Desculpem-me pela demora! Como foi o Natal de vocês? Muitos presentes? Desejo a todos uma ótima virada de ano!
Para quem ainda não viu, eu traduzi uma fic da leafygirl, que está postada no meu perfil pelo nome Fixação Oral?, a história é maravilhosa, quem quiser dar uma conferida, o aviso está dado!
Agradecimento às reviews: Pequena Perola, Tia Kirie, lloo 161, Sue Dii e sango7higurashi!
Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi-sama!
Kirigakure no Yuurei
Capítulo IX – O ódio
O mais novo dos Uchiha acordou muito animado naquela bela manhã que, ao contrário do dia anterior, estava mais do que ensolarada. Finalmente, o dia que Panji prometera que o ensinaria o Gokakyu no Justsu havia chegado.
- Ohayou! – ele quase cantarolou quando desceu para tomar café.
Seu pai e Panji já estavam na mesa da cozinha. Sasuke comia, em silêncio, e Panji parecia meditar, de olhos fechados e braços e pernas cruzadas.
- Animado, Fugaku-chan? – a kunoichi perguntou, sem mudar sua posição e sem abrir os olhos.
- Hai, Panji nee-chan!
- Posso saber o motivo de tanta animação? – Sasuke perguntou, intrometendo-se, mal-humorado, na conversa.
- Eu prometi a ele que ensinaria o Gokakyu. – Panji respondeu, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- Por que não pediu para mim, Fugaku? – Sasuke perguntou com reprovação.
O menino corou, encabulado.
- É que você está sempre ocupado, otou-san, e o Gokakyu da Panji nee-chan é tão forte quanto o seu...
Sasuke bufou e lançou um olhar gélido para a kunoichi da Névoa. Como ela ousava ter a pretensão de querer ensinar jutsus para seu filho?
- Não se preocupe, Uchiha-san. Não tenho a mínima intenção de fazer mal a ninguém dessa vila, você sabe muito bem disso.
Sasuke trincou os dentes, furioso. Era tudo muito, muito, muito revoltante.
- Vamos, Fugaku-chan?
- Hai! – ele assentiu, animado.
Panji sorriu para seu anfitrião e saiu da grande mansão com o pequeno em seus calcanhares.
- Tem certeza disso, Neji? – a voz de Hinata parecia preocupada. – Tem certeza de que ela mencionou a tragédia de nosso clã?
Neji assentiu, mais sombrio do que nunca.
- Tenho, Hinata. Ela usou para me atingir. Aquela garota não é uma ninja qualquer. Ela tem algum segredo muito bem escondido. Algo relacionado com sua família. Ela não disse seu sobrenome. Se recusou.
- Acha que é algo grave? – Naruto finalmente se pronunciou.
- Tenho certeza que sim, Naruto. Ela pode dizer o que quiser, mas todos os ninjas da vila dela usam seus sobrenomes, exceto, é claro, os caçadores. Mas não usar não significa não ter. A chave para descobrir quem ela é realmente, é descobrir suas origens. Principalmente seus pais.
Naruto suspirou.
- Talvez Sasuke possa ajudar... Mas, você disse que ela tem traços de redes de chakras típicas de um Sharingan?
- Isso mesmo.
- Mas, Neji nii-san, é impossível que ela tenha um Sharingan! O clã está dizimado! Só Sasuke sobrviveu, e todos nós sabemos que seu único filho é Fugaku!
- Não, Hinata, não é impossível. – Naruto disse. – Ela pode ser filha de Uchiha Itachi.
- Itachi?! Como?! – a kunoichi perguntou.
- Haruno Sakura. – Neji disse, seguindo a linha de pensamentos do Uzumaki. – Naquela luta, anos atrás, ela culpou Sasuke de ter matado a pessoa que ela amava, não foi?
Naruto assentiu, calado. Doía nele pensar em uma possibilidade como essa, mas não havia outra explicação. Se ela tinha os traços de um Sharingan só havia duas possibilidades para sua paternidade: Itachi e Sasuke. E Sasuke estava fora de questão.
- A idade bate, não bate? – Neji despertou Naruto de seus devaneios. – Se ela estivesse grávida naquela luta, a idade está certa, não está?
- Sim.
E o completo silêncio abateu-se sobre os três. Naruto ainda queria acreditar que havia outra explicação. Precisava ter! Sua melhor amiga não podia ser mãe do filho de um assassino!
- Naruto. – Neji pôs uma mão no ombro do loiro. – Eu sei o que está pensando. Que não é a Sakura que você conhece. Mas você deixou de conhecê-la no dia que ela se juntou à Akatsuki. Ela se tornou uma completa desconhecida no dia que matou Hatake Kakashi para salvar o Uchiha.
Naruto deixou uma lágrima escapar de seus orbes safira, e sentiu o abraço apertado de sua Hinata.
- Ela não é mais Haruno Sakura, Naruto, você sabe disso. – a Hyuuga disse. – Ela é, há muitos anos, nada além de Uchiha Hana, a Akatsuki no Hana.
Claro que ele sabia de tudo isso. Mas ainda queria acreditar que sua Sakura estava viva, no meio de toda a crueldade e frieza que a consumiram.
- Muito bem, Fugaku-chan. O Gokakyu é o mais simples dos jutsus de Katon. Mostre-me o que você já conseguiu.
Panji estava sentada na grama, braços e pernas cruzados, observando o pequeno parado a sua frente, tremendo de nervosismo.
Ele fez os ins necessários e soprou. Entretanto, ao invés da grande bola de fogo, uma mísera chama apareceu durante menos de dois segundos. Seu insucesso, o fez corar descontroladamente.
Panji suspirou.
- Quem te ensinou o jutsu?
- Meu pai. – ele respondeu, encabulado. – É o jutsu dos Uchiha. Todo Uchiha precisa saber, para poder verdadeiramente ser digno de seu nome.
Panji abriu um discreto sorriso, sem que a criança percebesse. Claro que conhecia essa história. Quando era mais nova do que ele, sua mãe lhe dissera isso, e tudo que envolvia o clã que ela nunca poderia fazer parte lhe interessava vorazmente. Em menos de duas horas ela conseguiu dominar a técnica.
- Muito bem, e o que ele disse que você precisava fazer?
- Os ins. Sentir o chakra e soprar.
- E você sente o chakra?
- Não sei. – ele respondeu, sinceramente, encarando a bela grama verde.
- Certo, preste muita atenção. O chakra para Katon é o mais simples de se reconhecer. Ele arde. Arde como se o fogo estivesse dentro de você.
Fugaku assentiu vidrado na explicação que ela estava lhe fornecendo.
- Sente-se e feche os olhos. Concentre-se apenas na sensação que eu te falei. Você só vai conseguir fazer o Gokakyu quando estiver sentindo o que eu descrevi.
Ele obedeceu, sentando-se de pernas cruzadas sobre a grama úmida e fechando os olhos. Durante algum tempo ele procurou incansavelmente o tal "fogo" que ela dissera, mas não conseguia achá-lo de maneira alguma.
- Não sinto nada. – ele choramingou.
- Você não está se concentrando o suficiente. Faça com vontade!
Ele a mirou, os olhos negros brilhando com lágrimas que se preparavam para cair.
Panji o encarou, num misto de irritação e compaixão. Odiava crianças choronas, pelo simples fato de que ela não fora uma.
- Vamos, Panji! Concentre-se! Você é uma Uchiha! Todo Uchiha tem chakra de fogo. Ele está aí, dentro de você! Procure-o!
A voz autoritária de Sakura feria os ouvidos de uma pequena Panji de cinco anos.
- Okaa-san! Não sinto nada. – ela disse, irritada.
- Feche os olhos.
A menina obedeceu. E alguns minutos depois, sentiu o que sua mãe tentava lhe descrever com palavras. Uma queimação, uma ardência. Que queimava todo seu peito.
- Gokakyu no jutsu!
E uma grande bola de fogo saiu de seus lábios.
- Vamos lá, Fugaku. Você é um Uchiha. Todo Uchiha tem chakra de-
Mas ela parou no meio de sua frase para lançar uma kunai em uma árvore.
- Péssima tentativa de se esconder, Hyuuga. Dá para sentir seu chakra a quilômetros daqui. – ela grunhiu, sem olhar na direção do ninja que deixava seu esconderijo.
- Dizem que eu sou o melhor da vila. – Kakashi argumentou.
- Ruim para sua vila. – ela disse, agressiva. – Em uma batalha vocês serão massacrados.
- Errado. Você que é excepcional, por algum motivo.
Panji bufou. Já havia entendido o que estava se passando ali.
- Diga para Hyuuga Neji que se ele não conseguiu nada de mim, não vai ser o jovem sobrinho dele que vai. – debochou.
Kakashi se sentou na grama, a poucos centímetros dela.
- Não vou dizer nada a ninguém.
Panji, virou-se para ele.
- Então fique aí, pelo tempo que você quiser. – e se virou de volta para Fugaku. – Pode continuar tentando. Sente-se e concentre-se.
- Não pode ser tão dura com uma criança. – Kakashi disse, observando Fugaku se sentar.
- Claro que eu posso. Não sou mãe dele. Estou ensinando-o um jutsu.
- Crianças precisam ser tratadas bem para aprender.
- Discordo.
- Você é muito amarga.
- E você vive num lindo mundinho de algodão-doce. Muito em breve terá decepções que te machucarão para o resto de sua vida.
- Como pode ter tanta certeza?
Panji sorriu maliciosamente.
- Conhece alguém de Konoha que não tenha um ferimento emocional que nunca se cicatrizou? Todos aqui são altamente complexados por alguma coisa. Você são criados de um jeito muito fácil. Ninjas de verdade não tem feridas abertas.
- Discordo.
- Não pedi para concordar. Mas você deve admitir que eu estou certa. Seu pai, sua mãe, seu tio, Uchiha Sasuke. Todos eles têm feridas do passado. Coisas que não conseguem esquecer.
Kakashi se calou e voltou a observar Fugaku. Era verdade. Ela tinha razão. Antes, Sasuke tinha a ferida causada por Itachi, agora a ferida era causada por Sakura; seu pai, Naruto, tinha a eterna ferida dos companheiros mortos e da hostilidade que fora dispensada a ele quando criança; seu tio, Neji, jamais esqueceria que seu pai morreu no lugar de seu irmão gêmeo; sua mãe, Hinata, sempre se consideraria fraca, porque esse fora o jeito que ela fora criada.
Mas uma pergunta pairava no ar. Como Panji poderia saber de tudo isso?
- Por que você sabe tanto de Konoha? – Kakashi perguntou de repente.
- Eu pesquisei. – ela respondeu.
- Não acredito.
- Problema seu.
- Por que você é assim? – Kakashi começava a se irritar. – Aposto que não tem um único amigo na sua vila!
- Acertou. Não tenho amigos.
- Não se sente sozinha? – o que era aquilo que ele estava sentindo? Pena dela? Uma kunoichi excepcional, uma menina linda. E sozinha.
- Não ouse sentir pena de mim. – ela disse, raivosa. – Eu não tenho amigos porque eu matei todos eles.
Mas não foi só Kakashi que ouviu isso. Fugaku também.
- Você o quê? – a criança perguntou, perplexa.
- Você ouviu bem. Não fui criada no mundo de açúcar de vocês. A vida real é bem mais difícil.
- Mas por que matar? – Fugaku podia sentir um sentimento diferente crescer em seu peito.
Panji riu maliciosamente.
- Você nunca compreenderá. Seu pai fará questão de garantir isso. Tente o jutsu de novo.
Fugaku fez os ins e soprou. Para sua surpresa, uma enorme bola de fogo deixou seus lábios.
- A raiva e o ódio também são úteis. – ela declarou. – Mas essa é uma lição que vocês só aprendem criando mais e mais feridas. Por que sua vila cria vocês em uma redoma de vidro.
E dito isso, ela desapareceu, deixando penas de corvos em seu lugar.
