Harry chegou ao alto da torre com o coração na mão, ofegava e respirava com dificuldade. Por um momento decepcionou-se ao não vê-lo em lugar algum até que sentiu o corpo gelado aproximar-se do seu, colocando uma mão em seu peito, a outra em sua cintura e inalando o perfume doce da pele de seu pescoço.
- Se acalme
- Pensei que não iria me despedir.
- Como assim?
- Vou esquecê-lo. Minha memória será apagada. É incrível como em pouco tempo fui capaz de amá-lo tanto
- Faz isso por que quer? Ou tem outro motivo?
- Faço, pois tenho que fazer. Eu preciso.
- Está decidido? Tem certeza de que quer isso mesmo?
- Sim
Harry sentiu as mãos apertarem seu corpo em um abraço apertado. Colocou a mão sobre a dele e entrelaçou os dedos.
- Então não se lembrara mais de mim.
- Não e talvez essa seja a pior parte de tudo. É tão difícil de enfrentar sozinho, não sei se consigo.
- Claro que consegue, sempre conseguiu tudo. Tenha força, lembre que você tem amigos que te amam.
- Você me ama?
Ninguém respondeu, o vento morno tornava o momento mais relaxado. Harry encostou a cabeça no ombro de Sev e fechou os olhos sentindo os lábios gelados beijarem seu pescoço subindo para o lóbulo de sua orelha dando uma mordida que deixou os pêlos de Harry eriçados
- Quero que leve uma lembrança minha.
- Mais uma rosa?
- Não, as rosas que te dei já são o suficiente. Quero lhe deixar algo mais singelo.
Sev virou Harry de frente para ele e mesmo estando cara a cara, Harry não conseguia ver seu rosto.
- Tira o feitiço de desilusão.
- Já lhe disse que as mais belas coisas vêm do mistério. Quando vistas pelos olhos tornam-se feias e grotescas
- Não penso que você é assim. Sei que atrás desse feitiço e desta capa, você tem o mais belo rosto.
- Muita bondade sua me chamar de belo quando nem ao menos me conhece.
- Eu te amo e isso é o suficiente para achá-lo belo, o mais belo de todos os diamantes, o mais belo para mim.
O suspiro de Harry saiu pesado, carregado de uma dor contagiante.
- Sev
- Sim
- Eu não quero esquecê-lo.
- Então não esqueça – Ele levou as mãos até o rosto de Harry e segurou firmemente, afagando suas quentes bochechas com os dedos gelados. Aproximou-se devagar – Leve-me consigo, leve-me em seus lábios, guarde-me em seus sonhos.
Os olhos de Harry estavam fechados enquanto a voz sedosa de Sev entrava e invadia sua alma. Ele sentiu o corpo dele aproximar-se, a mão dele apertar sua cintura, o cheiro dele o inebriava.
- Espero – Disse ele e Harry pôde sentir o hálito bem próximo de sua boca – Que não se esqueça disso.
O coração de Harry disparou, estava de olhos fechados e quase tomou um susto quando lábios frios feito o gelo encostaram-se nos seus.
Por alguns momentos suas bocas apenas ficaram juntas, experimentando a sensação o beijo casto. Mas o desespero do coração de Harry passou para seus lábios que sentiram a urgência de tomar a boca dele.
Sev invadiu a boca de Harry com uma língua esfomeada, sedenta por explorar cada espaço, cada milímetro, sentir seu sabor.
As mãos pálidas afagavam os cabelos espetados do menino e apertavam sua cintura fortemente. O levou levemente para a parede e o prensou com seu corpo.
Suas bocas se afastaram quando o ar faltou. Harry arfava quando olhou para o homem sem ver seu rosto.
- Eu te amo – Falou baixinho o abraçando – Te amo.
Ele não respondeu. Deu um ultimo beijo apaixonado e duradouro sentindo cada segundo.
- Vai – Pediu se afastando – Vai logo.
- Mas eu não quero.
- Vá me esquecer. Não me maltrate mais. Vá embora.
- Deixe-me vê-lo
- Não! Não posso, não devo e não quero. Agora vá, ande logo, vá.
- Mas...
- Agora!
Harry sentiu um arrombo em seu coração. Queria tanto aquele homem, o desejou tanto, sonhou com ele, suspirou pó ele e sentiu que futuramente o trairia, não por que queria, apenas por que precisava, era necessário, essencial. Mas se sentia dele, pertencente a ele, somente dele. Se entregaria ali mesmo, de corpo e alma.
Mas ele se foi, ele o deixou naquela torre, o deixou no frio que somente o corpo dele espantava.
Se deixou escorregar até o chão e ficou deixando o frio se espalhar pelo seu corpo.
O copo de firewisky equilibrava-se no joelho de Snape. Seus lábios crispados estavam vermelhos pelas mordidas que dera.
Já estava tudo pronto e arrumado. Só falta uma coisa que estava atrasada.
Snape abriu a porta antes mesmo que ele batesse e desviou o olhar dos olhos mortos do menino.
- Sente-se Potter – Disse Snape de costas – A sua frente tem um cálice com uma poção rosa. Beba-o.
Ele não se virou, ficou contemplando a parede nua e ouvindo a bebida descer pela garganta do moreno.
- Agora beba a poção azul.
Snape virou somente quando a poção azul foi totalmente bebida. Sua expressão não melhorou ao vê-lo com aqueles olhos mortos, vazios, crus.
Ele se aproximou e ajoelhou-se na frente dele. Segurou em suas mãos e as sentiu geladas.
- Olhe para mim Potter.
Apenas um morto. Era assim que ele estava, morto por dentro.
- O diretor já deve ter lhe explicado o que acontecerá, então não preciso explicar. Segure firmemente a minha mão e recite um feitiço junto comigo. Isso ajudará a me dar mais acesso as suas lembranças conseguindo tirá-las de você.
Snape começou a recitar o feitiço tentando ignorar as pequeninas mãos que apertavam as suas e acariciavam seus dedos.
- Professor?
- Sr Potter, preciso me concentrar – Disse ríspido
- Se concentre depois. Minhas memórias serão apagadas e acho que o único momento que posso falar é agora.
-Então fale e seja rápido senhor Potter, não temos o dia todo.
- Eu te amo
- Eu não estou aqui para brincadeiras Potter – Ralhou Snape levantando e sentando na poltrona – Entenda que precisamos fazer isso o quanto antes, então concentre-se.
Snape pegou nas mãos do menino novamente. O viu abrir a boca, mas não ouviu as palavras, não havia som no beijo roubado pelo grifinório.
Era atrevido e prepotente como a língua que tentava invadi-lo, mas era extremamente saborosa, doce, gentil. Traçava a linha de seus lábios com malicia enquanto acariciava o cabelo negro com suas pequeninas mãos.
Arrepios
Caricias
Malicias
Amor
Carinho
Foi sem cuidado nenhum que puxou o menino para seu colo o apertando em um abraço desastroso, beijando-lhe a pequena boca com selvageria. Amando-o
Harry abriu os olhos devagar. Sua boca estava vermelha com os lábios inchados. Lambeu novamente os lábios dele.
- São tão gelados. Seus lábios, sua pele.
Encarou-o. Os olhos negros, perdidos de paixão.
- Era você não era? – Perguntou sussurrando
Snape secou a lágrima que caia no rosto do menino e lhe sorriu triste.
- Sinto muito – Disse apontando a varinha para ele – Memorium finite
Ele ainda pôde vislumbrar um leve sorriso no menino enquanto fios transparentes saiam de sua têmpora. Mas o sorriso terminou quando seus olhos fecharam.
