Capítulo VII
Edward arqueou uma sobrancelha ao ver Robert sentado do outro lado da sala com uma mão sustentando sua cabeça e a outra batendo na mesa com os dedos. Não estava tomando uma xícara de chá nem lendo uma revista como normalmente fazia os dias que o visitava.
- Passa algo? – Perguntou baixando os arquivos que sustentava.
Robert soltou um sonoro suspiro e deixou de mover os dedos. Seu olhar estava perdido no nada, como se sua mente estivesse em algum lugar muito longe.
- Não entendo… Eu não queria que acontecesse, mas ocorreu…
- Que, Rob? – Edward observou como Robert se removia incomodo no assento.
- Ela apareceu…
- Ela? - Edward soltou uma gargalhada… - Com ela refere-se a sua companheira?
Rob grunhiu e assentiu levemente.
- Não sei quem é. Caiu de uma árvore, apanhei-a e logo a lancei ao chão – Edward soltou outra gargalhada mais sonora - Quem não o faria? Encontrei-me cara a cara com o diabo.
Edward aguçou a vista e parou de rir. Sua habilidade de ler mentes permitia-lhe o acesso absoluto à memória de Rob.
- Diz isso, mas está lutando contra seu instinto de ir por ela.
Robert desviou o olhar para a janela.
- Não irei arrastar-me a seus pés. O instinto é algo contra o que se pode lutar – Rob apoiou as mãos nos joelhos e se levantou agilmente da cadeira frente à mesa – Por favor, espero que respeite a intimidade da minha mente de agora em diante.
- Em relação à mente, não se preocupe. Mas… Rob… - Edward sorriu cansativamente – Realmente acredita que pode ir contra seu instinto?
Isabella se levantou a meia noite suando e soluçando. Tinha sonhado com a morte de seus pais; O quarto cheio de sangue e os corpos esquartejados e despedaçados. A respiração lhe trancou. Deus meu! Onde tinha deixado sua bombinha?
Levantou-se com brutalidade atirando as mantas ao chão e deixando cair algumas almofadas de sua luxuosa cama. Tossiu um par de vezes ao sentir seu peito trancado. Isabella tinha vivido sempre com ataques de asma, mas já levava algum tempo sem que se apoderassem dela, assim optou por livrar-se da bombinha.
Mexeu entre todas suas coisas e inclusive atirou as gavetas tentando encontrá-la. Não podia respirar!
Saiu correndo do quarto. O corredor estava vazio já que os empregados não trabalhavam até tão tarde da noite… Mas Isabella não sabia o que fazer… Não tinha nem idéia de como reagir à falta de respiração que lhe tinha invadido. Sempre quando o peito lhe trancava era acompanhado por uma nuvem que cobria sua mente e a cabeça que parecia que iria explodir de um momento a outro.
Colocou uma mão na testa como se assim conseguisse acalmar a dor e outra no peito começando a respirar com profundidade e calma enquanto caminhava pelo corredor. As lágrimas surgiram em seus olhos e começou a rezar, pedindo ajuda mentalmente.
Como por arte de magia, Edward Cullen saiu de trás da porta de carvalho que estava ao final do corredor, vestido somente com um roupão de dormir e correu para ela apressado.
- Isabella? Isabella? O que acontece? Diga-me, por favor…
Ela tossiu completamente assustada e pôs a mão em seu braço.
- Não posso… Não posso respirar… - As lágrimas por fim desfilaram uma a uma por suas bochechas alcançando o ponto em seu queixo e gotejando até tocar o chão – Deixei a bombinha… Não posso respirar.
Edward resmungou algo e a levantou nos braços levando-a para o quarto dele e depositando-a na cama. Isabella respirou calma e profundamente tentando não soluçar porque sabia perfeitamente que se o fizesse a situação seria pior.
Edward gritou o nome de Gerad e de alguns outros empregados. Escutariam? Sua resposta chegou quando Gerad, de pijama, entrou pela porta em poucos segundos, no mesmo momento em que duas empregadas também entraram.
- O que aconteceu? –Perguntou Gerad completamente alarmado.
- Busca o inalador e as soluções dentro do armário do quarto de convidados. Rápido! Vocês vão à cozinha e preparem um chá quente com as ervas que há na dispensa.
De um em um todos desapareceram. Isabella tossiu e sustentou com força a mão de Edward.
- Está tudo bem, Bella – Acariciou-lhe os cabelos e lhe falava em um tom carinhoso para lhe dar um pouco de força. Ela se deu conta de que estava funcionando – Tudo sairá bem. Somente respira pausadamente e de maneira profunda… Não se alarme se doer enquanto o faz.
Em efeito sentiu uma horrorosa pressão na parte do coração, como se o estivessem apertando com força para despedaçá-lo. Mas mesmo assim seguiu as instruções de Edward com calma e paz. Um par de minutos depois entrou Gerad com um aparelho conectado a um tubo e uma máscara de oxigênio, junto com uns frascos em sua mão livre.
Edward pôs o aparelho ao lado da cama e abriu uma espécie de mangueira conectada à máscara. Abriu os frascos e começou a colocar várias gotas de diferentes líquidos. Logo lhe pôs a máscara ajustada sobre o nariz e a boca e ligou o aparelho depois de Gerad o conectar na tomada ao lado da cabeceira.
- Respira profundamente de acordo? – Isabella assentiu ante as palavras de Edward e sem soltar sua mão, seguiu a recomendação ao pé da letra.
- Está melhor, senhorita?
Isabella levantou a vista e assentiu à garota que lhe estendia uma xícara de chá quente. Tomou a xícara e logo a levou a boca para poder tomar um gole. Edward Cullen esteve com ela até que acabou a inalação e ela pôde respirar tranqüilamente.
Não tinha soltado sua mão em nenhum momento e agora Isabella estava descansando na cama dele em companhia de várias das empregadas. Que vergonha. Agora que podia pensar com claridade se dava conta de que tinha feito algo estúpido. Que tipo de asmático não leva sempre em seu bolso uma bombinha?
Era ridículo… Simplesmente ridículo.
E ainda por cima saiu correndo de seu quarto como uma idiota. Algo que obviamente não deveria ter feito… As corridas só pioraram sua dificuldade respiratória.
Suspirou pesadamente. Edward tinha ido levar o aparelho de novo a seu lugar e Gerad foi com ele. Não era como se desejasse companhia, porque nesse momento precisava estar sozinha ao recordar como sua mãe e seu pai tinham estado com ela nesses momentos. Sua mãe acariciava suas costas e seu pai sustentava sua mão.
Era dolorosamente cruel que já não pudesse viver esse tipo de momentos e que uma mínima ação o recordasse.
As empregadas saíram do quarto e Isabella cobriu a face com o cobertor ao deixar a xícara de chá sobre o criado.
- Está se sentindo melhor?
Sobressaltou-se ao ouvir a profunda e masculina voz pertencente a Edward e de um golpe tirou o cobertor. Sentou-se na cama e o olhou. Estava encostado no marco da porta enquanto a observava fixamente.
- Sim, obrigada por tudo e espero que desculpe o incomodo que estive causando Senhor Cullen.
- Edward.
Isabella suspirou.
- Edward – Disse assentindo fracamente e sorrindo um pouco coibida sob seu olhar de cor azul eletrizante. Qualquer um diria que esse tipo de cor nos olhos era para gente boa e amável; mas havia algo estranho nos olhos dele que o faziam parecer assustador.
- Não havia-me dito seus pais que fosse asmática.
Isabella deu de ombros.
- Não era algo do que se preocupar. Faz anos que não me dão ataques respiratórios; por isso pensei que podia viver sem a bombinha sobre mim. Mas agora olhe o que aconteceu com meu absurdo pensamento – Isabella sorriu ironicamente enquanto apertava o cobertor sobre seu colo – Jamais pensei que esta enfermidade me causasse tantos inconvenientes. Somente terá que me suportar durante uma semana sendo meu tutor; prometo-lhe que irei assim que se cumpra o prazo.
Edward sorriu.
- Não tem que preocupar-se por isso, Bella – Ele se sentou em uma cadeira ao lado da cama e apoio seus cotovelos sobre as coxas – Quero que saiba que esta é sua casa agora; sinta-se livre para viver aqui o quanto queira. Pode ficar até que acabe a escola, se gostar… Evidentemente, se não me suporta posso te conseguir um apartamento onde possa viver…
- Não! – Isabella se alarmou – Não quero que você pense que lhe tenho medo… Justamente o contrário. Você é muito amável, Senhor Cullen…
- Edward.
- Edward… O que acontece é que não quero ser uma carga para ninguém e para falar a verdade me alegro… - Bella mordeu o lábio inferior – Me alegro que você seja precisamente a pessoa que meu pai decidiu que fosse meu tutor.
A fileira dos dentes brancos dele apareceu entre seus lábios. Isabella não queria… Era sério que não queria… Mas era impossível para ela não sentir-se atraída por ele. Dava-lhe medo e calafrios ao pensar que podia se apaixonar por uma pessoa como Edward Cullen.
- Eu também me alegro pequena Isabella. Não tem nem idéia de quanto.
Possivelmente era um pecado… Não havia moral em uma relação assim. Depois de tudo, além de ser seu tutor… Era o melhor amigo de seus pais.
