-E se... esquece, não é assunto meu. E a mãe dele quem é? –pergunta-me ela referindo-se ao Willy.
-Bem, eu não sei... –eu digo a ela que ele não é meu filho? O que eu faço.
-Mama... –ele esta delirando? –Mama...
-Onde está a mãe dele Darien? –pergunta ela nervosa.
-Eu não sei, não tenho a menor idéia de quem seja ela. –desembucho.
-Como assim? –pergunta ela. –Como não sabe quem é a mãe do seu filho?
-Porque eu o adotei. Só por isso, ele não é meu filho biológico! –digo.
-Não? –pergunta ela.
-Não ele não é. –digo.
-Mas isso só pode ser zoação, quero dizer, ele é a sua cara. –é eu achei... espera um minuto.
-Você consegue se levantar? –pergunto.
-Sim, por que? -pergunta ela.
-Vem comigo. –digo indo ajudá-la a levantar.
-Onde você vai me levar? –pergunta-me ela.
-O que você sente perto dele? –pergunto levando-na até o Willy.
-Nada por que? Era para eu sentir algo? –pergunta-me ela.
-Serena, tem certeza? –pergunto ela parece duvidar. –Fale a verdade. –digo.
-Eu não sinto nada perto dele Darien. –diz ela fraca.
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O Darien teve que ir pra falcudade, e como eu estou um pouco melhor prometi cuidar do menino pra ele. Eu não consigo acreditar que esse menino não é filho dele, como ele pode mentir assim? Como pode negar o próprio filho? Não tem como o menino não ser filho dele, é a cara dele... a menos que ele não saiba. Não pode ser, será?
-Bom dia senhorita, aqui está o seu lanche! –diz-me a enfermeira.
-Escuta, eu queria saber se vocês podem me encaminhar para um exame de DNA? –pergunto.
-Claro senhorita, bem eu vou encaminhá-la, mas devo avisar que ainda demora alguns dias para ficar pronto. –diz ela.
-Qual é a sua opinião a respeito do menino? –pergunto.
-Eu não sei senhorita, mas ele parece estar melhorando, e por incrível que pareça tem algo a ver com a sua entrada aqui. E eu acredito que não existam coincidências...
-Apenas o inevitável. –digo.
-Sim. –será que é ele? O destino seria tão travesso assim comigo a ponto de fazer com que o meu filho seja adotado pelo próprio pai? E se for? E se não for? O que eu faço? Quero dizer esse menino...
o tempo passa, as coisas mudam
a sociedade evolui
as pessoas aprendem
mas alguns
ainda cometem os mesmos erros
o destino joga com cada um
de maneira única e inesperada
não podemos contrariá-lo
podemos adiá-lo
se for o seu destino
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É difícil dar aulas com as duas pessoas mais importantes para você em um hospital. Se bem que eu não darei aula apenas serei fiscal em uma prova, mas ainda assim.
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-Bem como todos devem saber, eu sou o fiscal da prova de matemática/ física vocês têm exatamente três horas para executá-la. E o resto acredito que saibam, não? Assim que as entregar não será permitido conversa... –digo preparando-me para entregar as provas.
Ao chegar ao ultimo aluno da ultima fileira deparo-me com alguém que a muito não vejo, não, não é uma antiga namorada ou algo assim é apenas o irmão da Serena, sim Sammy Tsukino está diante dos meus olhos. E ele sabe quem eu sou, sim pois me lançou um olhar fulminante, certamente me culpa pelo fato da irmã não estar perto dele.
A prova foi bastante tranqüila, apesar de ser muito demorada, enquanto passava de classe em classe pude ver que eles não tinham muitas dificuldades, bem, alguns pois afinal tinha muitos com uma moeda ou contando nos dedos de maneira seletiva como aquelas musiquinhas estilo "minha mão mandou eu escolher este daqui! Mas ..." ou " uni-duni-tê sa-la-mê minguê..." um tanto ridículo, mas no desespero vai tudo.
-Desculpa, mas você vai ter que ficar aqui até ele terminar a prova. –digo ao penúltimo que entrega a prova apontando o irmão da Serena que respondia a prova tranqüilamente.
Depois de algum tempo ele se levanta, me entrega a prova e retorna ao seu lugar para pegar as suas coisas enquanto a jovem vai embora eu vou até a sala dos professores e deixo as provas no lugar marcado.
-Por que você voltou? –pergunta ele quando eu saio da mesma.
-Como? –pergunto.
-É já não bastou tudo o que fez a minha irmã passar? Antes eu não pude ficar do lado dela, mas eu te juro que se você fizer qualquer coisa que seja contra ela, eu acabo com você. Eu não quero vê-la sofrer como ela sofreu. –eu não tenho culpa em tudo, eu não sabia.
-Eu não vou fazê-la sofrer. –digo. –Eu juro, eu preferia a morte ao vê-la assim. Eu morreria quantas vezes fosse preciso para que ela vivesse feliz.
-É? Eu duvido. –diz ele com ódio.
-Escuta, eu sei que não vou te convencer, mas eu amo a sua irmã e se soubesse de tudo não teria ido embora, ou melhor, teria voltado, simplesmente para ficar com ela. Por que afinal, eu fui lá em busca de um futuro, do nosso futuro. –digo.
-Só que você ligou mais para o futuro e esqueceu-se do seu presente! O futuro nem sempre é mais importante do que o presente, e você o pos a cima de tudo. Você não sabe nem a metade do que ela sofreu... você não imagina quanto tempo ela chorou, você não sabe o que é chegar em casa e encontrar a sua irmã com uma adaga, que eu nunca soube de onde saiu, na mão chorando compulsivamente não por querer tirar a sua própria vida mas simplesmente por não conseguir. –eu não acredito nisso.
-Eu não sabia... –começo.
-Cala a boca! Eu juro que se você chegar perto dela eu te mato! –diz ele.
-Então lamento informar que chegou atrasado para o meu enterro. –digo.
-O que ta acontecendo? –pergunta Diana.
-O que ta acontecendo querida Diana é que esse foi o motivo da minha irmã tentar se suicidar lembra? Da ultima vez que ela tentou? Se não fosse por você ela estaria morta agora. –como assim? Diana parece odiar a Serena.
-O Darien? Então era verdade, você foi o... –ela estava assustada.
-Sim, foi ele Diana. –eu realmente não entendi nada.
-Ah, Kami, o que ela deve estar pensando de mim. –diz ela apavorada.
-Por que? –pergunta Sammy.
-Como por que? Ele é o Chiba a fama dele o precede. E você sabe como eu sou. –diz ela.
-Ah, sim, claro. –diz ele.
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Toc!toc!
-Pode entrar! –digo. –Diana? O que houve? –ela esta com os olhos inchados, como se tivesse chorado muito e eu não me sinto bem vendo os meus amigos chorar.
-Rina... me desculpe... –pede ela correndo até mim.
-O que houve Diana? –pergunto.
-Eu...eu... não sabia...eu juro...eu não sabia...se não eu...não tinha...feito nada. –diz ela chorando compulsivamente.
-Calma, respira... para de chorar... e agora me diz o que aconteceu. –peço.
-Eu não sabia que ele era ele, amiga, me desculpe... –pede-me ela. Sim, Diana e eu somos amigas, muito amigas na verdade. Eu a conheci no mesmo ano em que conheci Carlos, e nós só não andamos juntas por que as minhas amigas não se dão bem com ela, e então ela deixou de andar conosco, mas nós não deixamos de nos falar, até por que somos muito parecidas e temos o mesmo gosto, a prova é que ela se sentiu atraída pelo Darien.
-Shi... você não sabia, eu não te culpo, afinal quem não se apaixonaria por ele? –pergunto sorrindo.
-Mas ele... –começa ele.
-Não amiga, ele é livre para ficar com quem quiser, se por acaso ele ficar com você é por que o nosso amor não existe mais, e se ele voltar é por que ele me ama. –digo.
-Ele te ama, ele falou com tanta convicção. –para quem? Para ela?
-Pra quem ele disse isso? –pergunto.
-Pro seu irmão. –diz ela.
-O Sammy? –pergunto.
-Sim, o Sammy. Lembra que o vestibular de inverno é essa semana? –pergunta-me ela.
-Ah, sim, tinha me esquecido. –digo.
-E você? –pergunta-me ela.
-Eu o que? –pergunto.
-O que você sente por ele? –pergunta-me ela.
-Eu não sei. –digo olhando para o menino.
-Ele é o seu filho? –pergunta-me ela.
-Eu não sei, realmente não sei, talvez seja, mas... ai eu realmente não sei. –digo.
-Calma, agora é você que está nervosa. –diz ela.
-É, o nervosismo não vai ajudar não é? –pergunto.
-Não. –diz ela sorrindo. –A melhor maneira de saber é fazendo um exame. –diz ela.
-Sim, é...-alguém abre a porta de forma brusca.
-Desculpa, eu achei que o Darien estivesse aqui... –diz Rei. –Serena? O que houve? –pergunta ao me ver.
-Nada. –digo.
-Como assim nada? O que você ta fazendo aqui? Esperando a hora passar? –pergunta-me ela.
-E se for? –pergunto.
-Serena fale a verdade eu me preocupo com você. –diz ela.
-Agora eu não preciso da sua preocupação. –digo.
-Por quanto tempo mais você vai ficar assim, por que não pode esquecer o passado? –pergunta-me ela.
-Por que o passado me deixou uma marca muito profunda que é difícil de ser esquecida. –digo.
-Por falar nisso como está a Akiko, e o bebê? –pergunto virando-me para Diana.
-Eles estão bem, pelo que eu ouvi ela ainda não disse nada aos seus pais por que tem medo da reação deles. –diz ela.
-Eu quero estar com ela quando ela disser, tomara que eles não sejam como os meus. Mas mesmo se forem ela vai ter o meu apoio. –digo, Rei ainda esta na porta ouvindo.
-E a mim também. –diz Diana.
-É o momento em que ela mais vai precisar das amigas. -digo sorrindo. –E eu quero estar lá perto dela, dando o meu apoio.
- Como eu queria ter te conhecido mais cedo. –diz Diana.
-Por que? –pergunto.
-Por que tudo teria sido diferente. –diz ela.
-É... –digo sorrindo.
-Bem eu vou ter que sair, eu tenho que terminar umas coisas, na verdade eu tenho que terminar o trabalho. –diz ela.
-Di, pega o meu e entrega pro Darien? –pergunto.
-Claro. – diz ela saindo.
-Engaçado, pra duas pessoas que se odeiam vocês se entendem muito bem. –diz Rei.
-As aparências enganam. –digo. –As vezes podemos confiar mais em nossos inimigos do que em nossos supostos amigos. –digo.
-Eu só não consigo entender quando aquela menina gentil e amável se transformou em você. –diz ela.
-Quando? Bem quando as supostas amigas dela lhe viraram as costas quando ela mais precisava de um ombro pra desabafar. É muito fácil estender a mão a pequenos problemas, mas nós só conhecemos os nossos verdadeiros amigos, quando eles ficam para nos ajudar, e é ai que vemos em quem podemos confiar, foi ai que eu vi que eu estava cercada de amigos, mas nenhum com quem pudesse contar. –digo. –Foi ai que eu mudei.
-Mas nós estamos arrependidas. –diz ela.
-Seu arrependimento, não vai trazer o meu filho de volta. –digo.
-Nós não temos culpa da morte dele. –diz ela.
-Ele não morreu. –digo.
-Claro que sim Serena, seus pais estavam lá, eles viram o bebê nascer morto! –diz ela.
-Você estava lá para saber?
