Capítulo 9

A luz brilhando sobre ele foi o que o acordou. Ele moveu a cabeça para a esquerda, depois para a direita, e tudo o que ele via eram rostos ao redor dele que ele não reconhecia. Havia um sinal sonoro constante perto dele que ele mal podia ouvir, mas era irritante o suficiente para fazê-lo gemer. Um dos rostos desconhecidos olhou para ele quando ele gemeu, e suas sobrancelhas se ergueram em choque quando ela percebeu que ele estava acordado.

"Ele está consciente! Prepare a anestesia; nós não terminamos ainda!"

Anestesia?

Antes que Tony pudesse dizer alguma palavra, ele sentiu as pálpebras se fecharem de novo e seu mundo ficou preto mais uma vez.


"Tony? Tony, você pode me ouvir?"

Pepper, é você? O bilionário tentou abrir os olhos, mas as pálpebras estavam pesadas de uma maneira que ele jamais havia sentido antes. Ele tentou abri-las novamente, e desta vez, ele foi um pouco mais bem-sucedido. Quando seus olhos focaram em sua mulher loira, a vontade de manter os olhos bem abertos cresceu até ele ser capaz de manter as pálpebras até onde ele queria. Ele sorriu para ela e ela sorriu de volta, com os olhos vermelhos das muitas horas de choro.

"Tony, eu pensei que tinha perdido você". Ela fungou. "Você não tem ideia de como foi difícil para mim não saber se você iria voltar."

Tony abriu a boca para confortá-la, mas por mais que seus lábios se movessem, nenhum som saiu. Ele engoliu um seco e lambeu os lábios e tentou de novo, mas o resultado foi o mesmo. O que há de errado comigo?

Ele sentiu uma coceira dentro de sua garganta e tentou limpá-la, mas a coceira não diminuiu nem um pouco. Ele então tentou tossir, mas aquilo também não resolveu. Pepper percebeu sua angústia e ela levantou-se, caminhou até o canto do quarto e voltou ao seu lado com um copo de água nas mãos. "Deve ser a anestesia. Aqui," ela pressionou a borda do copo na boca dele e ele de bom grado aceitou.

O líquido frio refrescou sua boca e garganta, mas quando ele tentou falar, ele não foi capaz de emitir som. Seus olhos se levantaram para encará-la; havia dúvida e medo evidente em seus olhos azuis. Pepper colocou o copo de água sobre a mesa ao lado dela antes que ela se levantasse e sentasse na beira da cama com ele.

"Tony, há algo que eu tenho que lhe dizer, e não vai ser fácil, mas você precisa saber, mais cedo ou mais tarde."

O olhar em seu rosto não era nada reconfortante, e ele tentou sentar-se na cama, mas seus músculos não estavam respondendo do jeito que ele queria. Pepper percebeu o esforço que ele estava tentando fazer, assim, ela pressionou a palma da mão sobre o peito dele e balançou a cabeça. "Não se mova. Não há jeito."

Não há jeito?

"Olha, Tony. Eu vou dizer de uma vez, tudo bem? Por favor, me escute." Ela respirou fundo, como se estivesse tentando ganhar coragem para dizer o que ia dizer." Uma semana atrás, você saiu em uma missão para Jazan na Arábia Saudita. JARVIS disse que você encontrou mais armas das Indústrias por lá, e que você lhe disse para não me dizer nada sobre isso a menos que algo de ruim acontecesse com você."

Ruim? Jazan? Missão? Tony fechou os olhos por um momento; as memórias da missão que Pepper citara sendo recapitulada em sua mente.

"Eu planejei o plano de voo para a missão, senhor. Devemos chegar em aproximadamente uma hora, se o tempo colaborar", JARVIS disse a Tony, ainda monitorando seus sinais vitais e traçando o caminho na tela do capacete.

"Uma hora? Deus, eu preciso fazer essa coisa voar mais rápido!" Tony respondeu, ainda sentindo o impacto físico da missão que ele tinha acabado há meia hora atrás. JARVIS tinha interceptado uma comunicação dos militares, contatando-o que um grupo de rebeldes no Chile ameaçou usar armas de destruição em massa contra a população civil, na esperança de virar o resultado da última eleição. Tony não gostava de lutas políticas, mas as armas que os rebeldes haviam ameaçado atacar eram suas armas.

Quantos acordos que Stane fez debaixo dos lençóis? Tony perguntou a si mesmo, ficando cada vez mais cansado de ter suas armas sendo usadas para tudo, exceto para proteção dos indefesos.

"Devo acrescentar o tempo de voo avançado para a lista de melhorias para o plano de desenvolvimento da Mark VII?"

"Sim, faça isso. E, me diga de novo, para onde estamos indo?"

"Jazan, Arábia Saudita. Um esconderijo de armas abandonado das Indústrias Stark foi descoberto por um grupo de ladrões, e eles têm as usado para atacar pequenas aldeias agrícolas para conseguir seus recursos limitados."

Tony suspirou, ele odiava ter que lidar com bandidos. Bandidos eram amadores, e por qualquer coisa de valor eles estavam prontos para matar. Suas armas eram altamente sofisticadas e mortíferas, e nas mãos de ladrões não qualificados, representava uma ameaça ainda maior para quem aparecesse na frente deles.

"Quando você acha que nós vamos estar de volta para casa, JARVIS?"

"Colocando o tempo de voo, alterações de fuso horário e o tempo real de batalha, o tempo mais rápido de chegada para Malibu será próximo a meia-noite."

"Merda! Prometi a Pepper que eu estaria lá por volta das 18:00h e esperar por ela!"

"Temo que não podemos voltar a esse horário, senhor."

"Será que ela sabe onde eu estou?"

"A pedido seu, eu não informei a senhorita Potts da sua missão. Você gostaria que eu cancelasse seu encontro?"

"Não! Apenas... se nós não acabarmos por aqui até ela chegar em casa, diga-lhe para ela se sentir em casa, e que eu estarei em casa o mais rápido que eu puder."

"Eu suponho que não gostaria que eu dissesse onde o senhor está?"

"Ainda não, J. Eu não quero que ela se preocupe comigo."

"Como quiser. Posso também dizer que devemos fazer esta missão o mais rápido possível, senhor? A Mark VI sofreu danos e está na extrema necessidade de reparos."

"Notável, JARVIS. Só vou explodir o esconderijo e voltar para casa."

"Certo".

Os olhos de Tony se abriram e assim permaneceram. Ele lembrou-se da missão que Pepper estava falando, o que só poderia significar que ele estava de volta a sua linha do tempo original - ou um pouco parecido com isso, já que ele estava num tempo "mais cedo". Pepper pressionou o peito dele de novo quando ele começou a hiperventilar, mas seu toque suave não o ajudou a se acalmar.

"Tony, respire. Se você começar a ter outro ataque de pânico, os médicos vão sedá-lo outra vez. Favor, acalme-se."

Outro ataque de pânico!? Tony fechou os olhos e tomou respirações profundas; ele não tinha certeza se ele realmente queria saber o significado de "sedá-lo" naquele momento, então ele não tinha escolha a não ser ouvir sua ex-assistente. Logo que Pepper percebeu que ele estava respirando normalmente de novo, ela se inclinou e o beijou nos lábios. Tony devolveu o gesto com a máxima emoção que ele podia, já que ele não sabia se ele iria ter outra chance de beijá-la outra vez.

Quando ela finalmente se afastou, Tony tentou levantar a mão direita para tocar seu rosto, mas o membro se recusou a se mover. Que porra está acontecendo?

Em seguida, ele tentou mover seu braço esquerdo, mas o resultado foi o mesmo. Ele olhou para cima para encarar Pepper e notou que seus olhos estavam cheios de lágrimas novamente. "Eles se foram, Tony. Eles tiveram que amputá-los."

Amputar o quê? Ele pensou e quis gritar a pergunta em voz alta, mas sua voz o traiu. Pela primeira vez desde que seus olhos tinham se abrido para ver o rosto dela, ele olhou para o seu corpo para testemunhar a notícia que Pepper estava tentando transmitir a ele: seus braços foram amputados até onde ficavam seus cotovelos.

Ele pressionou a cabeça no travesseiro e começou a hiperventilar novamente, amaldiçoando sua maldita sorte. Pepper estava tentando manter uma atitude calma, mas era difícil para ela vê-lo assim, especialmente depois que semana passada deveria ter sido o seu segundo encontro não-oficial com ele. Ela não conseguia se perdoar por ter se deliciado num banho de espuma na mansão enquanto Tony estava sendo feito em pedaços em Jazan. "Tony, por favor, acalme-se. Você acabou de acordar e eu não quero que os médicos o seda novamente. Eu não posso... por favor..."

Tony fechou os olhos novamente e tomou respirações ainda mais profundas. Ele, então, sentiu a mão de Pepper em seu rosto, e ele inclinou o rosto com seu toque. Eles permaneceram em silêncio por um momento, até Pepper voltar a falar. "Tony, há mais. Isso não é bom também, mas... os braços não são a única coisa que eles tiveram de amputar."

Tony inclinou a cabeça para o lado até que seus lábios pudessem sentir sua mão, e ele beijou-a levemente antes de concordar com a cabeça e abrir os olhos novamente, dizendo-lhe que ele estava pronto para a próxima notícia chocante. Pepper acenou para ele também, e ela se levantou da cama.

"Eu vou mostrar a você, Tony." Sua mão segurava a borda do cobertor e ela lentamente o puxou para baixo. Tony olhou para o seu corpo, e depois de ver que seu corpo terminava em sua cintura, ele desmaiou em choque.


O peso sobre seu peito acordou-o, e por um momento o bilionário esqueceu-se de sua viagem ao tempo ao inalar o cheiro do shampoo de Pepper. Ele se lembrou do por que ele havia desmaiado, mas ele não tinha certeza de quanto tempo ele estava desacordado. As cortinas da única janela do quarto do hospital estavam fechadas, de modo que ele não podia sequer imaginar que horas eram. Ele fechou os olhos novamente, sabendo que tudo o que ele tinha que fazer era esperar até que a pulseira o fizesse viajar para outro universo alternativo, mas foi ai então que sua mente lhe revelou um fato terrível.

Ele não tinha braços.

Sem braços significava sem relógio.

Sem relógio significava sem viagem ao tempo.

Puta merda! Puta merda!

Ele bateu a parte de trás de sua cabeça contra o travesseiro em frustração, e o movimento fez com que Pepper – que dormia sobre seu peito – acordasse. Ela inclinou a cabeça para trás apenas o suficiente para olhar para ele enquanto ainda descansava parcialmente em seu peito. "Tony, você está acordado."

Ela levantou-se dali e esfregou o olho esquerdo com a mão enquanto tentava afastar a sonolência. Ela penteou os longos cabelos com os dedos e tossiu para falar. "Você está com fome?"

Tony tentou falar novamente, mas quando o único som que ele fez foi um resmungo, ele balançou a cabeça. Os ombros de Pepper caíram, e ela decidiu deixar o bilionário saber a extensão de seus ferimentos. "Suas cordas vocais sofreram grandes danos. Você não será capaz de falar de novo."

Tony piscou várias vezes e acenou com a cabeça para que ela soubesse que ele havia entendido. Ele poderia lidar com o fato de ser mudo pelo resto de sua vida, aquilo não o chocava tanto assim. O verdadeiro problema, porém, era descobrir o que tinha acontecido com seu 88CP. "Você se lembra do que aconteceu com você?" Ela perguntou-lhe com uma voz suave. Quando Tony balançou a cabeça, ela acenou a cabeça e respirou fundo.

"JARVIS me disse que aquilo foi uma emboscada dos caras que estavam com suas armas. Rhodey pegou a armadura e foi à sua procura quando descobrimos o que tinha acontecido com você. Ele disse que você estava... muito ferido. Ele levou-o para o hospital mais próximo, mas não havia muito que pudesse fazer por seus membros, por isso eles tiveram que amputá-los. Os médicos estão surpresos por você ter sobrevivido. Você perdeu um rim, um pulmão e eles tiveram que tirar o seu baço".

Pepper fechou os olhos e não aguentou mais segurar os soluços. "Eu sinto muito, Tony. Eu realmente sinto muito. Eu tentei convencê-los a não fazer aquilo, mas eles não me deixaram nenhuma opção... Eles me disseram que ou era seus membros ou sua vida. Mas eu queria que eles o salvassem, mesmo que fosse apenas parte de você. Por favor, não me odeie. Por favor, por favor, não me odeie."

Tony balançou a cabeça.

"Eu não queria que fosse assim. Os médicos, eles disseram que você pode ir para casa em duas semanas, e depois? O que você quer que eu faça?"

Lutando o máximo que ele podia, o bilionário encolheu os ombros; ele também não sabia o que fazer. E, o pior de tudo, ele não tinha como se comunicar com Pepper ou qualquer outro. Ele era um mudo sem membros. Se ele não tivesse ido para aquela missão. Se Obadiah não tivesse feito vendas debaixo dos lençóis. Se ele tivesse monitorado as aprovações de vendas e envios de suas armas ao redor do mundo.

Se eu nunca tivesse sido o Homem de Ferro, e esse era o fator determinante para Tony. O Homem de Ferro tinha sido o seu bilhete de saída do Afeganistão, mas também havia ferido os que o rodeavam. Ele tinha matado Pepper com sua armadura. Ele a envenenou com seu reator. Ele havia ameaçado centenas de pessoas em sua Expo quando Justin Hammer tinha conseguido mudar as especificações da armadura dele. Não importava de quantas maneiras ele via aquilo, tanto a alegria e a miséria em sua vida giravam em torno de suas malditas armaduras.

Pepper tinha razão ao me dizer para parar, ele se lembrou com amargura quando sua então ex-assistente tentou se demitir, dizendo-lhe que ela não queria fazer parte de sua auto-destruição. Maldita mulher por não estar errada! Então, novamente, o que ele esperava dela? Sua mente sã tinha sido uma das razões pelas quais ele havia a contratado como sua assistente pessoal. Ela ficara de pé ao lado dele toda cada vez que ele fazia coisa errada, livrando-o do problema e lidando com a imprensa. E de que forma ele tinha a pago sua lealdade? Ele a matou de várias maneiras na última semana, durante suas viagens ao tempo com sua ideia estúpida de que ele tinha o poder de corrigir o erro que causou em sua vida.

"Rhodey estará aqui mais tarde. Ele disse que JARVIS ligou e disse-lhe que tinha uma ideia de como ajudá-lo a se comunicar com a gente. Eu não sei o que é, mas conhecendo JARVIS, isso certamente irá funcionar."

Tony acenou para ela, ouvindo apenas parcialmente o que ela estava dizendo. Sua principal preocupação no momento era o paradeiro de seu relógio. E se tivesse caído nas mãos de alguém que não sabia o que era? E se ela tivesse levado outra pessoa para a próxima linha do tempo e ele estivesse preso ali? Pelos seus cálculos, ele estimava que o relógio tivesse aproximadamente dez por cento de bateria. Concluindo; ele só possuía mais duas viagens.

Será que a máquina do tempo viaja por conta própria?

Uma batida na porta interrompeu seus pensamentos. A porta se abriu e uma enfermeira entrou no quarto, segurando um saco de papel marrom em suas mãos. Ela andou até Pepper e deu-lhe um sorriso de desculpas, obviamente desconfortável com a situação. "Senhorita Potts, eu tinha que lhe entregar isso e sempre acabo me esquecendo. Estes são os pertences que o tinha em sua posse quando ele foi internado. Achei que você os quisesse, mesmo que não seja muita coisa."

"Sim, obrigada", Pepper pegou o saco da mulher. "Muito obrigada", disse ela em um tom que era ao mesmo tempo agradecido quanto um comando para que a enfermeira pudesse se retirar. A enfermeira assentiu uma vez a Pepper e depois para Tony antes que ela saísse rapidamente do quarto. Pepper voltou sua atenção para Tony, que estava olhando para o saco com a mesma cara de questionamento que ela dava para ele. "O que você tinha com você, Tony?"

Ela abriu o saco e a primeira coisa que ela tirou dali foi o relógio favorito de Tony. "Seu Jaeger está aqui." Ela colocou o relógio em cima da mesa ao lado de sua cama antes que sua mão fosse para dentro do saco novamente. Quando a mão dela saiu, o primeiro pensamento de Tony era de que não havia mais nada lá, mas quando ela abriu a palma da mão e olhou uma bolsinha de veludo nela, ela franziu a testa.

"O que é isso?"

Os olhos de Tony se arregalaram e sua boca secou.

Pepper não prestou a atenção na reação dele enquanto ela estava ocupada chacoalhando a bolsinha de veludo com a mão direita e uma joia caiu na palma de sua mão esquerda. Ela olhou para a engenhoca por um momento, as sobrancelhas franzidas em confusão. "Por que você estava levando o anel de noivado de sua mãe?"

Assim que a pergunta pairou no ar, Pepper deixou escapar um suspiro agudo. Sua cabeça se levantou para olhar para Tony; um olhar para o rosto dele fora o suficiente para ela entender o significado do anel nas mãos. "Tony... você... você... você ia... ?"

Tony engoliu em seco e assentiu; a seriedade em suas feições fez com que Pepper desse uma respiração superficial. Ela fechou a mão em torno do anel e mordeu o lábio, olhando profundamente nos olhos castanhos de Tony. "Tony... eu... eu não posso acreditar... você... "

Tony acenou novamente. Pepper fungou quando ela colocou o anel de volta em sua bolsinha de veludo e, em seguida, colocou-o na mesma mesa onde o relógio estava. "Podemos falar sobre isso mais tarde, está bem?" O aceno dele era a sua única resposta.

"Há mais uma coisa aqui", disse Pepper quando ela virou o saco para baixo e o último item dentro dele caiu sobre seu colo. Pepper foi pega de surpresa enquanto ela alternava entre olhar para baixo – seu colo – e em seguida, para o relógio em cima da mesa. "Você usa dois relógios, Tony?"

Pepper percebeu que ele estava fazendo um esforço para olhar para baixo, e ela mais do que na hora pegou o item estranho para mostrar a ele. "Desculpe. Aqui, o que é isso?" Ela perguntou enquanto balançava o 88CP em sua mão. "É seu ou a enfermeira o trouxe por engano?"

Tony assentiu freneticamente.

"Oh, não é seu", deduziu Pepper. Ela estava prestes a colocá-lo de volta no saco, mas o balanço frenético que Tony fazia com a cabeça chamou sua atenção. "É seu?"

Tony assentiu.

"Por que você tem dois relógios?"

Tony pigarreou e apontou para o peito com o queixo. Pepper lutou por um minuto enquanto ela tentava ler os gestos de Tony. "É para o reator?"

Tony assentiu. Pepper trouxe a pulseira para mais perto de seu rosto. "É, tipo, um contador ou algo assim? Está em 11%."

Se Tony pudesse avançar sobre ela para pegar o relógio, ele iria. No entanto, tudo o que ele podia fazer era mexer um pouco ali e lá, esperando Pepper entender o que ele estava tentando fazê-la entender.

"Você precisa disso agora?"

Outro aceno de cabeça.

"Mas, Tony... onde posso... você sabe... não há..."

Tony novamente apontou para o seu ombro esquerdo. Pepper pegou a pulseira do relógio pelas duas extremidades e examinou o objeto. "Espere, se é um timer, então não deveríamos pegar outro reator? Ele está com 10,5%."

O coração de Tony estava batendo fora do seu peito. Uma vez que a pulseira chegasse aos 10%, sua única chance de sair dali se iria para sempre. Tony balançou a cabeça mais e mais, ainda apontando para o seu ombro.

"Tudo bem! Tudo bem! Acalme-se, Tony." A mulher disse enquanto ela se familiarizava com a pulseira. "É ajustável, pelo menos. Deixe-me tentar colocá-lo."

Tony prendeu a respiração quando Pepper se esforçou para fechar a pulseira em torno da parte mais fina do que restava de seu braço, mas o músculo ao redor era muito mais grosso do que seu pulso. Ela colocou a engenhoca ali algumas vezes, mas a pulseira sempre abria, fazendo com que Tony gemesse em desespero.

"OK, não se mova. Vou tentar uma última vez, e se não funcionar, eu vou mandar redimensiona-lo, OK?"

Tony balançou a cabeça, fechou os olhos e rezou para que sua última tentativa funcionasse. Felizmente para ele, funcionou.


Curiosidade: Esse flashback sobre a missão de Tony pode ser lida por inteiro em "30 Days" – Capítulo 7. Link: migre jlDly (Retire os espaços e acrescente "barra" entre migre e jlDly junto de ".com" para acessar :])