CAPÍTULO 10

Kagome passou a noite em claro, cada vez mais enjoa da e sentindo-se a última das criaturas. Lembrando o que o médico dissera sobre ela ter engolido água da piscina, achou que a náusea passaria e tentou esque cê-la.

Queria encontrar Inuyasha, mas não tinha idéia de onde procurá-lo. Mas também, se o encontrasse, não saberia o que dizer.

A culpa era dela.

Ela o enganara. Mentira. Casara com ele por di nheiro.

Inuyasha tinha razão. Como ela poderia defender o indefensável?

A princípio, a opinião dele sobre ela não tinha im portância. Mas o tempo foi passando, e Kagome se apaixonou; e saber que ele a odiava a deprimia ainda mais.

Como nada podia ser feito para mudar a situação, decidiu que voltaria para Londres. Neste instante, Inuyasha entrou no quarto, vestindo um terno bem cor tado, a própria imagem do sucesso.

Completamente enjoada, Kagome sentou-se na cama, tentando disfarçar a falta que sentia dele. O fato de desejá-lo tanto era irrelevante. Ele não a que ria mais.

— Vou embora ainda hoje — comunicou ela, com a voz trêmula, sem conseguir encará-lo. — Você não pode pedir o divórcio, mas não precisa viver comigo. Prometo que...

— Vim me desculpar — murmurou ele, ríspido, interrompendo sua tentativa de estabelecer algum diálogo. — Ontem à noite, me descontrolei. Não ha via motivo para tanto.

Inuyasha estava pedindo desculpas para ela?

— Você tinha motivos para ficar bravo...

— Ontem, você parecia não estar passando bem... — O olhar dele a examinou e ele franziu a testa. — Parece que não melhorou muito.

Kagome esboçou um sorriso.

— Acho que foi por causa da água que engoli... Es tou um pouco enjoada, mas está tudo bem...

— É melhor você ficar descansando hoje. Fique na cama — ordenou ele, formal. — Mais tarde conver samos.

Ela suspirou. Sentia-se vazia e exausta depois de tanta emoção.

— Não temos nada o que conversar, Inuyasha. Nós dois sabemos disso. Ficou claro que você não me suporta, por isso vou embora ainda hoje.

Por algum motivo a tensão dele pareceu aumentar.

— Não quero que vá embora. Você é minha esposa — disse ele, respirando forte.

— Uma esposa que não pode lhe dar filhos — re lembrou Kagome, consternada.

— Isso pode ser verdade, mas você ainda é minha esposa e não vai embora.

Kagome sentiu o coração acelerar. Será que Inuyasha estava pensando na semana feliz que tinham pas sado? Será que sentia falta dela? Será que...

— Ontem à noite, estava tão bravo com o que des cobri que fiquei fora de mim — confessou ele, afas tando-se dela e dirigindo-se à janela. — Mas depois de me acalmar, percebi que você teve uma vida muito difícil. Por causa do acidente no barco dos meus pais, você ficou órfã muito cedo, sem amparo. Sempre tra balhou para se sustentar. É natural que aproveitasse uma oportunidade para reverter essa situação. Você achava que minha família era culpada pela morte de seus pais e por seus ferimentos.

— Inuyasha...

— Deixe eu terminar. Seja lá qual tenha sido o mo tivo da explosão no barco, minha família é responsá vel pelo acidente e temos que assumir as conseqüên cias.

— O que você está dizendo?

— Que você tem direito à vida que escolheu. Mi nha família tem uma dívida para com você e eu a hon rarei. Você continuará como minha esposa e receben do a mesada combinada. Como vai gastá-la, é decisão sua.

Desapontada ao perceber que Inuyasha manteria o casamento apenas por sentir-se responsável por ela, e não por nenhum sentimento pessoal, Kagome recostou-se nos travesseiros.

Ela não queria ficar ao lado dele naquelas circuns tâncias, mas o que podia fazer? Precisava do dinheiro de Inuyasha para sustentar a mãe. Não havia outra alternativa a não ser ficar. E se ele a detestava por aquilo que fizera... paciência! Kagome teria que convi ver com isso.

As semanas seguintes demoraram a passar.

Inuyasha passava a maior parte do tempo no escri tório, e só voltava para casa quando ela já estava dor mindo. Ele dormia em outro quarto, certamente para reforçar sua disposição de não vê-la.

Dias se passaram sem que se vissem e, nas raras ocasiões em que se encontraram nas refeições, ele foi polido e cortês, mas manteve distância. Sua fria civi lidade era mais difícil de suportar do que sua raiva.

E para piorar, o enjôo não passou como previra o médico. Ela não comentou nada com Inuyasha, pois sabia que ele se sentia incomodado por tê-la jogado na piscina.

A gota d'água foi o telefonema para o hospital para saber da mãe e ser informada que ela desenvol vera uma grave infecção e estava muito mal.

Sentindo-se culpada por ainda não ter conseguido visitá-la, Kagome fez a mala e pediu ao motorista de Inuyasha para levá-la ao aeroporto.

Ele não sentiria sua falta, pensou quando viu Ate nas ficar para trás, instalada no conforto do carro. Sa bia que ele participaria de uma reunião de negócios em Paris, pois o vira embarcar no helicóptero naquela manhã.

Como uma adolescente apaixonada, ficava olhan do pelas janelas da mansão para tentar vê-lo passar.

Como chegara a este ponto?

Como tinha conseguido se apaixonar por Inuyasha?

É claro que Kagome sabia a resposta: no momento em que o viu pela primeira vez, sentiu uma tensão entre os dois. Havia se casado determinada a desprezá-lo e odiá-lo, mas estes sentimentos logo se transfor maram em paixão.

Quando Kagome resolvesse o problema da mãe, tenta ria esquecê-lo, disse para si mesma quando desceu do carro e dispensou o segurança que a acompanhava.

Durante o vôo para Londres tentou não sentir en jôo e decidiu que, tão logo pudesse, consultaria um médico. Provavelmente alguma bactéria se instalara em seu organismo por causa da quantidade de água que engolira na piscina.

Quando chegou a Londres, chovia muito e o dia estava cinzento. Comparando o tempo nublado ao seu humor, pegou um táxi e foi para o hospital, che gando a tempo de encontrar o médico que cuidava da mãe.

— Como ela está?

— Como você sabe, a operação a que ela se sub meteu foi bastante complicada, mas sua mãe estava se recuperando bem. Infelizmente, alguma bactéria a contaminou e estamos submetendo-a a uma série de testes para identificá-la.

— Posso vê-la?

— Se você é a Kagome, então é mais do que bem-vinda — respondeu o médico. — Ela a chama sem pre. Você estava trabalhando fora do país, não é?

Kagome corou. Esta foi à desculpa que dera para não visitar a mãe, mas agora sentia remorso por ter men tido. Deveria ter tentado vir antes...

Mas como poderia? Para cumprir o acordo e rece ber o dinheiro, teve que representar um papel. E sem o dinheiro, a mãe não poderia ter sido operada.

A vida era mesmo repleta de decisões difíceis, pensou Kagome enquanto tirava a aliança do dedo e acompanhava a enfermeira até o quarto.

A mãe ainda não precisaria saber que se casara com Inuyasha Fiorukis.

Kagome se controlou para não chorar quando viu a mãe tão pálida e frágil sobre a cama.

— Mãe?

Os olhos dela se abriram e um largo sorriso ilumi nou seu rosto.

— Filha! Não esperava sua visita — exclamou, com a voz fraca. — Você disse que não poderia vir.

— Está tudo bem — tranquilizou-a Kagome, abraçando-a. — Você está tão magra.

— É a comida do hospital — disse a mãe, acari ciando os cabelos da filha. — Você parece cansada. Tem trabalhado muito? Como está o novo emprego?

— Muito bom — respondeu Kagome, sentando-se ao lado da cama.

A mãe deu um suspiro e fechou os olhos.

— Foi uma sorte para nós duas você ter consegui do esse emprego. E com um salário tão bom. Se não fosse por você...

— Nada disso, mãe. Eu a amo. E foi muito difícil não poder visitá-la...

— Mas você telefonou todos os dias e me deu o maior presente que eu poderia ganhar: a chance de voltar a andar. Agora, só precisamos esperar para ver se os médicos fizeram tudo certo. Até aparecer esta infecção, eles estavam otimistas.

— Eles ainda estão, mãe — disse Kagome, com lá grimas nos olhos.

— Não chore. Sei que é forte. Sempre foi. Desde criança, sempre foi muito determinada.

Kagome sorriu. Não sentia-se forte, nem determina da. Estava exausta depois de tudo o que acontecera nas últimas semanas, mas não podia desabafar com a mãe.

— Estou bem. Só um pouco cansada.

E passando mal. E tão enjoada.

— Quantos dias de folga você conseguiu?

— Ela terá quantos precisar.

Uma voz grave veio da porta do quarto e Kagome deu um salto da cadeira, o coração acelerado quando escutou Inuyasha falar.

Ele ficou parado na porta, lindo como sempre, o rosto contraído de raiva. Só de olhá-lo, Kagome per cebeu que estava furioso.

Ele olhou para a mãe dela sobre a cama.

Theos mou... eu não sabia. Está viva. Sobrevi veu à explosão.

Kagome ficou apavorada. Não tinha se preparado para esta situação.

— Pensei que você estivesse em Paris...

— Andou bisbilhotando minha vida, Kagome? Mas já estou de volta...

Antes que ela pudesse encontrar uma resposta, sua mãe gemeu e cobriu a boca com a mão.

Kagome voltou a atenção para ela, pois parecia mui to agitada.

— Mãe, o que houve? Está sentindo alguma coisa? Vou chamar a enfermeira.

— Não precisa — respondeu a mãe, com os olhos fixos em Inuyasha. — Durante anos, pensei em você. Nos meus sonhos, nos piores momentos. Jamais consegui esquecer.

Kagome olhou a mãe, penalizada. Não esperava que reconhecesse Inuyasha, mas ela o reconheceu, e era evidente que o detestava também. A última coisa que ela precisava agora era desse tipo de choque, e Kagome era a culpada.

Devia ter previsto que Inuyasha iria atrás dela.

Ela não deveria ter vindo.

Virou-se para Inuyasha, desesperada para contor nar a situação desastrosa que se formara.

— Você a está aborrecendo. Acho melhor ir embo ra. Mais tarde, conversamos... — pediu Kagome, segu rando uma das mãos da mãe.

— Se essa for à vontade de sua mãe, respeitarei — respondeu Inuyasha, entrando no quarto, determina do como sempre. — Mas é claro que existem coisas a serem ditas. Não tinha idéia de que estava viva — continuou ele, dirigindo-se à mãe de Kagome.

Kagome fechou os olhos. Elas nunca conversavam sobre o acidente. Era penoso demais.

Por favor, vá embora...

— Não quero que ele vá.

A mãe de Kagome estendeu a mão em direção a Inuyasha, os olhos azuis como os da filha marejados de lágrimas.

— Não antes de agradecê-lo. Se você soubesse como sempre desejei fazer isso. Mas não tinha como descobrir quem você era e como localizá-lo. Não sa bia seu nome...

Kagome ficou surpresa com a inusitada declaração, e, para seu espanto, Inuyasha se aproximou e pegou a mão que lhe era oferecida.

— Não há razão para agradecimentos. Nem agora, nem antes... eu não tinha idéia de quem você era até bem recentemente.

— Havia tanta gente no iate naquele dia...

Kagome olhou para os dois sem entender nada.

— Mãe?

— Como foi que você entrou em contato com ele? — A mãe começou a chorar. — Você sabia o quanto eu queria entrar em contato com o homem que me sal vou. Sem saber o nome, como foi que conseguiu en contrá-lo, minha filha?

O homem que a salvou.

Sem palavras, Kagome ficou imóvel, sem falar nada. Quando finalmente conseguiu articular algo, a voz saiu rouca.

— Este foi o homem que salvou a senhora quando o barco explodiu?

Não podia ser verdade. Não podia ter sido Inuyasha.

— Foi ele também quem salvou você — contou a mãe, sorrindo. — Ele arriscou a vida tantas vezes mergulhando para achá-la. Eu a vi na passarela se gundos antes da explosão. Sabia que você estava na água, provavelmente ferida demais para sobreviver. Comecei a gritar para alguém salvar meu bebê.

— Sua mãe ficou presa nos escombros do barco — esclareceu Inuyasha — E se recusou a ser resgatada até que eu encontrasse a filha.

Kagome estava em choque. A visão em sua cabeça. O homem que ela lembrava.

— Era você? Aquele que me resgatou... o homem que eu me lembro... era você!

— Nem eu mesmo sabia até a noite em que você me contou a história — confessou Inuyasha. — Per cebi então que deveria ser sua mãe que eu tinha salva do, mas não sabia que ainda estava viva. Philipos dis se a todos que ela morrera junto com o Costas.

— Era isso que ele queria que todos acreditassem. Ele me queria fora de sua vida. Você voltou para o barco para salvar os outros e a ambulância nos levou para o hospital. Perguntei para todos para saber quem era você, mas ninguém o conhecia. Aí, Naraku nos mandou para a Inglaterra e fui proibida de voltar à Grécia. Mantivemos nossa identidade em segredo, seguindo as suas instruções.

Inuyasha franziu a testa, mostrando-se alerta de repente.

— Como ele podia fazer uma ameaça dessas? Por que as proibiu que voltassem? E por quê?

— Ele me odiou desde o primeiro momento, quan do Costas levou-me para casa, em Corfu. Depois que Costas morreu, não havia ninguém para me defender. Naraku ameaçou tomar Kagome de mim e criá-la na Grécia, como se fosse sua filha. Na verdade, não a queria por perto, era só para me punir. Poucas pes soas sabem o quanto aquele homem é mau. Não o queria perto de minha filha. Concordei em desapare cer, em cortar relações. Para ele, foi conveniente.

— Naraku pagou para você desaparecer? — per guntou Inuyasha, sem acreditar.

Midoriko Rawlings esboçou um sorriso.

— Pagar? Naraku? Sua pergunta demonstra que você não o conhece. Não, ele não me deu dinheiro al gum.

— Mas você ficou gravemente ferida, com uma fi lha pequena para criar... como fez? Você tinha famí lia para ajudá-la?

— Não tinha família e só consegui porque tenho uma filha extraordinária — disse Midoriko, e Kagome corou.

— Mãe, acho melhor você descansar agora...

— Ainda não. Se puder, por favor... gostaria de sa ber toda a história.

— Kagome logo se recuperou e tornou-se uma meni na bastante esperta. Um dos médicos que me tratava e conhecia a nossa história sugeriu que ela tentasse uma bolsa de estudos num colégio interno. E ela foi aceita. Foi uma decisão difícil, porém, a mais acerta da. Fiz várias operações. Ela passava as férias com uma de suas tutoras, e elas sempre a traziam para me ver.

Inuyasha não desviava o olhar, prestando muita atenção.

— Continue...

— Na época de Kagome ir para a universidade, eu necessitava de inúmeros cuidados particulares. E ela, então, passou a trabalhar dia e noite para pagá-los. Trabalhava em qualquer coisa. E quando descobriu que esta operação poderia me dar a chance de voltar a andar, conseguiu esse emprego maravilhoso na Grécia...

Um silêncio tenso tomou conta do ambiente e Kagome fechou os olhos, esperando que Inuyasha contas se a verdade à mãe.

— É melhor descansar agora — disse ele, arru mando os lençóis em volta dela —, mas antes de ir mos embora, queria fazer só mais uma pergunta: por que, depois de Kagome já ter crescido, você não pediu dinheiro a Philipos? Você é a única família dele. Ele tinha uma dívida com vocês.

— Naraku não sabe o que são obrigações e ja mais dá dinheiro para ninguém — respondeu a mãe, com dignidade —, e também não sabe o que significa ter uma família.

Os olhos de Inuyasha brilharam de raiva.

— Então, está na hora de ele aprender. E garanto-lhe que irá. Naraku vai cumprir suas obrigações.

— Não, não quero ter contato com ele. Não quero ouvir nunca mais os nomes Philipos e Fiorukis.

Kagome ficou apavorada. Apesar da mãe reconhecer Inuyasha como o homem que a salvara, evidente mente não sabia sua identidade. O que ela diria se soubesse que a filha se casara com um Fiorukis? E que ela procurara o avô por causa do dinheiro?

Inuyasha sorriu.

— Quero que descanse e deixe de se preocupar. Eu trago Kagome de volta amanhã — prometeu ele, firme.

Midoriko deu um sorriso.

— Você pode ficar mais um dia? Quando tem de voltar?

— Ela pode ficar o quanto precisar — respondeu Inuyasha, saindo do quarto.

Kagome abraçou a mãe e saiu atrás dele, correndo para alcançá-lo.

— Espere, Inuyasha! — Sem fôlego, segurou seu braço, fazendo-o parar. — Por favor. Sei que ainda está bravo comigo, mas precisamos conversar. Você salvou minha vida. Não posso acreditar que foi você.

Ele se virou para ela, a segurou pelos braços e en costou-a na parede.

— Poderíamos ter descoberto isso há muito tem po, se você tivesse sido honesta comigo. Quando é que você vai confiar em mim e me contar a verdade? Todo dia fico sabendo de alguma novidade sobre mi nha esposa e isso cansa. Cada vez que o telefone toca, me pergunto o que vou descobrir mais. Até eu conhe cê-la, achava que tinha uma rede de contatos bem efi ciente. De repente, percebi que não sei nada.

— Provavelmente, você não estava procurando no lugar certo — murmurou Kagome, sem graça, pensan do como era difícil para ele, um homem acostumado a estar no controle de tudo. — Você não sabia que minha mãe estava viva.

— Realmente, não sabia. Por que você não me contou? E por que não me disse que você também es tava no barco?

— Porque se eu contasse a verdade, você saberia que não éramos uma família feliz. E se soubesse que meu avô me desprezava, descobriria que ele desejava a nossa união por vingança, não para ter netos. Eu es tava apavorada demais para contar a verdade a você.

Ela respirou fundo, consciente da pressão do corpo dele sobre o dela. Que tortura!

— E não se casaria comigo. E eu precisava desse casamento. Era a única forma de conseguir o dinheiro para a operação de minha mãe. Como era um proce dimento cirúrgico recente, a assistência médica não pagaria. Fiquei desesperada.

— Eu devia ter percebido os sinais no primeiro en contro — disse Inuyasha, olhando-a. — Você sentia tanto medo de Naraku. Mas meu pai desejava mui to recuperar a empresa e eu estava envolvido com ou tros assuntos. Caso contrário, certamente perceberia que havia algo errado.

— Agora você já sabe de tudo — disse Kagome, a proximidade dele perturbando-a. — Me casei com você por dinheiro, mas era para a minha mãe. Não ti nha outro recurso. Meu avô a rejeitou desde quando ela se casou com meu pai.

— Seu avô tem muito a pagar — disse Inuyasha, tentando se controlar. Ele notou que muitas enfer meiras olhavam para ambos, e se afastou. — Aqui não é lugar para conversarmos. Vamos embora.

Ele a pegou pelo pulso e levou-a até o elevador mais próximo. Quando viu o estado do equipamento, preferiu as escadas.

— Se isto quebrar, ninguém vai nos salvar. E que hospital é esse? Parece que vai desabar a qualquer momento.

— É um prédio muito antigo, mas o cirurgião que trabalha aqui tem uma boa reputação e queria tentar a nova técnica cirúrgica em minha mãe. Foi assim que gastei o seu dinheiro.

Seu dinheiro — corrigiu-a, com uma expressão estranha nos olhos. — O dinheiro era seu. E, final mente, entendi o motivo de você não fazer compras.

Ela corou.

— Não precisava de nada. E o hospital é muito caro...

Inuyasha olhou-a.

— Não consigo entender por que — disse ele, le vando-a para o carro —, para mim, devia ter sido de molido há muito tempo.

— Como você sabia onde me encontrar?

— Você foi seguida. Meus seguranças tinham or dens expressas para não perdê-la de vista.

— Por quê?

— Porque você é uma Fiorukis agora e existem muitas pessoas que gostariam de se aproveitar disso — lembrou ele, em tom áspero.

Kagome arregalou os olhos.

— Você acha que eu poderia ser seqüestrada?

— A possibilidade sempre existe. Mas não se preocupe. Logo a soltariam quando vissem como você come.

— Você está bravo comigo?

— Estou vivendo fortes emoções desde que a co nheci, portanto isso não é novidade. E, no futuro, quando quiser voar para algum lugar, use o meu avião. Gostando ou não, você é minha esposa e não quero que viaje em vôos de carreira.

Uma sensação agradável a invadiu. Deveria estar brava por estar recebendo ordens depois de uma vida inteira tomando decisões sozinha, mas gostou de ter alguém se preocupando com ela. Na verdade, gostava que Inuyasha fosse tão possessivo.

Aconchegada no interior luxuoso do carro de Inuyasha, Kagome começou a olhar os pontos turísticos de Londres pela janela.

— Olha só! O Monumento. Foi construído como memorial do Grande Incêndio de Londres. Lembro que minha mãe trouxe-me aqui, em um dos raros pe ríodos em que não estava no hospital. Eu subia os 311 degraus enquanto ela esperava e ficava acenando.

Tomada pelas lembranças, Kagome deu um sorriso, sem graça.

Inuyasha hesitou, mas depois segurou suas mãos.

— Você devia sentir muito a falta de sua mãe.

— Para falar a verdade, eu era tão pequena quando tudo aconteceu, que cresci nessa realidade. Percebia que minha mãe não era como as outras mães, e aceitei o fato de nossa vida ser diferente.

— Por que será que a imprensa não descobriu que sua mãe estava viva? Como nunca souberam sobre você? — perguntou ele, incrédulo. — Vocês eram as únicas parentes vivas do homem mais rico do mundo e, no entanto, ninguém sabia disso.

— Como você, eles não procuraram. Voltamos para Londres. Meu avô insistiu que eu e minha mãe usássemos o nome de solteira dela. Adotamos o so brenome Rawlings. Foi assim que aconteceu.

E aí vieram os primeiros anos de sofrimento, que era melhor nem começar a contar.

— Isto explica por que você não respondeu quan do a chamei usando o sobrenome Philipos em nosso primeiro encontro — lembrou Inuyasha, divertido. — Você começou a usar o sobrenome por insistência de seu avô.

— Detestava usar o nome dele, mas era parte do plano fazer de conta que formávamos uma bela famí lia. Por isso, quando me chamou de Srta. Philipos, es tranhei. Não estava acostumada.

— Sua mãe é uma mulher muito corajosa.

— Nunca diga isso a ela. A vida inteira ela foi con siderada culpada pela briga entre nossas famílias. Não podemos contar a ela que me casei com um Fiorukis, ela morreria.

Ele não se alterou.

— Não se preocupe — disse Inuyasha, recostando-se no banco do carro. — Você está muito pálida. Precisa descansar.

Kagome queria ter a tranqüilidade dele, mas não conseguia.

— Não vou descansar até decidirmos o que dire mos a ela. Não sabia como explicar minha ausência, por isso inventei o emprego na Grécia e...

— Parede se preocupar — ordenou ele, com fir meza. — De agora em diante, tomarei conta do pro blema.

— Mas...

— Fique tranqüila, porque não farei nada que ma goe sua mãe.

— Por que faria isso?

— Por uma série de razões, ágape mou. Confie em mim. E por que já tive oportunidade de contar a ver dade para ela, e não o fiz.

Inuyasha estava certo. Poderia ter contado tudo. Mas mostrou-se calmo e ponderado e não revelou nada.

Kagome relaxou e fechou os olhos.

— Desculpe.

— Não precisa se desculpar. Compreendo que pre cisou tomar decisões importantes desde muito cedo. Mas você não está mais sozinha, Kagome. O problema é meu. E eu resolverei.

Por um momento, ela sentiu como se um enorme peso tivesse sido tirado de suas costas. Mas logo lembrou que Inuyasha só estava agindo daquela forma por sentir-se responsável pela explosão no barco de sua família.

Kagome abriu os olhos e tentou esconder a falta que sentia dele. Todo o seu corpo clamava por ele.

— Onde estamos indo?

— Para minha suíte no Dorchester. Lá não sere mos interrompidos. Temos muito o que conversar, ágape mou.

Mas ela não queria conversar.

Perguntando-se como tinha se transformado numa pessoa que só pensava em sexo, Kagome cruzou as per nas para aliviar a tensão que sentia.

— É um hotel? Sempre quis chamar o serviço de quarto. É um bom hotel?

Ele achou graça.

— Muito bom. Será mais uma nova experiência para você. E suponho que para o serviço de quarto também. Eles nunca devem ter atendido alguém com o apetite igual ao seu.

— Ah, é tão bom não ter que economizar na comi da. Mas não estou com muita fome no momento.

Kagome ficou imaginando como alguém poderia es tar enjoada e com fome ao mesmo tempo.

— Você ainda está se sentindo mal? Está tão páli da...

— Foi um dia difícil... ver minha mãe deitada na quela cama de hospital... depois você aparecendo...

— Não consigo acreditar nos sacrifícios que fez por sua mãe...

— Ela é minha única família e também fez muitos sacrifícios por mim. sempre desejou que eu tivesse ficado com ela, mas consentiu em me mandar para o colégio interno para que eu tivesse outras chances.

— Seu avô tem muito a ressarcir — disse Inuyasha.

— Ele é assim mesmo. Jamais mudará.

— Isso é o que vamos ver.

O carro parou na entrada dos fundos do hotel e, de pois de alguns minutos, ambos já estavam na suíte de Inuyasha.

Kagome ficou surpresa com o ambiente.

— É maravilhoso...

— Até hoje sempre considerei como um bom lugar para ficar em Londres — confessou Inuyasha, apon tando para o telefone. — Fique à vontade para cha mar o serviço de quarto. Estou certo que apreciarão o desafio.

Kagome riu por causa da observação dele.

— Posso pedir o que quiser?

— Claro.

Ele tirou o paletó e a gravata, e seus olhares se encontraram, reacendendo a chama do desejo entre ambos.

— Inuyasha...

— Prometi para mim que ficaria longe de você — disse ele, a voz rouca, as mãos fortes emoldurando seu rosto.

— Não quero que você fique longe... — O coração dela acelerou. — Ainda não consigo acreditar que o homem que... Você salvou a minha vida.

— Foi uma boa idéia — murmurou ele, sorrindo e abaixando a cabeça.

(MINI HENTAI)

Sem interromper o beijo, Inuyasha a despiu e se gurou-a.

— Posso andar...

— Gosto de carregá-la.

— Você quer dizer que gosta de me dominar — provocou Kagome, suspirando quando ele a colocou na cama e cobriu seu corpo com o dele.

— Adoro o fato de eu ser o único homem que fez isso com você...

Inuyasha percorreu seu corpo com beijos, excitando-a ainda mais.

— Inuyasha, por favor... agora.

Ele a penetrou com seus dedos hábeis e Kagome arqueou o corpo de prazer.

— Você está tão úmida — gemeu ele.

Inuyasha continuou o que fazia, ignorando seus gemidos, e submetendo-a àquelas delícias até o limi te do êxtase.

E quando Kagome pensou que não agüentaria mais, ele a levantou e a penetrou com força.

Kagome arregalou os olhos e quase parou de respi rar, quando Inuyasha começou a se movimentar den tro dela. A cada movimento ela ficava mais excitada, as bocas unidas num beijo apaixonado, alcançando, juntos, o clímax.

(FIM DO MINI HENTAI)

Ele saiu de cima dela e a abraçou, afastando os ca belos de seu rosto.

— Foi maravilhoso... — murmurou, ofegante. — A melhor relação.

Kagome fechou os olhos e tentou se convencer que não tinha importância o fato de ele não amá-la, con tanto que a desejasse.

Inuyasha a puxou para mais perto de si e soltou praguejando quando o celular tocou.

— Avisei que não queria ser perturbado.

Irritado, pegou o aparelho e atendeu. Escutou por alguns instantes, disse algumas pala vras em grego e desligou.

— Temos que voltar ao hospital. Parece que seu avô resolveu visitar sua mãe.