Todos os Homens do Presidente
Capítulo 10
"Temos essa janela de oportunidade, temos uma chance de fazer algo real acontecer, algo possível acontecer, viver além do nosso medo [...]." Michelle Obama.
*Michelle LaVaughn Robinson Obama, advogada e escritora Norte Americana é a esposa do 44º e atual presidente dos EUA, Barack Obama. Michelle é a primeira primeira-dama afro-americana dos EUA.
Bella torceu as mãos em um pano de prato, o seu olhar concentrado sobre as árvores verdes do lado de fora da janela da cozinha enquanto terminava de secar os pratos do almoço. Ela sorriu levemente para si mesma, satisfeita com a forma como o fim de semana se desenrolava, a maneira fácil e leve que ela e Edward eram capazes de interagir.
Ele chegou na sexta-feira à tarde, Emmett deixou Edward na porta do chalé com um sorriso com covinhas antes de partir para a cabana Rosebud onde permaneceria durante a visita de fim de semana do presidente. Uma vez que Edward tinha colocado as malas em um quarto de hóspedes, recusando-se a permitir que Bella saísse da suíte master apesar de estar repletas de seus pertences pessoais, Bella se ofereceu para fazer o jantar para ele enquanto Edward terminava alguns negócios de estado que tinha sido incapaz de adiar.
Eles compartilharam uma refeição agradável, rindo e conversando sobre a sua semana; a de Edward muito mais ocupada que a de Bella, embora ela tenha assegurado que gostava da solidão. Ela tinha estado em contato com Tanya e tinha tido a oportunidade de conhecer alguns dos membros da equipe que estavam também em Camp David, durante todo o ano, então ela não estava completamente sozinha.
Bella estava grata, realmente, pelo tempo para si mesma, especialmente à noite, quando os pesadelos vieram. Tinha sido um longo tempo desde que ela os havia tido, era terrível e miserável como eles a alcançavam em seu sono, mas parecia que estas novas mudanças em sua vida estavam permitindo-lhes voltar a emergir.
Bella só esperava poder poupar Edward de ouvi-los durante a sua estadia. Seria embaraçoso admitir que uma mulher adulta ainda tinha pesadelos que a levava a tremer e chorar durante a noite.
"Desculpe por isso", disse Edward atrás de Bella, assim que entrou novamente na cozinha. "Jasper tinha um assunto urgente que eu precisava resolver. Eu disse a ele que estou tentando ficar longe do trabalho, mas..."
"A jornada de trabalho do presidente nunca acaba", Bella terminou por ele provocando.
Edward sorriu ironicamente de volta, balançando a cabeça em concordância. "Terminou? Eu disse que faria isso, Bella. Você cozinhou, depois de tudo."
"Está tudo bem, Edward. Eu não me importo," Bella acenou para ele.
"Bem, eu me importo. Da próxima vez, deixe-os para mim, ok?" Edward disse em um apelo suave. Bella sorriu e um calor correu por ela diante de seu olhar sério e demanda doce.
Ela concordou com a cabeça, ganhando um sorriso torto de Edward que quase arrancou o fôlego de seu corpo.
Bella tinha visto algumas vezes antes, mas nunca tão de perto e direcionado para ela. Era letal, assim como o homem que o empunhava.
"Então, o que você gostaria de fazer hoje?" Edward perguntou, quebrando o transe em que Bella tinha caído.
"Oh, hum, eu não me importo, qualquer coisa está bem para mim", Bella ofereceu antes de seu lábio encontrar os dentes nervosamente.
Edward focou intensamente em sua boca, aquecendo a atmosfera com seu olhar intenso, Bella sentiu a mudança no ar ao seu redor. Sua respiração pareceu gaguejar em seus pulmões enquanto ela esperava que ele falasse, sua língua umedecendo os lábios cheios uma vez que ele olhou para cima, conectando seus olhos verdes com castanhos dela.
"Isso deixa muito aberto à interpretação, Bella", Edward respondeu, num tom rouco. "Tem certeza que você não quer alterar a sua declaração?"
Bella engoliu em seco e suas costas bateram no balcão atrás dela quando ela deu um passo para longe do homem diante dela, o corpo dele parecendo fechar a distância entre eles, embora ele não deu nenhum passo para frente.
Com o coração acelerado e as emoções em alta, Bella não tinha certeza de qual era a resposta correta. Ela só sabia que seu corpo ansiava contato com o dele imediatamente. Ela abriu a boca para responder, mas as palavras não foram emitidas.
Ela olhou com os olhos arregalados e desesperada para Edward, sem saber se ela poderia seguir com o que o seu coração queria quando seu cérebro gritava para ela parar, esperar.
Antes que sua boca pudesse encontrar palavras, Edward parou e de repente ele entendeu o que se passava pela mente dela.
"Eu sinto muito, Bella", Edward se desculpou, balançando a cabeça enquanto dava um passo para trás, o ar tenso se dispersou com seus movimentos. "Eu me perdi por um momento. Você é tão..."
"O quê?" Ela questionou, com os olhos arregalados e necessitados.
"Nada", Edward desviou, oferecendo um sorriso gentil em seu lugar. "Que tal um pouco de ar? Você quer dar uma volta comigo?"
Bella concordou, sabendo que o ar fresco faria um bem enorme para limpar sua cabeça.
O casal partiu, deslizando pela porta dos fundos ao redor da grande piscina e seguiu o caminho que contornava o bosque.
"Eu quero saber mais sobre você, Bella", Edward comentou, enquanto caminhavam. "Conte-me sobre a sua vida."
"O que você quer saber?" Bella perguntou.
"Qualquer coisa que você deseje compartilhar, eu quero saber", Edward respondeu e seu olhar caiu sobre Bella com nada além de sinceridade e verdade.
"Eu não sou tão emocionante, realmente", ela hesitou, chutando uma pedra no caminho.
"Bella, não. Você viveu uma vida durante os últimos quatro anos em que fez você ser quem você é agora, eu não sei nada sobre essa pessoa. Eu posso até saber seu histórico, mas não sei nada de agora. Eu quero conhecer todas as versões de você, passado, presente e futuro", Edward explicou, tocando brevemente o ombro dela para enfatizar seu ponto.
Bella relaxou e o nó no peito afrouxou com suas palavras. Ela não tinha percebido o quanto significava ouvi-lo dizer aquilo, saber que ele estava interessado nela como mais do que apenas a mulher que ele amava antes.
Deu-lhe a esperança de que, caso os seus esforços falhassem, Edward poderia ainda querê-la, memórias quebradas e tudo.
Com um sorriso, Bella falou de sua vida em Kodiak, as amizades que tinha feito e as experiências que teve enquanto estava lá. Tanya e Rebecca, outra boa amiga, a tinham forçado a sair de sua zona de conforto nos últimos anos, incentivando-a a viver a sua vida no presente, enquanto ela continuava em busca de pistas do passado, algo que Bella tinha hesitado em fazer a princípio.
"Charlotte Byrd", Tanya bufou, voltando seus olhos castanhos penetrantes para Charlotte, em advertência. "Você tem que parar de fazer isso."
"Eu não sei do que você está falando."
Tanya estalou a língua e o barulho ecoou até Rebecca, que incrédula também estava com um olhar de desaprovação focada em sua amiga.
"Isso é o maior monte de merda que eu já ouvi. Você está se escondendo do mundo, Charlotte, enterrada em livros e cupcakes. Você não quer sair, ver o que este lugar tem para oferecer?" Rebecca questionou.
"Eu só não sei se eu deveria. E se alguém vier me procurar e eu não estiver aqui?"
"Charlotte, eu te amo, mas você tem que ter alguma perspectiva, querida", Tanya explicou suavemente, erguendo o braço para colocar a mão em seu ombro. "Nós sabemos o quanto o seu passado significa para você, mas e se isso nunca acontecer? E se as suas lembranças nunca mais voltarem, e ninguém vier procurar por você? Já se passaram dois anos, querida. É assim realmente como você quer viver?"
Charlotte mordeu os lábios e torceu as mãos no colo, sentada em seu sofá. Seus olhos vagavam entre as duas amigas, vendo a preocupação genuína, o desejo delas de que ela tivesse mais do que a vida enclausurada que ela tinha criado, mantendo os outros longe por causa de seus medos.
Elas estavam certas; este não era o tipo de vida que ninguém queria viver. Se ela não fizesse algo logo, seu futuro seria tão vazio e sombrio quanto o seu passado; mas desta vez, a culpa estaria diretamente sobre seus ombros.
Exalando um suspiro nervoso, Charlotte balançou a cabeça e uma resolução começou a encher o peito. "Ok, você está certa. Eu preciso estar aberta a outras possibilidades. Eu só estou... com medo."
"O medo é saudável, Char", disse Rebecca. "É o que diz que você ainda está viva."
Tanya assentiu, dando um sorriso perverso que Charlotte sabia que só podia significar que ela estava planejando algo desonesto. "Exatamente. E eu acho que é hora de Charlotte se sentir viva, então eu digo para fazermos alguma coisa para bombear seu sangue novo."
Charlotte olhou cautelosamente para a amiga. "O que é isso?"
Com um brilho nos olhos, Tanya caminhou até o armário de Charlotte, retirando seus casacos e botas de inverno pesado.
"Nós vamos andar de trenó de gelo."
"Elas são grandes amigas", disse Bella com um sorriso amargo. "Tanya, especialmente. Ela tem sido a coisa mais próxima que eu tinha de uma família desde que eu acordei, e eu não sei o que faria sem ela, às vezes", Bella ponderou.
Edward deu um sorriso apertado, com rugas ao redor dos olhos que deram a Bella uma pausa por um momento, mas ela continuou quando ele a cutucou para continuar.
"Tanya sempre me deu o impulso extra que eu precisava, ou o ombro para chorar quando as coisas eram demais para mim. Sei que eu posso contar com ela para tudo", Bella explicou, enquanto observava o farfalhar das folhas nas árvores com a brisa suave.
"Eu fico feliz que você teve alguém assim", Edward respondeu com ternura, com os olhos baixos focados no caminho.
Bella mordeu o lábio, sabendo que ele deveria estar se sentindo por culpado por não poder estar lá para ela, embora não tenha sido culpa dele.
"Não seja duro consigo mesmo, Edward", Bella disse a ele, estendendo a mão para o seu lado, com a necessidade de confortá-lo mais forte do que a necessidade de manter-se distante. "Você tentou me encontrar mais cedo."
"Mas não duro o suficiente", Edward bufou, os dedos envolvendo em torno de pequena mão de Bella. "Eu prometo, eu não vou deixar quem fez isso escapar Bella. Eles tomaram você de mim, de sua família e de alguma forma tomaram todas as suas lembranças também. Isso não ficará impune", Edward prometeu, e havia uma clara ameaça em sua voz.
Bella permaneceu quieta, vendo o calor e a raiva em seus olhos, mas sabendo que não eram dirigidos a ela. Ela apertou sua mão na dela, na esperança de aliviar um pouco sua hostilidade com o contato.
As feições de Edward relaxaram e seus olhos suavizaram quando ele olhou para ela. Ele continuou sua caminhada em um ritmo leve, encorajando Bella a continuar falando sobre sua vida como Charlotte Byrd.
Edward ouviu com muita atenção e diversão todas as coisas que ela amava fazer como ler, os programas de televisão que ela gostava, a emoção que sentiu ao abrir sua própria padaria. Graças a suas amigas, andar de trenó no gelo e até mesmo a pesca no gelo podiam ser nomeados como atividades que, enquanto a assustavam como nunca, Bella sempre foi orgulhosa de si mesma por fazê-las.
Não foi até muito mais tarde, depois de terem retornado para o Chalé Aspen que Bella percebeu que ela e Edward haviam ficado de mãos dadas pelo resto de sua caminhada, os ombros roçando e o calor se espalhando para cada um dos seus membros por conta de seu toque reconfortante.
Ela não podia esperar para sentir isso de novo.
Caminhar de mãos dadas pode parecer algo inocente, mas garanto que para Edward isso foi um passo enorme...
Beijo, e até terça!
Nai.
