Festas de Fim de Ano

Faltavam dois dias para o início das férias de Natal, e Hogwarts já estava em clima natalino, com o salão Principal todo decorado. Poucos alunos haviam se inscrito para passarem as férias na escola. A maior parte voltaria para casa.

Naquela manhã, quando Tiago chegou para o café da manhã, Lílian já estava sentada à mesa, tomando café e lendo atenta uma carta.

- Bom dia - disse animado o rapaz, dando um beijo na namorada.

- Olá. Tenho boas notícias para nós.

- Sério? Sua mãe deixou você passar o ano-novo em casa?

- Hum, hum. Deixou, com uma condição...

- Qual?

Lílian hesitou por alguns instantes, mas respondeu, vermelha.

- Que nós iremos dormir em quartos separados...inclusive ela escreveu para sua mãe...para nos vigiar bem de perto.

Tiago deu risada, imaginando como a Sra Evans devia estar apavorada por permitir que sua filha caçula, de apenas dezessete anos, passasse alguns dias na casa do namorado.

- Nós vamos nos comportar muito bem...

Passaram toda a manhã discutindo os planos para o Natal e Ano-Novo. Tiago passaria a noite de Natal na casa de Lílian, e ela o reveillon e os últimos dias das férias na casa dos Potter. Lílian conhecia os pais de Tiago apenas de vista, e estava ansiosa para conhecê-los. Sabia que gostavam muito de festas e de receber os amigos do filho em sua casa. Haviam autorizado Tiago a convidar todos os amigos para passarem juntos a virada do ano . Lílian já havia confirmado, e a presença de Sirius era certa, assim como seus pais ( que eram velhos amigos dos Porttr ) e Nancy.

- Remo, você falou com seus pais?

- Mandei uma coruja, mas ainda não recebi resposta. Mas vou te avisar, não se preocupe.

- Denise? Isabella? Pedro?

Pedro confirmou o convite, mas Isabella e Denise não poderiam ir.

- Desculpa, Tiago, mas fica para a próxima. Vou para a casa do Frank.

- Tudo bem Denise, sem problema. E você, Isabella? Vai para a Itália novamente?

A garota confirmou, com um aceno de cabeça. Mesmo se não fosse viajar, não iria para a casa de Tiago, e aguentar a família de Sirius comparando-a com Nancy.


Lílian preparou-se desde cedo no dia 24 de dezembro, para receber Tiago em sua casa. O clima na casa dos Evans não poderia ser melhor. O cheiro da boa comida tomou conta da cozinha, e Petúnia havia feito o grande favor de passar o dia todo fora. Além de Tiago, foram convidados Válter Dursley, o noivo de Petúnia, e as duas irmãs solteiras da Sra Evans.

Tiago chegou por volta das oito horas da noite. Lílian não pôde deixar de reparar que ele estava impecavelmente vestido, como se fosse trouxa.

- Feliz Natal , Tiago - cumprimentou a garota, dando um beijo no namorado - entra logo, está muito frio aí fora.

Os dois entraram, e seguiram direto para a sala de estar, onde Petúnia e Válter já se encontravam, assistindo televisão.

- Ah, você já chegou, Potter? - disse Petúnia com desdém.

- Cheguei na hora combinada com a Lílian, Petúnia. - Tiago respondeu, secamente.

Não prolongaram a discussão, pois a Sra Evans entrou na sala naquele momento, acompanha das irmãs.

- Ah, aí está o Tiago. Fez boa viagem?

- Fiz sim Sra Evans, obrigada.

Tiago pegou um pacote que estava carregando, e o entregou a mãe de Lílian.

- É uma lembrancinha que minha mãe mandou para a senhora. Espero que goste de vinho.

- Foi muita gentileza da parte dela, Tiago. E eu adoro vinhos, muito obrigada.

Lílian puxou Tiago pela mãe e o conduziu para o andar de cima da casa e entraram no quarto da garota. O rapaz ficou parado próximo à porta, observando cada detalhe do comôdo. Raramente frequentava casa de trouxas, e muita coisa chamava sua atenção. Enquanto Lílian procurava alguma coisa dentro do armário, Tiago mexia no toca-discos da namorada.

- Funciona com eletricidade, Líli?

- O quê?

- O aparelho de som.

- Claro que sim...você não sabia?

- É, mas nunca vi funcionar. Nas aulas de Estudos dos Trouxas nós aprendemos apenas a teoria sobre eletricidade. Em Hogwats, aparelhos elétricos não funcionam. Muita magia.

A garota ligou o aparelho e colocou um disco do John Lennon para tocar. Em seguida entregou um embrulho para Tiago.

- Seu presente.

Tiago desembrulhou o pacote. Era um grande livro, encadernado em couro, intitulado Winbourne Wasps, 150 anos de Glória e Vitórias - Edição de Luxo.

- Uau, Lílian. Eu estava doido atrás desse livro.

- Gostou, então?

- Se gostei? Gostar é pouco. Obrigado. - Tiago a agarrou pela cintura, e os dois se beijaram até quase perder o folêgo.

- Lí...

- Sim?

- Eu te amo!

Lílian ficou surpresa. Em quase sete meses de namoro, era a primeira vez que Tiago se declarava assim, com todas as letras. E mais surpresa ainda ficou, quando o rapaz tirou duas caixinhas do bolso.

- Esse é o seu presente...

A garota abriu o pacote. Era um delicado relógio, com pulseira de couro e os mostradores de ouro.

- É lindo, Tiago. Também te amo.

- Agora, esse aqui não é presente...você aceita se quiser.

Lílian abriu a caixinha. Havia dentro duas alianças e uma delas, a menor, era cravejada com esmeraldas.

- Casa comigo?

- Casar?

- Não agora, lógico. Estava pensando, talvez daqui uns dois ou três anos. Quando estivermos mais velhos.- Tiago estava aflito, suando frio. Tinha passado a tarde toda ensaiando aquela cena.

- Você vai ter que pedir a minha mão para a minha mãe, Tiago. - Lílian disse, sorrindo.

- Vou agora mesmo - e fez menção de sair.

- Seu bobo, estou brincando. É claro que quero me casar com você, Tiago. Mas você vai ter que colocar a aliança na minha mão. - Lílian esticou a mão direita para o rapaz.

Tiago, tremendo, colocou a aliança no dedo de Lílian, e a garota fez o mesmo com o namorado.

- Lílian, Tiago, vocês não vão descer? - ouviram a voz da Sra Evans chamando.

Os dois desceram as escadas, e foram para a sala de jantar. A mesa já estava posta, e só faltavam os dois para começarem a ceiar. Somente na hora de tomarem champanhe, quando Lílian estendeu a mão para brindar com suas tias, a aliança foi reparada. Petúnia segurou o pulso da irmã, indginada.

- Vocês por acaso ficarm noivos?

- Ficamos, porquê? É da sua conta?

- Isso é falta de respeito com a sua mãe, Lílian .- Válter respondeu, ríspido.- Esse...moleque, deveria pedir autorização e tudo o mais, como eu mesmo fiz com Petúnia. Ou será que entre a raça de vocês, isso não se usa mais?

Em uma questão de segundos, Lílian sacou a varinha do bolso e apontou-a para Válter. Embora ainda não fosse formada, e não pudesse fazer mágicas fora de Hogwarts, ela a mantinha sempre consigo, mesmo em casa.

- Rictusempra!- gritou.

Válter dobrou-se de tanto rir. Lílian atingira-o com um feitiço de cócegas, o mesmo que usava quando a irritavam em Hogwarts. Petúnia gritou horrorizada, enquanto tentava ajudar o noivo, encarando a irmã como se ela fosse um verme perigoso. A Sra Evans tentava acalmar a situação, enquanto suas irmãs se divertiam como duas crianças. Mas foi Tiago quem deu um basta em toda a confusão.

- Finite Incantatem - disse, calmamente.

Petúnia agora encarava os dois jovens. Ela e Válter estavam transbordando de raiva.

- Seus, seus ... anormais!!!

- Você nos provocou!! - Lílian gritou, vermelha de raiva, a varinha ainda na mão, Tiago tentando segurá-la - teve o que mereceu.

- Agora já chega!! - A Sra Evans gritou, mais alto que todos naquela sala. - Válter, você não tem o direito de ofender minha filha e Tiago dentro da minha casa. - tentou-se acalmar, depois dirigiu-se à Tiago e Lílian - Estou decepcionada com vocês também. Podiam te me avisado sobre o noivado. Não custava nada. E você, Lílian, deve aprender, de uma vez por todas, aprenda a se controlar .

Lílian murmurou qualquer coisa, pediu desculpas às tias, e saiu com Tiago. Caminharam pelas ruas, naquela hora, quase desertas. Fazia muito frio, e a neve caía com maior intensidade.

- Não vai haver clima para eu passar a noite na sua casa, Líli. Acho que vou embora...

- Não fale besteiras, Tiago. Está muito tarde agora, nem deve ter mais trem para River Country a uma hora dessas.

- Eu uso Pó de Flu.

- Não quero que você vá!!! - Lílian gritou, irritada - Esqueça a minha irmã e o Válter. Eles não vão fazer parte da nossa vida. Nunca.

Tiago abraçou a namorada, tentando acalmá-la. Finalmente Lílian relaxou.

- Vamos voltar para sua casa, então - sussurou, ao ouvido dela.


Lílian desembarcou na estação de River Country na manhã do dia 31 de Dezembro. Fazia um dia muito ensolarado, mas extremamente frio. A pequena cidade ficava a apenas uma hora de Londres, de trem. Mas a mudança no ar e na paisagem era visível: nada de fumaças, trânsito e altos prédios. Era uma simpática cidade do interior.

Tiago, Sirius, Remo e Pedro a esperavam na plataforma. Era incrível como aqueles quatro não se largavam, imaginou. Sempre juntos.

- Ah, até que enfim, a futura Sra Potter chegou - Remo exclamou, dando um abraço na amiga.

- O Tiago já nos contou a novidade, Lílian - disse Pedro, entre risinhos.

- Quem ouve você falar assim, Pedro, vai achar que nós vamos ter um bebê - Tiago respondeu, meio sério, meio rindo.

- Mas não vão ter mesmo? - Sirius fingiu uma cara surpresa.

- Como você é engraçado, Sirius. - Lílian comentou, enquanto abraçava o amigo.

- Chega de conversa fiada, vamos logo para casa.

Os cinco jovens saíram da estação, e começaram a caminhada em direção à casa de Tiago. Caminharam por uma longa rua, até chegarem ao centro da cidade, que consistia em uma grande praça, algumas lojas e uma igreja.

- Cidade enorme, não Lílian? Sirius comentou, cinicamente.

- É linda. Sem aquela loucura toda de Londres.

- É... neste exato momento, as fofoqueiras de plantão já estão comentando: "mais uma esquisitinha para a turma do Black e do Potter".

- Por que "esquisitinha"?

- Porque boa parte dos moradores dessa cidade são trouxas.- Tiago comentou, calmamente.

- Mas foi fundada por bruxos, há uns quinhentos ou seiscentos anos atrás. - Sirius emendou.

- Havia uma série de feitiços que protegiam a cidade de influências externas. Os trouxas descobriram isso em 1914, durante a primeira guerra deles...os bombordeios não atingiam River Country. Foi uma migração maciça para cá. O mesmo ocorreu durante a segunda guerra. - Tiago completou a história.

- E desde então, bruxos e trouxas convivem aqui. No fundo, eles sabem da nossa existêcia.

- E além da família de vocês, há outras por aqui? - Lílian perguntou, curiosa.

- Várias famílias, não somos os únicos bruxos.

- Mas River Country está começando a se tornar a cidade com maior incidência de casamentos mistos na Grã-Bretanha, Líli. - Tiago comentou.

- É a tendência natural, Tiago. - Remo emendou - Se não, nós não existiríamos há muito tempo.

Pararam diante de um belo sobrado, localizado na principal rua da cidade, próximo à praça central.

- Aí está, Lílian - Sirius exibiu a casa, orgulhoso - Minha casa. O rapaz abriu o portão, e entrou. - Vejo vocês à noite, vou com meu pai buscar a Nancy. Até mais.

Agora, Tiago , Lílian , Pedro e Remo subiam a rua Principal, depois viram a direita. Começaram a subir uma longa ladeira.

- Você não podia morar lá embaixo, Tiago? Pedro reclamou, exausto.

- Já estamos chegando.

Lílian percebeu que estavam subindo uma colina. A rua terminou, e continuaram a seguir por um caminho de terra, agora plano. Cerca de cinco minutos, finalmente chegaram a casa dos Potter. No enorme portão de ferro, havia um brasão, com a letra P estilizada. Lílian sabia que Tiago era rico e pertencia a uma antiga e tradicional família de bruxos, mas não imaginava como era imponente a propriedade. A casa era antiga, grande e cercada por um belo gramado, agora coberto de neve.

- Gostou da casa?

- É linda, Tiago.

- É o orgulho da família, - comentou, entediado - Exageradamente grande para três pessoas.


Se os Potter tinham muito dinheiro, não deixavam transparecer em seus modos e atitudes. Lílian nunca havia conhecido pessoas tão divertidas e simpáticas quanto Emily e Harold Potter. Os dois a trataram como velha conhecida da família, deixando-a tão a vontade, como se estivesse em sua própria casa.

Desde o momento em que Tiago apresentou Lílian à seus pais, Emily deixou claro que gostaria de ser chamada pelo nome, o que surpreendeu ainda mais a garota.

- Sou muito jovem para ser chamada de senhora, Lílian - disse Emily, ajeitando os longos cabelos escuros. Era uma mulher bonita, alta e magra.

Lílian passou a tarde toda conversando com os pais de Tiago. Embora Harold Potter não fosse tão jovem quanto a mulher, gostava de ser tratado pelo nome, e passou horas explicando para a Lílian o que fazia exatamente no Ministério da Magia.

- Já ocupei diversos cargos no Ministério, mas precisavam de uma pessoa que tivesse interesse em fazer uma pesquisa sobre os novos hábitos dos trouxas - Harold fez uma pausa, depois continuou - Eu me candidatei ao cargo, e consegui a vaga. Isso foi há uns quinze anos atrás. Aquela pesquisa encerrou-se, e logo iniciei novos estudos.

- Sempre relacionado à trouxas?

- Exatamente. Já escrevi dois livros sobre o assunto, iclusive estão sendo usados em Hogwarts, nas aulas de Estudo dos Trouxas.

- E você não tem medo?

- Medo de quê? Do Lord das Trevas?

- O próprio.

Harold deu risada, deixando Lílian desconcertada.

- Não tenho medo, nem dele, nem de seus seguidores. Sou convicto no que faço, gosto do meu trabalho. Uma coisa eu te digo, Lílian: não tema o seu inimigo, pois você ficará mais vulnerável ainda.


Os Black chegaram por volta das dez horas da noite, acompanhados de Nancy. Lílian já conhecia os pais de Sirius, mas ainda não tivera oportunidade de conversar com eles. Mas, de cara, percebera que eram muito diferentes dos Potter. Mellyssa era uma perua. Vestia-se com extravagância, usava muita maquiagem e tinha mania de grandeza. Félix, por sua vez, parecia sempre mal- humorado, a cara séria, completamente diferente dos filhos. E não deu confiança aos amigos de Sirius durante a noite toda, preferindo discutir política com Harold .

A meia-noite, todos foram para o jardim ver a grande queima de fogos. Como estavam no alto, tinham ampla visão da cidade aos seus pés. Tiago pegou uma garrafa de champanhe, e chamou os amigos para um brinde exclusivo.

- Faltam poucos meses para terminarmos Hogwarts...mas espero que jamais iremos nos separar...

- Amigos para sempre? - Remo perguntou, entusiasmado.

- Para sempre,- os outros responderam, fazendo o brinde.


Ele estava voando, montado em sua vassoura. O movimento era rápido, precisava evitar que o apanhador pegasse o pomo. Girou o bastão no ar, e arremessou o balaço em direção ao adversário. Porém, o balaço não o atingiu. Ele destruiu a bola com a mão, puxou a varinha e a apontou para o rapaz. Um jorro de luz verde saiu da ponta da varinha, e o atingiu em cheio...ele caiu da vassoura, e a queda não tinha mais fim...

Tiago acordou assustado. Detestava pesadelos, ainda mais quando não conseguia entendê-lo. Levantou-se e saiu do quarto. Ainda eram duas horas da manhã, e aquela era a última noite antes de voltarem par Hogwarts.

O rapaz parou em frente ao quarto dos pais, imaginando se seria ridículo acordar a mãe uma hora daquelas, por causa de um pesadelo. "Não seja idiota, Tiago, você já tem quase dezoito anos".

Desceu as escadas, e foi até a cozinha, tomar uma xícara de chá. Havia perdido o sono, mas também não queria mais dormir. Voltou lentamente pelo corredor dos quartos. Surpreendeu-se ao ver a luz acesa por debaixo da porta de Lílian. Abriu a porta lentamente, e viu Lílian adormecida, com um livro aberto sobre a cama, a velas ainda acesas. Tirou o livro da cama, com cuidado, mas acabou despertando a garota.

- Já é de manhã? - murmurou, sonolenta.

- Não, são duas horas ainda...

- O que você está fazendo aqui? - Lílian sentou-se na cama, esfregando os olhos.

- Perdi o sono, saí para dar uma volta pela casa, e vi as luzes acesas...

- Acabei de pegar no sono...fiquei lendo para ver se conseguia dormir...

- Vou voltar para o meu quarto, te deixar sossegada.

- Não!

- O quê?

- Fica aqui comigo, Tiago.

- Lílian...você tem certeza?

A garota acenou positivamente com a cabeça. Tiago tornou a fechar a porta do quarto e apagou as velas.

Capítulo 11...

voltar