9. Limpa
Distrito de Columbia, 05 de Outubro de 2009
-Com licença, pastor? Posso?
Rob sorriu pra cabeça de Renesmee enfiada na porta.
-Claro que pode. Entra.
Nessie entrou na salinha de Rob. Pra variar, ele estava lendo a bíblia. Ele colocou a bíblia na cadeira ao lado e Nessie se sentou. Ela estava de tênis, calça Jean e um moletom verde, os cachos soltos ainda secando.
-Alguém acordou de bom humor... – Rob disse, observando a expressão feliz e o sorriso constante da garota.
-Nossa... Muito bom humor. – Ela respondeu com os olhos brilhando.
-Quer me contar o que aconteceu? – Nessie balançou a cabeça positivamente. É outro daqueles seus segredos?
-É! – Nessie riu. O Pastor Rob estava mais pra padre confidente que qualquer outra coisa para Renesmee naquele lugar.
-Pode falar.
Nessie sorriu não conseguindo se manter quieta na cadeira.
-O Jacob veio aí. – Uma expressão compreensiva passou pelo rosto do pastor. Tudo fazia sentido. – Mas não no horário de visitas. À noite, pulou minha janela.
-Hum... E...?
-A gene conversou e fez amor e ele disse que me ama e cantou uma musica pra mim... – os olhos dela perderam o foco por um tempo, mas logo voltaram. – Ele disse que faz qualquer coisa por mim, pastor. Por isso parou de usar drogas.
A expressão de Rob mudou pra completamente surpresa.
-Ele parou?
-Está parando. – Nessie respondeu, balançando a cabeça. – Ta malzão até, organismo protestando e tudo mais.
-Oh...
-Sinal de que ele gosta de mim, né Pastor?
-Sim, claro que é.
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Distrito de Columbia, 12 de Outubro de 2009
-Boa tarde. – Rob cumprimentou todos na sala, empurrando a enorme TV pro meio. – Sentem-se, ajeitem-se. Hoje vai ser um pouco diferente.
Todos sentaram já imaginando o porquê da TV, trocando olhares. Rob ligou a TV, mas ela não sintonizava nada além da tela de descanso do DVD.
-Mas antes, existem duas pessoas aqui que vão embora antes do nosso próximo encontro. – Todos se entreolharam, já sabendo de quem se tratava. – Brittany, vai embora amanhã, certo? – Brittany balançou a cabeça confirmando. – E Nessie ganha um presente de aniversário, volta pra casa no domingo.
Elas trocaram um olhar meio alegre, meio triste.
-Queria mais que isso como presente, pastor. – Nessie falou e Rob assentiu, já sabendo do que se tratava.
-Vou passar o vídeo, depois quero que vocês falem. – Rob avisou. – Vocês já conhecem, é mais um reprise. – Disse, ligando o DVD e escolhendo o vídeo. Eles, de fato, conheciam.
(N/A:Assistam o vídeo, é importante antes de terminar a leitura. Só há um empecilho, a legenda é em espanhol, mas dá pra entender. http :// www. youtube. com/ watch? v=eYWGmGc6-kQ)
Com o final do vídeo, a sala ficou em silencio. Os novos, que não tinham visto antes, estavam em choque, o choque que Renesmee sentira quando o vira pela primeira vez. Sua própria história camuflada, contada de um ponto de vista diferente, passando por seus olhos.
Agora era diferente. Depois de tratada, tudo era mais... suave. Nessie se sentia assim: perdoada. Depois de ser descoberta, sentia-se acolhida, abraçada. Limpa.
Não se deu conta de quando as lagrimas resolveram escorrer. Ninguém nem tinha falado nada, nem precisava falar. Ela só conseguia sentir.
-Alguém quer acrescentar algo? Hoje é dia de falar, antes que a Brittany discorra seu discurso.
Alguns riram da piada, Brittany olhando com uma cara de quem não sabia que tinha um discurso a fazer. Mas isso já acontecera com os outros antes, ela sabia que seria assim. Nessie engoliu o bolo e enxugou as lagrimas, respirando fundo. Levantou a mão antes que processasse o que fazia.
-Renesmee. – Rob cedeu a vez.
Ela abaixou a mão e sorriu nervosa. Não tinha ideia de como começar. Ela nunca tinha feito isso. Não ali com eles, nem dessa forma.
-Bem... Levantei a mão porque eu quero falar, mas, pensando bem, não sei como fazer isso.
-Ora, Ness! – Brit interrompeu. – Apenas diga. – Piscou.
-Oks. Apenas dizer. – repetiu num tom divertido e olhou pras pessoas na sala. Até Rob sentara pra ouvir. – Eu não sei se essa minha história tem começo. Desde que me lembro, meu pai fumava em casa. Por varias vezes, eu mesma acendia o cigarro pra ele. Minha mãe odiava, é claro, vivia reclamando, o tempo todo. Isso obviamente não foi o suficiente. Eu morava em Manhattan e a minha família é muito rica. Esse quartinho minúsculo aqui estava me matando, é sério. É do tamanho do meu closet na capital! Meu pai é médico e tudo mais. Eu sempre fui o grude com a minha prima Marcela. – Nessie sorriu ao se lembrar da prima. – Ela é só alguns meses mais velha que eu. Na escola, éramos três: Marcela, Julie e eu. A Julie é o tipo de pessoa que está sempre aí pra um amigo, incondicionalmente. Ela era o meu clarão, saca?
"Quando a Marcela mudou pro outro lado da cidade, colocamos outra loira pra substituí-la: a Hannah. Hannah pode ser a retardada que for, mas ela tem o maior coração do mundo, toda linda e doce. – Riu com esse pensamento. – Não sei como ela consegue ser assim. Só a parte do doce, eu digo."
Todos riram com a piada. Nessie engraçadinha, mas verdadeira.
-Aí veio a Luisa. – Continuou. – Maluca, completamente maluca, gente! Toda ruiva e irlandesa, a louca. Toda vícios. Até então, estávamos pra entrar no colegial e fumávamos esporadicamente. Depois que peguei amizade com a Lui que eu assumi pros meus pais que fumava. Não foi lá surpresa, mas minha mãe chiou. Não o suficiente, de novo. Aliás, eu estava disposta a não ouvir. Lui, apesar de boa família e status, era cheia de usar tóxicos pesados. A gente usava algumas coisas... Lança-perfume, na maioria das vezes, em festa, pra dar barato. E bebia. Mas a gente tinha experimentado maconha e só, nunca mais.
"O auge foi quando passamos pro colegial e conhecemos a Marie, outra européia, francesinha. O baseado era o café da manhã dela e a Lui se identificou na hora, trazendo-a pra ficar conosco. Não estou contra, de jeito algum. Marie é incrível. Bem, de qualquer forma, formamos a turminha mais invejável da escola. Lie, Lui e eu jogávamos basquete – Lie é a capitã – Marie é o gênio e Hannah é líder de torcida. Ano passado as coisas desandaram um pouco. A Lui perdeu no desempenho, passou de aluna padrão para mediana e foi expulsa do time. Às vezes eu acho que eu só não pirei antes por causa do esporte. Além do meu status de filha perfeita, claro. Mas jogar me fazia querer estar em forma, mais que o pulmão de fumante exigia."
"Meu pai estava concorrendo è essa vaga em Washington e eu estava me acostumando com a ideia de mudança. Os Cullen têm o incomodo hábito de ser bons em tudo. Família tradicional, todos formados em Dartmouth... Eu não podia desmerecer o nome. Não por ele. Por mim. Tenho orgulho demais pra manchar a mim mesma. Mas parece que não adiantou muito dessa vez..."
"Quando nos mudamos pra capital, numa casa enorme, fui pra escola e a minha acompanhante era justamente a Claire. Claire é a capitã do time feminino de basquete, uma indiazinha invocada. Todo mundo adora a Claire, porque ela é fantástica. E ela fazia parte do grupinho semelhante ao meu em NY. E ela conhecia o Jacob, amigo de infância. Cara, eu nunca tinha visto um cara tão lindo na minha vida, sério. E bastou dez minutos no intervalo do almoço e dois cigarros pra eu chegar à conclusão que era ele que eu queria. E acho que ele pensou a mesma coisa. Nós éramos iguais."
"Não demorou pra que esse fato se evidenciasse. Nós temos diversos pontos em comum e estávamos inevitavelmente ligados. Eu nem sabia porque, mas precisava estar com ele. Quer dizer, agora, que tivemos que nos separar, eu sei bem o porque e sei que é recíproco."
(N/A: Ouçam a música. Foi ela que concorreu – e ganhou – no TFA http :// www. youtube. com/ watch? v=NG2zyeVRcbs)
"Eu tinha certeza que estava no controle da minha vida. Eu fazia o que queria, tinha as minhas notas altas, o meu posto no basquete, meu carrão, o cara mais desejado da escola, minha beleza... O que não estava ao meu alcance? Minha queda veio antes que eu pudesse pensar que uma queda seria possível, simplesmente porque eu agi de forma estúpida."
"Mas também! Como eu ia adivinhar que meus pais resolveriam voltar da Florida mais cedo? Então eu dei uma festa em casa. Cobrei uma nota, open de tudo, DJ, iluminação. Eles sabiam que eu tinha dinheiro pra pagar sem que ninguém desse um centavo, mas pagaram mesmo assim. E quando a festa acabou, fiquei com o Jake no meu quarto, bebendo, fumando e transando – como se a gente não tivesse feito isso o fim de semana todo. E eles chegaram e deu o maior bafafá. Eu nunca tinha apanhado na vida." Aqui, os olhos de Nessie se perderam na lembrança e ficaram um tempo nela.
"Joguei tudo na cara deles." Disse, ao voltar pro presente. "Que eles não queriam ver, que a culpa era deles. E entrei aqui crente de que eu não tinha participação no rumo que minha família tomara. Eu era inocente."
"Sei que eles assumiam suas parcelas quanto ao meu estado. Extinguir a adega e parar de fumar foram os atos mais extremos do meu pai. Mas eu estava disposta a não enxergar o meu nessa questão. Só não esperava encontrar a verdade nua e crua na minha frente em menos de 24h de internação." Nessie focalizou o rosto de Rob. "Esse vídeo, Lump... É tão a minha história... Assisti-lo foi um soco na cara. E me obrigou a entender, enxergar e lidar com a minha participação nesse pandemônio, na bagunça que minha vida se tornara."
"Tentei desvencilhar da verdade, mas não funcionou. As minhas tardes de segunda eram muito mais felizes, porque eu sabia que poderia contar com o pastor. E eu estava crescendo e percebendo que a droga não era o que fazia de mim o que sou. Posso ser eu mesma, não preciso dela. E isso me fez reerguer."
"Sei que não é nem um pouco fácil. Geralmente subidas exigem muito mais do nosso esforço. Mas eu tenho fé, vou conseguir. Tenho objetivos e vou manter essa chama acesa. É com isso que eu conto. Vou manter a fé." Rob sorriu satisfeito, certo de que Renesmee tinha amadurecido. Algumas pessoas limpavam as lágrimas, comovidas com a história da garota. "E sabe... Não desanimem." Aqui ela olhou para Brittany. "Prosseguir sempre é possível."
Brittany sorriu, entendendo o recado e enxugou a lagrima que escorria pela sua bochecha antes de apertar as mão de Nessie nas suas, murmurando um "Obrigada".
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-Se eu não soubesse que é uma coisa boa – Nessie falou batendo bola na linha do lance livre, concentrada. – Eu estaria implorando pra você não ir, Brittany Smith. – Ela olhou fixamente pra cesta, soltou o ar pela boca e arremessou uma parábola perfeita, cesta de "chuá".
-Ah, velho! Pode contar que você vinha aqui escondida e essa história de não pegar numa bola desde que chegou é ladainha! É a sexta cesta seguida que você acerta! – Nessie riu.
-Não pego em bolas de basquete desde que cheguei. – Piscou para Brit.- E Jake gostava de treinar fundamentos comigo. Saca? Lance livre, Três pontos, Cross-Over, de ladinho, até o talo...
Brittany balançou a cabeça rindo.
-Vadia.
-Sou mesmo. Só do meu Jacob.
-Aaaai... Mimimi "meu Jacob". Mimimi "meu ala mais perfeito"... – Brit falou fazendo caras e bocas. Nessie acertou outra cesta. – Se eu não soubesse o que ele fez por você, Nessie... Eu chamaria você de retardada, oks?
Nessie deu com a língua pra ela, arremessou, mas não acertou dessa vez. Pegou a bola e parou de frente para Brittany. As duas se encararam.
-Você está pronta? – Nessie perguntou. Brit balançou a cabeça confirmando.
-Mais que da ultima vez. Você está? – Renesmee demorou uns segundos pra responder.
-Sim.
Elas ficaram mais um tempo se encarando em silencio. Quando voltaram a falar, falaram juntas.
-Obrigada. – Para ambas, um desabafo. Então se abraçaram.
-Ia ser muito mais difícil sem você. – Brittany disse com a voz embargada.
-Eu também não teria sobrevivido por muito tempo. Teria aberto mão há muito...
-Duvido. Você é tão forte...
-Eu não tinha base, Brit. Você foi fundamental.
Brittany riu pelo nariz.
-Que rasgação de seda.
Nessie também riu e as duas afastaram do abraço, enxugando as lagrimas.
-Nada de perder contato.
-Não mesmo. Vou tentar voltar pro seu aniversário.
-Claro. Eu nunca te perdoaria.
Renesmee tentou fazer uma cara ameaçadora e Brittany mostrou a língua pra ela. As duas riram por um tempo e se encararam.
-Amiga. – Disseram juntas mais uma vez.
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Distrito de Columbia, 18 de Outubro de 2009
-Sorrisinho! – o rosto sorridente de Alice pediu pra sobrinha. Imediatamente Renesmee sirriu, permitindo que a tia lhe passasse blush da forma certa, como se ela não soubesse fazer por si só. – Menina, sua pele está maravilhosa. Organismo limpo dá nisso.
A garota riu.
-Ai, ai tia...
-O que mais além de não fumar, beber ou usar maconha você tem feito pra deixar a pele assim?
-Hum... – fingiu pensar. – Manter os hormônios em ordem, o que não está na sua lista. – Ela apontou a barriga de cinco meses que a tia exibia. – Eu poderia incluir "dar bastante", mas vou ter que esperar um pouco pra usar esse argumento. Se, somente se, meu pai me manter na mesma escola e/ou não continuar me proibindo de ver o Jacob pro resto da vida.
Alice se sentou de frente pra Renesmee, sorrindo pra ela, um brilho diferente em seus olhos.
-Primeiro de tudo, eu nunca tive a pele tão boa. Gravidez faz milagres, oks? Segundo? Acho bom que você mantenha os medicamentos em dia. Você é rica e letrada demais pra se atrapalhar com bobeiras.
-Eu me cuido, tia. Nada de bebês até terminar o doutorado.
-Arre! Nem eu exagerei tanto! Defendi meu mestrado com um barrigão do seu primo, lembra?
-Claro que lembro, tia... – Renesmee ironizou e Alice deu um tapinha no braço dela.
-Claro que não, você tinha dois anos. Mas nada de filhos até terminar a faculdade.
-Sim senhora. – Bateu continência. – Como ela vai chamar, tia?
-Melody. Melody Cullen-Withlock. O que acha?
-Acho a sua cara.
-É lógico que é. Jazz escolheu o do Alex, faço o que quiser agora. – Ela entregou um espelho e um batom pra Renesmee. – Que ótima data pra se completar uma internação. – Nessie sorriu.
-Tudo foi friamente calculado. – Lançou uma piscadela à tia, passando o batom de um tom rosa claro. – Mas você sabe como ficaria melhor.
Alice guardou o batom que Nessie lhe devolvera, ainda mantendo um sorriso misterioso. Levantou-se e voltou a mexer nos cabelos da garota.
-Você sabe que seu tio Emm e eu fizemos tudo sempre na melhor das intenções, né?
-Eu sei, tia. Não se preocupe com isso.
-Mas o passo do seu pai sérvio de incentivo e aprendizado pra toda família. Independente disso, Emmett e eu vimos de perto como a história se desenvolvia nos bastidores, Ness, e sabemos que Jacob merece estar com você tanto quanto você com ele. – Nessie encarou a tia sem entender. – Foi Emmett quem avisou o Jake onde você estaria internada, só não achou que ele viria imediatamente. Nós gostamos do Jake, Ness. E fizemos nossa parte quanto a isso. – Ela deu uma ultima ajeitada na franja de Nessie e estendeu uma mão pra que a sobrinha a pegasse para levantar. A outra mão carregava sua super nécessaire. – Mas hoje é seu dia, pequena. Não se preocupe com nada.
O estomago de Nessie revirou com o apelido pelo qual a tia lhe chamara. Um, porque ela era maior que a tia e dois, porque era como Jake a chamava.
-Tia...? – parou no meio do movimento de sair pela porta do quartinha que veria pela ultima vez. – Quem está aí?
-Se eu contar, que graça vai ter?
Alice sorriu divertida – essa história de despedida era toda ideia dela – e Renesmee sorriu de volta. Encorajada, ela deu uma ultima olhada no quarto, apagou a luz e saiu fechando a porta.
N/A: OH MY GOSH, EU SOU A AUTORA MAIS ENROLADA DO UNIVERSO DDDDDDDDD=
Desculpem, crianças, de verdade ;; Sou muito preguiçosa, toda vez que eu pensava que tinha que upar o capitulo me dava um desaaaanimo ;( Mas eu promento que, se tiver um numero considerável de comentários, eu posto em breve, oks?
Porque a fic está acabando D; O próximo é o ultimo capítulo e depois só tem um epílogo e fim ;(
E isso também significa que eu preciso MUITO de vocês, oks? Os que geralmente comentam - como a Loveblack Cullen, Bella, Munyra Fassina, Srt. Black e Daaf-chan (cheia de teorias, nem comento lixa*) - e os que têm a fic nos favoritos.
Aguardo retorno/comentários. To morta, atualizei TUDO hoje /o\
xoxo;*
BL
