N/A:Desculpem pela demora ;)

House faz um barulho como se estivesse limpando a garganta e recebe atenção da menina. Seus olhos se encontram, era azul no azul, o primeiro contato deles como pai e filha. Ambos experimentavam naquele momento uma sensação estranha, um misto de felicidade, ansiedade, confusão e expectativa.

"Como você entrou aqui?" House pergunta, como se nada estivesse acontecendo

"Como você me encontrou aqui?" Ela responde com outra pergunta.

"Não é difícil interpretar a mente de uma adolescente, você não conhece nada aqui além do hospital." Ele fala encarando-a.

"Como você entrou aqui?" Ele repete a pergunta.

"Não é difícil enganar o cara da limpeza, mesmo sendo uma adolescente." Ela fala triunfante.

"Sua mãe vai se zangar quando souber que você anda invadindo salas no hospital dela." House fala indo até sua mesa e fazendo sinal para que a menina levantasse de sua cadeira.

Ela se levanta da cadeira dele e logo depois senta do lado oposto da mesa. "Não quando a sala é do meu pai." Audrey fala.

House arregala os olhos, Audrey faz o mesmo, ela também não estava acostumada com essa palavra, pai. House e Audrey estavam aos poucos 'aprendendo' a ser pai e filha.

"Isso foi... estranho." Audrey fala. House assente. "Tá legal pra você se eu te chamar só de Greg?" Ela pergunta timidamente

"É melhor eu te levar para sua mãe." House fala e abre a porta para a menina passar.

Eles seguem para o estacionamento, quietos, o silêncio era confortável, talvez eles só estivessem em negação fingindo que nada estava acontecendo, mas estavam bem assim.

"Você sabe que ela vai pirar quando me ver chegando nessa moto?" Ela pergunta quando eles chegam ao estacionamento.

"Eu não ligo. E você?" Ele pergunta subindo na moto

"Muito menos." Ela responde admirando cada centímetro da moto.

"Sobe" House fala entregando o capacete para Audrey.

Com Audrey explicando o caminho, um percurso que duraria uns cinco minutos de moto levou quase trinta. Nesse meio tempo House fez algumas brincadeiras dizendo que a menina não tinha senso de direção e que provavelmente não seria aprovada nos testes de motorista e qualquer pessoa que os vissem naquele momento diria que eles se conheciam há anos, ele se divertiram, do jeito deles, mas foi diversão.

Assim que House estacionou a moto na calçada da casa delas os risos cessaram, a tensão voltou a tomar conta dos dois assim que enxergaram Cuddy esperando no jardim. Lisa respirou aliviada assim que viu a filha sã e salva na garupa da moto, mas foi mais forte que ela, não conseguiu se conter:

"Você trouxe minha filha nisso?" Ela pergunta, seu olhar indo da moto para House respectivamente.

"Ele me trouxe, eu estou aqui e estou bem. Você devia agradecer." Audrey fala enquanto caminha para dentro da casa.

Os olhos de House encontram o de Cuddy e eles ficam se encarando por um tempo, era como se cada um tentasse ler a mente do outro.

"Greg..." Cuddy murmura.

Ele não diz nada, continua olhando para ela e coloca o capacete se preparando para ir embora.

"Obrigada." Ela termina a frase e segue para a porta da casa, enquanto ele sai em disparada com sua moto.


Cuddy estava aliviada de ter sua filha bem e em casa, mas a vontade que ela tinha era deixar Audrey de castigo pelo resto da vida. Como sempre seu senso de culpa fala mais alto "ela já passou por tanta coisa, não dá para dar bronca agora"

Cuddy vai até a porta da sala e encontra Audrey sentada no sofá com o controle remoto na mão passando de canal em canal na TV. Audrey olha para a mãe por um momento e depois volta a encarar a TV.

"Adianta se eu pedir desculpas?" Ela pergunta delicadamente.

"Se você me comprar um TIVO vai ter um efeito melhor." A menina fala desligando o aparelho de TV e olhando para a mãe.

"E sai bem mais caro também." Cuddy fala sentando-se no sofá perto da filha.

"Você teve seus motivos." Audrey diz.

"Me desculpe querida." Cuddy sussurra abraçando a garota e deixando cair algumas lágrimas, de culpa, felicidade ou alívio, nem ela sabia o que as lágrimas significavam.

"Você teve seus motivos" Audrey repete ainda abraçada à mãe.

"Estamos entendidas então?" Cuddy pergunta depois do abraço.

"Sim, mas eu ainda prefiro um TIVO." A menina fala sorrindo.

"Vou pensar no seu caso, agora acho que é hora de dormir." Cuddy retruca.

"Pensa com bastante culpa, ok." Audrey fala se dirigindo para as escadas.

Cuddy sorri e a segue pelas escadas também.

Naquela noite Audrey dormiu feliz, por enfim descobrir sobre seu pai, e por ter certeza que ia ganhar um TIVO.

N/A:Obrigada a minha beta Luisa.