Ok, ok, estamos de volta. Em plena folia de Carnaval (dos outros, porque eu tô na labuta ainda) mas vocês são tão amores que merecem um fim nesse hiatus chato. Vamos finalmente saber como Bellinha e Dudu voltam a se amar * coração com a mão *

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Show me the loveeeeee


10.

Agora eu não podia mais escutar Eight Days a Week sem que meus olhos enchessem de lágrimas relembrando a briga que tive com Edward. Ao invés de desejar que os dias fossem mais longos, eu queria que as horas passassem correndo para eu poder me trancar no quarto e chorar em paz sem ninguém olhando ou questionando através do olhar o que havia de errado comigo. Eu não queria falar sobre o assunto, pensar em Edward ou relembrar os breves momentos que tivemos juntos, e para minha surpresa, Alice respeitou minha escolha. Pensei que ela fosse encher meu saco para saber o que eu e Edward conversamos, mas, por incrível que pareça, ela não perguntou nada. Esperou até que eu chegasse em nosso dormitório depois de uma aula, segurando as lágrimas que queriam cair durante todo o caminho quando eu vi Edward pela primeira vez desde a sexta-feira, quase uma semana depois.

Ele estava saindo do prédio de artes segurando alguns rolos grandes de papel, provavelmente seus desenhos para alguma aula. Falava ao telefone sem prestar muita atenção ao seu redor, me dando a chance de observá-lo um pouco sem que ele me visse. Sentia até mesmo saudade de seu jeito de andar, os ombros meio curvados por ele ser alto demais, os braços meio sem jeito ao lado do corpo. Queria estar ao seu lado, com seu braço jogado sobre meus ombros, o escutando reclamar, falar, dizer qualquer coisa com aquela voz sexy e rouca. Por isso saí correndo para o dormitório, porque a saudade estava me fazendo engasgar com vontade de chorar.

- Eu o vi... - murmurei parada na porta, apertando os livros contra o peito.

Alice parou de ler o livro de psicologia em suas mãos e me encarou, não dizendo nada até que eu corresse para o sofá e me jogasse em seus braços abertos para me confortar.

- Eu o odeio! - falei deixando cada lágrima cair sem vergonha agora.

- Você não o odeia, Bella. - ela disse alisando meu cabelo com carinho. - Você só está chateada porque ele não foi a pessoa mais receptiva do mundo com sua história.

- Por que ele tinha que ser tão idiota e... e... argh, eu nem sei descrever o que ele foi quando me chamou de estúpida.

- Um estúpido. É isso que Edward é. Estúpido por não perceber que perdeu uma garota como você. E daí que você é princesa e vai ser rainha um dia? Debaixo dessa coroa existe uma garota incrível e corajosa que largou toda a mordomia de casa para estudar Literatura e dividir um dormitório com uma louca sem noção como eu. Ele é muito idiota por não perceber isso.

- Mas...

- Eu sei que você sente falta dele, que achou que esse relacionamento iria dar certo, mas infelizmente a gente tem que quebrar a cara antes de encontrar o carinha ideal para nós.

- Eu só queria ser feliz com alguém... - murmurei fungando para parar de chorar e Alice limpou minhas lágrimas e me deu um sorriso fraco.

- Um dia você vai ser, Bella.

Pela primeira vez, eu tinha uma amiga de verdade e confiava plenamente nela. Por mais que Alice adorasse se meter em minha vida, sempre dar uma opinião mesmo quando não era seu problema, ela não fazia por mal. Seu jeito era o que a tornava única, alguém que eu queria por perto e conseguia dissipar um pouco essa dor chata de decepção amorosa. E quando ela me abraçava forte, eu já sentia aos poucos a dor indo embora.

- Obrigada, Alice... - murmurei pousando meu queixo em seu ombro quando a abracei mais uma vez.

- Bestie é para isso, Bella. - ela retrucou me fazendo rir com as expressões que usava. - Agora, vamos lavar esse rosto, retocar essa maquiagem e sair para comer alguma coisa?

- Eu não quero sair...

- Como sua bestie, eu não vou permitir que você fique mais trancada nesse quarto escutando música depressiva. Nós vamos sair, comer alguma coisa, passear por Oxford, fazer qualquer coisa para você esquecer Edward. Ok?

- Ok.

Os programas que Alice escolhia para me distrair surtiam o efeito esperado e eu ficava horas sem pensar em Edward, até que alguma coisa me lembrasse ele. Seja algo relacionado a artes, ou cinema, eram coisas mínimas que me faziam respirar fundo e não dar permissão para mais lágrimas caírem. O que tivemos não durou mais que um mês, mas éramos tão compatíveis e perfeitos juntos que foi impossível não sentir falta dele a cada segundo de meu dia. Na hora do almoço que era quando ele sentava rapidamente comigo e roubava algo que eu estava comendo antes de me beijar no meio da testa e sair correndo para a próxima aula. Nos finais de semana, quando ele ficava alguns minutos comigo antes de ir para o pub e sempre mandava uma mensagem de boa noite quando chegava em casa, fosse às 3 horas da manhã e eu já estivesse dormindo. Nós tivemos uma história, por menor que fosse, e a função de Alice era me fazer não pensar tanto nela.

Voltei a me divertir com o passar dos dias e a ajuda de Alice. Comemoramos quando começou a nevar e éramos a únicas garotas bobas fazendo anjo de neve no gramado da universidade em uma noite congelante, rindo sem parar antes de correr para o dormitório e nos aquecer com o chocolate quente delicioso que ela fazia. No dia de Ação de Graças - que era um dia normal em Oxford já que era um feriado americano - ela fez um pequeno jantar para não deixar a tradição de lado e improvisamos uma "Sexta Negra" no dia seguinte fazendo compras mesmo sem os descontos tradicionais. Ela sentia falta de casa e eu também, então uma ajudava a outra nesse aspecto e juntas sobrevivemos ao primeiro trimestre na faculdade. Logo faríamos as provas finais do período e arrumaríamos as malas para voltar pra casa no feriado de final de ano, só retornando em Janeiro.

Eu queria e não queria voltar para San Marino. Queria rever papai e até mesmo mamãe, mesmo que ela fosse me deixar louca nas duas semanas que ficaria em casa, mas por outro lado não queria deixar a rotina que já havia criado na faculdade. Meus horários, podendo fugir para ficar sozinha quando quisesse, comendo o que eu queria e vestindo as roupas de minha escolha. Sem protocolo, sem seguir regras, algo que eu voltaria a ter quando retornasse à minha terra natal. Porém, logo as férias iriam passar e eu voltaria para Oxford, reencontraria Alice e juntas continuaríamos essa jornada louca de universitárias. Outro aspecto que me fez querer logo entrar de férias era ter a certeza de que não me esbarraria com Edward a qualquer momento.

O campus da universidade não era tão grande para eu ficar muito tempo sem meu caminho cruzar com o dele, e para minha sorte, nas ocasiões que nos encontramos ele estava sozinho, no máximo acompanhado de algum homem. Nunca com suas fãs lhe dando sorrisos e abraços longos, o que foi muito bom. Acho que não aguentaria ver Edward seguir em frente e começar outro relacionamento efêmero com alguma estudante de Oxford, mas o que vi nesses dias que seguiram foi um Edward diferente do que eu conhecia. Mais sério, algumas vezes de cabeça baixa enquanto andava, e sempre com um cigarro aceso.

Era quase como se ele estivesse sofrendo, o que eu não queria acreditar para não transformar minha raiva em pena. Ele havia me machucado ao me chamar de iludida e achar que eu era uma princesinha mimada querendo brincar de rebeldia com o estudante de Artes. Ele não me deu a oportunidade para eu mostrar que realmente gostava dele, independentemente se ele fosse estudante de artes ou o filho de algum diplomata. Não me importava de onde Edward veio, eu o queria pelo o que ele era comigo. Ou pelo menos foi.

Nessas ocasiões que o encontrei, não ficava muito tempo o observando e praticamente saía correndo antes que ele me visse. Estar tão perto - mas ao mesmo tempo tão longe - só aumentava a saudade que eu sentia dele, de seu jeito de me beijar e fazer as células de meu corpo acenderem, das nossas conversas longas sobre cinema, como ele me fazia corar com seus comentários sobre a maneira que eu encarava o mundo.

"Você vive em uma bolha, não é?" ele brincava sem imaginar que eu realmente vivi em um mundo de fantasias antes de conhecê-lo.

Agora Edward sabia o motivo por eu nunca ter andado de ônibus ou ter bebido até não lembrar nada da noite anterior. Fui moldada para servir um país e ser o exemplo para cada garota san-marinense que me tinha como referência, nunca pude errar e aprender com esses erros. Eu tinha que ser perfeita mesmo quando não queria, e agora que morava longe de casa e da vigilância constante de mamãe, eu poderia ser quem eu realmente era. Edward não me deu a chance de mostrar isso, que eu não tinha nada a ver com a princesa estúpida e submissa que ele julgou que eu fosse ser. Simplesmente vestiu em mim uma carapuça que não me cabia e isso foi o que mais me deixou triste. Pensei que ele fosse diferente dos outros que sempre apontavam o dedo e diziam "você é assim, assim e assim" antes mesmo de me ver por completo. Pensei que poderia ser verdadeiramente feliz com ele.

E sem que eu esperasse, e estivesse preparada, Edward me abordou certo dia enquanto eu almoçava sozinha, já que Alice estava presa na biblioteca estudando. Meus fones estavam nos ouvidos impedindo que eu escutasse qualquer barulho além da música que eu selecionei no iPhone e tentava dividir minha atenção entre o livro aberto e o prato de nhoque nada gostoso comparado ao da cozinheira de vovó Isabella. Quando menos esperei, Edward estava sentado em minha frente com uma expressão de cansaço e o susto foi tanto que eu soltei um grito de surpresa, arrancando meus fones.

- Desculpe, não queria te assustar... - ele murmurou me vendo fechar o livro e jogá-lo na bolsa.

- Tudo bem. - retruquei no mesmo tom de sua voz e evitando ao máximo encará-lo. - Eu já estou de saída mesmo.

- Espere, eu precisava conversar com você.

- Mas eu não tenho nada para conversar com você, Edward.

Dessa vez ele veio atrás de mim enquanto deixava o refeitório e eu ia em direção a qualquer lugar que não fosse perto de Edward e de sua conversa que eu não queria nem escutar o começo. Não me interessava se ele queria pedir desculpas ou falar sobre o tempo, sei lá. Sua voz só iria me lembrar de quando ela me dizia coisas bobas para me fazer rir e ruborizar loucamente, mas agora eu também lembrava de como suas últimas palavras foram cruéis comigo. Por isso eu era a louca quase correndo pelo campus e provavelmente sendo perseguida por Edward.

- Bella! - ainda o escutei gritar antes de me enfiar no primeiro prédio.

Forcei meu coração a não sentir mais nada em relação a ele mesmo depois de ele me procurar e focar apenas na última semana de aula. Logo eu teria todas as provas, passaria a madrugada estudando, e no dia 20 de Dezembro embarcaria para San Marino para curtir um pouco a família. Sentia saudade de vovó Isabella e seu cheiro de creme da Lancôme, da vista que a varanda de meu quarto tinha para o vale, e confesso que sentia muita falta de acordar e ter uma mesa de café da manhã completa, ou o almoço pronto na hora certa. Só por alguns dias eu me permitira ser dependente outra vez e aproveitar a mordomia de ter 10 empregados me servindo qualquer pedido que eu fizesse, mas logo voltaria a pegar fila para almoçar e ter que lavar minhas próprias roupas na lavanderia coletiva da universidade.

Até Vincent estava animado com a volta pra casa, miando e andando entre minhas malas no chão do quarto enquanto eu decidia o que levava e o que deixava. Tinha retirado minha coroa do cofre em que ela ficava no banco de Oxford e ela estava arrumada dentro da caixa com minhas iniciais, pronta para ser usada quando eu voltasse a San Marino e fosse direto para a recepção feita para me dar boas vindas. Coisas de mamãe, e eu entendi que fazia parte. Alice também havia começado a arrumar as malas, ou melhor, a encher sua mochila enorme com roupas que ela enfiava de qualquer forma.

- Alice! - gritei notando que faltava algumas peças importantes em meu guarda-roupa.

Ela correu até o quarto, vestida com uma calcinha de cintura alta e um suéter vermelho com flocos de neve bordados, tão anos 80 e tão engraçada que me fez rir antes de falar qualquer coisa.

- Você, por acaso, pegou minhas luvas Burberry?

- Marrom com fivelas dourada?

- Sim...

- Estão comigo sim, espera.

Nenhum acessório era só meu, porque Alice se sentia na liberdade de pegar luvas, cachecol, brincos, até mesmo maquiagem sem me perguntar se poderia ou não. Como eu não tinha irmãs, era o mais próximo que eu poderia experimentar e aprendi a não ligar muito. Porque ela sempre devolvia tudo inteiro, mesmo que demorasse muito tempo.

- Aqui estão - disse jogando o par de luvas em minha cama. - Obrigada, a propósito.

- Espero que elas tenham te aquecido direito. - comentei jogando as luvas em minha bolsa que levaria no voo. - Está com fome?

- Estou, na verdade. Pizza, chinês ou você finalmente criou coragem para experimentar aquele japonês no centro da cidade?

- Acho que estou corajosa hoje à noite... e você?

- Só vou vestir uma calça jeans e podemos ir.

Precisei apenas colocar um casaco pesado e botas para aguentar o frio que fazia do lado de fora do dormitório, mas o tempo que Alice levava para vestir uma calça jeans me deu a chance de continuar organizando mais algumas coisas para levar. Só tinha mais 3 dias e então James e Laurent estariam em minha porta para pegar minhas malas Vermillon e seguirmos para o aeroporto junto com Alice já que seu voo era 1 hora antes do meu. Quando ela retornou ao meu quarto, estava pronta para encarar o nevisco que caía, inclusive com o gorro de gatinho que ela adorava usar.

- Esse gorro é ridículo. - comentei colocando minhas luvas e Alice riu.

- Eu sei que você adora esse gorro. - ela brincou segurando as orelhas. - Me empresta um casaco?

- Claro...

A entreguei um trench coat Marc Jacobs que estava pendurado atrás da porta e nós finalmente conseguimos sair de casa, recebendo os flocos gelados no rosto que ardiam e adoravam entrar no olho. Alice já tinha insistido para que fossemos lá porque ela adorava sushi, mas eu era muito fresca em relação aos lugares que comia peixe cru por morrer de medo de ter uma intoxicação alimentar séria e, sei lá, morrer. Isso me fez lembrar o dia que Edward me convenceu a comer Fish and Chips e parar de ter medo de passar mal com tanta gordura.

- Você está pensando nele, não é? - Alice perguntou notando meu olhar distante e o sorrisinho que tinha nos lábios.

- Estou... - confessei dando um suspiro de cansaço. - Eu não paro de pensar nele, Alice.

- É normal, não precisa se sentir mal com isso.

- Mas eu não queria ainda estar pensando nele, com saudade de tudo que vivemos... Foi tão pouco tempo, mas ainda assim eu sinto falta de Edward como se tivéssemos vividos 3 anos juntos, sei lá.

- Você se envolveu rápido demais, o problema foi esse. Mas também, Edward fofo e atencioso daquela forma... até eu estou com saudade dele.

- Argh, eu quero esquecê-lo logo! - resmunguei me permitindo ser uma garotinha mimada.

- Vai passar, amiguinha. - Alice disse alisando meu braço e me puxando para virar a esquina, dando de cara com o restaurante. - Pronta para comer sushi como uma caminhoneira?

- Vamos lá!

O local não era de todo mal, apenas não era como eu estava acostumada a frequentar. Os restaurantes japoneses que eu ia em Roma, Londres ou até menos no Japão eram arrumadinhos, com uma decoração fofa ou contemporrânea, senhores orientais te atendendo e preparando a comida. No Sushi Shan - o único restaurante japonês em Oxford - parecia que eu estava em um pub porque o cheiro de fritura era forte e tudo era marrom demais por causa da maderia presente em cada centímetro do salão.

- Legal, não é? - Alice comentou deixando o casaco sobre o meu na cadeira livre.

- Hum... diferente. - me limitei a comentar.

Um garoto veio nos entregar o cardápio e anotou nosso pedido simples; sashimi de atum, salmão e peixe branco, uramaki e hosomaki. Pedimos também uma dose de saquê porque eu sempre tive vontade de experimentar, assim como Alice, e eu comecei a dar valor ao restaurante quando nosso garçom fez uma pequena cerimônia ao servir a bebida, explicando o nome de cada utensílio que utilizou.

- Kampai. Ou seja, saúde. - ele explicou me entregando o ochoko, copinho que servia saquê.

- Kampai. - repitimos rindo e brindando.

Era mais forte que cerveja e mais fraco que tequila, com um sabor diferente do que eu imaginava, porém, era gostoso e fomos instruídas a tomar pequenos goles para não embebedar rápido. Consegui relaxar o bastante com o pequeno jantar diferente que eu e minha colega de quarto estávamos tendo ao invés de terminar de arrumar as aulas, e no meu caso, estudar para a última prova dois dias depois.

- Isso é tão Sex and the City. - Alice comentou tentando pegar um sashimi com o hashi. - Só faltou os cosmopolitans ao invés do saquê.

- Quem você seria em Sex and the City? - retruquei feliz em poder conversar sobre algo que nós duas entendíamos bem: seriados americanos.

- Uma mistura de Samantha e Carrie, porque eu adoro sexo casual, mas ainda tenho esperanças de encontar o meu Mr. Big. Você nem precisa perguntar porque eu sei que você é a Charlotte.

- Posso ser a Charlotte, mas sempre quis ser a Carrie. Porque ela é independente e sonhadora ao mesmo tempo.

- Por que ninguém quer ser a Miranda? Tadinha...

- Verdade. Ninguém quer ser ela.

Rimos com nossa conclusão idiota e nosso papo nada a ver, talvez um pouco envolvidas pelas duas doses de saquê que já tínhamos bebido. Quando meu celular com número local começou a tocar dentro de minha Alexa Mulberry me fazendo caçá-lo desesperada entre as milhares de coisas que carregava. O meu desespero aumentou ainda mais quando eu vi o nome de Edward na tela.

- É ele! - murmurei, como se fosse possível ele escutar.

- Atenda! - Alice mandou quase engasgando com o sushi.

- Não. Eu não quero falar com ele...

- Deixa de ser mentirosa e atenda logo essa merda de celular antes que eu faça.

- Ok, ok...

Era melhor eu atender do que deixar Alice falar alguma coisa que fosse me arrepender depois. Meu coração já não batia mais de tão nervosa que eu estava quando toquei na tela e coloquei o celular em meu ouvido, a mão tremendo nitidamente.

- Bella, não desliga, por favor. - ele disse antes que eu falasse algo.

- Eu... Eu não vou desligar. - garanti olhando com desespero para Alice, que fez um sinal para que eu continuasse.

- Eu não sabia quando você iria viajar para San Marino, então resolvi ligar para saber se você ainda está em Oxford...

- Só viajo dia 20, pela manhã. Ainda tenho uma prova para fazer.

- Ótimo. Você está no dormitório agora?

- Não. Estou jantando com Alice.

- Oh... Entendi.

- Por que você quer saber? - não me controlei e perguntei.

- Eu... queria falar com você antes de você viajar. Meu expediente termina a meia noite, será que até lá você já estaria no dormitório?

- Acho que sim.

- E eu poderia passar lá?

- Ele quer conversar comigo! - sibilei para Alice tapando o microfone do telefone.

- Sobre o quê? - ela retrucou no mesmo tom.

- Eu não sei...

- Bella? - Edward disse chamando minha atenção de volta para a ligação.

- Desculpa... o garçom... Enfim.

- Então...

- Não acho que seja uma boa idéia...

- Por favor, Bella. É a última coisa que eu te peço, depois você pode nunca mais olhar em minha cara se quiser. Mas eu realmente quero conversar com você.

- Tudo bem... Acho que não tem problema em você passar no dormitório depois do seu expediente.

- Ok, então. Até mais tarde.

- Tchau.

Quando eu desliguei, o celular quase escorregou de minha mão suada de tão nervosa que fiquei. Dias sem trocar uma palavra com ele, apenas o encontrando casualmente pelo campus e evitando suas abordagens, e agora Edward iria passar em meu dormitório mais tarde para conversar sobre algo que eu não sabia, mas já estava sofrendo por antecipação.

- Que tal outra dose de saquê para te relaxar? - Alice sugeriu acenando para o garçom.

- Não, acho melhor encarar essa conversa o mais sóbria possível. E eu perdi o apetite.

- Pode não ser nada, Bella.

- Mas pode ser tudo. Ele pode voltar a ser fofo comigo e depois me quebrar ainda mais por puro prazer.

- Vocês vão conversar e quem sabe resolver essa situação.

- Então você me apoia aceitar Edward de novo se ele pedir desculpas?

- Se isso te fizer feliz e ele provar que está realmente arrependido do jeito que te tratou, que mal há nisso?

- Pensei que você fosse ser do tipo de amiga que não iria querer ver Edward nem pintado de ouro.

- Até o momento eu não quero, mas se ele realmente quer consertar a merda que fez é porque gosta de você. Esqueceu que Edward é o "pau de mel" de Oxford? Que pega todas se quiser? Ele pode ter qualquer uma e está se rastejando como um cachorrinho atrás de você. Edward deve estar arrependido e com saudade, Bella.

- Mas e se ele tiver traçado um plano perverso para me fazer sofrer mais e...

- Não vamos pensar no pior antes, ok? Vamos terminar nossos sushis e voltar para o dormitório. A gente assiste algum filme idiota na TV para te distrair até ele chegar.

- Obrigada.

O caminho de volta foi o mais silencioso possível, exceto quando Alice fazia algum comentário e arrancava uma risada sem vontade de mim. Estava concentrada em manter a calma para não ter uma crise de ansiedade antes de Edward aparecer, algo impossível de ocorrer quando em menos de duas horas eu estaria novamente com ele, perto o suficiente para sentir seu perfume e minha pernas ficarem moles só com isso. Estava curiosa para saber o que ele queria comigo depois de tantos dias separados, mas também estava com medo das consequências dessa conversa. Meu coração não aguentaria ser quebrado um pouco mais.

Ao retornar para o dormitório, faltava pouco tempo para meia noite e meu nervosismo só aumentava enquanto eu esperava. Alice foi dormir com a desculpa de que acordaria cedo para correr, mas eu sabia muito bem que com o frio que estava fazendo, ela não acordaria cedo coisa alguma. Só inventou aquilo para eu ficar sozinha e pudesse conversar em paz com Edward. Esse que estava demorando a chegar quando o horário de seu expediente já terminara.

Fiquei no sofá acariciando o pêlo de Vincent e assistindo um programa de vendas, nem mesmo as jóias conseguindo me acalmar um pouco. Estava quase dormindo quando escutei as batidas que me assustaram, Vincent pulando de meu colo para entrar no quarto. Todo mundo realmente estava empenhado em me deixar sozinha com Edward e eu repeti mentalmente que tudo daria certo, abrindo a porta.

The Scientist - Coldplay

Lá estava ele, em seu melhor visual; casaco de couro por cima do moletom preto com gorro cobrindo o cabelo, barba maior do que o costume, olhos cansados. Quis abraçá-lo, apertar meus braços ao redor de seu pescoço até que o ar faltasse em nossos pulmões, mas suas palavras emergiram das lembranças, o jeito que ele não me deu chance de mostrar quem eu era machucando um pouco mais. Precisava agir com razão naquele momento, não deixar que a saudade falasse mais alto.

- Posso entrar? - ele perguntou me vendo parada com a porta aberta.

- Sim... - murmurei finalmente dando passagem para que ele entrasse tirando o casaco de couro.

Edward olhou ao redor rapidamente como se buscasse algo diferente desde que esteve ali na última vez e eu cruzei meus braços para me aquecer e para afastar de vez a vontade de correr para seus braços. Era insuportável estar em sua frente e não poder fazer o que mais queria: ser dele novamente. Sem problemas com minha vida de princesa, sem me preocupar em esconder nada. Apenas nós dois, como um dia fomos.

- Desculpe aparecer a essa hora, mas eu realmente precisava falar com você antes de você viajar para San Marino e... sei lá, precisar ficar por lá.

- Eu não vou ficar em San Marino, Edward. - expliquei com minha voz incrivelmente calma. - Eu vou voltar quando as férias terminarem.

- A questão não é essa. O que eu queria... quero te dizer é... desculpe. Desculpe por ter sido um idiota quando descobri que você é uma princesa, por ter te chamado de estúpida e ter te feito chorar. Eu estava confuso e não pensei direito quando disse tudo aquilo... Eu não queria te machucar, Bella.

- Mas machucou. Muito. - fui sincera, sustentando o olhar no dele e sendo corajosa para falar mais. - De todas as pessoas que eu pensei em contar sobre isso, você era a única que eu achei que não me trataria daquela forma. Imaginei que fosse ser um choque descobrir que eu sou herdeira de um trono real e faço parte de uma monarquia, mas você não me deu tempo nem para falar. Foi logo me julgando e dizendo coisas que doeram.

- Eu sei, eu sei... Desculpe. - Edward murmurou quebrando nossa distância e segurando meu rosto entre suas mãos geladas, como se soubesse que seu toque era suficiente para me ter literalmente em suas mãos outra vez. - Saber que você ficou decepcionada comigo foi a pior parte, porque eu jamais tive a intenção de te ver com lágrimas nos olhos e me odiando.

- Eu... não te odiei.

- Pois deveria. Eu fui o pior homem ao te tratar daquela forma. Me perdoe, Bella.

- Eu não sei... - murmurei abaixando meus olhos dos seus. - O fato de eu ser quem sou irá atrapalhar alguma coisa entre nós dois? Você irá me tratar diferente só porque sabe a verdade agora?

- Não, lógico que não. Você continuará sendo a Bella fã de Pulp Fiction que viveu tempo demais em colégio interno. Tudo bem, será estranho saber que você tem uma coroa... Por que você tem uma coroa, não é?

- Algumas. - respondi o vendo sorrir tão perto de meus lábios que foi incontrolável não sorrir de volta.

- Mas isso não irá mais importar. Esses dias longe me fizeram perceber que eu fui muito burro por quase perder uma garota incrível como você. Você não é Bella, a princesa de San Marino. É apenas Bella, a garota que eu gosto de ficar e irei me sentir um idiota completo se deixá-la escapar por ter sido um... Bem, um idiota.

- Eu só não quero sair dessa situação machucada outra vez... - sibilei apertando novamente meus olhos de tão confusa que estava com o que sentia; saudade, medo, tensão.

- Eu prometo que não vou mais te machucar dessa forma. - sua voz era firme e segura, causando vibrações contra meus lábios. - Que não vou te julgar outra vez pelo fato de você ser quem você é.

- Mas... - gaguejei nervosa com minha mente ocupada em processar tudo e colocar em ordem as idéias.

Mas quando ele me beijou sem avisar, minha mente se tornou um grande vazio e nada precisava mais ser organizado ou processado. Estava mais que claro que eu seria burra se não o perdoasse, desse outra chance para Edward me fazer feliz e me aceitar com um trono, coroas e um estado me servindo. Mesmo que eu ainda estivesse machucada com o que ele me disse, ao sentir sua língua buscando a minha e sua mão encaixando em meu pescoço, joguei o medo para cima. Me afundei outra vez no que nós sentíamos um pelo outro, sem querer voltar para a superfície, sem buscar por ar. Morreria sufocada se isso significasse que eu estava com Edward outra vez, e agora por tempo indeterminável.

Ele me puxou para mais perto de seu corpo, me obrigando a ficar na ponta dos pés cobertos pelas meias grossas. Sua mão massageando meu pescoço e rosto faziam com que o restante de meu corpo relaxasse completamente, aproveitasse seus lábios nos meus outra vez, matasse a saudade daquele homem. Se não faltasse fôlego para continuar, passaríamos a madrugada no meio da sala nos beijando, mas eu fui obrigada a quebrar nossa ligação para respirar um pouco.

- Eu estava morrendo de saudade de te ver ruborizada dessa forma... - ele sussurrou beijando minhas bochechas quentes e me fazendo ficar ainda mais corada. - Voltamos a estaca zero, não foi?

- Como assim?

- Ao começo. Eu não te conheço mais, você não me conhece mais, logo teremos que recomeçar o que tínhamos.

- Como?

- Eu sou Edward Cullen, estudo Artes, sou barman em um pub e sou contra algumas decisões do meu governante. - ele disse esticando a mão para mim e sorrindo.

- Eu sou Isabella Henrietta Marie d'Alembert Swan II, sou a primeira na linha de sucessão do trono de San Marino, estou vivendo longe de meus pais pela primeira vez e morrendo de medo de tudo dar errado. - falei apertando sua mão e balançando duas vezes.

- Vai dar certo, Bella. Eu prometo.

Pela primeira, eu vi o sol nascer, ou pelo menos fui dormir quando ele já estava dando os primeiros sinais no céu porque minha madrugada foi preenchida por Edward sentado no sofá de meu dormitório, me segurando contra seu peito e escutando minhas histórias de princesa. Ele não disse nada que me fizesse sentir como uma garota mimada querendo além do que podia. Edward voltou a acreditar em mim, a me ver como apenas uma garota começando agora a viver, e rezando para que a mãe estivesse errada. Em 48 horas eu estaria de volta para casa e com um sorriso na face que responderia qualquer dúvida de minha família.

Eu estava feliz com minha nova vida e pretendia continuar com ela.


Dessa vez não tem "review = preview" por falta de tempo para responder tudo com calma, ok? Fica pra próxima! See ya!