Capitulo 9

Na terça, não o vi, já que ele tinha manhã livre. E também não voltei para a escola para o ver. Fiquei em casa, de pijama, sozinha. Fui á Internet pôr as minhas coisas em dia, que já não punha á muito. Estudei um pouquinho. Vi um DVD, já que não estava a dar nada de jeito na televisão, como sempre. Ouvi música, cantei e dancei. E tentei não pensar nele. Sem sucesso. Como sempre.


Na quarta, ignorei-o. Não o vi de manhã, antes das aulas, nem fui á procura dele como costume. Aliás, foi ele que passou por nós. Eu nem olhei para ele. Não ia chateá-lo mais. Não ia chateá-lo mais!


Depois das aulas, fomos ao Pingo Doce como sempre. Desta vez, ele já lá estava na secção da pastelaria, na fila. A Emme andava a ralhar com o Peter, o namorado da Lene. Finalmente tinham assumido a relação. E eu, a Lene e a Nelly riamos. A Nelly depois teve de ir embora, e os pombinhos foram para um sítio mais privado. Por isso, ficamos eu e a Emme. Fomos para a caixa onde James estava, com o seu Ice Tea e os seus dois croissants simples. Eu estava mesmo calma, e não fiz barulho nenhum. Falava baixo para a Emme, e quando olhei para ela, conseguia ver James atrás dela, a olhar-me fixamente. Eu não estava a olhar para ele, eu estava a olhar para a face de Emme, mas conseguia vê-lo. Visão periférica.

James estava sozinho, pelo que se enfiou na loja e não saiu. E eu tinha ganho algum juízo (ou não) pelo que não passei pela loja nem fiquei lá.

Mais tarde, quando íamos para as escadas rolantes, olhámos e James estava á porta da loja, a olhar para o lado, á procura de alguém.

Mais tarde ainda, Emme passou pela loja dele, supostamente para ir ver a montra de uma loja de roupa e sapatilhas. Eu não tive coragem, pelo que fui dar a volta. Quando estava quase a chegar, Emme chegou ao pé de mim e disse-me:

-Olha, ele veio á porta!

E eu disse, enquanto ele passava por mim:

-Jura?

E revirei os olhos quando ele olhou para mim, de esguelha.


No dia seguinte, quinta, ele tinha manhã livre. Só o vi no intervalo do almoço, em que ia com uma outra amiga minha, que estava mais ou menos a par da história. Estava chateada com Nelly, Emme e Cathe, que nem se importavam nada se eu estava com elas ou não, nem sequer se importavam comigo. Nunca se tinham preocupado, nem nunca se preocuparia. Grandes amigas. E Lene estava com o namorado.

Quando eu passei, em direcção á sala de aula (estava atrasada, como sempre), ignorei-o (como sempre) e continuei a conversar com a minha amiga. Não olhei para ele, mas essa amiga sim. E fez questão de me informar que ele estava a olhar fixamente.

No fim das aulas, fiquei com Lene. Passámos por ele e os amigos (estavam numa esquina). A primeira vez que passamos por ele, ele olhou um bocado, mas não muito. A segunda vez, ele olhou muito fixamente, e continuou a olhar mesmo quando ficámos em frente á escola, muito afastadas dele. A terceira, e última vez, a Lene ia ao telemóvel, e eu ignorei-o, olhando para o chão, como já era hábito. Não olhei para ele, mas Lene sim. E disse-me que ele estava mesmo com cara de "vá, vem falar comigo. Vem. Falar. Comigo! FALA COMIGO! " e quando viu que eu não ia, foi embora, bastante irritado. Porque a parte do ir embora irritado, eu vi.


Na sexta de manhã, ele e os amiguinhos não nos viram, e quando tocou subiram logo. Por amor de Deus. Nos outros dias, só subiam quando nós íamos embora, que era tipo, 15 minutos depois. E agora eram os primeiros? Qual era a diferença, qual era o anterior interesse em ficar, que agora já não tinham? Eu queria saber, mas sabia que era uma das coisas que tinha de juntar á lista de coisas que nunca saberia.

No intervalo seguinte, quando tocou para a entrada, ficámos um pouco encostadas aos cacifos. E ele, quando nos viu, ficou ao pé do pilar, perto de nós.

Lene e Cathe foram logo embora, mas eu, Nelly e Emme fomos para a frente das escadas. Éramos os únicos no corredor. Eu e as minhas amigas, e ele e os seus amigos.

Quando fomos para a frente das escadas, passado um pouco, ele e os amigos foram para o pé de nós. Um dos amigos ficou mesmo ao meu lado, com os nossos braços quase a tocarem-se. Eu afastei-me, e fomos embora. Já tinham passado uns 20 minutos, e a professora ainda se passava.

Mas qual era a dele? Não queria que eu não o chateasse mais? Era isso que eu estava a fazer, mas pelo que ele andava a demonstrar, ele queria ser chateado. As minhas amigas achavam todas o mesmo: ele tinha ido para o pé de nós de propósito, queria que eu voltasse a falar com ele, estava a provocar-me e estava com saudades. Eu achava que ele tinha ido para o pé de nós por pura coincidência (apesar de sermos os únicos no piso). Não queria acalentar esperanças que eram falsas, para depois me desiludir e sofrer (ainda) mais.


Um mês passou-se. Normalmente. Durante esse mês, voltei ao normal, ao meu normal. Não voltei a andar atrás de James. Não voltei a tentar falar com ele. Não voltei a olhar para ele fixamente. Não voltei a ir para algum sítio porque ele estava lá. Não voltei a falar única e exclusivamente de James. Mas não conseguia parar de pensar nele. Mas isso ninguém sabia, já que por enquanto os meus pensamentos ainda eram só meus.

Lene acabou com Peter, e começou a andar com outro rapaz, cuja alcunha era Chicken. Nada estúpido. Eu não gostava muito dele, e achava que Lene merecia melhor. Mas a escolha era dela. Eu também tinha escolhido James, e ele tinha sido uma desilusão mais que completa.

Zanguei-me com as minhas amigas um monte de vezes. É, para mim isso era normal. Quer dizer, quando elas diziam e/ou faziam alguma coisa que eu não gostava, eu dizia. Acho que as pessoas não gostam muito de serem confrontadas com a realidade. E suponho que eu zangada também não seja particularmente simpática.

Ele continuava a olhar. Certa vez, Emme disse que Black parecia vir mesmo na nossa direcção, para falar connosco. Nós estávamos sentadas em frente ao elevador, e á espera do elevador estava a mãe de James. James disse algo a Black e mudaram de direcção.

Outra vez, na escola, James estava em frente às escadas. Eu e Nelly fomos aos cacifos, e passámos por ele. Tínhamos de passar, não era minha culpa se ele estava no caminho. Quando voltei para ao pé das outras, ao pé do pilar, ele foi pôr-se á nossa frente com os amigos. Durante todo o intervalo, não tirou os olhos de cima de mim. Nem eu dele. Não tinha medo nenhum dele.

Quando as amiguinhas dele iam falar com ele (e roçar-se a ele), e nós estávamos por perto, ele ignorava-as e olhava fixamente para nós. Mal-educado.


Agora já sabia o que era infelicidade. Durante toda a minha vida, acho que nunca tinha sentido na pele o que era infelicidade. Andava desanimada. A joie de vivre, a alegria de viver, tinha desaparecido. Comecei a prestar mais atenção nas aulas. Ao menos que a questão com James servisse para alguma coisa. As minhas amigas não me ligavam nenhuma. Não queriam saber do que eu pensava, sentia, se sofria, simplesmente não me ligavam. E James, eu tinha saudades dele. Continuava a vê-lo, mas não havia nada que eu pudesse fazer. Agora sabia o que significava a expressão "Tão perto, mas ainda assim tão longe." Ou lá o que era. Ele continuava lá, fisicamente perto de mim. Mas estava fora do meu alcance, como sempre estaria.


A minha perspectiva em relação a James mudou. Graças a uma festa, a que fui com Lene e Emme. Divertimo-nos muito, especialmente porque um rapaz lá da escola andou atrás de nós. Mesmo. E a roçar-se a nós. E havia alturas em que parecia mesmo que ele vinha falar connosco. Nós gostávamos daquilo. Que ele andasse atrás de nós. Que se interessasse por nós.

Por isso, porque é que James e os outros não gostavam?


Eu sentia a falta de James. E sabia que ele também sentia. Mas isso já não estava ao meu alcance. As minhas reacções á presença dele intensificaram-se. Agora, bastava pensar nele para o meu coração começar a bater desenfreado. Olhar-lhe nos olhos enquanto ele me olhava a mim, eu amava isso. Os olhos dele. Os olhares dele para mim. E quando ele me sorria? Sim, agora até já me sorria. A primeira vez, baixei os olhos. Estava sozinha, e muito triste. Por causa das minhas supostas amigas. A partir daí, quando ele me sorria, eu sorria-lhe também. Era inconsciente. Os sorrisos queridos e meigos dele para mim. Ele era demasiado perfeito, e eu sabia-o, tal como sabia que nunca seria suficientemente boa para ele e para toda a sua perfeição.

E com o tempo, comecei a esquecer-me do "Não me voltas a chatear" dele e comecei a sentir saudades de falar com ele. Saudades daquele friozinho na barriga e daqueles nervos que me deixavam tonta como se não tivesse nada no estômago que me davam antes de ir falar com ele. Da fraqueza das minhas pernas, dos meus joelhos a tremerem. Da queimadura na garganta. E saudades da voz dele. Da voz dele a pronunciar palavras dirigidas a mim.

Eu ainda andava triste e desanimada, mas se havia coisa que eu sabia fazer, era disfarçar. Eu podia estar para morrer por dentro, mas por fora era quando eu estava mais alegre e histérica. É, eu era doida. Infelizmente, todos sabiam disso. Lily Evans, a miúda sempre inteligente, sempre feliz, e sempre doida e imprevisivel. É.


N/A: Novo capitulo! Ok, talvez não assim tão novo, já que o escrevi lá para Novembro. Eu sei que é meio parado, e que não acrescenta nada na história, mas acho que precisava de mostrar que apesar da Lily (eu, neste caso) estar disposta a ignorá-lo, apesar de toda a infelicidade e tal, James não estava a facilitar e não estava assim tão desejoso que ela desistisse.

De qualquer forma, o próximo capitulo já está pronto (nem vos digo desde quando...), mas eu queria saber a vossa opinião sobre um pequeno pormenor. Acham que devia ter um final feliz, ou não tão feliz e açucarado assim? Está literalmente nas vossas mãos (dedos, neste caso, já que suponho que é com eles que escrevem as reviews xD). Por isso, Crush deve ter um final feliz ou não?

Zix Black: Fico feliz que tenhas gostado! É, a Lily tinha realmente uma visão um pouco distorcida do Remus e do Sirius, mas acho que era porque não os conhecia. Obrigada por comentares! Beijinho ;*

Delly Black Fenix: Eu A-M-E-I a tua review! Mesmo, fez-me ganhar o mês! A minha melhor amiga diz que a única explicação é o James ser gay mesmo, e eu acho que ele nunca teve uma namorada (embora não perceba como isso é possivel). Acho que ele não pensou que eu fosse uma assaltante, talvez uma violadora, ou uma psicopata xD Depois de ler a tua review, a minha melhor amiga começou a dizer o "nhaaáh que gatinho" cada vez que via o moço em questão (na história acho que é o Remus xD), e a cena do "noossa, que gatão!" foi de morrer a rir, até ele achou piada. Acho que a minha história dava um livro pqe eu sou doida mesmo, então meto-me em situações... fora-do-normal =$ Já viajaste muito, tu! Eu nem por isso, mas conheço aqui Portugal relativamente bem, e já fui a Espanha e a França, mas nada comparado contigo =D Quando eu começar a pensar em dar uns "rolés" vou-me lembrar de ti ;D Adorei a tua review, e espero mais *-* E tava grande, e eu ADORO reviews grandes *.* Acho que demorei a postar, mas estava (e estou) meio desanimada aqui com a fic. Beijinhoss ;*

Jane L. Black: Final feliz? Como podes ver estou com dificuldade em escolher, por isso o que preferes? Oh, o James? Parvo? Nãão, achas, alguma vez? Como diz uma amiga minha "são todos farinho do mesmo saco!" XD Cidadezinha perdida, mas o meu pai conhece,e eu também já ouvi falar(apesar de não me lembrar se já fui lá ou não =S) Aposto que a minha cidade nunca ouviste falar de certeza. Beijinhos ;*

Reviews? =D