Três pessoas acertaram quem era. Tem gente que chegou bem perto também. Hoje, nem irei responder os reviews para não correr o risco de alguém ir direto lá embaixo e já ver a resposta. Malvada? Talvez, muahahahahah! Brincadeiras a parte, espero que gostem do capítulo.
Capítulo 9
— Não diga uma palavra sobre o meu trabalho — sussurrou Bella, no portão da casa da mãe em Tahoe. Em algum lugar lá dentro seus irmãos adotivos estavam passando o fim de semana. — Minha profissão os irrita.
— Está bem.
Anuindo, Bella fez menção de bater à porta, mas se voltou mais uma vez a ele.
— E não diga uma palavra sobre o meu carro também. Quando se lembram de minha situação financeira, ficam preocupados que eu mude de ideia e reclame minha herança.
Edward assentiu.
No entanto, mais uma vez ela hesitou. — E não comente nada...
— Bella.
— Certo. Estou nervosa, admito.
Alguém a estava perseguindo com a intenção de fazer com que parecesse louca. Apaixonara-se por um homem com quem dissera não querer nada além de sexo. De que outra forma podia se sentir? Sabia que quando solucionassem aquele mistério, estaria tudo acabado entre eles.
Droga, não era isso o que desejava!
Irritado com a demora, Edward tomou a dianteira e bateu à porta.
Ela o repreendeu com o olhar, o que foi devidamente ignorado.
Maldito homem que não sabia como encarar uma relação séria! Mas era benfeito para ela aprender.
Seu irmão adotivo abriu a porta com uma taça de champanhe em uma das mãos. Um cigarro apagado pendia de um dos cantos da boca e um chapéu de festa ridículo lhe cobria um dos lados da cabeça.
— Surpresa...! — Porém, deteve-se com o sorriso evaporando. — Oh, é você.
— Precisamos conversar.
Alec suspirou, exasperado.
— Espere um pouco — disse, antes de fechar a porta, deixando-os do lado de fora.
— Oh, o amor familiar! — caçoou Edward. — É avassalador, não?
E com apenas aquele comentário toda tensão pareceu abandoná-la em uma sonora gargalhada.
— Obrigada — sussurrou ela, girando para roçar os lábios no maxilar de Edward, tencionando lhe dar apenas um beijo suave para deixá-lo ciente do quanto apreciava o fato de ele estar ali.
Contudo, no último instante, Edward virou a cabeça e os lábios de ambos se encontraram, transformando o beijo breve em algo profundo e ousado, enquanto as mãos fortes a puxavam em direção ao corpo másculo.
A porta da frente se escancarou e Bella se afastou, sentindo-se um tanto intrigada pelo fato de aquele homem ter a capacidade de envolvê-la a ponto de fazê-la esquecer de tudo a seu redor.
Dessa vez, era a irmã adotiva que se encontrava parada lá, trajando um vestido curto preto que por certo devia ter custado mais do que o seu salário mensal. A jovem volveu o olhar a Edward, intrigada com o fato de Bella ter sido capaz de fisgá-lo.
— O que está fazendo aqui? Alguém a convidou para a festa?
— Que festa?
— Estamos dando uma festa surpresa para mamãe.
O fato de não ter sido convidada não surpreendia Bella.
— Quero apenas conversar com vocês por alguns instantes.
Jane consultou o relógio de pulso.
— Tem meio minuto.
Bella deixou escapar um suspiro exasperado.
— Muito bem. Alguém está tentando fazer com que eu pareça maluca. Há um defunto...
— Um o quê?
— Defunto — repetiu Bella. — Que aparece e desaparece. Além do fato de que alguém invadiu meu apartamento, tentou atirar em mim no estacionamento do zoológico e me causou uma concussão. E para ser franca, a polícia está começando a duvidar de minha sanidade.
Jane deu uma sonora risada.
— Começando?
— Não me interrompa. Tenho meio minuto — retrucou Bella. — Não estão querendo me matar e, sim, fazer com que eu pareça louca. Talvez esse alguém é você e seu irmão para que possam garantir toda a herança.
— Está se referindo a mim?
— É você que está fazendo isso tudo?
Jane ergueu a taça de champanhe e sorveu todo o conteúdo.
— Alec — chamou por sobre o ombro. — Por um acaso tem algum plano para fazer com que Bella pareça...
— Louca — completou Bella.
— A que estão se referindo? — indagou o rapaz.
— Bem... — Jane pegou a taça da mão do irmão e bebeu de um só gole. — Isabella veio até aqui para nos fazer uma pergunta. Quer saber se somos nós que temos um defunto que aparece e reaparece, se invadimos o apartamento dela, atiramos nela no estacionamento do zoológico... — E voltando-se para Bella. — Desculpe-me esqueci o que vem depois...
— A concussão.
Alec volveu o olhar à irmã e ambos irromperam em uma gargalhada.
Edward franziu o cenho.
— O que há de tão engraçado nisso?
Jane que havia se inclinado sobre o irmão, limpou as lágrimas que não conseguiu conter de tanto rir.
— Oh, Deus! Isso é ridículo.
— O que é ridículo? — indagou Bella, indignada.
— Sua necessidade doentia de provar que é independente, que pode se virar sem família ou amigo finalmente se voltou contra si mesma.
— Não tenho necessidade... — De repente, Bella estacou. — Está bem, posso ter um pouco, mas vocês dois nunca me incluíram.
— Oh, não! — retrucou Jane. — Não permitirei que nos impute essa culpa. Estou bêbada, mas nem tanto. Desde o início foi você a empinar seu pequeno nariz para nós. Assuma isso e não tente inverter os fatos.
Bella se limitou a fitá-los. Teriam razão? Seria aquilo possível?
Jane suspirou e, quando um garçom aproximou-se da porta com uma bandeja repleta de drinques, ela pegou dois e ofereceu um a Bella.
— Não posso.
— Está vendo? É boa demais para se juntar a nós.
— Não é isso. Já abusei do álcool por hoje.
Teria antipatizado com Alec e Jane pelos simples fato de eles serem ricos? De fato já tinha suas ideias de independência quando os dois surgiram em sua vida. Oh, seria aquilo tudo sua culpa?
— Então isso não tem nada a ver com o dinheiro do pai de vocês?
— Já se deu ao trabalho de ver quantos zeros possui a quantia que nos foi deixada de herança? — Jane exibiu um sorriso e, para surpresa de Bella, livre de cinismo ou sarcasmo. — Temos muito. Mais do que o suficiente sem contar com sua parte.
— Então não se importam que eu a reclame? — Não. — Foi a vez de o irmão se manifestar. — E tem mais. Não nos importamos se é de fato louca.
— Mas já que está aqui — interveio Jane. — Pode entrar e fingir que somos uma família feliz e gritar "surpresa" quando mamãe chegar.
— Ela já teve uma festa.
— Sim, mas sabe como é sua mãe. Adora festas.
~~x~~
De volta a Los Angeles, Edward acompanhou Bella até à porta, com uma forte sensação de que quando se despedissem, ela sairia de uma vez por todas de sua vida.
— Obrigada pelo voo — agradeceu Bella, voltando-se para encará-lo. — Foi quase indolor.
O "quase" pairou no ar, enquanto a dor que ela alegava não ter sentido se refletia nos olhos castanhos, parecendo sufocá-lo.
— Tem certeza de que não quer que eu entre?
— Não é necessário.
Do outro lado do corredor, a porta de Mike se abriu, mas quem surgiu foi uma bela morena, alisando as roupas amarrotadas com um sorriso sonhador estampado na face.
— Oh! — A jovem se deteve, surpresa. — Bella?
— Jéssica?
— Jéssica — repetiu Edward. — A mesma que trabalha com você?
Bella anuiu sem desviar o olhar da outra.
— Você... e Mike? Mas... quando?
— Conhecemo-nos quando ele trouxe pizza para você na outra noite, está lembrada? Depois você o preteriu por outro homem e o deixou livre. — E dando de ombros. — Eu estava carente e... não está zangada, está?
— Não. Claro que não — assegurou Bella, alternando o olhar entre a colega de trabalho e Edward. — É que...
— Surpresa? Bem, os outros também têm suas necessidades, sentem solidão, encontram-se.
— Sei disso.
— É mesmo? Porque às vezes parece que não.
— Jéssica...
— Não, tudo bem — interrompeu-a Jéssica, esfregando os olhos. — Desculpe-me. Não quero que isso se torne um problema.
— Não é.
— Ótimo. Vejo-a no trabalho.
— Espere — interveio Edward, fitando Bella de soslaio. Jéssica o encarou.
— Conheço você. É o piloto bonitão. Não sei que tipo de amuleto Bella está usando, mas tem tido muito sorte.
— Acha que quase ser morta em várias ocasiões é ter sorte?
O sorriso de Jéssica evaporou, enquanto girava para encarar Bella.
— Acredita que quase esqueci? Conseguiram prender o atirador?
— Não. — retrucou Edward. — Tampouco quem quer que tenha estado no escritório dela e lhe causado uma concussão e cinco pontos.
— O quê? — Jéssica tomou nas suas a mão de Bella. — O que aconteceu?
— Não ficou sabendo o que houve com Bella no trabalho? — inquiriu Edward.
— Não, tirei folga. O que aconteceu? — A expressão aterrorizada na face de Jéssica, embora pudesse ser forçada, parecia ser genuína. — Bella, o que houve?
— Tinha um corpo em meu armário.
— Um corpo... — Jéssica se recostou à parede. — Minha nossa!
E então Bella relatou todo o acontecido.
— Já considerou a possibilidade de alguém estar muito aborrecido com você? — indagou Jéssica.
— Na verdade, sim — falou Edward.
A jovem lhe voltou o olhar e a compreensão a atingiu em cheio.
— Acha que eu... Ah, Deus! Bella nunca me aborreceu.
— E quanto à promoção?
— Bem, sim. Fiquei com ciúmes — admitiu Jéssica. — E depois surgiu você... quer dizer, já se olhou no espelho?
E, virando-se para Bella, declarou: — Sei que posso ser uma imbecil ciumenta, mas não sou vingativa. Diga-me que acredita nisso.
Bella a fitou por alguns instantes e, em seguida, anuiu.
— Sei disso.
Jéssica a abraçou e quando se afastou, fitou-a nos olhos.
— Não se afaste dele até que isso tudo acabe.
Edward a observou partir e quando desviou o olhar, descobriu Bella a fitá-lo.
— Retire-a da lista também — sugeriu, antes de girar para abrir a porta.
Quando entrou no apartamento, voltou-se e lhe dirigiu o mesmo sorriso polido e forçado que estampara na face durante a viagem de volta.
— Obrigada.
Edward observou o sorriso, tentando descobrir a origem dele.
— Deveríamos conversar. Fazer uma nova lista.
— Farei isso. Amanhã.
— Sozinha.
— Sim.
— E dando um passo à frente, bloqueou lhe a entrada.
— Bella...
— Sim? — respondeu por sobre o ombro antes de ele a segurar e girar. — Já nos despedimos.
De alguma forma, aquele jogo virara e era Bella a primeira a ter se cansado dele, pensou Edward.
Sendo assim, soltou-a e permaneceu parado à porta, sentindo-se um tanto ridículo e... magoado.
— Ótimo.
Bella inclinou a cabeça para o lado.
— O que é ótimo?
— Tudo.
— Por que está amuado?
— Não estou amuado. Nunca fico amuado, mas se está pensando que só porque se cansou de mim, vou permitir que entre neste apartamento sozinha depois de tudo por que passou, de fato é louca.
Uma expressão divertida perpassou a face de Bella.
— Pensa... que me cansei de você?
— Claro. Isso acontece. Sem mágoas. — Foi a vez de Edward exibir um sorriso forçado e polido.
E de Bella girá-lo para que a encarasse.
— Acha mesmo que me cansei de você?
Edward vacilou ante o tom incrédulo.
— Está brincando? — Com movimentos bruscos, ela abriu a bolsa, retirando de lá um pacote de preservativos. — Comprei isso para nos proteger em caso de necessitarmos em alguma emergência, sabia? Nunca comprei preservativos em toda a minha vida. Isso é atitude de uma mulher que está cansada de você?
Antes que Edward pudesse responder, ela o puxou para dentro, fechou a porta com um chute e o puxou para si com força extraordinária, encostando, em seguida, os quadris aos dele.
Todo o sangue pareceu esvair do cérebro de Edward, quando ela lhe tomou os lábios em um beijo ousado.
Por fim, Bella se afastou.
— E então? Ainda acha que estou cansada de você?
— Diabos! — A visão de Edward se desfocou, enquanto as mãos rumaram para lhe emoldurar a face e lhe arrebatar os lábios. Tinha de senti-los nos dele.
As mãos de Bella trabalhavam frenéticas, abrindo-lhe o zíper da calça e, em seguida, rasgando uma das embalagens de preservativo, enquanto ele a girou, mudando-os de posição.
— Tire seus sapatos — ordenou Edward, ao mesmo tempo em que lhe abria o fecho do sutiã. Em seguida, desabotoou lhe a calça e as deslizou pelas pernas torneadas, levando junto a lingerie e a deixando livre para recebê-lo.
— Eu lhe disse — começou Bella, arrancando-lhe a camisa pela cabeça. — Ainda não me cansei de você...
~~x~~
— Por que tenho impressão de que fizemos sexo antes de fazer as pazes após a briga?
— Não estou aborrecida.
— Venha cá.
Bella não se mexeu.
— Costuma ficar abraçado depois de fazer sexo?
— Não.
— Então por que comigo?
Edward desejava saber.
— Se soubesse a resposta seria simples, mas...
— Não precisa explicar.
— Posso lhe garantir que estou pensando sobre isso.
Bella o fitou por um longo instante. Em seguida, anuiu e recostou a cabeça no peito musculoso.
Um presente. Aquela mulher era um raro e precioso presente. Puxando-a para si, fitou o teto, imaginando o que havia de errado com ele que não conseguia expressar seus sentimentos.
Após alguns minutos, Bella se desvencilhou e se ergueu.
— Devemos nos acostumar a fazer isso na cama — murmurou Edward, rolando para lado e exibindo a gloriosa nudez. — Aonde vai?
Sentindo um nó na garganta, Bella ensaiou um sorriso.
— Pegar um copo de água.
Não conseguiria dizer mais nada sem se entregar por completo.
Não conseguia negar a verdade a si mesma. Amava aquele homem. Entrando na cozinha para pegar o copo de água do qual não necessitava, tentou sucumbir ao pânico.
No entanto, não conseguiu. Segurando-se na bancada, recostou a cabeça à parede, lutando por ar.
Amava Edward. Amava-o de todo o seu coração. E agora, o que faria? Ele era um dez, ela, um seis. Dez e seis não combinavam...
— Bella...
Ele entrou a cozinha e acendeu a luz. Em seguida, estreitou o olhar quando Bella se voltou para encará-lo com um papel pregado na testa.
Edward se seguiu em direção a ela, retirou-lhe o papel da esta.
Esticando a cabeça sobre o braço forte, Bella congelou ao ler as palavras.
"Você será a próxima."
~~x~~
Eles entregaram o bilhete à polícia.
— Oh, suponho que alguém a esteja perseguindo — afirmara o policial.
Grande conclusão! Pensou Bella.
Após o acontecido pediu que Edward passasse a noite lá, o que ele aceitou de imediato, depois de passar em seu apartamento para pegar Leah. A determinação daquele homem em mantê-la segura lhe aqueceu o coração. Na manhã seguinte, Bella acordou cedo para ir trabalhar.
— Oh, não — manifestou-se Edward. — Não, outra vez.
— O que sugere que eu faça?
— Algo que não exija que saia do meu lado.
Embora as palavras fossem encantadoras a intenção por trás delas não era nada romântica. Edward estava preocupado com sua segurança, mas não havia nada que justificasse construir uma relação baseada em tal sentimento.
E, Deus a ajudasse, era exatamente o que desejava. Um maldito relacionamento sério!
Sentia-se cansada de ser só, de lutar contra o que a impelia para os braços daquele homem. Poderia ter alguém em sua vida sem perder a identidade.
— Venha comigo — convidou ele.
— Para onde?
— Confia em mim?
Ela o fitou nos olhos e não se surpreendeu com o fato de confiar nele mais do que em qualquer outra pessoa.
No entanto, em vez de levá-la para seu apartamento, como Bella esperava, Edward tomou o caminho da Sky High.
— Não estou preparada para voar outra vez — informou Bella, abraçando Leah que os acompanhava. — Não tomei sequer um gole de álcool.
— Tenho um voo breve para Santa Bárbara.
— E acha que vou me sentar e esperar por você?
Edward contornou o carro, abriu a porta e a puxou para fora, segurando-lhe os quadris e a pressionando contra o carro.
— Aqui não ficará sozinha.
— Sou capaz de cuidar de mim mesma.
— Mais do que capaz — assentiu ele, deslizando os dedos pelos cabelos longos e segurando-lhe a face para que o encarasse. — Não é por você, mas por mim. Estou tão preocupado que não estou conseguirei me concentrar. Até mesmo para voar.
Bella o fitou por um longo instante, sentindo um nó na garganta.
Os dedos ágeis deslizaram pela face delicada, sobre os lábios macios antes de ele tomá-los em um beijo longo e terno que a fez derreter por dentro.
— Você mudou minha vida para sempre — afirmou ele, recostando a fronte altiva.
Mas antes que Bella pudesse perguntar o que aquilo significava, Leah latiu, agitada por ainda estar dentro do carro.
Edward lhe tomou a mão, e juntos, com Leah em seu encalço, entrara no edifício da empresa. Acenaram para Alice que falava ao rádio e operava dois teclados ao mesmo tempo. Quando passaram pela mesa, ela entregou uma pilha de arquivos para Edward e jogou um biscoito de cachorro para Leah.
Edward levou a cadela para seu escritório e, em seguida, guiou Bella para a pista, passando por dois hangares e adentrando em um terceiro, onde lhe mostrou todos os aviões que estavam lá.
Quando Edward abriu a porta do Learjet e a puxou para dentro, Bella ofegou. Era como ver o interior de uma sofisticada sala de estar.
Ele continuou guiando-a pelo avião, abrindo a porta e a apresentando a uma verdadeira suíte que parecia ter sido copiada de uma revista de decoração.
— Aqui tem televisão — começou Edward, erguendo o controle-remoto. — Uma pequena biblioteca e até mesmo uma bicicleta ergométrica. Sinta-se em casa até que eu retorne.
— E depois? Não pode ficar me servindo de babá. Tem sua vida. A Sky High Air...
— Sim, minha vida é cheia de compromissos assim como a sua. Até agora a tenho vivido da maneira que queria, mas...
— O quê?
— Acho que estou pronto para encarar algumas mudanças.
Bem, aquilo a atingiu direto no coração, mas Edward ainda parecia um tanto em dúvida e a incerteza não era uma característica daquele homem.
— Com ou sem mudanças. Terei de enfrentar o que estiver por vir.
— Sozinha, como sempre?
— Claro.
Edward lhe tomou a face nas mãos.
— Talvez não seja apenas eu que deva pensar sobre mudanças.
O que ele queria dizer com aquilo? Estava muito bem, pensou. Contudo, logo se deu conta do significado das palavras de Edward. Vivera até então como uma reclusa. Demasiado independente. Fechada para as pessoas.
Teria de começar a trabalhar aquilo dentro dela, porém não abriria o coração para o homem que estava prestes a despedaçá-lo.
— Estou falando sério, não posso viver aqui.
— Só por hoje. Faça isso por mim. Acha que não mereço?
As lembranças dos últimos quatro dias lhe invadiram a mente. A cumplicidade e o apoio incondicionais de Edward eram inegáveis.
Ele não era o homem que julgara. Era muito melhor e o desejava mais que tudo na vida.
— Tem sido maravilhoso comigo.
— Então, qual é problema?
Sabendo o que tinha de fazer e detestando-se por sua fraqueza, Bella roçou a face no pescoço largo e inspirou a fragrância masculina. Desejava engarrafar aquele homem e guardá-lo para sempre consigo.
— O problema sou eu.
— Está parecendo conversa de quem quer terminar um relacionamento. — E ante o silêncio de Bella. — Você está me dispensando? Por quê?
— Edward...
— Não me venha com desculpas. Quero a verdade.
— Está bem. — Bella se afastou, precisando colocar alguma distância entre ambos. — Estou protegendo a mim mesma.
— Achei que já havíamos discutido isso. Não vou magoá-la.
Mas já está magoando. Bella não pôde evitar. O amor que sentia por aquele homem irradiava por todos seus poros. Sendo assim, quando o fitou com os olhos castanhos repletos daquele sentimento, a verdade o atingiu em cheio.
Ela o amava.
Bella anuiu.
— Será melhor assim. Temos vidas atarefadas. Estaremos ambos ocupados com nossos trabalhos.
Bella percebeu a tristeza estampada nos olhos dourados quando ele a puxou para si. Um abraço de despedida e, em seguida, um beijo que começou terno e logo se transformou em uma batalha frenética de lábios, línguas e mãos.
Ela se colou ao corpo másculo, ofegante.
— A que horas é seu voo?
— Não consigo me lembrar — sussurrou Edward, deslizando a mão para dentro da blusa e lhe acariciando os seios. — Não recordo sequer do meu nome. O que está fazendo?
— Terminando isso como começamos. — explicou Bella, retirando-lhe a camisa pela cabeça e se inclinando para beijá-lo.
Com a respiração entrecortada, Edward tirou o telefone celular do bolso.
— Alice, a que horas é meu voo? Daqui a uma hora? Está bem, obrigado. — Desligou e jogou o aparelho por sobre o ombro antes de tomá-la nos braços e atirá-la na cama, seguindo-a e cobrindo com o dele o corpo curvilíneo e macio.
— Isso é loucura — sussurrou contra a orelha delicada.
— Eu sei, mas não consigo parar. Por favor, não pare.
Ele não tinha a menor intenção de fazê-lo. Peça por peça dos trajes de Bella voavam pelo quarto à medida que a despia.
— Oh, você é maravilhosa!
— Pare de falar. Não posso me despedir se continuar falando.
— Não consigo evitar — murmurou ele, deslizando um dedo para dentro da feminilidade úmida e quente e a encontrando pronta para recebê-lo. — Como pode abrir mão disso? — indagou, sustentando as coxas macias uma de cada lado nos ombros. A posição lhe permitia uma visão completa e íntima de Bella.
— Não... sei. Estou me sentindo exposta e à mercê de seu desejo.
— Gosto de você assim — afirmou Edward, substituindo os dedos pelos lábios e, em seguida, por mais e melhores carícias, levando a ambos ao limite máximo do prazer.
~~x~
Se havia algo que Alice herdara de seus pais era os bons genes e costumava usá-los a seu favor. Ainda mais em um dia como aquele em que ainda sentia os efeitos da noite anterior, quando Jasper a levara para casa sem dizer nem sequer uma palavra ou mencionar o beijo que haviam partilhado.
Portanto, decidira fazer o mesmo. Trajava um suéter rosa, saia preta justa e sapatos de salto alto que alimentavam o estereótipo de uma secretária sensual.
Daria uma lição em Jasper.
Pensando assim, quando avistou o carro dele estacionar, contornou a mesa, encostando o quadril na beirada e cruzando as pernas. O movimento fez a saia se erguer e revelar um pouco mais das pernas de corredora que fariam qualquer homem adulto estremecer.
Jasper, porém, teve o sangue frio de entrar na sala com o celular em uma das orelhas, uma caneca de café na outra, dirigindo-se diretamente a seu escritório, sem encará-la.
Uma ova que o deixaria ignorá-la daquela forma!
Alice deu uma tossidela, o que o fez olhar por sobre o ombro.
Executando uma manobra cômica ante a visão estonteante, Jasper deixou o telefone cair e derramou café sobre a roupa.
Oh, sim. A vingança era um prato que se comia frio, pensou Alice e, de repente, o dia se iluminou.
— Droga! — Jasper esfregou a camisa branca manchada de café. — Volveu o olhar a ela. — Fez isso de propósito.
— O que eu fiz? — A pergunta foi acompanhada do mais inocente sorriso que Alice pôde exibir, enquanto lhe entregava uma caixa de lenços de papel.
— Sabe muito bem — retrucou ele, apanhando um punhado de lenços e os pressionando contra a camisa. Está parecendo...
— Sim, o quê?
Jasper abaixou para pegar o telefone.
— Fez-me desligar na cara de Emmett. — Abriu o aparelho e discou o número do amigo. — Olá, desculpe, mas me distrai. Ligo para você mais tarde.
Após desligar, enfiou o telefone no bolso e puxou o tecido da blusa o afastando-o do corpo.
— Preciso me trocar.
— Há duas camisas limpas no seu armário.
— Obrigado.
— Não precisa me agradecer. É minha função — afirmou Alice em tom profissional.
Ele a fitou por mais alguns instantes e girou para se encaminhar ao escritório.
— Jasper?
— Sim?
— Pareço o quê?
— Nada — respondeu ele, preparando-se para partir, mas ela podia jurar tê-lo ouvido sussurrou. — Atraente.
Ótimo. O dia seria bom.
Pensando assim, Alice contornou a mesa e se enterrou no trabalho. A agenda estava cheia. Tinha vários contratos para analisar e dois voos VIP para preparar. Sem problemas. Havia se especializados neles, sempre superando as expectativas dos mais importantes clientes da companhia.
Um deles era o de Tânia. Uma das mais ricas e exigentes clientes da Sky High.
Edward havia saído com ela por duas vezes e depois que deixara claro que aquilo era o suficiente, Tânia pareceu não se conformar. Nas duas últimas semanas, telefonava várias vezes ao dia, fazendo de Alice sua garota de recados.
Enfim, no último telefonema, dissera a Alice que queria voar para o México e fez um pedido especial para a viagem. Desejava um banho gelado. Estranho, mas um pedido de cliente tinha sempre de ser atendido.
— Edward está disponível?
Falando no diabo! Alice ergueu o olhar do computador, forçando um sorriso polido. Tânia se encontrava parada em frente à mesa parecendo perfeita no conjunto Prada.
— Chegou cedo — observou Alice. — Mas não há problema. Chamarei seu piloto.
— Edward é meu piloto. É meu tudo.
Alice voltou o olhar para a tela do computador, para verificar as informações do voo de Tânia.
— Sabe que ele está se relacionando com uma pessoa, não?
— Sim, e daí? — retrucou Tânia, inclinando-se sobre o balcão. — Fez algumas mudanças. No seu cabelo, na cor de suas unhas — observou ela.
— Boa observadora. Ou está me seguindo? — brincou Alice.
— Não você.
Alice estacou e quando volveu o olhar à morena estonteante, viu-a erguer a sobrancelha como se por fim tivesse sido compreendida.
Entretanto, não foi só o que Tânia ergueu naquele momento... Tinha também um revólver apontado para a cabeça de Alice.
— Pergunte o que tenho em minha mala. Alice engoliu em seco.
— O quê?
— Seria melhor perguntar quem... Victória.
Alice estendeu a mão para pegar o telefone.
— Victória! Por todos os Santos!
Aparentando calma, a morena arrancou o fio do telefone da parede.
— Estava tentando acertar Bella com isto, mas aquela víbora não é fácil de acertar. E quanto a você, Alice? Parece bastante inteligente e capaz, mas qual seu ponto fraco?
Ah, por certo alguém passaria e veria o que estava acontecendo ali, pensou Alice.
— Não sei a que está se referindo.
— Jasper é seu ponto fraco. Tente pedir ajuda mais uma vez e o matarei, entendeu?
— Sim.
— Você, minha querida, será minha passagem para sair daqui.
Mas não seria mesmo! Podia ter sido pega de surpresa, mas todos também o foram. Afinal, Bella não estava sendo perseguida por um psicótico, mas, sim, Edward.
— Ao que parece, seu problema foi se ligar ao homem errado. Um erro imbecil — desafiou Alice.
— Deveria utilizar um vocabulário mais apropriado com alguém que irá se casar com um de seus chefes.
Alice deixou escapar uma risada.
— Não tem feito seu dever de casa direito. Edward não tem muito interesse em casamentos.
— É mesmo? Percebeu que estou apontando um revólver para sua cabeça? Deveria estar trêmula e disposta a dar tudo o que eu quisesse. E no momento quero Edward.
— Desculpe-me por decepcioná-la, mas não vou ajudá-la.
Um sorriso se estampou na face de Tânia.
— Mas irá. Onde ele está?
Alice arqueou uma sobrancelha.
— Tenho a impressão de que sabe onde ele está e o que está fazendo.
Em resposta, Tânia destravou a arma, o que era bem mais assustador do que nos filmes.
— Levante-se. Agora.
Alice obedeceu.
— Por que está perseguindo Bella?
— Persegui a todas. Irina, Victória, Lauren...
— Mas... — Alice meneou a cabeça. — Essas foram as últimas namoradas de Edward.
— Eu sei. Assustei a todas e as fiz desaparecer.
— Era você a razão pela qual Edward não conseguia sair com uma mulher mais de uma vez nos últimos tempos?
Tânia deu uma risada ameaçadora.
— Ele pensou que estava perdendo o tato.
— Sim, mas não conseguiu assustar Bella.
O sorriso de Tânia desapareceu.
— Cale a boca!
— Estragou tudo. Perseguindo Bella conseguiu apenas aproximá-los ainda mais. Eles estão juntos agora, provavelmente fazendo am...
O revólver disparou. Alice colidiu contra a parede, sentindo uma dor aguda se espalhar pelo corpo.
Tânia franziu o cenho, fitando a fumaça que saia do cano da arma.
— Olha o que me fez fazer, sua tola!
Quem diria. Será que a Alice está bem? O capítulo extra que prometi caso alguém acertasse virá amanhã e será o último capítulo da história.
Agradeço a MandaTaishoCullen, Lais, ginamweasley, Kris Stew-Patzz, . 3105674 por terem mandado os reviews. Garotas, vocês são demais!
Beijos e até amanhã.
