!!!! ENTÃO ESTAVA COM ELE ESSE TEMPO TODO!!!!

- Amor, o que seu violino fazia com ele?

- Nem imagino, mas tenho uma idéia...

- Aposto que o roubou! - falava Chaz com um olhar duro para a moça.

- Segura a tua onda, Sangue-ruim. Não se meta aonde não é chamado.

- Como é?

- Chaz, sem brigas, por favor. E você - Yoh olhava duramente para Emma - obrigado pelo violino... mas não fale assim com ele. Não é melhor do que ele para chamá-lo de sangue-ruim. Ele é tão sangue-puro quanto você e, mesmo que não fosse, você não está em posição para humilhá-lo.

- Sei, e no que esse sangue-ruim é melhor do que eu?

- Bem - Yoh olhava de lado, percebendo que Amanda estava quase pulando encima da Sonserina, só não o fazendo por que Gina a segurava - não foi ele quem teve que bancar o entregador do Draco - a moça ficou com uma cara de puro ódio e saiu dali batendo o pé no chão.

Yoh observa bem o violino. Pela queda que ele deve ter tomado, deveria estar totalmente destruído, mas... estava como novo. Na verdade, sua aparência era melhor do que antes. Algo difícil, considerando que fora feito à partir de uma madeira rara de ser encontrada e com cordas feitas a partir de pêlo de Unicórnio, daí seu extremo cuidado.

- Hmmm... esse instrumento é extremamente delicado... pela lógica, ele deve ter se espatifado todo quando caiu no chão. O Draco deve tê-lo recuperado, ou enviado para um restaurador, e não se encontram profissionais para isto com tanta habilidade na esquina.

- O Malfoy? - Amanda finalmente se soltava de Gina - Difícil de acreditar, heim!

- Tenho motivos para acreditar nisso... daqui há pouco o pessoal do seu time vai se reunir para rever as táticas de amanhã, é melhor vocês irem.

- Ahhh - Gina fazia uma cara de desapontada - mas... já? Ainda é cedo, lindinho!

- Ok, depois eu termino o quadro.

- E desenha um rosto no príncipe? - Amanda insistia novamente, estava cada vez mais curiosa para entender o sentido da ausência do rosto, mas estava um tanto quanto envergonhada de perguntar ali, na frente de Yoh e Gina.

- Vou pensar na sua proposta. Vem, a gente acompanha vocês.

Os casais seguem pelos corredores da escola. Já era noite, mas não estava tão tarde assim, de modo que era possível ver algumas pessoas pelos corredores.

Nada mal para um encontro rápido. Achou que iria ficar com inveja de Gina e Yoh, visto que ambos estavam se dando muito bem, mas acabou gostando e muito. Chaz não devia em anda ao seu amigo, isso pode comprovar. Não se referia as habilidades mas, ao seu modo, Chaz também era insuperável.

- Vou estar torcendo por você - Yoh falava antes de trocar um ultimo beijo.

- Lembre-se, cuidado com o Thor, ok? - Dizia Chaz.

- Vou tomar - Amanda dizia ao se afastar dele de modo que ambas entravam no salão comunal da Grifinória, enquanto os dois corvinais caminhavam de volta para suas casas.

Quer dizer...

- E essa caixa? Por que a trouxe?

- Tenho que resolver uma coisinha antes...

- Você vai lá, não vai?

- ....

- Eu vou com você.

- Melhor não.

- Imagino que você vai se sair melhor sozinho?

- Não viu como ela te tratou? Você coloca o pé lá e eles te devoram vivo. Eu tenho pena dos alunos trouxas que entram na Sonserina.

- Agora que você falou, não me lembro de ter visto um lá.

- Sim... mas será que não existem? Ou você acha que todo mundo lá descende de famílias bruxas? Afinal, Voldemort era meio trouxa, só sua mãe era bruxa - ele olhava para o lado, percebendo que Chaz dera um passo para trás e tremia de medo - o que foi?

- Não diga esse nome!

- Que nome? Vold...

- Não diga! Esse nome não deve ser dito!

- Por que não?

- Por que não, oras! Aquele louca, assassino... - Yoh parou de andar, de modo que Chaz o imitou, encarando-o - o que foi?

- Você sempre teve o mesmo problema da Ju. Medo. O medo não é algo ruim, ele nos ajuda a compreendermos nossos limites e fraquezas, desde que não deixemos que ele nos domine - ele pigarreava um pouco - achei que você tinha superado isso, mas acho que me precipitei. Por seus pais serem abortos, muitos o tratam como se você fosse um trouxa, disso eu já estou cansado de saber... mas não superamos nossos medos se ficarmos nos esquivando deles pelo resto da vida - e ele se sentia o maior hipócrita da face da Terra ao proferir tais palavras - esse homem que ninguém diz o nome... ele não passa de um assassino. Ele matou muita gente, e mesmo assim ele não é punido, pelo contrário, ele é homenageado, quase que idolatrado, pois colocam o nome dele em um patamar tal que ninguém deve pronunciá-lo. Ter medo do nome só aumenta o medo da coisa em si, Chaz.

- É fácil para você dizer isso, que é de uma família bruxa.

- Meu pai é trouxa, lembra? Não que eu ligue para isso. Sinceramente, tanto faz ser trouxa, mestiço ou sangue-puro, pra mim é tudo igual, é tudo a mesma coisa. Meu sangue é tão azul quanto ao da Cassandra, o ar que você respira é o mesmo que o da Julieta, a comida que a Luna come é a mesma que o Draco come, os elfos que cuidam da manutenção do castelo são os mesmos, os professores ensinam igualmente para todos, as punições são iguais e o Filth odeia a todos igualmente. Essa é a grande verdade, não existe diferença. Estamos nos tempos modernos, Chaz. Esse papo de servo e senhor feudal já "dançou" há tempos.

- Mesmo assim, não compreendo como você consegue pronunciar o nome dele.

- A Ju fala o nome dele, a Cassandra também, a Hermione, o...

- Eles são trouxas, só começaram a descobrir o mundo bruxo quando entraram para Hogwarts.

- Essa é a idéia, não foram ensinados desde pequenos a temerem um nome, assim como eu. Assim como o preconceito que muitos tem em relação a você e a Ju, que é algo incrustrado no subconsciente deles desde pequenos, a odiarem os que não são sangue-puro. Bem, vou até a Torre da Sonserina bater um papo com o Draco, depois eu volto para terminarmos nossa conversa.

- Boa sorte. - falava, curioso com o que ele acabara de dizer.

***

- Aonde você vai, Harry? - Perguntou Hermione. O garoto parou e se virou, As garotas e os rapazes do time o olhavam.

- Tenho que falar com o professor Dumbledore. - E saiu da torre, Gina e Amanda se olharam, Rony e Hermione trocaram um olhar que poderia dizer muitas coisas.

Harry foi caminhando rapidamente. Não estava tarde, dai o zelador não poderia prendê-lo, mas não queria demorar e... mas o que...?!?!?!?

Ele arregala os olhos quando vê aquilo.

Kneen.

E... o que ele fazia andando por aqueles corredores? Quer dizer, ele sabia exatamente aonde iria dar e... hmm...

Meio desconfiado ele segue na mesma distancia que ele, à distancia. Até que ele para, observando aonde Yoh parou, de frente para uma parede e...

- Espera um pouco - ele sussurrava -já estive aqui antes, aquela parede ali é a... a....

Harry arregalou os olhos quando uma passagem surgiu e Kneen passou por ela.

Mas... mas... aquela era a passagem da torre da Sonserina! Só esteve ali uma única vez, mas se lembrava bem desse detalhe e...

O que o Kneen foi fazer lá dentro? Seria bom ter um pouco da poção polissuco, assim poderia entrar lá dentro e descobrir algo e... hmmm...

Muito estranho. Muito, mesmo.

Realmente estranhou o Kneen ter rido junto do Malfoy no baile, na verdade, teve a leve impressão de que eles já se conheciam bem antes, do jeito que se tratavam.

Será que não? Até que fazia sentido, afinal Draco sempre menosprezou todas as pessoas, e de uma hora pra outra ele trata com um pouco mais de respeito o Kneen? Tem alguma coisa errada nisso tudo... estava começando a acreditar que o Kneen escondia muito mais do que aparentava , não... definitivamente ele escondia. De onde será que ele conhecia o Malfoy? Se isso fosse verdade, hmmm...

Ele vai caminhando em direção a sala do diretor. Não iria adiantar de nada ficar ali na entrada da Sonserina, tinha que ter um meio de entrar, mas isso lhe escapava naquele momento. Mas isso serviu para algo, para deixá-lo bem mais atento... e ter cada vez mais convicção de que o Kneen não prestava. E se levasse em conta de que a entrada se abriu para ele, ao invés de alguém falar a senha, era óbvio que ele deveria ter muito mais a ver com os sonserinos do que podia imaginar.

***

- Eu sabia que você viria.

- Aquela senha dentro da caixa de violino foi muita esperteza sua, Draco.

- E se você veio aqui é por que quer conversar, sente-se. - Yoh aceitou o pedido do loiro.

- Por que você mandou restaurar o violino?

- Por que você possui aquele violino?

- É de família.

- Eu sei que é de família. - Draco sorriu, um sorriso cheio de sarcasmo. - E então, Yoh... fale o que você quer.

- Você quem me chamou, diga-me você o que quer.

- Sim... aquela música, o violino , qual é seu segredo?

- Eu não tenho segredo algum, por que acha que eu deveria ter? - Olhos acinzentado miraram olhos acinzentados.

- Yoh Kneen, quem é você ? - A pergunta de Draco fez Yoh sorrir sarcasticamente para o loiro, os dois ficaram se encarando. Yoh olhou ao redor, percebendo que era a sensação do momento naquele lugar. E, apesar de ambos estarem em um canto distante do centro da sala, era óbvio que as pessoas que estavam na sala, embora afastadas, estavam tentando de todas as formas ouvir a conversa que Draco tinha com ela, afinal, deveria haver algum motivo para ele estar ali, não?

- Alguém não muito diferente de você, Draco Malfoy.

- É mesmo? E no que somos iguais, Yoh Kneen?

- Você me chamou, responda você essa pergunta. Mas qualquer que seja sua resposta, não estará muito longe de acertar.

- Aonde quer chegar?

- Foi você quem me chamou aqui, aonde você quer chegar?

- Ok... admito que estou curioso... antes eu pensava que você era apenas um filhinho cdf que queria impressionar sua mãe, mas eu me enganei. Por que eu não o conheci antes, Kneen?

- Ser subestimado é a melhor forma de passar despercebido, Draco. Deve saber muito bem disso. Nunca demonstrar o que você realmente sabe fazer, esperar pelo melhor momento para se expor, e isso se for absolutamente necessário.

- Claro... mas não imaginei que você tivesse tanto conhecimento. Particularmente falando - ele se abaixava, aproximando sua face da face de Yoh e falando bem baixo - começo a acreditar que você tem um grau de conhecimento equiparável ao meu grau de magia.

- Hermione Granger é a mais aplicada estudante de Hogwarts.

- Ela não tem aulas extras como eu... e você, obviamente. Imagino que sua mãe te ensina muita coisa que não ensinado na escola, não estou certo? Andei te observando, já percebi que você pode muito mais do que aparenta.

- História da magia é meu hobby, só isso.

- Hobby?

- Passatempo.

- Vejo que você se dedica bastante ao seu "passatempo".

- Eu sou assim. Você não faz algo para se divertir? Bem, essa é minha diversão. Estudar a história é meu passatempo.

- Eu prefiro outras coisas para passar o tempo, mas continuo curioso com você, Kneen. Não te preocupa estar na torre da Sonserina? Você sabe da história dela, com certeza.

- E daí? Um dos servos do lorde das trevas que foi preso recentemente não era da Sonserina, e sim da Grifinória. Você pode ser o que quiser, independente dos seus antecedentes.

- Você deveria ter medo, sabe.

- De quem? De você? Eu quase me tornei um aluno da Sonserina, se quer saber - e falava bem baixo para Draco ouvir.

- O QUE?!?!? - muitos alunos que estavam meio que torcidos para tentar ouvir caiam no chão por causa do susto que tomaram, enquanto o resto voltava sua atenção para ambos.

- Se continuar assim, ninguém vai precisar se esforçar para nos ouvir.

- Seria um bom começo ... mas ainda não engulo você ter oferecido seu braço, Kneen !

- Pro inferno com eles! Eu tô pouco me lixando!

- Se é assim, por que estava sussurando agora há pouco?

- Aham - ele abaixa o tom de sua voz - como assim, "quase se tornou um aluno da Sonserina"?

- O chapéu seletor disse que a Sonserina era ideal para mim, mas eu optei por ficar na Corvinal, isso depois dele ter me oferecido a Grifinória.

- Por que?

- Não preciso de uma casa para me formar, quando sair daqui não me chamarei "Yoh Kneen, Corvinal", e sim "Yoh Kneen".

- Não sabe o que perdeu. Nós sabemos tratar bem pessoas como você, teria várias regalias e acesso a muito material que não encontra facilmente.

- Conseguir livros difíceis não é difícil para mim, se é isso o que quer dizer.

- Sei. Por que me contou isso?

- Você acabou de me contar que recebe aulas extra-oficiais, achei justo compartilhar outro segredo com você.

- Você não tinha a menor obrigação de me contar coisa alguma.

- Não, não tinha.

- Aliás... eu ainda não engulo aquela história do braço!!!

- Não entro em apostas para perder, Draco. Na verdade, não gosto de jogar contra a sorte mas, quando entro, vou até o fim, como um rato em um labirinto.

- E eu, Kneen? Eu não te assusto?

- eu reitero o que disse no ano passado, saia da sombra do seu pai se quiser se destacar por você mesmo.

- Belo conselho. Que tal você fazer o mesmo?

- Não fico na sombra de ninguém, Draco. E se alguém acha que eu fico, não dou a mínima.

- Você tem uma língua muito afiada para um trouxa, sabia?

- Foi você quem me convidou. Bem, de qualquer forma, obrigado pelo conserto do violino. Não é qualquer um que pode restaurá-lo.

- Aceite isso como um pagamento pela música, Kneen.

- Que seja, mas ainda estou em débito com você. Amanhã será seu jogo contra a Grifinória, certo? Bem, por motivos óbvios, vou torcer pela Grifinória, mas tem uma coisa que eu posso fazer - ele abre a caixa, retirando seu violino - tem algo em especial que gostaria de ouvir?

- Ouvir?

- Sim. Muitos guerreiros se inspiravam para o combate ao som da música. Violino não é meu instrumento favorito, mas durante meu aprendizado fui instruído nas grande melodias e sinfonias da história dos bruxos, como a que você ouviu no salão principal, ou seja, músicas antigas, muitas das quais consideradas perdidas, e outras criadas por determinada família e conhecida apenas por determinada família, como os Malfoy. Se desejar, posso tocar "A glória de Seizer", ou deseja ouvir alguma outra música?

- Tocará o que eu pedir... da mesma forma que tocou no salão? Com a mesma habilidade?

- Eu toco sempre da mesma forma, Draco. Dou o máximo de mim em cada melodia, coloco meu coração, corpo e alma nelas. Não trato nenhuma de forma diferente da outra, tenha certeza de que nunca me verá tocando algo em nível inferior. E então? - ele percebe que muitos dos alunos se aproximavam ainda mais, entre eles, o time de Quadribol da Sonserina, os quais começavam a puxar a poltrona, abrindo um espaço maior para os demais alunos se aproximarem - Tem algo que é de seu agrado e você gostaria de ouvir agora?

***

Ele continuava caminhando pelos corredores quando aperta o passo ao ver Remo saindo de sua sala.

- Remo?

- Hã? Olá, Harry. O que faz aqui há essa hora?

- Fui falar com Dumbledore, mas já estou voltando. E você?

- Só ajeitando as coisas e conversando com um velho amigo - e seu semblante ficou levemente triste quando disse isso.

- O que foi ?

- Apenas uma lembrança não muito agradável, só isso. Vem, eu te acompanho até sua casa, senão o Filth se pega e não vai ser muito saudável na altura do campeonato.

- Tudo bem. Remo, eu queria perguntar uma coisa . Na verdade, eu queria pedir um conselho, sabe.

- E do que se trata?

- Bem... é sobre uma garota... - remo virou o rosto para ele ao ouvir aquelas palavras.Era só o que faltava, ter virado conselheiro sentimental de uma hora pra outra.

- Bem... em que eu posso ajudá-lo? Vou me esforçar na medida do possível, claro, mas já te adianto que eu terminei muitos relacionamentos por causa da minha condição, por medo de ferir as pessoas que eu mais amava.

- Mesmo? E... como suportava?

- Não suportava. Sou obrigado a carregar isso comigo. Tudo o que eu perdi... como poderia ter sido diferente e... bem, esqueça. Quem está com problemas é você, e não eu. O que foi, está indeciso? Não consegue se declarar? Tem medo de alguma coisa?

- Bem, essa garota, ela... não liga pra mim. Me declarar já me declarei, mas não funcionou.

- E por que você não parte pra outra, e não espera o resultado?

- Resultado? - Harry estava claramente assustado.

- Peça uma menina que você saiba que te dá mole em namoro... depois de algum tempo, essa pessoa que você realmente gosta deve vir a esboçar alguma reação.

- Acha que isso vai funcionar? Talvez esteja tudo perdido e...

- Harry - Remo coloca a mão no seu ombro - nunca desista da pessoa que ama, entendeu? Nunca... antes que venha o dia em que você vai olhar para trás e se arrepender das decisões que tomou. E acredite, meu caro, seu pai teve muita sorte, por que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar.

- O Sirius me falou algo sobre meu pai e...

- Esqueça, preste atenção. Você quer um conselho, certo? Pois bem, ouça o que eu tenho para te dizer: as garotas gostam de rapazes maduros. Acredite, eu sei do que estou falando - e de repente ele se lembrava de Thiago e Sirius - certo, vamos esquecer essa parte de eu saber do que estou falando, ok? A questão é que elas gostam muito de rapazes maduros. Nada impede de ser com um garoto da mesma idade, mas é comum as garotas namorarem rapazes mais velhos do que elas. Acredite, nós somos imaturos as vezes. Certo, na maior parte do tempo. Não que isso seja errado, cada idade tem suas descobertas, mas as garotas amadurecem bem mais rápido do que os homens. Por que acha que sua amiga Hermione tem a cabeça no lugar? Vai por mim... essa garota deve achar que você não é maduro o suficiente, ou que se porta como criança. Saia com outras garotas, deixa ela perceber que você não é tão infantil quanto ela imagina, e você vai ver como eu estou certo.

- Sim. - Harry sorriu ao professor. - Eu fico aqui.

Ambos vão caminhando. Haviam passado tanto tempo conversando, que nem se deram conta de que haviam passado direto pela torre da Grifinória.

Até que ele arregala os olhos e segura o braço de Remo, fazendo-o parar.

- O que foi?

- Veja aquilo - ele aponta para frente, de modo que Remo avista duas formas se aproximando. Estava um pouco escuro, mas era claro que se tratava de dois alunos que se aproximavam em um passo normal.

O primeiro usava um uniforme com o emblema de uma serpente, e na mesma hora ele se lembrou de que não era hora de alunos ficarem zanzando pelos corredores, mas foi quando reconheceu o segundo emblema que ele engoliu sua saliva de surpresa.

Era um Corvinal, basicamente. Nada contra, não havia uma lei que proibia Corvinais e Sonserinos de conversarem, mas... algo chamou sua atenção, o sonserino em si.

Draco Malfoy, filho de seu velho "amigo", Lúcio Malfoy.

Ele se esforça ao máximo para não fazer um julgamento precoce da situação, mas não consegue tirar da cabeça a idéia de que o filho de Lúcio conversando àquela hora da noite com alguém de outra casa não poderia significar boa coisa.

Ainda mais quando ele reconhece o aluno. Demorou um pouco, mas finalmente ele se dá conta de quem era.

O rapaz que lhe pediu informações acerca de Harry. E se aproximavam, como se não os tivessem notado, apesar de estarem se aproximando.

- Obrigado por me acompanhar, Draco.

- Não crie falsas idéias, Kneen. Eu só estava querendo tomar um pouco de ar.

- Sei. Nervoso com o jogo de amanhã?

- Hunf! O Potter só teve sorte até agora, dessa vez ele vai ver uma coisa.

- É mesmo? Escuta, quantas vezes você disse isso nos últimos anos?

- Você tem uma língua muito afiada para um sangue-ruim, sabia?

- Sem farpas, por favor. Foi só um comentário ao acaso. Mas não é verdade?

- O Potter não é melhor do que eu!

- A habilidade dele com a vassoura é maior do que a sua, admita.

- Que tal se você admitir que trapaceou naquele jogo contra a Sonserina, engraçadinho?

- Mas que trapaça? - ele dava com os ombros, sorrindo - não teve trapaça nenhuma, eu já te falei, é puramente prática no vôo em alta velocidade, só isso. E não tente imitar, pois vai acabar se arrebentando se o fizer.

- Não é possível que um Nimbus tenha vencido uma Firebolt, Kneen. Eu não engulo isso. Anda, só entre nós... que espécie de trapaça você usou?

- Usei minha habilidade. Foi ela quem te venceu, simples. Não há mistério algum.

- Hunf! - ele bufava - Outro convencido! E agora, quer que eu admita que você é melhor do que eu?

- Pare com isso - o tom de voz dele mudou bruscamente, o que acabou pegando Draco de surpresa. Yoh sempre teve um tom de brincalhão na voz, alguém que estava ali para curtir a vida, mas sem perder a seriedade de suas palavras mas, desta vez, a voz dele mudara totalmente. Estava bem mais sério, mais objetiva, eloqüente. - Não é minha culpa se você nunca ganhou do Potter. Tampouco da sua vassoura. Se quer culpar alguém, culpe a si mesmo pela sua pouca habilidade. Um bom artesão nunca culpa suas ferramentas, Draco. Eu te vencer fora apenas a conseqüência final daquela partida. E você jogou com tudo, pelo que me consta. Foi atingido pelo balaço e se ergueu. Não estava tão machucado quanto eu, mas ainda assim, se levantou. E isso é algo do qual você pode se orgulhar, lembre-se disso. Poderia ter ficado no chão, gemendo até o fim da partida, mas preferiu se erguer. Mas se continuar se lamentando do jeito que está fazendo agora, nunca irá dar o passo seguinte.

- Você tem idéia - o olhar de Draco devolvia com igual dureza as palavras de Yoh - do que é perder, Kneen?

- Ninguém vence sempre, Draco. Deveria saber disso melhor do que ninguém.

- Pra você é fácil falar, não tem que aturar essa situação ano após ano. Sua casa perdeu muito nos últimos dez anos, Kneen.... mas eu perdi para eles todas as vezes que jogamos. Sempre o maldito Potter!

- É algo que você quer provar?

- Eu não agüento essa situação, ora! Tem idéia da humilhação que eu sofro com os da minha casa por causa disso? Um time perfeito, com jogadores excelentes, batedores excepcionais, mas com um apanhador fraco! A humilhação que eu sofro ano após ano, o ar de derrota que sentimos quando entramos em campo, como acha que eu possa conviver com isso?

- Se você odeia tanto a sua fraqueza, Draco, então torne-se forte e vire o jogo. Ninguém fará isso por você, lembre-se disso. Acha que eu aprendi a voar assim da noite para o dia? Ou por acaso passou pela sua cabeça que eu tenho um dom natural por que algum parente meu foi um grande jogador de quadribol? Besteira, entendeu? BESTEIRA!!! O sucesso só vem antes do trabalho no dicionário, grave bem o que eu estou dizendo. Penei para poder voar assim, dei muito duro! Desde criança eu praticava na fazendo do meu pai, mas por diversas vezes eu quebrei o braço, as pernas e outras partes do corpo. Comecei a participar bem cedo de corridas oficiais, e mesmo assim em categorias compatíveis com a minha idade, isso quando eu não criava pequenos torneios entre os meus amigos. Quando convenci meus pais a me deixarem participar da corrida anual de vassouras na Suécia pela primeira vez, fui inscrito em uma categoria menos perigosa, com menos perigos, mas igualmente ameaçadora. E mesmo agora que eu estou competindo com outros corredores da categoria adulta, ainda assim sinto dificuldade em enfrentar os obstáculos, Draco. Pedras no caminho, criaturas tentando te atingir para te devorar, dragões em seu encalço, pântanos que são verdadeiros labirintos cheios de plantas venenosas e carnívoras, minas com trasgos que não te deixam sair... isso não é um dom, é trabalho duro, entendeu? Os melhores praticantes de esportes do mundo são os melhores não por habilidade natural, mas por mérito próprio, pelo suor do seu esforço. Treine e se torne um jogador melhor, isso vai te render maiores frutos do que esses que os que sua raiva te dá.

Draco não estava sério ou nervoso, longe disso, mas sua expressão era de alguém que prestava total atenção nas palavras de Yoh.

- Se o que você diz é verdade, então minha firebolt é uma muleta? É isso o que você quer dizer, que ela me atrapalha ao invés de me ajudar?

- Existe um esporte de trouxas chamado Fórmula 1. Havia um grande piloto, ele foi o melhor de sua geração, tem seu lugar marcado entre os maiores campeões da história e até hoje, anos depois de sua morte, muitos o consideram o melhor. A maioria, na verdade. Bem, confesso que no meu quarto eu tenho alguns posteres, já que Ayrton Senna sempre será o melhor de todos, mais do que o Cinos.

- Ayrton Senna?

- Ele era incrível. Parecia prever cada movimento, como se antecedesse as curvas antes mesmo delas surgirem. Parecia prever quem estaria na próxima pista, ou saber se choveria ou não. E acredite, nada o parava, nada. Nem mesmo a chuva. Ele foi um dos grandes, assim como Nelson Picket, Alan Prost e outros. Sinos talvez você não conheça, ele é um famoso corredor de vassouras profissional, Sinos Hedgerog, vulgo "O Porco-Espinho". Mas sem alongar demais o assunto, Ayrton era o melhor. Não por que tinha o melhor carro, mas por sua habilidade, seu controle. Ele transformava o carro em uma extensão do próprio corpo . O que estou querendo dizer é que você tem a melhor vassoura, mas não tira o máximo dela, não extrai da mesma tudo o que ela pode te dar.

- É um pouco tarde para dizer isso, não acha? Poderia ter me dito isso no inicio do ano, mas não na véspera do jogo contra... ah, droga! - ele bufava um pouco enquanto andavam - lá vem a gentalha!

- Hmm? - Yoh olhava, estavam há poucos passos de Remo e Harry - esquece eles, como eu ia dizendo...

- Esquecer? Esse arrogante vem na minha direção e você me diz pra esquecê-lo? Ah, vá se...

- Boa noite, professor Lupin - Yoh se adiantava e o cumprimentava.

- Boa noite, Yoh. Como vai a pesquisa?

- Vai bem. Olá, Potter. Tudo bem com você? - e esticava a mão para cumprimentá-lo, recebendo um olhar bem duro de Harry.

- Que foi, Potter - Draco voltava ao seu "normal"- precisa de babá para caminhar pelos corredores, é?

- Sim. É que eu não tenho um capacho para me acompanhar, sabe. Você perdeu um, mas já arrumou outro, não é?

- Hmm? Mas de quem você está falando, seu... - ele olha para o lado, percebendo que Yoh ficou em total silêncio - ah, tô sabendo - e dava um sorriso maldoso - e aí, Potter? Como é saber que alguém te venceu, heim? Foi uma derrota feia no ano passado, ainda tenho o jornal com a sua foto!

- Ah, não enche, Malfoy! Olha quem fala!

- Quem fala? Engraçado, desde quando o Potter-todo-poderoso é tão irritadinho assim, heim? Primeiro o Quadribol, depois a Weasley - Remo abriu ao máximo as orelhas ao ouvir o que Draco falava - é uma derrota atrás da outra...

- Não toque no nome dela! - ele aumentava seu tom de voz - quem você pensa que é para falar dela? - e segurava Draco pelo colarinho.

- E quem é você para protegê-la, Potter? Pelo que me consta, ela já tem namorado - e falava com veneno na voz, provocando Harry ainda mais.

- ELE NÃO A MERECE!!!

- Eu não a mereço? - Yoh quebrou o silêncio, encarando Harry - e... quem é você para dizer isso? - havia um tom casual em sua voz, como alguém lendo uma receita de bolo - pelo que me consta, não são parentes, tampouco te elegeram guardião dela. Isso cabe aos pais, e a escola, durante o período letivo.

- Não me venha com lição de moral, Kneen! - Remo colocava a mão no ombro de Harry, mas ele o ignorava - até parece que você é um santo!

- Não sou eu quem estou me colocando em um pedestal, julgando-se reto acima de tudo.

- Quem é você para me julgar? Eu sempre soube que você não presta, mas não achei que você estava mancomunado com o Malfoy!

- Hã... você tem noção do real significado dessa palavra?

- Não banque o engraçadinho! Você não é o metido a sabe-tudo? Então deve ter estudado acerca do pai dele, não é? Sabe muito bem que toda a família do Draco não prestava!

- Como é? - O semblante de Draco muda - repete isso, Potter! - e o segurava pelo pescoço.

- Draco - Yoh colocava uma mão no ombro dele e a outra em seu braço - vamos embora.

- Ir? Cê tá brincando, não é? Eu vou é arrebentar a cara desse metido!

- Não vai conseguir nada com isso.

- Ah, mas é claro que vou! Vou descarregar a raiva, amassar a cara desse idiota e, com sorte, ele não joga amanhã!

- Ele te ofendeu, mas se você o agredir, você perderá a razão, fora que temos um professor presente, e isso pode acabar acarretando problemas apenas para você, ou seja, pode dizer adeus ao jogo. - Draco larga Harry, sentindo duramente o peso das palavras de Yoh.

- Grrrr! Você e essa sua ladainha!

- Quer arriscar? - e se afastava - boa noite, professor. Boa noite, Potter. Draco, vamos andando, quero terminar a nossa conversa antes que cheguemos na torra da Corvinal - de modo que Draco bufava pela última vez.

- Deu sorte, Potter. Dá próxima vez eu te quebro todo! - e saia dali arrastando o pé, se perguntando por que diabos deu ouvidos ao Kneen. - Por que me deteve? Eu teria arrebentado com a cara daquele maldito!

- Não iria conseguir nada com isso, Draco.

- Iria me sentir muito bem depois, se quer saber. E por que você só ficou falando e não arrebentou aquele idiota? Eu te ajudaria nisso com o maior prazer!

- Se existe uma punição muito duro, caro Malfoy, essa punição é o silêncio...

- Quero ver até onde você vai suportar essas gracinhas do Potter, Kneen. E quero estar por perto quando você se estourar com ele, ah, como vou querer estar por perto...

***

- Droga! Aqueles sujos!

- Harry... essa garota na qual você está interessado... é a caçula Weasley?

- Sim, é essa. E aquele maldito do Kneen é o namorado dela!

- Hmm... eu não sabia disso.

- Viu o que eu disse? Aquele sujeito está tramando algo com o Kneen, Remo! Se aquele sujo fizer mal a ela, eu juro que...

- Harry! - Remo o interrompeu - Não tome decisões precipitadas, entendeu? Nunca julgue alguém apressadamente, antes que seja você a pessoa sendo julgada.

- Eu, julgado? Mas... por que?

- Ninguém está livre de ser julgado, lembre-se disse. E bater de frente com alguém nunca é a melhor solução. Ele foi esperto em ficar em silêncio no momento certo e só falar o necessário, pois quem fala demais acaba se atrapalhando.

- Mas de que lado você está, afinal de contas?

- Do seu, mas você agiu imaturamente. Não iniciou uma briga, mas tocou em pontos dolorosos do Draco. Me pergunto como o rapaz Kneen não perdeu a paciência com você e como ele foi capaz de convencer o Draco a não te bater. Mas se há algo verdadeiro, é o fato dele ter agido com a cabeça, e não com os instintos. Se a caçula Weasley está com ele por ele ser bastante maduro, então ela realmente encontrou o que queria. E vamos, por que essa conversa já rendeu mais do que deveria. Vamos dar a volta, por que não quero que você se encontre novamente com eles, entendeu? E tente se acalmar, nem todo mundo que conversa com sonserinos é um mal-caráter.

- Mas ele era o Malfoy! Todo mundo sabe que ele e o pai dele não prestam!

- Caráter não se passa através de palavras ou de ações, é algo que você descobre e compreende através da convivência. Lembre-se disso, antes que se arrependa.

Pouco depois Harry chega até a torre da Grifinória e subiu direto para o seu quarto com o fato do Kneen parecer intimo do Malfoy lantejando em sua cabeça.

Intimo demais para o meu gosto .

Se antes suspeitava, agora tinha suspeita. Todo mundo sabia que os sonserinos eram a pior escória que existia ... e de uma hora pra outra os corvinais começam a fazer amizade com eles? Crabbe, Parkinson... o Malfoy... isso estava ficando muito , mas muito estranho, mesmo. Já não era mais uma questão de não confiar nele... mas algo estava acontecendo... será que Draco usou sua influência em um grupo de corvinais, e estava começando a torná-los seguidores de Voldemort atrás dos panos?

Isso não era impossível, ele pensava.

Bem, ficou muito tempo parado. Na primeira oportunidade, seria uma ótima idéia usar o mapa do maroto e a capa de invisibilidade para saber o que o Kneen andava fazendo...

****

- O que você está fazendo?

- Vendo de que maneira irei prender meu cabelo amanhã.

- Amanda, está tarde, e amanhã o jogo é bem cedo.

- Eu sei, por isso quero ver com que visual meu cabelo vai estar.

- Acho que você está querendo é chamar a atenção de uma certa pessoa - ela sorria.

- Bem... e por que não? Afinal, vamos jogar contra a Sonserina, tudo pode acontecer. Eles são muito violentos, não quero meu cabelo sujo de lama.

- Só você mesmo - ela jogava a cabeça no travesseiro, esperando o sono vir.

Não demorou muito, e pouco depois estava sonhando, imaginando no sonho como seria o jogo de estréia dos amigos. Deveriam estar muito nervosos.

Mas tudo iria dar certo. Afinal, no fim tudo dava certo.