Ele não acordava. Estava completamente longe, apagado. Não estava respondendo aos toques de Dean. E olha que o mais velho estava realmente empenhado em acordá-lo.. O tocava o ombro, o tocava o rosto... Estava muito estranho. Não poderia guiar mais. Não estava em condições. Aquele movimento visual, blurrrr... Nossa! Estava mal! Se continuasse, provavelmente se chocaria com alguma coisa, uma carreta ou algo do tipo...

Encostou. Acostamento, sem internet, sem lugar nenhum para parar em segurança... Sem nada... Droga... Estava passando mal! Sua pressão parecia ter caído. Se tivesse ficado mais tempo acordado ontem, teria sentido os efeitos da coisa toda e teria percebido o que era...

Esfregou as têmporas e foi em busca da mochila de Sam. Abriu, procurou e achou o frasco. Leu a composição... O que diabos era aquilo? Êxtase com adição de cafeína??? Olhou para Sam... Agora estava confirmado. Estava furioso. Por que diabos Sam andava se metendo com aquilo? Será que a vida estava tão ruim a esse ponto?

― Samuel Winchester! ― bateu no ombro de Sam com força, o que o fez gemer baixo ― Acorda Sam! Acorda ou eu vou te bater dormindo!

Sam abriu os olhos lentamente. Olhou, focalizando Dean e disse:

― Que é?

― Me diz o porquê de você estar consumindo êxtase.. E é melhor não mentir...

― Dean... ― Se assentou ― Por que tá dizendo isso?

― Por que eu chequei o frasco.. E conheço a composição do êxtase... Está adicionado de cafeína... Só queria que me dissesse o porquê Sammy...

― Dean... E-eu... Não tem nada à ver com você! O problema sou eu! Eu simplesmente... Usei uma vez e... Gostei do efeito... Me levou os problemas...

― Sam... Eu não acredito! Como você pôde? Não faz idéia do que pode te acontecer! Você vai se matar Sammy! Por isso a sua vista nubla! Você não pode com isso!

Ah... A famosa lição de moral... Sam abaixou a cabeça. Sabia que estava errado, mas não podia admitir! Não quando aquela coisa o tinha feito tomar coragem para ser ele mesmo! Se bem que lhe tinha derrubado a máscara... Mas levando em conta o fato de que Sam nunca tinha coragem para agir de certo modo com Dean, aquilo era um provedor de milagres... E ele não pretendia abandonar a substância..

― Sam, eu estou decepcionado.

Apelou:

― Ah! É mesmo? Então por que consome e gosta tanto? Você não pode falar nada Dean! Nada! Você usou e reconheceu a substância! Dean! Aposto que você já usou muito mais que eu!!! Que merda Dean! Que grande merda!

― Cala a boca Sam! Cala a boca! Eu não quero você me acusando! Você não tem esse direito! Sabe, tem que ficar calado! Se o papai estivesse aqui...

Sam gritou interrompendo Dean:

― Não coloque o papai no meio disso Dean! Já somos grandes o suficiente para lidar com nossas atitudes!

― Você não parece grande o suficiente para entender que isso não é permitido Sammy!

Berrou Dean.

― Não é permitido? Não é Dean? Então não deve ser permitido pra você também se excitar por mim!

Saiu do carro e bateu a porta.

― Sam! Sammy!

Saiu do carro e o mais novo estava fuçando o porta-malas.

― Que está fazendo?

― Me mandando Dean, me mandando!

Berrou. O mais velho foi até ele e o segurou o braço.

― Não é hora para dar seus pitís Samuel!

― Não, Dean! Não é hora pra você dar os seus! Não banque o moralista, porque eu sei que você não é! Definitivamente não é!

― Cala a boca e volta pro carro Sam! Dessa vez você extrapolou demais!

― Com o que?

Dean abaixou a cabeça... Estava difícil demais pra lidar com aquela situação.

― Fazendo essas coisas! Coisas que não são permitidas!

― Permitidas por quem Dean! De quem são as leis? ― o rei do sarcasmo ― Suas? E o que mais não é permitido?

Gargalhou forçadamente.

― Você sabe muito bem que estou falando dessa droga!

Estava com o frasco nas mãos. Sam tentou tomar. Agarrou o braço de Dean e puxou o frasco, que caiu no meio da estrada e um carro passou por cima.

― Ah não Dean! Olha o que você fez!!!

Chorou, berrando.

― Fiz nada Sam! O destino fez!

― Cala a boca Dean! Cala a boca!

Gritou. Esfregou o rosto. Estava dando uma crise histérica.

― Cala a boca você Sam!

― Você não podia ter feito isso!

Sam segurou os ombros do mais velho e sacudiu. Dean tomou-lhe as mãos e jogou-as para o lado com brutalidade. Sam o agarrou os pulsos de novo e sacudiu. Dean empurrou o mais novo contra o carro e o prendeu. Sam golpeou o peito de Dean. Dean golpeou o peito de Sam. Aquilo virou uma batalha. Era defesa de lá e de cá. Ambos os lados combatiam sem querer combater... Acertavam sem querer acertar.. Punhos, faces, mãos, lábios, línguas... Beijo? Sim. Nada mais a explicar. Simplesmente aconteceu. Quando deram por si, estavam com os lábios conectados. Unidos num beijo de língua, num ato proibido, num calor sobrenatural.

Dean chupava a língua de Sam e o mais novo retribuía o gesto. Aquilo era errado, mas era tão gostoso, tão.. doce... pecado...

― Dean...

Gemeu Sam. Estavam se esfregando ali, em plena luz do dia, no meio da interestadual, sem se importar com seus princípios, com seus ideais... Com nada! A não ser consigo mesmos.

Sam se afastou e disse olhando dentro dos olhos do outro:

― Me desculpa...

― Cala a boca Sam...

Puxou o mais novo contra si e os lábios se tocaram novamente. Enterrou as mãos nos fios cor de chocolate numa carícia deliciosa e inocentemente provocativa. Era fraternal. Não era. Era promíscuo. Não era. Era pecado. Não era.

Quem disse que se importavam? Nada era normal nas suas vidas... Por que isso teria que ser diferente? Não fazia sentido em respeitarem regras quando viviam num mundo sem elas. Regras não existiam. E isso que acontecia agora, não era pecado. Não para eles, não da forma doce e apimentada que estavam interagindo... Se era pecado, era pecado também amar a quem quer que fosse. Porque, aquele amor nada mais tinha além do necessário e muita sinceridade.

Dean beijava bem demais! Sam estava pasmo! Aquela língua voraz dominando cada canto de sua boca, aquela respiração ofegante disputando com a sua.. Os corpos colados, grudados, em pleno atrito.

Sim. Aquilo estava acontecendo. E dalí pra frente seria cada vez mais complicado. Ou ao menos eles pensavam assim...